TRICOLOGIA E TERAPIA CAPILAR

Noções da Tricologia e Terapia Capilar

1 Anatomia e Fisiologia do Couro Cabeludo

Estruturas do Couro Cabeludo

O pelo nasce de uma estrutura chamada de Folículo Piloso ou canal folicular que cresce em direção à epiderme. O folículo piloso é invisível aos olhos, pois está na parte interna da pele. Nessa estrutura existe a raiz do cabelo, sua única parte viva, formada pela papila dérmica, pelo bulbo capilar e também por uma protuberância chamada glândula sebácea que aparece na parte superior do folículo. As glândulas sebáceas são responsáveis pela produção de sebo que é secretado no folículo capilar, lubrificando e condicionando tanto o cabelo quanto a pele. O folículo piloso começa a desenvolver-se na vida embrionária por volta da nona semana. Após 22 semanas, o feto já tem todos os seus folículos maduros, e não há formação de novos folículos após esse estágio, isto é, o número de pelos que uma pessoa terá é determinado antes do nascimento, incluindo os do couro cabeludo (KEDE; SABATOVICH, 2009).

Os pelos são constituídos por uma parte livre – a haste − e uma porção intradérmica – a raiz. O pelo é contínuo com a epiderme, faz parte do aparelho pilossebáceo, é ricamente inervado e altamente vascularizado (KEDE; SABATOVICH, 2009).

Segundo Kede e Sabatovich (2009), o folículo piloso se divide em:

  • Infundíbulo – que se estende desde o óstio (abertura folicular) até a inserção da glândula sebácea.
  • Istmo – vai da inserção da glândula sebácea e o ponto de inserção do músculo eretor do pelo.
  • Bulbo – porção mais inferior do folículo, que contém as células da matriz, responsável pela produção do pelo.
  • Papila – envolvida pelo bulbo

Uma segunda protuberância no folículo se prende ao músculo eretor dos pelos. Esse músculo direciona o eixo do cabelo a ficar em pé e causa arrepios na pele, que ajudam a controlar o fluxo de sangue na superfície da pele e resfriar o corpo (HALAL, 2012).

Cutícula: é a camada mais externa do fi o; formada por células sobrepostas transparentes tipo escamas, unidas por um cimento intercelular rico em lipídios. A cutícula protege o córtex e a medula. A cutícula é responsável por todos os efeitos sensoriais do cabelo, como brilho, suavidade e maciez. Age como uma barreira para produtos químicos, como coloração para cabelo, loções relaxantes e permanentes. Essa barreira não é impenetrável. Um pH alto e temperatura alta podem abrir a cutícula e deixar que produtos químicos penetrem no córtex. Já que a camada de cutícula é transparente, é o pigmento no córtex que determina a cor natural do cabelo (HALAL, 2012).

Córtex: rica em lipídios, melanina e queratina, sendo responsável por noventa por cento da massa do fi o. Ele dá força, fl exibilidade, elasticidade e cor ao cabelo. É feito de células queratinizadas, de forma quase retangular (HALAL, 2012).

Medula: é a parte mais interna do eixo capilar. Normalmente só os pelos mais grossos e ásperos possuem a medula. No que diz respeito à cosmetologia, a medula é um espaço vazio e não envolve os serviços de salão (HALAL, 2012).

O cabelo é formado aproximadamente por 91% de proteína. As proteínas são feitas de longas cadeias de aminoácidos conectadas de ponta a ponta como um colar de pérolas. A ligação química que une os aminoácidos é chamada ligação de peptídeo, ou ligação final (HALAL, 2012).

Uma cadeia longa de aminoácidos conectada às ligações de peptídeos é chamada polipeptídeo. As proteínas são polipeptídeos longos, enrolados e complexos, feitos de aminoácidos. O formato de uma proteína enrolada é chamado hélice ou alfa-hélice (HALAL, 2012).

A queratina é um exemplo de uma proteína complexa e insolúvel. O cabelo é formado quase que completamente dessa substância, formada por oito diferentes aminoácidos, incluindo a cistina e a cisteína (a forma reduzida da cistina). A cistina é o aminoácido em mais abundância no cabelo; equivale a 18% do total. Com tantas possibilidades de formação de ligações de dissulfeto (enxofre), a cistina proporciona ao cabelo muito de sua elasticidade, e é ainda responsável pela fixação do permanente.

A haste capilar é um anexo cutâneo como unhas e glândulas. A proteína encontrada em abundância na sua estrutura é a queratina. Nessa proteína existem três tipos de ligações, que funcionam como “amarras” entre as fibras para garantir a integridade e a forma do fio de cabelo (BIONDO; DONATI, 2011).

• Ligações fracas – são rompidas pela simples ação da água quando o cabelo é umedecido. Por isso podemos modificar mais facilmente a forma do cabelo quando ele está molhado. Os químicos chamam essas ligações de pontes de hidrogênio (BIONDO; DONATI, 2011).
• Ligações de força média – são mais resistentes que as fracas e podem ser quebradas quando usamos produtos alcalinos (com pH acima de 10) ou ácidos (com pH abaixo de 2). Essas ligações são rompidas em processos de alisamento. Os químicos chamam essas ligações de iônicas (BIONDO; DONATI, 2011).
• Ligações fortes – são rompidas em processo de alisamento e permanente, quando usamos produtos com tioglicolato de amônio ou os cremes alcalinos para alisamento com pH acima de 10. Quimicamente falando, elas são ligações entre fibras paralelas de proteínas, formadas entre aminoácidos chamados cistina (BIONDO; DONATI, 2011).

Os Tipos de Cabelo

A classificação dos cabelos segundo esse critério leva em consideração apenas a distribuição de oleosidade ao longo dos fios. A oleosidade dos cabelos é proveniente de uma única fonte: a glândula sebácea associada ao folículo piloso (GOMES, 1999). Normal − têm aparência natural, brilho discreto e um toque macio. As glândulas funcionam de forma adequada, e os cabelos possuem boa capacidade para absorver e manter um pouco da oleosidade proveniente dessas glândulas (GOMES, 1999).

Secos – a atividade da glândula sebácea é baixa. Cabelos desse tipo possuem aparência opaca e ressecada e um toque áspero se estiverem sem tratamento (GOMES, 1999)

Oleosos – possuem glândulas sebáceas com alta atividade. Os fios não conseguem absorver toda a oleosidade, o que confere ao cabelo um toque oleoso. Geralmente são lisos e finos; a oleosidade funciona como uma carga excessiva sobre eles, deixando-os pesados e sem volume (GOMES, 1999). Mistos – são oleosos na raiz e secos nas pontas. A explicação para esse tipo de cabelo reside numa alta atividade das glândulas sebáceas, associada a uma falha na distribuição da oleosidade ao longo dos fios (GOMES, 1999).

Cor dos Pelos – Cabelos

Como na epiderme, o pigmento endógeno no pelo é a melanina, que é sintetizada por melanócitos; situados no bulbo piloso próximo a papila. Os melanócitos desta região possuem processos dendríticos que fornecem melanina as células epiteliais que se transformarão no córtex do pelo. Como resultado, a melanina torna-se incorporada ao córtex do cabelo e produz a cor.

O tipo e a quantidade de melanina no cabelo são uma característica herdada e controlada geneticamente. Células especializadas, chamadas melanócitos produzem toda a melanina encontrada no cabelo, pele e olhos. Só o cabelo completamente branco não contém qualquer tipo de melanina. O branco é a cor real da queratina sem a influência da melanina.

A diferença de cor é produzida por dois pigmentos:

• Eumelanina, vai do marrom ao preto.
• Feomelanina, responsável pelos tons loiro-amarelado ao vermelho

Os níveis de feomelanina e de eumelanina e o tipo produzido são controlados geneticamente. A diminuição significativa do pigmento produz cabelos cinzas e a ausência do pigmento forma cabelos brancos. O pigmento fica predominantemente no córtex do cabelo.

2 Alopecia e Aspectos Emocionais Relacionados aos Cabelos

Os cuidados com os cabelos são uma preocupação constante para o homem e a mulher modernos. Desde os tempos mais remotos, a forma e a aparência dos cabelos indicavam a classe social de cada um (guerreiro, sacerdote, rei ou escravo). Hoje os cabelos podem indicar diversas características, como, por exemplo, um estilo (clássico ou radical), o estado de saúde (algumas patologias levam à queda e desgaste dos cabelos), nível de cuidados pessoais, elegância, autoestima, entre outros aspectos considerados importantes. Nossos ancestrais primitivos dependiam do cabelo (ou pelos) para aquecimento e proteção, e embora o cabelo não seja mais necessário para a sobrevivência, ainda tem um enorme impacto em nossa psicologia. A importância social do cabelo é surpreendente (HALAL, 2012)

Nos anos 1960, o comprimento do cabelo não era apenas uma questão de moda, mas também uma afirmação política. Algumas religiões insistiam na remoção completa do cabelo, enquanto que outras proíbem que ele seja cortado. Em algumas civilizações antigas, o cabelo era um símbolo de poder, enquanto em outras era considerado um símbolo de sabedoria. De acordo com a Bíblia, o cabelo de Sansão o tornava o homem mais forte da Terra, e tê-lo cortado foi sua ruína. Na história japonesa, a importância do cabelo feminino só era menor que sua própria vida: a imortalidade do espírito feminino estava localizada em seus cabelos. Até mesmo em tempos modernos o significado do cabelo e seu estilo ainda estão profundamente enraizados em todas as culturas. (HALAL, 2012).

A preocupação com os cabelos ocorre desde o início da humanidade, onde homens e mulheres utilizavam-se de inúmeras técnicas para diminuir a queda capilar ou simplesmente para adornar os cabelos. Os cabelos apresentam duas funções muito importantes, das quais podemos dividir em função fisiológica e função estética. A função fisiológica dos cabelos está relacionada com a proteção do crânio contra traumatismos e radiações solares. 

A função estética está relacionada ao importante papel de adorno e veneração que invadiu impérios, fez parte da mitologia, atingiu a cultura, discerniu as classes sociais e hoje impulsiona a ciência, que cada vez mais desvenda mitos sobre os cabelos e avança sua tecnologia para melhorar cada vez mais os cosméticos para linha capilar.

Aspectos Psicológicos

A perda dos cabelos afeta diretamente o psicológico do ser humano, causando uma baixa na autoestima, muitas vezes podendo até causar depressão. As mulheres sofrem mais com a queda de cabelo, são vítimas mais frequentes da depressão devido à calvície. Os homens afetados referem uma menor satisfação com sua imagem. Eles se imaginam aparentar mais velhos, menos atraentes fisicamente, mais fracos e com perda da autoconfiança. Estes dados são ainda mais significativos nos mais jovens que se sentem mais afetados, bem como naqueles que apresentam uma perda dos cabelos mais intensa.

 

Anteriormente havia uma resistência, tantos pelos leigos como pelos médicos, em reconhecer que a Alopecia Androgenética pudesse representar uma perda na qualidade de vida. A permanente divulgação de tratamentos miraculosos e falsos também alimentou o pessimismo com que se enxergavam estes problemas. Com o aparecimento de drogas verdadeiramente eficazes e com mecanismo de ação lógicos e conhecidos houve uma grande mudança neste conceito. A Alopecia Androgenética, quando tratada com seriedade, permite em alguns casos que o paciente readquira sua autoestima, e como consequência uma melhora na sua qualidade de vida.

Os cabelos sinalizam as maneiras que cada um tem de demarcar sua individualidade, podendo cortá-los, pintá-los e penteá-los de acordo com os próprios desejos. Se o dono do cabelo não está bem, seu cabelo também não estará. O crescimento e a produção de cabelos estão diretamente relacionados à boa saúde. Ter uma boa qualidade vida, como alimentar-se bem, dormir bem e não viver estressado são alguns dos fatores que influenciam diretamente na qualidade dos cabelos.

Quando os cabelos não estão visualmente do jeito que a pessoa gostaria, ao invés de procurar saber o que está acontecendo com os cabelos, procuram embelezar através de cortes e colorações, muitas vezes até modificando sua estrutura com alisamentos e permanentes. Tudo isso terá um efeito imediato e nunca definitivo. Portanto, deve-se pesquisar o que está ou não fazendo para o cabelo apresentar-se desgastado e sem brilho.

No caso específico da queda de cabelo, até certo ponto ela é normal: um fio cai porque por baixo dele nasceu um novo fio. No entanto alguns distúrbios podem desencadear uma queda anormal de cabelo, tanto em homens quanto em mulheres. É normal perder de 100 a 150 fios por dia (BIONDO; DONATI, 2011).

Por que os cabelos caem?

Medicamentos – alguns tipos de medicação e seu uso prolongado pode levar à queda de cabelo concomitantemente ao seu uso ou algum tempo depois. Remédios para problemas cardíacos, hipertensão, artrite, depressão ou anemia, são os mais comuns. Tratamento contra o câncer – determinados tratamentos contra o câncer fazem as células responsáveis pelo crescimento do cabelo parar de se dividir, e os fios começam a ficar finos e quebradiços. Alguns pacientes perdem até 90% dos cabelos, os efeitos começam a aparecer por volta de três semanas após o início do tratamento. Os fios voltam a crescer posteriormente.

Massagens e escovações repetidas e muito rigorosas – sempre que for escovar e massagear os cabelos deverá fazer isso com muita suavidade, pois a fricção no couro cabelo pode levar à queda capilar. Estresse emocional – o estresse hoje é um dos maiores vilões da queda capilar, ele normalmente é responsável por desencadear uma queda (súbita, temporária e desigual) ou gerar cabelos fracos e sem vida.

Alimentação Inadequada – falta de vitaminas e desequilíbrios nutricionais (de vitaminas e de minerais). Dieta pobre em proteína – sem proteína na alimentação, o corpo logo se ressente da falta e economiza seu estoque proteico, fazendo com que os fios parem de se multiplicar. Se a situação se prolongar, depois de dois ou três meses de deficiência pode ocorrer uma queda maciça dos cabelos (BIONDO; DONATI, 2011).

Tireoide – hipotireoidismo e hipertireoidismo podem levar à queda de cabelos. Isso pode ser comprovado através de exames laboratoriais.

Anemia e carência de ferro – a queda ocorre em razão de dieta pobre em ferro ou quando o organismo não o absorve naturalmente. Também pode ser comprovado através de exames laboratoriais.

Cosméticos e cuidados impróprios – a química de colorações, descolorações, permanentes ou alisamentos podem levar à queda capilar.

Circunstâncias ambientais (poluição, sol) − expor o cabelo regularmente a um meio hostil, com excesso de umidade, poluição e outros fatores agressores da natureza, não faz bem à saúde do cabelo (BIONDO; DONATI, 2011).

 

Problemas imunológicos – quem está com a imunidade baixa, passando por algum tratamento de saúde, deve ficar atento à queda de cabelo, que pode ser sinal dos efeitos de uma eventual doença no organismo (BIONDO; DONATI, 2011).

Fatores genéticos – a alopecia é uma manifestação fisiológica que ocorre em pessoas geneticamente predispostas. A herança genética pode vir do lado materno ou paterno (BIONDO; DONATI, 2011).

Descolorações sucessivas com preparados à base de água oxigenada – os cabelos ficam finos, ásperos, secos, com pontas duplas, o que os deixa quebradiços e sujeitos à queda (BIONDO, DONATI, 2011)

Nas mulheres as causas de queda capilar mais comum são:

• Alterações hormonais – após o parto, após a interrupção da pílula anticoncepcional ou após a menopausa.
• Gravidez e pós-parto – na gravidez, a mulher perde menos cabelo do que perderia se não estivesse grávida. Mas depois do parto a queda vem de forma mais intensa. É normal ocorrer do primeiro ao sexto mês após o parto.
• Pílula anticoncepcional – se a mulher apresenta queda de cabelo enquanto está tomando a pílula é porque já tem tendência a ter menos cabelo. No caso, ela deve levar o problema ao seu ginecologista (BIONDO; DONATI, 2011).
• Penteados que deixam os cabelos muito apertados – o uso excessivo de penteados presos (rabos de cavalo, tranças e coques) e escovas frequentes, deixam o cabelo mais frágil.

O que podemos fazer para ajudar segundo Biondo e Donati (2011):

• Evitar dietas “milagrosas” que possam comprometer a ingestão de nutrientes essenciais.
• Praticar exercícios. A atividade física aumenta o fluxo sanguíneo, que é o responsável pela oxigenação do couro cabeludo. Isso sem falar que alivia o estresse.
• Lave os cabelos com xampu suave, principalmente se tiver o hábito de lavá-los diariamente.
• Evite pentes afiados e escovas de plástico, que só fazem quebrar o cabelo.
• Não escove ou penteie o cabelo com muita força enquanto estiver molhado.

Alopecias

No consultório do dermatologista, queda de cabelo se chama alopecia. Alopecia é a diminuição parcial ou total dos pelos do couro cabeludo ou de qualquer área da pele. Existem diversos tipos de alopecia, as mais comuns são: Alopecia Androgenética – a Alopecia Androgenética pode ser masculina e feminina, sendo o tipo mais comum de queda de cabelos. Sua causa é genética e hormonal. A perda dos cabelos é progressiva e segue um padrão básico de queda. Para os homens no vértex ou na região temporal. Nas mulheres os cabelos caem de forma difusa. A di-hidrotestosterona ou DHT, que é a testosterona transformada na corrente sanguínea depois da ação de uma enzima é que faz os cabelos ficarem mais finos e escassos quando estiver em excesso.

Alopecia Areata – está diretamente ligada ao sistema imunológico (de defesa) do organismo e pode atingir pessoas de qualquer idade e sexo. Geralmente é associada a algum acontecimento de forte repercussão emocional na vida da pessoa. Observam-se áreas de perda de pelos redondas ou ovais, principalmente no couro cabeludo, mas pode ocorrer em qualquer área corporal.

Alopecia Traumática – a alopecia por tração ou traumática se caracteriza por uma perda de cabelos generalizada trazida pela maneira agressiva de pentear, fazer penteados, escovar os cabelos ou mesmo o ato da própria pessoa em arrancar os cabelos. É também causada por puxar os cabelos das raízes por tempo prolongado como rabo de cavalo apertado, tranças apertadas, torcer os cabelos ou qualquer forma de trabalho onde os cabelos são puxados em demasia do couro cabeludo ou apertados. Isto pode resultar em perda de cabelos. A alopecia traumática resulta de traumas sofridos pelos cabelos e folículo piloso. Tipicamente a alopecia por tração se associa a uma tensão sustentada dos cabelos.

Alopecia Cicatricial – é a perda definitiva de cabelo decorrente da destruição dos folículos pilosos por um processo externo a eles. Pode ser queimaduras, cirurgia ou doença grave.

3 Ciclos Capilares e Nutrição Capilar

Muitas pessoas se assustam com a quantidade de cabelos que caem por dia durante o banho ou no momento de escovar os cabelos. Mas, esses cabelos que saem em uma escova ou pente não constituem um presságio de calvície iminente. Os cabelos crescem em ciclos, ou seja, não crescem continuamente, mas sim, ocorre um crescimento distinto em três fases diferentes, que vão se alternando. As fases do crescimento dos pelos são:

• Anágena – crescimento ativo
• Catágena - involução
• Telógena – queda do cabelo, fase de repouso

Ciclo pilar – o folículo piloso tem uma atividade intermitente, isto é, não para, após um ciclo, logo se inicia outro. Ocorre uma fabricação de queratina por alguns anos, depois ela é eliminada, e renovada ao fim de determinado tempo.

• Ocorre crescimento contínuo do cabelo (multiplicação desenfreada de células matriciais do bulbo).
• Contínua fabricação de melanina.
• Duração de 3 a 5 anos (cabelos).
• O comprimento dos cabelos de todo o corpo depende, do tamanho do período anágeno e da velocidade de crescimento do fio.
• Fase de intensa atividade mitótica com queratinização do cabelo.
• A maior parte dos cabelos estão nessa fase (80 a 90%).

Fase Catágena ou de regressão:
• Após a fase anterior acontece um período de involução.
• Costuma durar de 2 a 3 semanas (breve).
• Células param de se multiplicar.
• Suspende a queratogênese (crescimento do pelo).
• A melanina deixa de ser produzida.
• Morte bulbar – descolamento da papila.
• Somente 1% dos cabelos estão nessa fase

Nem todas as atividades nessa fase são destrutivas. Durante a fase catágena, o folículo também está preparando novo crescimento, produzindo células germinativas. As células germinativas podem ser consideradas “sementes” para o novo crescimento; elas contornam o folículo piloso e aguardam o sinal para renovar a fase anágena

Fase Telógena de repouso/descanso:

• O cabelo pode cair do folículo a qualquer momento.
• Uma nova matriz desenvolve-se após um período de descanso e, isto faz com que um novo cabelo comece a crescer no mesmo folículo.
• Duração entre 3 e 6 meses.
• O ciclo se repete em quatro ou cinco anos.

Uma queda de 100 fios por dia pode ser considerada normal. O cabelo, fora de seu folículo, denomina-se cabelo em clava, devido à forma de sua raiz.

As Diferentes Espécies de Pelos

Lanugem ou Velo – é fino (penugem), geralmente de coloração clara, sedosos, curto e delicado. Quase nunca possuem medula ou contêm melanina. Caracteristicamente visto na face e membros superiores. Alguns autores colocam a lanugem somente quando está dentro do útero, quando nasce passa a se chamar velo. O corpo das crianças e bebês estão cobertos por velos que desaparecem após a puberdade, quando é substituído por terminais mais espessos. As mulheres, porém, mantêm 55% mais pelos velos que os homens (HALAL, 2012).

Pelos Terminais (maduros) – grossos e escuros, exceto nos louros.

• São os cabelos, os cílios e as sobrancelhas.
• A partir da puberdade: pelos das axilas e púbis, barba e bigode (homem).
• Pelos das axilas e púbis (4 a 6 cm), sobrancelhas (2 cm).
• A barba constitui um dos caracteres sexuais secundários masculinos. Ela é formada por aproximadamente 30 mil pelos.

Classificação em relação à espécie:

Velo (lanugem) – pequenos, macios, não medulados, de crescimento limitado, localizam-se nas regiões limpas da pele.

Pelos Cerdosos – pequenos pelos, mais ou menos ásperos, localizam-se em regiões específicas: nos condutos auditivos, vestíbulos do nariz, sobrancelhas, órgãos genitais.

Pelos compridos – cabelos/pelos com capacidade de crescimento, encontrase numa só região do nosso corpo, sendo no couro cabeludo.

Os pelos grosseiros do couro cabeludo e das sobrancelhas e aqueles que se desenvolvem na puberdade são denominados pelos terminais para distingui-los do velo. Cerca de 95% dos pelos do corpo em homens são pelos terminais, e 65% dos pelos do corpo em mulheres são velos.

Pelos e cabelos nas raças:

• A forma do cabelo não está ligada a uma estrutura bioquímica particular. Ela é determinada pela forma do folículo piloso.

• No homem de raça negra, o folículo piloso é em espiral, o que explica a forma crespa do cabelo.

• O folículo oriental é reto e a haste pilar é em pé. • O folículo piloso do homem de raça branca é em pé.

Existe aproximadamente 5 milhões de pelos no corpo humano, dos quais cerca de 1 milhão são na cabeça e talvez 100 a 150 mil no couro cabeludo. Parece não haver nenhuma diferença sexual ou racial importante no número de folículos.

Os pelos estão implantados obliquamente na pele. Seu ângulo de saída não é, portanto, de 90 graus, mas de 31 a 59 graus. No couro cabeludo, as linhas de implantação dos cabelos constituem o “redemoinho”, cujo centro está situado no vértice do crânio. As linhas de implantação do couro cabeludo estão encurvadas e se afastam progressivamente umas das outras, afastando-se do centro do redemoinho. Nos membros, as linhas de implantação são grosseiramente perpendiculares ao eixo do membro. No tronco, elas são horizontais ou ligeiramente oblíquas para baixo, mas tem uma disposição circular em torno dos mamilos.

Fatores Que Influenciam no Crescimento dos Pelos

Embora saibamos muito sobre o cabelo, seu crescimento ainda não é totalmente entendido. Por exemplo, ninguém tem certeza do que sinaliza ao folículo que deixe a fase telógena para recomeçar o crescimento na fase anágena. Ainda assim, já se comprovou que vários fatores influenciam o crescimento do cabelo no couro cabeludo, como, etnia, sexo, idade, estação do ano, localização no corpo, nutrientes e hormônio (HALAL, 2012).

1. Proteínas: a nutrição desequilibrada produz efeitos catastróficos nos cabelos, já que eles necessitam de muita proteína para seu crescimento normal. Vinte ou mais aminoácidos participam de sua estrutura, especialmente a cistina (que é rica em enxofre), a arginina e a citrulina (que é encontrada somente nos cabelos humanos). Encontra-se na carne, leite, ovos peixes e verduras.

2. Vitaminas:

A. A carência desta vitamina produz queda de cabelos.

C. A diminuição desta vitamina deixa os cabelos frágeis e escassos.

D. Protege e neutraliza o bulbo piloso.

3. Sais Minerais: Zinco, Ferro e Enxofre. A falta destes minerais provoca perda de cabelos. O zinco tem um papel vital na saúde geral do nosso corpo, porque promove cabelos saudáveis e brilhantes, unhas fortes e pele flexível. Depois do ferro, o zinco é o segundo elemento mais abundante em nosso corpo, e é essencial para o funcionamento de todas as células (HALAL, 2012). Os pelos crescem em função da contínua proliferação das células da matriz, e da contínua conversão de suas células em queratina. A velocidade do crescimento é variável conforme a região, o sexo e a idade e pode ser:

• Por semana – 1,5 a 2,2 mm
• Por mês – de 1 a 2,0 cm
• Por ano – de 15 a 20 cm

Cresce mais rapidamente quando sai do couro cabeludo, e a partir de aproximadamente 2,5 cm, a velocidade diminui muito. Os crespos que parecem não sair do lugar, também crescem na mesma média dos demais. É mais acelerado dos 20 aos 30 anos e mais acentuado no verão e inverno, assim como durante o dia.

Também foi provado que raspar ou cortar o cabelo absolutamente não tem qualquer efeito na taxa de crescimento. Da mesma forma, ciclo menstrual não afeta na velocidade de crescimento do cabelo, mas, durante a gravidez, a taxa diminui levemente (HALAL, 2012).

A força do cabelo é extraordinária. Cada fio individualmente é mais forte que uma fibra de alumínio da mesma espessura. Em média, uma cabeça com cabelos saudáveis, com cem mil fios, pode levantar mais de doze toneladas. Por causa de sua estrutura de subfibras e ligações de dissulfeto, o cabelo comporta-se de forma muito parecida com cabos de fiação. O cabelo também é elástico e, embora um fio saudável molhado possa ser esticado 40% a 50% além de seu comprimento, molhar o cabelo dilata e amolece a cutícula, o que aumenta o dano mecânico causado quando de sua escovação ao ser comparada à de cabelos secos. O cabelo nunca deve ser estendido mais que 25% de seu comprimento original.

 

Textura capilar é o diâmetro de cada fio, e pode ser classificada em fina, média e grossa. A espessura do cabelo depende da genética, e é conhecida por variar com base na herança racial; e ela não só varia de pessoa para pessoa, mas também de fio para fio na mesma pessoa (HALAL, 2012).

É óbvio que fio fino é frágil e mais suscetível a danos causados pelos serviços prestados no salão. Como regra geral, o cabelo fino processará mais rápido e com menos dificuldade que o cabelo médio ou grosso. O cabelo grosso é mais forte que o fino pelas mesmas razões que uma corda grossa é mais forte que uma fina. O cabelo grosso tem um diâmetro maior e não só requer mais processamento, mas também é mais resistente ao processamento. É normalmente mais difícil o clareamento, a coloração ou a solução para permanente penetrar no cabelo grosso.

4 Técnicas Cosméticas de Estética e Tratamento Capilar

Existe no mercado uma diversidade de produtos cosméticos que servem tanto para embelezar como para tratar os cabelos. Trataremos cada um de forma isolada, demonstrando sua propriedade e utilização prática.

Shampoo

Tem como função a higienização dos cabelos que, estão sujos devido a: poluição, poeira, resíduos de produtos, fragmentos do couro cabeludo, entre outros; e, para retirar o excesso de oleosidade dos cabelos. Para fazer isso, o xampu possui substâncias chamadas detergentes ou tensoativos, que se ligam à sujeira e às gorduras, permitindo que elas sejam arrastadas pela água (GOMES, 1999).

Um bom shampoo deverá ter as seguintes características, segundo Gomes (1999):

 

• Limpar sem agredir fios e couro cabeludo – fórmula suave e segura.
• Aspecto e odor agradáveis – efeito sensorial.
• Espuma rica e cremosa – espuma mais fina e mais estável.
• Promover massageabilidade – para o profissional fazer movimentos de massagem.
• Facilmente enxaguável.
• Favorecer o penteado a úmido.
• Adaptado às necessidades específicas dos clientes.

Para cabelos normais: fórmula balanceada de tensoativos e agentes condicionantes.
Para cabelos oleosos: maior quantidade de tensoativo para limpar a oleosidade dos cabelos e muito pouco ou nenhum agente condicionante. Pode conter substâncias adstringentes para controlar a oleosidade.
Para cabelos secos: menos quantidade de tensoativo e maior efeito condicionante.
Para cabelos ressecados: maior concentração de condicionantes.
Para cabelos mistos: difícil encontrar um produto específico para esse tipo de cabelo. Recomenda-se usar o xampu para cabelos oleosos e condicionar as pontas
Para cabelos afro-étnicos: utilizar o shampoo para cabelos ressecados.

Para cabelos frágeis e quebradiços: são xampus contendo substâncias hidratantes como aminoácidos e extratos vegetais hidratantes.

Infantis e extras suaves: todas as matérias-primas desses produtos devem ser suaves, desde os tensoativos até as substâncias condicionantes. Anticaspa: os ativos podem ser antifúngicos e também reguladores do processo de descamação do couro cabeludo. Principais ativos: cetoconazol, climbazol e octopirox.

Antirresíduos: possuem basicamente tensoativos eficientes e suaves, com praticamente nenhum agente condicionante.

Fortalecedores da raiz dos cabelos: nutrem o bulbo capilar, apresentando componentes capazes de agir no couro cabeludo. Nas formulações de um xampu, além do tensoativo principal, responsável pelo poder de limpeza, são adicionados outros componentes importantes, tais como: cotensoativos, estabilizantes da espuma, opacificantes/perolizantes, espessantes, agentes condicionantes e sobre-engordurantes, modificadores de pH, sequestrantes, conservantes, corantes, ativos em geral e outros que se fizerem necessários (GOMES, 1999).

Condicionadores

Os shampoo possuíam tensoativos aniônicos mais agressivos, assim, eles tiravam muito óleo dos cabelos e abriam as cutículas, dando-lhe a aparência de ressecado.

Nesse momento foi necessário um coadjuvante após a lavagem, que eliminasse esse problema, “nasceu” o creme rinse (GOMES, 1999). Os cremes rinses utilizaram-se, no início, de substâncias catiônicas provenientes da indústria têxtil (amaciantes) e que hoje estão aperfeiçoadas e difundidas em cremes rinses, condicionadores e produtos leave-in (GOMES, 1999). Os modernos condicionadores devem realizar uma ou mais das seguintes funções:

• Facilitar o penteado a seco e a úmido.
• Suavizar e reparar áreas danificadas da estrutura capilar.
• Minimizar a porosidade.
• Aumentar o brilho.
• Proporcionar toque sedoso.
• Fornecer proteção contra agressões térmicas, químicas e UV.
• Hidratar.
• Dar volume e corpo.
• Eliminar a eletricidade estática.

Entre os agentes condicionantes encontrados constantemente em xampus e condicionadores, estão as proteínas, as ceramidas, os silicones, os quaterniuns, os poliquaterniuns, as vitaminas, lanolinas, óleos e extratos vegetais e muitos outros (GOMES, 1999).

Máscaras, cremes e banhos para os cabelos

Esses produtos são destinados a tratamentos de choque para os cabelos. As máscaras e cremes são aplicados e deixados nos cabelos por períodos de tempo que variam de 5 a 30 minutos. Durante a aplicação pode ou não ser usada uma touca térmica para auxiliar a absorção dos componentes pelo cabelo (GOMES, 1999). É difícil diferenciar os conceitos de máscara e creme. O conceito de máscara parece ser mais moderno, pois incorpora matérias-primas menos agressivas e apresenta características mais apropriadas para o produto (cobre melhor o cabelo, tem maior opacidade e viscosidade).

Tipos de máscaras, segundo Gomes (1999): Para cabelos normais: ricas em emolientes como silicones, proteínas, ceramidas, vitaminas, extratos vegetais e outros. Para cabelos oleosos: ação de remoção e controle da oleosidade excessiva. Ricas em agentes adstringentes e sebostáticos. Cabelos secos, ressecados e danificados: entre os objetivos estão a reposição da oleosidade, a emoliência e a amenização do aspecto e da textura ruins, bem como a união das pontas duplas. Cabelos afro-étnicos: os mesmos cuidados reservados aos cabelos secos e ressecados. Couro cabeludo sensível: ação calmante, ricas em agentes anti-inflamatórios, vitaminas e extratos vegetais calmantes.

Mistura de cremes

Alguns profissionais fazem mistura de cremes e máscaras para aplicar nos cabelos. Nossa orientação é que esse procedimento seja evitado, pois:

• Existe grande variedade de produtos modernos para uma ampla gama de necessidades específicas dos clientes.
• Os bons produtos do mercado possuem ativos específicos para vários tipos de cabelo e são produtos completos e multifuncionais.
• Ao misturar cremes, estamos na verdade diluindo os ativos encontrados em cada um dos produtos da mistura.
• Existe uma série de incompatibilidade entre produtos, que resultam em perda da eficácia dos cremes quando misturados.

Exemplos de incompatibilidades:

• Produtos contendo tensoativos catiônicos (cargas positivas) com produtos contendo aniônicos (cargas negativas) se neutralizam.
• Produtos de pH ácido com produtos de pH alcalino se neutralizam.
• Produtos contendo substâncias adstringentes e produtos contendo proteínas, os adstringentes precipitam e inativam as proteínas.
• Cremes de efeito calmante e cremes estimuladores da microcirculação periférica. Esses efeitos são opostos.

Leave-in

Envolve a aplicação de produtos que não seja enxaguado após a aplicação, como géis, tônicos, mousses, sprays, entre outros. O alvo é o tratamento dos fios (brilho, volume, reparação dos fios e pontas, proteção aos cabelos, maciez e mudanças imediatas na aparência e textura) (GOMES, 1999).

Géis

Os géis são aplicados nos cabelos geralmente com o objetivo de obter brilho molhado, fixação e modelagem, embora outros efeitos possam ser conseguidos, como proteção UV, tratamento de fios, entre outros. Os componentes mais utilizados em géis são os carbômeros, embora algumas gomas naturais e resinas como PVP e derivados também possam ser usadas. Combinações entre esses componentes são muito comuns (GOMES, 1999).

Produtos para pontas

São casos particulares de leave-in, aplicados unicamente nas pontas dos cabelos. A forma mais comum são as combinações de silicones (ciclometicone e dimeticonol), nas quais podem ser incorporados alguns ativos, como ceramidas, vitaminas, polímeros, entre outros. Não existe como regenerar as pontas quebradas, mas existe como minimizar o problema, unindo-as o máximo possível (GOMES, 1999).

Tônicos

Tônicos capilares são produtos geralmente utilizados para o tratamento do couro cabeludo e de distúrbios como alopecia, caspa, dermatites, psoríase e outros. São fluidos e aplicados de tal forma que fiquem em contato com as raízes dos cabelos. Normalmente as formulações apresentam uma única fase e a maioria possui sistemas hidro alcoólicos (facilitando a secagem) (GOMES, 1999).

Outros produtos

São muitos os produtos cosméticos para cabelos que podem ser citados, incluindo-se os sprays, mousses, produtos na forma de cápsulas, águas hidratantes, géis fluidos ativadores de cachos, emulsões (cremes e loções cremosas), produtos com álcool, entre outros. O consumidor moderno tem ao seu alcance uma enorme variedade de produtos para fazer dos cabelos referencial de sua beleza e aparência pessoal (GOMES, 1999).

5 Técnicas de Massagem Capilar

Os recursos manuais são muito usados na Terapia Capilar e envolvem basicamente duas técnicas de massagem que são: o Shiatsu e a Drenagem Linfática.

Terapia Shiatsu Aplicada à Terapia Capilar
A terapia Shiatsu emprega a polpa dos dedos e polegares e as regiões tenar e hipotenar das mãos; estas são partes do corpo comparativamente carnudas e macias. Seu princípio básico consiste em aplicar pressão à superfície do corpo, de modo gradual, para que a mesma penetre nos músculos e os torne flexíveis. Este tipo de tratamento não estimula nem cansa indevidamente os músculos (KAGOTANI, 2004). Seus efeitos terapêuticos são acentuados porque invocam os poderes naturais de recuperação do próprio corpo. O moderno sistema de Shiatsu, fundamentado nestes princípios, determina os pontos da superfície do corpo que se mostram mais eficientes nesse tratamento, valendo-se de informações contemporâneas sobre anatomia e fisiologia, e elabora as técnicas manuais mais adequadas às diversas partes do corpo (KAGOTANI, 2004).

São características do Shiatsu:

• Utilizar as mãos e os dedos;
• Não apresenta efeitos colaterais, desde que respeitado o local dos pontos a serem tratados, a pressão e a duração da aplicação, não devem ocorrer dores musculares ou desconforto após a sessão;
• Sem limites de idade: crianças até idosos;
• Auxilia na prevenção de doenças;
• Crença e confiança entre cliente e terapeuta que interagem para aumentar a eficácia do tratamento.

Para a aplicação capilar a função fisiológica é melhorar a irrigação periférica do couro cabeludo, levando mais nutrição e oxigenação para o folículo piloso e relaxamento (KAGOTANI, 2004).

Efeito sistêmico do Shiatsu: estimula o funcionamento do corpo como um todo, promovendo a circulação eficiente dos líquidos corporais. Efeito localizado do Shiatsu: nutrição celular adequada e eliminação de resíduos nocivos. Indicação da Terapia Shiatsu na cabeça: cefaleias, enxaquecas, peso na cabeça, insônia, alopecias e má nutrição do couro cabeludo.

Contraindicações:

• Doenças contagiosas;
• Inflamações agudas de órgãos internos (apendicite, pancreatite);
• Cirrose hepática;
• Obstrução intestinal;

• Neoplasias;
• Febre alta;
• Doenças infecciosas da pele/couro cabeludo. Cuidados/ Precauções:
• Mãos limpas e unhas curtas;
• Respirar profundamente antes de iniciar para regular a respiração;
• Dominar a técnica correta de aplicação;
• Dominar a localização dos pontos de pressão;
• Executar a pressão na intensidade correta;
• Tempo da sessão do shiatsu na terapia capilar: 15 minutos.

Tipos de aplicação de pressão:

1. Pressão com o polegar;
2. Pressão com 2 dedos;
3. Pressão com 3 dedos;
4. Pressão com o polegar afastado e os 4 dedos (pinça – região cervical lateral);
5. Pressão com os 4 dedos mantidos afastados;
6. Pressão palmar.

A Pressão-padrão é aplicada branda e gradualmente, sendo diminuída. Dura de 3 a 5 segundos.

Pontos básicos do Shiatsu Capilar na cabeça:

• Região ápice: 3 pontos – linha mediana da cabeça.
• Região occipital: 3 pontos – linha mediana da cabeça.
• Região da medula oblonga: 1 ponto central – linha inferior do cabelo.

Pescoço (cervical posterior): 4 pontos bilateralmente – musculatura paravertebral.

Pontos do Shiatsu na lateral da cabeça:


• Linha mediana: 6 pontos – linha do cabelo fronte até topo da cabeça.
• Região temporal: 6 fileiras de 6 pontos, partindo da linha mediana bilateralmente.

Aplicação do Shiatsu na Cabeça:

• Linha Mediana

Com os dois polegares sobrepostos (direito por baixo), pressionar 6 pontos da linha mediana dirigindo-se do contorno do couro cabeludo para o topo da cabeça. Manter a pressão por 3 segundos em cada ponto e repetir 3x.

• Região Occipital

Polegares posicionados pressionar 3 pontos sobre a linha mediana na região occipital, iniciando no ponto mais alto até o mais baixo. A pressão será aplicada por 3 segundos em cada ponto, e repetida 3x.

• Medula Oblonga

Com os polegares, pressionar no ponto abaixo do último occipital na linha mediana. A pressão é mantida por 5 segundos e repetida 3x.

• Região Temporal

Região temporal esquerda: palma da mão direita posicionada sobre a região temporal direita como apoio, os pontos para a região temporal esquerda estão dispostos em 6 fileiras direcionadas para a esquerda a partir dos 6 pontos da linha mediana. Pressionar cada ponto e manter a pressão por 3 segundos em cada um, repetindo 3x. Repetir na região temporal direita da mesma forma.

Drenagem Linfática Manual Capilar

Histórico: O método foi originalmente desenvolvido por um casal de fisioterapeutas dinamarquês Estrid e Emil Vodder. Definição: Técnica de massagem lenta e suave aplicada em todo o corpo, face, cabeça e pescoço. Na terapia capilar tem como objetivo, aumentar a oxigenação principalmente no couro cabeludo, ajudando assim a melhorar algumas patologias como, por exemplo, alopecia (GUIRRO; GUIRRO, 2004). Manobras de Drenagem, segundo Guirro e Guirro (2004):

• As manobras devem ser realizadas com os polegares, dedos médios, polegares e dedos médios combinados, indicadores, médios e anulares, mãos em concha, conforme a sua adaptação à anatomia da região.
• A direção e o sentido da pressão devem acompanhar o fluxo da circulação linfática;

• Os movimentos são lentos, rítmicos e suaves;
• O sentido da drenagem linfática deve sempre ser de proximal para distal;
• A drenagem linfática manual deve ser iniciada com o descongestionamento dos linfonodos (evacuação), e logo após manobras de demanda.

O objetivo das manobras:

• Aumento do volume de linfa pelos capilares linfáticos.
• Aumento da velocidade de seu transporte através dos vasos e ductos linfáticos.
• Captação e evacuação.

A influência indireta: nutrição das células, oxigenação dos tecidos, desintoxicação do tecido intersticial, desintoxicação da musculatura esquelética, distribuição de hormônios e aumento da quantidade de líquidos excretados.

Execução das manobras:

• A pressão – deve tanto aumentar quanto diminuir gradativamente.
• A pressão no começo e no final do círculo deve ser zero.
• A pele não deve ficar avermelhada e a cliente não pode sentir dor em hipótese alguma.
• O ritmo é bem monótono.

• Cada círculo deve completar-se aproximadamente no tempo de 1 segundo.
• A repetição dos círculos – 5 a 7 vezes no mesmo lugar.
• Os caminhos – dentro de cada região repete-se a sequência que constitui o caminho por 3 vezes.
• As regiões – somente se passa para a região subsequente (distal) depois de terminada a região proximal, com o objetivo de garantir o livre escoamento da linfa.
• O ponto de partida para todo o tipo de drenagem linfática manual: pescoço e ângulo venoso.

Indicações da Drenagem Linfática Capilar:

• Alopecias – para diminuição do processo de queda capilar;
• Tratamentos de restabelecimento da haste capilar – aumento da nutrição do folículo piloso;
• Desintoxicação do tecido. Contraindicações da Drenagem Linfática:
• Neoplasias;
• Inflamações agudas;
• Insuficiência renal crônica;
• Trombose.

Linfonodos da Cabeça e Pescoço:

• Fossa supraclavicular;
• Linfonodos submentonianos;
• Linfonodos submandibulares;
• Linfonodos retroauriculares (mastoideos);
• Linfonodos pré-auriculares (parotídeos);
• Linfonodos occipitais.

Aplicação da Drenagem Linfática

Bombeamento (desobstrução): supraclavicular, submandibulares e submentonianos. Região Cervical: círculos fixos - mãos acomodadas sobre o pescoço (fossa clavicular). Após completar 5 a 7 círculos no mesmo local, deslizar as mãos alguns centímetros para baixo e repetir o mesmo movimento, e assim sucessivamente, até a retroclavicular.

Região Occipital: Bombeamento (desobstrução) pré-auricular e retroauricular.

Região do Couro Cabeludo: Círculos Fixos - as palmas das mãos e dedos levemente estendidos apoiam-se firmemente sobre o couro cabeludo na base occipital. Para as posições seguintes, as mãos afastam-se até chegarem à região parietal e frontal.

6 Tópicos Avançados em Terapia Capilar

Video dermatoscópio

O Dermatoscópio é um aparelho óptico de aumento. Ele pode aumentar uma lesão dermatológica de seu tamanho natural a dezenas de vezes. Esta técnica é chamada dermatoscopia, epilominescência microscópica, microscopia de superfície ou simplesmente episcopia. Proporciona um aumento aproximado de 300 vezes, sendo utilizado para observar alterações do couro cabeludo, do óstio folicular e da haste capilar em seu comprimento e extremidades e, implantação dos fios.

O que podemos observar com o dermatoscópio em determinado local:

• Couro cabeludo: hemangiomas rubi, eritema, descamação, nevos, tumorações, telangiectasias, áreas cicatriciais, formações aveludadas brancoprateadas.
• Implantação dos fios: normalmente implantam-se em trios.
• Óstio folicular: pústula folicular (foliculite ou pseudofoliculite), rolhas córneas, óstio vazio em quedas agudas, óstios quase imperceptíveis em alopecias crônicas.
• Haste capilar: a observação de doenças específicas da haste deve ser mais rigorosa na porção proximal, sendo que na porção distal observam-se sinais de desgaste natural. Podemos observar alterações como triconodose, tricoptilose, moniletrix, tricorrexe nodosa, presença de lêndeas e piolhos.
• Extremidade da haste: corte a pique inclinado ou perpendicular, tricorrexe nodosa, tricoptilose.

Luz de Wood

A luz de Wood é tida como um grande auxiliar em tricologia e pode auxiliar no diagnóstico diferencial de várias doenças descamativas. A lâmpada de Wood emite uma luz de comprimento que varia de 340 a 450nm. Essa radiação é conseguida após a emissão da luz ultravioleta por um arco de mercúrio, a qual é filtrada por uma chapa de vidro composto. O cliente deve ser examinado em ambiente totalmente escuro. Observam-se fungos, mas independente da espécie de fungo observada no couro cabeludo o protocolo estético em terapia capilar será o mesmo.

Característica da cor de diferentes espécies de fungos:

Malassezia furfur – fluorescência róseo-alaranjada;
Microsporum canis – coloração verde-azulada;
Microsporum audouini – coloração verde-azulada;
Trichophyton schoenleini – coloração verde-palha;
Hiperceratose folicular por tração: coloração amarela-rosada.
Lêndeas: apresentam brilho próprio.

Alta-Frequência

O aparelho de Alta-Frequência pertence à família da descarga elétrica, que é produzida pelo chaveamento de uma tensão em uma bobina, entre a pele do cliente e o eletrodo, ou em contato com o ar. Emite correntes alternadas de elevada tensão e baixa intensidade. Quando tem ocorrência da descarga elétrica, produzirá ozônio (O3 ) que se trata do oxigênio trivalente. Este equipamento é capaz de produzir faiscamento. Possui efeito bactericida e fungicida e está indicado para: desinfecção e estimulação da circulação sanguínea do couro cabeludo.

Laser em Terapia Capilar

Há várias modalidades terapêuticas para a alopecia, que vão do tratamento tópico ao tratamento com luz. O tratamento com luz é um dos métodos terapêuticos mais antigos usados na humanidade. Atualmente, o tratamento com laser de baixa potência (low level laser therapy – LLLT), é também conhecido como fotomodulação ou bioestimulação, é utilizado para combater o envelhecimento da pele (rugas), o eritema e a alopecia. O que se busca saber na terapia com LLLT é como a energia dos lasers terapêuticos e dos LEDs (diodos emissores de luz) funciona no organismo e quais são os parâmetros ideais da luz para os diferentes usos. Essa técnica é denominada de baixa energia pelo fato de existir uma dose ideal de luz para cada aplicação em particular. Se uma dose menor ou maior que o valor ideal for utilizado, o resultado terapêutico pode ser comprometido (KEDE; SABATOVICH, 2009).

A fotomodulação é um processo que tenta modificar a atividade celular (aumenta o metabolismo celular) usando fontes de energia de baixa potência (sem efeitos térmicos). Ela varia bastante entre os diferentes tipos celulares e é sensível ao comprimento de onda, à radiação e ao tempo de exposição.

A fotomodulação com o LED não causa dor ou danos à pele. Ela permite tratar rapidamente grandes áreas, pois os aparelhos de LED são como painéis e usam energias extremamente baixas. Cada LED é igual no tamanho e na capacidade de emissão de luz. Para promover uma melhora clínica aparente, os LEDs devem emitir luz num espectro de 590nm (KEDE; SABATOVICH, 2009).

Os diodos emissores de luz propagam uma luz de baixa intensidade e de baixo espectro, variando do ultravioleta (UV) visível até o infravermelho. Uma sequência específica de pulsação da luz em milissegundos leva à estimulação de fibroblastos, com depósito de colágeno e redução da atividade da metaloproteinase – MMP-1 (colagenase) na derme capilar. Acredita-se que a estimulação da mitocôndria ativa a cadeia de transporte do elétron e regula o metabolismo celular. Zcharia e cols. identificaram a endoglicosidase e heparanase como importantes reguladores do crescimento de pelos em cobaias. A degradação da barreira da matriz extracelular formada por heparan sulfato através da heparanase permite o movimento celular por meio das barreiras extracelulares e libera os fatores de crescimento dos depósitos da matriz extracelular, fazendo com que eles fiquem biodisponíveis (KEDE; SABATOVICH, 2009).

sso permite a migração da progênie das células-alvo foliculares e a reconstituição da parte inferior do folículo, o que é um prerrequisito para a formação da haste capilar. A heparanase contribui para a habilidade dos queratinócitos do bulge de migrar através da barreira da matriz extracelular in vitro (KEDE; SABATOVICH, 2009). Existe uma ampla variedade de fontes de luz que são usadas como métodos terapêuticos. Por vários anos, os lasers HeNe (632,8nm) foram as fontes de luz preferidas. Os diodos semicondutores emissores de luz são usados tanto nos lasers diodo como nos LEDs, mas, no caso dos lasers, precisam de um ressonador. Estes diodos estão disponíveis numa ampla faixa de comprimentos de onda, de 630nm a 980nm. Atualmente, comprimentos de ondas maiores (800 a 900nm) e potências mais altas (100 mW) têm sido preferidos nos aparelhos terapêuticos (KEDE; SABATOVICH, 2009).

Pode ser usado isoladamente ou associado ao tratamento tópico, oral ou ambos, dependendo da intensidade de cada caso. Os tratamentos com LEDs variam de 45 segundos até alguns minutos, feitos de uma a três vezes por semana, com intervalos de dois a três dias, podendo chegar até uma semana. As sessões podem variar em número de 10 a 20 (KEDE; SABATOVICH, 2009).

A terapia com LED é contraindicada:

• em pacientes que fazem uso de medicações fotossensibilizantes;
• em pacientes que têm melanoma;
• em doenças que se agravam ou são desencadeadas pela luz;
• em casos de gravidez.

Apesar de existirem poucos relatos na literatura médica que demonstrem a eficácia do crescimento capilar induzido pelo LLLT, esses aparelhos estão sendo amplamente utilizados e produzem excelentes resultados (KEDE; SABATOVICH, 2009).

Podemos concluir então que a fototerapia com o diodo emissor de luz e outras fontes de luz visível de baixa potência pode oferecer uma nova modalidade terapêutica, não invasiva, segura, indolor para o paciente (KEDE; SABATOVICH, 2009).