Técnicas de Coleta de Sangue

Noções Básicas em Técnicas de Coleta de Sangue

1 Técnicas de Coleta de Sangue

Embora a prevenção seja a melhor alternativa para diminuir a incidência das doenças sexualmente transmissíveis e da aids, o diagnóstico e tratamento precoces diminuem as complicações e os efeitos psicossociais dessas patologias. O correto diagnóstico laboratorial depende da coleta adequada das amostras para testes.

Apresentamos os procedimentos e as técnicas, recomendados pelo Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, do Ministério da Saúde, para identificação, coleta, preparo, armazenamento e transporte de amostras de sangue para testes sorológicos e quantificação de células CD4 e da carga viral. Ao mesmo tempo, alerta você para os critérios de controle de qualidade e os cuidados de biossegurança indispensáveis para o desempenho de suas tarefas.

Lembre-se:

Tudo começa com a coleta adequada das amostras.

2 O PROFISSIONAL DE SAÚDE E O PACIENTE

Como receber o paciente e que informações fornecer?

Receba o paciente com cortesia e cordialidade. A cada etapa, explique os procedimentos aos quais ele vai ser submetido, de modo a transmitir-lhe tranqüilidade e segurança.

Em que casos se deve aconselhar o paciente a fazer também os testes de Sífilis e do HIV?

Todo paciente atendido nas clínicas de DST/aids deve ser estimulado a fazer testes de Sífilis e de HIV.

O paciente deve estar em jejum para a coleta de sangue?

A coleta de amostras de sangue para testes sorológicos deve ser realizada preferencialmente com o paciente em jejum. Nos testes sorológicos para diagnósticos das DST e aids, o fato de o paciente não estar em jejum não impede a coleta, a menos que ele tenha ingerido alimentos gordurosos, nas últimas três horas.

3 O que é necessário para a coleta de sangue?

- Sala bem iluminada e ventilada.
- Pia.
- Cadeira reta com braçadeira regulável ou maca.
- Garrote.
- Algodão hidrófilo.
- Álcool iodado a 1% ou álcool etílico a 70%.
- Agulha descartável.
- Seringa descartável.
- Sistema a vácuo: suporte, tubo e agulha descartável.
- Tubos de ensaio com tampa.
- Pinça.
- Pipetas Pasteur.
- Etiquetas para identificação de amostras.
- Caneta.
- Recipiente de boca larga, com parede rígida e tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2%.
- Avental e máscara.
- Luvas descartáveis.
- Estantes para tubos.

O que deve ser feito antes da coleta da amostra de sangue?

Identifique os tubos para colocação da amostra. Escreva na etiqueta os dados do paciente: nome, número do registro, data de nascimento, sexo, data da coleta, número ou código de registro da amostra e o nome da instituição solicitante. Em algumas unidades, utiliza-se apenas códigos ou abreviaturas em lugar do nome do paciente.

4 A COLETA COM SERINGA E AGULHA DESCARTÁVEIS

Como fazer coleta de sangue com seringa e agulha descartáveis?

1- Coloque a agulha na seringa sem retirar a capa protetora. Não toque na parte inferior da agulha;
2- Movimente o êmbulo e pressione-o para retirar o ar;
3- Ajuste o garrote e escolha a vela;
4- Faça a anti-sepsia do local da coleta com algodão umedecido em álcool a 70% ou álcool iodado a 1 %. Não toque mais no local desinfetado;
5- Retire a capa da agulha e faça a punção;
6- Solte o garrote assim que o sangue começar a fluir na seringa;
7- Colete aproximadamente 10 ml de sangue. Em crianças, colete de 2 a 5 ml;
8- Separe a agulha da seringa com o auxílio de uma pinça, descarte a agulha em recipiente de boca larga, paredes rígidas e tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2%;
9- Oriente o paciente a pressionar com algodão a parte puncionada,mantendo o braço estendido, sem dobrá-lo;
10- Transfira o sangue para um tubo de ensaio sem anticoagulante, escorra delicadamente o sangue pela parede do tubo. Este procedimento evita a hemólise da amostra. Descarte a seringa no mesmo recipiente de descarte da agulha.

5 COLETA COM SISTEMA A VÁCUO E COLETA MÚLTIPLA

Como proceder quando a coleta é feita com sistema a vácuo?

1- Rosqueie a agulha no adaptador (canhão). Não remova a capa protetora de plástico da agulha;
2- Ajuste o garrote e escolha a veia;
3- Faça a anti-sepsia do local da coleta com algodão umedecido em álcool a 70% ou álcool iodado a 1%. Não toque mais no local desinfetado;
4- Remova o protetor plástico da agulha. Faça a punção;
5- Introduza o tubo no suporte, pressionando-o ate o limite;
6- Solte o garrote assim que o sangue começar a fluir no tubo;
7- Separe a agulha do suporte com o auxílio de uma pinça. Descarte a agulha em recipiente de boca larga, paredes rígidas e tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2%;
8- Oriente o paciente a pressionar com algodão a parte puncionada, mantendo o braço estendido, sem dobrá-lo.

Como fazer uma coleta múltipla?

Utilize o sistema a vácuo. Troque os tubos à medida em que for colhendo as amostras desejadas. Todos os demais procedimentos são iguais ao do sistema a vácuo.

6 DESCARTE DE REJEITOS PRODUZIDOS NA COLETA

Como é feito o descarte de agulhas, seringas, algodão e coágulos?

O descarte do lixo produzido deve ser feito de acordo com as normas estabelecidas para o trato do lixo hospitalar. Todos os objetos perfurocortantes devem ser descartados em um recipiente de boca larga, paredes rígidas e tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2%, que deve ser preparado diariamente. Após imersão total por 24 horas, no mínimo, deve ser realizada a autoclavação desse material. O algodão e os coágulos devem ser colocados em sacos plásticos e identificados como material potencialmente infectante. Todo esse material deve ser encaminhado ao lixo hospitalar.

DESCONTAMINAÇÃO DE MATERIAIS REUTILIZÁVEIS

Como é feita a descontaminação dos materiais reutilizáveis?
Os materiais reutilizáveis devem ser colocados em desinfetante próprio, pelo tempo de contato recomendado e depois autoclavados. A seguir, devem ser lavados normalmente como material médico-hospitalar.

ATENÇÃO

Jamais reencape agulhas Nunca descarte material contaminado sem a prévia descontaminação.

7 MATERIAL PARA PREPARAR E ARMAZENAR O SORO

Qual o material necessário para preparar e armazenar o soro?

- Tubos de ensaio.
- Pipeta Pasteur ou pipeta automática de 0,5 a 1,0 ml.
- Etiquetas.
- Caneta.
- Estante para tubos.
- Centrífuga.
- Geladeira.
- Congelador.
- Avental e máscara.
- Luvas descartáveis.
- Recipiente de boca larga, com parede rígida e tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2%.

Como proceder com a amostra de sangue coletada?

Deixe a amostra em temperatura ambiente até a retração do coágulo. A amostra pode ficar em temperatura ambiente por 3 horas no máximo. Após este período o sangue pode hemolisar.

Como conservar a amostra antes da separação do soro?

Após a retração do coágulo, o material pode permanecer em geladeira, de 4° a 8° C, por 12 horas no máximo, a fim de evitar hemólise.

A quem cabe a responsabilidade da separação do soro?

Depende da organização do serviço. Caso o serviço não disponha de laboratório, a separação será feita pela equipe de coleta.
A temperatura ambiente em laboratórios clínicos deve estar entre 20°C e 26°C, para manter a estabilidade das reações sorológicas e a confiabilidade dos resultados.

Como separar e armazenar o soro?

Após a retração do coágulo você pode separar o soro de duas maneiras: espontânea ou mecânica.

Separação Espontânea.

1- Aspire e transfira cuidadosamente o soro para um tubo limpo, previamente identificado. Use uma pipeta Pasteur ou automática. Cuidado: não toque o coágulo para que as células não se misturem com o soro.
2- Guarde em geladeira por 72 horas, no máximo, ou em congelador a -20°C, até o envio ao laboratório.

Separação Mecânica

1- Centrifugue o sangue por 10 minutos a 1.500 rpm.
2- Retire o tubo, após a completa parada da centrífuga.
3- Aspire, transfira cuidadosamente e guarde o soro até o envio ao laboratório, conforme descrito na separação espontânea.

Obs:

A separação mecânica possibilita a obtenção de maior volume do soro. Toda amostra armazenada em geladeira ou congelador deve estar tampada e devidamente identificada.

8 Transporte

Qual o material necessário para o transporte de amostras?

- Sacos plásticos.
- Caixa térmica.
- Gelo reciclável ou comum.
- Fita adesiva.
- Etiqueta, envelope e caneta.

Quais os cuidados com o transporte de material biológico?

1- Comunique o envio das amostras ao destinatário, com a data e o horário de chegada previstos;
2- Acondicione as amostras em saco plástico, transparente, bem vedado;
3- Coloque o saco com amostra em caixa térmica para transporte contendo gelo reciclável. Caso você não disponha de gelo reciclável, coloque cubos de gelo dentro de um saco plástico bem vedado, evitando o vazamento da água quando o gelo descongelar. A quantidade de gelo utilizada deve corresponder a, no mínimo, 1/3 do volume (cubagem) da embalagem;
4- Coloque em um envelope protegido com um saco plástico as informações devidamente conferidas relativas à amostra;
5- Prenda, com fita adesiva, esse envelope na parte interna da tampa da caixa térmica;
6- Cole, na parte externa da tampa, uma etiqueta com o nome da instituição destinatária, endereço, nome do responsável pelo recebimento, nome da instituição remetente, endereço, telefone, fax, horário de envio e validade da embalagem.

O prazo de validade da embalagem depende do tipo de gelo utilizado:

- Gelo reciclável - até 30 horas de validade;
- Gelo comum - até 15 horas de validade.
Esses prazos de conservação valem somente para embalagens transportadas em temperaturas de no máximo 28°C.

Obs:

Não envie amostras às sextas-feiras, aos sábados, aos domingos ou véspera de feriados, a menos que a instituição destinatária autorize.

9 AMOSTRAS ESPECIAIS - CD4 E CARGA VIRAL

Como deve ser coletado e transportado o sangue para a quantificação de subpopulações de linfócitos CD4?

O sangue para o teste de quantificação de linfócitos CD4 deve ser coletado em tubo contendo solução de EDTA e transportado em temperatura ambiente, não excedendo a 37°C. A amostra deve chegar ao laboratório, onde será processada para o exame, no máximo 18 horas após a coleta.

Atenção:

No teste de CD4 é utilizado o sangue total, que nunca deve ser colocado em geladeira ou congelador.

Como coletar, separar e transportar a amostra usada para o teste de quantificação da carga viral para o HIV?

O sangue deve ser coletado em tubo contendo solução de EDTA. O plasma deve ser separado por centrifugação, a 1.500 rpm por 10 minutos. Deve ser armazenado a -70°C e transportado congelado.

Obs:

O plasma deve chegar e permanecer congelado no laboratório até a realização do teste.

Para cuidar de sua segurança, da segurança de seus colegas de trabalho e do meio ambiente, obedeça aos procedimentos básicos de biossegurança em laboratórios:

Todo cuidado é pouco na manipulação de materiais biológicos, tais como soro, sangue ou secreções, fluidos orgânicos, tecidos etc. Redobre suas precauções, pois esses materiais são potencialmente infectantes e muitas vezes estão contaminados com agentes etiológicos diferentes do que se está pesquisando, ou ainda desconhecidos. Nunca pipete com a boca e jamais cheire placas de cultura. A inativação do soro em banho-maria a 56°C por 30 minutos não elimina o potencial infectante da amostra.

Lembre-se de que, com a automação, aumentou muito o número de amostras processadas em laboratório e, consequentemente, aumentou também o risco de contaminação. Como você sabe, é difícil afirmar que um profissional se contaminou, de fato, em serviço. Isso faz com que as doenças infecto-contagiosas causadas por acidentes de trabalho não sejam devidamente notificadas; em conseqüência, as medidas de segurança envolvendo o biorisco acabam não sendo implementadas.

Use sempre equipamento de Proteção Individual (EPI): avental ou jaleco longo de mangas compridas e punho retrátil, luvas descartáveis, óculos de proteção, pipetadores manuais ou automáticos e, quando for o caso, protetor facial. Os EPI são regulamentados pelo Ministério do Trabalho e seu uso visa a minimizar a exposição do técnico aos riscos e evitar possíveis acidentes nos laboratórios.

Note que, às vezes, os profissionais de laboratório precisam de um tempo para se adaptar ao uso dos equipamentos na sua rotina. O importante é que você se adapte e incorpore a utilização dos EPI à sua prática profissional. O uso indevido dos EPI, ao invés de proteger, poderá ocasionar acidentes.

Evite a formação e dispersão de aerossóis. Aerossóis são micropartículas sólidas e líquidas com dimensões aproximadas entre 0,1 e 50 micra que podem, caso contenham micro-organismos, permanecer em suspensão e plenamente viáveis por várias horas. A pipetagem, flambagem de alças, abertura de frascos e ampolas, manipulação de seringas, agulhas, lancetas, lâminas e outros assemelhados podem gerar e propagar aerossóis. Abertura de frascos, ampolas, tubos e garrafas de cultura requer cuidados especiais.

Envolva a parte a ser aberta com um pedaço de gaze. Utilize um pedaço de gaze para cada material, prevenindo assim a contaminação cruzada. Descarte-a imediatamente em hipoclorito de sódio a 2 %. Centrífugas, agitadores e maceradores, quando manipulados sem as precauções e abertos antes da total parada ou término da operação, igualmente podem contaminar o ambiente laboratorial.

Jamais reencape agulhas. Esse procedimento é uma das principais causas da contaminação de profissionais de saúde por micro-organismos, existentes no sangue e em outros fluidos orgânicos, como por exemplo, o vírus da hepatite B e o HIV. Após a coleta, você deve descartar esse material diretamente em recipiente de paredes rígidas com tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2% em volume superior a metade do recipiente.

Lembre-se: Cada mililitro de sangue contaminado com o vírus da hepatite B contém 100.000.000 de partículas virais, que podem permanecer viáveis por até uma semana. Basta (01) uma dessas partículas para contaminar a pessoa.

Reduza ao máximo o manuseio de resíduos, em especial os perfurocortantes. Descarte o rejeito perfurocortante diretamente em recipiente de paredes rígidas, contendo hipoclorito de sódio a 2%. Deixe em imersão total no mínimo por 24 horas e, em seguida, faça a autoclavação desse material. Esta é uma regra básica para diminuir os riscos de acidente nos laboratórios. É fundamental que os materiais perfurocortantes sejam autoclavados depois da imersão em hipoclorito de sódio a 2%. Só então esses materiais devem ser encaminhados ao lixo hospitalar.

O acondicionamento dos resíduos de laboratório deve seguir a Norma Brasileira (NBR) 9190 da Associação Brasileira de Normas Técnicas- ABNT, que recomenda sacos brancos leitosos para os resíduos potencialmente infectantes e hospitalares e escuros para o lixo comum. Os profissionais responsáveis pela limpeza e conservação devem ser bem orientados e usar equipamentos de proteção. Todos os recipientes para descarte devem estar identificados.

Lembre-se de que, pela legislação brasileira, quem gera o resíduo é o responsável pela sua eliminação e controle. No caso dos materiais reutilizáveis, como vidraria e utensílios, deposite-os em recipiente contendo o desinfetante próprio, pelo tempo de contato recomendado e, em seguida, faça a autoclavagem. Depois, lave normalmente esses materiais e guarde-os para uso posterior.

Identifique e sinalize os principais riscos presentes em seu laboratório. Produtos e áreas que oferecem risco devem ser marcados com os devidos símbolos internacionais em etiquetas auto-adesivas padrão.

Veja, a seguir, os principais símbolos associados aos riscos em laboratórios.

Verifique sempre as condições de funcionamento dos equipamentos de Proteção Coletiva (EPC): extintores de incêndio, chuveiros de segurança, lava-olhos, pia para lavagem de mãos, caixa de areia e cabine de segurança biológica. Existem três tipos de cabines de segurança biológica disponíveis no mercado: as de classe I, de classe II e de classe III. São recomendadas para o uso em laboratórios clínicos as de classe II. Veja a figura, na página seguinte. Procedimentos que devem ser observados na cabine de segurança biológica:

- Descontamine a superfície interior, antes e depois do uso, com gaze estéril embebida em desinfetante adequado;

- Ligue a cabine e a luz ultravioleta 20 minutos antes e deixe tudo ligado pelo mesmo tempo ao final de sua utilização;

- Use avental de mangas longas, luvas descartáveis e máscara;

- Não efetue movimentos rápidos ou bruscos dentro da cabine e evite operações que causem turbulência;

- Não use bico de Bunsen, pois pode acarretar a anos ao filtro HEPA e causar desequilíbrio do fluxo de ar. Se necessário, use incinerador elétrico ou micro queimador automático; e

- Mantenha as grelhas anteriores e posteriores da cabine desobstruídas. A cabine não é um depósito. Evite guardar equipamentos ou quaisquer outros objetos no seu interior.

As cabines de classe I e II são consideradas como barreira de proteção parcial e a de classe III é uma barreira de proteção total.

10 Descontaminação

Para descontaminação pessoal, de equipamentos e superfícies fixas, utilize desinfetantes eficientes e adequados. Use sempre produtos registrados no Ministério da Saúde. Não existe um desinfetante único que atenda a todas as necessidades. É fundamental conhecer os diversos agentes químicos e sua compatibilidade de uso para evitar custos excessivos e utilização inadequada. Para a descontaminação de amostras biológicas na rotina dos laboratórios clínicos, recomendamos os compostos liberadores de cloro. O mais comumente utilizado é o hipoclorito de sódio a 2%.
Sua forma mais ativa é o ácido hipocloroso (HOCI), que é formado em soluções com pH entre 5 e 8. A eficácia do cloro decresce com o aumento do pH e vice-versa. Cabe lembrar que a atividade desse ácido é diminuída na presença de matéria orgânica, fato que deve ser considerado quando aplicado em superfícies contendo sangue e outros líquidos corpóreos. Os hipocloritos têm sua estabilidade dependente de fatores como concentração, temperatura, pH, luz, metais e prazo de validade. Os hipocloritos são corrosivos para metais.
Objetos de prata, alumínio e até mesmo de aço inoxidável são atingidos, quando imersos em soluções rotineiramente utilizadas em laboratório. O hipoclorito de sódio é tóxico e causa irritação na pele e olhos. Se ingerido, provoca corrosão das membranas e mucosas e sua inalação causa irritação severa no trato respiratório. Jamais misture os hipocloritos com outras substâncias químicas, tais como desinfetante, álcool, soluções germicidas etc.
Após o tratamento por 24 horas com hipoclorito de sódio a 2%, os materiais devem ser autoclavados. A autoclavação é recomendada tendo em vista a possibilidade de o hipoclorito não atingir as partes do material a ser esterilizado. Caso isso não seja possível, a alternativa é o método de fervura por período não inferior a 30 minutos.
Observe, na tabela abaixo, a indicação de alguns agentes químicos e seu espectro de ação antimicrobiana. Eficiência antimicrobiana de alguns agentes químicos desinfetantes frente a agentes microbianos.
Tenha muito cuidado com a manipulação e a estocagem de substâncias químicas. Leia com atenção as informações contidas nos rótulos. A estocagem de matéria-prima deve ser feita em armários apropriados, bem ventilados, ao abrigo da luz solar e calor. É importante observar a incompatibilidade entre as diferentes substâncias. Sempre que recomendado pelo fabricante, os agentes químicos devem ser manipulados em capelas de exaustão química devidamente instaladas.

Atenção:

Não confunda capela de exaustão química com cabine de segurança biológica.
Seja sempre consciente da importância de suas ações na preservação da biossegurança em seu local de trabalho.
- Lave as mãos antes e depois de qualquer procedimento laboratorial;
- Nunca pipete com a boca;
- Jamais cheire placas de cultura;
- Dentro do laboratório, não fume, não coma, não beba, não prepare refeições;
- Quando estiver usando luvas, não manuseie objetos de uso comum, como telefones, maçanetas de portas e janelas, jornais, revistas etc;
- Não guarde alimentos ou bebidas em geladeiras e congeladores para armazenagem de material biológico; e
- Vacine-se rotineiramente contra a hepatite B.
Seguindo essas recomendações, você vai estar contribuindo para a diminuição de acidentes. Se acontecer um acidente de trabalho em seu Iaboratório, notifique imediatamente a sua chefia.

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muitas das atividades aqui descritas para a identificação, a coleta, o preparo, armazenamento e transporte de amostras de sangue para testes sorológicos já fazem parte do seu cotidiano. Faça uma reflexão sobre o que acabou de ler e verifique o que pode ser mantido, modificado e incorporado a seu trabalho e ao seu laboratório para que a sua prática profissional se desenvolva de acordo com os procedimentos técnicos e os cuidados de biossegurança recomendados pelo Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, do Ministério da Saúde.