Os efeitos das técnicas de endermoterapia e Drenagem linfática
Noções Básicas em Drenagem Linfática
1 A Fisioterapia Dermato-Funcional
A Fisioterapia Dermato-Funcional se desenvolveu com o objetivo de tratar eficazmente os distúrbios estéticos por conhecimentos de anatomia, fisiologia e patologia, avaliando o problema, além de conhecer o tratamento adequado (GUIRRO e GUIRRO 2002). Um dos principais alvos da Fisioterapia DermatoFuncional é o tecido adiposo. O tecido adiposo é um tipo especial de tecido conjuntivo. A gordura adicional é armazenada nos lipócitos, que expandem no tamanho até que a gordura seja utilizada como fonte energética. Quando são consumidas mais calorias, é que são produzidas as gorduras extras que está armazenada nos lipócitos e a pessoa começa a acumular gordura (GUYTON, 2006).
A drenagem linfática é uma espécie de massagem que facilita o escoamento do líquido linfático (rico em gorduras) até os gânglios linfáticos, que o drena para a circulação. Quando acumulado nos tecidos subcutâneos, este líquido causa certa sensação de inchaço e incômodo (LEDUC, 2000). Neste contexto, ainda não está bem documentada na literatura a diferença entre a drenagem linfática manual e a eletrônica sobre a gordura localizada abdominal, tornando-se importante verificar estas diferenças para proporcionar aos pacientes uma terapia adequada de eficácia comprovada. E para isso, obteve-se a seguinte questão problema:
Entre a drenagem linfática manual e a drenagem linfática mecânica, qual técnica apresentará melhores resultados em mulheres com tecido adiposo localizado em região abdominal?
Referente ao problema proposto, formulou-se questões norteadoras para a investigação:
a) A utilização da drenagem linfática manual e mecânica promoverão alterações como redução do perímetro abdominal?
b) Entre 10 sessões, qual o número de sessões são necessárias em ambos os tratamentos para redução significativa da gordura localizada em região abdominal?
c) A utilização da drenagem linfática causa alguma alteração na pele durante a aplicação?
Visando responder de modo provisório as questões acima, toma-se como hipóteses:
a) A drenagem linfática é uma massagem que facilita o escoamento do líquido linfático (rico em gorduras) até os gânglios linfáticos, que o drena para a circulação. Quando acumulado nos tecidos subcutâneos, este líquido causa edema e incômodo, também melhora a nutrição dos tecidos, pois após algum tempo a temperatura cutânea aumenta. Assim como há hidratação da pele, pelo que esta se torna levemente edematosa, estado que pode manter-se até duas horas após, atenuando-se depois sucessivamente. Tais modificações podem atingir a hipoderme e até as massas musculares, além disso melhora o metabolismo local e ainda a reabsorção do tecido adiposo (LEDUC, 2000). Drena o interstício celular e os vasos linfáticos, retirando os líquidos que se encontram dentro destes, através de manobras específicas e visa eliminar os catabólicos produzidos pelo organismo decorrente do metabolismo celular. Auxilia no retorno venoso e linfático, acelerando o retorno venoso ao coração, eliminando toxinas, além de resíduos e substâncias oriundas de infecção, inflamação, espasmos musculares através da linfa (LEDUC, 2000). Em Virtude dessas descrições espera-se que o perímetro abdominal diminua.
b) A literatura documenta dez sessões, sendo três sessões por semana no mínimo, sendo que estas sessões têm duração de 50 minutos. A paciente deve estar vestida apropriadamente e a terapia deve ser em local apropriado para o fim (LEDUC, 2000). Acredita-se que na amostra estudada apresentarão evidências dos benefícios da Drenagem Linfática Manual e Mecânica em relação a circunferência abdominal utilizando-se a quantidade e tempo de sessões descritas anteriormente.
c) Tanto a drenagem linfática manual quanto a drenagem linfática mecânica não ocasionam alterações na pele após a aplicação. As técnicas são tão suaves e superficiais que não causam vermelhidão, ardência ou qualquer outra alteração que incapacite a paciente ou que necessite de cuidados especiais após as aplicações (GUIRRO, 2002).
Como objetivo geral deste estudo tem-se analisar qual técnica de drenagem linfática, manual ou mecânica apresenta maior eficiência na redução de gordura localizada em região abdominal. E como objetivos específicos analisar os principais efeitos da drenagem linfática manual e mecânica na redução de gordura localizada em região abdominal; identificar e definir o número de sessões para redução expressiva de gordura localizada em região abdominal; investigar se a utilização da drenagem linfática manual e mecânica promoverá benefícios para as mulheres com gordura localizada em região abdominal.
Atualmente a imagem corporal, é um complexo fenômeno humano que envolve aspectos cognitivos, afetivos, sociais e culturais, está associada com o conceito de si próprio, e é influenciável pelo meio em que vive. A busca de uma imagem corporal adequada aos anseios estereotipados de corpo é um dos fenômenos mais impressionantes da sociedade atual, existe uma grande influência cultural sobre a cultura e imagem do corpo, o que pode criar aspectos relacionados ao universo corporal.
Em vista da grande busca das pessoas pelo bem estar, a Fisioterapia Dermato-Funcional proporciona efeitos positivos para a qualidade de vida no ponto de vista físico e emocional. Porém, há poucos estudos científicos sobre as técnicas de Fisioterapia Dermato-Funcional, principalmente no que diz respeito às técnicas de drenagem linfática. A pesquisadora tem por objetivo trabalhar e se especializar em Fisioterapia Dermato-Funcional para tratar principalmente mulheres com distúrbios da região abdominal, pois esta é uma das principais queixas de pacientes que já se encontram em tratamento na Clínica de Fisioterapia da UNESC, onde esta tem experiência.
Desta forma este estudo visa estabelecer os efeitos das técnicas de drenagem linfática manual e mecânica para contribuir com dados científicos para o enriquecimento da literatura em questão e proporcionar aos fisioterapeutas que trabalham nesta área dados e evidências sobre o melhor método a ser escolhido para o tratamento do paciente, bem como proporcionar ao paciente o melhor tratamento para a gordura localizada em região abdominal.
2 Anatomia do abdômen
O abdômen é dividido em nove regiões delimitadas por duas linhas verticais e horizontais e está localizado entre o tórax e a pelve, dividindo-se em: hipocôndrio direito e esquerdo, flanco direito e esquerdo, fossa ilíaca direita e esquerda, epigástrio, mesogástrio e hipogástrio e, ao contrário dos outros segmentos do corpo não possui proteção óssea (DANGELO e FATTINI, 2004; MOORE, 1994).
A parede abdominal é formada por camadas dispostas da região externa para mais interna: pele, tecido subcutâneo, músculos, tecido extra-peritoneal e peritônio (DANGELO E FATTINI, 2004). Os músculos abdominais fazem uma pressão sobre os órgãos da região abdominal, assim protegendo-os e mantendo-os no local (JACOB e FRANCONE, 1990). A parede ântero-lateral do abdômen é constituída, pelos músculos piramidais, músculo reto abdominal e pelas aponeuroses dos três músculos (oblíquo externo, oblíquo interno, e o transverso do abdômen). E as partes laterais são constituídas por esses três músculos, parte do músculo ilíaco, e pelos ossos do quadril (GARDNER, GRAY e O’RAHILLT, 1988).
O tecido epitelial do abdômen desenvolve-se a partir da camada germinativa do embrião, por ser um tecido básico e simples e tem como funções: revestimento, absorção, secreção, e sensorial sendo que a maioria dos tecidos são espessos (CORMACK, 1999). Quanto ao número de camadas divide-se entre epitélio simples, epitélio estratificado e pseudo-estratificado; e quanto à forma das células epiteliais em epitélio pavimentoso, constituído de células achatadas semelhante aos labirintos de pavimentos, cúbico, onde as células se assemelham a cubos cilíndricos e sequentemente a colunas verticais. Os epitélios são tecidos que sofrem renovação contínua, por constituírem células de vida limitada, e isso se da através de mitoses (GUIRRO e GUIRRO, 2002).
Tecido Adiposo Abdominal
O tecido adiposo é um tipo especial de tecido conjuntivo onde é possível analisar o predomínio de adipócitos, que podem ser encontrados de forma isolada ou em pequenos grupos, mais a grande parte deles se distribui pelo corpo de forma difusa. Em indivíduos que apresentam peso normal, os adipócitos correspondem de 20-25% do peso corporal na mulher, e 15-20% no homem (BORGES, 2006).
Os adipócitos ou células adiposas permanecem isoladas ou em grupos, no tecido conjuntivo, porém são mais numerosos no tecido adiposo. Assim que a gordura se acumula, aumenta de tamanho tornando-se células globosas, que se iniciam em forma de gotículas e após se juntam formando uma gota (GUIRRO e GUIRRO, 2002).
O tecido conjuntivo é formado por fibras de colágeno e reticulares, que são atribuídas pelo organismo, sendo que as fibras colágenas são mais frequentemente encontradas, mesmo sendo este rico em fibras elásticas. As reticulares apresentam-se nas formas: curtas, finas e inelásticas (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999). A grandeza em material intercelular do tecido conjuntivo é sua característica fundamental; e seu papel básico é sustentar, interconectar e nutrir outros tecidos (CORMACK, 1999).
Apresenta vários tipos de células separadas, devido a grande quantidade de material intracelular, e pela substância fundamental amorfa (GUIRRO e GUIRRO, 2002). As células existentes no tecido conjuntivo têm como nomenclatura: fibroblastos, macrófagos, célula mesenquimatosa indiferenciada, mastócitos, plasmócitos, leucócitos, e célula adiposa (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).
Já o tecido adiposo é caracterizado por armazenar as moléculas de gordura. Neste tecido, grandes quantidades de gordura são armazenadas, onde é chamado normalmente de gordura tecidual. A principal função do tecido adiposo é armazenar os triglicerídeos até que se tornem necessários para o suprimento de energia em outras partes do corpo ou proporcionar isolamento térmico ao organismo. As células do tecido adiposo são os adipócitos, ou seja, fibroblastos modificados que armazenam triglicerídeos quase puros em quantidade de até 85% a 95% de todo o volume celular. Os triglicerídeos no interior dos adipócitos encontram-se geralmente sob a forma líquida (GUYTON e HALL, 2006).
Existem dois tipos de tecido adiposo identificáveis pela estrutura, localização, cor, função, inervação e vascularização de suas células, classificados em tecido adiposo amarelo e tecido adiposo pardo. A gordura amarela é destituída no tecido subcutâneo apresentando diferenças regionais influenciadas pelo sexo e pela idade. A quantidade de tecido adiposo em um indivíduo é determinada por fatores hereditários e ambientais, sendo o principal desses a ingestão calórica (BORGES, 2006). Quando existe excesso de ingestão calórica, este excesso é armazenado em forma de gordura, sendo que esta ingestão pode ser em forma de gordura, proteínas ou carboidratos (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).
A gordura corpórea adequada para uma mulher é equivalente a 20-27% do peso corpóreo, sendo que em torno de 12% é denominada de gordura essencial (gordura localizada em regiões específicas, necessária à sobrevivência). A deposição de gordura é controlada geneticamente, sendo diferente entre homens e mulheres. Na mulher, a gordura essencial equivale a 5-9% de gordura específica do sexo feminino, sendo localizada nas mamas, região pélvica e coxas. Já no homem, a gordura corporal equivale 12-15% do peso corporal, sendo que de 4-7% é gordura essencial. A gordura localizada é uma patologia do tecido gorduroso, em que a gordura se acumula em locais determinados mais que em outros locais e um dos locais mais atingidos é o abdômen (GUYTON e HALL, 2006).
A gordura abdominal também está associada com moderada secreção de hormônio de crescimento e a um grupo de fatores de risco para doença cardiovascular, diabetes tipo 2, dislipidemia, resistência insulínica e a estados pró trombóticos. Entretanto, as mulheres com distribuição de gordura andróide manifestam quadro psicológico de perda da auto-estima. Os mecanismos fisiopatológicos que justificam o acúmulo de gordura visceral ainda não são conhecidos, mas múltiplas alterações endócrinas podem estar incluídas, tais como perturbações no funcionamento dos eixos hipotálamo-hipófise-adrenal, gonadal e somatotrófico (FERNANDES, ALDRIGHI e ALDRIGHI, 2005).
Sistema Linfático
O sistema linfático é semelhante ao sistema sanguíneo, que está ligado funcional e anatomicamente ao sistema linfático. Porém no sistema linfático não existe um órgão que bombeia o sangue, mas possui funções importantes, como o retorno do líquido do interstício para a corrente sanguínea, destruição de partículas estranhas e microorganismos da linfa, e produção de anticorpos como respostas imunes. O sistema linfático; é composto por um sistema vascular, constituído por capilares linfáticos, vasos coletores, troncos linfáticos e linfonodos (FIGURA 1) (GUYTON e HALL, 2006).
3 A linfa
A linfa derivada do líquido intersticial que flui para os linfáticos. Por isso, logo após entrar nos linfáticos terminais, ela apresenta a mesma composição que o líquido intersticial. A concentração de proteína no líquido intersticial da maioria dos tecidos é em média 2g/dL e da linfa é próximo a este valor (BORGES, 2006).
O fluxo da linfa é relativamente lento (aproximadamente três litros de linfa penetram no sistema cardiovascular em 24 horas) pois precisa de forças externas e internas do organismo como a gravidade, os movimentos passivos, massagem ou a contração muscular, a pulsação das artérias perto dos vasos, o peristaltismo visceral e os movimentos respiratórios (HERPERTZ, 2006).
A linfa absorvida nos capilares linfáticos é transportada para os vasos coletores passando através de vários linfonodos sendo filtrada e recolocada novamente na circulação até atingir os vasos sanguíneos. Toda a linfa do organismo retorna ao sistema vascular sanguíneo através do ducto torácico e o ducto torácico direito. O ducto torácico recebe a linfa proveniente dos membros inferiores, do hemitronco esquerdo, do pescoço e da cabeça e do membro superior esquerdo, originando-se na cisterna do quilo, uma dilatação situada anteriormente à segunda vértebra lombar, onde desembocam os vasos que recolhem o quilo intestinal. O ducto torácico direito recolhe a linfa proveniente do membro superior direito, do hemotórax direito, do pescoço e da cabeça, formado pela união dos troncos subclávio, jugular e broncomediastinal direito (FIGURA 2) (GUIRRO e GUIRRO, 2006).
Capilares Linfáticos
Os capilares linfáticos são pequenos vasos compostos por células endoteliais que se unem ao tecido conjuntivo. Esta junção forma uma válvula funcional de sentido único. A pressão do líquido intersticial fora dos capilares linfáticos empurra as margens das células endoteliais facilitando a penetração do líquido. Dentro dos capilares, o líquido não pode mais retornar ao espaço intersticial por causa da pressão no interior dos capilares, fechando a válvula. Deste modo, os capilares linfáticos são mais permeáveis que a maioria dos capilares sanguíneos que não conseguem absorver moléculas grandes como proteínas e micro-organismos (GUIRRO e GUIRRO, 2002).
Neste contexto, os capilares são fechados, ou seja, tem suas extremidades ligeiramente dilatadas sob a forma de pequenos bulbos, sendo encontrado, na maioria das vezes nas áreas onde estão situados os capilares sanguíneos. Em conclusão, o sistema linfático é considerado um sistema de corrente única, somente retornando o líquido intersticial para a corrente circulatória prevenindo a formação de edema (FIGURA 3) (GUIRRO e GUIRRO, 2002).
Os vasos coletores apresentam a mesma estrutura dos capilares, porém são envolvidos internamente por tecido conjuntivo, elementos elásticos e musculares e apresentam em seu lúmen, válvulas. Estes vasos valvulados possibilitam a contratilidade e a distensão (HERPERTZ, 2006).
Linfonodos
Os linfonodos são também conhecidos como gânglios ou nodos linfáticos. São formações que se dispõem ao longo dos vasos do sistema linfático e são em número de 600 a 700 ao todo, apresentando variações na forma, tamanho e coloração, ocorrendo geralmente em grupos e estão geralmente situados na face anterior das articulações (BORGES, 2006) e constituem naturalmente barreiras limitantes e funcionam como “filtros” do sistema; portanto, são limitadores da velocidade de drenagem (GODOY e GODOY, 2004). Essa é a uma das leis da drenagem linfática, segundo a qual devemos obedecer à capacidade de filtração dos linfonodos, controlando a velocidade da drenagem e a pressão exercida (GODOY e GODOY, 2004).
Por fim, os vasos que chegam aos linfonodos são mais numerosos e mais finos do que os vasos que saem, por este motivo o fluxo neste local torna-se lento pois a linfa que chega ao órgão percorre numerosas cavidades, os seios linfáticos, onde as impurezas são retiradas e passam para a linfa os linfócitos recém produzidos (BORGES, 2006). Há grupos de linfonodos na axila, virilha, pescoço, perna e regiões mais profundas do corpo. Técnicas que propõem-se incrementar o fluxo da linfa devem considerar o sentindo natural da drenagem nos diferentes seguimentos (GUIRRO e GRIRRO, 2002).
Drenagem Linfática
Dentre os recursos terapêuticos utilizados na área dermato-funcional, a drenagem linfática se destaca pela ampla variabilidade de técnicas, além de ser de ampla aplicação (GUIRRO e GUIRRO, 2002; HERPERTZ, 2006). A drenagem linfática facilita o escoamento do líquido linfático (rico em gorduras) até os gânglios linfáticos, que o drena para a circulação. Quando acumulado nos tecidos subcutâneos, este líquido causa edema nas regiões (LEDUC, 2000). A forma de massagem feita pela drenagem linfática, melhora a nutrição dos tecidos, pois após algum tempo de massagem a temperatura cutânea aumenta, podendo subir até três graus centígrados (LEDUC, 2000).
Dentro do contexto de edema linfático, a massagem é um dos recursos de grande auxílio ao terapeuta. O objetivo básico da massagem no edema linfático é drenar o excesso de fluido acumulado nos espaços intersticiais, de forma a manter o equilíbrio das pressões tissualres e hidrostáticas (GUIRRO e GUIRRO, 2002, p.73)
Assim como há hidratação da pele, pelo que esta se torna levemente edematosa, estado que pode manter-se até duas horas após, atenuando-se depois sucessivamente. Tais modificações podem atingir a hipoderme e até as massas musculares, além disso, melhora o metabolismo local e a reabsorção do tecido adiposo. Neste contexto existem duas formais de realizar a drenagem linfática, a manual e a mecânica (LEDUC, 2000). Sua principal finalidade é esvaziar os líquidos exsudados e os resíduos metabólicos por meio de manobras nas vias linfáticas e nos linfonodos (RIBEIRO, 2003).
4 Drenagem Linfática Manual
O método de drenagem linfática manual foi desenvolvido em 1932 pelo terapeuta dinamarquês Emil Vodder, que observou que a maioria de seus pacientes sofria de constipação, retenção de líquidos e apresentavam os gânglios linfáticos alterados. Ele passou a tratar seus pacientes intuitivamente com massagens que estimulavam estes gânglios atingindo grandes êxitos com diversos pacientes (GODOY e GODOY, 2004). Esta técnica baseou-se na longa experiência adquirida por Emil Vodder. Com o tempo, ele observou que muitas pessoas apresentavam quadros gripais crônicos nos quais se detectava um aumento dos linfonodos na região cervical. Estes pacientes melhoraram com determinados tipos de movimento de estimulação física (massagem) realizados na região envolvida. A partir dessas observações, foi desenvolvida a técnica de drenagem linfática manual, com o incremento de alguns tipos de movimentos e da orientação do sentido de drenagem (GODOY e GODOY, 2004).
Porém, em 1936, a técnica foi publicada em Paris, e, a partir dessa divulgação, vários grupos adquiriram esses conceitos, que são utilizados até os dias atuais. Inicialmente, a técnica foi divulgada nos congressos de estética, sendo realizada por esteticistas, biólogos e outros profissionais adeptos. Nos últimos anos, com a incorporação da drenagem linfática manual como parte do tratamento do linfedema, os médicos passaram a estimular sua prática por parte de fisioterapeutas. Dentre os médicos que iniciaram a utilização da técnica, destacam-se os trabalhos de Asdonk, em 1963, que incorporou a drenagem linfática como parte do tratamento médico (GODOY e GODOY, 2004).
Dentre os principais grupos que utilizam à técnica estão: Földi, Leduc, Casley-Smith, Nieto, Ciucci, Beltramino, Mayall e outros. Estes grupos acrescentaram suas contribuições no tratamento de pacientes portadores do linfedema, porém mantiveram os princípios preconizados por Vodder. Dentre as principais contribuições está a de Földi, que preconizou a associação de drenagem linfática, bandagens e cuidados higiênicos. Esta técnica ficou conhecida como terapia física complexa de Földi. Mais recentemente, em 1999, Godoy & Godoy descreveram uma nova técnica de drenagem linfática, utilizando roletes como mecanismos de drenagem; com esta técnica, passou-se a questionar a utilização dos movimentos circulares preconizados pela técnica convencional e sugeriu-se a utilização dos conceitos de anatomia, fisiologia e hidrodinâmica (GODOY e GODOY, 2004).
Neste contexto, a drenagem linfática manual consiste em orientar o líquido do espaço intersticial para os centros de drenagem mediante manobras cinésicas especializadas denominadas “drenagem linfática manual”, estimulando as correntes derivativas do setor afetado. De modo geral, essa compressão externa promoverá um diferencial de pressão entre as extremidades deslocando o fluido contido em um vaso linfático e assim promovendo uma redução da pressão no interior do vaso facilitando a entrada do excesso de líquido contido no interstício para o interior do mesmo por diferença de pressão (GODOY e GODOY, 2004; RIBEIRO, 2003).
Segundo Winter (1995), as manobras exercem influência sobre algumas estruturas e funções biológicas, direta e indiretamente, tais como: Estimula a contração da musculatura lisa dos vasos linfáticos, aumenta a velocidade de transporte da linfa, aumenta a capacidade de processamento da linfa no interior dos gânglios linfáticos, melhora as condições de absorção intestinal, melhora a atuação do sistema nervoso vegetativo, aumenta a captação de oxigênio pelos tecidos, fornece a nutrição celular pelo maior aporte sangüíneo, fornece a eliminação dos produtos finais resultantes do metabolismo tecidual, aumenta a absorção dos nutrientes e princípios ativos através do trato digestivo, aumenta a quantidade de líquidos a serem eliminados (WINTER, 1995, p. 07).
A drenagem linfática manual está representada principalmente por duas técnicas: Leduc e Vodder. A diferença entre elas está no local da aplicação (GUIRRO e GUIRRO, 2000). A técnica de Leduc é baseada no trajeto dos coletores linfáticos e linfonodos, associando basicamente duas manobras: de captação ou de reabsorção e manobras de evacuação ou de demanda.
• Captação ou reabsorção – os dedos imprimem sucessivamente uma pressão, sendo levados por um movimento circular do punho.
• Evacuação ou demanda – os dedos desenrolam-se a partir do indicador até o anular, tendo contato com a pele que é estirada no sentido proximal ao longo da manobra (LEDUC e LEDUC, 2000).
Já as manobras da terapia de Leduc são divididas em:
• Drenagem dos gânglios linfáticos: realizada pelo contato direto dos dedos indicador e médio com a pele, posicionados sobre os linfonodos e vasos linfáticos de maneira perpendicular. É executada com pressão moderada e de forma rítmica, baseada no processo de evacuação. Movimentos circulares de 1 a 3 séries de repetição.
• Manobras de círculos com dedos: movimentos circulares concêntricos, desloca-se com pressão e relaxamento, é realizado desde o dedo indicador até o mínimo.
• Manobras de círculos com o polegar: semelhante ao anterior, é realizado, somente com o polegar.
• Pressão em Bracelete: para grandes áreas, podendo ser feita uni ou bimanual.
Sendo assim, as manobras de DLM são realizadas em todos os segmentos do corpo e cada manobra é realizada sobre o mesmo local de cinco a sete vezes. Algumas seguem um trajeto que parte dos linfonodos regionais e retorna a ele, correspondendo às vias linfáticas Fisiológicas (RIBEIRO, 2003).
GUIRRO e GUIRRO (2002) descrevem as orientações gerais para a drenagem linfática manual: o seguimento corpóreo a ser realizado a terapia deve estar em posição de drenagem; a pressão exercida deve seguir o sentido fisiológico da drenagem; a drenagem linfática manual deve iniciar-se pelas manobras que facilitam a evacuação, facilitando assim, o descongestionamento das vias linfáticas; é fundamento o conhecimento das vias de drenagem para o sucesso desta terapia; as manobras devem ser realizadas ritmicamente e intermitentemente com uma pressão de 45 mmHg, quando linfedema presente e em recentes lesões, as manobras de arraste devem ser dispensadas pelo risco de inadequada cicatrização tecidual.
De acordo com Herpertz (2006), as manobras de DLM são indicadas na prevenção e/ou tratamento de edemas, linfedemas, fibro edema gelóide, queimaduras, enxertos, acne, sensação de cansaço nos membros inferiores, dor muscular, pré e pós-operatório de cirurgia plástica, hematomas e equimoses. Entretanto, Ribeiro (2003) relata que a DLM também está indicada para gordura localizada, cicatrizes hipertróficas e retráteis, relaxamento e síndromes vasculares, microvarizes e varizes. Já Lopes (2002) indica para a retenção hídrica, afecções dermatológicas, rigidez muscular, período de TPM (tensão pré-menstrual), insônia, pré e pós-intervenção cirúrgica, hematomas, tratamento de acne, tratamento de telangectasias, tratamento de rejuvenescimento, tratamento de rosácea e tratamento do fibro edema gelóide.
A DLM é uma técnica eficiente, porém o profissional precisa ter algumas medidas de segurança, como avaliar o paciente através de ficha de anamnese, observar cuidadosamente o estado de saúde, verificando se existe alguma patologia, pois a DLM não é indicada para as pessoas que possuem trombose, flebite, disfunções tireoidianas, crises de asmas brônquica, nevos pré-cancerosos, menstruação abundante, hipotensão, hipertensão descontrolada, afecções da pele, insuficiências cardíaca e insuficiência renal (WENER, 2008).