REVESTIMENTOS

Estradas e Pavimentação

1 Definição:

Revestimento é a camada do pavimento destinada a receber diretamente a ação do tráfego, devendo ser, tanto quanto possível, impermeável, resistente ao desgaste e suave ao rolamento. Também chamada CAPA ou camada de desgaste.

Principais funções:

  • Melhorar as condições de rolamento quanto ao conforto.
  • Resistir às cargas horizontais, tornando a superfície de rolamento mais durável. As cargas horizontais são ocasionadas pela frenagem e aceleração.
  • Tornar o conjunto impermeável, mantendo a estabilidade.

Terminologia dos revestimentos:

Os revestimentos podem ser agrupados de acordo com o seguinte esquema:

Concreto de cimento:

Mistura de cimento Portland, agregado graúdo, areia e água devidamente adensado e espalhado formando placas de concreto, separadas por juntas de dilatação. Funcionam como base e revestimento

Macadame cimentado:

Já visto na terminologia das bases.

Paralelepípedos rejuntados com cimento:

Já visto na terminologia das bases, porém o rejuntamento é feito com argamassa de cimento.

Em solo estabilizado:

É o chamado revestimento primário. Após a terraplanagem é colocado um material com determinada composição granulométrica, comumente denominado “saibro” ou “cascalho” , e que apresenta alguma plasticidade através da relação fino-grosso. Adiciona-se água e procede-se à compactação. É dito estabilizado porque a granulometria deve ser estudada de modo a proporcionar resistência à estrada. Novos “cascalhamentos” podem ser executados, por cima do revestimento antigo. É muito comum o uso em estradas vicinais, estradas de fazendas e pequenos acessos rurais. Também podem ser adicionados sais minerais e resinas, como nas bases estabilizadas.

Revestimento de alvenaria poliédrica / paralelepípedos:

O Pavimento de Alvenaria Poliédrica consiste de um revestimento de pedras irregulares/paralelepípedos, assentadas por processo manual, rejuntadas com areia, betume e assentes sobre um colchão de areia ou de solo estabilizado.

Blocos de concreto pré-moldados e articulados:

Consiste de revestimento de blocos de pré-moldados (bloquetes), assentados por processo manual, rejuntados com areia ou betume, assentes sobre o colchão de areia ou pó de pedra ou sub-base de solo estabilizado. Os componentes e processo construtivo: são semelhantes ao do revestimento de alvenaria poliédrica e paralelepípedos. O formato dos bloquetes pode ser variado: quadrado, hexagonal, tipo macho-fêmea, de encaixe.

Macadame betuminoso:

São os revestimentos betuminosos por penetração direta que consiste no espalhamento e compressão de uma camada de brita de granulometria apropriada seguida de aplicação do material betuminoso. O material betuminoso penetra nos vazios do agregado e um novo espalhamento de brita é feito, para preenchimento dos vazios superficiais, seguido de nova compressão.

Tratamentos superficiais:

São os revestimentos betuminosos por penetração invertida com aplicação de material betuminoso seguida de espalhamento e compressão de agregado de granulometria apropriada. Sua espessura é aproximadamente igual ao diâmetro do agregado empregado. Pode ser executado com os objetivos de impermeabilização, modificar a textura de um revestimento existente ou como revestimento final de um pavimento. Quando a operação executiva do tratamento simples é repetida duas ou três vezes, resultam os chamados tratamentos superficiais duplos e triplos.

Concreto asfáltico (CBUQ):

É um revestimento flexível, resultante da mistura a quente, em usina apropriada, de agregado mineral graduado, material de enchimento (fíler) e material betuminoso espalhado e comprimido a quente. Durante o processo de construção e dimensionamento, são feitas rigorosos exigências no que diz respeito aos equipamentos, granulometria, teor de betume, estabilidade, vazios etc. É considerado um revestimento nobre.

Pré-misturado à quente (PMQ):

Consiste na mistura íntima, devidamente dosada, de material betuminoso e agregado mineral em usina e na compressão do produto final, à quente, por equipamento apropriado. Quando os pré-misturados são executados em usinas têm-se os “plant mixer”e quando o ligante e o agregado são misturados e espalhados na pista ainda quente têm-se os “hot mix”ou “hot laid”.

Areia asfalto à quente:

Consiste na mistura de areia com um produto betuminoso obtido em usinas fixas. A areia utilizada, normalmente é a passante na # 10 (2mm), embora 2 ou 3 areias possam ser misturadas para se obter a granulometria desejada. Pode ser executada em duas camadas. Apresenta o inconveniente de produzir uma superfície lisa e macia, ocasionando problemas de escorregamento. Pode-se usar pedrisco para tornar a superfície mais áspera.

Camada porosa de atrito (CPA):

Camada de macrotextura aberta com elevada capacidade de drenagem através de uma estrutura de alto índice de vazios (18 – 25%). Suas principais vantagens são:

  • Redução dos riscos de aquaplanagem
  • Redução das distâncias de frenagem sob chuva
  • Aumento de distância de visibilidade. E diminuição da cortina de água (spray)
  • Menor reflexão luminosa
  • Maior percepção de sinalização vertical durante a noite
  • Redução dos níveis de “Stress” do usuário

Stone matrix asphalt (SMA):

Revestimento caracterizado por elevada % de agregados graúdos, que formam uma estrutura descontínua semelhante a uma parede de pedra de elevado atrito interno. Os vazios do esqueleto mineral são preenchidos com ligante modificado por polímeros, fíler mineral e fibras orgânicas. Suas principais vantagens são:

  • Melhoria das condições mecânicas do pavimento: Resistência à deformação, fissuração e desgaste
  • Melhoria das características funcionais como resistência à derrapagem, redução do spray e reflexão de luz.

Pré-misturado a frio:

É o produto obtido da mistura de agregado mineral e emulsão asfáltica ou asfalto diluído, em equipamento apropriado, sendo a mistura espalhada e comprimida a frio. Os agregados também não são aquecidos. A mistura obedece a métodos de dimensionamento próprios e são produzidos em usinas simplificadas, sem a existência de secadores, ou através do uso de betoneiras. Neste tipo de mistura é permitida a estocagem durante certo período de tempo. Muito utilizado em serviços de conservação, mas também pode ser usado como revestimento final, porém com qualidade inferior. Podem ser designados pelo nome de “cold laid”. Dependendo da granulometria, pode ter as designações: pré-misturado a frio denso ou aberto.

Areia asfalto a frio:

É a mistura de asfalto diluído ou emulsão asfáltica e agregado miúdo, na presença ou não de material de enchimento, em equipamento apropriado. O produto é espalhado e comprimido a frio.

Lama asfáltica (não é considerada revestimento):

É uma associação (mistura), em consistência fluida, de agregados ou misturas de agregados miúdos, fíler (ou material de enchimento) e emulsão asfáltica, devidamente espalhada e nivelada. É geralmente empregada no rejuvenescimento de pavimentos asfálticos (pavimentos desgastados) ou como camada de desgaste e impermeabilizante nos tratamentos superficiais ou macadame betuminoso.

Por apresentar condições de elevada resistência à derrapagem, devido a seu alto coeficiente de atrito, é também empregada na correção de trechos lisos e derrapantes. A espessura final é da ordem de 4mm e a compactação é executada pelo próprio tráfego. A lama asfáltica não é considerada um revestimento propriamente dito e sim um ótimo processo para preservar e manter revestimentos betuminosos.

Misturas graduadas:

Consiste em mistura, na própria pista, de agregado de granulometria determinada com um produto betuminoso líquido. São usados asfaltos diluídos ou emulsão. Por serem feitos no próprio leito são também chamados de pré-misturados na pista ou “RoadMixer”.

Areia asfalto no leito:

Similar às misturas graduadas, porém usando-se apenas o agregado miúdo (areia) e o material betuminoso (asfalto diluído ou emulsão).

2 Revestimentos flexíveis por penetração:

Tratamento superficial simples:

É uma camada de rolamento constituída de material betuminoso e agregado na qual o agregado é colocado uniformemente sobre o material betuminoso, aplicado numa só camada. A penetração do asfalto é de baixo para cima. A espessura final é aproximadamente igual ao diâmetro máximo do agregado. (max. 38mm; mais comum: 25mm).

Utilização:

  • Melhorar condições de um pavimento existente. (Liso derrapante)
  • Camada de rolamento.
  • Rejuvenescer e enriquecer um pavimento antigo ressecado e gasto

a) Propriedade dos agregados:

Devem ser limpos e isentos de pó para não prejudicar a adesão do betume. O tamanho deve ser o mais uniforme possível. As partículas menores são cobertas pelo betume, as grandes que não são aderidas pelo ligante podem causar “ricochete”, perigoso ao tráfego. A forma ideal é a piramidal ou cúbico A dureza depende da natureza do tráfego e tipo de rocha. O desgaste “ Los Angeles “ não deve ser superior a 40%. Os tipos mais usados são: pedra britada, escória britada e cascalho, seixos rolados.

b) Propriedade dos ligantes:

Os fatores que mais influenciam na escolha dos ligantes são: temperatura da superfície de aplicação, temperatura ambiente, umidade e vento, condições da superfície, tipos e condições do agregado e equipamento utilizado. No espalhamento devem ser suficientemente fluidos para aplicação uniforme sobre a superfície. No espalhamento dos agregados também devem estar fluidos para aderir aos agregados, com adesão inicial rápida entre agregado, ligante e superfície da rodovia. Após conclusão devem ter viscosidade adequada para reter o agregado no lugar.

Os materiais betuminosos mais empregados são:

  1. Cimento asfáltico do petróleo: tipo CAP-7 e CAP-150/200.
  2. Asfalto diluído : tipo CR-250.
  3. Emulsão asfáltica: RR-2C.

As temperaturas da aplicação dependem dos tipos de ligante e são fixadas em função da viscosidade:

  • CAP: 20 a 60 SSF.
  • AD: 20 a 60 SSF.
  • E.A: 20 a 100 SSF

c) Métodos de dosagem:

1- Método direto para a determinação da taxa de agregado Ensaio da placa: espalha-se o agregado sobre uma placa de área conhecida de modo a formar uma superfície uniforme obtendo-se então a taxa em kg/m2 ou l/m2 (3 determinações).

2- Método de Hanson (indireto) para determinação da taxa de ligante e agregado. A espessura da camada de agregados após compactação deve ser igual a espessura média da menor dimensão (ALD). A ALD é função do tamanho médio do agregado (tamanho de 50% Passante), obtido na curva granulométrica e do Índice de cubicidade. A dosagem do agregado é feita da seguinte maneira:

VA = 1,84 x ALD onde: Va ->  Volume da camada solta de agregado em l/m2.

ALD ->  em mm.

A dosagem do ligante é assim determinada:

VL = 0,133 x ALD onde: VL ->  Volume de ligante em l/m2.

ALD -> em mm.

Exemplo (Figura 40):

Esp. média do agregado = 7/16” 1,11 cm 

Índice de cubicidade: 20

Pelo gráfico dado a seguir: ALD = 0,31” 7,87 mm. Então:

VA = 1,84 x 7,87 = 14,5 l/m2 .

VL = 0,133 x 7,87 = 1,05 l/m2 .

3- Método Podestá-Tagle (indireto) para determinação da taxa de ligante

Conhecido como a regra 9-5-3 e a dosagem obedece às relações:

d) Equipamentos utilizados:

1- Distribuidor de Betume sob pressão São veículos equipados com tanques para depósito de material betuminoso. Estes tanques são providos de condutores, termômetros, anteparos de circulação, porta de visita, tubo de ladrão. As funções de bomba são: Encher o tanque; circular material na barra espargidora e tanque; espalhar material através da barra espargidora e espalhador manual; conduzir material da barra espargidora para o tanque e bombear o material do tanque para o recipiente de armazenamento.

2- Espalhador de agregados

O espalhamento dos agregados poderá ser feito de várias maneiras, como por exemplo:

  • Através da portinhola traseira do caminhão basculante
  • Espalhador giratório
  • Espalhador mecânico (Spreader)
  • Espalhador de agregado auto propulsor

3- Rolos Compressores:

Preferência para rolos pneumáticos. Os rolos tandem liso normalmente são evitados pois as rodas lisas formam espécie de ponte sobre as partículas maiores causando pequenas depressões. Podem esmagar partículas maiores causando deterioração do revestimento. A compactação deve ser feita até se garantir a retenção do agregado no material betuminoso. Deve ser paralisada quando houver esmagamento.

e) Sequência construtiva (figura 41):

  • Preparo da pista
  • Aplicação do ligante betuminoso
  • Espalhamento do agregado
  • Compressão
  • Varredura por arrasto final

f) Abertura do tráfego:

Quando for usado asfalto diluído deve-se jogar agregado fino sobre a superfície (± 24h). Quando for usado CAP o tráfego pode ser aberto logo após o espalhamento do agregado porem com tráfego controlado. Para abrir tráfego junto com a compactação a velocidade máxima é de 10 km/h e após 24 horas continuar controlando com velocidade aproximada de 40 km/h.

g) Especificações (DNER):

 

h) Controles:

  • Para a quantidade dos materiais (Asfalto e agregado).
  • Temperatura de Aplicação.
  • Quantidade de material betuminoso
  • Uniformidade de aplicação.
  • Controle geométrico.

Figura 41 - Esquema de Execução de Tratamento Superficial Simples

Tratamento superficial duplo:

Consiste de duas aplicações sucessivas de material betuminoso sobre uma base previamente preparada, cobertas, cada uma, por agregado mineral. As propriedades dos ligantes e agregados, os equipamentos assim como os controles são os mesmos indicados para o Tratamento Superficial Simples

a) Sequência construtiva:

  • Primeira aplicação de ligante
  • Primeira aplicação de agregado
  • Primeira compactação e varredura por arrasto
  • Segunda aplicação de ligante
  • Segunda aplicação de agregado
  • Compactação e varredura por arrasto fina

b) Especificações (DNER):

  • Granulometria: específica para 1ª e 2ª camadas
  • Ligantes: 1ª camada: 1,3l/m2 ; 2ª camada 1,0 l/m2
  • Agregado: 1ª camada: 25 kg/m2 ; 2ª camada: 12 kg/m2

Tratamento superficial triplo:

Camada de rolamento composta de material betuminoso e agregado na qual o agregado graúdo é aplicado uniformemente sobre uma aplicação inicial de material betuminoso e seguido de duas aplicações subsequentes de material betuminoso cobertas respectivamente por agregados médios e miúdos.

a) Especificações (DNER)

  • Granulometrica: especificar para 1ª, 2ª, e 3ª camada.
  • Ligantes: 1ª camada: 1,5 l/m2 ; 2ª camada: 1,5 l/m2 ; 3ª camada: 0,5 l/m2 .
  • Agregados: 1ª camada: 36 kg/m2 ; 2ª camada: 16 kg/m2 ; 3ª camada: 7 kg/m2

Macadame betuminoso por penetração direta:

Consiste em duas aplicações alternadas de ligantes betuminoso sobre agregados de tamanhos e quantidades especificados, devidamente espalhados, nivelados e compactados.

a) Materiais empregados:

Material betuminoso:

  • CAP-7; CAP 150/200
  • Emulsão asfáltica: RR-1C e RR2C

Agregados:

  • Pedra britada, cascalho ou seixo rolado.

b) Equipamentos para execução:

Idem dos Tratamentos Superficiais

c) Sequência construtiva (figura 42):

  • Preparo da pista: pista nivelada, base pronta, imprimada e varrida.
  • Espalhamento do agregado graúdo: Recomenda-se o espalhador mecânico completado as falhas manualmente.
  • 1ª Compressão: apenas do agregado espalhado
  • 1ª Aplicação de material betuminoso
  • Espalhamento do agregado médio
  • 2ª compressão: - 2ª Aplicação de material betuminoso
  • Espalhamento de agregado miúdo
  • 3ª Compressão.

d) Especificações:

As quantidades a serem aplicadas são as indicadas em especificação própria, porém valores exatos devem ser fixados no projeto.

As quantidades de material em geral são da ordem de:

  • Material betuminoso: ± 1,0 l/m2 por centímetro de espessura.
  • Agregado mineral:Esp. de 2,5 cm : ± 30 l/m2      Esp. de 7,5 cm : ± 90 l/m2

e) Controles:

Os controles tecnológicos empregados são os seguintes:

  • Qualidade do material betuminoso: Ensaios de viscosidade, ponto de fulgor, etc
  • Qualidade dos agregados: Granulometria, Los Angeles, durabilidade
  • Temperatura de aplicação do ligante: verificado no caminhão
  • Quantidade de ligante: Régua graduada ou bandeja
  • Quantidade de agregado
  • Uniformidade de aplicação.

Os controles geométricos são os seguintes:

± 10% de variação da espessura de projeto para pontos isolados

Revestimentos flexíveis por mistura:

As misturas asfálticas são tradicionalmente classificadas em:

a) Misturas a quente: realizadas com CAP ou CAN, que são produtos semi-sólidos na temperatura ambiente, sendo confeccionadas, espalhadas e compactadas em temperaturas bem acima da ambiente (T>90ºC). Os agregados também são aquecidos.

b) Misturas a frio: São aquelas realizadas com asfaltos liquefeitos (Emulsão asfálticas e asfaltos diluídos) que podem ser ligeiramente aquecidos (T 50º C). Os agregados normalmente não são aquecidos e a mistura é sempre espalhada e compactada à temperatura ambiente.

As principais vantagens e desvantagens das misturas a quente e a frio podem ser assim resumidas:

 

Concreto Asfáltico (Concreto Betuminoso Usinado a Quente-CBUQ)

Pré-Misturado a Quente (PMQ):

São as misturas asfálticas constituídas por agregados e argamassa asfáltica. Se forem preparados com especificações mais exigentes recebem o nome de concreto asfáltico (CBUQ). Se as características desta mistura forem menos nobres recebem o nome de pré-misturado a quente (PMQ) . Não confundir Concreto Betuminoso mal executado com PMQ. O PMQ é um CBUQ sem controle, de características menos nobres. Não existe especificação rígida de projeto.

Argamassas asfálticas:

São as misturas asfálticas constituídas de agregado miúdo, material betuminoso (CAP), podendo ou não ter o filer.

Areia-asfalto a quente:

Consiste na mistura, a quente, em usina apropriada de agregado miúdo, cimento asfáltico, com presença ou não de material de enchimento (filer). O espalhamento e compressão são feitos a quente.

Os materiais normalmente empregados são:

  • Material betuminoso: CAP 20 ou CAP 40
  • Agregado miúdo: areia ou pó de pedra, ou mistura.
  • Filer: materiais minerais não plásticos e inertes: Cimento, pó calcário, cal extinta.

O projeto de mistura é feito através do Método Marshall ou Hubbard Field. Quando a mistura tem a presença de filer, pode ser chamada de Sheet Asphalt, quando não tem material de enchimento na sua constituição é normalmente chama de areia-asfalto. A espessura final após compactação não deve ultrapassar 5 cm, sendo normalmente utilizada como revestimento ou como camada de regularização ou nivelamento. As especificações indicam três faixas granulométricas. Duas ou mais areias podem ser misturadas para se obter a granulometria desejada. O processo construtivo é idêntico ao do CBUQ, podendo ser distribuídas em duas camadas, e os controles também são os mesmos. Seu principal inconveniente é deixar a superfície lisa e macia, tornando-a escorregadia. Pode-se usar pedrisco para tornar a superfície mais áspera.

Pré-Misturado a Frio (PMF):

É a mistura preparada, em usina apropriada, com agregado mineral e ligante asfáltico liquefeito (geralmente emulsão asfáltica catiônica), espalhada e compactada na pista a temperatura ambiente, podendo ser usada em revestimento e base.

  • Pré-Misturado a Frio Aberto (PMFA): É o PMF com pouca ou nenhuma quantidade de agregado miúdo e filer. Depois de compactado apresenta grande teor de vazios. Pode ser designado pelo nome de PréMisturado Tipo Macadame, suja composição da mistura pode ser enquadrada em seis faixas granulométricas. A especificação DNER-ES 106/80 trata deste tipo de mistura.
  • Pré-Misturado a Frio Semi-Denso(PMFsD): É o PMF com média quantidade de agregado miúdo e filer.
  • Pré-Misturado a Frio Denso (PMFD): É o PMF com apreciável quantidade de agregado miúdo e filer. Após compactado apresenta baixo teor de vazios.

Estes dois últimos tipos (mais fechados) são conseguidos através da escolha conveniente da faixa granulométrica de modo a aumentar ou diminuir o índice de vazios. A especificação DNER-ES 105/80 apresente mais seis faixas granulométricas para a composição da mistura.

a) Materiais:

  • Agregado mineral: Mistura de materiais que atendam as especificações próprias, constituída de agregado graúdo, agregado miúdo e filer.
  • Ligante: normalmente são utilizadas Emulsões asfálticas do tipo: RL-1C, RM-1C e RM-2C. Em algumas situações pode ser usado Asfalto Diluído tipo CR-250 (para pré-misturados densos) porém a maioria das aplicações no Brasil é feita com Emulsões Asfálticas

b) Dosagem:

O método Marshall é o mais utilizado, sendo inclusive normalizado pelo DNER através do método de ensaio DNER-ME 107/80 (Ensaio Marshall para misturas betuminosas a frio com emulsão asfáltica).

c) Equipamentos:

São utilizadas usinas tipo “pugmil” ou “multmix” ou betoneiras. Dispensam uso de secadores e apresentam dispositivo para umedecimento da mistura, Silos e Correias transportadoras. A Figura 43 mostra o esquema de uma misturadora de PMF. Para espalhamento do mistura na pista podem ser usado acabadora automotriz, distribuidor de agregado ou motoniveladora (patrol). Os compactadores mais utilizados são os rolos lisos tandem, pneumático e vibratório liso. O transporte é feito por caminhões basculante.

d) Processo construtivo:

A rolagem é feita após início da ruptura (ou cura) do ligante. É permitida a estocagem por certo período de tempo (depende do ligante). Em dias de chuva, pode-se produzir material. O aspecto durante confecção e espalhamento apresenta uma cor amarronzada, após a ruptura do ligante (emulsão) a coloração modifica-se para preto.

e) Controles de execução (similares ao CBUQ):

  • Qualidade da emulsão: viscosidade, sedimentação, etc.
  • Qualidade dos agregados: granulometria, Los Angeles, durabilidade, etc.
  • Controle do teor de ligante: ensaio de extração.
  • Controle da graduação da mistura: após ensaio extração do betume.
  • Controle das características Marshall da mistura.
  • Controle de compactação: corpo-de-prova extraído c/ sonda rotativa ou anéis de aço.
  • Controle de espessura
  • Controle do acabamento

Areia-asfalto a frio:

Mistura de asfaltos diluídos ou emulsões asfálticas com agregado miúdo, na presença ou não de material de enchimento, em equipamento apropriado. O produto é espalhado e comprimido a frio. Aguardar 2 horas após espalhamento da massa na pista.

Lama-asfáltica (não é revestimento):

É uma associação (mistura) em consistência fluídica, de agregado ou misturas de agregados miúdos, filer (material de enchimento) e emulsão asfáltica, (LA-1C, LA-2C) devidamente espalhada e nivelada.

a) Emprego:

  • Rejuvenescimento de pavimentos asfálticos: quando estes se encontrarem desgastados ou envelhecidos.
  • Camada de desgaste e impermeabilizante: principalmente nos tratamentos superficiais ou macadames betuminosos.
  • Correção de trechos lisos e derrapantes: devido às suas condições de elevada resistência à derrapagem ou seja, apresenta um alto coeficiente de atrito.

b) Execução:

  • Em equipamento apropriado.
  • Espalhamento direto da mistura sobre a superfície antiga.
  • Espessura final em torno de 4mm
  • Não é necessário compactação, o próprio tráfego se encarrega desta atividade.

Misturas graduadas:

Consiste em mistura, na própria pista, de agregados de granulometria específica com um produto betuminoso líquido. São utilizados asfaltos diluídos ou emulsão asfáltica.

Processo construtivo:

  • preparo da base
  • espalhamento do agregado
  • 1ª aplicação de agregado
  • mistura (esparrame) com moto-niveladora, grade, fazendo eiras
  • aplicação complementar de betume
  • compactação.
  • 2ª aplicação de agregado miúdo e betume
  • Podem-se usar máquinas móveis (pulvimix)

Areia-asfalto no leito:

Similar ao anterior, porém usa-se apenas agregado miúdo (areia) e o material betuminoso (Asfalto Diluído ou Emulsão Asfáltica).

3 Revestimentos flexíveis em solo estabilizado (revestimento primário):

São aqueles feitos logo após a terraplanagem, onde o material é lançado sobre um subleito regularizado, apresentando uma determinada granulometria, normalmente um saibro ou cascalho. Este material também deverá apresentar alguma plasticidade através da relação fino-grosso.

Processo executivo:

  • Distribuição do material sobre a pista e espalhamento através de motoniveladora por toda a seção transversal.
  • Pode ou não haver compactação
  • Também podem ser adicionados estabilizantes (sais minerais e resinas) como nas bases estabilizadas.

Revestimentos de alvenaria poliédrica / paralelepípedos:

Consiste de um revestimento de pedras irregulares/Paralelepípedos, assentadas por processo manual, rejuntadas com areia/betume e assentes sobre um colchão de areia ou sub-base de solo estabilizado.

a) Componentes:

  • Guia: é uma peça prismática de rocha ou concreto, com seção retangular ou trapezoidal, destinada a limitar a pista pavimentada, proteger o calçamento e evitar o deslocamento dos poliedros e paralelepípedos.
  • Meio-fio: é o conjunto de guias assentadas e alinhadas ao longo das bordas da pista.
  • Espelho: é a parte do meio fio, na face livre, aproximadamente vertical, que constitui o ressalto entre o nível do pavimento e o da calçada ou passeio.
  • Cordão (tento): é a peça da rocha ou de concreto, com seção retangular ou trapezoidal, destinada a ser assentada com o piso coincidindo com a superfície dos poliedros e dos paralelepípedos, com a finalidade de proteger os bordos do pavimento ou amarrar determinadas seções do mesmo.
  • Pedras mestras: são os primeiros poliedros ou paralelepípedos assentados em alinhamentos paralelos ao eixo da pista, destinados a servir de guia para o assentamento dos demais.

b) Materiais:

As pedras poliédricas terão uma face para rolamento, aproximadamente plana e que se inscreva em círculos de raios entre 5 e 10 cm e altura entre 10 e 15 cm. Os paralelepípedos deverão apresentar aproximadamente 10x20x15 . Os meios-fios terão seções aproximadamente retangulares, com dimensões mínimas de 18 cm de piso, 40 cm de altura e 80 cm de comprimento quando reto e 60 cm de comprimento quando curvo e serão aparelhados no piso e no espelho.

Os cordões ou tendões terão seção aproximadamente retangular, com dimensões mínimas de 12 cm no piso, 30 cm na altura e 50 cm no comprimento e serão aparelhados no piso. Se usar areia para o colchão, esta deverá ter partículas limpas, duras e duráveis, preferencialmente silicosas, isentas de torrões de terra e de outras substâncias estranhas. Quando empregada uma sub-base estabilizada, esta deverá satisfazer as especificações para este tipo de serviço. Para o rejuntamento pode ser usado cimento asfáltico de penetração 50-60.

c) Processo construtivo:

  • Preparo do subleito: feito de acordo com as normas e especificações para regularização do subleito.
  • Execução dos meios-fios: deverá ser aberta uma vala para assentamento das guias, ao longo dos bordos do subleito preparado, obedecendo ao alinhamento, perfil e dimensões estabelecidas no projeto.
  • Assentamento das pedras poliédricas /paralelepípedos: sobre o leito preparado será espalhada uma camada uniforme de areia ou pó de pedra, numa espessura máxima de 8cm, destinada a compensar as irregularidades e desuniformidades das pedras poliédricas e/ou paralelepípedos.

Blocos de concreto pré-moldados e articulados:

Consiste do assentamento de blocos de concreto pré-moldado (bloquetes) através de processo manual, rejuntados com areia ou betume sobre colchão de areia ou pó de pedra ou sub-base de solo estabilizado.

  • Componentes e processo construtivo: idem ao anterior
  • Formato das peças (Bloquetes): retangulares, hexagonais, tipo macho e fêmea, de encaixe, etc. A figura 45 mostra alguns detalhes do processo construtivo para estas últimas soluções por calçamento.