Artes na Educação Infantil de acordo com a BNCC
Desenho Infantil
1 A função da arte na Educação Infantil:
A arte e sua relevância na Educação Infantil:
A arte tem um papel de muita relevância na Educação Infantil, ela é muito mais do que colorir desenhos e brincar com massinhas, quando bem desenvolvida, traz muitos benefícios para o aprendizado das crianças, colaborando principalmente para o desenvolvimento de habilidades cognitivas.
Ela está em tudo que nos cerca, podemos ver a arte através de diversas obras artísticas do nosso cotidiano. Desde a primeira infância, ela desempenha uma função essencial para o nosso crescimento intelectual, portanto deve ser trabalhada de maneira formal e coerente.
Na Educação Infantil a arte é capaz de despertar muitas competências, já que é uma disciplina que expressa percepções em relação ao mundo, auxilia as crianças a descobrirem o desenvolvimento da sociedade e dá sentido a tudo que a envolve.
Antes da alfabetização formal as atividades como dinâmicas em grupo, cantigas e colagens são responsáveis por estimular os sentidos da visão, audição e tato, além de trabalhar a imaginação de forma intensa.
A criança com o desenvolvimento dessas habilidades terá contato direto com suas emoções e irá pode ter a oportunidade de diferencia-lás, para assim expressá-las.
As metodologias da arte na Educação Infantil:
A Legislação Brasileira atual já inclui as aulas de arte como parte do currículo da Educação Básica. Para isso, as escolas precisam contar com profissionais capacitados para introduzir a Educação Artística, mediada por metodologias e estratégicas pedagógicas.
Segundo a autora Aurora Ferreira, em seu livro “Arte, Escola e Inclusão”, a inserção da arte na escola não tem resultado imediato, mas um desenvolvimento progressivo e que necessita ser respeitado.
As atividades adotadas precisam passar pelo estágio lúdico e serem aprofundadas e aperfeiçoadas em conceitos e técnicas conforme a série escolar e a faixa etária — apesar de todas as metodologias precisarem trabalhar experiências sensoriais, corporais e expressivas através de linguagens verbais, musicais e dramáticas.
Além disso, a pesquisadora mostra que a arte também pode ter caráter interdisciplinar. Isto é, usar a arte para tratar de assuntos relacionados à matemática, língua portuguesa, idiomas estrangeiros, ciência e dentre outras disciplinas. Primeiro as atividades desenvolvidas em conjunto devem ser realizadas através da pesquisa, experimentação e análise crítica ao conteúdo ou a obra final.
Benefícios da arte na Educação Infantil
Na educação infantil a arte não se resume em facilitar que a criança absorva conteúdos de maneira lúdica e criativa. Ela traz também o autoconhecimento, o domínio sobre as próprias emoções e a capacidade de desenvolver um olhar crítico e observador.
Além do mais, é possível afirmar que a arte propicia muitos outros benefícios concretos para o crescimento cognitivo e social das crianças que irão ser levados para o resto de suas vidas.
Abaixo citaremos 5 dos principais benefícios de incentivar e desenvolver o lado artístico das crianças:
- Explora a criatividade: É importante estimular a imaginação desde cedo nas crianças.
- Trabalha habilidades socioemocionais: São pilares facilitadores do convívio de um indivíduo com os outros e com as suas próprias ações e reações no decorrer da vida. É fundamental que desde os primeiros anos da infância essas habilidades sejam desenvolvidas de maneira orgânica cotidianamente.
- Desenvolve formas de comunicação: É uma forma de comunicar os pensamentos e os sentimentos das crianças e é de suma relevância para criar laços com colegas, pais e familiares.
- Estimula a autoconfiança: Estimula o autoconhecimento, uma habilidade fundamental para evitar instabilidades emocionais e inseguranças.
- Organiza o raciocínio: Propicia um espaço aberto para as crianças exporem seus pensamentos e debaterem ideias, assim, organizar uma linha de raciocínio coerente e lógica.
2 Práticas para artes na Educação Infantil
Para acrescentar a arte no cotidiano das crianças trouxemos algumas sugestões de atividades para a Educação Infantil para que você professor se inspire e possa estar introduzindo em suas rotinas:
Leitura:
O contato com livros e outros materiais, que estimulem o interesse e a curiosidade em ler e escrever, bem como o convívio com leitores, são de suma relevância no processo de aquisição e desenvolvimento do hábito de leitura e escrita de uma criança. Afinal “o domínio da leitura e da escrita são princípios básicos da educação” (RIBEIRO; NUNES, 2014) e precisam ser garantidos as crianças, jovens e adultos.
Ditado estourado
Na sala de aula, cole bexigas na lousa. Dentro das bexigas, coloque imagens, palavras estáveis, sílabas ou letras (tudo conforme o desenvolvimento/perfil da sua turma). Peça que um aluno por vez vai até a lousa e estoure uma bexiga, identifica e lê o que tirou para os colegas seja uma figura, imagem, letra ou sílaba. No fim do ano, as crianças já podem se arriscar no registro escrito.
Desenho:
O desenho é essencial para fazer da criança um artista, é o suporte que dá estrutura, é o esqueleto para dar sustentabilidade a sua arte facilitando sobremaneira a exata expressão que ela quer transmitir no ato espontâneo do CRIAR.
O desenho é uma das manifestações semióticas, isto é, uma das formas através das quais a função de atribuição da significação se expressa e se constrói. Desenvolve-se concomitantemente às outras manifestações, entre as quais o brinquedo e a linguagem verbal (PIAGET, 1973).
Desenho maluco
Para esta atividade, você vai precisar pegar dois potes e nele colocar pedaços de papel dobrados para um sorteio. No primeiro pote você coloca nomes de lugares. No segundo, objetos. Cada pessoa que for desenhar vai tirar um papel de um dos potes e com isso ter o tema para o seu desenho. Quanto mais maluca for a combinação sorteada, melhor!
Pintura:
A pintura pode ser definida com a arte da cor. Se no desenho o que mais se utiliza é o traço, na pintura o mais importante é a mancha da cor. Ao pintar, vamos colocando sobre o papel, a tela ou a parede cores que representam seres e objetos, ou que criam formas. (COLL; TEBEROSKY, 2004, p. 30).
Artes com pratos de papel e macarrão
Utilizar pratos de papel e macarrão são ótimas estratégias para estimular as habilidades sensoriais das crianças. Nos pratos, as crianças podem desenhar e pintar diferentes paisagens e presentear alguém da família. Já as diferentes formas de macarrão podem ser utilizadas para montar personagens, como bonecos e animais, se colados em um papel. Podendo também utilizar outros materiais.
É importante que a criança tenha contato com essas atividades para que possa desenvolver-se explorando o lúdico, conforme a sua visão de mundo.
Música:
A música e a arte tem a ver com a constituição do cérebro, desenvolvendo toda cognição e sinapses, que são as regiões de impulsos nervosos e neurônios. Quando a criança se dedica às disciplinas teóricas, ela trabalha bem o lado esquerdo do cérebro. Assim, atividades de educação física, artes e musicalização garantem as sinapses do lado direito, causando, o equilíbrio dos hemisférios.
Na escola a música e a arte proporcionam muitos benefícios como o autoconhecimento, percepção de emoções pessoais ou até o desenvolvimento da percepção estética além de oportunizar ao aluno o pensamento crítico, sua criatividade e socialização.
“O cérebro trabalha muito mais focado quando você faz música junto. Estudos mostram que o cérebro tem mais sinapses quando você está cantando ou tocando em público. Mas a gente não pode esquecer a importância de estudar música e arte pelo conteúdo em si, que também é um objeto de estudo, que será muito útil no desenvolvimento do estudante”, explica Ellen Stencel, doutora em Música.
Continue a música
Pergunte as crianças qual sua música favorita e coloque para tocar. Peça que eles prestem atenção aos instrumentos usados para que tentem reproduzi-los. Cada um deve escolher um instrumento e, quando a música parar de ser reproduzida, vão seguir tocando no ritmo.
Dança:
Enquanto arte, a dança se expressa através dos signos de movimento, com ou sem ligação musical, para um determinado público.
A dança é arte, uma arte que expressa emoção, concentração, espontaneidade, imaginação, entre outros aspectos relevantes a comunicação e interpretação do ser humano. É uma forma de expressão única em cada indivíduo, cada um a vê e a prática de forma individual, mas interagindo com o outro.
A dança na escola é fundamental pois, ela “é capaz de ser mediadora no processo de construção de um ser humano mais sensível, crítico, criativo e autônomo”. (VARGAS, 2009, p.52).
Coreografando
É importante que tenha envolvimento das crianças em todo o processo da brincadeira. Peça a elas que escolham uma música e em seguida, é só deixar a criatividade fluir e criar passos que acompanhem a melodia. Se a música tiver letra, facilita já que basta pensar em gestos que correspondam ao que está sendo dito pelo cantor.
Esta atividade de dança para crianças é ótimo para estimular a memória e a cooperação em equipe.
A Educação Artística atua como uma ferramenta de comunicação e expressão, facilitando as interações sociais de maneira significativa desde os primeiros anos de vida. E como já citado anteriormente, trabalhá-la de forma aprofundada pode proporcionar muitos benefícios para o crescimento da criança.
3 Arte na BNCC
Foco no processo e na autoria
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) coloca a criança como protagonista de seu próprio percurso artístico, e a arte como fonte de aprendizagem e "leitura" da realidade. Veja o que diz o texto do Movimento pela Base:
“Assim, a Arte na BNCC propõe o desenvolvimento de habilidades e competências importantes para as práticas investigativas e para o percurso do fazer artístico, para perceber o mundo em sua complexidade, contextualizar saberes e a interação com a arte e a cultura, além de favorecer o respeito às diferenças e o diálogo intercultural”.
As aulas vão além das danças ensaiadas na escola para mostrar para os pais ou na criação de obras para compartilhar com a escola e a família.
É importante que as crianças consigam apropriar de cada uma das linguagens artísticas para que possam se expressar, experimentar e compreender o mundo em que vive. Mas então quais são essas linguagens artísticas?
As linguagens são:
- dança,
- música,
- teatro,
- artes visuais e
- artes integradas.
Para cada uma dessas linguagens , é necessário que a criança vivencie seis dimensões:
- Criação
- Crítica
- Fruição
- Estesia
- Expressão
- Reflexão
De acordo com a BNCC a artes é uma disciplina de suma importância para ser trabalhada na escola em conjunto com outras disciplinas, fazendo com que a criança se expresse, explore, troque experiências, amplie seu repertório e leitura crítica, contribuindo para sua autoria.
É importante levar em consideração para o planejamento das aulas a individualidade de cada turma e os interesses dos alunos, proporcionando um ensino e aprendizagem mais efetivo.
A educadora de arte Ana Mae Barbosa nos lembra, por exemplo, que a arte ajuda a desenvolver até a “inteligência tradicional”, o QI, aquele que mede nossa capacidade mais lógica de memorizar e identificar padrões.
Repertório de imagens:
Segundo Ana Mae, uma das funções da arte em sala de aula é “repertoriar” o aluno com imagens, ajudá-lo a construir um repertório imagético. Por vezes, as imagens sintetizam ideias e conceitos complexos. Como a conhecida frase diz: uma imagem vale mais que mil palavras.
Sendo assim: quanto mais “alfabetizados” em imagens e sensibilidades complexas estivermos, melhor podemos dar conta da complexidade do mundo e das nossas próprias vidas.
Uma boa obra — seja das artes visuais ou de outras linguagens — tem esse poder de nos fazer criar poderosas imagens e de convocar nossos sentimentos profundos e complexos.
Partindo de sentidos, fatos, sensações e experiências complexas que nos são relatadas (ou convocadas em nós) por meio do diálogo com essa obra.
Artes e habilidades:
A BNCC relaciona as experiências artísticas com o desenvolvimento de algumas competências fundamentais. É importante ressaltar que grande parte dessas competências requer habilidades emocionais e de organização sensível do mundo e suas complexidades, para fazer com que o indivíduo atue em seu meio, buscando por transformação.
Práticas com o uso dos livros:
Os livros ilustrados além de trazer em si mesmos repertórios de imagens que ampliamos ao ler formando outras imagens, também nos inspiram a criar, a fazer arte.
Podem ser ótimos pontos de partida para propostas artísticas trabalhadas em sala, conforme sugere a BNCC.
Para isso, trouxemos 3 sugestões de livros para serem trabalhados em sala na disciplina de artes:
1) Eric faz tibum
Autora e ilustradora: Emily Mackenzie.
Tradutora: Gilda de Aquino.
Temas: Medo / Amizade / Superação / Cotidiano / Criatividade / Imaginação / Coragem / Cooperação.
Faixa Etária: A partir de 2 anos.
Indicação: Infantil e fundamental I (1° e 2° ano).
Sinopse do livro: Eric vive preocupado. O que seriam aqueles barulhos que ele ouve à noite? E se uma aranha estiver escondida dentro de seu sapato? Experimentar coisas novas também não é com ele. O bom que ele tem uma amiga chamada Flora, que sempre dá um jeito de ajudá-lo a enfrentar os seus medos.
Dramatizando diálogos; desenhando as emoções:
Peça para as crianças organizarem uma lista de adjetivos que observaram em cada personagem. O que dizer de Eric? E de Flora? O que a autora conta sobre esses e outros animais que aparecem na história?
Feita a coleta de dados sugerida acima, as crianças irão pode dramatizar os diálogos entre elas, com base nos medos, inseguranças e nos bilhetes de encorajamento que os personagens trocam no livro.
Em outro momento, poderão brincar de fazer feições diversas conforme as emoções. Triste, alegre, preocupado, com muito medo, com coragem, etc.
Para essa dinâmica organize duplas. Enquanto uma criança faz as feições, a outra poderá pintar ou desenhar a imagem do colega.
2) Eu sou uma menina!
Autora / Ilustradora: Yasmeen Ismail.
Tradutora: Gilda de Aquino.
Temas: Identidade / Autoconhecimento / Respeito às diferenças / Brincadeiras / Cotidiano.
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente).
Indicação: Infantil e fundamental I (1° ao 3° ano).
Sinopse do livro:
Determinada, esperta, cheia de atitude e energia, assim é a menina dessa história. E não é que muita gente a confunde com um menino?! Mas essa personagem nunca se dá por vencida: ela é uma menina! Anda de patinete, lê muitos livros, é uma ótima nadadora, adora música, gosta de uma bagunça, brinca de faz de conta com os amigos. Ela não para. E o livro segue o seu ritmo!
Brincando com as roupas:
Divida a turma em dois grupos e em uma folha tamanho A4 peça que criem um personagem de gênero feminino (grupo 1) e outro de gênero masculino (grupo 2).
Em seguida, cada grupo deverá desenhar uma série de peças de vestuário a serem recortadas – calças, saias, chapéus, brincos, colares, sapatos de diferentes estilos, camisas, camisetas, vestidos etc. – e colocadas sobre os personagens.
Nesse momento, vale juntar todas as peças, experimentando as mais inusitadas e variadas composições. O objetivo da atividade é discutir e exercitar a diversidade, assim como a pluralidade cultural.
3) O crocodilo que não gostava de água
Autora e ilustradora: Gemma Merino.
Tradutora: Gilda de Aquino.
Temas: Respeito às diferenças / Relacionamento familiar / Autoconhecimento / Identidade / Animais / Humor.
Faixa Etária: A partir de 2 anos (leitura compartilhada) ou 6 anos (leitura independente).
Indicação: Infantil e fundamental I (1° e 2° ano).
Sinopse do livro:
A história conta sobre um pequeno crocodilo que, luta contra as próprias dificuldades, e no final descobre quem ele realmente é. Onde já se viu um crocodilo que gosta de subir em árvores e não gosta de água? Pois é, o crocodilo dessa história é assim. Ele até tenta – pega uma boia vermelha bem bonita e vai brincar com seus irmãos e irmãs. Mas, ao entrar na água, nada feito. Ela é muito molhada, fria e… O nariz do pequeno crocodilo começa a coçar e a crescer e a coçar mais um pouco. O que será que vai acontecer? Será que ele vai dar um espirro? Ou será que…
Boneco diferente:
Nossa sugestão é sugerir às crianças que criem um boneco de argila que as represente.
Dessa forma, ao término da atividade, elas irão pode avaliar, que, mesmo sendo crianças praticamente da mesma idade, elas são diferentes. Cada um tem características próprias, aptidões diferenciadas, gostos variados etc.
Partindo dessa atividade, as crianças poderão, criar um pequeno texto autobiográfico.