A estrutura do Ensino fundamental na BNCC:
Didática e Técnicas de Ensino
1 Materiais de apoio:
Prezado Aluno(a),
Como você sabe, hoje em dia, o conhecimento está a um clique de distância e, pensando nisso, nós da WR Educacional, preparamos algumas sugestões para que você seja um profissional atualizado e tenha àquele diferencial que o mercado de trabalho procura e deseja.
A fim de ampliar e fundamentar seus conhecimentos sobre este assunto, nesse caso sobre "A estrutura do Ensino fundamental na BNCC:" oferecemos materiais de estudo e também vídeos sobre o assunto. Segue abaixo os links para um estudo aprofundado:
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Vídeos:
2 Estrutura Geral da BNCC
A estrutura geral da BNCC para as três fases da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio). Lembrando que as dez competências gerais da Educação Básica devem ser trabalhadas ao longo dessas etapas:
Ensino Fundamental:
O Ensino Fundamental é dividido em áreas do conhecimento, competências especificas de área, componentes curriculares e Competências específicas de componente. E é divido em:
- anos iniciais: 1º ao 5º ano
- anos finais: período formado pelo 6º ao 9º ano
Ele dividido em cinco áreas do conhecimento. Essas áreas, como bem aponta o Parecer CNE/CEB nº 11/201024, “favorecem a comunicação entre os conhecimentos e saberes dos diferentes componentes curriculares” (BRASIL, 2010). e preservem as especificidades e os saberes próprios construídos e sistematizados nos diversos componentes.
A seguir mostraremos como identificar os objetivo de aprendizagem e desenvolvimento através do código alfanumérico no ensino fundamental:
3 O Ensino Fundamental - Anos Iniciais e Finais:
O ensino fundamental, com nove anos de duração, é a etapa mais duradoura da Educação Básica, atendendo os alunos entre 6 a 14 anos. Existem , porém , crianças e adolescentes que, ao longo deste tempo, passam por uma série de mudanças que estão relacionadas a aspectos físicos ,cognitivos ,afetivos ,sociais , emocionais ,entre outros.
Como já foi falado nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de Nove Anos (Resolução CNE/CEB nº 7/2010) , essas mudanças se impõem desafios para elaborar currículos para essa etapa de escolarização, de maneira a superar as rupturas que acontecem na passagem não apenas entre as etapas da Educação Básica , mas também entre as duas da fases do Ensino Fundamental : Anos Iniciais e anos Finais.
Anos iniciais:
A BNCC do Ensino Fundamental – Anos Iniciais , ao valorizar as situações lúdicas de aprendizagem, indica para a necessária articulação com as experiências vivenciadas na Educação Infantil.
Tal articulação deve prever tanto a progressiva sistematização dessas experiências quanto ao seu desenvolvimento , pelos alunos, de novas formas de relação com o mundo, novas possibilidades de ler e formular hipóteses a cerca dos fenômenos , de testá-las, de refutá-las, de elaborar conclusões , em uma atitude ativa na construção de conhecimentos.
Nesse período da vida, as crianças estão passando por mudanças importantes no seu processo de desenvolvimento que repercutem em suas relações com elas mesmas, com outros e com o mundo.
Como é destacado na DCN, a maior desenvoltura e a maior autonomia em movimentos e deslocamentos ampliam suas interações com o espaço, a relação várias linguagens, que inclui os usos sociais da escrita e da matemática, permite a participação no mundo letrado e a construção de novas aprendizagens, na escola e para além dela:
A afirmação de sua identidade em relação ao coletivo no qual se inserem resulta em formas mais ativas de se relacionarem com esse coletivo e com as normas que regem as relações entre as pessoas dentro e fora da escola, pelo reconhecimento das suas potencialidades e pelo acolhimento e pela valorização de suas diferenças.
Ampliam também as experiências para o desenvolvimento da oralidade e dos processos de percepção, compreensão e representação, que são elementos importantes para a apropriação do sistema de escrita alfabética e de outros sistemas de representação, como os signos matemáticos, os registros artísticos, midiáticos e científicos e as formas de representação do tempo e do espaço.
Os alunos se encontram com uma variedade de situações que envolvem conceitos e fazeres científicos, desenvolvendo observações, análises, argumentações e potencializando descobertas.
As experiências das crianças em seu meio familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais variadas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam a sua curiosidade e a criação das perguntas.
Estímulos:
O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer as perguntas e de avaliar as respostas, de argumentar , de interagir com várias produções culturas, de usar as tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos aumentar a sua compreensão de si mesmo, do mundo natural e social , das relações entre dos seres humanos entre si e com a natureza.
As características dessa idade demandam um trabalho no ambiente escolar que se organize ao redor dos interesses que são manifestados pelas crianças, das suas vivências mais imediatas para que, com base nisso, elas possam, gradativamente ampliar essa compreensão, o que se dá pela mobilização de operações cognitivas cada vez mais complexas e pela sensibilidade para apreender o mundo, expressar-se sobre ele e nele atuar.
Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica precisa ter como foco a alfabetização, a fim de garantir grandes oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de maneira articulada ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos. Como aponta o Parcer CNE/CEB nº11/2010 , os conteúdo dos vários componentes curriculares [...] ao descortinarem ás crianças ao conhecimento do mundo por meio de novos olhares, lhes oferecem a oportunidade de executar a leitura e a escrita de uma maneira mais significativa.
Ensino Fundamental - Anos Iniciais e Finais
No decorrer do Ensino Fundamental – Anos iniciais, a progressão do conhecimento acontece pela consolidação das aprendizagens anteriores e pela ampliação das práticas de linguagem e da experiência estética e intercultural das crianças , considerando tanto seus interesses e suas expectativas quanto o que ainda precisam aprendem.
Ampliam-se a autonomia intelectual, a compreensão de normas e os interesses pela vida social, o que lhes da á possibilidade de lidar com sistemas mais amplos, que dizem respeito ás relações dos sujeitos entre si, com a natureza, com a história , com a cultura, com as tecnologias e com o seu ambiente.
Além dos aspectos que são relativos á aprendizagem e ao desenvolvimento, na elaboração dos currículos e das propostas pedagógicas devem ainda ser consideradas medidas para poder assegurar aos alunos um percurso contínuo de aprendizagens entre as duas fases do Ensino Fundamental, de maneira a promover uma maior integração entre elas.
Em conclusão, essa transição se caracteriza por mudanças pedagógicas na estrutura educacional, decorrentes principalmente da diferenciação dos componentes curriculares. Como destaca o Parecer CNE/CEB nº 11/2010, “os alunos, ao mudarem do professor generalista dos anos iniciais para os professores especialistas dos diferentes componentes curriculares, costumam se ressentir diante das muitas exigências que têm de atender, feitas pelo grande número de docentes dos anos finais” (Brasil, 2010).
Realizar as necessárias adaptações e articulações, tanto no 5º quanto no 6º ano, para estar apoiando os alunos no processo de transição, pode estar evitando rompimento no processo de aprendizagem , garantindo maiores condições de sucesso.
Ensino Fundamental - Anos Finais
No decorrer do Ensino Fundamental – Anos Finais , os estudantes se encontram com desafios de maior complexidade, ainda mais devido á necessidade de se apropriarem das diferentes lógicas de organização dos conhecimentos relacionas ás áreas. Tendo em conta essa maior especialização, é importante que, nos vários componentes curriculares, retomar e ressignificar as aprendizagens do Ensino Fundamental – Anos Iniciais no contexto das diferentes áreas, tendo em vista o aprofundamento e á ampliação de repertório dos estudantes.
Nesse modo , também é importante fortalecer a autonomia desses adolescentes, oferecendo-lhes condições e ferramentas necessárias para acessar e interagir criticamente com diferentes conhecimentos e fontes de informação.
Os estudantes dessa fase estão inseridos em uma faixa etária que corresponde á transição entre a infância e adolescência, que é marcado por intensas mudanças decorrentes de transformações biológicas, psicológicas, sociais e emocionais.
Nesse período da vida, como aponta o Parecer CNE/CEB nº11/2010, ampliam-se os vínculos sociais e os laços afetivos, as possibilidades intelectuais e as capacidade de raciocínios mais abstratos.
Os estudantes tornam-se mais capazes de ver e avaliar os fatos pelo ponto de vista do outro, exercendo a capacidade de descentração , “importante na construção da autonomia e na aquisição de valores morais e éticos” (BRASIL, 2010).
As mudanças próprias dessa fase da vida implicam a compreensão do adolescente como a pessoa em desenvolvimento, com singularidade e formações identitárias e culturais próprias, que precisam de práticas escolares diferenciadas, capazes de contemplar suas necessidades e diferentes maneiras de inserção social. Conforme reconhecem as DCN é frequente, nessa etapa.
Observar forte adesão aos padrões de comportamento dos jovens da mesma idade, o que é evidenciado pela forma de se vestir e também pela linguagem utilizada por eles. Isso requer dos educadores maior disposição para entender e dialogar com as formas próprias de expressão das culturas juvenis, cujos traços são mais visíveis, sobretudo, nas áreas urbanas mais densamente povoadas (BRASIL, 2010).
Precisamos considerar , ainda , que a cultura digital tem promovido mudanças sociais que são significativas nas sociedades contemporâneas. Em decorrência do avanço e da multiplicação das tecnologias de informação e comunicação e do crescente acesso a elas pela maior disponibilidade de computadores, telefones celulares, tablets e afins, os estudantes estão dinamicamente inseridos nessa cultura, não apenas como consumidores.
Jovens e a cultura digital:
Os jovens têm se engajado cada vez mais como protagonistas da cultura digital, envolvendo-se diretamente em novas formas de interação multimidiática e multimodal e de atuação social em rede, que se realizam de modo cada vez mais ágil.
Por sua vez, essa cultura também apresenta um forte apelo emocional e induz ao imediatismo de respostas e á efemeridade das informações, privilegiando análises superficiais e o uso de imagens e formas de expressão mais sintéticas, diferentes dos modos de dizer e argumentar característicos da vida escolar.
Todo esse quadro impõe á escola desafios ao cumprimento do seu papel em relação á formação das novas gerações. É importante que a instituição escolar preserve o compromisso de estimular a reflexão e a análise aprofundada e contribua para o desenvolvimento, no estudante, de uma atitude critica em relação ao conteúdo e á multiplicidade de ofertas midiáticas e digitais.
Porém, também é imprescindível que a escola compreenda e incorpore mais novas linguagens e seus modos de funcionamento, desvendando possibilidades de comunicação ( e também de manipulação ), e que eduque para usos mais democráticos das tecnologias e para uma participação mais consciente na cultura digital.
Para aproveitar o potencial de comunicação do universo digital, a escola pode instituir novos modos de promover a aprendizagem, a interação e o compartilhamento de significados entre professores e estudantes.
Além do mais, e tendo como base o compromisso da escola de propiciar uma formação integral, balizada pelos direitos humanos e princípios democráticos , é preciso considerar a necessidade de desnaturalizar qualquer forma de violência nas sociedades contemporâneas, incluindo a violência simbólica de grupos sociais que impõem normas, valores e conhecimentos tidos como universais e que não estabelecem diálogo entre as diferentes culturas presentes na comunidade e na escola.
Em todas as etapas da escolarização, mas de maneira especial entre os estudantes dessa fase do Ensino Fundamental, esses fatores geralmente dificultam a convivência cotidiana e a aprendizagem, que conduz ao desinteresse e à alienação e, não raro, á agressividade e ao fracasso escolar. Atenta a culturas distintas, não uniformes nem contínuas dos estudantes dessa etapa, se faz é necessário que a escola dialogue com a diversidade de formação e vivências para enfrentar com sucesso os desafios de seus propósitos educativos.
A compreensão dos estudantes como sujeitos com histórias e saberes construídos nas interações com outras pessoas, tanto do entorno social mais próximo quanto do universo da cultura midiática e digital, fortalece o potencial da escola como espaço formador e orientador para a cidadania consciente, crítica e participativa.
Nessa direção, no Ensino Fundamental – Anos Finais, a escola pode ajudar para o delineamento do projeto de vida dos estudantes, ao estabelecer uma articulação não apenas com os anseios desses jovens em relação ao seu futuro, como também com a continuidade dos estudos no Ensino Médio. Esse processo de reflexão sobre o que cada jovem quer ser no futuro, e de planejamento de ações para construir esse futuro, pode representar mais uma possibilidade de desenvolvimento pessoal e social.
4 As Áreas do conhecimento prevista pela BNCC
A organização estrutural da BNCC no Ensino Fundamental como um todo se dá por áreas do conhecimento, da mesma forma que acontece no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Tal organização busca favorecer a comunicação entre os conhecimentos e aprendizagens das várias disciplinas, agora chamadas de componentes curriculares.
As áreas do conhecimento que são previstas pela BNCC são: 1) Linguagens, 2) Matemática, 3) Ciências da Natureza e 4) Ciências Humanas, sendo que cada uma delas têm competências específicas de área – reflexo das dez competências gerias da BNCC, que devem ser promovidas ao longo de todo o Ensino Fundamental.
De acordo com a BNCC, “as competências específicas possibilitam a articulação horizontal entre as áreas, perpassando todos os componentes curriculares, e também a articulação vertical, ou seja, a progressão entre o Ensino Fundamental – Anos Iniciais e o Ensino Fundamental – Anos Finais e a continuidade das experiências dos alunos, considerando suas especificidades.”
Assim, para além das competências, cada uma dessas áreas tem papel fundamental na formação integral dos alunos do Ensino Fundamental. Isso aparece em textos de apresentação das áreas na BNCC. Além de mostrar tal papel, o documento dá destaque às particularidades do segmento, levando em consideração as especificidades e as demandas pedagógicas de cada etapa educacional.
Os componentes curriculares:
O que antes entendíamos como disciplinas ou matérias, agora iremos chamar de componentes curriculares. As disciplinas não deixaram de existir, o que mudou foi: a BNCC não chama mais Língua Portuguesa, por exemplo, de disciplina ou matéria. A Base a entende como um componente curricular da área de conhecimento de Linguagens.
Veja a seguir uma lista onde cada componente curricular está presente na BNCC Ensino Fundamental - Anos Iniciais e Anos Finais.
Linguagens:
Componentes curriculares: Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa.
Com o propósito de garantir o desenvolvimento das competências específicas de área, cada componente curricular tem ,conforme indicado no texto da BNCC, um conjunto de habilidades que estão relacionadas aos objetos de conhecimento (conteúdos, conceitos e processos) e que se organizam em unidades temáticas.
Alfabetização:
Outro aspecto que muda com a BNCC Ensino Fundamental − Anos iniciais é a alfabetização. A partir da implementação da Base, toda criança deverá estar plenamente alfabetizada até o fim do 2º ano. Anteriormente, esse prazo era até o terceiro ano – de acordo com o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).
Assim, nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, o foco da ação pedagógica deve ser a alfabetização. Isso é sistematizado pela BNCC nos tópicos abaixo, que mostram as competências e as habilidades que são envolvidas no processo de alfabetização, e que a criança deve desenvolver:
- Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros sistemas de representação);
- Dominar as convenções gráficas (letras maiúsculas e minúsculas, cursiva e script);
- Conhecer o alfabeto;
- Compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita;
- Dominar as relações entre grafemas e fonemas;
- Saber decodificar palavras e textos escritos;
- Saber ler, reconhecendo globalmente as palavras;
- Ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto que meras palavras, desenvolvendo assim fluência e rapidez de leitura (fatiamento).
Então, se a alfabetização deve ser concluída ao final do 2º ano, o aluno já deve sair dessa etapa escrevendo tudo corretamente? Não! No final desse período ele deve desenvolver as competências e habilidades que te mostramos acima.
Ao longo dos próximos anos processo de alfabetização será complementado com objetivo na ortografia, que irá ampliar os conhecimentos e as habilidades linguísticas do estudante.
Na BNCC, essas unidades aparecem em praticamente todos os componentes curriculares ao longo de todo o Ensino Fundamental. Por exemplo, a unidade temática “Matéria e Energia” de Ciências aparece do 1º ao 9º ano, o que muda são os objetos de conhecimento e as habilidades exigidas para cada etapa. Segundo a BNCC:
Respeitando as muitas possibilidades de organização do conhecimento escolar, as unidades temáticas definem um arranjo dos objetos de conhecimento ao longo do Ensino Fundamental adequado às especificidades dos diferentes componentes curriculares. Cada unidade temática contempla uma gama maior ou menor de objetos de conhecimento, assim como cada objeto de conhecimento se relaciona a um número variável de habilidades […]. As habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos alunos nos diferentes contextos escolares.
Sendo assim, a partir dessas unidades, o conteúdo trabalhado em um ano pode ser retomado e ampliado nos anos seguintes, permitindo que o professor trabalhe novas habilidades em sala de aula.
Entre os componentes curriculares presentes na BNCC, apenas o componente Língua Portuguesa, da área de Linguagens, não está estruturado em unidades temáticas. Ou seja, ela se organiza em práticas de linguagem (leitura/escuta, produção de textos, oralidade e análise linguística/semiótica), campos de atuação, objetos de conhecimento e habilidades.