Sistema alternativo de Ar condicionado Automotivo I
Manutenção de Ar Condicionado Automotivo
1 Procedimentos de Manutenção:
Análise da eficácia do sistema de ar condicionado: “Sempre efetuar todas as avaliações possíveis, sejam elas elétricas ou mecânicas, antes de mexer no sistema de ar condicionado, para que não se percam as referências dos problemas.”
Tem como objetivo diagnosticar no veículo, possíveis reclamações referentes ao mau funcionamento ou baixa eficiência do sistema de ar condicionado. Portanto para a diagnose, devesse seguir as etapas abaixo:
- Utilizar Recicladora ou Manifold para verificação do sistema de ar condicionado, eliminando todas as hipóteses quanto a vazamento, excesso ou falta de Gás;
- Avaliar se o filtro de cabine (ou antipólen) encontra-se obstruído ou com presença de folhas, impedindo o fluxo de ar para o interior do veículo;
Posicionar os botões de controle do ar conforme indicação abaixo:
- Ventilação na posição máxima;
- Distribuição do ar na posição ar frontal;
- Recirculação totalmente admissão de ar externo;
- Temperatura na posição fria (faixa azul);
- Ar condicionado desligado.
-Ligar o veículo e abrir os vidros das portas, até a diminuição da temperatura do habitáculo. Fechar os vidros a seguir e deixar o veículo funcionando;
OBS.: É importante que o teste seja efetuado em ambiente coberto sem a exposição direta do sol sobre o veículo, e a temperatura externa esteja variando entre 18ºC e 30ºC;
Ruídos anormais:
Anormalidade: O ar condicionado apresenta ruído quando ligado?
Nota: Todo ruído gerado na carroceria ou motor são amplificados e seguem pelas tubulações para o interior do habitáculo. Este ruído pode ter as mais diversas origens e por inúmeras vezes é diagnosticado incorretamente, considerando-se o compressor como único causador da falha.
2 Controle de Óleo do Sistema:
Informamos a seguir o correto procedimento para a manutenção da quantidade de óleo, quando da substituição de componentes do sistema de ar condicionado. É importante salientar que o óleo do sistema muda de montadora para montadora.
Lubrificação do sistema de A/C e compressor:
O sistema de ar condicionado contém uma determinada quantidade de óleo para lubrificar as partes móveis dos compressores. O óleo mistura-se com o refrigerante e este o arrasta ao longo do sistema através dos componentes e mangueiras, durante o ciclo de funcionamento, parte deste óleo fica aderida na forma de um pequeno filme nas paredes internas das tubulações e em maiores quantidades no condensador, evaporador, filtro e compressor. As mangueiras e componentes devem ser dimensionados com velocidades mínimas de escoamento do gás para que possa promover o retorno do óleo circulante no sistema para o compressor. Cada modelo de compressor exige que seja retida certa quantidade mínima de óleo em seu interior para sua perfeita lubrificação. “O óleo é desenvolvido para cada tipo de refrigerante e tipo de compressor, devendo-se sempre seguir a recomendação do fabricante. Caso contrário o compressor sofrerá danos permanentes, comprometendo sua durabilidade”.
Compressor:
- Escoar o óleo lubrificante do compressor retirado do veículo, para tanto, remover o parafuso de dreno localizado na parte inferior do mesmo.
- Verificar a quantidade de óleo retirada do compressor do veículo, colocando-o em um recipiente graduado (A), deixar drenar por aproximadamente 5 minutos e girar a polia do mesmo para concluir a remoção;
- Escoar o óleo lubrificante do compressor novo a ser instalado no veículo em outro recipiente (B), drenar o mesmo por 5 minutos e girar a polia do mesmo para concluir a remoção;
- Remover a quantidade de óleo excedente (C), que corresponde à diferença do óleo do compressor novo para o óleo do compressor retirado do veículo;
- Reabastecer então o compressor novo e colocá-lo no veículo.
Por exemplo: Se for retirado do compressor usado 70ml de óleo, reabastecer o compressor novo com os mesmos 70ml.
Nota: A quantidade mínima de óleo a ser colocada no compressor novo deverá ser 60ml.
ATENÇÃO: Nunca reutilize o óleo retirado do compressor usado em compressores novos, este óleo deve ser recolocado no compressor removido do veículo para posterior envio em garantia.
Evaporador: Na troca do evaporador, adicionar 75ml de óleo novo à peça nova.
Condensador: Na troca do condensador, adicionar 30ml de óleo novo à peça nova.
Filtro Secador: Na troca do Filtro Secador, adicionar 50ml de óleo novo à peça nova.
Mangueiras ou tubos com abafador (muffler): Em casos de substituição de Mangueiras ou tubos, adicione 15ml de óleo novo.
Importante: O óleo PAG é altamente higroscópico, ou seja, absorve umidade com muita facilidade. Por este motivo, mantenha o frasco de óleo sempre fechado e se possível utilize-o até o fim quando abrir uma embalagem.
Procedimento de Limpeza Interna do Sistema (Flushing):
Quando falamos em limpeza do sistema de ar-condicionado automotivo, temos a limpeza Flushing. A limpeza completa do sistema, conhecida como Flushing é o procedimento utilizado para retirar completamente o óleo e os contaminantes das paredes internas dos tubos e mangueiras do sistema de ar condicionado automotivo devido à deterioração dos equipamentos como o compressor e o filtro acumulador secador, que são os que maiores causadores desse tipo de problema. Ela é necessária também em veículos mais antigos, com ineficiência no funcionamento do sistema, mesmo que devidamente abastecidos de fluido refrigerante (R-12 ou R-134ª). No sistema de refrigeração, o compressor necessita de lubrificantes especiais para atenuar o desgaste das partes móveis internas. Na linha automotiva a quantidade deste óleo varia de 140 a 500ml. Em determinadas situações ou condições de trabalho esse lubrificante pode contaminar-se. Considera-se contaminado se for exposto à umidade e limalhas oriundas do desgaste interno do compressor. Para "lavar", ou seja, retirar totalmente este lubrificante contaminado é preciso um fluido, um solvente capaz de misturar-se e dissolver o óleo, deixando-o menos viscoso e com alta fluidez. Portanto é recomendado utilizar o fluido R141B, que pode ser utilizado no estado líquido à temperatura ambiente, facilitando muito seu manuseio e a eficiência de limpeza.
Segurança:
Fique atento, pois o óleo PAG ou até os gases podem danificar a pintura dos veículos se derramado acidentalmente. Utilize sempre os EPI (equipamento de proteção individual)! Esse trabalho pode ser perigoso, pois o fluido de limpeza sob alta pressão se expande e pode baixar muito a temperatura, podendo causar lesões e queimaduras no corpo. Faça a manutenção em ambiente ventilado e evite a inalação de fluidos vaporizados.
Ferramentas:
Existem máquinas específicas e de última geração que executam a tarefa de limpeza com sucesso, porém o investimento não é dos mais baratos.
Opções mais simples e econômicas estão em ferramentas dotadas de reservatório para o fluido, com mangueiras e aplicador ou ainda uma solução mais simples, uma garrafa PET com uma mangueira fina e conexões apropriadas. Todas essas opções trabalham com o mesmo objetivo e o mesmo princípio.
Flushing manual:
Na execução do Flushing manual, as linhas devem ser abertas para facilitar o acesso e diminuir a perda de carga durante a lavagem, pois quanto mais rápido passar o fluido de limpeza, mais arrasto este proporcionará. O filtro secador e o compressor não passa pelo processo de limpeza. O filtro (acumulador/secador) deve ser substituído. O compressor será substituído ou caso seja reutilizado, deverá ser feita substituição do óleo.
No caso do condensador com o filtro secador interno, do tipo cartucho, se não houver o filtro cartucho para venda separada, recomenda-se a troca completa do condensador. Isso deve ser considerado num orçamento, pois a variação de preço entre trocar ou não trocar um condensador é alta. Atenção para não comprometer o orçamento! Os itens mangueira, trecho de tubulação, condensador e evaporador devem ser limpos separadamente. Ao limpar o evaporador o correto é efetuar a retirada da válvula de expansão. Em alguns veículos ela fica alojada em locais de difícil acesso, como dentro do painel, por exemplo. Nesses casos é necessária a remoção do painel, sempre fazendo a passagem do fluido nos dois sentidos (fluxo e contra fluxo ou retro lavagem). Se não for retirada, a válvula de expansão pode dificultar e até comprometer a limpeza. Se o sistema possuir tubo de expansão, este deve ser limpo ou substituído. Em alguns casos, para a limpeza do evaporador e válvula de expansão, deve ser orçada a remoção do painel, pois o serviço de limpeza do sistema pode ser em vão, considerando o evaporador repleto de óleo contaminado e a válvula de expansão travada devido às impurezas internas.
Em cada componente devem-se aplicar alguns mililitros de fluido R-141B, como por exemplo, em um condensador. Em cada aplicação, cerca de 250ml de R-141B de cada vez, por diversas vezes, até o fluido sair completamente limpo (por ambos os lados, entrada e saída). A cada aplicação de fluido, devese comprimi-lo com nitrogênio a uma pressão de pelo menos 10bar (140psi), que irá ocasionar o arrasto do fluido e o óleo com alta velocidade pelo interior da tubulação. Chega-se a utilizar de 1 a 10litros de fluido refrigerante R-141B numa lavagem completa, dependendo do estado do sistema e de seu acesso. Essa tarefa deve ser repetida por diversas vezes, o suficiente até o fluido sair completamente limpo na outra extremidade. Numa lavagem manual, para evitar que esse fluido sujo respingue nos veículos e se espalhe pela oficina, recomendamos colocar uma mangueira plástica (transparente) encaixada na outra extremidade da tubulação a ser limpa. Esta mangueira pode ser conectada a um garrafão com dois furos na tampa. No primeiro furo entra a mangueira com o fluido sujo e no outro um pedaço curto de mangueira, para o escape do ar de dentro do garrafão. Assim pode-se coletar o fluido com o óleo sujo e destiná-lo para reciclagem. Após a limpeza completa o sistema deve ser montado com vedações novas e lubrificado.
Submeta o sistema ao teste de estanqueidade (vazamento) após montado, utilizando nitrogênio. Lembre-se de efetuar o vácuo no sistema, a fim de retirar a umidade interna durante aproximadamente + ou - 30 minutos ou conforme o vácuo recomendado por equipamento especial (vacuômetro). Com o sistema completamente limpo, devemos considerar que está sem óleo e no caso de um compressor novo, este geralmente já vem com a medida recomendada. Caso o compressor tenha sido aberto e limpo, verifique em sua etiqueta e adicione a quantidade recomendada de óleo PAG (no caso de sistemas com R-134ª), entre 140 a 500ml dependendo do modelo, com a viscosidade recomendada. Caso a especificação da quantidade não esteja no compressor, verifique as etiquetas no cofre do motor.
3 Procedimento de Evacuação do Sistema:
A estação de vácuo deve estar preparada para atingir pressões absolutas menores que 25mmHg.
Porque se deve fazer vácuo a níveis tão baixos?
Para que a temperatura de evaporação da água seja reduzida, sendo que todo vapor de água ou umidade seja evaporado, mesmo a temperatura ambiente e posteriormente removido através da sucção do ar pela bomba de vácuo. Lembrando-se do conceito da ebulição da água no início deste treinamento, quanto mais baixa a pressão na qual o líquido está submetido, menor é a temperatura com que ele evapora. Então sob vácuo a retirada de umidade será mais fácil. A umidade a esta pressão de (25mmHg) evapora perto dos 25°C. À pressão atmosférica seria próximo dos 100°C. “Nível de vácuo insuficiente pode causar desgastes excessivos do compressor devido à alta pressão e temperatura que o sistema opera; corrosão de partes internas; degradação da lubrificação; congelamento do orifício expansor.”
Abaixo seguem algumas referências de pressão absoluta de vácuo e o ar remanescente no sistema e à temperatura de evaporação da umidade nesta pressão, que cujo nome disse MÍCRONS DE MERCÚRIO:
O que é mícron?
O mícron é uma unidade de medida linear. Um mícron é a milésima parte de um milímetro. Os manômetros de medir as pressões nos sistemas de refrigeração são na sua maioria marcados no sistema que usa a polegada de comprimento e a libra de peso. Para se ter uma idéia da proporção do mícron em relação aos nossos manômetros, basta dizer que um mícron é igual a 1 parte de 25000polegadas, ou então que são necessários 255.400mícrons para fazer uma polegada. O tubo da Fig. 45 está equilibrado com a pressão de 1atm nas duas extremidades. Quando não se aplica pressão em uma das extremidades, a pressão atmosférica vai atuar fazendo com que o mercúrio se movimente no sentido da pressão aplicada. Sendo a pressão mostrada de 1atm, é portando o zero do manômetro. Na Fig. 46 quando o manômetro composto (azul) está marcando abaixo de zero, ele está dando a pressão negativa em polegadas de vácuo. Isto quer dizer que a nossa coluna de mercúrio da ilustração está começando a passar para baixo do ponto A.
Ora, considerando que existem 24.500 mícrons de mercúrio entre 28,9’ e 29,9’ de vácuo medido no manômetro, veremos que é impossível fazer esta medição de forma correta observando o marcador do manômetro comum. Por isto somos obrigados a usar o medidor micrométrico (vacuômetro). Para se retirar todo o ar do sistema de AC deveria ter vácuo absoluto no sistema, porém isto é impossível, portanto o mínimo recomendado é 25mmHg, observando que se estiver a uma temperatura abaixo de 25ºC, normal em dias de inverno principalmente, já não será suficiente, portanto deve-se prestar bastante atenção nesse detalhe. “Tempo de vácuo, não garante a sua eficiência”, como é feito na maioria das oficinas. Se houver qualquer micro-vazamento, o vácuo não será efetivo. Porém, um tempo mínimo é requerido para que se tenha absoluta certeza que o sistema está bem isolado (sem vazamento).
Caso a pressão aumente mais de 10mmHg em 30 segundos, significa que ainda pode haver vazamento no sistema de AC do veículo. (no caso dos vacuômetros das estações de carga, estes normalmente não têm esta precisão, neste caso não deve haver movimento algum do ponteiro do manômetro durante alguns minutos). Caso não sejam atendidos os critérios acima, retorne ao procedimento de detecção de vazamento carregando o sistema com aproximadamente 300 gramas de gás refrigerante ou pressurização com gás nitrogênio (como é mais utilizado e indicado). Após a nova checagem de vazamentos proceda novamente com os processos de recuperação e vácuo. Caso não haja aumento de pressão novamente, abra as válvulas novamente e continue o vácuo por tempo necessário até alcançar o limite mínimo indicado (25mmhg). Feche as válvulas da estação ou manifold novamente, aguarde alguns segundos até a estabilização da pressão com o sistema de AC do veículo e cheque se o vácuo é mantido e se atingiu pelo menos 25mmHg a 25 ºC. Se o nível de vácuo estiver OK, o sistema estará pronto para ser carregado.
4 Esquema Elétrico Típico do Sistema de AC:
Intertravamento da ECM com o Sistema e AC:
Sequência de Ativação dos Eletroventiladores:
Anomalias, Defeitos e Reparos: