MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS
Manutenção de Tratores Agrícolas
1 MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS
Introdução
Manutenção de máquinas agrícolas é definido como o conjunto de procedimentos que visam manter as máquinas nas melhores condições de funcionamento e prolonga-lhes a vida útil, através de lubrificação, ajustes, revisões e proteção contra os agentes que lhes são nocivos, os quais estão presentes no ar, solo e plantas. Estes fatores problemáticos são decorrentes do próprio trabalho, do meio ambiente e do manejo. Diz respeito a alojamento, abastecimento, lubrificação, pequenos reparos, proteção contra ferrugem e deterioração. No que diz respeito ao alojamento, quando uma máquina não estiver em serviço, esta deve ficar abrigada da ação dos raios solares, água das chuvas e outros agentes que lhes são nocivos. Os abrigos podem ser simples e construídos de forma que evitem perigos de incêndios, goteiras etc.. O piso, quando não pavimentado, deverá ser suficientemente compactado, recoberto por uma camada de cascalho ou pedregulho fino, em nível pouco superior ao terreno que o circunda. É importante mantê-lo limpo.
Já o abastecimento de máquinas motorizadas compreende algumas operações como preenchimento do tanque de combustível, verificação do nível de água do radiador; calibragem dos pneus até pressão correia e verificação do nível de eletrólito da bateria. O combustível utilizado no abastecimento deve ser armazenado em local abrigado dos raios solares e com baixa variação de temperatura. A pintura do local com tintas claras evita grandes variações de temperatura do combustível. Deve-se tomar cuidado para evitar impurezas no combustível (água, sujeiras provenientes do tanque, etc.). O abastecimento do tanque de combustível deve ser realizado sempre ao final da jornada de trabalho, evitando condensação da umidade do ar no interior do tanque de combustível. No início da jornada do dia seguinte deve-se fazer a drenagem no pré-filtro de combustível.
O abastecimento de água do radiador deverá ser realizado diariamente com água limpa e de preferência com o motor frio. Se o motor estiver quente e importante que se tome cuidado ao abrir a tampa do radiador para evitar riscos de queimadura. Neste caso ainda, deve-se acrescentar a água fria lentamente e com o motor em funcionamento.
Um bom desempenho e a durabilidade dos pneus dependem, principalmente, da manutenção dos mesmos na correta pressão recomendada pelo fabricante. Pneus excessivamente pressurizados levam as perdas por excessivo patinamento, desgaste prematuro da banda de rolagem, aumento do consumo de combustível, etc.. Pneus com baixa pressão apresentam consumo irregular da banda de rodagem, menor resistência dos flancos à impactos do terreno, ruptura de lonas, maior consumo de combustível. Para enchê-los deve se usar água limpa e uma solução anti-congelante se necessário. O controle da pressão deve ser feita a cada duas ou três semanas, utilizando-se um manômetro de boa qualidade. As baterias comumente utilizadas em máquinas agrícolas são do tipo ácido. O eletrólito é ácido sulfúrico diluído na proporção de 2 volumes de H2SO4 concentrado, diluído em 5 volumes de água destilada. A manutenção deve ser feita entre 50 e 60 horas de trabalho ou semanalmente, utilizando-se água destilada, até que o nível atinja 1 cm acima das placas. Além disso, é importante que a bateria esteja bem fixada à maquina, que os pólos estejam limpos e untados com graxa neutra e que não sejam realizados curto-circuito para verificação de carga.
Na lubrificação de uma máquina deve-se conhecer a especificação do tipo de óleo utilizado nos diferentes locais da máquina como motor, transmissão, sistema hidráulico, freios, e direção hidráulica. Os lubrificantes pastosos (graxas) são utilizados em mancais, articulações, rolamentos, são aplicados através de bicos engraxadores que devem ser mantidos limpos e em bom estado de funcionamento.
Métodos de manutenção
De maneira geral a manutenção pode ser classificada em dois métodos diferentes que são a preventiva ou periódica e a manutenção corretiva.
Manutenção corretiva
É o conjunto de reparos que devem ser realizados toda vez que se encontrar algum componente danificado. Pode ser facilmente desencadeada pela manutenção periódica que detectará os pontos a serem corrigidos. Também pode ser atribuída a falhas de manutenção periódica e de operação
Manutenção preventiva ou periódica
A denominação de manutenção periódica refere-se às operações que deverão ser realizadas a intervalos regulares, determinados pelo número de horas trabalhadas pelas máquinas. Para isto, é necessário que seja registrado o tempo necessário para às operações. O instrumento do trator utilizado para isto é o tratômetro, composto por tacômetro (mede a rotação do motor) e o horímetro (mede horas em uma determinada rotação).
Sempre que a pessoa, ou a equipe de manutenção, for realizar alguma operação é necessário que se tome as medidas necessárias quanto à segurança. Sérios danos na máquina, como também graves lesões no operador podem ser evitados com poucas medidas de segurança. Para exemplificar, antes de se retirar qualquer tubo hidráulico da máquina é necessário que se verifique se o sistema não esteja pressurizado. É importante que se utilize equipamentos de segurança adequados, como luvas óculos, etc. Da mesma forma, antes de mexer em componentes elétricos, deve-se desligar o cabo de massa (negativo) da bateria. Isto poderá evitar a geração de faíscas provocando queimas ou mesmo explosões. Antes de realizar qualquer trabalho de manutenção como examinar, limpar ajustar ou mesmo engatar algum implemento, o operador deve-se certificar se o motor está parado, os freios aplicados, a TDP desligada e que todas as outras peças em movimento se encontrem paradas.
Quando deve-se realizar a manutenção periódica
No que se refere a intervalos de manutenção preventiva, cada fabricante de máquinas agrícolas apresenta em seu manual do operador informações sobre quando deverá ser realizada a manutenção periódica. Os intervalos de manutenção apresentados pelos fabricantes, em suas tabelas, normalmente devem ser observadas quando a máquina for utilizada em situações normais de operação. Desta forma, a equipe ou técnico responsável deverá realizar os devidos ajustes com relação as condições ambientais de trabalho. Estes intervalos deverão ser reduzidos em condições adversas como (água, lama, areia, excesso de poeira, etc.).
Lubrificantes
Os atuais tratores, colhedoras e implementos agrícolas tornaram-se máquinas sofisticadas e de alto desempenho, exigindo para o seu uso eficiente lubrificantes de alta qualidade que respondam bem à crescente severidade dos serviços a que estão sujeitos estes equipamentos. A lubrificação é um dos principais itens de manutenção de máquinas agrícolas e deve ser entendida e praticada para aumento da vida útil das mesmas. Os lubrificantes são substâncias que colocadas entre duas peças móveis ou uma fixa e outra móvel, formam uma película protetora que tem por função:
-> reduzir o atrito e o desgaste;
-> auxiliar na diminuição do calor e a vedação do motor;
-> fazer a limpeza das peças;
-> proteger contra a corrosão;
-> evitar a entrada de impurezas;
-> transmitir força e movimento.
Os lubrificantes apresentam-se principalmente no estado sólido (grafite), pastoso (graxas) e líquido (óleos lubrificantes).
Óleos lubrificantes
Os óleos lubrificantes podem ser de origem animal ou vegetal (óleos graxos), derivados de petróleo (óleos minerais) ou produzidos em laboratório (óleos sintéticos), podendo ainda ser constituído pela mistura de dois ou mais tipos (óleos compostos). As principais características dos óleos lubrificantes são a viscosidade, o índice de viscosidade (IV) e a densidade.
A viscosidade mede a dificuldade com que o óleo escorre (escoa). Quanto mais viscoso for um lubrificante (mais grosso), mais difícil de escorrer, portanto será maior a sua capacidade de manter-se entre duas peças móveis fazendo a lubrificação das mesmas. A viscosidade dos lubrificantes não é constante, ela varia com a temperatura. Quando esta aumenta, a viscosidade diminui e o óleo escoa com mais facilidade. O índice de Viscosidade mede a variação da viscosidade com a temperatura. A Densidade indica o peso de uma certa quantidade de óleo a uma certa temperatura, é importante para indicar se houve contaminação ou deterioração de um lubrificante.
Para conferir-lhes certas propriedades especiais ou melhorar alguma já existente, porém em grau insuficiente, especialmente quando o lubrificante é submetido a condições severas de trabalho, são adicionados produtos químicos aos óleos lubrificantes, que são chamados aditivos. Os principais tipos de aditivos são: anti-oxidantes, anti-corrosivos. anti-ferrugem, antiespumantes, detergente-dispersante, melhoradores do índice de Viscosidade, agentes de extrema pressão, etc.
Óleos para motores
O motor dos tratores e colhedoras tem características peculiares, tais como funcionamento a altas rotações, temperatura e pressão, além da contaminação pelos resíduos da combustão. Para facilitar a escolha do lubrificante correto, várias são as classificações, sendo as principais SAE e API.
Classificação SAE: estabelecida pela Sociedade dos Engenheiros Automotivos dos Estados Unidos. Classifica os óleos lubrificantes pela sua viscosidade, que é indicada por um número; quanto maior este número, mais viscoso é o lubrificante e são divididos em três categorias: Óleos de Verão: SAE 20, 30, 40, 50, 60 Óleos de Inverno: SAE 0W, 5W, 10W, 15W, 20W, 25W Óleos multiviscosos (inverno e verão): SAE 20W-40, 20W-50, 15W-50. Obs.: A letra W vem do inglês “winter” que significa inverno.
As principais vantagens dos óleos multiviscosidade em relação aos óleos monoviscosos são: partidas a frio mais fáceis, lubrificação adequada numa faixa mais ampla de viscosidade, menor desgaste do motor, menor consumo de combustível, menor consumo de lubrificantes e maior durabilidade da bateria.
Classificação API: Desenvolvida pelo instituto Americano do Petróleo, também dos
Estados Unidos. Baseia-se em níveis de desempenho dos óleos lubrificantes, isto é, no tipo de serviço a que a máquina estará sujeita. São classificados por duas letras, a primeira indica o tipo de combustível do motor e a segunda o tipo de serviço. Os óleos lubrificantes para motores a gasolina, álcool e GNV (Gás natural veicular) de 4 tempos atualmente no mercado são apresentados na tabela abaixo. O óleo SJ é superior ao SH, isto é, o SJ passa em todos os testes que o óleo SH passa, e em outros que o SH não passa. O Óleo SH por sua vez é superior ao SG. assim sucessivamente
2 Óleos para transmissões mecânicas
Óleos para transmissões hidromecânicas
Óleos para sistemas hidráulicos
Óleos multifuncionais
Graxas
Tipos de graxas
Principais características das graxas
Aditivos para graxas
Classificação das graxas
Métodos de aplicação de lubrificantes
Graxas
3 Cuidados na lubrificação de tratores e máquinas agrícolas
4 Cuidados na lubrificação de tratores e máquinas agrícolas
Cuidados gerais
Cuidado com as graxas - Limpar bem os pinos graxeiros antes da lubrificação
Cuidado com os óleos