Técnicas de redação, compreensão, interpretação de textos

Técnicas de Redação

1 O que é interpretar um texto:

A palavra interpretar vem do latim interpretare e significa explicar, comentar ou aclarar o sentido dos signos ou símbolos. Tal vocábulo corresponde ao grego análysis, que tem o sentido de decompor um todo em suas partes, sem decompor o todo, para compreendê-lo melhor. Interpretar um texto é entendê-lo, penetrá-lo em sua essência, observar qual é a idéia principal, quais os argumentos que comprovam a idéia do autor, como o texto está escrito e outros detalhes. Não é tarefa fácil, pois vivemos em um mundo que não privilegia a compreensão profunda de nossa própria existência. Tentaremos, neste material, auxiliá-lo a fazer uma boa análise do texto em seu concurso para que você obtenha o sucesso esperado.

Saber ler corretamente:

Quando se diz que um candidato deve saber ler, esta afirmação pode parecer banal, a não ser que esclareça melhor o sentido da expressão "saber ler". Ler adequadamente é mais do que ser capaz de decodificar as palavras ou combinações linearmente ordenadas em sentenças. O candidato deve aprender a "enxergar" todo o contexto denotativo e conotativo. É preciso compreender o assunto principal, suas causas e conseqüências, críticas, argumentações, polissemias, ambigüidades, ironias etc. Ler adequadamente é sempre resultado da consideração de dois tipos de fatores: os propriamente lingüísticos e os contextuais ou situacionais, que podem ser de natureza bastante variada. Bom leitor, portanto, é aquele capaz de integrar estes dois tipos de fatores.

2 Características de um texto:

Unidade:

O principal atributo de um texto — para ser considerado como tal — é a unidade. A origem do termo "texto" está relacionada a "novelo", ou seja, um emaranhado de assuntos. Assim, todo o texto perpassa uma idéia maior desenvolvida em partes. Observe como isso se dá no texto a seguir.

“Destruir a natureza é a forma mais fácil de o homem se aniquilar da face da terra. Dizimando certas espécies de animais, por exemplo, interfere na cadeia alimentar, causando desequilíbrios que produzirão a extinção de seres essenciais à harmonia do planeta. Jogando diariamente toneladas de produtos químicos poluentes, o ser humano causa a destruição do meio ambiente.”

Perceba que o texto anterior está dividido em três períodos, cada um com uma idéia específica. No entanto, o tema principal é a destruição do meio ambiente. Aí está a nossa unidade. Geralmente, as bancas exigem do candidato, no concurso, algumas questões relacionadas a essa unidade.

Clareza:  Clareza é a capacidade que o autor teve de construir um texto facilmente compreensível pelo leitor.

Coerência:  Assuntos relacionados à coerência aparecem com muita freqüência nos concursos. Muitos candidatos encontram dificuldade para responder às questões.

Coerência é a lógica e a organização da estrutura do texto. Ela envolve o texto como um todo de forma que o leitor o entenda. Observe o texto a seguir:

Brasília é a melhor cidade do Brasil. A qualidade de vida apresenta dados que se destacam no cenário nacional: baixa criminalidade, alto poder aquisitivo e boas opções de lazer. Também o clima propicia agradáveis dias durante o ano inteiro. Infelizmente, muitas pessoas que moram aqui reclamam dos preços cobrados nos aluguéis de apartamentos apertados.”

O parágrafo aborda inicialmente uma visão positiva em relação à cidade e, no final, explora uma idéia contrária à idéia principal.

COESÃO: "A coesão não nos revela a significação do texto; revela-nos a construção do texto enquanto edifício semântico". (M. Halliday) A metáfora acima representa de forma bastante eficaz o sentido de coesão, assim como as partes que compõem a estrutura de um edifício devem estar bem conectadas, bem "amarradas", as várias partes de uma frase devem se apresentar bem "amarradas", conectadas para que o texto cumpra sua função primordial - veículo entre o articulador deste e seu leitor. Portanto, coesão é essa "amarração" entre as várias partes do texto, ou seja, o entrelaçamento significativo entre declarações e sentenças.

3 Língua:

Para o linguista Ferdinand de Saussure (1916), a língua é um conjunto sistemático de convenções sociais, utilizadas pela coletividade para gerar a comunicação. Constitui-se de signos linguísticos que resultam da união de significante (imagem acústica) e significado (conceito). Dessa forma, a imagem acústica ‘árvore’ significa “vegetal lenhoso, com tronco e folhas” ou, ainda, outros significados como árvore de natal, genealógica etc. A variação de significado depende do que, de onde e com quem estamos falando. Portanto, o significado das palavras se apresenta de forma polissêmica, pois podemos utilizar uma palavra (imagem acústica) com várias sentidos (conceitos), dependendo do contexto de uso. A palavra corrente aparece nos dois enunciados com sentidos diferentes

A língua se concretiza por meio da fala, linguagem verbal, e a fala, por sua vez, é representada por meio da escrita.

Linguagem verbal:

A linguagem verbal realiza-se na fala e na escrita. Concretiza-se na fala, que se realiza por meio de signos linguísticos. A escrita representa o que falamos, mas não de forma tão exata. Utilizamos para escrever símbolos: alfabeto, sinais de pontuação, acentuação, números etc. Portanto, utilizamos a fala e a escrita para dar sentido às nossas ações e atividades de linguagem e, principalmente, para estabelecer a comunicação.

Linguagem não verbal:

O sentido – que damos às coisas do mundo – e a comunicação – que se estabelece entre as pessoas – não ocorrem apenas por meio da linguagem verbal. Lemos o mundo, os fatos sociais e as pessoas utilizando a linguagem não verbal. Por exemplo: quando o semáforo aciona a luz amarela, isso significa atenção, pois em poucos segundos será acionada a luz vermelha para os carros pararem em um determinado lugar, sinalizado na via de trânsito. Veja que as cores, nesse contexto, têm um significado específico, representam um tipo de linguagem, que chamamos de não verbal.

Podemos citar como exemplos de linguagem não verbal as cores, ícones, movimentos corporais e faciais, desenhos, fotografias, situações, mímicas, lugares etc. A comunicação ocorre por meio da linguagem verbal, da não verbal e na associação das duas. Um bom exemplo do uso das duas linguagens é a utilização de documentos que precisam ser expedidos em papel timbrado.

Além disso, também temos a mescla de linguagens, isto é, a linguagem multimodal. Esse tipo de linguagem consiste na associação de várias linguagens para a construção de um texto. Estamos utilizando a palavra texto, aqui, com o sentido mais amplo. Por exemplo: uma peça teatral, uma propaganda, um filme, um folder, o hipertexto da internet, um trabalho escolar com desenhos ou gravuras, o livro didático, entre outros.

Variedades linguísticas:

Um fato que faz parte da nossa realidade social é a existência de variedades linguísticas, isto é, diferentes formas de uso da mesma língua. De forma simples, são exemplos de variedades linguísticas: os sotaques das pessoas de diferentes regiões, a forma de falar de algumas tribos de adolescentes, que usam as gírias; a forma de falar de alguns desportistas; a linguagem técnica de determinados profissionais, como médicos, advogados, policiais; a língua “padrão” e a considerada “não padrão.

Exemplos de variedades linguísticas:

Na fala:

Na escrita:

Todas as línguas do mundo têm suas variedades linguísticas, pois as pessoas não são iguais, elas pertencem a culturas diferentes e formas de socialização que variam e marcam suas identidades. A língua, devido a fatores sociais, políticos, econômicos e de escolarização, apresenta variedades que são consideradas “padrão” e “não padrão”. A primeira é tida pela sociedade como a “língua culta”, a de prestígio. A segunda, muitas vezes, as pessoas que a utilizam são estigmatizadas, ou seja, são tratadas com preconceitos e desrespeito, o que não deveria acontecer, pois rotular com certos adjetivos as pessoas que não fazem uso de uma linguagem dita “padrão” é um grande equívoco.

Precisamos reconhecer as diferentes formas de uso da língua e respeitar as pessoas, independentemente da forma como falam.

Não é porque ouvimos uma pessoa falar nóis vamu no hospital que devemos pensar que ela não sabe falar o português. Na verdade, faz uso de uma das variedades do português e se comunica do jeito que sabe. Quando estamos exercendo um papel social, no qual lidamos com o público, é necessário que nossa forma de falar seja clara e objetiva, conforme a variedade linguística que dominamos. E, quando escrevemos, dependendo do gênero textual, precisamos usar a variedade “padrão”, principalmente redação oficial, escrituração escolar etc.

Veja que, no caso do bilhete da Karol, a linguagem estava adequada para esse gênero, mas para uma redação oficial, aquela linguagem não é conveniente. Para sabermos mais sobre a variedade linguística, vamos ler um fragmento do texto de Tânia Alckmin.

1. Por que é importante uma pessoa que lida com o público ter o conhecimento sobre variedade linguística? Escreva em poucas linhas seu ponto de vista.

2. Escreva um documento utilizado na escola (pode ser um memorando, uma ata ou um requerimento, entre outros.) e um bilhete, convidando um amigo muito próximo para ir ao clube. Atente para a variedade linguística que você deve usar.

4 Gêneros textuais:

Na interação do cotidiano, usamos diferentes formas de comunicação, sejam elas orais ou escritas. Quando estamos na secretaria da escola, em uma situação de atendimento: dizemos “bom dia, o que a senhora deseja? E ela responde “o senhor pode me informar quando vai começar o período de renovação de matrícula”?”. Estabelece-se aí uma situação de conversação, com falas bem marcadas. Esse tipo de situação se repete com outras pessoas e com variação do discurso, todos os dias, nesse contexto de trabalho. A essa configuração, podemos chamar de gênero textual da oralidade.

Na secretaria, por exemplo, também lidamos com textos específicos: memorando, declaração, histórico, relatório, ata etc. Já o encarregado administrativo da escola lida com outros gêneros mais específicos à sua área de atuação: formulário de registro de atestado médico, folha de ponto, licença maternidade, planilha etc. Esses documentos têm configurações bem marcadas, têm função social porque desempenham um papel social. A esses documentos chamamos de gêneros textuais da escrita. 

É por meio dos gêneros da oralidade e da escrita que nos comunicamos, dando sentido às atividades sociais.

5 Técnicas de redação:

As Técnicas de Redação variam conforme os tipos de textos utilizados, os quais podem ser dissertativo, descritivo ou narrativo.

Qualquer que seja o tipo de texto utilizado, o conteúdo é desenvolvido ao longo do texto e divide-se nas seguinte partes:

1.ª Introdução - delimitação do tema. Indica o tema de que trata a redação.
2.ª Desenvolvimento - argumentação ou progressão temática. São desenvolvidas ideias, ao passo que as opiniões são dadas, bem como defendidas.
3.ª Conclusão - desfecho para os argumentos apresentados.

É dessa forma também que o nosso raciocínio deve ser organizado. O sucesso de uma redação depende muito da forma como o texto é estruturado.

Antes de começar a escrever tudo o que vem na mente é preciso delimitar o tema dando espaço para aquilo que é realmente importante. Isso evita que a redação fique muito extensa.

Dicas:

  1. Delimite o tema.
  2. Estruture bem o texto.
  3. Não utilize linguagem coloquial.
  4. Evite expressões do tipo “eu acho”.
  5. Evite os chavões. Exemplos: "Agradar a gregos e troianos" e "Vitória esmagadora".
  6. Seja coerente. Não se contradiga!
  7. Leia o seu texto no final de forma pausada e, se possível, em voz alta. Isso pode garantir que a pontuação foi feita de forma correta.

E, finalmente, leia! Quem tem o hábito de ler, adquire mais facilidade para se expressar, além de que evita erros ortográficos e gramaticais.

6 Dissertação:

Um texto dissertativo deve ser opinativo. Nele é apresentado um ou vários argumentos, que encerram com uma ideia.

Além de estruturar bem o texto, garantindo sua progressão temática, a coerência é um dos fatores mais importantes nesse tipo de redação.

Texto Dissertativo é um tipo de texto argumentativo e opinativo, uma vez que expõe a opinião sobre determinado assunto ou tema, por meio de uma argumentação lógica, coerente e coesa.

Estrutura do texto dissertativo:

A estrutura de um texto dissertativo está baseada em três momentos:

  1. Introdução: Também chamada de "Tese", nesse momento, o mais importante é expor a ideia central sobre o tema de maneira clara. Importante lembrar que a Introdução é a parte mais importante do texto e por isso deve conter a informações que logo serão desenvolvidas.
  2. Desenvolvimento: Também chamada de "Anti-Tese" ou "Antítese", nessa parte do texto é que se desenvolve a argumentação por meio de opiniões, dados, levantamentos, estatísticas, fatos e exemplos sobre o tema, a fim de que sua tese (ideia central) seja defendida com propriedade.
  3. Conclusão: O próprio nome já supõe que é necessário concluir o texto. Em outras palavras, não deixamos um texto sem concluí-lo e, por isso, esse momento é chamado de "Nova Tese" por ser uma momento de fechamento das ideias, e principalmente da inserção de uma nova ideia, ou seja, uma "nova tese".

Tipos de Dissertação:

Existem dois tipos de dissertação: a Dissertação Argumentativa e a Dissertação Expositiva.

  • Texto Dissertativo Argumentativo: 

    Texto Dissertativo-Argumentativo é um dos tipos de gêneros textuais. Outros tipos são texto narrativo, texto descritivo, texto expositivo e texto injuntivo.

    Este tipo de texto consiste na defesa de uma ideia por meio de argumentos e explicações, à medida que é dissertativo; bem como seu objetivo central reside na formação de opinião do leitor, ou seja, caracteriza-se por tentar convencer ou persuadir o interlocutor da mensagem, sendo nesse sentido argumentativo.

    No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) esse é o tipo de texto solicitado aos alunos, cujo tema ronda questões de ordem social, científica, cultural ou política.

Planejamento: 

 produção textual requer planejamento. Assim, antes de começar a escrever, convém elaborar um plano daquilo que será abordado e de que forma (estratégia).

Essa planificação servirá de ponte para o sucesso do texto, embora o mais importante para se alcançar esse resultado seja observar atentamente os fatores de coesão e coerência.

Para melhor exemplificar, as etapas necessárias para produzir um texto dissertativo-argumentativo são:

  • Problema: No momento inicial busca-se o problema, ou seja, os fatos sobre o tema pretendido e, ademais a tese (ideia central do texto).
  • Opinião: A opinião pessoal sobre o tema reforçará a argumentação, por isso é importante buscar uma verdade pessoal ou juízo de valor sobre o assunto abordado.
  • Argumentos: O mais importante de um texto dissertativo-argumentativo é a organização, clareza e exposição dos argumentos. Para tanto, é importante selecionar exemplos, fatos e provas a fim de assegurar a validade de sua opinião, sem deixar de justificar.
  • Conclusão: Nesse momento busca-se a solução para o problema exposto. Assim, é interessante apresentar a síntese da discussão, a retomada da tese (ideia principal) e além disso, a proposta de solução do tema com as observações finais.
  • Texto Dissertativo Expositivo: 

     texto expositivo é um tipo de texto que visa a apresentação de um conceito ou de uma ideia.

    Muito comum esse tipo de texto ser abordado no contexto escolar e acadêmico, uma vez que inclui formas de apresentação, desde seminários, artigos acadêmicos, congressos, conferências, palestras, colóquios, entrevistas, dentre outros.

Recursos Linguísticos: No texto expositivo, o objetivo central do locutor (emissor) é explanar sobre determinado assunto, a partir de recursos como a conceituação, a definição, a descrição, a comparação, a informação e enumeração.

Classificação dos textos Eexpositivos: 

De acordo com seu objetivo central, os textos expositivos são classificados em dois tipos:

Texto Expositivo-argumentativo

Nesse caso, além de apresentar o tema, o emissor foca nos argumentos necessários para a explanação de suas ideias.

Dessa forma, recorre aos diversos autores e teorias para comparar, conceituar e defender sua opinião.

Texto Expositivo-informativo

Nesta ocasião, o objetivo central do emissor é simplesmente transmitir as informações sobre determinado tema, sem grandes apreciações e, por isso, com o máximo de neutralidade.

Podemos pensar numa apresentação sobre os índices de violência no país, de modo que o conjunto de informações, gráficos e dados sobre o tema, apresentam tão somente informações sobre o problema, sem defesa de opinião.

Os Relatórios das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre a gestão e desenvolvimento dos recursos hídricos alertam para a preservação e proteção dos recursos naturais do planeta, sobretudo da água. Sendo assim, as estatísticas apontam para uma enorme crise mundial da falta de água a partir de 2025, de forma que atingirá cerca de 3 bilhões de pessoas, e que pode provocar diversos problemas sociais e de saúde pública.

Um dos maiores problemas apresentados pela ONU é a “escassez de água” que já atinge cerca de 20 países no mundo, ou seja, 40% da população do planeta. Os estudos completam que a água doce do planeta está em risco visto as mudanças climáticas registradas nas últimas décadas.

7 Narração:

Ao utilizar o texto narrativo é importante ter em atenção que tudo o que seja necessário para que tal história seja entendida esteja presente na redação. Isso porque na narração conta-se uma história ou narra-se um fato.

Texto narrativo é um tipo de texto que esboça as ações de personagens num determinado tempo e espaço.

Geralmente, ele é escrito em prosa e nele são narrados (contados) alguns fatos e acontecimentos.

Alguns exemplos de textos narrativos são: romance, novela, conto, crônica e fábula.

Estrutura da Narrativa

 

  • Apresentação: também chamada de introdução, nessa parte inicial o autor do texto apresenta os personagens, o local e o tempo em que se desenvolverá a trama.
  • Desenvolvimento: aqui grande parte da história é desenvolvida com foco nas ações dos personagens.
  • Clímax: parte do desenvolvimento da história, o clímax designa o momento mais emocionante da narrativa.
  • Desfecho: também chamada de conclusão, ele é determinado pela parte final da narrativa, onde a partir dos acontecimentos, os conflitos vão sendo desenvolvidos.

Elementos da Narrativa:

  • Narrador - é aquele que narra a história. Dividem-se em: narrador observador, narrador personagem e narrador onisciente.
  • Enredo - trata-se da estrutura da narrativa, ou seja, a trama em que se desenrolam as ações. São classificados em: enredo linear, enredo não linear, enredo psicológico e enredo cronológico.
  • Personagens - são aqueles que compõem a narrativa sendo classificados em: personagens principais (protagonista e antagonista) e personagens secundários (adjuvante ou coadjuvante).
  • Tempo - está relacionado com a marcação do tempo dentro da narrativa, por exemplo, uma data ou um momento específico. O tempo pode ser cronológico ou psicológico.
  • Espaço - local (s) onde a narrativa se desenvolve. Podem ocorrer num ambiente físico, ambiente psicológico ou ambiente social.

Tipos de Narrador:

Os tipos de narrador, também chamado de foco narrativo, representam a "voz textual" da narração, sendo classifcados em:

  • Narrador Personagem - a história é narrada em 1ª pessoa onde o narrador é um personagem e participa das ações.
  • Narrador Observador - narrado em 3ª pessoa, esse tipo de narrador conhece os fatos porém, não participa da ação.
  • Narrador Onisciente - esse narrador conhece todos os personagens e a trama. Nesse caso, a história é narrada em 3ª pessoa. No entanto, quando apresenta fluxo de pensamentos dos personagens, ela é narrada em 1ª pessoa.

Tipos de discurso narrativo:

  • Discurso Direto - no discurso direto, a própria personagem fala.
  • Discurso Indireto - no discurso indireto o narrador interfere na fala da personagem. Em outras palavras, é narrado em 3ª pessoa uma vez que não aparece a fala da personagem.
  • Discurso Indireto Livre - no discurso indireto livre há intervenções do narrador e das falas dos personagens. Nesse caso, funde-se o discurso direto com o indireto

8 Enredo:

nredo, também chamado de intriga, trama ou argumento, é o elemento que dá sequência a uma história. Isso porque é em torno dele que se desenvolvem todos os acontecimentos de uma narrativa.

Tipos de enredo:

O enredo pode ser linear ou não linear.

enredo linear é aquele cujos fatos seguem uma sequência cronológica. Assim, é organizado da seguinte forma:

  • Apresentação - É aqui que a história tem início, pois o leitor será apresentado aos personagens, assim como conhecerá o local e o espaço temporal da trama.
  • Complicação - Essa parte da narrativa dá lugar ao desenvolvimento do conflito em torno do qual a história irá se desenrolar.
  • Clímax - Este é o momento mais tenso da trama, o qual exige uma solução ou desfecho.
  • Desfecho - Aqui se encerra o enredo, com a solução para o fim dos conflitos que aconteceram ao longo da história.

“Qualidade e quantidade” é uma fábula de Monteiro Lobato cujo enredo é apresentado de forma linear:

Meteu-se um mono a falar numa roda de sábios e tais asneiras disse que foi corrido a pontapés.

– Quê? Exclamou ele. Enxotam-me daqui? Negam-me talento? Pois hei de provar que sou um grande figurão e vocês não passam duns idiotas.

Enterrou o chapéu na cabeça e dirigiu-se à praça pública onde se apinhava copiosa multidão de beócios. Lá trepou em cima duma pipa e pôs-se a declamar.

Disse asneiras como nunca, tolices de duas arrobas, besteiras de dar com um pau. Mas como gesticulava e berrava furiosamente, o povo em delírio o aplaudiu com palmas e vivas – e acabou carregando-o em triunfo.

– Viram? – resmungou ele ao passar ao pé dos sábios. Reconheceram a minha força? Respondam-me agora: que vale a opinião de vocês diante desta vitória popular?

Um dos sábios retrucou serenamente:

A opinião da qualidade despreza a opinião da quantidade.

enredo não linear confunde essa sequência. Neste caso, o enredo pode ser apresentado pelo seu desfecho ou ser revelado aos poucos ao longo da narrativa.

Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis é um exemplo clássico desse tipo de enredo, já que a narrativa tem início com a morte do protagonista.

Somente depois de revelar o fim da trama, o narrador passa a relatar a sua vida, da infância à idade adulta. Ao longo do tempo, entretanto, o leitor é convidado a voltar ao passado:

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.

Como fazer um enredo:

Agora que você já conhece os enredos linear e não linear, confira abaixo um passo a passo de como fazer um enredo:

  1. Escolha o tema
  2. Escolha o conflito que será desenvolvido
  3. Escolha o tipo de enredo que quer usar
  4. Escolha os personagens, o local e o espaço temporal da narrativa
  5. Desenvolva o seu texto

9 Descrição:

Descrever é contar algo de forma detalhada. Isso é feito a partir da exposição de detalhes, das qualidades, das impressões e das sensações que quem escreve tem de algo.

A progressão temática é feita com a apresentação. Segue-se a descrição e caracterização, encerrando com um resumo do que foi apresentado.

texto descritivo é um tipo de texto que envolve a descrição de algo, seja de um objeto, pessoa, animal, lugar, acontecimento, e sua intenção é, sobretudo, transmitir para o leitor as impressões e as qualidades de algo.

Em outras palavras, o texto descritivo capta as impressões, de forma a representar a elaboração de um retrato, como uma fotografia revelada por meio das palavras.

Para tanto, alguns aspectos são de suma importância para a elaboração desse tipo textual, desde as características físicas e/ou psicológicas do que se pretende analisar, a saber: cor, textura, altura, comprimento, peso, dimensões, função, clima, tempo, vegetação, localização, sensação, localização, dentre outros.

Características do texto descritivo:

  • Retrato verbal
  • Ausência de ação e relação de anterioridade ou posterioridade entre as frases
  • Predomínio de substantivos, adjetivos e locuções adjetivas
  • Utilização da enumeração e comparação
  • Presença de verbos de ligação
  • Verbos flexionados no presente ou no pretérito (passado)
  • Emprego de orações coordenadas justapostas

Estrutura Descritiva:

A descrição apresenta três passos para a construção:

  1. Introdução: apresentação do que se pretende descrever.
  2. Desenvolvimento: caracterização subjetiva ou objetiva da descrição.
  3. Conclusão: finalização da apresentação e caracterização de algo.

Tipos de Descrição:

onforme a intenção do texto, as descrições são classificadas em:

Descrição Subjetiva: apresenta as descrições de algo, todavia, evidencia as impressões pessoais do emissor (locutor) do texto. Exemplos são nos textos literários repletos de impressões dos autores.

Descrição Objetiva: nesse caso, o texto procura descrever de forma exata e realista as características concretas e físicas de algo, sem atribuir juízo de valor, ou impressões subjetivas do emissor. Exemplos de descrições objetivas são os retratos falados, manuais de instruções, verbetes de dicionários e enciclopédias.

10 Descrição Objetiva e Subjetiva:

Descrição objetiva e subjetiva é a forma como são apresentados os detalhes e características de algo ou alguém.

Enquanto a descrição objetiva é feita de forma imparcial, ou seja, na tentativa de demonstrar apenas aquilo que se vê da forma mais realista possível, sem acrescentar qualquer juízo de valor, na descrição subjetiva o aspecto opinativo não é só contemplado, como muito valorizado.

A utilização do tipo de descrição depende do objetivo que o autor da descrição quer transmitir, por exemplo, influenciar quem ouve ou lê a descrição.

Exemplos:

Texto 1

Não sei se o nome dela é Maria. A moça é bastante alta e magra. Negra, tem cabelos cacheados e compridos até o meio das costas. Usa óculos e deve ter entre 25 e 30 anos.

Texto 2

Não sei se o nome dela é Maria. A moça parece uma modelo de tão alta. Seus cabelos cheios de cachos escorrem até o meio das suas costas. Seus óculos dão um olhar intelectual a essa musa que está na flor da idade. Não dou mais do que 25 ou 30 anos para essa deusa de ébano.

Comparando os textos acima, é possível perceber como esses dois tipos de descrição acontecem na prática.

A partir dessa percepção, podemos destacar as seguintes características que se sobressaem no texto 1, cuja descrição é objetiva, e no texto 2, cuja descrição é subjetiva:

Características da descrição objetiva:

  • Descrição objetiva - Descrição subjetiva
  • Descrição direta, neutra
  • Valorização da imparcialidade
  • Transmissão dos detalhes com exatidão
  • Utilização de substantivos concretos
  • Utilização da função referencial da linguagem, de sentido denotativo

Características da descrição subjetiva:

  • Interferência emocional
  • Transmissão de visão pessoal
  • Utilização de muitos adjetivos
  • Utilização de substantivos abstratos
  • Utilização da função poética da linguagem, de sentido conotativo