Noções básicas da Drenagem Linfática

Noções Básicas em Drenagem Linfática

1 O que é drenagem Linfática?

A drenagem linfática é uma técnica de massagem que trabalha o sistema linfático, estimulando-o a trabalhar de forma rápida, movimentando a linfa até os gânglios linfáticos. Essa técnica foi desenvolvida em 1932 pelo terapeuta dinamarquês Vodder e sua esposa e, posteriormente, foi aprimorada, tornando-se popular. A linfa é o líquido existente nos vasos dos gânglios linfáticos.

É caracterizada por sua viscosidade, ausência de cor, por conter substâncias orgânicas e inorgânicas, resíduos e toxinas. A principal função da drenagem linfática é acelerar o processo de retirada dos líquidos acumulados entre as células, e os resíduos metabólicos; encaminhando-os aos vasos capilares e, por meio de movimentos específicos, direcionando para que sejam eliminados. Essa técnica também estimula a regeneração dos tecidos, melhora o sistema imunitário, é relaxante e tranquilizante, combate a celulite e a gordura localizada e ainda melhora a ação anti-inflamatória do organismo.

e forma manual a drenagem é feita a partir de círculos com as mãos e com o polegar, movimentos combinados e pressão em bracelete. Por aparelhos, a drenagem é feita através de um sistema inteligente de computador que infla e desinfla uma espécie de bolsa que assim como a drenagem manual melhora a condição das linfas. É importante saber que essa técnica é contraindicada para pessoas com infecções agudas, insuficiência cardíaca, trombose, hipertensão, câncer, asma brônquica e bronquite asmática.

Quem pode fazer a drenagem linfática?

A principal indicação da drenagem linfática é para quem quer amenizar a celulite, no pré e pós-operatório de cirurgias plásticas, também serve para varizes, pernas cansadas, tensão pré-menstrual e alívio de dores musculares. A massagem pode ser realizada isoladamente ou associada a outros tratamentos.

Quais os benefícios da massagem linfática?

Os benefícios da drenagem linfática, dados pela melhora da circulação e pela eliminação de toxinas, ajudam a prevenir vários problemas de saúde. Além de ajudar a limpar os bloqueios e estimular a drenagem dos líquidos presos entre as células, a drenagem linfática também pode melhorar o metabolismo, favorecendo a queima dos estoques de gordura do corpo. A massagem estimula o sistema imunológico, necessário para manter o corpo forte e saudável e alivia os efeitos negativos provocados pelo mau funcionamento do sistema linfático, como dores nas articulações, dores de cabeça, cólicas menstruais, acne, doenças respiratórias e até mesmo depressão.

A massagem linfática também pode combater a celulite. Seja por má alimentação, sedentarismo, cigarro, alterações hormonais, a celulite começa com um processo de retenção de líquidos que ocasionam a má oxigenação dos tecidos. A técnica evita a celulite justamente por eliminar o excesso de líquido e toxinas. Se bem aplicada, a massagem diminui a retenção de líquidos no abdômen, coxas e culote, áreas do corpo mais propensas ao acúmulo de gordura. Portanto, outro benefício da massagem linfática é ajudar a reduzir alguns centímetros na silhueta. O recomendando é fazer no mínimo dez sessões para obter algum resultado efetivo, mas já na primeira sessão é possível notar uma melhora visível do inchaço.

2 A história da drenagem linfática:

Por volta de 1930, os doutores dinamarqueses Emil Vodder e Estrid Vodder, trabalhavam na Riviera Francesa tratando de pacientes com sinusites e outros sintomas semelhantes. O casal notou que os pacientes tinham como característica comum os linfonodos estavam inchados. Devido ao pouco conhecimento a respeito do sistema linfático que tinham na época. O casal passou a pesquisar o sistema linfático para entender o que causava inchaço nos linfonodos. Enfim, em 1932 depois de estudar por diversas vezes o sistema linfático, percebeu que poderia estimular a movimentação das linfas através de movimentos manuais.

Em 1936, o seu método passou a ser conhecido como um tipo de técnica manual de estimulação do sistema linfático em Paris, tratando não somente alguns sintomas da sinusite, mas diminuindo principalmente edemas. Após a segunda guerra mundial, em Copenhague, o casal Vodder passou a se empenhar a ensinar e multiplicar o conhecimento das técnicas desenvolvidas nos três anos de aperfeiçoamento da técnica. A DLM foi a primeira “ferramenta” reconhecida para tratamento de edemas linfáticos.

27 anos depois do trabalho do casal Vodder, o médico Dr. Johannes Asdonk comprovaria cientificamente os benefícios do método de Vodder. Seu método consistia em, através de movimentos, encaminhar os dutos linfáticos para os linfonodos. Estimular os linfonodos através de pressão leve e encaminhar a linfa para o sistema sanguíneo. Para isso, a massagem era iniciada no pescoço e gradativamente buscava outras áreas do corpo. Ele dizia que era impossível eliminar as impurezas contidas no sistema linfático sem antes limpar o canal de saída.

“...quando o banheiro está inundado a gente precisa limpar em primeiro lugar o ralo e depois mandar a água em sua direção.” – Emil Vodder

Albert Leduc foi aluno dos Vodders na Belgica. Para Leduc, o assunto parecia coerente, mas sem muita base cientifica. Isso lhe motivou a pesquisar mais a respeito do sistema linfático. Suas pesquisas o levaram a conclusão de que o sistema linfático era composto por órgãos e tecidos linfoides. Com um estudo mais aprofundado, passou a desenvolver seu próprio método de drenagem linfática manual. Em resumo, o método de drenagem de Leduc segue alguns princípios do método de Vodder. Contudo, levando em consideração a movimentação do sistema linfático, Leduc não inicia sua massagem pelo pescoço, pois ao criar a técnica acreditava que tal pratica não surtiria tanto efeito para edemas e outros problemas que estivessem em regiões mais distantes.

a técnica consiste em estimular o sistema linfático através de movimentos circulares. As bases lógicas desta técnica são a absorção e captação de substancias “perdidas” nos tecidos intersticiais provenientes de edemas, alguns tipos de celulites e líquidos em excesso, encaminhando-os para o sistema linfático, circulatório e assim acelerando o processo de eliminação. Utilizando menos combinações de movimentos, a técnica foca mais nos problemas apresentados no corpo do paciente e na compressão dos nodos.

Utiliza também bandagens e peças compressivas após a massagem. Outros métodos novos surgiram ao longo do tempo, a maior parte baseado em Vodder. Métodos mais novos como Godoy e Propeli são mais conhecidos. Godoy, por utilizar um bastão flexível especial ao qual induz o líquido ao local de descarte e Propeli por juntar os melhores conceitos de Vodder e Leduc. Neste curso, juntaremos os melhores conceitos de todos esses métodos e os utilizaremos, de acordo com a necessidade do cliente.

Histórico da Drenagem Linfática Manual:

Desde a antiguidade os médicos possuíam noções sobre a linfa e os vasos linfáticos, sendo conhecidos desde as primeiras dissecações feitas por Hipócrates (450 a.C.) e posteriormente Vesalius no século XVI. No século XVII, porém, foi que alguns anatomistas descobriram e estudaram a linfa e os vasos linfáticos. Em 1651, Pecquet observou o ducto linfático descrevendo a “Cisterna Chyli”, comprovando que o quilo não é drenado para o fígado e sim para um local determinado que mais tarde recebera o nome de “Cisterna de Pecquet”.

Em 1628, Gassend fez uma descrição de veias leitosas que ele observou no cadáver de um condenado a morte, porém a descoberta da importância e das funções da linfa é creditada ao anatomista dinamarquês Thomas Bartholin, que comparou em seu trabalho a circulação linfática ao fértil vale do rio Nilo. O primeiro relato de utilização da drenagem linfática data de 1892, quando Winiwarter, um cirurgião austríaco iniciou a aplicação da técnica. Em 1936, o dinamarquês Emil Vodder e sua esposa Estrid desenvolveram o estudo e a prática da drenagem linfática na Riviera Francesa. Observou-se sucesso no tratamento de pacientes com estados gripais crônicos por meio de estimulação suave nos linfonodos cervicais. 

Em 1967 foi criada a Sociedade de Drenagem Linfática Manual incorporada em 1976 à Sociedade Alemã de Linfologia. Muitos grupos aderiram à técnica e passaram a difundi-la, acrescentando contribuições individuais, porém mantendo os princípios preconizados por Vodder. Na década de 60, Foldi estudou as vias linfáticas da cabeça e suas relações com o líquor cérebro espinhal. Ele e sua equipe desenvolveram a terapia complexa descongestiva, associando cuidados higiênicos, o uso de bandagens compressivas e exercícios linfomiocinéticos à drenagem linfática manual, principalmente no tratamento clínico do linfedema.

Em 1977, os professores Albert e Oliver Leduc, adaptaram o método do professor Foldi e do Dr. Vodder, demonstrando mediante radioscopia, o efeito de aceleração do fluxo linfático mediante drenagem linfática manual. Em 1978, em um Congresso Internacional da Associação para Drenagem Linfática Manual, na Áustria, comprovou-se a eficácia da drenagem linfática manual em pacientes pós-mastectomizados. Atualmente a técnica de drenagem linfática manual difundiu-se por todo o mundo e é utilizada em diversos serviços de saúde para o tratamento de muitas patologias.

Drenagem linfática no Brasil:

No Brasil, os primeiros relatos sobre a drenagem linfática beiram o ano de 1969, quando Waldtraud Winter, esteticista austríaca moradora de Belo Horizonte, viajou à Alemanha para aprender o método com o próprio Vodder. No retorno, ela começou a aplicar o tratamento em suas clientes, fazendo com que o método se popularizasse na capital mineira. Posteriormente, Winter uniu forças com Anne Maria Klotz, a francesa que fundou a Frances Bel (escola de estética) e a FEBECO (Federação Brasileira de Estética e Cosmetologia), para difundir ainda mais a drenagem pelo país.

Voltou ao exterior outras vezes, em busca de aperfeiçoamento; conheceu Leduc, o que estimulou ainda mais o seu entusiasmo pela técnica e abriu, em 1982, a Escola de Estética Integral, que tinha a drenagem linfática como parte integrante de seu currículo. Winter também escreveu o livro Drenagem Linfática Manual, o primeiro no Brasil sobre o tema. Muito depois da empreitada inaugural da esteticista, na década de 1990, o casal José Maria e Maria de Fátima Godoy desenvolveu uma nova técnica de drenagem linfática manual, cuja fundamentação é baseada nos conceitos atuais da anatomia linfática, fisiologia e fisiopatologia do sistema linfático. O método recebeu o nome de seus criadores, Godoy & Godoy, e hoje também é bastante popular no mundo inteiro.

3 Benefícios da Drenagem Linfática:

A drenagem linfática consiste em uma massagem com movimentos suaves, mantidas num ritmo lento, para evitar o rompimento dos vasos linfáticos e tem como objetivo estimular e facilitar a passagem da linfa pelo sistema circulatório. A linfa é um líquido que circula no corpo limpando o sangue de impurezas, desempenhando o seu papel imunitário juntamente com os anticorpos do sangue mas que pode estar presente entre as células, causando inchaço e dor, em alguns casos.

Os principais benefícios da drenagem linfática são:

  • Combater o inchaço e a retenção de líquidos;
  • Ajudar no combate à celulite;
  • Ajudar na recuperação de lesões musculares e articulares;
  • Colaborar na cicatrização dos tecidos;
  • Prevenir aderências cicatriciais após a cirurgia plástica;
  • Reduzir os hematomas;
  • Melhorar a circulação sanguínea, venosa e linfática;
  • Oxigenar os tecidos de forma mais adequada;
  • Colaborar para a eliminação das toxinas do corpo;
  • Melhorar a auto-estima e consequentemente a qualidade de vida.

A drenagem linfática deve ser aplicada por profissional competente que utiliza as técnicas corretamente. As manobras que podem ser usadas incluem movimentos circulatórios com os dedos, círculos com o polegar, pressão e deslizamento em forma de bracelete, ou movimento de bombeamento. A drenagem pode ser feita em todo corpo, ou somente numa área de tratamento, dependendo da necessidade que a pessoa apresenta.

Indicações e contraindicações da drenagem linfática:

A drenagem linfática manual pode ser útil para eliminar qualquer tipo de inchaço no rosto ou no corpo que podem surgir nas mais variadas situações. Quando a técnica é realizada com precisão, consegue eliminar o excesso de líquido que evidencia o inchaço, devolvendo-o para a corrente sanguínea, que após ser filtrado através dos rins, pode ser eliminado em forma de urina. 

Assim, a drenagem linfática é indicada nos seguinte casos:

  • Durante a gravidez;
  • Após cirurgia plástica;
  • Após o tratamento do câncer para combater o linfedema;
  • Lesões e traumatismos nos músculos, tendões ou articulações;
  • Durante o período menstrual;
  • Após qualquer cirurgia;
  • Em caso de celulite;
  • Devido ao consumo excessivo de sal e pouca ingestão de água.

A drenagem linfática pode ser realizada com as mãos ou com o uso de aparelhos específicos para drenagem, presente em alguns consultórios, mas a drenagem linfática não deve ser realizada quando há acne severa, graus 3 ou 4 porque pode piorar as lesões ou quando existem feridas abertas, porque podem infeccionar. Após a cirurgia plástica a técnica deve ser realizada após a liberação do cirurgião plástico, normalmente após 24 ou 48 horas da cirurgia. 

É possível fazer drenagem em caso de câncer? 

É possível realizar a drenagem linfática manual com um fisioterapeuta mesmo em caso de câncer, e mesmo após a retirada de gânglios linfáticos, como acontece em caso de câncer de mama, por exemplo. A drenagem linfática não espalha as células cancerígenas mas deve ser feita com técnica específica porque o sistema linfático passa a funcionar de forma diferente após a retirada de linfonodos, e a técnica mal aplicada pode ser danosa para o paciente, causando ainda mais desconforto.

Assim, apesar de ser possível realizar a drenagem linfática em caso de câncer, deve-se ter cautela na escolha do profissional. Mas não é aconselhado para a drenagem com aparelhos, ou pressoterapia porque seu modo de atuação não pode ser modificado, como acontece com as mãos. Dessa forma é possível fazer a drenagem linfática manual em caso de câncer ou suas complicações, como o linfedema, com um profissional qualificado, como o fisioterapeuta com formação específica em oncologia, sendo contraindicada a drenagem com aparelhos em clínicas de estética, por exemplo.