Introdução aos Tratores Agrícolas
Tratores Agrícolas
1 Operação de Tratores Agrícolas
A operação de tratores agrícolas refere-se ao conjunto de atividades envolvidas no manuseio e controle desses veículos especializados no ambiente agrícola. Inclui a condução segura, a execução de tarefas agrícolas, como arar, plantar, colher e outras atividades relacionadas à preparação e manutenção do solo. A operação eficiente dos tratores agrícolas requer habilidades técnicas do operador, conhecimento das práticas agrícolas e a capacidade de utilizar adequadamente os implementos agrícolas acoplados aos tratores. Além disso, é essencial observar as normas de segurança para prevenir acidentes e assegurar uma produção agrícola sustentável e eficaz.
2 Introdução aos Tratores Agrícolas
O trator agrícola representa um valioso equipamento presente em praticamente todas as operações mecanizadas no campo. Portanto, sua operação correta é essencial para otimizar o desempenho e reduzir os custos associados.
Este documento detalha os procedimentos necessários para a realização da operação e aproveitamento dos recursos tecnológicos disponíveis no trator. Isso é abordado de maneira abrangente, contemplando diferentes marcas e modelos.
O conteúdo atende aos requisitos do programa estabelecido pelas normas regulamentadoras para a capacitação de operadores. Ele trata dos aspectos legais e de segurança na operação do trator, priorizando a preservação da saúde e segurança do trabalhador, fatores cruciais para a melhoria da qualidade e produtividade nas operações agrícolas.
O material também discute a constituição do trator, tanto como veículo quanto como fonte de energia para movimentar os órgãos ativos dos implementos agrícolas acoplados a ele. São descritos os componentes do posto de operação, incluindo indicadores, medidores e a utilização dos comandos operacionais.
São abordados temas como o manuseio dos sistemas hidráulicos, as regulagens para acoplamento do implemento ao trator, a adaptação do trator a diferentes operações agrícolas, além de destacar os fatores que influenciam no desempenho operacional do trator.
Além deste material, é crucial que o operador sempre tenha em mãos o manual específico do operador. Esse recurso deve ser consultado regularmente para esclarecer dúvidas relacionadas ao correto funcionamento do trator.
Por meio de treinamentos, capacitação e atualização constante do operador, é viável explorar plenamente os recursos oferecidos pelo trator. Isso contribui para aprimorar a qualidade do trabalho, prevenir quebras, aumentar o rendimento e assegurar uma maior vida útil do equipamento, resultando, consequentemente, na redução dos custos operacionais.
3 Aspectos Legais e de Segurança na Operações com Tratores Agrícolas
A Norma Regulamentadora 31/2005 (BRASIL, 2005) e a Portaria do MTE n.º 2.546/2011 (BRASIL, 2011), que modifica o item 31.12 Segurança no Trabalho em Máquinas e Implementos Agrícolas, apresentam considerações referentes à capacitação dos trabalhadores para o manuseio e operação segura de máquinas e implementos (Itens 31.12.74 ao 31.12.82). O item 31.12.77 especifica o conteúdo programático mínimo a ser abordado na capacitação de operadores de máquinas autopropelidas e implementos.
A Norma Regulamentadora 12/2010 (BRASIL, 2010a) (itens 12.135 ao 12.147) e seu Anexo II (Conteúdo programático da capacitação) também tratam das considerações acerca do conteúdo programático e dos procedimentos da capacitação do trabalhador.
Portanto, antes de abordar o trator agrícola e sua operação, é imperativo familiarizar-se com os aspectos legais relacionados à operação de tratores, as normas de segurança, os agentes de risco no trabalho, os procedimentos de segurança na operação e o manual do operador.
Saúde do Trabalhador
A preservação da saúde representa o maior ativo dos trabalhadores, sendo responsabilidade de cada indivíduo zelar por ela, observando as condições de seu ambiente de trabalho. Ao empregador, compete disponibilizar todos os recursos necessários para assegurar que a atividade desempenhada pelo empregado seja respaldada por meios que visam à preservação da integridade física do trabalhador.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2016), "Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou enfermidade". A saúde é influenciada por diversos fatores, como condições de alimentação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso a serviços de saúde, formas de organização social e de produção.
É importante ressaltar que a preservação da saúde não traz benefícios apenas aos trabalhadores, mas reverbera positivamente em toda a sociedade. Cabe a todos os envolvidos, tanto empregadores quanto empregados, colaborar para criar um ambiente laboral que promova o completo bem-estar físico, mental e social, conforme preconizado pela definição da Organização Mundial da Saúde.
Normas de Segurança no Trabalho
Segurança compreende um conjunto de medidas adotadas para minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e salvaguardar a integridade e a capacidade laboral do trabalhador (ALBUQUERQUE, 2012).
O operador de trator deve possuir capacitação e autorização para desempenhar sua função. Para alcançar isso, é fundamental que compreenda as instruções inerentes ao seu cargo por meio de cursos de formação e esteja familiarizado com as normas de segurança relacionadas ao seu trabalho.
Devido aos riscos inerentes às atividades do operador rural, o Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu normas de segurança, visando a redução de acidentes no ambiente de trabalho. No contexto de máquinas e implementos agrícolas, destacam-se as Normas Regulamentadoras 06/2001, 12/2010 e 31/2005 (BRASIL, 2001; 2010a, 2005).
Acidente e Doença do Trabalho
No ambiente de trabalho, o trabalhador se encontra exposto a uma variedade de fatores de risco que têm o potencial de resultar em acidentes ou doenças.
Acidente de trabalho:
Acidente de trabalho, no contexto legal, é caracterizado como aquele que ocorre durante a execução das atividades laborais a serviço da empresa, resulta em lesão corporal ou perturbação funcional, e pode ocasionar morte, perda ou redução temporária ou permanente da capacidade para o trabalho, conforme estabelecido pela Lei nº 8213/1991.
Conforme argumentado por Almeida & Blinder (2000), os acidentes de trabalho não são eventos aleatórios, sendo muitas vezes previsíveis e passíveis de prevenção. Suas causas estão intrinsecamente ligadas ao ambiente de trabalho, tornando-as identificáveis e passíveis de neutralização antes que o acidente ocorra.
As potenciais causas de acidentes de trabalho são classificadas em ato inseguro e condição insegura. O ato inseguro refere-se à maneira como as pessoas se expõem, consciente ou inconscientemente, aos riscos de acidentes. Por outro lado, a condição insegura refere-se às condições presentes no ambiente de trabalho que apresentam perigos ou riscos para o trabalhador.
Doença do trabalho:
Doença do trabalho refere-se a condições adquiridas ou desencadeadas pelas condições inadequadas nas quais as atividades laborais são realizadas, expondo o trabalhador a agentes prejudiciais à saúde. Essas doenças geralmente se manifestam quando há exposições graduais ao risco ao longo de um período prolongado, podendo surgir meses ou até anos depois.
É responsabilidade do trabalhador cuidar de sua saúde, reduzindo a exposição aos fatores de risco, uma vez que a ausência imediata de sinais ou sintomas de intoxicação não garante que a doença não possa se manifestar no futuro.
Agentes de Riscos no Trabalho Rural
Os riscos no trabalho rural são intrínsecos à atividade, por isso, é crucial que o trabalhador esteja devidamente capacitado para utilizar os equipamentos, visando minimizar esses riscos e, consequentemente, reduzir a ocorrência de acidentes.
Segundo as diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego, os riscos no ambiente laboral podem ser categorizados em cinco tipos, cada um identificado por uma cor específica. Essa codificação facilita a sinalização, contribuindo significativamente para a segurança do trabalhador.
Agentes de Riscos no Trabalho com Tratores Agrícolas
NO quadro 2 abaixo, estãos os possíveis riscos e suas medidas preventivas no trabalho com tratores agrícolas.
Sinalização de Segurança
A orientação e condicionamento das ações dos trabalhadores em situações de risco de acidentes são desempenhados pela sinalização de segurança. É imperativo que o ambiente de trabalho seja devidamente sinalizado, visando à precaução e à preservação da segurança e saúde de todos os colaboradores.
A sinalização de segurança abrange diversos grupos, cada um com seus símbolos específicos.
Sinalização de segurança e saúde: fornece indicações ou prescrições relativas à Segurança e Saúde do Trabalho por intermédio de placas, cores, comunicações verbais e sinais luminosos, acústicos ou gestuais.
Sinal de proibição: proíbe um comportamento susceptível de provocar ou se expor a um perigo
Sinal de aviso: adverte sobre um perigo ou um risco.
Sinal de obrigação: impõe um determinado comportamento
Sinal de salvamento ou socorro: dá indicações de saídas de emergência ou meios de socorro ou salvamento.
Sinal de indicação: fornece indicações não abrangidas por sinais de proibição, aviso, obrigação e de salvamento ou socorro.
Pictogramas dos riscos: fazem a descrição do risco mostrando as consequências de não o prevenir, ou fazem prevenção do risco mostrando como deveria ser prevenido.
A norma NBR ISO 11684/2013 da Associação Brasileira de Normas Técnicas aborda os sinais de segurança e pictogramas de risco destinados a tratores, máquinas agrícolas e florestais.
Os tratores são equipados com vários avisos de segurança, apresentados na forma de decalques que alertam sobre os possíveis riscos de acidentes. Cada fabricante especifica a colocação desses avisos em locais específicos no trator, detalhados no respectivo manual.
É fundamental manter os decalques de segurança sempre limpos e legíveis, além de substituí-los quando estiverem danificados. Essa prática assegura a eficácia dos avisos e contribui para a preservação de um ambiente de trabalho seguro, conforme as diretrizes estabelecidas pela norma.
Usos dos Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva
Os Equipamentos de Proteção são fornecidos pelo empregador com o objetivo primordial de reduzir os incidentes de trabalho e as doenças ocupacionais. Além disso, esses equipamentos desempenham um papel crucial na preservação da integridade física e na manutenção da capacidade de trabalho dos colaboradores.
Equipamentos de Proteção Individual - EPIs:
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são projetados com a finalidade específica de resguardar partes do corpo do trabalhador durante a execução de operações no local de trabalho, com o intuito de reduzir o risco de acidentes, conforme destacado na Coleção SENAR 156 (BRASIL, 2012).
A segurança do operador é fundamental, e o uso adequado de EPIs desempenha um papel crucial nesse aspecto. Esses equipamentos devem ser selecionados de acordo com a natureza do trabalho e estar em condições ideais de uso, garantindo assim a eficácia necessária para proteger o trabalhador durante suas atividades laborais.
Equipamentos de Proteção Coletiva - EPCs:
Os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) desempenham um papel essencial no ambiente de trabalho, visando a proteção simultânea de um grupo de pessoas. Dentre os exemplos de EPCs, incluem-se:
Barreiras de proteção e proteção contra luminosidade e radiação;
Corrimão;
Fitas sinalizadoras;
Placas de alertas;
Superfícies antiderrapantes em degraus de escada e piso antiderrapante;
Extintores de incêndio;
Chuveiro de segurança;
Cones e sinalizadores.
Esses equipamentos são projetados para criar um ambiente mais seguro e prevenir riscos coletivos, contribuindo para a proteção efetiva de todos os envolvidos no ambiente de trabalho.
Procedimentos de Segurança na Operação e na Manutenção de Tratores Agrícolas
Durante a operação do trator agrícola, é crucial seguir determinados procedimentos de segurança para garantir um ambiente de trabalho seguro. Alguns desses procedimentos incluem:
O operador deve possuir habilitação de acordo com o Código Nacional de Trânsito, estando ciente das exigências da legislação em vigor.
Antes de operar o trator, o operador deve passar por treinamento e familiarizar-se com todos os comandos e controles da máquina.
Caso o trator esteja equipado com Estrutura de Proteção Contra Capotamento (EPCC), é imperativo utilizar o cinto de segurança durante a operação.
Estes procedimentos, quando rigorosamente seguidos, contribuem para a prevenção de acidentes e asseguram a segurança tanto do operador quanto do ambiente de trabalho como um todo.
• O segundo assento, se equipado, é fornecido somente para treinamento do operador ou para diagnóstico de falhas.
• Ao trafegar em estradas com o trator sozinho ou rebocando carretas, utilize os pedais de freios de forma conjugada, por meio da trava de união.
Para garantir a segurança durante a operação do trator agrícola, é fundamental observar os seguintes cuidados:
Evite operar o trator em ambientes fechados, priorizando espaços abertos e bem ventilados.
Antes de dar a partida no motor, acione a buzina para alertar os arredores.
Inicie o motor somente estando sentado no assento do trator, assegurando uma partida segura.
Mantenha uma distância segura de valetas ou barrancos, prevenindo riscos de acidentes.
Ao utilizar reboques, empregue exclusivamente um cambão nos pontos de engate indicados, seguindo as especificações adequadas.
Essas práticas contribuem para a segurança do operador, bem como para a integridade do equipamento e do ambiente de trabalho como um todo.
Para garantir a segurança durante as operações com o trator agrícola, é crucial adotar os seguintes procedimentos:
Acione o freio de estacionamento antes de descer do trator, assegurando que este permaneça imobilizado.
Nunca desça do trator enquanto estiver em movimento, evitando riscos de acidentes.
Evite pular ao descer do trator, optando por métodos seguros para evitar quedas e lesões.
Ao descer do trator, mantenha a mesma posição que assumiu ao subir: de frente para o trator e utilizando sempre três pontos de apoio.
Estas práticas contribuem significativamente para a segurança do operador e reduzem os riscos associados às operações com o trator agrícola.
Para promover a segurança durante o uso do trator agrícola, é essencial adotar as seguintes diretrizes:
Abstenha-se de dirigir sob efeito de álcool, garantindo sempre a sobriedade ao operar o trator.
Mantenha o trator engrenado ao descer rampas, proporcionando controle adequado da máquina.
Evite velocidades excessivas para garantir operações seguras e controladas.
Nunca permaneça entre o trator e o implemento durante o acoplamento, minimizando riscos de acidentes.
Ao realizar manutenção no sistema hidráulico, certifique-se de que esteja despressurizado para garantir a segurança do operador.
Desligue a tomada de potência antes de descer do trator, prevenindo acidentes relacionados ao funcionamento da máquina.
Ao acionar o eixo cardam, mantenha distância e assegure que a capa de proteção da TDP esteja em perfeito funcionamento, proporcionando uma operação segura.
Estas práticas promovem um ambiente de trabalho seguro e reduzem significativamente os riscos associados à operação do trator agrícola.
Fique distante das barras do reboque, cabos ou correntes que trabalham sob carga.
Ao acoplar implementos na barra de tração, coloque a trava no pino de engate.
Para garantir a segurança durante as operações com o trator agrícola, é crucial adotar os seguintes procedimentos:
Evite fumar ou causar faíscas ao abastecer ou manipular líquidos facilmente inflamáveis, reduzindo assim os riscos de incêndio ou explosão.
Se necessário utilizar baterias auxiliares, conecte ambas as extremidades dos cabos da seguinte forma: (+) com (+) e (-) com (-), assegurando uma conexão segura.
Ao realizar manutenção no sistema elétrico ou serviços de solda no trator ou no implemento, desconecte os cabos da bateria, minimizando riscos elétricos e garantindo a segurança do operador.
Essas práticas contribuem significativamente para a prevenção de incidentes e asseguram um ambiente de trabalho seguro durante as operações com o trator agrícola.
Noções de Primeiros Socorros
É fundamental que os trabalhadores possuam noções básicas de primeiros socorros. Algumas diretrizes importantes incluem:
Não tente remover objetos estranhos dos olhos; deixe que profissionais médicos qualificados realizem essa tarefa.
Em caso de respingos de substâncias nocivas nos olhos, lave-os imediatamente com uma quantidade abundante de água limpa.
Se houver suspeita de contusão séria ou fratura da coluna, evite mover o acidentado. A remoção deve ser conduzida por pessoal médico especializado.
Para substâncias perigosas na pele, remova-as com uma quantidade generosa de água, evitando esfregar a área afetada.
Esteja ciente da localização dos chuveiros de emergência e das fontes lava-olhos.
Em caso de ingestão de produtos perigosos, siga as orientações do fabricante do produto para os primeiros socorros.
Essas orientações básicas contribuem para a segurança e bem-estar dos trabalhadores em situações de emergência.
Manual do Operador
O manual do operador do trator é uma fonte valiosa de informações que vai além da descrição e operação do equipamento. Ele abrange aspectos cruciais relacionados à segurança durante fases como transporte, montagem, ajuste e manutenção. As Normas Regulamentadoras 12 (itens 12.125 a 12.128) e 31 (itens 31.12.83 e 31.12.84) oferecem considerações e recomendações específicas sobre o conteúdo e manuseio do manual do operador.
É importante destacar o item 31.12.83 da NR 31, que orienta: "Os manuais das máquinas e implementos devem ser mantidos no estabelecimento, em originais ou cópias, e o empregador deve informar aos operadores sobre seu conteúdo, disponibilizando-o sempre que necessário" (BRASIL, 2005).
Dada a diversidade entre marcas e modelos de tratores agrícolas, esta cartilha apresenta informações genéricas sobre os componentes do trator, indicadores e medidores do painel, comandos operacionais, regulagens, operação e adequação. No entanto, destaca-se a necessidade de consultar o manual do operador em casos específicos, pois ele fornecerá informações precisas e detalhadas de acordo com o equipamento em questão.
4 O Trator Agrícola
O trator agrícola é uma máquina autopropelida que desempenha o papel de fonte de potência para acionar diversas máquinas e implementos a ele acoplados. Essa versatilidade permite a realização de uma ampla variedade de operações agrícolas essenciais na área rural, tais como o preparo do solo, o plantio, os tratos culturais e a colheita. Dessa forma, o trator agrícola se torna uma peça fundamental no contexto da agricultura, contribuindo significativamente para aumentar a eficiência e a produtividade nas atividades agrícolas.
Classificação dos Tratores Agrícolas
As indústrias de fabricação de tratores têm se dedicado ao desenvolvimento de modelos diversificados, adaptados a condições específicas e de uso geral. Essa abordagem é essencial devido à vasta diversidade de culturas agrícolas e condições de uso dos tratores.
Uma das classificações mais comuns desses equipamentos refere-se ao tipo de elemento de tração, especificamente em relação ao tipo de rodado. Nesse contexto, os tratores podem ser categorizados como de pneus ou de esteiras, proporcionando opções que atendem a diferentes demandas e exigências nas operações agrícolas. Essa variedade de modelos busca otimizar a eficiência e a adequação do trator às particularidades de cada ambiente e cultura agrícola.
Classificação dos tratores quanto ao tipo de rodado de pneu:
a) Trator 4x2 (Tração Simples): possui quatro rodas, sendo as duas traseiras de tração e as duas dianteiras, menores, com finalidade apenas direcional
b) Trator 4x2 TDA (Tração Dianteira Auxiliar): O trator 4x2 TDA (Tração Dianteira Auxiliar) caracteriza-se pelo tamanho menor das rodas dianteiras em comparação com as traseiras. Além de desempenharem uma função direcional, as rodas dianteiras são equipadas com tração. Ao acionar a TDA, o rodado dianteiro apresenta um avanço de velocidade de aproximadamente 2 a 5% em relação ao rodado traseiro. Tanto os rodados traseiros quanto os dianteiros podem ser montados de forma individual ou em configuração duplada, proporcionando flexibilidade na adaptação do trator às diferentes demandas e condições operacionais. Essa configuração visa otimizar o desempenho do trator em diversas situações de uso.
c) Trator 4x4: possui todas as rodas do mesmo tamanho, providas de tração permanente, com velocidade igual nos dois eixos. Normalmente o sistema de direcionamento do trator se dá pela articulação do chassi e possui rodado duplo nos dois eixos.
Tipos de tratores agrícolas com rodado de esteira:
Os tratores com esteiras têm um sistema de rodagem composto, em sua essência, por duas rodas motoras dentadas, duas rodas guias movidas e duas esteiras. O controle direcional do trator é alcançado através da variação da velocidade relativa entre as esteiras.
Conforme apontado por Garcia (2017), as esteiras de borracha apresentam diversas vantagens. Entre elas, destacam-se um menor nível de vibração e ruído, necessidade reduzida de manutenção e uma maior velocidade de deslocamento. Essas características tornam as esteiras de borracha uma escolha vantajosa para determinadas aplicações, proporcionando um desempenho mais suave, eficiente e com menor demanda de manutenção.
a) Tratores de Esteira metálica: Um trator de esteira metálica é um tipo de veículo todo-terreno, também conhecido como trator de lagartas, que possui esteiras compostas principalmente por elos metálicos. Essas esteiras são formadas por uma série de placas ou elos ligados entre si, geralmente feitos de aço resistente. Cada uma dessas esteiras é conectada a um sistema de roletes, roda guia e roda motriz.
b) Tratores de Esteira de borracha: Os tratores de esteira de borracha são veículos todo-terreno equipados com esteiras compostas principalmente por material de borracha resistente. Essas esteiras, ou lagartas, são formadas por elos flexíveis feitos de borracha reforçada, o que proporciona uma série de benefícios em diferentes contextos de uso.
Algumas características e vantagens dos tratores de esteira de borracha incluem:
Menor Vibração e Ruído: As esteiras de borracha tendem a produzir menos vibração e ruído em comparação com as esteiras metálicas. Isso é particularmente vantajoso em ambientes urbanos ou em situações em que a redução do impacto sonoro é importante.
Maior Conforto para o Operador: Devido à menor vibração e ruído, os tratores de esteira de borracha oferecem maior conforto para o operador, tornando-os mais adequados para operações prolongadas.
Versatilidade em Terrenos Diversos: A borracha proporciona uma melhor aderência em diferentes tipos de terreno, como lama, neve e terrenos irregulares. Isso aumenta a versatilidade do trator em ambientes agrícolas, de construção e florestais.
Menor Impacto Ambiental: Em alguns casos, as esteiras de borracha podem causar menos danos a superfícies delicadas, como gramados ou solos macios, em comparação com as esteiras metálicas.
Facilidade de Manutenção: As esteiras de borracha podem exigir menos manutenção em comparação com as esteiras metálicas, sendo mais fáceis de substituir e menos propensas à corrosão.
Essas características tornam os tratores de esteira de borracha uma escolha preferida em diversas aplicações, onde a eficiência, versatilidade e o impacto ambiental são considerações importantes.
c) Tratores de Semiesteira: Os tratores de semiesteira, também conhecidos como tratores de rodado duplo ou tratores de pneus dianteiros e esteiras traseiras, são veículos agrícolas ou de construção que combinam elementos de tratores convencionais com características de tratores de esteira. Esses tratores são projetados para oferecer a versatilidade de operação tanto em superfícies pavimentadas quanto em terrenos irregulares ou com baixa aderência.
A principal característica distintiva dos tratores de semiesteira é a presença de pneus na frente e esteiras na parte traseira. Essa configuração proporciona a mobilidade e a direção facilitada proporcionadas pelos pneus dianteiros, enquanto as esteiras traseiras oferecem uma distribuição de peso mais uniforme e maior tração, especialmente em terrenos desafiadores.
Principais características e vantagens dos tratores de semiesteira:
Versatilidade: Os tratores de semiesteira são capazes de operar eficientemente em estradas pavimentadas, campos agrícolas e terrenos acidentados, combinando as vantagens dos tratores de pneus e de esteiras.
Tração Aprimorada: As esteiras traseiras proporcionam uma distribuição de peso mais uniforme, resultando em melhor tração e desempenho em terrenos instáveis ou lamacentos.
Mobilidade: Os pneus dianteiros oferecem uma maior capacidade de manobra, facilitando a direção e a navegação em espaços mais apertados.
Uso Multifuncional: Esses tratores são utilizados em uma variedade de aplicações, desde trabalhos agrícolas até tarefas de construção e movimentação de terra.
Adaptabilidade em Diferentes Superfícies: A combinação de pneus e esteiras permite que esses tratores operem eficientemente tanto em estradas quanto em terrenos mais desafiadores, mantendo um equilíbrio adequado entre mobilidade e tração.
Os tratores de semiesteira são uma escolha popular em setores que demandam versatilidade e desempenho em diferentes condições de terreno e operação.
Formas de Aproveitamento da Potência no Trator
O motor do trator desempenha um papel fundamental ao transformar a energia química contida no combustível em energia mecânica, ou potência. Essa potência gerada pelo motor é então utilizada de diversas maneiras para impulsionar o próprio trator e acionar os implementos a ele acoplados.
A transformação de energia no motor segue um processo complexo de combustão interna, em que o combustível é misturado com o ar e, em seguida, inflamado em cilindros. A pressão resultante dessa combustão impulsiona pistões, convertendo a energia térmica em movimento mecânico.
A potência gerada pelo motor pode ser direcionada para diferentes sistemas no trator, incluindo o sistema de transmissão para movimentação do veículo, o sistema hidráulico para operação de implementos, e até mesmo o sistema elétrico para alimentar componentes eletrônicos.
Dessa forma, o motor não apenas propicia a locomoção do trator, mas também viabiliza a execução eficiente de diversas tarefas agrícolas ou de construção por meio dos implementos acoplados. Essa versatilidade torna o motor um componente central na funcionalidade e na eficácia operacional do trator.
Barra de tração: Os braços inferiores do sistema hidráulico de três pontos, em conjunto com a barra de tração e o sistema de rodados, desempenham um papel crucial no aproveitamento da potência gerada pelo motor. Esses componentes trabalham de maneira coordenada para realizar eficientemente o arrastamento de implementos e atender a diversas finalidades, conforme destacado por MIALHE (1996).
Tomada de Potência (TDP): Eixo localizado na parte traseira do trator que transmite a potência do motor para acionar implementos que necessitam de movimento rotativo.
Sistema hidráulico: A energia mecânica do motor é transformada em energia hidráulica, que por meio do sistema hidráulico de três pontos pode levantar e controlar o implemento e por meio do hidráulico de controle remoto pode acionar cilindros e motores hidráulicos localizados no implemento.
Em muitos trabalhos agrícolas, a potência no trator é utilizada nas três formas no mesmo implemento: tração, tomada de potência e sistema hidráulico.
5 Componentes do Trator Agrícola
Os tratores agrícolas compartilham componentes bastante semelhantes, mesmo quando provenientes de fabricantes distintos. Os detalhes específicos de cada marca e modelo não impedem a compreensão geral, conforme salientado por BRASIL (2010).
A análise do trator pode ser dividida em dois principais sistemas. O primeiro é o sistema de locomoção, responsável pela transformação e transferência de energia, tornando o trator uma máquina autopropelida. O segundo engloba os demais componentes destinados à frenagem, direcionamento, adequação e movimentação do implemento acoplado ao trator.
Motor:
motor desempenha um papel crucial no trator ao converter a energia química dos combustíveis em energia mecânica, expressa em torque e rotação. Entre os componentes móveis essenciais que executam as funções básicas do motor, destacam-se o pistão, a biela e o virabrequim, juntamente com o sistema de válvulas.
Para garantir um funcionamento contínuo e preservar seus componentes, o motor é equipado com sistemas complementares, incluindo:
Sistema de alimentação de ar
Sistema de alimentação de combustível
Sistema de lubrificação
Sistema de arrefecimento
Esses sistemas trabalham sinergicamente para manter o motor em condições ideais, assegurando seu desempenho eficiente e prevenindo danos.
Potência do Motor:
A medida mais crucial de dimensão e desempenho em um motor é a potência, que representa a quantidade de trabalho que o motor é capaz de realizar por unidade de tempo. A potência gerada pelo motor do trator pode ser quantificada em diferentes unidades, como quilowatts (kW), cavalo vapor (cv) ou horse power (hp). Embora o kW seja a unidade do Sistema Internacional, a expressão mais comum para a potência é o cavalo vapor (cv). Suas equivalências são:
Na designação do modelo do trator agrícola, a potência nominal do motor é comumente expressa em "cv", proporcionando uma forma direta de comparar diferentes marcas e modelos. Entretanto, é importante observar que pequenas variações podem ocorrer entre essa nomenclatura e a potência real do motor. Por essa razão, é aconselhável consultar o manual do operador para realizar comparações precisas, sempre observando a norma pela qual a potência do motor está sendo medida.
a) Trator modelo TS 6120:
TS 6000 = Linha ou grupo de produtos
120 = Potência do motor em "cv".
b) Trator modelo BM 125i:
BM = Linha ou grupo de produtos
125 = Potência do motor em cv".
i = intercooler
c) Trator modelo 6190 J:
6000 = Linha ou grupo de produtos
190 = Potência do motor em “cv”.
J = Nível tecnológico
Rinaldi (2011) destaca que confiar exclusivamente na informação da potência nominal do motor pode resultar em erros no dimensionamento e na adequação do conjunto trator-implemento. Portanto, é essencial analisar também as potências disponíveis na tomada de potência (TDP) e na barra de tração do trator (BT).
A norma americana ASAE D497.7 (2011) fornece um modelo de estimativa de desempenho de tratores. Esse modelo permite calcular a potência disponível na TDP e a potência disponível na barra de tração para diferentes tipos de tratores e diversas condições de solo. Essa abordagem mais abrangente proporciona uma visão mais precisa e abalizada na hora de avaliar a capacidade e eficiência do conjunto trator-implemento.
Ainda segundo a ASAE D497.7 (2011), o desempenho da potência na barra de tração dos tratores depende principalmente da potência do motor, mas também da quantidade e distribuição de peso nas rodas de tração, do tipo de acoplamento do implemento e da superfície do solo.
Sabendo-se que P = F x V então F = P/V. Com isso é possível calcular a força disponível da barra de tração, para tracionar o implemento a uma determinada velocidade.
Superalimentação do motor:
A entrada de ar atmosférico no motor, para a realização da combustão, pode ocorrer de duas maneiras: de forma natural, conhecida como motor aspirado, ou através da superalimentação.
No sistema de alimentação aspirado, a admissão de ar nos cilindros se dá exclusivamente pela pressão ambiente (pressão atmosférica), resultante da sucção gerada pelo deslocamento do pistão durante o tempo de admissão.
Por outro lado, a superalimentação tem como objetivo potencializar a admissão natural, proporcionando uma maior quantidade de ar nos cilindros. Isso é alcançado por meio do turbocompressor e do intercooler, otimizando a eficiência da admissão de ar e proporcionando benefícios notáveis, tais como:
Aumento da potência do motor;
Melhoria na eficiência do consumo de combustível;
Redução de emissões de poluentes;
Compensação de variações de altitude.
Dessa forma, a superalimentação contribui significativamente para o desempenho e eficiência do motor, resultando em benefícios operacionais e ambientais.
a) Turbo compressor: O turbo compressor é composto por uma turbina e um compressor, configurados como dois rotores montados nas extremidades de um mesmo eixo. A turbina recebe os gases provenientes do escapamento, convertendo a energia cinética desses gases em movimento rotacional. Essa rotação, por sua vez, impulsiona o rotor do compressor, comprimindo o ar atmosférico no coletor de admissão.
A função principal do turbo compressor é ampliar a quantidade de ar no cilindro, elevando a pressão do ar no coletor de admissão acima da pressão atmosférica. Esse processo possibilita a introdução de uma maior massa de ar no mesmo volume do cilindro, resultando no aumento da potência do motor e na redução das emissões de poluentes. O turbo compressor desempenha um papel crucial na otimização do desempenho e eficiência do motor.
Atenção: Em tratores com turbocompressor, ao dar a partida no motor, mantenha-o em baixa rotação por algum tempo, pois o óleo lubrificante demora um pouco mais para chegar até o turbocompressor e pode causar sérios danos. O mesmo vale para desligar o motor. Deixe-o funcionando em baixa rotação por alguns segundos antes de desligá-lo (BRASIL, 2010).
Os turbo compressores convencionais, também conhecidos como tubos de geometria fixa (FG - Fixed Geometry), direcionam todos os gases de escape para a turbina, independentemente do regime de rotação do motor.
Para controlar a pressão do ar na tubagem de admissão em diferentes rotações e garantir essa pressão em baixas rotações do motor, os turbo compressores podem incorporar diferentes tecnologias, como turbos valvulados (WG - Wastegate), turbos com geometria variável (VGT - Variable Geometry Turbo) e sistemas de duplo estágio (2-Stage) (CUMMINS, 2018).
Os turbos valvulados, com a válvula de alívio chamada Wastegate, controlam a quantidade de gases de escape direcionados para a turbina, desviando-os para a saída de escape. Essa válvula é comandada pela pressão do ar no coletor de admissão, limitando a rotação do turbo compressor em altas rotações e cargas do motor, resultando na redução da pressão de ar no coletor de admissão. A válvula Wastegate pode ser controlada de forma pneumática ou elétrica. Essa abordagem permite um controle mais preciso da pressão do ar, melhorando a eficiência do motor em diferentes condições de operação.
Os turbos com geometria variável (VGT) possuem um mecanismo que ajusta automaticamente a voluta da turbina ou o direcionamento dos gases no rotor, conforme o regime de rotação do motor. Isso permite que a turbina gere apenas a energia necessária para que o compressor consiga comprimir ar no coletor de admissão, com pressão constante, nas diferentes rotações e cargas do motor. O controle do VGT pode ser pneumático ou elétrico.
O sistema de duplo estágio, também conhecido como bi-turbo, consiste em duas turbinas posicionadas em série. Nesse arranjo, um turbo menor entra em ação inicialmente, preenchendo e pressurizando o ar no coletor de admissão nas baixas rotações. À medida que a rotação do motor aumenta e a quantidade de gases de exaustão também cresce, o turbo maior é acionado. Esse processo visa manter a pressão do ar no coletor de admissão constante, assegurando assim a potência do motor em altas rotações. Essa configuração permite uma resposta mais eficaz do motor em uma ampla faixa de rotações, otimizando o desempenho do veículo em diversas condições de operação.
b) Intercooler: É um resfriador do ar que fica entre o turbocompressor e a entrada de ar no cilindro. Ao passar pelo turbo compressor a temperatura do ar é aumentada pela compressão no coletor de admissão e pela proximidade do ar com os gases quentes do escape. A diminuição desta temperatura pelo intercooler aumenta a densidade do ar, sendo possível assim, colocar maior quantidade de ar no cilindro.
Esse sistema é chamado de intercooler ou aftercooler e o ar pode ser resfriado de duas formas: ar-ar ou ar-água. (PADOVAN et al., 2012).
Intercooler ar-ar: o ar é resfriado com o ar do ventilador (hélice).
Intercooler ar-água: o ar é resfriado pela água do sistema de arrefecimento
Sistema de Transmissão
O propósito deste sistema é direcionar a energia produzida pelo motor (torque e rotação) para as rodas, as quais, ao entrar em contato com o solo, proporcionam a tração. Este conjunto é constituído por elementos que não apenas transmitem o movimento, mas também desempenham funções distintas, tais como embreagem, câmbio, diferencial e redução final.
Embreagem:
A embreagem desempenha um papel fundamental ao facilitar a transição do movimento do motor para as rodas, permitindo a alteração de marchas e o início e término suaves do deslocamento do trator. Em determinados tratores, ela assume também a responsabilidade de interromper o movimento do motor para a tomada de potência, acrescentando versatilidade às suas funções.
Câmbio:
O câmbio, constituído por uma série de engrenagens, desempenha a função primordial de ajustar tanto a força quanto a velocidade transmitida às rodas de tração do trator através das diferentes marchas. Além disso, possui a capacidade de inverter o sentido do movimento, possibilitando a marcha à ré, e viabiliza a posição neutra como parte integrante de suas funções.
Os tipos de câmbio apresentam variações de acordo com o modelo, fabricante e o nível tecnológico dos tratores, abrangendo desde sistemas mais básicos até os mais avançados, que incorporam acionamentos especiais como eletromecânico ou mesmo hidromecânico.
Diferencial:
O diferencial exerce sua função primordial ao ajustar a rotação entre as duas rodas motrizes, seja nas rodas traseiras ou dianteiras, especialmente durante curvas. Isso ocorre devido à necessidade de a roda do lado externo percorrer uma trajetória maior do que a do lado interno. Os componentes encarregados dessa tarefa incluem as engrenagens satélites e planetárias.
Além de sua função fundamental de ajustar a rotação entre as rodas durante curvas, o diferencial desempenha outras tarefas essenciais. Ele é responsável por transferir o movimento em um ângulo de 90º do pinhão para os semieixos, ao mesmo tempo em que amplia o torque direcionado às rodas. Os componentes cruciais para executar essas funções incluem as engrenagens pinhão e coroa.
Devido ao efeito do diferencial, a rotação flui de maneira independente para cada uma das rodas, resultando em uma tendência de direcionar o movimento para a roda que encontra menor resistência no solo. Isso leva à situação em que essa roda começa a patinar, enquanto a outra permanece imóvel (PEÇA, 2012). Diante desse cenário, os tratores são equipados com o bloqueio do diferencial, cuja finalidade é eliminar esse efeito, igualando a rotação das rodas quando uma delas inicia o processo de patinação. As formas de acionamento do bloqueio pelo operador variam conforme a marca e o modelo do trator.
Atenção: O bloqueio do diferencial deve ser aplicado somente quando o trator se desloca em linha reta.
Redutor final:
O redutor final, integrado aos eixos traseiros ou à tração dianteira, consiste em um conjunto de engrenagens com a finalidade de reduzir a rotação das rodas, simultaneamente aumentando o torque. Além disso, desempenha a importante função de absorver os impactos suportados pelas rodas, prevenindo danos ao diferencial e ao câmbio.
Eixo Dianteiro
O eixo dianteiro desempenha uma função crucial ao sustentar o corpo do trator e suportar o sistema de direção. Além disso, por meio de sua oscilação (balança), permite a manutenção dos quatro pontos de apoio do trator no solo.
Conforme o modelo do trator, o eixo dianteiro pode se apresentar como simples (4x2) ou equipado com tração (4x2 TDA). Nos tratores de chassi articulado (4x4), é comum que os eixos traseiros e dianteiros sejam semelhantes e não desempenhem a função de direcionamento.
Em tratores 4x2 TDA e 4x4 o eixo dianteiro é constituído por um diferencial e dois redutores finais.
Sistemas de Rodados
Os rodados desempenham um papel essencial como elemento de interface para o atrito de aderência entre a máquina e o solo. Responsáveis pela estabilidade, sustentação, direcionamento e tração do trator, eles também servem como depósito de lastro líquido ou sólido. Os rodados em tratores podem assumir a forma de esteiras ou ser do tipo pneumático.
Um rodado pneumático é composto por duas partes principais:
Pneu (constituído por borracha).
- Roda (componente metálico), que pode ser subdividida em aro e disco.
Os componentes mencionados até este ponto, como o motor, o sistema de transmissão, o eixo dianteiro e os rodados, formam o sistema integral de locomoção do trator. A rotação originada no motor através do diesel percorre a embreagem e ingressa no câmbio. Ao sair do câmbio, a rotação é distribuída para os diferenciais traseiro e dianteiro, que formam um ângulo de 90º, atravessa os redutores e alcança os rodados.
Sistema de Freios
O sistema de freios do trator tem como objetivo principal diminuir sua velocidade ou realizar sua parada, além de fornecer suporte em determinadas manobras.
Sistemas de Direção
A finalidade do sistema de direção é possibilitar o direcionamento durante as operações, permitindo a alteração das posições do trator e a execução de manobras, de acordo com o trajeto e as condições da operação.
Sistema Hidráulico
O sistema hidráulico emprega o uso de um fluido (óleo) para transmitir força por meio de sua pressurização. Os tratores agrícolas apresentam dois sistemas hidráulicos distintos para operação com implementos: o sistema hidráulico de três pontos e o sistema hidráulico de controle remoto.
Sistema hidráulico de três pontos:
A sua finalidade é a de elevar e baixar o implemento, controlando a posição da altura em implementos que operam acima da superfície do solo ou a profundidade de trabalho em implementos penetrantes.
Sistema hidráulico de controle remoto:
Esse sistema é empregado para acionar cilindros e motores hidráulicos que estão situados no implemento acoplado ao trator.
Barra de Tração
A barra de tração representa uma das maneiras de utilizar a potência fornecida pelo trator, destinada a executar tarefas como o arrastamento de implementos e outros propósitos.
Tomada de Potência
Trata-se de um eixo estriado cuja função primordial é transferir a potência do motor (torque e rotação) para acionar os implementos agrícolas conectados ao trator, como roçadoras, pulverizadores, distribuidores de insumos e sementes, enxadas rotativas, entre outros.
Sistema Elétrico
O sistema elétrico desempenha funções essenciais, como o acionamento do motor de partida, a iluminação e a sinalização do trator. Nos tratores mais modernos, ele também é responsável pelo acionamento da tração auxiliar, tomada de potência, variadores de torque, controladores, entre outros. Além disso, oferece suporte para sistemas automatizados de monitoramento da máquina e no uso da agricultura de precisão.
Os principais componentes do sistema elétrico incluem a bateria, o gerador, o regulador de voltagem, o motor de partida, a caixa de fusíveis, a iluminação, os indicadores de painel, entre outros.
A bateria é o componente do sistema elétrico que demanda maior atenção em termos de manutenção. Sua especificação ocorre com base na capacidade de carga (amperagem) e voltagem, sendo, na maioria dos casos, de 12 volts.
Quando se torna necessário utilizar uma bateria auxiliar para dar partida ao trator, as conexões dos cabos entre ambas devem ser feitas em paralelo. Isso implica em ligar o positivo (+) com positivo (+) e o negativo (-) com negativo (-), ou na carcaça do trator. Nesse tipo de ligação, há um aumento na amperagem, enquanto a voltagem permanece constante, o que é desejável para a partida com bateria auxiliar.
Posto de Trabalho do Perador
O posto de trabalho é a área designada onde o operador se posiciona para dirigir e operar o trator. Nesse espaço, encontra-se o painel veicular, que abriga chaves, interruptores e instrumentos destinados a indicar, monitorar e comandar as diversas funções do trator. Este ambiente centraliza os elementos essenciais para o controle eficiente e seguro do veículo.
O posto de trabalho em um trator pode ser configurado com ou sem cabine. Nos tratores sem cabine, por questões de segurança, é necessário que possuam um toldo e uma Estrutura de Proteção Contra Capotagem (EPCC). Contudo, observa-se uma crescente adoção de cabines em tratores agrícolas.
A presença da cabine proporciona não apenas segurança adicional, mas também aumenta o conforto do operador, resultando em maior eficiência. A cabine contribui para a redução dos níveis de ruído, vibração e temperatura, oferecendo proteção em situações de capotagem. Essa tendência reflete a busca por ambientes de trabalho mais seguros, ergonômicos e propícios ao rendimento otimizado do operador.
Acesso ao Posto de Trabalho
A entrada ou saída de um trator requer três pontos de apoio: dois para os pés e um para a mão, ou vice-versa. Por essa razão, o trator é equipado com degraus dimensionados com altura apropriada para os pés, juntamente com alças ou corrimãos para ambas as mãos. Essa configuração visa impedir que o operador se apoie no volante ao subir ou descer do trator, promovendo uma entrada e saída seguras e estáveis.
Cuidado: Ao descer do trator, o operador deve estar na mesma posição que subiu: de frente para o trator, garantindo os três pontos de apoio.
Regulagens do Assento do Operador
O assento, como componente essencial do trator, pode ser equipado com regulagem mecânica ou pneumática. Essa configuração visa garantir que os comandos e alavancas estejam ergonomicamente posicionados, proporcionando ampla visibilidade ao operador e, consequentemente, oferecendo conforto e praticidade durante as operações.
A quantidade de regulagens do assento varia de acordo com o modelo do trator. Nos assentos mais avançados, são disponibilizados os seguintes ajustes:
Ajuste do apoio lombar
Ajuste do apoio do braço
Ajuste da altura do assento
Ajuste do ângulo do apoio das costas
Bloqueio giratório do assento
Bloqueio do movimento longitudinal
Bloqueio do movimento transversal
Ajuste da suspensão para amortecer impactos
Ajuste do avanço e recuo do assento.
Esses recursos visam atender às necessidades individuais do operador, proporcionando não apenas eficiência nas operações, mas também um ambiente de trabalho ergonomicamente favorável.
A realização desses ajustes deve ser personalizada de acordo com o porte físico do operador, garantindo um acesso seguro aos pedais e demais comandos de operação. Os procedimentos específicos para ajuste de cada modelo de assento estão minuciosamente descritos no manual do operador.
Seguir as orientações fornecidas no manual assegura não apenas a segurança, mas também otimiza o conforto e a eficiência durante o uso do trator. Essa abordagem personalizada visa adaptar o ambiente de trabalho de acordo com as características individuais do operador, promovendo uma experiência mais ergonômica e satisfatória.
Regulagens da Coluna de Direção
Certas colunas de direção são equipadas com regulagens que permitem movimento escamoteável e telescópico. Essas características possibilitam ao usuário ajustar o volante em relação à sua posição de operação, proporcionando condições ideais de segurança e conforto durante a condução.
As regulagens da coluna de direção devem ser efetuadas somente após a realização dos ajustes no assento do operador. Recomenda-se consultar o manual do operador para obter instruções detalhadas sobre os procedimentos adequados. Este sequenciamento garante uma configuração otimizada, proporcionando ao operador não apenas conforto, mas também condições seguras e ergonômicas durante a condução do trator.
Condicionador de Ar
Em todos os tratores equipados com cabine, é padrão a presença de um sistema de ar condicionado e de calefação, sendo que os controles correspondentes estão posicionados no painel lateral ou superior.
Os controles ou interruptores comuns do sistema de condicionamento de ar incluem:
Interruptor liga/desliga (A)
Controle de ventilação (B)
Seletor de temperatura do ar condicionado (azul) (C)
Seletor de temperatura de calefação (vermelho) (C)
Ajuste do posicionamento das saídas de ar.
É importante notar que esses controles podem apresentar variações específicas de acordo com a marca e modelo do trator. Para obter informações detalhadas sobre os controles específicos do seu trator, consulte o manual do operador.
Chave de Ignição
A chave de ignição desempenha diversas funções essenciais, como ligar os medidores e indicadores no painel, dar partida no motor e também desligá-lo. Em alguns tratores, a chave de ignição apresenta uma função adicional de aquecimento do motor, especialmente útil para partidas em temperaturas baixas. Essa característica contribui para garantir uma partida eficiente mesmo em condições climáticas adversas.
Para garantir a segurança durante a partida do motor, alguns tratores são equipados com dispositivos que permitem a ignição apenas nas seguintes condições:
Alavanca do câmbio na posição neutra ou de estacionamento (P).
Alavanca reversora do câmbio na posição neutra.
Pedal da embreagem totalmente acionado.
Freio de estacionamento acionado.
Tomada de potência desligada.
Operador posicionado no banco do trator.
Essas medidas visam assegurar um ambiente controlado e seguro antes de iniciar o motor do trator.
Interruptores de Luzes
No painel do trator, os comandos de luzes assumem a forma de interruptores ou botões giratórios, com acionamento individual ou conjugado para controlar as seguintes luzes:
Luz de lanterna e painel
Farol de serviço dianteiro
Farol de serviço traseiro
Farol de serviço lateral
Posicionamento do farol dianteiro: alta e baixa
Luz de conveniência da cabine
Luz de advertência: pisca-alerta
Luz indicadora de direção: pisca-pisca.
É importante observar que a localização e os procedimentos de acionamento desses interruptores de luzes podem variar de acordo com a marca e modelo específicos do trator. Recomenda-se consultar o manual do operador para obter informações detalhadas sobre a operação correta desses controles.
Controle do Limpador do Para-brisa
O controle do limpador do para-brisa normalmente é um manípulo ou interruptor que desempenha as funções de ligar/desligar e selecionar a velocidade do limpador. Em alguns modelos, é possível realizar a ejeção de água ao pressionar o próprio manípulo, proporcionando uma operação mais integrada e conveniente para limpeza do para-brisa.
6 Posto de Trabalho do Operador
O posto de trabalho é o local designado para o operador se posicionar e operar o trator. Neste espaço, encontra-se o painel veicular, que contém chaves, interruptores e instrumentos destinados a indicar, monitorar e comandar as funções do trator.
O posto de trabalho no trator pode ser com ou sem cabine. Nos tratores sem cabine, por questões de segurança, é necessário contar com um toldo e a Estrutura de Proteção Contra Capotagem (EPCC). Atualmente, a utilização de cabines em tratores agrícolas torna-se cada vez mais comum. A cabine oferece segurança e conforto, proporcionando um rendimento maior ao operador. Além disso, contribui para a redução dos níveis de ruído, vibração e temperatura, e oferece proteção em caso de capotagem.
Acesso ao Posto de Trabalho
Para ascender ou descender de um trator, é imprescindível contar com três pontos de apoio: dois destinados aos pés e um para as mãos, ou vice-versa. Por conseguinte, o trator é equipado com degraus que apresentam dimensões e altura apropriadas para os pés, além de alças ou corrimãos destinados a ambas as mãos. Essa configuração visa evitar que o operador recorra ao volante como suporte ao subir no trator.
Cuidado: Ao descer do trator, o operador deve estar na mesma posição que subiu: de frente para o trator, garantindo os três pontos de apoio.
Regulagens do Assento do Operador
A realização desses ajustes deve ser personalizada conforme o porte físico do operador, garantindo um acesso seguro aos pedais e demais comandos de operação. Os procedimentos específicos para ajuste de cada modelo de assento estão minuciosamente descritos no manual do operador.
Ao seguir as orientações fornecidas no manual, o operador assegura não apenas sua segurança, mas também otimiza o conforto e a eficiência durante o uso do trator. Essa abordagem personalizada visa adaptar o ambiente de trabalho de acordo com as características individuais do operador, promovendo uma experiência mais ergonômica e satisfatória.
Regulagens da Coluna de Direção
Diversas colunas de direção apresentam ajustes com movimento escamoteável e telescópico, conferindo ao usuário a possibilidade de personalizar a posição do volante conforme sua preferência operacional. Essa funcionalidade visa oferecer condições ideais de segurança e conforto durante a condução.
As regulagens da coluna de direção devem ser efetuadas somente após a realização dos ajustes no assento do operador. Recomenda-se consultar o manual do operador para obter instruções detalhadas sobre os procedimentos adequados. Este sequenciamento garante uma configuração otimizada, proporcionando ao operador não apenas conforto, mas também condições seguras e ergonômicas durante a condução do trator.
Condicionador de Ar
Cada trator equipado com cabine é dotado de um sistema de ar condicionado e de calefação, sendo que os controles correspondentes estão posicionados no painel lateral ou superior.
Os controles ou interruptores comuns do sistema de condicionamento de ar incluem:
Interruptor liga/desliga (A)
Controle de ventilação (B)
Seletor de temperatura do ar condicionado (azul) (C)
Seletor de temperatura de calefação (vermelho) (C)
Ajuste do posicionamento das saídas de ar.
É importante notar que esses controles podem apresentar variações de acordo com a marca e modelo específicos do trator. Para informações mais detalhadas e específicas sobre o seu trator, é recomendável consultar o manual do operador.
Chave de Ignição
A chave de ignição desempenha um papel crucial ao ligar os medidores e indicadores no painel, iniciar o motor e realizar o desligamento. Em alguns tratores, a chave de ignição também é responsável pela função de aquecimento do motor, especialmente útil para partidas em temperaturas mais baixas. Essa característica visa garantir um desempenho eficiente do motor mesmo em condições climáticas adversas.
Visando a segurança do operador e do próprio trator, alguns veículos possuem dispositivos que restringem a partida do motor apenas sob as seguintes condições:
Alavanca do câmbio na posição neutra ou de estacionamento (P).
Alavanca reversora do câmbio na posição neutra.
Pedal da embreagem totalmente acionado.
Freio de estacionamento acionado.
Tomada de potência desligada.
Operador posicionado no banco do trator.
Essas medidas contribuem para assegurar um ambiente seguro e adequado antes de iniciar o motor do trator.
Interruptores de Luzes
No painel do trator, estão presentes os controles de iluminação, geralmente na forma de interruptores ou botões giratórios, com acionamento individual ou conjugado. Estes dispositivos controlam as seguintes luzes:
Luz de lanterna e painel
Farol de serviço dianteiro
Farol de serviço traseiro
Farol de serviço lateral
Posicionamento do farol dianteiro: alta e baixa
Luz de conveniência da cabine
Luz de advertência: pisca-alerta
Luz indicadora de direção: pisca-pisca.
A localização e os procedimentos de acionamento desses interruptores de luzes podem variar de acordo com a marca e modelo específicos do trator. Recomenda-se consultar o manual do operador para obter informações detalhadas sobre a operação correta desses controles.
Controle do Limpador do Para-brisa
O controle do limpador do para-brisa é geralmente um manípulo ou interruptor multifuncional, que desempenha as funções de ligar/desligar e selecionar a velocidade do limpador. Em alguns modelos, o próprio manípulo é projetado para realizar a ejeção de água ao ser pressionado, proporcionando uma operação integrada e conveniente. Essa configuração permite ao condutor controlar tanto a limpeza do para-brisa quanto o fornecimento de água para melhorar a visibilidade durante condições adversas.
7 Simbologia em Tratores Agrícolas
A padronização das simbologias em tratores é crucial para facilitar a identificação de indicadores, medidores, interruptores e comandos operacionais. Essas normas são baseadas em diretrizes estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pela Sociedade Americana de Engenheiros Agrícolas (ASABE) e por normas internacionais (ISO). Entre elas, a norma ISO 3767-1 (1998), que trata dos símbolos comuns, e sua segunda parte, a ISO 3767-2 (2008), que aborda os símbolos operacionais, são amplamente seguidas pelos fabricantes de tratores.
A implementação dessas simbologias normalizadas em máquinas agrícolas promove a uniformidade nas informações relacionadas aos cuidados de funcionamento, manutenção e operação dos equipamentos. Essa padronização facilita os procedimentos e a compreensão por parte do operador, contribuindo para um manuseio e condução mais seguros e eficientes da máquina.
Simbologia Individual
A tabela subsequente exibe os símbolos padronizados em sua configuração singular, facilitando a memorização, os quais posteriormente podem ser integrados entre si.
Simbologia Conjugada
A partir da união e fusão de dois ou mais símbolos isolados, origina-se o símbolo composto, o qual é exibido em relógios, painéis e indicadores luminosos, facilitando assim sua identificação correspondente.
Siglas e Abreveaturas
Algumas representações da transmissão são expressas por meio de letras, enquanto abreviaturas em inglês são frequentemente utilizadas no painel, nas alavancas e no manual do operador.
Simbologia do Modo Veículo
Para uma compreensão mais clara, os símbolos podem ser categorizados em dois modos distintos:
Modo Veículo: refere-se à locomoção do trator como um veículo autopropelido;
Modo Operação: aborda os comandos e ações que serão executados durante a operação do trator no campo.
Simbologia do Modo Operação
A simbologia no modo operação desempenha o papel de discernir a função e a posição dos controles, além de indicar o acionamento correspondente daquele comando.
8 Medidores e Indicadores
Os medidores e indicadores estão dispostos nos painéis frontal, superior, lateral, no painel de coluna ou no painel do monitor, com suas funções voltadas, respectivamente, para monitorar e indicar o funcionamento do trator. As normas ISO 3767-1 (1998), ISO 3767-2 (2008) e ASABE (2015) estabelecem padronizações para as cores a serem empregadas nos indicadores luminosos, e a maioria dos fabricantes segue essas diretrizes. Essas cores têm a finalidade de sinalizar o estado de operação, a urgência de ação ou a condição operacional, indicando se o mecanismo está acionado.
Além dessas, outras cores estão normatizadas pelas normas supracitadas, para funções específicas.
O operador deve conhecer e estar atento ao painel do trator durante a operação, além de realizar os devidos procedimentos para correções.
Medidores do Painel
Os dispositivos de medição surgem em variadas modalidades, tais como relógios com escalas numéricas, escalas codificadas por cores, gráficos escalonados ou até mesmo com indicações numéricas digitais.
a) Tacômetro ou conta-giro: avalia o ritmo de rotação do motor por minuto (rpm).
b) Horímetro: quantifica o número de horas de operação do motor.
c) Velocímetro: mede a velocidade em quilômetros por hora do trator.
d) Manômetro: mede a pressão de óleo do sistema de lubrificação do motor.
e) Amperímetro: medidor do nível de carga enviado à bateria.
f) Medidor de combustível do tanque: mede o nível de combustível contido no tanque.
g) Termômetro: medidor da temperatura do líquido de arrefecimento do motor.
Atenção: O abastecimento do tanque deve ser feito sempre após a jornada diária. Isso evita a condensação da umidade do ar que ocupa o tanque. Se abastecido, o volume de ar é expulso pelo bocal.
Ondicadores do Painel
No painel do trator, bem como nas alavancas e interruptores, encontram-se indicadores equipados com sinais luminosos ou sonoros, individualmente ou em conjunto, para que o operador verifique as funções de funcionamento e operação do trator.
Por questões de segurança, determinados indicadores emitem alertas sonoros para recordar o operador de ações específicas, e alguns componentes possuem tanto indicadores quanto medidores, como é o caso da temperatura do motor e do nível de combustível.
É essencial que o operador compreenda as atribuições de cada indicador, observando-os durante a operação do trator, e execute os procedimentos necessários.
a) Indicador da temperatura do motor: indica se a temperatura do líquido de arrefecimento do motor ultrapassou o limite aceitável.
Atenção:
1. Caso a luz da temperatura acenda ou o medidor indique superaquecimento, pare o trator, contudo não desligue o motor e verifique as possíveis causas.
2. Quando a causa do superaquecimento for a quebra da correia ou a perda total do líquido, desligue o motor imediatamente. Para as demais causas, mantenha o motor ligado por um período, até diminuir a temperatura.
b) Indicador da pressão do óleo do motor: indica se a pressão do óleo do motor está abaixo do normal.
Atenção: Caso a luz de óleo acenda ou o mostrador indique baixa pressão, pare imediatamente o trator e desligue o motor para verificações.
c) Indicador de restrição do filtro de ar: indica baixo fluxo de ar na tubagem de admissão, isto é, necessidade de manutenção do filtro de ar.
Atenção: Caso a luz do indicador de restrição acenda, não há necessidade de parada imediata do trator, podendo ainda trabalhar por algum tempo, porém com constante observação da cor da fumaça do escapamento, da temperatura do motor e da perda de potência
d) Indicador da pressão de óleo do câmbio: indica se a pressão do óleo do câmbio está abaixo do normal.
e) Indicador da temperatura de óleo do câmbio: indica se a temperatura do óleo do câmbio está acima do normal.
f) Indicador da Tração Dianteira Auxiliar: indica que a TDA está acionada.
g) Indicador da seleção do multiplicador de velocidade: indica se a velocidade do multiplicador está em baixa ou alta (posição tartaruga ou lebre).
h) Indicador da Tomada de Potência: indica que a TDP está acionada.
i) Indicador do freio de estacionamento: indica se o freio de estacionamento está acionado.
j) Indicador da carga da bateria: indica se não há passagem de carga do alternador para a bateria.
k) Indicador do bloqueio do diferencial: indica que o bloqueio do diferencial está acionado.
l) Indicador da luz alta dos faróis: indica se os faróis estão com luz alta. Normalmente essa luz tem cor azul.
A: Pressão de óleo do câmbio
B: Temperatura do óleo do câmbio
C: Tração Dianteira Auxiliar
D: Seleção do multiplicador de velocidade
E: Tomada de Potência
F: Freio de estacionamento
G: Carga da bateria
H: Bloqueio do diferencial
I : Luz alta dos faróis
A quantidade de indicadores nos painéis dos tratores varia conforme o fabricante, a categoria de potência e o grau de tecnologia. Para maior entendimento sobre todos os indicadores do painel, consulte a tabela de simbologia ou o manual do operador do modelo de trator específico
9 Comandos de Operação do Trator
Os dispositivos de controle incluem alavancas, botões, teclas e interruptores, sendo empregados pelo operador para acionar ações operacionais.
É imperativo que o operador esteja familiarizado com os comandos de operação do trator. Essa familiaridade assegura a segurança, preservação e integridade da máquina, proporcionando conforto ao operador, além de viabilizar uma operação precisa e mais eficiente. Vale destacar que os comandos podem variar entre modelos, marcas e níveis tecnológicos do trator.
Acelerador
O regulador de aceleração gerencia a rotação do motor e pode ser ativado de duas maneiras: manualmente ou por meio de pedal.
O controle manual do acelerador possibilita manter uma rotação constante e é indicado para operações de campo com implementos.
Já o acelerador acionado por pedal possibilita variações na rotação e é mais adequado para situações de transporte e manobras.
A decisão sobre a rotação de trabalho a ser utilizada depende da natureza da operação em questão e das exigências de potência do implemento.
Cuidado: Por questão de segurança, na maioria dos tratores a alavanca do acelerador manual aumenta a rotação quando acionada para frente e diminui a rotação quando acionada para trás, em relação ao trator.
Freios
Os tratores agrícolas 4x2 e 4x2 TDA estão equipados com sistemas de freios exclusivamente nas rodas traseiras, sendo acionados por dois pedais, um destinado a cada roda traseira (direita e esquerda), podendo ser aplicados de maneira conjugada ou individual.
A utilização individual dos pedais de freios tem como objetivo auxiliar nas manobras, controlar a patinagem das rodas e facilitar operações em terrenos com declive.
Cuidado: Por questão de segurança na frenagem, em transporte com carretas ou em deslocamento do próprio trator, os pedais devem ser sempre utilizados de forma conjugada.
Nos tratores 4x2 TDA, quando a tração está acionada, as rodas dianteiras também são submetidas à ação de frenagem simultaneamente com as rodas traseiras. Isso ocorre devido à interligação proporcionada pelo sistema de transmissão, resultando no arraste conjunto das quatro rodas. Essa configuração contribui para aprimorar a eficiência do sistema de freios como um todo.
Em tratores equipados com o acionamento eletro-hidráulico da tração dianteira, ao acionar os pedais de freio de maneira simultânea, a tração é automaticamente ativada, resultando na frenagem também das rodas dianteiras. Esse procedimento assegura uma frenagem mais eficaz e segura durante operações de transporte.
Os tratores 4x4 com chassi articulado apresentam um sistema de freios que engloba as quatro rodas ou um sistema central que realiza a frenagem das rodas por meio da transmissão. Este sistema é acionado por um único pedal. O mecanismo ativo do freio de estacionamento está integrado ao sistema de freio de serviço, sendo operado por uma alavanca específica.
Tração Dianteira
Na atualidade, a maioria dos tratores adota o sistema de tração no eixo dianteiro, sendo denominados como 4x2 com tração dianteira auxiliar ou 4x2 TDA.
A tração dianteira deve ser empregada exclusivamente em trabalhos que demandem considerável esforço de tração e a uma velocidade moderada. A utilização desse recurso em superfícies de piso firme pode acarretar danos nos redutores finais, no diferencial e resultar em desgaste prematuro dos pneus dianteiros, uma vez que os rodados do eixo dianteiro, quando ativados, apresentam uma velocidade ligeiramente superior (2 a 5%) em relação aos rodados traseiros.
Em situações envolvendo a tração de carretas com carga, é recomendado o uso da TDA para proporcionar maior estabilidade e eficiência no sistema de frenagem.
Formas de acionamento da tração dianteira:
A tração dianteira nos tratores 4x2 TDA pode ser ativada de duas maneiras: através de acionamento mecânico, por meio de uma alavanca, ou acionamento eletro-hidráulico, utilizando um botão.
No método de acionamento mecânico, é necessário engajar a tração dianteira utilizando a embreagem, e o trator deve estar imobilizado durante esse procedimento.
O acionamento eletro-hidráulico pode ser feito com a máquina parada ou em movimento, sem uso da embreagem.
Cuidados na utilização da tração dianteira:
A tração dianteira deve ser empregada exclusivamente em operações de campo e em velocidades operacionais.
Durante o transporte do trator, a tração dianteira deve ser desativada. Caso contrário, há o risco de danificar os redutores finais, o diferencial e causar um desgaste prematuro dos pneus dianteiros.
Em situações de transporte com carga, é recomendado utilizar a TDA para garantir uma melhor estabilidade e eficiência no sistema de frenagem.
Ao acoplar implementos dianteiros, como lâminas ou conchas, é aconselhável operar com a TDA desativada.
Relações entre a tração dianteira e o sistema de freios:
Para otimizar a eficiência de frenagem e garantir a durabilidade dos componentes da tração, os tratores estabelecem uma conexão entre a tração dianteira e o sistema de freios.
a) No caso de acionamento mecânico da tração dianteira:
- Tração desligada: apenas freia os rodados traseiros.
Tração ligada: realiza a frenagem nos quatro rodados.
b) Quando o acionamento da tração dianteira é eletro-hidráulico: Na maioria dos modelos, ao acionar os pedais de freios simultaneamente, a tração dianteira é automaticamente ativada para frear os quatro rodados.
c) No cenário em que o acionamento da tração dianteira é eletro-hidráulico e automático, o interruptor de acionamento possui três posições:
• Desligado: Ao acionar os pedais de freio simultaneamente, a tração dianteira será automaticamente ativada apenas acima de uma velocidade determinada (por exemplo, superior a 5 km/h).
• Ligado: A tração dianteira permanece constantemente ativada.
• Ligado no automático: Neste modo, ocorre o desligamento automático da tração em três situações:
- Em velocidade elevada (por exemplo, superior a 19 km/h).
- Ao acionar o pedal de freio de forma individual, durante manobras.
- Ao esterçar o volante até um limite específico.
Direção
O sistema de direção pode ser acionado de forma mecânica ou hidráulica, sendo que o último pode se subdividir em servo-assistido ou hidrostático. Na contemporaneidade, praticamente todos os tratores adotam o sistema de direção com acionamento hidrostático.
O sistema hidrostático de direção pode incluir uma bomba hidráulica específica, como ilustrado na figura anterior, ou pode ser integrado a outros sistemas hidráulicos do trator. Esses dois tipos são conhecidos como sistema aberto e sistema fechado.
De acordo com Garcia (2017), o sistema aberto é mais simples, onde a bomba hidráulica gera um fluxo contínuo que deve retornar ao reservatório quando o cilindro não está em operação. No sistema fechado, além da direção, outras funções são executadas simultaneamente, exigindo o uso de acumuladores ou bomba de fluxo variável, além de válvulas divisoras de fluxo e válvulas de controle direcional.
Bloqueio do Diferencial
Os tratores agrícolas são equipados com bloqueio do diferencial, uma funcionalidade que visa equalizar a rotação das rodas motrizes quando ocorre perda de aderência de uma delas com o solo, resultando em patinagem. O acionamento do bloqueio do diferencial pode ser realizado de forma mecânica ou eletro-hidráulica.
Acionamento mecânico do bloqueio do diferencial:
O método de acionamento do bloqueio do diferencial varia de acordo com o trator, podendo ser realizado por meio de alavanca ou pedal ativado pelo calcanhar direito do operador. Para utilizar o bloqueio, é necessário acionar a embreagem, parar o trator e, em seguida, acionar a alavanca ou o pedal do bloqueio para baixo até sentir que o dispositivo está engatado.
O desbloqueio no acionamento mecânico pode ser mecânico ou automático.
a) Desbloqueio mecânico: o operador deve acionar o pedal novamente, destravando-o logo que as duas rodas tiverem a mesma tração.
b) Desbloqueio automático: a tração desigual entre as rodas mantém o bloqueio do diferencial engrenado e soltar-se-á automaticamente logo que a tração for equivalente nas duas rodas traseiras.
Acionamento eletro-hidráulico do bloqueio do diferencial:
Este acionamento é feito por um interruptor localizado no painel ou no piso da plataforma. Uma vez ligado, acenderá a luz indicadora no painel.
O desbloqueio do diferencial pode ser efetuado diretamente no interruptor ou acionando levemente os pedais do freio. Em modelos mais avançados de tratores, equipados com bloqueio eletro-hidráulico, há duas opções de funcionamento: o modo convencional e o modo auto.
Quando acionado no modo auto, o desbloqueio ocorrerá em diversas situações:
• Com um segundo toque no interruptor.
• Ao acionar os pedais de freio.
• Quando a velocidade ultrapassar um determinado limite.
• Com o esterçamento da direção (reativando ao alinhar a direção).
• Com o levantamento do hidráulico de três pontos (reativando ao abaixar o hidráulico).
Alavancas de Câmbio
A escolha de marchas no trator é realizada através de alavancas e/ou botões, permitindo a adaptação da força e da velocidade para cada tipo de operação. Ao combinar as diferentes posições das alavancas e/ou botões, é possível obter várias velocidades de avanço.
Quanto maior for o número de marchas, menor será o intervalo entre as seleções, proporcionando uma melhor adequação da velocidade e da força para o trabalho. Esse recurso otimiza a eficiência no consumo de combustível e a capacidade operacional do trator.
Tipos de alavancas do câmbio:
O trator, variando de acordo com a marca e modelo, pode estar equipado com duas ou mais alavancas ou botões de câmbio. Ao combinar as diferentes posições desses controles, é possível obter várias velocidades de operação.
O quadro a seguir apresenta a diversidade de tipos, formas, quantidades e denominações de alavancas de câmbio encontradas nos diferentes modelos e marcas de tratores.
a) Seletor de marcha: A alavanca ou botão de marcha atua como um seletor fino, permitindo pequenas variações na força e velocidade entre as diferentes marchas. Geralmente, é numerada em ordinais arábicos, abrangendo de 1ª a 4ª marcha. A posição da marcha à ré pode variar conforme o modelo do câmbio, podendo estar localizada na alavanca de marcha, na alavanca de grupo ou até mesmo na alavanca de reversão.
b) Alavanca selecionadora de grupo: A alavanca selecionadora de grupo possui diferentes denominações, conforme a marca e modelo do trator.
c) Duplicador ou multiplicador: A alavanca ou botão duplicador dobra o número de velocidades de avanço dividindo as marchas em baixa e alta. Normalmente pode ser acionada sem a utilização da embreagem, o que facilita na operação do trator.
d) Alavanca reversora: Normalmente é posicionada ao lado esquerdo do volante de direção e, em alguns casos, é posicionada no console lateral. Pode ser acionada sem a utilização da embreagem, dando agilidade nas manobras de cabeceira.
e) Super-redutor: O super-redutor é um opcional no câmbio dos tratores e é utilizado para realizar operações que exigem velocidades inferiores a 2 km/h como por exemplo, a colheita de café. É representado pelo símbolo da lesma.
Em alguns modelos de tratores é recomendada a utilização do super-redutor somente com o grupo de velocidades baixa (L ou tartaruga).
Escolha da marcha de trabalho:
A seleção da marcha com base na força necessária depende das condições do terreno e da carga demandada pelo implemento, visando alcançar uma eficiência ideal em termos de rotação do motor e consumo de combustível.
Já a escolha da marcha em função da velocidade desempenha um papel crucial na qualidade do trabalho realizado, na segurança tanto da máquina quanto do operador, e na capacidade operacional geral do conjunto trator/implemento.
Portanto, é fundamental ajustar a velocidade de trabalho para encontrar um equilíbrio entre a máxima capacidade operacional, sem comprometer a qualidade do trabalho e a segurança tanto da máquina quanto do operador.
A seleção apropriada da marcha está diretamente associada à velocidade ideal para cada tipo de operação a ser realizada com o trator. Ao conhecer a velocidade em km/h necessária para uma determinada operação, a escolha da marcha pode ser feita através do gráfico de escalonamento de marchas, geralmente presente em um adesivo localizado no painel, no para-lama ou no vidro da cabine do trator.
Para uma compreensão mais detalhada do escalonamento e uma seleção precisa da marcha, é recomendável consultar o manual do operador.
Tratores mais evoluídos possuem velocímetro que já apresentam a velocidade em km/h.
Embreagem
A embreagem atua como um interruptor no movimento do motor para os rodados e, em alguns casos, interrompe também a rotação entre o motor e a Tomada de Potência (TDP). Do ponto de vista operacional, é vantajoso que a parada do trator não seja simultânea com a parada da TDP. Portanto, é crucial ter um conhecimento aprofundado sobre os diferentes tipos de embreagem.
Os tratores agrícolas podem apresentar embreagem simples (uma embreagem) ou dupla, dependendo da marca e do modelo do trator.
Tipos de embreagem simples:
A maioria dos tratores agrícolas modernos está equipada com uma Tomada de Potência (TDP) que possui acionamento eletro-hidráulico, conhecida como TDP independente ou TDPI. Nesse cenário, o trator pode contar com uma embreagem simples, uma vez que o acionamento da TDP não requer o uso da embreagem.
No entanto, alguns tratores ainda disponíveis no mercado possuem embreagem simples com acionamento mecânico da TDP. Nesse caso, é necessário acionar a embreagem para ativar a TDP.
a) Embreagem simples em trator com TDPI: Este é o tipo mais comum encontrado nos tratores atualmente. Ao acionar a embreagem, apenas os rodados do trator são interrompidos. Nessa condição, é possível parar o trator sem afetar a TDP e também interromper a TDP sem parar o trator, já que o acionamento da TDP é independente da embreagem. Essa característica proporciona grande agilidade e conveniência operacional ao operador.
b) Embreagem simples em trator sem TDPI: Atualmente, são raros os tratores que ainda utilizam este sistema. Ao acionar a embreagem, tanto os rodados quanto a TDP são interrompidos simultaneamente. Nessa condição, o acionamento da embreagem resultará na parada do trator e da TDP ao mesmo tempo, o que pode gerar algumas complicações durante determinadas operações.
Tipos de embreagem dupla:
No sistema de embreagem dupla, uma das embreagens tem a função de interromper o movimento dos rodados, enquanto a outra interrompe o movimento da TDP.
Em tratores equipados com embreagem dupla, o acionamento pode ser realizado por meio de duas alavancas ou por dois estágios no mesmo pedal.
a) Acionamento por duas alavancas: Este sistema é frequentemente empregado em tratores de menor porte. Consiste em um pedal que interrompe o movimento dos rodados e uma alavanca manual que interrompe a TDP. Nessa condição, é possível parar o trator sem afetar a TDP e interromper a TDP sem parar o trator, através dos acionamentos individuais dos mecanismos.
b) Acionamento com dois estágios no mesmo pedal: Este sistema é amplamente utilizado em tratores de pequeno porte da marca Massey Ferguson. Ao acionar o pedal até o primeiro estágio, apenas o movimento dos rodados é interrompido. Ao acionar até o segundo estágio, tanto o movimento dos rodados quanto o da TDP são interrompidos.
Nessa condição, é possível parar o trator sem afetar a TDP, mas não é possível interromper a TDP sem parar o trator.
Atenção: Em operação, coloque o pé no pedal da embreagem somente quando for necessário, pois, ao contrário, ocorre um desgaste prematuro dos componentes da embreagem. Para utilização adequada dos acionamentos da embreagem, consulte o manual do operador.
Tomada de Potência (TDP)
A Tomada de Potência (TDP) também é referida em alguns tratores ou no manual do operador pela sigla PTO (Power Take Off).
Para transmitir a rotação da TDP para os implementos, emprega-se um eixo do tipo extensivo com uma junta cardã universal em cada extremo, possibilitando variações no ângulo e na distância entre o trator e o implemento. Visando a segurança, um revestimento integral cobre o eixo, enquanto capas parciais são utilizadas para cobrir cada junta de cruzetas.
A rotação da Tomada de Potência (TDP) desempenha um papel crucial na determinação da velocidade dos órgãos do implemento que estão sendo acionados. O diâmetro do eixo é um fator determinante para a potência a ser transmitida. A presença de estrias no eixo previne acoplamentos equivocados entre o trator e o implemento.
Portanto, existe uma padronização internacional da rotação e das dimensões da TDP nos tratores. Essa padronização é essencial para que diferentes fabricantes de implementos possam estimar a potência e a rotação de trabalho, além de facilitar o acoplamento entre tratores e implementos de diversos modelos, marcas e países de fabricação.
Rotações normatizadas da tomada de potência:
Existem duas rotações padronizadas para a Tomada de Potência (TDP): 540 rpm (padrão) e 1000 rpm. Tratores de pequeno e médio porte geralmente possuem apenas a TDP com rotação padrão de 540 rpm, uma vez que a grande maioria dos implementos fabricados no Brasil são projetados para operar com essa rotação. Tratores maiores e/ou mais avançados, além da rotação padrão de 540 rpm, podem apresentar também a opção de rotação de 1000 rpm.
Para efetuar a troca entre as duas rotações, o trator dispõe de uma caixa de engrenagens e uma alavanca que permite a seleção da rotação desejada.
Tomada de potência com rotação padrão de 540 rpm:
Esta rotação é a mais utilizada na TDP e equipa todos os tratores agrícolas. Possui um eixo de 6 estrias, com diâmetro de 35 milímetros (1”3/8).
A rotação da Tomada de Potência (TDP) é diretamente proporcional à rotação do motor, independentemente do movimento ou da marcha do câmbio do trator.
A rotação específica necessária no motor para alcançar 540 rpm na TDP pode variar de acordo com a marca, modelo e ano de fabricação do trator. Essa informação pode ser verificada no tacômetro, em adesivos específicos ou no manual do operador.
Alguns modelos mostram a rotação da TDP em sistema digital diretamente no painel do trator
Tomada de potência com 540E (Econômica):
Muitos tratores oferecem a possibilidade de obter a rotação padrão de 540 rpm na Tomada de Potência (TDP) em duas rotações distintas do motor.
A TDP de 540 rpm, conhecida como "padrão" ou simplesmente 540, é alcançada com a rotação do motor próxima ao regime máximo de funcionamento, sendo utilizada em implementos que requerem uma elevada potência da TDP.
Já a TDP com 540E (econômica) permite obter a mesma rotação padrão, porém, com uma rotação mais baixa do motor, próxima ao regime de torque máximo. Isso torna o motor mais eficiente, reduzindo o consumo de combustível para gerar uma determinada potência (PEÇA, 2012).
Quando essa opção está disponível no trator, pode ser selecionada por meio de uma alavanca com três posições: 540, neutro e 540E. Essa configuração é indicada para operações que demandam potência média a baixa na TDP.
Tomada de potência com rotação de 1000 rpm:
A rotação de 1000 rpm na Tomada de Potência (TDP) é um padrão mais comum em outros países e é incorporada em tratores de grande porte. No mercado brasileiro, essa opção é menos utilizada devido à escassez de implementos fabricados para essa rotação.
A TDP de 1000 rpm apresenta um eixo de 21 estrias com diâmetro de 35 milímetros. Para utilizar a TDP com essa rotação, é necessário realizar a mudança da alavanca seletora para a opção de 1000 rpm, bem como efetuar a substituição do eixo de 6 estrias pelo eixo de 21 estrias.
Da mesma forma que a TDP com rotação de 540 rpm, alguns tratores podem oferecer a opção de TDP com rotação de 1000 rpm na forma econômica (1000E). Isso significa obter 1000 rpm na TDP com uma rotação mais baixa no motor, visando uma maior eficiência e economia de combustível.
Tomada de potência com rotação proporcional à velocidade do trator:
Além das Tomadas de Potência (TDPs) padronizadas e econômicas, alguns tratores oferecem a opção de TDP com rotação proporcional à velocidade do trator. Nesse sistema, ao posicionar a alavanca seletora para esta opção, a rotação da TDP passa a ser proporcional à rotação da roda traseira do trator, e não ao motor.
Conforme a velocidade do trator, a rotação no eixo da Tomada de Potência (TDP) pode variar, aumentando ou diminuindo. Quando o trator está parado, a TDP permanece imóvel. Ao marchar à ré, o sentido de rotação do eixo da TDP é invertido. Essa opção é comumente empregada para realizar o desengate de implementos de colheita, já que, ao mover o trator em marcha à ré, o implemento gira em sentido contrário.
O manual do operador do trator fornece a relação de proporcionalidade entre as rotações do eixo traseiro do trator e da TDP. Por exemplo, no caso do trator da figura anterior, essa relação é de 9:1, significando que uma volta na roda do trator resulta em nove voltas no eixo da TDP.
A TDP proporcional pode ser empregada no fornecimento de rotação para os mecanismos dosadores de sementes ou fertilizantes do implemento. Isso garante que a vazão do dosador seja proporcional à velocidade do trator, de modo que as variações na velocidade não afetem a dosagem por área.
Adicionalmente, a TDP proporcional pode ser aplicada no fornecimento de potência para implementos tipo carreta que possuam tração em suas rodas, desde que o movimento do implemento esteja sincronizado com o movimento do trator.
Sistema de partida suave da TDP:
O dispositivo de partida suave da Tomada de Potência (TDP) é encontrado em alguns modelos de tratores e tem como objetivo facilitar o início da rotação em implementos de alta inércia. Essa funcionalidade permite uma tomada mais lenta e gradual do torque e da rotação transmitidos ao implemento, evitando trancos e desgaste prematuro do pacote de discos.
A ativação desse dispositivo ocorre por meio de um interruptor localizado no painel do trator. Para a correta utilização desse recurso, é recomendável consultar o manual do operador.
Sistema de liberação do freio da TDP:
O sistema de tomada de potência independente possui um freio automático que interrompe rapidamente a rotação do eixo da TDP, logo que desligada. Quando se opera com implementos de alta inércia, este sistema (interruptor) libera o freio, permitindo que o implemento gire livremente, evitando danos ao freio e ao eixo cardam
Formas de acionamento da tomada de potência:
O acionamento da tomada de potência pode ser mecânico, hidráulico e eletro-hidráulico.
a) Acionamento mecânico: o acoplamento entre o motor e a TDP é feito por engrenagens e depende do acionamento da embreagem, para ligar e desligar a TDP.
b) Ativação hidráulica e eletro-hidráulica: a conexão entre o motor e a TDP ocorre por intermédio de um conjunto de discos (embreagem hidráulica multidiscos) que são submetidos à pressão de óleo e, através do atrito, transferem o movimento para a TDP. Esse método de ativação dispensa o uso da embreagem, sendo denominado como tomada de potência independente (TDPI). Dessa forma, é possível conectar e desconectar a TDP independentemente da ativação da embreagem do trator.
O acionamento hidráulico é feito por uma alavanca que aciona diretamente o comando hidráulico, que manda o óleo sob pressão para o pacote de discos.
O acionamento eletro-hidráulico é feito por um interruptor elétrico que, por meio de solenoide, aciona o comando hidráulico, que envia o óleo sob pressão para o pacote de discos
10 Sistema Hidráulico do Trator
O sistema hidráulico, como uma das maneiras de utilizar a potência do motor, encontra aplicação em diversas operações com implementos. Esse sistema se divide em hidráulico de engate de três pontos e hidráulico de controle remoto.
Os componentes essenciais de um sistema hidráulico incluem:
Recipiente de óleo;
Filtros de sucção e pressão;
Bomba hidráulica de óleo;
Controle hidráulico, geralmente por meio de alavancas;
Atuadores, que podem ser cilindros ou motores hidráulicos;
Tubulações.
No momento atual, a grande maioria dos tratores incorpora o reservatório do sistema hidráulico no mesmo compartimento da transmissão. Isso implica que o óleo que desempenha a função de lubrificação para o sistema de transmissão também abastece o hidráulico de engate de três pontos, o hidráulico de controle remoto e outros sistemas, como direção, TDP, TDA e bloqueio do diferencial.
Os filtros desempenham um papel crucial ao proteger o sistema contra a entrada de partículas metálicas ou outros elementos indesejados, destacando a importância de uma manutenção preventiva adequada.
A bomba hidráulica, por sua vez, tem a responsabilidade de converter a energia mecânica proveniente do motor de combustão em energia hidráulica, representada por vazão e pressão. A vazão hidráulica influencia a velocidade dos atuadores, enquanto a pressão é determinante para a força exercida.
O comando hidráulico, funcionando como uma válvula, desempenha a função de distribuir e controlar o fluxo entre os atuadores e o retorno para o reservatório.
Os atuadores se subdividem em lineares, como os pistões, e rotativos, como os motores hidráulicos. Quanto aos pistões, podem ser de simples ou dupla ação.
O motor hidráulico assume a tarefa de converter a energia hidráulica proveniente da bomba em energia mecânica, utilizada para acionar os componentes rotativos nos implementos que requerem movimento rotativo.
Sistema Hidráulico de Três Pontos
Denominado também como sistema de levante hidráulico, esse sistema possibilita a operação de equipamentos com engate de três pontos, sejam eles montados ou semimontados.
O atuador, geralmente constituído por um pistão hidráulico de simples ação, eleva os braços do engate, sendo que o próprio peso do implemento é responsável por abaixá-los. Essa abordagem evita que o sistema hidráulico force o implemento a penetrar no solo, proporcionando, ao invés disso, um controle e limitação da profundidade, como destacado por GRANDI (1998).
A capacidade de levante varia conforme a marca e modelo do trator, sendo aconselhável consultar as informações pertinentes no manual do operador.
O sistema hidráulico de três pontos é equipado com alavancas e controles que desempenham funções específicas, variando de acordo com o tipo de implemento a ser utilizado. A quantidade, a disposição e a nomenclatura das alavancas e controles podem diferir conforme a marca, modelo e o nível tecnológico do trator. De acordo com Arnal Atares e Laguna Blanca (2000), todos os sistemas hidráulicos de três pontos, sejam mecânicos ou eletrônicos, incluem controles de posição, profundidade, ondulação e velocidade de descida.
No sistema hidráulico mecânico de três pontos, as alavancas são organizadas em um quadrante, e cada posição da alavanca corresponde a uma altura ou profundidade específica do implemento.
No referido quadrante, é instalado um batente limitador que restitui a alavanca à configuração preestabelecida após ser elevada para a execução da manobra. A partir desse batente, é viável também estabelecer um limite para a altura máxima de levante do implemento.
No sistema hidráulico eletrônico de três pontos, essas configurações do quadrante são efetuadas por meio de botões seletores, desempenhando a mesma função.
Controle de posição:
O controle de posição gerencia a altura de levante e descida dos braços do sistema hidráulico em relação ao solo, utilizando uma alavanca ou um botão elétrico. Cada posição da alavanca de controle estabelece o implemento em uma altura específica, que se mantém constante até que a alavanca seja acionada novamente.
Este controle é indicado quando se trabalha com implementos de superfície, que não apresentam reação do solo. Exemplos incluem roçadoras, pulverizadores de barras, distribuidores, entre outros.
Controle de profundidade:
Esse controle direciona a profundidade desejada dos implementos no solo, utilizando uma alavanca ou um botão elétrico. Ao utilizar este controle, é possível ter domínio sobre a profundidade, já que, quando operando com o controle de profundidade, também estará atuando exclusivamente no controle de ondulação (GRANDI, 1998).
Esse tipo de controle é apropriado quando se opera com implementos de penetração, que enfrentam a resistência do solo em oposição ao movimento da ferramenta, e que tendem a provocar a patinagem do trator. Exemplos incluem arados, subsoladores, sulcadores, entre outros.
Controle de ondulação:
Também conhecido como controle de sensibilidade ou controle de tração, este sistema é indicado para operações com implementos de penetração. Sua função primordial é automatizar o controle da profundidade do implemento, ajustando a força de resistência ao corte oferecida pelo solo. Dessa forma, assegura que o implemento acompanhe as ondulações da superfície, mantendo constante a força de tração do trator. Esse método evita patinagens, proporcionando conforto ao operador, que não precisa realizar esse controle manualmente por meio de alavancas (PADOVAN et al., 2013).
A maioria dos tratores adota a força de compressão para acionar o controle de ondulação. A resistência do solo ao corte gera uma força de tração nas barras inferiores do sistema hidráulico, levando a uma tendência de elevação da traseira do arado. Isso resulta em um esforço de compressão no braço do terceiro ponto, que, por sua vez, atua sobre um sensor de mola. Se esse sensor ceder, permite a atuação na válvula de controle, elevando as barras de levante.
Enquanto o esforço de compressão permanece constante, o implemento é mantido à mesma profundidade operacional. Quando o conjunto trator-implemento encontra irregularidades na superfície do terreno ou áreas com diferentes resistências de solo, o esforço de compressão no terceiro ponto é modificado. Isso faz com que o sensor atue na válvula de controle, elevando ou abaixando as barras de levante, assegurando a consistência na profundidade e na força de tração.
O suporte do terceiro ponto, frequentemente chamado de viga de controle, opera como um sistema de alavanca, oferecendo posições de engate variáveis que regulam a sensibilidade do sistema hidráulico. A viga de controle é fixada em uma extremidade e móvel na outra. Quanto mais próximo do ponto móvel o terceiro ponto estiver acoplado, maior será a sensibilidade, uma vez que uma pequena força de compressão será suficiente para acionar a válvula de controle. Alguns modelos de tratores têm o sensor na parte superior da viga de controle, enquanto em outros, o sensor está localizado na parte inferior da viga.
A escolha do furo para o engate do terceiro ponto na viga de controle depende do tipo de solo, sua umidade e da profundidade de atuação do implemento. Em solos de textura macia e com implementos leves, recomenda-se utilizar o furo mais próximo do sensor, o que resulta em maior sensibilidade. Isso se deve à expectativa de menor resistência que o solo oferecerá nessas condições.
Em contrapartida, para solos de textura mais dura ou quando se opera em maiores profundidades, a sensibilidade deve ser reduzida. Isso é necessário para evitar que o próprio controle impeça a penetração do implemento, adaptando-se às condições mais desafiadoras.
Na ausência de informações precisas sobre a textura do solo e a profundidade do implemento, a abordagem mais apropriada para determinar a melhor posição para o terceiro ponto é começar a partir do ponto mais sensível. Essa prática permite uma avaliação inicial considerando uma sensibilidade maior, o que pode ser ajustado conforme necessário durante o uso, proporcionando flexibilidade para se adaptar às condições específicas encontradas durante a operação.
Atenção: No transporte de qualquer implemento e na operação de implementos de superfície, o terceiro ponto deve ser acoplado no furo mais longe do sensor (mola), evitando danos no sistema.
Vários tratores, além dos furos na viga de controle, apresentam um controle dedicado para ajuste da sensibilidade, localizado no quadrante próximo ao operador.
Em determinados modelos de tratores, o esforço de tração nas barras inferiores de acoplamento, conectadas a um pino de flexão, é empregado para acionar o controle de sensibilidade.
Este sistema não conta com ajustes na viga de controle, no entanto, dispõe de uma alavanca específica para regular a sensibilidade, localizada no quadrante adjacente ao operador.
Controle de subida e descida:
Com o objetivo de agilizar e simplificar as manobras de cabeceira, diversos modelos de tratores incorporam um interruptor de subida e descida, seja em sistemas hidráulicos com controles mecânicos ou eletrônicos. Após realizar os ajustes de altura, profundidade e sensibilidade, esse interruptor é utilizado para elevar e abaixar o implemento. Geralmente, ele é posicionado ao lado do para-lama ou na alavanca de marchas.
Controle de velocidade de descida:
O sistema hidráulico de três pontos inclui uma alavanca ou botão que possibilita a variação da velocidade de descida do implemento. A velocidade mais lenta é recomendada para implementos de superfície ou semeadoras, enquanto a velocidade mais rápida é indicada para implementos de penetração, como arados, grades, sulcadores, entre outros.
Sistema hidráulico de três pontos eletrônico:
Tratores de maior porte, geralmente equipados com tecnologia avançada, são frequentemente dotados de sistemas hidráulicos de três pontos eletrônicos. Esse sistema incorpora todos os controles mencionados anteriormente, sendo operados por meio de botões seletores posicionados em um painel adjacente ao operador.
A. Botão de elevação e abaixamento do implemento.
B. Botão para amortecimento de impactos.
C. Botão para ajuste da profundidade máxima do implemento.
D. Botão para ajuste da altura máxima do implemento.
E. Botão para controle de sensibilidade do sistema hidráulico.
F. Botão para seleção da velocidade de descida do implemento.
No sistema hidráulico de três pontos eletrônico, o controle de sensibilidade é realizado por meio de pinos oscilantes (strain gauge) nas barras inferiores de acoplamento. Esses pinos leem o esforço de tração do trator e ajustam a sensibilidade no painel por meio de um botão giratório.
Esse sistema possui sequência de regulagem e formas de operação que se diferenciam com a marca e modelo do trator. Para a correta operação, deve-se consultar o manual do operador.
Sistema Hidráulico de Controle Remoto
O sistema de controle hidráulico remoto é integrado ao trator, onde as partes operacionais, como cilindros e motores hidráulicos, estão posicionadas no implemento e conectadas por mangueiras através de engate rápido. A designação "controle remoto" é atribuída a esse sistema devido à localização do dispositivo de controle no trator, enquanto o atuador está no implemento.
Válvula de controle remoto (VCR):
O dispositivo de comando do sistema hidráulico, conhecido como válvula de controle remoto, desempenha o papel crucial de distribuir e regular o fluxo entre os atuadores e o retorno para o reservatório. No trator, pode-se encontrar uma ou várias válvulas de controle remoto (VCR). Cada VCR é constituída por um par de acopladores equipados com engate rápido, facilitando tanto a saída quanto o retorno do óleo para os atuadores no implemento.
Para além de sua função primária como válvula, algumas Válvulas de Controle Remoto (VCRs) podem incorporar em seu corpo mecanismos adicionais com diversas funções, como regulador de vazão e seletor do tipo de operação.
a) Regulador de vazão : Possui a finalidade de ajustar a quantidade de óleo fornecida ao cilindro ou motor hidráulico do implemento. Essa ajustagem é realizada por meio de uma manopla giratória presente na VCR e é indicada pelos símbolos tartaruga e lebre.
b) Seletor do tipo de operação: Trata-se de uma manopla responsável por escolher a configuração da alavanca da VCR de acordo com o tipo de operação. Apresenta três posições distintas:
• Posição sem detente: a alavanca retorna à posição neutra quando solta. Empregada para ajuste de altura e limitação da profundidade do implemento. Coloca o cilindro hidráulico em posições intermediárias.
• posição de detente automático: a alavanca retorna automaticamente quando o cilindro atinge o final do curso. Utilizada para abaixar ou erguer totalmente o implemento.
• posição de detente constante (fluxo constante): uma vez acionada a alavanca fica na posição sem retorno automático. Utilizada para acionar motores hidráulicos no implemento.
Para operações envolvendo implementos equipados com motores hidráulicos, o trator está equipado com uma conexão de espera de retorno livre, localizada na carcaça do reservatório. Essa conexão facilita o retorno livre do óleo ao tanque, prevenindo restrições e o aquecimento do fluido hidráulico.
Alavancas de controle remoto:
Cada Válvula de Controle Remoto (VCR) é controlada por uma alavanca específica posicionada no lado direito do operador, disposta de forma lógica em relação à posição da VCR. Isso significa que a alavanca externa do lado direito comanda a VCR externa do lado direito. Além disso, as VCRs podem ser identificadas por cores distintas na alavanca e na própria VCR.
A alavanca da Válvula de Controle Remoto (VCR) apresenta três posições fundamentais de operação, padronizadas em todos os tratores:
Neutro
Expansão do cilindro: levantar
Retração do cilindro: abaixar
Algumas alavancas da Válvula de Controle Remoto (VCR) possuem ajustes adicionais de posicionamento, além das posições básicas:
Desarme automático: a alavanca retorna à posição de neutro quando o cilindro atinge o final do curso.
Flutuação: permite que o cilindro expanda e retraia livremente, possibilitando que o implemento acompanhe as variações do terreno. O fluxo de óleo permanece desimpedido entre o trator e o implemento.
Trava de transporte: por questões de segurança, a alavanca fica bloqueada na posição de neutro.
Capacidade de vazão do trator e exigência do implemento:
Tratores agrícolas de grande porte são equipados com sistemas de controle remoto que incorporam bombas de alta vazão, destinadas a acionar pistões e motores hidráulicos nos implementos. O operador deve estar atento às informações relativas à vazão disponibilizada pelo trator, assim como à vazão requerida pelo implemento. Essas informações podem ser consultadas nos manuais do operador do trator e do implemento.
Alguns modelos de tratores apresentam um controle remoto com fluxo combinado, que pode ser ativado por uma tecla seletora no painel. Quando acionada, essa função redireciona o fluxo de óleo do sistema hidráulico de três pontos e o incorpora ao fluxo de óleo do controle remoto, ou ativa bombas hidráulicas auxiliares.
Tratores de última geração contam com comandos eletrônicos para a Válvula de Controle Remoto (VCR), os quais são acionados através de toque na tela do monitor. Além disso, esses tratores são equipados com sistemas de Pressão e Fluxo Compensados (PFC). A configuração da vazão de cada VCR pode ser ajustada diretamente no monitor do trator.
Para configuração da vazão do controle remoto no monitor e a correta operação, deve-se consultar o manual do operador.
Cuidados na utilização do hidráulico de controle remoto:
Os engates rápidos da Válvula de Controle Remoto (VCR), no formato de acopladores fêmea, geralmente estão posicionados verticalmente na parte traseira do trator.
Inspecione os anéis de vedação do engate rápido. Se houver vazamento, substitua-os.
O acoplamento das mangueiras é feito empurrando o engate rápido (macho) nas conexões (fêmea) até ocorrer o travamento. O desacoplamento é feito puxando o engate rápido (macho). Este sistema é chamado de Push/Pull (Empurre/Puxe).
Antes de desconectar as mangueiras da Válvula de Controle Remoto (VCR), desligue o motor e movimente as alavancas para frente e para trás até notar que o cilindro remoto não exerce mais pressão. Alternativamente, é possível posicionar a alavanca na posição de flutuação.
Com o motor do trator em operação, acione as alavancas do comando apenas se as mangueiras estiverem devidamente acopladas. Quando não estiver utilizando o engate rápido, é recomendável manter o tampão de borracha no lugar, tanto no trator quanto no implemento.
Para certas aplicações que demandam elevadas vazões, tanto o trator quanto o implemento estão equipados com engate rápido que possui medidas de diâmetro diferenciadas.
Aviso Ecológico: Ao fazer o acoplamento ou desacoplamento do engate rápido evite derramar óleo no solo.
Atenção:
• Antes de acoplar as mangueiras do implemento, limpe a superfície do engate rápido.
• O óleo contido dentro do cilindro hidráulico do implemento deverá ser da mesma classificação e marca do óleo do reservatório do trator. A não observação desse detalhe implicará na contaminação do óleo hidráulico, podendo trazer sérias avarias.
• Para mais informações sobre a utilização correta da VCR, consulte o manual do operador.
11 Regulamentos dos Sistemas de Acoplamento
O implemento agrícola é geralmente acoplado ao trator de duas maneiras: montado no sistema hidráulico de três pontos e por meio de arrasto, conectado à barra de tração.
Ambas as formas de acoplamento envolvem diversas regulagens e adaptações que devem ser realizadas, sendo procedimentos comuns para todas as marcas e modelos de tratores.
Regulamentos no Trator para Implementos Acoplados nos Três Pontos
Os componentes externos do sistema hidráulico de três pontos que estão envolvidos nas regulagens nessa forma de acoplamento são:
A. Braços estabilizadores
B. Braços intermediários
C. Braço do terceiro ponto
D. Barra de levante inferior
Categorias dos pinos de engate:
O diâmetro dos pinos de engate de três pontos, tanto do trator quanto do implemento são padronizados em categoria I, II e III.
É necessário verificar a compatibilidade dos pinos com os furos, tanto no trator quanto no implemento. Caso contrário, isso resultará no desgaste precoce dos pinos e dos furos nos braços inferiores e no terceiro ponto.
Sequência de acoplamento para implemento de três pontos:
Facilitar a operação de acoplamento do implemento de três pontos ao trator envolve seguir uma sequência de passos.
a) Inicialmente, acople a barra inferior esquerda: Para isso, afaste o trator com marcha reduzida e baixa aceleração. Utilize a alavanca de controle de posição do hidráulico para alinhar a altura do braço de levante com o pino de engate do implemento.
Alguns tratores possuem essa alavanca ou interruptor externo para acionamento do sistema hidráulico.
b) Acoplar o braço do terceiro ponto:
c) Acoplar a barra inferior direita: Caso os furos estejam desalinhados, utilizar a regulagem do terceiro ponto e/ou do braço intermediário de forma a conseguir a coincidência desejada.
Quando o trator apresenta ajustes nos dois braços intermediários, o processo de acoplamento pode ser iniciado tanto pela barra esquerda quanto pela barra direita.
Para desacoplar o implemento, escolha uma área plana e inverta a sequência realizada no acoplamento. Ou seja, inicie desacoplando primeiro a barra de levante direita, em seguida o terceiro ponto e, por último, a barra de levante esquerda.
Em roçadoras que possuem a torre de engate móvel, o acoplamento deve começar pelas duas barras inferiores, seguido pelo terceiro ponto e, por fim, o eixo cardam.
Regulagem dos braços estabilizadores:
Os braços estabilizadores laterais das barras inferiores desempenham a função de ajustar a centralização ou descentralização do implemento em relação ao trator. Além disso, eles evitam o excessivo jogo lateral do implemento quando levantado.
Quando nenhum implemento estiver acoplado ao sistema de três pontos, é necessário ajustar os estabilizadores para eliminar o movimento lateral. Os diversos tipos de braços estabilizadores encontrados em diferentes marcas e modelos de tratores incluem:
Braços de rosca (corrente);
Braços telescópicos;
Braços mistos, que combinam características de rosca e telescópicos.
Regulagem dos braços intermediários:
Os braços intermediários possuem a capacidade de variar em comprimento, proporcionando a ajustabilidade no nivelamento transversal do implemento. Isso significa que é possível nivelar ou desnivelar o lado esquerdo do implemento em relação ao lado direito, e vice-versa.
Além disso, a capacidade de variar o comprimento dos braços intermediários também visa simplificar o processo de acoplamento e desacoplamento do implemento. Nos dias de hoje, é comum encontrar tratores com regulagens nos dois braços. Entretanto, alguns modelos mais simples e antigos possuem a regulagem exclusivamente no braço intermediário direito.
Regulagem do braço do terceiro ponto:
A regulação do nivelamento longitudinal do implemento, ou seja, o ato de nivelar ou desnivelar a dianteira em relação à traseira e vice-versa, é realizada ajustando o comprimento do braço do terceiro ponto.
O comprimento do terceiro ponto é diretamente proporcional à altura da parte traseira do implemento. Portanto, à medida que o terceiro ponto é ajustado para ficar mais comprido, a parte traseira do implemento fica mais baixa. Em contrapartida, ao encurtar o terceiro ponto, observa-se o efeito oposto, com a elevação da parte dianteira do implemento.
Furos da barra de levante inferior:
As barras de levante inferior são equipadas com dois ou três furos para a fixação dos braços intermediários, proporcionando a possibilidade de ajustar o intervalo do movimento dos braços inferiores e a capacidade de levantamento do sistema hidráulico. Para lidar com implementos mais pesados e longos, é recomendável fixar os braços intermediários no furo mais distante do trator.
Furo oblongo do braço intermediário:
O garfo do braço intermediário está equipado com um furo oblongo (oval), destinado a ser utilizado em determinadas situações operacionais, tais como:
Implementos mais largos que o trator, como cultivadores.
Implementos que operam rentes ao solo, como roçadoras.
Implementos com pouca penetração, a exemplo de grade niveladora e semeadora.
O furo oblongo possibilita a oscilação vertical do implemento no sentido transversal, evitando que o peso seja sustentado apenas em um dos lados diante de irregularidades na superfície do terreno, como depressões ou elevações.
A maioria dos tratores possui um sistema que permite a alteração da posição do pino e da arruela retangular: na posição horizontal, o braço permanece sem oscilação, enquanto na posição vertical, o pino oscila no furo oblongo.
Regulagens no Trator para Implementos de Arrasto
A barra de tração é uma das maneiras de aproveitar a potência fornecida pelo trator e apresenta várias regulagens e adaptações cruciais para operações com diversos implementos.
Tipos de barra de tração quanto ao formato:
a) Barra de tração reta: Operando a uma única altura em relação ao solo, essa configuração não oferece opções de ajuste na altura do engate do implemento. O cabeçote pode ser fixado na barra de tração para formar a boca de lobo.
b) Barra de tração com degrau: Esta configuração oferece duas opções de ajuste na altura do cabeçalho do implemento, permitindo regulagens para cima ou para baixo. Essa flexibilidade possibilita o ajuste do nivelamento longitudinal do implemento de arrasto. Independentemente do degrau estar posicionado para cima ou para baixo, é necessário parafusar o cabeçote na parte superior da barra de tração, garantindo que o peso do implemento incida sobre a barra e não sobre o cabeçote.
c) Engates especiais – pino bola
Regulagem no comprimento da barra de tração:
A barra de tração dispõe de ajustes em seu comprimento em relação ao trator, os quais devem ser feitos conforme as exigências da operação. Existem furações na barra de tração, variando de 2 a 4 furos, que possibilitam a alteração do seu comprimento em relação ao trator. Esses furos devem ser utilizados de acordo com as necessidades específicas da operação e do implemento.
Uma barra de tração mais longa simplifica a operação em manobras fechadas, evitando que o cabeçalho do implemento entre em contato com os pneus. Já uma barra de tração mais curta suporta uma carga estática maior sobre a barra.
Quando a barra estiver ajustada completamente recuada em seu comprimento, é crucial que o operador esteja atento durante curvas ou manobras. Isso se deve ao fato de que o cabeçalho ou lança do implemento pode, nessa posição, colidir com os pneus do trator ou causar danos às mangueiras do controle remoto.
Posições da barra de tração na bandeja:
A barra de tração é fixa por um pino na sua extremidade interna e na bandeja a barra pode assumir diferentes posições como: fixa centralizada, fixa deslocada e oscilante.
Alguns tratores estão equipados com um sistema de roletes que facilita o movimento lateral da barra quando posicionada de maneira oscilante na bandeja. Essa configuração possibilita a operação em offset com os implementos.
A decisão sobre a posição da barra de tração na bandeja está condicionada ao tipo de implemento, à inclinação do terreno e ao objetivo da operação. Para garantir a utilização adequada, é recomendável consultar o manual do trator e do implemento.
Tipos de cabeçalho do implemento:
Existem diferentes tipos de cabeçalhos para implementos agrícolas, variando de acordo com a potência necessária, a quantidade de peso depositada na barra de tração, o tipo de implemento e o grau de sofisticação do equipamento.
a) Cabeçalho com boca de lobo giratória e um dos furos oblongos: A capacidade de rotação proporciona a oscilação no sentido transversal entre o trator e o implemento, enquanto o furo oblongo permite uma oscilação longitudinal, embora de forma limitada.
b) Cabeçalho com boca de lobo giratória e basculante: O fato de ser basculante garante plena movimentação no sentido longitudinal entre o trator e o implemento.
c) Cabeçalho com furo único giratório e basculante: Permite plena oscilação no sentido transversal e longitudinal entre o trator e o implemento
d) Cabeçalho com rótula não giratória e não basculante: A rótula permite tanto a oscilação transversal quanto longitudinal, porém com movimentação limitada nos dois sentidos. Por isso, em alguns casos, possui também o movimento giratório.
e) Cabeçalho com rótula giratória e não basculante: Além do movimento de oscilação transversal permitido pela rótula, possui também o movimento giratório.
Adequação entre o cabeçalho do implemento e a barra de tração do trator:
O cabeçote, que é fixado na barra de tração para formar a boca de lobo, pode precisar ser removido em certas situações para se adequar ao tipo de cabeçalho do implemento.
a) Implemento com boca de lobo giratória, não basculante e com um dos furos oblongo: O cabeçote deve ser retirado da barra de tração, fazendo com que o pino passe por apenas três furos.
O pino não deve ser inserido através de todos os quatro furos, pois, mesmo com o furo oblongo no cabeçote do implemento, o acoplamento perderá a flexibilidade longitudinal. Isso poderia resultar em danos como a quebra do pino, da barra de tração ou da boca de lobo do implemento.
b) Implemento com boca de lobo giratória e basculante: O cabeçote pode ou não permanecer na barra de tração do trator. Sem o cabeçote na barra, o pino passará por três furos.
Com o cabeçote fixado na barra de tração, o pino passará por quatro furos. Nesse cenário, devido à natureza basculante da boca de lobo do implemento, haverá total flexibilidade no sentido longitudinal do conjunto trator-implemento, evitando assim qualquer dano.
Nessa situação, é importante destacar que a boca de lobo do implemento deve ser acoplada diretamente na barra de tração, não no cabeçote desta.
c) Implemento com cabeçalho de furo único giratório e basculante: O cabeçote deve permanecer na barra de tração, pois o pino deve passar por três furos
d) Cabeçalho com rótula giratória ou fixa e não basculante: O cabeçote deve permanecer na barra de tração, pois o pino deve passar por três furos.
Sequência de acoplamento para implemento de arrasto:
O acoplamento de implementos de arrasto ocorre através da conexão da barra de tração com o cabeçote do implemento, utilizando apenas um pino. Para realizar esse processo, é necessário afastar o trator em marcha reduzida, com baixa aceleração, alinhando-o de forma centralizada com o cabeçote do implemento. Posteriormente, levante o cabeçote e insira o pino e o contrapino para a fixação adequada. Em seguida, proceda com o acoplamento do cardan e/ou das mangueiras de controle remoto, caso o implemento as possua.
12 Bitola do Trator
A bitola do trator é a medida da distância de centro a centro entre os pneus traseiros ou dianteiros e é ajustável na maioria dos sistemas de rodados.
A medida ajustável da bitola do trator visa atender diversas funções, tais como:
- Adaptar o trator às entrelinhas da cultura.
- Ajustar o trator ao implemento, como é o caso de arados e colhedoras de forragens.
- Estabilizar o trator em terrenos acidentados.
- Adequar o trator em culturas perenes.
Sistema de Regulagem da Bitola
O procedimento para regulagem da bitola depende do sistema de regulagem, que varia conforme a marca e modelo do trator.
Eixo traseiro:
Para o eixo traseiro dos tratores existem três sistemas que alteram a medida da bitola.
a) Sistema de aros e discos: Segundo Peça (2012), é o sistema mais utilizado, tanto em eixos traseiros, quanto em eixos dianteiros com tração.
A modificação da medida da bitola é realizada ao ajustar as posições de fixação do aro no disco e ao inverter a posição do disco no eixo do trator. Dentro desse sistema, tipicamente são obtidas 8 medidas distintas de bitola, apresentando variações de aproximadamente 10 centímetros. Durante a alteração das posições, é essencial observar a direção correta de rotação dos pneus.
b) Sistema de eixo estendido: Este sistema é amplamente empregado em tratores de alta potência, pois oferece a vantagem de não exigir a remoção do conjunto pneu/roda do trator. Além disso, proporciona a flexibilidade de instalação de rodados duplos, permitindo a obtenção da medida precisa da bitola desejada.
Nesse sistema, o conjunto pneu/roda é fixado em um cubo com bucha cônica apertada no semieixo. Ao neutralizar o aperto da bucha cônica, o conjunto pode ser movido para dentro ou para fora do semieixo e, em seguida, ser reapertado no eixo.
O deslocamento do conjunto no eixo pode ser realizado em um eixo liso ou facilitado por meio de um eixo equipado com cremalheira e engrenagem (ARNAL ATARES; LAGUNA BLANCA, 2000).
c) Sistema servo ajustável (PAVT): Este sistema também é conhecido pela sigla em inglês PAVT (Power Adjustable Variable Track) e é mais utilizado em tratores da marca Massey Ferguson.
A vantagem inerente a esse sistema reside no fato de dispensar a necessidade de elevar o trator ou remover o conjunto pneu e roda. A variação na medida da bitola é alcançada por meio de trilhos soldados de forma diagonal no aro. O disco é fixado aos trilhos por meio de grampos. A disposição diagonal dos trilhos no aro permite que, ao deslocar os grampos ao longo dos trilhos correspondentes, utilizando a própria força do trator, ocorra um ajuste do aro para dentro ou para fora em relação ao disco, provocando assim a alteração na bitola. As instruções para a regulagem, assim como os valores específicos da bitola, estão detalhados no manual do operador.
Eixo dianteiro:
a) Tratores 4x2: No rodado dianteiro dos tratores 4x2, o sistema utilizado é o de barras telescópicas, que permite ser parafusado em diversas posições.
b) Tratores 4x2 TDA: No eixo dianteiro dos tratores 4x2 com tração dianteira auxiliar, o sistema utilizado em todos os tratores é o de aros e discos.
Variações da Medida da Bitola
O intervalo de variação na medida da bitola está condicionado à aplicação específica do trator, podendo ser classificado em três categorias: convencionais, largos e estreitos. Em tratores convencionais, a média da variação na medida da bitola varia de 1,50 a 2,30 metros.
Tratores destinados exclusivamente à cultura da cana-de-açúcar são equipados com eixo estendido, permitindo intervalos na medida da bitola que oscilam entre 2,30 e 3,00 metros, a fim de se ajustarem às entrelinhas da cultura.
Tratores específicos para cultura perenes como os cafeeiros e fruteiros, chamados de tratores estreitos, possuem intervalos de medida de bitola que variam entre 1,00 a 1,70 metros.
Medida da Bitola em Tratores com Rodagem Dupla
Em tratores equipados com rodagem dupla, a mensuração da bitola é efetuada entre os dois pneus internos, designada como bitola interna ou bitola menor, e entre os dois pneus externos, referida como bitola externa ou bitola maior.
Determinação da Medida da Bitola
Quando se busca adaptar o trator às entrelinhas da cultura, as operações de implantação da cultura com os implementos semeadora, plantadora ou transplantadora desempenham um papel crucial na determinação da medida apropriada da bitola. Isso se deve ao interesse em evitar a coincidência entre a linha de plantio e o rastro deixado pelo trator. As operações subsequentes, como cultivo, adubação e pulverização, também utilizarão a mesma medida da bitola adotada durante a implantação.
Quando o número de linhas de plantio cabe dentro da medida da bitola, o valor desta é obtido multiplicando o espaçamento entre linhas pelo número de linhas. Para tratores convencionais, esse resultado deve situar-se entre 1,50 e 2,30 metros. Nesse cenário, o próprio rastro deixado pelo trator serve como marcador para a próxima volta.
Exemplo 1:
- Espaçamento entre linhas: 0,6 metros
- Número de linhas: 3
- Bitola = 0,6 x 3 = 1,8 metros
Quando o resultado da multiplicação do espaçamento entre linhas pelo número de linhas ultrapassar 2,30 metros, será empregado um braço marcador para criar a marca no solo, indicando a trajetória da volta. Nessa situação, a medida da bitola será determinada multiplicando o espaçamento entre linhas por um específico número de linhas centrais simétricas, de modo que o resultado permaneça entre 1,50 e 2,30 metros.
Exemplo 2:
- Espaçamento entre linhas: 0,85 metros
- Número de linhas: 6
- Número de linhas centrais simétricas: 2
- Bitola = 0,85 x 2 = 1,70 metros
13 Adequação do Peso do Trator
O trator agrícola desempenha o papel de fonte de potência para o implemento, sendo uma máquina que, ao sair da fábrica, é projetada de maneira genérica para atuar em diversas operações agrícolas. Por essa razão, torna-se essencial adaptar o seu peso para as operações e implementos específicos.
Antes de considerar a adequação do peso do trator, é crucial verificar se o implemento é compatível com o trator em termos de exigência de potência. Essa informação é fornecida no manual do implemento e deve ser consultada e seguida rigorosamente para garantir a otimização do desempenho conjunto.
Formas para Aumentar a Aderência Entre o Rodado e o Solo
O pneu desempenha o papel crucial na tração, representando a relação de aderência entre o rodado e o solo. A baixa aderência entre o rodado e o solo pode resultar em patinagem do rodado, sendo necessário controlá-la dentro de níveis aceitáveis, que variam de acordo com o tipo de solo e a operação em questão.
As estratégias para aumentar a aderência entre o rodado e o solo são apresentadas no Quadro 11.
A ampliação da área de contato, como método para incrementar a aderência entre o rodado e o solo, apresenta vantagens técnicas, uma vez que reduz tanto a patinagem quanto a compactação do solo. Contudo, essa abordagem pode ser economicamente dispendiosa e, em muitos casos, resultar na redução da versatilidade do trator em relação à adaptação com implementos. Diante disso, a lastragem surge como uma solução viável para ajustar o peso do trator, assegurando a aderência necessária.
Fatores que Determinam a Quantidade e a Distribuição de Lastro no Trato
A adequada aderência do rodado ao solo é alcançada por meio do ajuste do peso total do trator e da distribuição desse peso entre os eixos traseiro e dianteiro. Os fatores que influenciam a quantidade e a distribuição do lastro no trator incluem:
- Condições do solo (solto ou firme, umidade, cobertura).
- Tipo de implemento e operação: leve, médio ou pesado.
- Tipo de tração: 4x2, 4x2 TDA e 4x4.
- Forma de acoplamento: montado ou de arrasto.
- Velocidade de operação.
- Tipo de rodado: simples ou duplo.
Prejuízos Causados Pela Lastragem Incorreta
O lastro apropriado possibilita uma utilização mais eficiente da energia disponível do trator. A quantidade precisa de peso no trator pode resultar em benefícios, contudo, uma lastragem inadequada, seja insuficiente ou excessiva, acarretará prejuízos ao usuário.
Relação Entre o Peso e a Potência do Trator
O peso total ideal de um trator agrícola está diretamente vinculado à potência de seu motor. Essa relação é denominada "relação peso/potência" e representa o peso total do trator em kgf dividido pela potência do motor em cavalos-vapor (cv).
A relação peso/potência é influenciada pelo tipo de operação, implemento e condições do solo. A tabela a seguir serve como guia para determinar o peso total do trator, a fim de adequá-lo à quantidade de lastro necessária. A relação peso/potência varia em função do tipo de implemento e da operação a ser realizada. É crucial observar no manual do operador o peso máximo permitido para o trator.
De maneira geral, pode-se afirmar que em condições consideradas médias, a relação peso/potência deve ser de 50 kgf/cv. Para situações que estejam acima ou abaixo da média, a relação peso/potência deve ser ajustada em +10% ou -10%, respectivamente, em relação à média.
O peso total do trator pode ser obtido multiplicando-se a potência do motor em cv pelo valor da relação peso/potência.
Distribuição de Peso no Trator
A distribuição do peso em cada eixo é impactada pelo tipo de tração e pela forma como o implemento é acoplado ao trator, sendo ajustada por meio da adequação do lastro. A tabela a seguir apresenta percentuais de distribuição de forma genérica; no entanto, é recomendável consultar o manual do operador ou o concessionário para obter informações específicas do modelo.
Exemplo – Determinar o peso total do trator e a distribuição de peso entre os eixos.
Dados do trator:
Potência do motor: 125 cv
Tipo de tração: 4x2 TDA
Tipo de serviço: pesado
Forma de acoplamento: montado
Resolução:
Peso total do trator: 54 kgf/cv x 125 cv = 6750 kgf
Distribuição entre os eixos:
Dianteiro: 6750 kgf x 0,4 = 2700 kgf
Traseiro: 6750 kgf x 0,6 = 4050 kgf
Neste caso, o trator deve ter um peso total de 6750 kgf, com 2700 kgf no eixo dianteiro e 4050 kgf no eixo traseiro. Para verificar o peso atual do trator por eixo, utilize uma balança e subtraia o peso atual do peso recomendado. Adicione ou remova lastro conforme necessário para atingir as recomendações de peso. Esse procedimento garantirá a distribuição adequada do peso nos eixos do trator para otimizar o desempenho em diferentes condições de operação.
Na adição de pesos dianteiros, ocorre um efeito de transferência de peso da plataforma para os eixos. Conforme a John Deere (2013), esse efeito de transferência de peso é aproximadamente 45%, variando de acordo com a configuração do trator. Isso significa que, para cada 45 kg de peso adicionado na plataforma dianteira, aproximadamente 65 kg são acrescentados ao eixo dianteiro, enquanto cerca de 20 kg são retirados do eixo traseiro. Para outras marcas e modelos, é aconselhável consultar o manual do operador.
É importante notar que o contrapeso traseiro não gera transferência de peso, pois é adicionado diretamente no eixo traseiro.
Lastragem Sólida
A lastragem envolve a inserção de pesos metálicos nas rodas do eixo traseiro e no suporte localizado na parte dianteira do trator.
A lastragem sólida no eixo traseiro é realizada por meio da fixação de discos metálicos parafusados às rodas. Essa prática pode ser empregada como um complemento à lastragem líquida, com o objetivo de aprimorar a tração e garantir uma distribuição ideal do peso em cada eixo do trator.
O lastro sólido dianteiro é realizado mediante a colocação de placas metálicas no suporte dianteiro do trator. Além de aprimorar a tração, essa prática também desempenha a função de prevenir empinamentos, assegurando a dirigibilidade em solos soltos.
A maneira de instalar, a quantidade e a localização dos pesos dependem da marca e modelo específicos do trator, sendo informações que devem ser consultadas no manual do operador.
Lastragem Líquida
A lastragem líquida consiste em introduzir água nos pneus por meio da válvula de calibragem, utilizando um dispositivo apropriado. O nível de água é controlado ajustando a altura da válvula.
A lastragem líquida apresenta algumas vantagens em relação ao lastro metálico:
- O peso da água é aplicado diretamente no pneu em contato com o solo, reduzindo o risco de danos mecânicos nos eixos e rodas (peso morto).
- Custo mais baixo.
- Facilidade de ajustar a quantidade de lastro.
- Detecção fácil de furos.
- Facilidade de recuperação do trator em caso de furo, pois a água demora mais para escapar, prolongando a capacidade de rodagem.
A desvantagem da lastragem líquida é o efeito de enrijecimento que pode resultar em uma rodagem mais dura e, geralmente, reduzir a capacidade de controlar a trepidação do motor.
A quantidade de água a ser colocada nos pneus varia de acordo com o tipo de construção do pneu. Em pneus de construção diagonal, a quantidade máxima de água é aproximadamente 75% do volume, alcançada posicionando a válvula totalmente para cima. Já em pneus de construção radial e configuração mista (diagonal cintado), a quantidade máxima de água é de 40% do volume, ou conforme as recomendações no manual do operador. O percentual menor para pneus radiais visa preservar a maleabilidade do pneu, uma vantagem significativa desse tipo de construção.
Atenção: Os pneus nunca devem ser enchidos totalmente com água. Isto os deixa sem flexibilidade para amortecer os impactos impostos pelas irregularidades do terreno
O enchimento do pneu do trator com água requer apenas um registro de água, não necessariamente de alta pressão. A sequência dos procedimentos para essa operação, adaptada do manual do operador AGCO-VALTRA (2012), está descrita a seguir:
Certifique-se sempre de seguir as orientações específicas do manual do operador do trator para garantir a segurança e o desempenho adequados.
a) Levantar a roda do trator.
b) Girar a roda de modo que a válvula fique na posição desejada.
c) Retirar a válvula do bico e deixar sair o ar que estava sob pressão.
d) Colocar água no pneu: utilize um dispositivo que permita a saída do ar a medida que o pneu vai enchendo de água. Caso não possua este dispositivo, faça com uma mangueira comum, porém retirando-a de tempos em tempos para permitir a saída do ar.
e) Retirar a mangueira quando a água atingir o nível do bico.
f) Deixar sair o excesso de água.
g) Recolocar a válvula.
h) Calibrar o pneu com a pressão recomendada pelo fabricante.
Certifique-se sempre de seguir as orientações específicas do manual do operador do trator para garantir a segurança e o desempenho adequados.
14 Classificação dos Pneus Agrícolas
Os pneus de tratores agrícolas desempenham diversas funções, incluindo o suporte seguro do peso do trator, atuam como amortecedores absorvendo as irregularidades do solo para reduzir a transferência dessas irregularidades ao trator, e possibilitam a transmissão das forças motrizes e frenantes do trator para o solo.
Os fabricantes de tratores oferecem opções de pneus adequadas para cada tipo e modelo de trator. No entanto, é crucial conhecer a classificação dos pneus para uma seleção e utilização corretas. Os pneus agrícolas são classificados de acordo com diversas características:
- Tipo de construção da carcaça.
- Tamanho do pneu.
- Desenho da banda de rodagem.
- Capacidade de carga.
- Índice de velocidade.
Constituição do Pneu
O pneu agrícola é composto por diversas partes essenciais, cada uma desempenhando um papel fundamental:
Carcaça: Estrutura do pneu composta por lonas revestidas de borracha.
Lonas: Responsáveis por suportar a carga e a pressão interna do pneu.
Talões: Parte do pneu que se encaixa na roda, constituída por cabos de aço isolados individualmente por borracha. Sua função principal é amarrar o pneu no aro, exigindo alta resistência à ruptura.
Parede Lateral (Flanco): Parte da carcaça que se estende da rodagem até o talão. É responsável pela absorção de impactos e irregularidades do solo, através de sua flexão.
Liner: Revestimento protetor da carcaça na parte interna do pneu.
Rodagem: Parte do pneu que faz contato com o solo. Seus desenhos são projetados para proporcionar frenagem e tração, enquanto o composto de borracha deve resistir à abrasão e ruptura.
Tipo de Construção da Carcaça do Pneu
Quanto ao tipo de construção da carcaça, os pneus de tratores agrícolas podem ser classificados como:
Diagonal: Este tipo de pneu possui lonas dispostas diagonalmente em relação ao eixo do pneu.
Radial: Nesse tipo, as lonas são posicionadas radialmente em relação ao centro do pneu.
Configuração Mista (Diagonal Cintado): Também conhecido como pneu de Baixa Pressão e Alta Flutuação (BPAF), este tipo de pneu combina elementos das construções diagonal e radial para proporcionar benefícios específicos.
Os pneus diagonais possuem lonas dispostas diagonalmente em relação ao plano médio da banda de rodagem. As camadas se cruzam em ângulos menores que 90º, favorecendo a rigidez dos flancos e da banda de rodagem.
Os pneus radiais têm os fios da carcaça dispostos em arcos perpendiculares ao plano de rodagem e orientados em relação ao centro do pneu. Esses pneus oferecem vantagens devido à sua maior flexibilidade, proporcionando maior conforto e segurança. Durante a rodagem, o pneu radial possui uma maior superfície de contato com o solo, aumentando sua capacidade de tração, reduzindo a compactação e o consumo de combustível.
Quanto ao pneu diagonal cintado (BPAF), a carcaça é constituída por lonas cujos fios são dispostos de talão a talão, cruzando-se em ângulos, uma lona em relação à outra. Essa carcaça é estabilizada por uma cinta circunferencial composta por duas ou mais lonas. Os pneus BPAF apresentam amplas áreas de contato com o solo, devido à grande largura de sua seção, sendo caracterizados principalmente pela redução da compactação dos solos.
Nomenclatura do Tamanho do Pneu
A nomenclatura do tamanho dos pneus de tratores é padronizada e válida tanto para pneus de tração quanto para pneus de direção. Essa designação segue um formato específico, incluindo informações sobre a largura, altura e diâmetro do pneu, além de indicadores relacionados à sua capacidade de carga e índice de velocidade. A interpretação correta desses códigos é fundamental para selecionar os pneus apropriados para diferentes aplicações agrícolas.
Nomenclatura do tamanho do pneu diagonal:
A nomenclatura dos pneus de tratores segue um padrão em que:
O primeiro número representa a largura nominal do pneu inflado, entre as bandas laterais, medida em polegadas.
O segundo número representa o diâmetro do aro ou o diâmetro interno do pneu no talão, também medido em polegadas.
Por exemplo, em um pneu com a nomenclatura 12.4 – 36:
Largura do pneu: 12.4 polegadas
Diâmetro do aro: 36 polegadas
Essa convenção facilita a compreensão das características fundamentais do pneu para a seleção adequada de acordo com as necessidades específicas do trator.
Nomenclatura do tamanho do pneu radial:
O pneu radial pode ser identificado pela nomenclatura convencional ou pelo sistema internacional, como detalhado a seguir:
a) Nomenclatura pelo sistema internacional:
O primeiro número representa a largura nominal do pneu inflado, entre as bandas laterais, medida em milímetros.
O segundo número representa a altura da lateral (flanco) em porcentagem da largura nominal.
A letra representa o tipo de construção do pneu: radial.
O terceiro número representa o diâmetro interno do pneu no talão ou o diâmetro do aro, medido em polegadas.
Por exemplo, em um pneu com a nomenclatura 650/75 R 32:
Largura do pneu: 650 milímetros
Altura de flanco: 75% da largura = 487,5 milímetros
Tipo de construção: R = radial
Diâmetro do aro: 32 polegadas
Esse sistema proporciona informações detalhadas sobre as características do pneu radial, incluindo sua largura, altura, tipo de construção e diâmetro interno do talão ou aro.
b) Nomenclatura convencional (americana):
O primeiro número representa a largura nominal do pneu inflado, entre as bandas laterais, medida em polegadas.
A letra representa o tipo de construção do pneu: radial.
O segundo número representa o diâmetro do aro ou o diâmetro interno do pneu no talão, também medido em polegadas.
Por exemplo, em um pneu com a nomenclatura 16.9 R 28:
Largura do pneu: 16.9 polegadas
Tipo de construção: R = radial
Diâmetro do aro: 28 polegadas
Essa nomenclatura fornece informações essenciais sobre a largura, tipo de construção e diâmetro do aro do pneu radial, facilitando a identificação e seleção adequada para as aplicações específicas.
Nomenclatura do tamanho do pneu diagonal cintado (BPAF):
A nomenclatura do tamanho para os pneus diagonais cintados segue um formato semelhante ao dos pneus radiais, como detalhado abaixo:
O primeiro número representa a largura nominal do pneu inflado, entre as bandas laterais, medida em milímetros.
O segundo número representa a altura da lateral (flanco) em porcentagem da largura nominal.
O terceiro número representa o diâmetro interno do pneu no talão ou o diâmetro do aro, medido em polegadas.
Exemplo – Pneu 710/65 – 38:
Largura do pneu: 710 milímetros
Altura de flanco: 65% da largura = 461,5 milímetros
Diâmetro do aro: 38 polegadas
Essa nomenclatura proporciona informações detalhadas sobre as características essenciais do pneu diagonal cintado, incluindo largura, altura e diâmetro interno do talão ou aro.
Tipos de Desenhos da Banda de Rodagem dos Pneus
Existem essencialmente dois tipos de desenhos na banda de rodagem dos pneus, classificados como banda de rodagem para tração e banda de rodagem direcional.
Desenho da banda de rodagem para tração:
Este tipo de desenho apresenta características projetadas para proporcionar uma aderência eficaz, permitindo que o pneu se fixe ao solo. Ele é projetado para realizar a autolimpeza enquanto se move em solos pegajosos. Devido a essas características, a banda de rodagem para tração geralmente possui um sentido correto de rotação, o que contribui para otimizar seu desempenho.
As diferentes condições de utilização do pneu determinam o formato e as dimensões das garras.
Desenho da banda de rodagem direcional:
A banda de rodagem direcional é projetada com o propósito de manter a trajetória do trator estável e proporcionar um direcionamento eficaz. Essa banda de rodagem é caracterizada por nervuras que auxiliam no rolamento em linha reta, minimizando o deslizamento lateral. O tipo específico do pneu é frequentemente determinado pelo número de raias presente na banda de rodagem, sendo este um elemento distintivo na classificação e seleção dos pneus para aplicações específicas.
Capacidade de Carga do Pneu
A capacidade de carga de um pneu refere-se à sua capacidade de suportar a carga máxima permitida e pode ser representada de diferentes formas:
Capacidade de Lonas (PR - Ply Rating): Indicada por um número.
Capacidade de Carga: Representada por uma letra.
Índice de Carga: Indicado por um código numérico que varia de 1 a 279.
A tabela a seguir apresenta a conversão entre "capacidade de lonas" e "capacidade de carga" (ALAPA, 2003).
A equivalência da capacidade de carga ou capacidade de lonas em quilogramas que um pneu pode suportar depende de fatores como pressão de inflação, velocidade e tamanho do pneu. Esses valores específicos podem ser encontrados nas tabelas apresentadas no manual do operador do trator, fornecendo informações precisas sobre a capacidade de carga do pneu em diferentes condições operacionais.
O índice de carga é um código numérico associado à carga máxima em quilogramas que um pneu pode suportar. Atualmente, é a forma mais comum de designação da capacidade de carga de um pneu. Este índice é geralmente indicado ao lado da designação do tamanho do pneu, proporcionando informações cruciais sobre a capacidade máxima de carga que o pneu pode suportar em diferentes condições.
Na figura anterior lê-se que o índice de carga nominal desse pneu é 162 com o índice de velocidade nominal A8. Para o índice de velocidade máxima B, o índice de carga máximo é 158.
A tabela seguinte apresenta a equivalência entre o índice de carga e carga em quilogramas.
Indice de Velocidade Máxima do Pneu
Nas identificações do pneu é trazida também a informação da velocidade máxima em que o pneu pode ser submetido com a carga correspondente ao seu índice de carga. É dada em letras e por meio da tabela pode-se ter a equivalência em km/h.
Na figura anterior lê-se que o índice de velocidade nominal desse pneu é A8 com índice de carga 150. Com o índice de velocidade máxima B, o índice de carga máximo deve ser 147.
Calibração da Pressão dos Pneus
A garantia da vida útil dos pneus está diretamente relacionada à calibração adequada da pressão. Essa calibração deve ser realizada com base nas informações fornecidas nas tabelas do manual do operador. Pressões que estejam acima ou abaixo daquelas recomendadas podem acarretar consequências significativas na utilização dos pneus, afetando o desempenho, a durabilidade e a eficiência do trator. Portanto, manter a pressão correta de acordo com as especificações do fabricante é crucial para otimizar a vida útil e o desempenho dos pneus.
Uma maneira prática para avaliar os diferentes níveis de inflação dos pneus está ilustrada nas figuras a seguir.
Cuidados com os Pneus
A durabilidade dos pneus é grandemente influenciada pelo correto emprego de pressões de enchimento e por uma boa manutenção. Assim, é essencial adotar certos cuidados ao utilizar os pneus:
Escolha o pneu apropriado para cada tipo de trabalho.
Realize a lastragem de forma adequada, utilizando lastro sólido ou líquido de acordo com a natureza do trabalho a ser executado.
Mantenha constantemente a pressão correta dos pneus.
Alinhe sempre as rodas de direção do trator para garantir uma distribuição uniforme do desgaste.
Evite transitar com o trator em superfícies asfaltadas, pois isso pode resultar em desgaste excessivo dos pneus.
Evite o contato direto de óleos e graxas com os pneus.
Evite transitar sobre tocos, pedras e objetos pontiagudos que possam causar danos aos pneus.
Evite freadas e patinagens desnecessárias para preservar a integridade dos pneus e prolongar sua vida útil.
15 Fatores de Desempenho Operacional do Trator
No desempenho e na otimização da operação do conjunto trator e implemento, diversos elementos desempenham um papel crucial. Isso inclui a tomada de decisão na aquisição do trator, a seleção apropriada dos pneus, a adequação da quantidade de lastro, o controle da pressão de inflação dos pneus, a gestão da velocidade de operação, considerando o tipo de solo e a cobertura vegetal, além de levar em conta o teor de umidade e o tipo específico de operação agrícola a ser executada.
Alcançar a máxima produtividade do conjunto trator/implemento pode ser viabilizado por meio de ferramentas analíticas especializadas. Estas incluem a medição do avanço de velocidade do eixo dianteiro, a avaliação do índice de patinagem, a análise do sistema de rodado duplo e a prevenção da ocorrência do galope.
Avanço de Velocidade do Eixo Dianteiro
Ao acionar a tração dianteira auxiliar (TDA), as rodas dianteiras passam a operar com uma velocidade superior em comparação às rodas traseiras, resultando no fenômeno conhecido como avanço de velocidade. A finalidade desse avanço é explorar plenamente os benefícios da tração nas quatro rodas e prevenir o desgaste prematuro da transmissão e dos pneus.
Nos tratores 4x2 TDA, as dimensões dos pneus dianteiros e traseiros seguem uma relação específica. O manual do operador fornece tabelas de compatibilidade de tamanhos dos pneus entre os conjuntos dianteiro e traseiro, as quais devem ser estritamente observadas durante a substituição dos pneus.
Para além da compatibilidade de tamanho, a discrepância no desgaste entre os pneus traseiros e dianteiros exerce influência no percentual de avanço. A mensuração desse avanço é expressa em percentagem e é realizada por meio de um teste de campo. Esta prática é crucial para ajustar as dimensões dos pneus dianteiros e traseiros, pois, apesar da numeração de tamanho, a incompatibilidade pode ocorrer devido à marca. Conforme indicado pelos fabricantes de tratores, o índice ideal de avanço deve situar-se entre 2 e 5%.
Condições para condução do teste:
A calibração dos pneus dianteiros e traseiros deve seguir as especificações no manual do operador, preferencialmente utilizando uma pressão intermediária dentro do intervalo recomendado.
O teste deve ser realizado em uma superfície plana de asfalto, concreto ou terra compactada.
A velocidade deve ser mantida a um nível que permita a contagem das voltas da roda por uma pessoa que acompanha o trator (entre 4 e 6 km/h), em ambos os casos, com e sem a tração acionada.
A precisão do resultado aumenta com o aumento do número de voltas do pneu traseiro.
Sequência para determinação do avanço do eixo dianteiro:
a) Realize a contagem do número de garras no pneu dianteiro (ex.: 20 garras).
b) Faça uma marca nos pneus dianteiros e traseiros do trator.
Essa marca deve ser feita no pneu, rente ao solo, e servirá de referência para a contagem do número de voltas.
c) Percorra 10 voltas do pneu traseiro e anote o número de voltas dadas pelo pneu dianteiro, com a tração dianteira desligada (ex.: 13 voltas e 12 garras).
d) Multiplique o número de voltas do pneu pelo número de garras e adicione as garras da última volta. Ex.: (13 x 20) + 12 = 272 garras.
e) Percorra 10 voltas do pneu traseiro e anote o número de voltas dadas pelo pneu dianteiro, com a tração dianteira ligada (Ex.: 13 voltas e 18 garras).
f ) Multiplique o número de voltas do pneu pelo número de garras e adicione as garras da última volta. Ex.: (13 x 20) + 18 = 278 garras.
g) Subtraia o total de garras do teste com tração, do total de garras do teste sem tração (Ex.: 278 – 272 = 6 garras).
h) Faça o cálculo:
Conclui-se que o resultado do teste do avanço da tração dianteira é de 2,2% e está dentro do intervalo aceitável que é de 2 a 5%.
Recursos para alterar o porcentual do avanço:
Para ajustar de forma sutil o percentual do avanço de velocidade, pode-se recorrer à calibragem dos pneus, mantendo-se dentro da faixa de pressão recomendada pelo fabricante do trator ou do pneu.
Para reduzir o avanço, proceda à diminuição da pressão nos pneus dianteiros e/ou ao aumento da pressão nos pneus traseiros. Por outro lado, para incrementar o avanço, faça o aumento da pressão nos pneus dianteiros e/ou a redução da pressão nos pneus traseiros.
Índice de Patinagem do Trator
Durante a operação do trator, a ocorrência de patinagem nos rodados motrizes é notável, e há um índice ideal que resulta em uma capacidade de tração otimizada.
A avaliação do índice de patinagem é imperativa para assegurar a adequação adequada entre o trator e o implemento, prevenindo perdas de eficiência, consumo excessivo de combustível e desgaste prematuro do equipamento. Uma condição crucial para a medição da patinagem é garantir a distribuição adequada de carga nos eixos e a correta calibragem dos pneus.
Fatores que causam a patinagem do trator:
Diversos fatores exercem influência na intensidade da patinagem do trator, entre eles:
Condições do solo, que podem variar de firme a solto, revolvido, compactado, úmido, ou com cobertura vegetal.
Tipo de solo, podendo ser arenoso ou argiloso.
Tipo de operação, incluindo o implemento utilizado, a profundidade de trabalho e a força de tração exigida.
Construção do pneu, distinguindo entre os tipos diagonal e radial.
Adequação da potência do trator à exigida pelo implemento.
Pneus com desenho e/ou tamanho inadequado para a operação ou tipo de solo.
Elevada umidade momentânea, especialmente após chuvas.
Relevo irregular do terreno e/ou variação na textura do solo numa mesma área de trabalho.
Marcha ou rotação do motor inadequada para a operação.
Implemento mal regulado para a operação.
Limites aceitáveis do índice de patinagem:
A - Limites aceitáveis dos índices de patinagem em função das condições do solo e da força de tração exigida pelo implemento:
B - Limites aceitáveis dos índices de patinagem em função das condições do solo e do tipo de construção do pneu:
Modo prático de observar a patinagem:
Uma maneira prática de verificar se o trator está patinando de formar adequada sobre um determinado tipo de solo é examinar as marcas deixadas no solo conforme a ilustração a seguir.
Marcas pouco definidas no solo são indícios de patinagem excessiva.
Marcas claramente definidas no solo indicam uma redução na patinagem.
Marcas nas extremidades nitidamente delineadas e evidências de deslizamento no centro do rastro apontam para uma correta combinação de lastragem e patinagem.
Sequência para determinação do índice de patinagem do trator:
Existem diversas abordagens para calcular a patinagem das rodas do trator. Um método de campo para determinar o índice de patinagem do trator envolve a análise da diferença de tempo necessária para percorrer uma distância específica entre o trator com carga (em operação) e o trator sem carga (em estrada).
a) Registre o tempo que o trator leva para percorrer 50 metros durante a operação (Tc).
Inicie o movimento do trator no mínimo cinco metros antes do ponto marcado e pare somente após ultrapassar o ponto final. O ponto do trator que inicia a marcação do tempo deve ser o mesmo para finalizar
b) Anote o tempo para percorrer 50 metros, em estrada, na mesma marcha e rotação (Ts).
A condição de percorrer 50 metros em estrada está simulando a patinagem 0%, isto é, o trator sem patinagem. Por isso, essa pista deve ser de concreto, asfalto ou um solo batido onde as garras do pneu não penetrem.
c) Efetue o cálculo utilizando a seguinte fórmula:
Onde:
• P% = Patinagem em porcentagem.
• Tc = Tempo que o trator gasta para percorrer 50 metros em operação (com carga) ou tempo maior.
• Ts = Tempo que o trator gasta para percorrer 50 metros em estrada (sem carga) ou Tempo menor.
d) Compare o valor obtido com os valores aceitáveis dados na tabela de patinagem em função das condições do solo. Caso necessário, adicione ou retire lastros.
Sistema de Rodagem Dupla
Com o incremento da potência dos tratores agrícolas, houve um aumento correspondente nos desafios relacionados à tração e compactação do solo. A adoção da rodagem dupla surge como uma solução para superar essas dificuldades.
Quando se faz necessária a lastragem com água, é comum realizar esse procedimento exclusivamente nos pneus internos, visando evitar esforços excessivos nas extremidades dos eixos. Nessas circunstâncias, os pneus internos devem ser calibrados com pressões ligeiramente superiores aos externos, embora seja crucial aderir às recomendações do fabricante.
A instalação adequada e a correta utilização da rodagem dupla variam conforme a marca e o modelo do trator, sendo essencial consultar as orientações fornecidas no manual do operador ou no manual do fabricante do conjunto de rodados.
De acordo com o Guia para instalação de lastro e pressão de inflação de pneus da John Deere (2010), a utilização de rodados duplos traz vantagens e desvantagens.
a) Vantagens da rodagem dupla:
Os pneus duplos, aliados ao lastro aplicado, proporcionam uma área de contato mais extensa com o solo, resultando na redução da compactação e da patinagem. Além disso, esse aumento na extensão de contato pode elevar a velocidade de deslocamento sobre o terreno e contribuir para a diminuição do consumo de combustível.
A maior superfície de contato com o solo e a ampliação da largura melhoram a estabilidade do trator, especialmente em operações realizadas em terrenos com declives.
A utilização da rodagem dupla contribui para uma condução mais suave, minimizando a fadiga do operador.
Aumenta a flutuação do trator e reduz a necessidade de aplicação de lastro.
Os pneus traseiros duplos possibilitam o uso do trator em condições meteorológicas ou em terrenos desafiadores nos quais o emprego de tratores com pneus simples seria complicado.
b) Desvantagens da rodagem dupla:
Em alguns casos, certos componentes como eixos, rolamentos e a transmissão podem ficar sobrecarregados, podendo resultar em danos sérios e dispendiosos para o trator.
Quando a carga na barra de tração é leve, o uso de rodados duplos pode não apresentar vantagens significativas, exceto pela redução da compactação no solo.
Manobras podem se tornar mais desafiadoras, especialmente em curvas fechadas, e o desgaste das garras dos pneus pode aumentar em situações de esforço extremo.
Atenção: Não há uma regra geral para uso de rodagem dupla. Cada situação é particular e deve ser analisada para se determinar a conveniência da sua utilização.
Galope do Trator
O galope representa uma condição em que o trator exibe movimentos descontrolados de saltos ou pulos, ao invés de avançar de maneira suave. Esse fenômeno surge devido à falta de sincronia na tração entre os rodados dianteiros e traseiros do trator.
Essa discrepância na tração entre os eixos é mais prevalente em tratores 4x4 e 4x2 TDA, especialmente quando estão engatados a implementos através da barra de tração. O galope tende a ocorrer com maior frequência em velocidades mais elevadas.
Geralmente, o galope se manifesta em solos secos e também pode ser observado em solos duros que não foram arados. A presença de umidade no solo atua como um efeito amortecedor, muitas vezes prevenindo a ocorrência do galope.
Para corrigir a ocorrência dessa condição, siga as seguintes etapas:
a) Verifique se o implemento está devidamente ajustado e nivelado.
b) Incremente a pressão dos pneus dianteiros em intervalos de 4 libras por polegada quadrada até que os saltos desapareçam ou até atingir a pressão máxima do pneu (aumento do índice de avanço).
c) Remova gradualmente os pesos dianteiros.
d) Realize a lastragem líquida nos pneus dianteiros e retire a quantidade equivalente de lastro metálico.
e) Ajuste a barra de tração para baixar o cabeçalho do implemento.
f) Alivie a carga levantando o implemento, removendo hastes ou partes inferiores, ou substituindo o implemento por um de menor porte.
g) Nos tratores 4x4, verifique se os pneus são da mesma marca comercial e dimensão nos eixos traseiro e dianteiro.
16 Operação do Trator
Antes de iniciar as operações do trator, é imperativo realizar uma série de procedimentos, incluindo verificações de manutenção e testes de funcionamento.
Cuidado: Conforme o tipo de serviço e se o trator possui cabine ou não, o operador deverá estar devidamente trajado com os equipamentos de proteção individual, como protetor auricular, óculos, luvas e botina antiderrapante.
Itens de Manutenção Diária
Antes de dar início às operações do trator, é responsabilidade do operador realizar verificações diárias de manutenção, seguindo as orientações presentes no manual do operador do trator. Aqui estão os passos recomendados:
a) Verifique o nível de combustível.
b) Confira o nível de óleo do motor.
c) Avalie o nível do líquido de arrefecimento do motor no radiador ou reservatório.
d) Verifique o nível do óleo da transmissão e do sistema hidráulico.
e) Assegure-se da limpeza da tela e da colmeia do radiador.
f) Verifique a tensão e a condição da correia do motor.
g) Drene a água e elimine impurezas do sedimentador e filtros do sistema de combustível.
h) Avalie o estado da bateria.
i) Confira o curso livre do pedal de embreagem.
j) Realize uma inspeção visual ao redor do trator.
k) Verifique o funcionamento das lanternas, indicadores de direção e luz de freio.
l) Confirme o funcionamento dos indicadores do painel. Ao ligar a chave de ignição, esses instrumentos devem indicar se estão operacionais.
m) Efetue a lubrificação das articulações através dos pinos graxeiros.
Na eventualidade de algum item necessitar de correção, siga as instruções fornecidas no manual do operador.
Funcionamento do Motor
Para funcionar o motor, proceda de acordo com os passos a seguir.
a) Suba no trator.
b) Regule o banco e a coluna de direção para o seu melhor conforto e coloque o cinto de segurança.
c) Coloque as alavancas de câmbio em neutro ou em estacionamento (P).
d) Buzine antes de dar a partida no motor.
e) Dê a partida no motor. Alguns tratores possuem interruptor de segurança localizado no pedal da embreagem ou na alavanca da TDP.
f ) Verifique o funcionamento dos instrumentos do painel.
Cuidados:
• Antes de dar a partida, acione a buzina para alertar as pessoas próximas, de que o trator será ligado.
• Antes de dar a partida, verifique se as alavancas do sistema hidráulico estão na posição abaixada ou neutra.
• Aquecer o motor do trator em ambientes abertos, pois os gases liberados pelo escapamento são tóxicos e prejudicam a saúde do operador.
Seleção da Marcha
A seleção da marcha apropriada está diretamente vinculada à velocidade ideal para cada tipo de operação executada com o trator. A tabela a seguir serve como referência na escolha da velocidade, entretanto, é fundamental considerar que outros fatores podem influenciar a operação. Nesse sentido, recomenda-se consultar o manual específico do implemento em uso para obter informações mais precisas.
Dentro da faixa de velocidade indicada, a escolha pode ser influenciada pela compatibilidade entre o trator e o implemento, pelo tipo e umidade do solo, pela presença de vegetação de cobertura, pelo nível de tecnologia do equipamento, entre outros fatores.
Uma vez determinada a velocidade em km/h para a operação específica, a seleção da marcha é realizada consultando o gráfico de escalonamento de marchas, geralmente encontrado em um adesivo localizado no painel, no para-lama ou no vidro da cabine do trator. Em tratores mais avançados, é comum encontrar um velocímetro analógico ou digital que exibe a velocidade do trator em km/h.
Seleção da Rotação do Motor
A rotação ideal do motor varia conforme a marca e o modelo do trator, uma vez que cada motor diesel possui um intervalo específico de rotação que proporciona condições ideais, como baixo consumo específico de combustível, torque e potência. Geralmente, essa rotação é aquela que resulta em 540 rpm na TDP (Tomada de Potência). Essa informação pode ser verificada no tacômetro (conta-giros) ou em um adesivo posicionado próximo ao painel do trator.
Em operações que exigem maior potência, como o preparo do solo e a semeadura, a rotação do motor pode ser aumentada em até 10% em relação àquela que resulta em 540 rpm na TDP. Detalhes mais específicos sobre a rotação de trabalho do motor podem ser encontrados no manual do operador.
Cuidados ao Movimentar o Trator
Ao movimentar ou operar o trator, é crucial seguir procedimentos específicos para garantir a segurança do operador e otimizar o desempenho da máquina. Os procedimentos para a partida e a parada do trator podem variar de acordo com o tipo de câmbio.
Em tratores equipados com câmbio automático, é essencial que os procedimentos para a partida e a parada sigam rigorosamente as recomendações detalhadas no manual do operador.
Cuidados:
• Antes de sair com o trator, observe se não existem pessoas ou animais próximos.
• Conduza o trator sempre com a marcha engrenada. • Em transporte, a velocidade máxima deve ser aquela orientada no manual do operador.
• Os pedais do freio do trator deverão estar conjugados quando este estiver em operação de transporte.
Atenção: Em operação, coloque o pé no pedal da embreagem somente quando for necessário, pois ao contrário ocorre um desgaste prematuro dos componentes da embreagem.
Cuidados na Operação do Trator no Período de Amaciamento
Durante as primeiras horas de operação do trator, as peças dos diversos mecanismos estão em fase de assentamento das suas superfícies de contato, um processo conhecido como amaciamento. Este período é crucial para o desempenho e a durabilidade do trator, e requer cuidados especiais, tanto na operação quanto na manutenção.
A manutenção do trator durante esse período deve seguir procedimentos específicos indicados no manual do operador.
Evite aplicar carga no motor antes de aquecê-lo adequadamente.
Opere o trator apenas em tarefas que demandem uma carga constante, utilizando aproximadamente 80% da potência máxima do motor.
Evite manter o motor funcionando por longos períodos em marcha lenta ou em alta rotação sem carga.
Limpeza do Trator
Durante a operação conjunta do trator e implemento, é inevitável que diversas impurezas, como solo, poeira, palhada e fuligem, se acumulem no trator. Após a conclusão da operação, é crucial realizar a limpeza do equipamento com água para remover essas impurezas, assegurando a funcionalidade adequada dos sistemas e acionamentos.
Além disso, é recomendável limpar a cabine após a jornada de trabalho. Essa prática não apenas promove um ambiente de trabalho mais confortável, mas também contribui para a segurança operacional.
Cuidados com o Trator em Períodos Inativos
• Proteja a entrada do escapamento, do filtro de ar e respiro do motor.
• Desconecte a bateria ou desligue a chave geral do trator
• Em período de desuso faça o motor funcionar pelo menos uma vez por semana, durante 15 minutos.
• Guarde o trator em local adequado. Quando não em operação, o trator deve permanecer em local coberto, limpo, seco e arejado.
• Se o trator não for utilizado por vários meses, existem várias recomendações para armazenagem e para a retirada da armazenagem, minimizando assim a corrosão e deterioração de componentes, lubrificantes e do combustível. O manual do operador fornece os procedimentos e os cuidados específicos para o armazenamento do trator a longo prazo e também para a colocação do trator em movimento depois do período armazenado.
17 Considerações Finais
Como enfatizado em várias ocasiões ao longo deste documento, é imperativo que o usuário do trator consulte sempre o manual do operador. Este material abordou a operação do trator de maneira genérica, contemplando diversas marcas, modelos e níveis tecnológicos. Portanto, a associação com o manual do operador é essencial.
O objetivo foi auxiliar o operador a assimilar conceitos sobre o trator agrícola e sua operação, os quais, quando combinados com a prática diária, possibilitarão a utilização eficaz de todos os recursos da máquina. Isso, por sua vez, contribuirá para a melhoria da segurança, o aumento do rendimento operacional e a redução dos custos. O conhecimento aprimorado sobre a atividade em execução resultará em maiores êxitos. Este material ofereceu informações atualizadas sobre a operação dos tratores agrícolas, destacando a necessidade contínua de aprimoramento e atualização dos operadores, valorizando assim o fator humano, fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento.