Soldagem
Noções Básicas em Soldagem por Eletrodo Revestido
1 Barreira da soldagem (dificuldade na abertura do arco elétrico)
• Ferrugem (oxidação).
• Tinta.
• Umidade (água).
• Poeira. • Gordura.
2 Arco elétrico
É a coluna formada entre o eletrodo e a peça (Figura 1.1). É considerado o quarto estado da matéria (plasma), com temperatura elevada (em torno de 6000o C). É característica de um condutor elétrico: (MACHADO, 1996).
• Conduz corrente.
• É quente (no arco elétrico são geradas temperaturas que oscilam entre 5000 e 30.000 K, excepcionalmente alcançando 50.000 K, dependendo do processo utilizado, das condições de soldagem e de outros fatores).
• É um plasma (quarto estado da matéria).
• Derrete (funde) o metal de base.
• Possui o formato de coluna.
• É composto por gás altamente ionizado e eletricamente neutro.
Representação esquemática de um eletrodo revestido tocando o metal de base na sequência de 1 a 3. Observe que em 2 acontece o curto circuito e em 3 o arco é gerado.
Os processos de soldagem são utilizados nas mais diversas situações que vão desde um simples reparo, como o conserto de uma perna de cadeira metálica, até a construção de pontes e de super-petroleiros, ou seja, as aplicações práticas dependem do que se quer e são relacionadas diretamente ao que se precisa.
Autor deste trabalho posando para fotografia em frente da balsa graneleira Dona Gina Maçari recém-construída e posicionada no dique para inspeções finais antes da liberação
Resumo
A soldagem a arco elétrico é um método de união de um ou mais materiais com auxílio de calor e está condicionada a muitos fatores relativos ao meio no qual será empregada, pois apesar de ser um processo de união extremamente confiável e versátil, se o ambiente de trabalho estiver contaminado por sujeiras ou desorganização por parte dos trabalhadores, as inúmeras vantagens da soldagem podem ser eliminadas sobrando apenas desvantagens, gerando prejuízos. Uma soldagem empregada de modo correto contribui para a construção de pontes, petroleiros, balsas, veículos diversos que são essenciais à vida moderna.
3 Processo de soldagem eletrodos revestidos
Objetivos
Definir o processo de soldagem eletrodo revestido. Descrever as vantagens e desvantagens no emprego do processo eletrodo revestido. Reconhecer os principais componentes de uma bancada de soldagem eletrodo revestido. Demonstrar as particularidades dos principais tipos de revestimentos utilizados no processo eletrodo revestido.
Conceito
É um processo de soldagem ao arco elétrico com eletrodo revestido que consiste na abertura e na manutenção de um arco elétrico entre o eletrodo revestido e a peça a ser soldada, de modo a fundir simultaneamente o eletrodo e a peça. O metal fundido do eletrodo é transferido para a peça, formando uma poça de metal fundido que é protegida da atmosfera pelos gases de combustão do eletrodo e elementos geradores de escória presentes no revestimento e que são incorporados ao metal fundido no ato da combustão do revestimento exemplificado, de modo esquemático na Figura 3.1.
Existem várias entidades que classificam os eletrodos para soldagem a arco. No Brasil, as classificações mais adotadas são da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e da American Welding Society (AWS) – Associação Americana de Soldagem.
Aplicação
O eletrodo revestido é utilizado na soldagem de estruturas metálicas e montagem de vários equipamentos, tanto na oficina quanto no campo e até de baixo d’água para materiais de espessuras entre 1,5 mm a 50 mm e em qualquer posição. É um processo predominantemente manual, porém pode admitir alguma variação mecanizada. Os materiais soldados por esse processo são variados, como aço ao carbono, aço de baixa liga, média e alta ligas, aços inoxidáveis, ferros fundidos, alumínio, cobre, níquel e liga destes materiais.
4 Vantagens da utilização do processo de soldagem eletrodo revestido
• É bastante simples e versátil.
• Possui grande variedade de eletrodos, desde os tecnologicamente mais simples, até os eletrodos especiais para ligas especificas.
• Possui uma gama abrangente de bitolas para comportar igualmente uma faixa ampla de corrente e, possibilitar soldagens em espessuras próximas a 1,5 mm até espessuras que excedem os 50 mm sendo que a partir dos 4 mm utilizam-se passes múltiplos.
Desvantagens da utilização do processo de soldagem eletrodo revestido
• Em razão de ser um processo eminentemente manual, depende muito da habilidade do soldador. • Não se aplica a materiais de baixo ponto de fusão como chumbo, estanho, zinco e metais muito reativos, como titânio, zircônio, molibdênio e nióbio. • Possui baixa produtividade, devido principalmente a necessidade de reposição de eletrodos em tempos relativamente curto.
Equipamentos
• Fonte de energia.
• Alicate de fixação dos eletrodos.
• Cabos de interligação.
• Pinça para ligação à peça.
• Equipamentos de proteção individual.
• Equipamentos para limpeza da solda.
Eletrodo revestido
É um condutor metálico que permite a passagem de corrente elétrica. É constituído por um núcleo metálico chamado alma, envolvido por um revestimento composto de materiais orgânicos e/ou minerais, Figura 3.3.
5 Tipos de revestimentos
Revestimento ácido
revestimento médio ou espesso; produz uma escória abundante e de muito fácil remoção à base de óxido de ferro , óxido de manganês e sílica. Só é indicado para a posição plana. Recomenda-se utilizar CC- ou CA. Obtém-se média penetração.
Observação Os revestimentos oxidante e ácido não são muito utilizados hoje em dia.
Revestimento rutílico
revestimento com grande quantidade de rutilo (TiO2). Pode-se soldar em todas as posições. Pela sua versatilidade é chamado de eletrodo universal. Produz escória espessa, compacta, facilmente destacável e cordões de bom aspecto. Pode-se usar qualquer tipo de corrente e polaridade. Obtém-se média ou pequena penetração.
Revestimento básico
revestimento espesso, contendo grande quantidade de carbonato de cálcio. Produz pouca escória e com aspecto vítreo. O metal depositado possui muito boas características mecânicas. É aplicado em soldagem de grande responsabilidade, de grandes espessuras e em estruturas rígidas, por possuir mínimo risco de fissuração a frio e a quente. É um revestimento de baixo teor de hidrogênio e por isso altamente higroscópico (facilidade de absorver umidade). Trabalha-se com CC+ ou CA. Obtém-se média penetração.
Revestimento celulósico
revestimento que contém grandes quantidades de substâncias orgânicas combustíveis; produz grande quantidade de gases protetores e pouca escória. Produzem-se muitos salpico e a solda apresenta mau aspecto. Recomenda-se trabalhar com CC+, sendo, que em alguns tipos pode-se usar CA. Obtém-se alta penetração e bastante utilizada para passe de raiz, na soldagem fora de posição e na soldagem de tubulações.
Resumo
O processo de soldagem que gera arco elétrico com ajuda de um eletrodo revestido. O arco elétrico decompõe esse revestimento do eletrodo gerando, assim, uma coluna de gases entre a ponta do eletrodo e a peça. O metal fundido do eletrodo é transferido para a peça, formando uma poça de metal fundido que é protegida da atmosfera pelos gases de combustão do eletrodo.
O processo de soldagem eletrodo revestido pode ser considerado um dos mais versáteis dos processos de soldagem, pois possui uma variedade muito grande de tipos de eletrodos que vão desde os tecnologicamente mais simples até os eletrodos especiais para ligas específicas, além de abranger faixas de bitolas que podem ir de 1,5 mm até espessuras que excedem 50 mm e somado a tudo isso, podemos, inclusive, dizer que suas fontes de energia podem ser bem mais simples e robustas que a maioria das fontes de energia dos demais processos de soldagem a arco elétrico de materiais metálicos.