A Batalha Espiritual

Batalha Espiritual

1 Verdades e mentiras sobre batalha espiritual

Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos. Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes; pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas.

Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes!” Pois Jesus lhe tinha dito: “Saia deste homem, espírito imundo!” Então Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”

“Meu nome é Legião”, respondeu ele, “porque somos muitos.” E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima. Os demônios imploraram a Jesus: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou. Os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido.

Quando estamos diante do assunto “batalha espiritual”, devemos considerar que o maior milagre de Jesus Cristo é a salvação do pecador – que, após encontrar-se com Ele, nasce de novo, é transformado e recebe uma nova vida. Neste capítulo, abordaremos a ação do Maligno por meio da atuação dos demônios, bem como a doutrina sobre a libertação desses espíritos imundos, o que há de verdades bíblicas sobre o assunto e muitos dos absurdos que vêm sendo praticados, em nome dessa guerra, em alguns setores da Igreja.

Esta reflexão não tem o objetivo de ofender, entristecer ou até mesmo alarmar quem quer que seja. Porém, trataremos de um assunto que tem pouca referência bíblica. Acredite, você que dedica muito tempo do seu ministério a isso: essa não é a ênfase central da Palavra de Deus. Curiosamente, no entanto, muitas pessoas fazem teologias imensas sobre o assunto, enquanto a própria Bíblia Sagrada apenas pontua algumas questões.

Portanto, abordaremos este tema com o firme propósito de esclarecer os irmãos e as irmãs na fé, visto que há muitas doutrinas erradas sendo divulgadas por aí. Diversas pessoas são influenciadas de maneira equivocada e aplicam determinados ensinamentos sem uma observação bíblica do assunto. Este é um erro muito comum: repetir o que outra pessoa fala ou faz sem analisar o tema na verdadeira fonte de autoridade que é a Palavra de Deus. Como cristãos, precisamos ter o hábito de examinar tudo à luz das Sagradas Escrituras.

Se depositarmos a nossa confiança em pessoas, por mais influentes ou inteligentes que sejam, cometeremos o erro de conferir autoridade a alguém que é falho, pois o ser humano é imperfeito. A pregação do Evangelho deve ser fundamentalmente bíblica e não extraída de passagens pinçadas aleatoriamente. E a justificativa está no fato de que alguns trechos da Bíblia, por serem empregados de modo superficial e isolado, acabam servindo de base para os mais variados tipos de heresia.

2 A Palavra de Deus é o nosso único referencial

A Palavra de Deus é o nosso único referencial. Não podemos nos pautar em experiências humanas, muito menos em orientações que não venha da parte de Deus, porque, no que diz respeito às coisas espirituais, a autoridade máxima é a Palavra do Senhor: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.

Para estarmos aptos a fazer “toda boa obra”, é necessário o ensino, a instrução e a correção da Palavra. Deus recomendou a Josué que zelasse por viver totalmente de acordo com o Livro da Lei, sem nenhum desvio para a direita ou para a esquerda, a fim de que fosse bem-sucedido. Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem-sucedido por onde quer que andar. Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido.

A Bíblia não oferece muitas informações sobre o Diabo, apenas o suficiente para compreendermos a sua atuação. É até explicável, já que o tema das Escrituras é a história da redenção do ser humano que caiu, por meio de Adão. Satanás é um ator coadjuvante: o enganador, o trapaceiro, o que instigou Eva a pecar. A causa da queda do homem foi a desobediência, cujos atores principais foram o casal Adão e Eva.( Gênesis 3) Eles podiam simplesmente ter repreendido a serpente e obedecido ao Senhor. Por isso, podemos tirar a seguinte conclusão: o pior inimigo do homem é o próprio homem. Os únicos que podem destruir a nossa vida espiritual somos nós mesmos. Quem não tem amor o bastante para obedecer a Deus cai nas ciladas e armadilhas do Diabo.

A ênfase da Palavra está no relacionamento do homem com o Criador, no relacionamento de fé e obediência. Quando destacamos demasiadamente o Inimigo, estamos endeusando-o, conferindo-lhe um valor que ele não tem nem merece. Isso o faz parecer poderoso e determinante, algo que ele também não é, pois é mentiroso e enganador. Determinante é alguém que define algo e faz com que as coisas aconteçam. Quem faz isso é Deus. De certo modo, também temos essa atitude quando somos desobedientes e praticamos ações erradas, pecando e prescrevendo assim a nossa própria queda.

3 O que realmente importa

A Bíblia ensina na medida certa o que precisamos saber sobre o Adversário. Então, deixemos de lado as especulações, que só geram mistificações inúteis, como interrogatórios a demônios e outras ações do tipo. Isso desvia o nosso foco daquilo que de fato importa, que é a nossa relação com o Pai mediante a Palavra da Verdade.

Deus é o Criador de todas as coisas e de todos os seres. É o Único que detém o poder de criação. Uma das leis científicas existentes afirma: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.5 Realmente, depois que Deus criou não existe mais criação, apenas transformação, elaboração ou combinação dos elementos já formados. A Bíblia afirma no livro de Gênesis 1.31: “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom”. É provável que você então se pergunte: “Se tudo o que o Pai fez era bom, quem criou Satanás?”. A resposta é fácil: Deus o criou. Mas é necessário observar que o Senhor o criou como um ser bom, para servir diante dele, o Criador. O esclarecimento a ser feito aqui é que o Altíssimo criou o anjo que viria a ser quem conhecemos como Satanás para boas obras, mas ele possuía livre-arbítrio e escolheu tornar-se maligno.

Deus é criador, o Diabo não. Logo, para fazer suas obras malignas, ele utiliza o que o Criador já fez, pervertendo o seu sentido pelo engano do pecado. Quando o Senhor criou o Jardim do Éden, confiou o governo desse local ao homem. Alguns dizem que o homem, na sua desobediência, entregou esse governo a Satanás. Na verdade, o governo foi tomado. O Diabo fez uso dos elementos da Criação para influenciar o homem, a quem Deus tinha dado autoridade sobre a natureza. Dessa forma, o Inimigo das nossas almas opera sobre a Terra por intermédio das pessoas que, pelo pecado e o afastamento do Senhor, se deixam usar por ele.

Se o homem tivesse permanecido em obediência, ainda estaríamos num local com as características do Éden, fazendo uso da natureza de maneira sábia. No entanto, quem destrói a Criação é o próprio ser humano, inspirado na sua corrupção pelo Maligno. O Diabo não tem poderes de, por exemplo, causar uma tempestade. Tal poder pertence a Deus. Porém, ele pode possuir uma pessoa e levá-la a cometer barbaridades ou pode enganar nações com falsas doutrinas. O poder do Inimigo é o do engano, utilizando os elementos da Criação. Após criar o mundo, o Altíssimo deu autoridade ao homem para governá-lo. O Diabo consegue agir neste mundo por meio do ser humano, pois como o Maligno não é deste mundo e não pode agir aqui, o faz por intermédio de alguém. E, justamente por causa disso, a Bíblia nos orienta a não dar espaço para o mal.

Precisamos estar atentos quanto aos enganadores e mentirosos. A Bíblia nos garante que não há nada em oculto que não venha a ser revelado (Mateus 10.26) e que todo o poder da mentira cai, porque a Palavra de Deus é verdade e ela sempre prevalecerá. Jesus Cristo venceu e sua vitória foi arrasadora. O Inimigo está com seus dias contados, por isso não devemos temê-lo nem desejar aprender nada com ele. Temos que pregar o Evangelho, e se, por um acaso, ao longo de nossa caminhada cristã, cruzarmos com algum demônio, basta expulsá-lo em do nome do Senhor Jesus Cristo, porque Cristo já triunfou.

Quanto a nós, vivamos segundo a Palavra de Deus; preguemos o Evangelho da verdade. O papel da Igreja de Jesus Cristo é  pregar as boas-novas da salvação. É ensinar e discipular as pessoas a andarem com Cristo, em obediência às Sagradas Escrituras.

4 Fruto da Palavra

Não adianta pedir oração para evitar a falha. É necessário fazer uma escolha. Por isso, a palavra que está sendo semeada deve cair em boa terra. Se cair pelo caminho, o Maligno a roubará e ela não frutificará – não poderá promover transformação e libertação. Quando o Diabo não trabalha para distorcer e confundir a Palavra de Deus, ele procura roubá-la de nós. Por isso é tão importante não permitir que isso aconteça. Se ele consegue ter êxito em seus planos, não veremos as promessas de Deus se cumprirem em nossas vidas; ele nos inutilizará totalmente. Talvez você não estivesse inclinado a fazer essa leitura por não gostar do teor do assunto que nos chama a uma responsabilidade, mas beleza e formosura não herdarão o Reino dos céus. Porém, obediência e prática, sim. 

5 Uma arma para os fortes

Você quer algo novo em sua vida? Medite nesse livro de dia e de noite como o Senhor falou a Josué:

Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria. Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido. Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares. Josué 1:6-9. Quando o Senhor falou para Josué ser forte e corajoso, não era para derrotar os inimigos, mas para meditar nas Escrituras. Quem não medita na Palavra de Deus não é forte nem corajoso.

Na passagem em que Miriã e Arão criticam Moisés, lemos: “Imediatamente o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: ‘Dirijam-se à Tenda do Encontro, vocês três’. E os três foram para lá. Então o Senhor desceu numa coluna de nuvem e, pondo-se à entrada da Tenda, chamou Arão e Miriã. Os dois vieram à frente, e ele disse: ‘Ouçam as minhas palavras: Quando entre vocês há um profeta do Senhor, a ele me revelo em visões, em sonhos falo com ele. Não é assim, porém, com meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Com ele falo face a face, claramente, e não por enigmas; e ele vê a forma do Senhor. Por que não temeram criticar meu servo Moisés?’” (Números 12.4-8). Moisés tinha intimidade com o Senhor. Você quer ver o Senhor? Quer que as palavras dele estejam em seus lábios? Medite nelas.

Em Mateus 13.21, encontramos aqueles que não permitem o tratamento e as profundas transformações que a Palavra de Deus proporciona: “Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona”. Muitos querem ser missionários, porém não abrem mão do pecado. Não oram, não louvam, não adoram, não meditam na Bíblia. Qualquer pessoa que deseja ser um missionário deve ter o mínimo de intimidade com a Palavra. A árvore de raiz rasteira cai com qualquer vento que sopra. Assim acontece com aquele que não tem raízes na Bíblia; diante de qualquer dificuldade que enfrenta, deixa de ir à igreja e até murmura contra Deus.

Que preço estamos dispostos a pagar para que a Palavra de Deus nos guie e se cumpra em nossa vida? Se alguém quiser ser santo e quiser vencer as astutas ciladas do Diabo, como disse o apóstolo Paulo, precisa saber manejar bem a “espada do Espírito”. O Senhor não nos fez fracos, mas sim homens e mulheres fortes a ponto de dizer “não” para o que nos impede de nos aprofundarmos no conhecimento das Escrituras.

A terra do nosso coração precisa ser como a que está descrita em Mateus 13.23: uma “boa terra”, ou seja, alguém com a alma inclinada a ouvir e compreender a Palavra. Quando isso acontece, vencer a guerra é consequência. Além disso, o resultado será a produção de frutos, pois Jesus disse que um produzirá cem, o outro, sessenta, e o outro, trinta.

Muitos afirmam ter a Palavra, mas na verdade não a aplicam. Por isso estão indo à falência em diversas áreas da vida. Estão perdendo a guerra para o Adversário na família, nos relacionamentos, no trabalho, na vida espiritual. Não há como crescer se a semente da Palavra não for plantada em terra fértil, se os pilares necessários para sustentar a vida não forem erguidos. Não existe prosperidade sem entendimento real e profundo da Palavra de Deus.

6 Como manejar a arma da Palavra

Entretanto, é importante saber que entender a Palavra de Deus não é a mesma coisa que entender a aula de um professor na faculdade. Muitas pessoas conhecem a Bíblia de ponta a ponta, mas não conhecem o seu Autor – Deus. Para compreender o que está escrito nela, é necessária a presença do Espírito Santo, que nos ensina todas as coisas. Ser ensinado por Ele nos ajudará a aplicar a Palavra a nossas vidas.

Daniel, por exemplo, conseguiu entender a revelação que recebera do Senhor porque leu o profeta Jeremias: “No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, compreendi pelas Escrituras, conforme a palavra do Senhor dada ao profeta Jeremias, que a desolação de Jerusalém iria durar setenta anos” (Daniel 9.2). Ele leu as Escrituras e descobriu qual seria o tempo da desolação de Jerusalém: 70 anos de cativeiro. O ponto de partida desse entendimento foi a Palavra de Deus, que gera frutos para a eternidade. Muitos perdem o que receberam do Senhor por falta de entendimento. Até a intercessão feita por Daniel foi com base na Palavra.

O profeta simplesmente mudou o rumo da História quando percebeu pelos livros que já era tempo de acabar com a assolação de Jerusalém. Ele passou a orar, jejuar e se humilhar em prol daquele povo (Daniel 10). O problema é que não queremos investir tempo com Deus. Temos tempo para ouvir músicas, falar da vida dos outros, ver televisão, mas não temos tempo para a Palavra do Senhor. Daniel, durante três semanas, pranteou, chorou e clamou. A geração de hoje está falindo porque justamente não quer ter trabalho para alcançar entendimento do que diz respeito a Deus.

Somente eu, Daniel, tive a visão; os que me acompanhavam nada viram, mas foram tomados de tanto pavor que fugiram e se esconderam. Assim fiquei sozinho, olhando para aquela grande visão; fiquei sem forças, muito pálido, e quase desfaleci. Então eu o ouvi falando e, ao ouvi-lo, caí prostrado, rosto em terra, e perdi os sentidos. Em seguida, a mão de alguém tocou em mim e me pôs sobre as minhas mãos e os meus joelhos vacilantes. E ele disse: “Daniel, você é muito amado. Preste bem atenção ao que vou lhe falar; levante-se, pois eu fui enviado a você”.

Daniel teve tal êxito em sua vida porque valorizou a Palavra e se empenhou em buscar ouvir a voz de Deus. A resposta até demorou, 21 dias, mas desde o primeiro dia ele já tinha sido ouvido. Todavia, ele perseverou e o resultado não poderia ter sido diferente: a compreensão espiritual do que recebera do próprio Deus. Ele foi vencedor porque era dedicado à Palavra. Seremos bem-sucedidos na batalha espiritual tal como o profeta? Tudo depende de como manejarmos a grande arma que Deus nos deu para vencê-la: a Bíblia Sagrada.

7 Esperança

Quem é a nossa esperança? Quando Paulo escreveu a Timóteo, disse: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, a ‘nossa esperança’”. Nossa esperança é o Senhor. Quando perdemos a esperança, perdemos tudo porque só nele podemos esperar. Nesse mundo turbulento, tão cheio de dores e amarguras, onde coisas terríveis acontecem, o que seria de nós se não tivéssemos esperança?

Quando alguém perde a esperança, perde o Senhor. Quando, por exemplo, alguém perde a esperança de ver um parente convertido aos pés do Senhor, está dizendo que não confia mais nele. Se você tem alguém em sua casa que não conhece o Senhor, e, apesar da sua oração, percebe que a vida dessa pessoa vem se tornando cada vez pior, não desista. Se você acreditar que seu parente é um caso perdido, que o Senhor não está ouvindo, você correrá o risco de perder a esperança. Pensar dessa forma é não crer que o Senhor pode salvar, que Ele permanece o mesmo. Além disso, você pode cair no erro de se considerar melhor do que o outro porque o Senhor foi capaz de salvá-lo. Todavia, para o Senhor, não há melhor ou pior. Todos éramos perdidos e o Senhor nos resgatou pela Sua graça e pelo Seu amor.

O que esperar do Senhor, então? A Bíblia diz que dele podemos esperar a paz. Quantos têm a paz no coração? Também podemos esperar a alegria na alma, o descanso e a vida eterna. Nele, contrariando o dito popular, podemos esperar dias melhores. No Senhor, podemos esperar. Sendo assim, o que vamos fazer? Desprezar esse tesouro que temos ou abraçá-lo cada vez mais, orando: “Senhor, jamais quero te perder, jamais quero perder a esperança de viver”?

Quantos não tentaram pôr fim à própria vida porque perderam a esperança? Não acredito que as pessoas que se suicidam queiram morrer. Elas querem viver, mas não sabem como porque não têm mais expectativas na vida. Mas o Senhor continua o mesmo, com Seu poder para ressuscitar mortos e vivificar. Pode ser que você, querido leitor, esteja morto espiritualmente, mas o Senhor afirma que os mortos ouvirão a sua voz. Como? Só a graça de Deus mesmo. Como pode um morto ouvir? Um morto não sente nada, não ouve nada. Está morto. Os mortos ouvirão, ressuscitarão e reviverão. 

A esperança é a âncora da alma. Ela nos mantém firmes neste mundo de turbulência; ela que nos faz perseverar em meio aos ataques do Inimigo. E é a esperança de que um dia tudo será diferente que nos levará a uma realidade gloriosa. Como João escreveu em Apocalipse 21.4-7: “‘Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou’. Aquele que estava assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’ E acrescentou: ‘Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança’. Disse-me ainda: ‘Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida. O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu filho’”. Tudo está feito! Você crê nisso? Tem essa esperança? Glória a Deus! Eu tenho essa esperança.

Vimos que a fé é algo espetacular e a esperança, que se fundamenta na fé. Com ela, podemos ter convicção de que venceremos todas as guerras que enfrentamos contra as forças do Maligno. Como está escrito:

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Hebreus 11:1,2

Porém, Paulo prossegue afirmando que há algo ainda mais excelente e que se constitui numa poderosa arma: o amor. “... Porém, o maior destes é o amor.”

8 Amor

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.1 Coríntios 13:1-7

 Uma arma poderosíssima contra o Diabo é o amor. Toda vitória espiritual deve ser centrada no amor. Batalha Espiritual se vence com Cristo e Cristo é amor. As pessoas que foram libertas alcançaram a libertação porque Cristo as amou. E assim como elas receberam o Seu amor também precisam receber amor da Igreja. O mundo precisa perceber que o amor do Senhor Jesus está derramado em sua Noiva, que é o conjunto de todos nós que fomos feitos seus filhos pela graça.

Todavia, qual é a nossa motivação no Evangelho do Senhor? Qual é a nossa motivação ao evangelizar? Ao cantar no coral, ao trabalhar em qualquer departamento da igreja? Qual é a nossa motivação de viver? O que está por trás dos nossos atos quando fazemos o bem a alguém? Os três versículos acima falam sobre isso. Mas, antes de entrarmos no assunto, observe a seguinte orientação de Paulo: “... Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.

1 Coríntios 12:31

 É necessário buscarmos os dons de Deus, mas isso não é tudo. O mais importante a saber é que não é o pregador, mas o Espírito Santo, quem convence. Não é a oratória, porque qualquer um pode ter uma boa retórica. Boas obras e um pouco de carisma têm rendido um bom dividendo para muitas pessoas. Mas isso não é o suficiente.

Os coríntios usavam os dons de línguas para exaltar a si mesmos, mas eram como um sino batendo, que só faz barulho. O som que produziam era como o de duas bacias batendo uma na outra. Não havia melodia, apenas alarde. Devemos, sim, pedir ao Senhor os dons. No entanto, é mais importante pedir que o Senhor nos encha com o seu amor para que possamos fazer o bem às pessoas, porque esse é o verdadeiro objetivo do Cristianismo.

Não posso dizer que amo o Senhor se odeio o meu irmão. É o que aprendemos com o apóstolo João: “Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 João 4.20). Portanto, mais importante do que desenvolver os dons, é preciso buscar o fruto do Espírito, cuja primeira virtude é o amor.

O Senhor Jesus resume toda a Lei em dois mandamentos: amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Como está escrito em Marcos 12:30,31 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

Se de fato me considero seguidor de Cristo, tenho que expressar este amor não só por meio de palavras, mas de atitudes também. Não foi assim que o Senhor Jesus fez? “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).

Sim, Jesus nos amou. Amou alguém como Pedro, que o negara três vezes, e os demais discípulos que, na hora do aperto, o abandonaram. Homens cheios de falhas e defeitos, incrédulos. Apesar disso, Jesus os amou até o fim: “Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13.1).

9 A batalha

Quando falamos sobre batalha espiritual, é necessário compreender, como já foi dito, que a pior de todas as batalhas é aquela travada dentro de nós mesmos(na mente). No Novo Testamento vemos os cristãos de Corinto, cuja visão a respeito do Senhor estava obscurecida e precisava ser clareada à luz da Palavra. Já no Antigo Testamento percebemos claramente que, assim como os cristãos de Corinto precisavam de fato conhecer a Deus, o povo de Israel também necessitava descobrir que mais importante do que receber as bênçãos de Deus é ter a sua presença. A maneira como enxergamos o Senhor faz toda a diferença quando enfrentamos lutas espirituais. Pois nem sempre a batalha espiritual que teremos de travar será contra um espírito maligno, mas contra nossa vaidade, nossa falta de conhecimento de Deus, nossa desobediência. Jesus morreu para que pudéssemos ter a vida eterna, ter fé, esperança e amor que são armas importantíssimas e indispensáveis na batalha espiritual.