MANUAL DA AGRICULTURA ORGÂNICA
Noções Básicas em Técnicas e Implementos Agrícolas
1 A função de cada ingrediente ao preparar o composto e/ou biofertilizante
Leite ou soro de leite
Rico em aminoácidos, vitaminas, graxas e proteínas, ingredientes necessários para proporcionar as condições adequadas para os microrganismos se multiplicarem. Tem, portanto, a função de reavivar a mistura, assim como o melaço de cana, beneficiando a formação de outros compostos orgânicos que são estimulados durante o processo.
Melaço, melado ou açúcar mascavo
O melaço é responsável pela energia necessária para que os microrganismos realizem o trabalho de decomposição da matéria. O melaço dissolvido em água impulsiona o processo de fermentação, isto é, auxilia o desenvolvimento de microrganismos encarregados de transformar a matéria orgânica em nutrientes fáceis de assimilar pelas plantas. É rico em Potássio, Cálcio, Fósforo, Magnésio e micronutrientes como Boro, Zinco e Ferro.
Sais minerais (Enxofre, Cobre, Bórax, Sódio, Magnésio e Zinco)
Ativam e enriquecem a fermentação, nutrindo e fertilizando o solo e fortalecendo as plantas, que fermentadas ativam a vida a partir da digestão e metabolismo dos microrganismos presentes no tanque de fermentação. Plantas saudáveis são mais resistentes ao ataque de insetos, fungos, bactérias. Os insetos visitam as plantas quando percebem um desequilíbrio mineral. Teoria da Trofobiose de Chaboussou(2).
(2) Teoria da Trofobiose “a saúde das plantas está intimamente ligada à saúde de seu habitat e este lhe permite uma alimentação equilibrada, fonte de resistência aos fatores adversos”, desenvolvida por Francis Chaboussou em 1969.
Carvão / Cinzas ou Fosfitos
Principal função é o aporte de micro elementos ao biofertilizante. Melhora as características físicas do solo, permitindo uma melhor distribuição das raízes, uma maior aeração e absorção de umidade e calor (energia). Seu alto grau de porosidade incrementa a oxigenação do composto beneficiando a atividade microbiana, pois retêm, filtra e libera nutrientes, atuando como regulador da temperatura do solo aumentando a resistência das raízes, e liberando gradualmente nutrientes úteis as plantas diminuindo a perda e lixiviação destes no solo. Sugere-se que o carvão seja triturado. Importante fonte de sais minerais que além de enriquecer e ativar a fermentação, nutre e fertiliza o solo e as plantas.
O composto Bokashi pode ser melhorado utilizando-se a farinha de rocha no lugar das cinzas. Cinzas de gramíneas, casca de arroz, restos de cana de açúcar, bambu e milho tem excelente aporte para o biofertilizante.
Esterco / Estrume
Principal fonte de microrganismos que estimulam a fermentação, grande inoculo: “sementes” de leveduras, fungos, bactérias, protozoários sendo responsáveis pela digestão, metabolização e disponibilizar às plantas e ao solo os elementos nutritivos. Rico em Nitrogênio, melhora a qualidade e a fertilidade da terra com nutrientes como Fósforo (P), Potássio (K) Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Zinco (Zn), Cobre (Cu) e Boro (B). Em geral, o esterco melhora as condições biológicas, químicas e físicas dos solos. O esterco de vaca fresco apresenta uma gama de microrganismos vivos que são indispensáveis para o início do processo de fermentação do bio preparado. Apresenta o Bacillus subtilis, que dá início ao processo fermentativo. Uma das grandes vantagens do uso do esterco de vaca é que permite tanto a fermentação aeróbica como anaeróbica.
Água
Nos compostos, a água auxilia na homogeneização do composto, favorecendo as condições ideais para o desenvolvimento da atividade e reprodução dos microrganismos que o decompõem. Água permite a integração de todos os ingredientes do biofertilizante. Muitos microrganismos, presentes na fermentação, desenvolvem-se melhor em meio líquido, assim transformam mais facilmente produtos como enzimas, vitaminas, peptídeos em promotores de crescimento, transferindo-se mais facilmente aos vegetais.
IMPORTANTE
Como verificar a qualidade final do biofertilizante?
De forma muito simples, a partir do odor e da cor. O odor NUNCA deve ser desagradável, como o de podridão, mas sim com o aroma adocicado da fermentação. Haverá a formação de uma nata branca sobre o líquido, que deve ficar com uma cor âmbar brilhante e translúcida. Sempre no fundo teremos um sedimento.
Cuidado!
Se a nata e o líquido estiverem com cor esverdeada está perdendo qualidade. Se a cor for preta o ideal é descartar. A qualidade avalia-se a partir da Cromatografia de Pfeiffer
2 Aportes complementares e Biofertilizantes enriquecidos
Serrapilheira/Folhas do Bosque/Cobertura ou manto vegetal do bosque
Material rico em folhas, galhos, frutos e restos da meso, macro e micro fauna em estágios diferentes de decomposição, e desta forma, rico em uma microbiota diversificada. Quanto mais diversificada a floresta ou o lugar que estamos colhendo o material, maior e melhor a qualidade e diversidade dos microrganismos presentes. Material excelente para ser multiplicado ou utilizado conjuntamente com a levedura de pão no processo de fermentação. Depois de concluído o processo de fermentação sugere-se guardar uma porção que poderá ser utilizada no próximo fermentado, assim evitamos retirar a serrapilheira do bosque.
Fermento biológico (Saccharomyces cereviseae)
Rica em microrganismos que iniciam o processo de fermentação e transformação da matéria orgânica em nutrientes. São responsáveis pelo início do processo de fermentação.
Farelo de arroz, trigo ou milho
É um ingrediente rico em vitaminas complexas que estimulam a ativação de hormônios de crescimento, aumentando a fermentação do composto. Além de ser muito rico em carboidratos, proteínas, minerais (nitrogênio, fósforo, cálcio, potássio, e magnésio). Estes componentes são fundamentais para a ativação dos microrganismos encarregados da decomposição da matéria orgânica (processo essencial para que possam ser assimilados pelas plantas).
Palhas
Apresentam muito Silício, o que favorece as plantas, pois as torna mais resistentes às doenças. As palhas devem ser trituradas e incorporadas ao composto, facilita a aeração, absorção de umidade e retenção de nutrientes, incrementando a atividade dos microrganismos do solo. Melhorando a estrutura, permite um melhor desenvolvimento das raízes no solo.
Estercos de outras origens: Cama de aviários (poedeiras), Cama de Suínos, Cama de Ovinos
Outra importante fonte de N para os fermentados, contribuindo com Fósforo, Potássio, Cálcio, Magnésio, Ferro, Manganês, Zinco, Cobre e Boro, dependendo da origem poderá aportar outros materiais orgânicos que melhoram as condições físicas do solo. Evitar cama de engorde, pois apresenta muitos resíduos de antibióticos e hormônios.
3 Importância dos elementos na Nutrição das Plantas
Cálcio
Contribui com o equilíbrio da acidez nos fermentados dos compostos, assim como na preparação dos caldos. O cálcio reage com o Enxofre (S) dando-lhe solubilidade no Caldo sulfo cálcico. Utiliza-se a cal viva, a cal de construção civil da melhor qualidade ou Hidróxido de Cálcio. Nunca utilizar cal ou cimento agrícola branco, especialmente na preparação de soluções minerais.
Enxofre
Auxilia no equilíbrio nutricional das plantas, inclusive pode se agregar até 40 kg de Enxofre por hectare diretamente no composto (ex: tipo bokashi). O Enxofre não é solúvel em água e nos caldos deve ser acompanhado com Cal e calor, para que sob alta temperatura possa se dissolver
Cobalto
Elemento essencial da enzima Nitrogenase que participa da síntese do ADN e da divisão celular.
Cobre
A função fisiológica do Cobre é na participação e composição das proteínas e enzimas, nas folhas é encontrado nos cloroplastos. Sua insuficiência causa inibição do crescimento, clorose, perda de turgescência..
Magnésio
É um metal que tem alto poder de oxi-redução e participa das reações de oxidação biológica. Atua na ativação de muitas reações, incluindo transformações de diácidos e triácidos carbônicos. A falta de magnésio debilita a correção dos elementos no balanço nutricional
Molibdênio
É um microelemento, necessário para ação da enzima nitrato redutase, relevante na cadeia de nitratos para nitritos.
Níquel
Importante no processo de ativação da urease. Atua no processo da decomposição da ureia dos dejetos animais e de fonte de biofertilizantes.
Boro
O Boro é um elemento necessário durante todo o período vegetativo da planta, tem ação no papel fisiológico participando do metabolismo do hormônio vegetal auxina e de compostos fenólicos. Importante na formação dos tubos polínicos, formação do pólen e maturação das sementes.
Zinco
Eleva a resistência das plantas ao frio ou calor, assim como no processo da fotossíntese. Sua falta inibe a divisão celular e conduz a mudanças morfológicas das folhas.
Fermentados Orgânicos
Bokashi (termo japonês, fermentação pré-cozida com microrganismos do solo nativo)
O Bokashi é um adubo orgânico fermentado cujos nutrientes se obtêm a partir do calor originado durante sua preparação. Este tipo de adubo tem sido utilizado por muitos produtores de muitas comunidades diferentes com excelentes resultados. Os ingredientes podem ser modificados conforme a disponibilidade e das condições do lugar. É, portanto, importante conhecer o processo e sua preparação e assim como a importância de cada componente da fórmula. Sempre o melhor ingrediente é aquele disponível na propriedade.
O fermento biológico, a serrapilheira e o Bokashi constituem a principal fonte de inoculação microbiológica para a elaboração dos adubos orgânicos fermentados. É a matéria prima - a semente - de inóculo da fermentação. Os agricultores centro-americanos desenvolveram suas primeiras experiências com a elaboração de adubos orgânicos fermentados, utilizando com êxito a levedura de pão em barra ou em pó, entretanto a terra do bosque ou os dois ao mesmo tempo permitem agregar uma diversidade maior de microrganismos desejáveis no processo de decomposição. Após as primeiras experiências, seleciona-se uma boa quantidade do melhor adubo curtido tipo Bokashi (semente fermentada), para utilizá-lo constantemente como sua principal fonte de inóculo, acompanhado de uma determinada quantidade de levedura. Elimina-se, desta forma, o uso da terra do bosque virgem evitando graves problemas de deterioração do solo e da retirada da serrapilheira destes.
Terra é um importante substrato para preparo de compostos
É o substrato natural ideal para o bom desenvolvimento da atividade microbiológica, fundamental para uma boa fermentação, apresenta a capacidade de reter a umidade filtrar nutrientes e liberá-los para serem assimilados pelas plantas em simbiose com os microrganismos. Será sempre um dos componentes do composto, cerca de 30%, conferindo homogeneidade física ao adubo.
Para a preparação do Bokashi a terra mais adequada é a argilosa, pois é rica em minerais necessários ao bom desenvolvimento das sementes. Aconselha-se peneirá-la para retirar pedras, restos vegetais e fibras que possam estar no substrato.
Bokashi
O Bokashi, palavra do idioma japonês, que significa pré cozinhar no vapor os materiais orgânicos do adubo, aproveitando o calor que é gerado pelo aquecimento da fermentação aeróbica. O Bokashi nutre o solo a partir dos diferentes nutrientes solúveis (micro e macro nutrientes), enriquecendo o solo estimula a vida microbiológica e ativa inúmeros processos, permitindo uma distribuição e crescimento das raízes e disponibilizando alimentos às plantas.
Materiais: Pás; Balde e garfo de 3 dentes.
Ingredientes (multiplicar para ter as proporções para doses maiores)
- 2 sacos de esterco de galinha poedeiras (preferencialmente) ou esterco de vaca;
- 2 sacos de terra;
- 2 sacos de palha picada ou casca de arroz;
- 1 saco de carvão vegetal em pedaços picados ou cinza;
- 5 kg de farelo de arroz ou trigo;
- 5 kg de cal dolomítica ou cinza de fogão;
- 5 kg de serapilheira (manto do bosque);
- 1 litro de melaço (mel de cana);
- 100 g de Fermento biológico granulado para panificação;
- 5 kg de Farinha de rocha; e,
- Água.
Preparação do adubo orgânico fermentado
Acondicionamento do lugar é um fator importante. Deve-se proteger o adubo do sol, vento e chuva fatores que alteram a qualidade da fermentação e a qualidade final do produto. Elabora-se em um espaço coberto (lona plástico, galpão, palha), evitar umidade excessiva. O piso de cimento, tijolos ou chão batido com drenagem lateral para escoar as águas das chuvas.
Sequência da mistura
- Dissolver o melado em 20 litros de água, agregar o fermento e revolver a mistura. Guarde a mistura em um galão;
- No piso, distribuir os materiais, que serão dispostos em camadas;
- Primeira camada 10 cm de palha ou casca de arroz;
- Segunda camada 10 cm de terra;
- Terceira camada 10 cm de esterco de vaca seco;
- Quarta camada 3 pás de farinha da arroz ou trigo;
- Quinta camada 4 pás de carvão vegetal picado ou moído. Entre as camadas deverá ser respingada a água do galão (melaço e fermento biológico dissolvido);
- Revolver 3 vezes com a pá de forma uniforme para obter um mistura homogênea, enquanto se revolve a mistura seguimos molhando até gastarmos a mistura que estava reservada. Umidade em excesso prejudica o processo.
O teste de umidade faz-se com um punhado do material, fechar o punho e apertar. O torrão formado é facilmente destorroado e NÃO escorre umidade entre os dedos. A mão não deve ficar suja, apenas levemente úmida. Se o composto ficou úmido agregar mais palha picada ou casca de arroz. Observar se está muito seco, neste caso, agregar um pouco de água distribuindo-o no próximo revolvimento.
Processo de Fermentação
O processo de fermentação inicia após a mistura homogênea dos materiais. A cama a ser formada pelo composto deve ter no máximo 1,4 m de altura nos primeiros dias. Ao princípio, as temperaturas se elevam muito até 65° C que podem prejudicar o processo. É importante a aeração da cama nos primeiros 3 dias, a aeração baixa a temperatura interna. O composto deverá ser revolvido pela manhã e tarde e no 2° dia é importante observar os odores, o cheiro deve ser agradável e NUNCA de podre. A partir do 4° dia, revolve-se somente uma vez ao dia. A temperatura do composto deve ser em torno de 60° C. Se for necessário baixar a temperatura, revolver mais seguido. A etapa de fermentação dura de 12 a 15 dias. O aspecto do composto maduro deve ser de cor cinza claro, arenoso seco e consistente. É importante considerar que todo o processo deve acontecer na SOMBRA e NÃO se acrescenta água. O revolvimento retira umidade e baixa a temperatura.
4 DOSAGENS DE APLICAÇÃO
O material produzido (fertilizante orgânico) deve sempre ser enterrado e mesclado com a terra.
Recomendações
Como acumular esterco de vaca para os preparados?
Na preparação do Bokashi é melhor utilizar esterco com pouca umidade (semiseco). Recomenda-se guardar em galões misturados com palha ou casca de arroz à sombra em galpão coberto.
Que fazer se a temperatura for superior a 60° C?
Revolver o composto para que a entrada de ar baixe a temperatura.
Porque é importante que o composto fique em local protegido do Sol e chuvas?
A luz do Sol higieniza e mata microrganismos, diminuindo a atividade biológica que neste caso, desejamos uma alta atividade microbiológica e um processo de fermentação intenso. Assim como a umidade da chuva é indesejada, pois deixaria o composto muito úmido trazendo prejuízos ao processo de fermentação.
Que fazer se os ingredientes não estão bem secos?
Diminuir a quantidade de água a ser agregada. Usar o bom senso. O importante é que ao realizar-se a prova do punho a umidade esteja de acordo.
BIOFERTILIZANTES (BIOPLASMA)
Ao colocarmos esterco ou biomassa para fermentar por meio de microrganismos, estimulamos as bactérias, leveduras e fungos a transformarem esta biomassa em constituintes de seu protoplasma e metabolismo externo ao corpo, baseado no princípio da Termodinâmica. “A energia não se perde, apenas se transforma”, portanto, todo o ser vivo retira do meio a energia que necessita e depois esta retorna ao meio. O biofertilizante é o produto da fermentação de um substrato por microrganismos. Fermentação é o processo de decomposições, produzidas em substratos orgânicos por meio da atividade de microrganismos vivos. Após o término do processo, o biofertilizante deve ser diluído em concentrações de 0,2 a 5% para aplicação foliar.
Observação:
Se não for possível fazer o biofertilizante no dia, ou o esterco é escasso e deve ser recolhido vários dias, devemos cobrir com camada de melaço e NUNCA com palha seca. O biofertilizante NÃO deve ter palhas misturadas ao esterco.
Captura de Microrganismos do Bosque Teku cana (vida em movimento, no dialeto mixteco)
O que representam os microrganismos do bosque?
Poderíamos dizer que carregam a memória geobiológica do lugar, isto é, a harmonia do bosque está no substrato (solos), na temperatura e suas variações caracterizando a região. A cada lugar corresponde uma memória geobiológica com características próprias de acordo com as condições ecológicas ou bioclimáticas. Sua importância reside na pronta disponibilização no meio. São milhares de grupos funcionais de bactérias, actinomicetos, algas, fungos, protozoários que atuam simultaneamente para manter vivo o milagre da vida. A Captura de Microrganismos do Bosque se utiliza para atrair e reproduzir os microrganismos encarregados de trabalharem a vida dos solos onde se encontram, transformando a Matéria Orgânica em nutrientes de fácil assimilação. Este material se introduz nos biofertilizantes para acelerar o processo de decomposição da Matéria Orgânica, que deve estar decomposta para poder ser disponibilizada.
Os processos erosivos e a degradação de áreas comprometem a vida no solo e do solo, consequentemente, a vegetação que se estabelece. A AgriCultura é um somatório de técnicas culturais a partir da ação humana, com a aplicação de processos e procedimentos para o cultivo de alimentos saudáveis. As rochas dão origem aos solos, cujos nutrientes, mobilizados pelos microrganismos, chegam às plantas, portanto os solos são resultado das rochas que lhes deram origem. As plantas não se nutrem de matéria orgânica, esta serve para alimentar os microrganismos, ou seja, nutrem a vida no solo.
Os microrganismos fazem a ponte entre a energia do mundo mineral e energia do mundo orgânico, a trama que se estabelece entre os 3Ms. O solo, portanto, evolui como todo ser vivo, é dinâmico, modifica-se no tempo e no espaço. A incorporação de matéria orgânica no solo sugere processos de oxidação e redução, um processo dinâmico, onde interagem o clima, a vegetação, a geologia e a fauna. O equilíbrio do complexo orgânico é dado pelos microrganismos presentes, suas reações químicas, excreções, enzimas, coloides e formação de quelados. A Captura dos Microrganismos do Bosque acelera o processo de decomposição da Matéria Orgânica dos fermentados, dos compostos e demais preparados. Estimular a multiplicação dos microrganismos permite que ocorra a sucessão natural destes no composto, mobilizando nutrientes constantemente até sua estabilização, quando esporulam e se mantêm latentes.
A AgriCultura Orgânica é uma agricultura permanente, onde a regeneração se dá pelo constante estimulo à vida. Uma observação constante na dinâmica sucessional, que nos fornece todos os indicadores e deve ser compreendida e assimilada pelos profissionais que buscam atuar nesta área. Aplicada diretamente às plantas fortalece e protege de insetos indesejáveis atraídos por algum desequilíbrio. Aplicado à ração do gado auxilia na digestão e palatabilidade.
Utensílios
1 bombona virgem de 200 litros com tampa e anel para vedação. (Importante que não permita entrada de ar depois de fechado, o processo é anaeróbico); NUNCA reutilizar recipientes que tenham armazenado produtos tóxicos ou que possam inibir a atividade microbiológica 1 pá para misturar os ingredientes; 1 pilão de madeira para compactar a mescla.
Ingredientes
2 porções de serrapilheira (camada superficial do bosque com folhas, cortiças, ramos, flores, frutos e substâncias vegetais em estágios de decomposição); Não utilizar material com folhas verdes. 1 porção de farelo de arroz; 4 kg de melado dissolvido em 1 galão de água;
Preparo para a Multiplicação dos Microrganismos
- Mistura-se o farelo de arroz com a serrapilheira no piso. (Material seco)
- Misturar o melaço com água e acrescentar a mistura de serrapilheira com farelo de arroz;
- Colocar este material na bombona de 100 litros; Com um pilão de madeira, prensar a mistura para
- Com um pilão de madeira, prensar a mistura para compactá-la (golpes verticais);
- Deixar 20% do espaço livre.
- bombona deve ficar bem fechada, com cinturão de metal, é importante revisar as borrachas da vedação.
- Lembrete: NÃO UTILIZAR BOMBONAS QUE CONTINHAM PRODUTOS TÓXICOS!
FERMENTAÇÃO
Uma vez fechada a bombona, deixa-se fermentar por 30 a 45 dias, à sombra, em local ventilado e coberto. É um processo anaeróbico, isto é, um processo sem a presença de Oxigênio. É importante que se revise a bombona e que não tenha escapamento de gás, e a tampa fique hermeticamente fechada. É provável que a tampa da bombona se infle, o que significa que o processo está em andamento. A bombona deve permanecer fechada até o término do processo. Nunca abrir antes de 30 a 45 dias.
Aplicação
Terminado o processo de multiplicação da Captura de Microrganismos do Bosque - CMB o fermentado poderá ser utilizado de várias maneiras.
FERTILIZANTE FOLIAR
Em outra bombona instala-se o sistema de “captura de gases” - perfura-se a tampa e instala-se uma “NIPLE” a pressão, hermeticamente fechado onde se coloca uma mangueira de plástico presa em um arame a uma garrafa de água, para que os gases produzidos no processo fermentativo possam sair sem que entre ar. Dissolver 10 kg de MB (Microrganismos do Bosque) em 100 litros de água da chuva ou poço.
Deixar fermentar por 8 a 10 dias. Utilizar 10 litros deste fermentado e dissolver em 100 litros de água agregando-se 2 ½ kg de melado dissolvido. Aplica-se em pulverizador (QUE NUNCA FORAM USADAS COM AGROTÓXICOS) no sentido da parte inferior das folhas para cima, na madrugada ou entardecer.
OBS: o material deve ser filtrado para não entupir os bicos do pulverizador.
BOKASHI MELHORADO
Aplicar ao Bokashi 20 kg de MB (Microrganismos do Bosque) CUIDADO: Acrescentar apenas após o Bokashi estar pronto.
COMPLEMENTO ALIMENTAR PARA GADO, GALINHAS, PORCOS...
Melhora o processo de digestão dos ruminantes, reconstrói a flora intestinal e estimula a atividade microbacteriológica. Recomenda-se aplicar 200/300g/dia para gado, 50g/dia para os porcos, 30g/dia para cabras e borregos e 20g/dia para coelhos e galinhas.
COMPOSTAGEM DE DESPERDÍCIOS ORGÂNICOS
Aplicar sobre a capa de desperdícios orgânicos uma camada de MB (Microrganismos do Bosque). Pode ser na bombona, no composto ou diretamente no solo. Este procedimento auxilia a eliminação de odores e favorece a decomposição da matéria orgânica
Os odores de pocilgas e dos galinheiros podem ser eliminados com a aplicação de uma camada do preparado, no piso.
BIOFERTILIZANTE ELABORADO COM OS MICRORGANISMOS
O preparado a base de MB é um excelente biofertilizante muito parecido ao SUPERMAGRO SIMPLES onde se substitui o esterco de vaca por MB (Microrganismos do Bosque). Os princípios e a aplicação são os mesmos.
Utensílios
1 Bombona de 200 litros com tampa com vedação de metal e borracha; NÃO PODE ENTRAR AR
1 Adaptador para a mangueira de ½ pol. para adaptar na tampa;
50 cm de mangueira de ½ pol. Para acoplar ao adaptador e fixar com uma braçadeira metálica;
1 Braçadeira metálica de ½ pol.;
1 garrafa pet de 1 litro, transparente;
1 pilão de madeira para misturar os ingredientes dentro da bombona.
Ingredientes
20 kg do MB (Microrganismos do Bosque); 2 litros de melaço; 1 galão de soro de leite; Água da chuva ou de poço para completar 180 litros.
Preparação
- Misturar com o pilão de madeira energicamente os ingredientes na bombona;
- Fechar hermeticamente e conectar a mangueira na garrafa pet suspensa com água, por um anel de arame;
- Deixar um espaço de 15 cm para a formação dos gases.
BIOFERTILIZANTE SUPERMAGRO SIMPLES “a scue’nu” (o que faz crescer no dialeto mixteco)
Uso
Alto valor nutricional (minerais, vitaminas, leveduras e fito hormônios) para as plantas e pode ser aplicado diretamente. Aplicação foliar que estimula o crescimento das plantas. Protege contra eventual infestação de insetos ou fungos causados por algum desequilíbrio nutricional.
Utensílios
1 Bombona de 200 litros com tampa de vedação permanente.
NÃO PODE ENTRAR AR
1 Adaptador de ½ pol. ou 3/8 pol. 1 Garrafa pet transparente;
1 Pilão de madeira adequado para misturar os ingredientes na bombona;
50 cm de mangueira transparente de ½ pol. ou 3/8 pol.;
1 Braçadeira metálica de ½ pol.
Ingredientes
- 40 a 50 kg de ESTERCO FRESCO de VACA;
OBS: o ideal é que seja de pastagem. - 1 kg de MELAÇO;
- 3 kg de CINZA ou PÓ DE ROCHA de diferentes rochas;
- 100 a 200 g de FERMENTO BIOLÓGICO (acrescentar mais 100 g se o ESTERCO não for fresco);
- 2 a 4 kg de LEITE ou SORO de LEITE;
- 180 litros de ÁGUA LIMPA.
PREPARAÇÃO
A tampa da bombona deve ser furada para a instalação do adaptador de pressão hermeticamente fechado.
NÃO DEVE ENTRAR AR
Em uma das extremidades, colocar a mangueira de plástico transparente dentro da garrafa pet com água que é suspensa por um aro de arame; os gases produzidos no processo de fermentação saem pela mangueira e fazem borbulhar a água. Nesta etapa percebe-se a eficiência do sistema.
Concluída a etapa construtiva, seguem os procedimentos:
Misturar energeticamente, dentro da bombona, até que a mistura esteja bem homogênea;
CINZA + ESTERCO + 100 L de ÁGUA;
Dissolver o MELADO em um balde de água quente, quando estiver morna, acrescentar a FERMENTO BIOLÓGICO e o LEITE ou SORO DE LEITE que se mistura bem e acrescenta-se à bombona;
Misturar vigorosamente de tal maneira que fique uma mistura bem homogênea, com os ingredientes bem integrados;
Acrescentar ÁGUA limpa até completar 180 litros e misturar novamente;
SEMPRE DEIXAR ESPAÇO PARA A FORMAÇÃO DOS GASES. (20%);
Fechar a tampa e instalar o sistema da GARRAFA PET.
FERMENTAÇÃO
Uma vez instalado o sistema, verificar se está bem fechado e colocar a bombona em local protegido do SOL direto e das chuvas. Durante 30 dias SEM retirar a mangueira e observando se há formação de borbulhas na garrafa. Se tudo estiver bem, DEIXAR MAIS TEMPO, até 45 dias. Recordando que o PROCESSO é ANAERÓBICO, SEM presença de OXIGÊNIO.
NUNCA DEVE TER CHEIRO DE PODRIDÃO, NEM CORES AZUL OU VIOLETA o que indicaria que a fermentação está com problemas. O mau funcionamento pode ser devido à presença de ar, a erros na instalação do sistema, pela retirada da mangueira da garrafa, por fissuras no adaptador.
APLICAÇÃO
Uma vez que o BIOFERTILIZANTE está pronto, diluir em ÁGUA nas seguintes proporções:
1 litro de BIOFERTILIZANTE em 15 litros de ÁGUA
1 a 2 litros de BIOFERTILIZANTE em 20 litros de ÁGUA (5 a 10 % de dissolução);
5 a 10 litros de BIOFERTILIZANTE em 100 litros de ÁGUA (5 a 10 % de dissolução).
Aplicar ao amanhecer ou ao entardecer, SEM a PRESENÇA DO SOL aplica-se da forma foliar na parte inferior das folhas (MAIOR ABSORÇÃO de NUTRIENTES); Também se pode usar para adubar os solos, pois aporta muitos nutrientes, tanto sobre a cobertura verde ou diretamente no solo, que serão consumidos pelos microrganismos do solo.
CUIDADOS O PULVERIZADOR COSTAL NÃO PODE TER SIDO USADO COM AGROTÓXICOS. Os processos fermentativos serão inibidos por produtos químicos.
5 CUIDADOS O PULVERIZADOR COSTAL NÃO PODE TER SIDO USADO COM AGROTÓXICOS. Os processos fermentativos serão inibidos por produtos químicos.
RECOMENDAÇÕES
Que fazer se não temos disponível 50 kg de ESTERCO FRESCO no dia? Ao coletar o esterco fresco cobrir com uma camada de MELAÇO diluído em água, pode ser acumulado todos os dias intercalando a aplicação do MELAÇO.
Qual é o melhor ESTERCO para a preparação do Biofertilizante? O melhor é aquele que se encontra na “pança da vaca”, se soubermos de algum animal a ser sacrificado este é o momento. Entretanto, o ideal é coletarmos o esterco todos os dias e conservar o material com MELAÇO ou SORO de LEITE.
O que nos conduz a um BOM biofertilizante? Boa qualidade dos ingredientes; Uma boa fermentação e transformação dos componentes da mistura; Um bom emprego dos elementos, isto é, seguir os passos e os cuidados indicados para o processo.
BIOFERTILIZANTE DE ABÓBORA
Ingredientes
650 litros de água limpa;
150 litros de soro de leite;
50 litros de melado de cana;
10 kg de esterco fresco de terneiro;
150 kg de abóbora;
10 kg de casca de camarão;
15 kg de pó de rocha;
500 g de fermento biológico.
Utensílios
1 saco de algodão para camarão;
1 bombona de 1000 litros;
1 pilão de madeira para revolver.
Preparo
- Triturar a abóbora e colocar no tanque de 1000 L;
- Misturar o soro de leite com melaço de cana, o fermento biológico, a farinha de rocha e o esterco de terneiro;
- Colocar sobre a abóbora picada e misturar com a pá de madeira;
- Colocar a casca de camarão no saco de algodão e fixar de forma que fique submerso no líquido;
- Misturar bem o produto e tampar com rede de algodão, pois a fermentação é aeróbica;
- Esperar 30 dias como período mínimo de fermentação do biofertilizante.
Uso
É ideal para recompor e reconstruir solos degradados fisicamente e biologicamente esgotados pelo impacto da agricultura convencional. A aplicação é 5-10 litros dissolvidos em 100 a 200 litros de água limpa. Aplicar sobre a serrapilheira ou ‘mulching’ depositado nos solos com o intuito de maximizar seus benefícios.
Obs: A Abóbora é rica em carotenos e açúcares, disponível e de baixo custo.