Ética no Nosso Cotidiano

Noções Básicas em Ética para Profissionais de Radiologia

1 A Ética no dia a dia:

A ética é um atributo indispensável ao exercício de qualquer profissão e é a forma como nos relacionamos com os outros:

Quando se fala em ética, logo se pensa em algo distante da realidade, restrito ao universo político ou empresarial, por exemplo. Na verdade, a ética faz parte do dia a dia e tem implicações até mesmo nas questões mais simples da vida prática. Recentemente, o tema invadiu os noticiários e entrou de vez para o vocabulário do cidadão comum. Passou a ser frequente ouvirmos falar de ética na imprensa, nas conversas e nos discursos de qualquer natureza. A preocupação com a ética é agora visível no cotidiano de todos, inclusive no cotidiano da Enfermagem, no qual, cada vez mais, se busca aprimorar a qualidade da prática profissional. Daí, a necessidade de se definir o que se entende por ética na sociedade contemporânea e, particularmente, na nossa área.

 

O que é ética?

A noção de ética acompanha o homem desde as primeiras formas de organização social e sua presença pode ser verificada em todas as épocas e áreas da vida, com múltiplos usos e sentidos. O termo mudou muitas vezes de significado, ao longo da história, mas a sua origem deriva do grego ethos, que significa modo de ser, caráter e relaciona-se a tudo que constitui o comportamento (VASQUEZ, 2005). Nesse sentido, a ética tem uma dimensão individual, pois cada pessoa possui as próprias convicções, ideias e opiniões que influenciam no seu julgamento e se manifestam nos relacionamentos sociais. Mas ética é também o nome dado ao ramo da filosofia que estuda o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Aqui se revela sua dimensão social, que busca estabelecer o que é bom e aceitável, tanto para o indivíduo como para o grupo em que está inserido.

 

Ética e Moral:

É impossível falar de ética sem aludir a uma outra noção muito próxima, a de moral. No dia a dia não fazemos distinção entre ética e moral, usamos as duas palavras como sinônimos. Mas existe uma diferença conceitual importante entre elas. Apesar da proximidade que os termos têm, desde a origem, ética é uma palavra grega que se relaciona, como foi dito, ao caráter, ao comportamento, enquanto moral provém do latim mores, que significa costume, conjunto de regras adquiridas pelo hábito (VASQUEZ, 2005, DURAND, 2003). Resumidamente, pode-se dizer então que a ética é um conjunto de valores e princípios destinados a regular a conduta de um indivíduo, de um grupo ou de uma sociedade.

A ética considera as concepções de fundo acerca da vida, do universo, do ser humano e de seu destino, sendo norteada por princípios e valores que orientam pessoas e sociedades (FREITAS e FERNANDES, 2006, p. 47). Já a moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas por cada cidadão para justificar o seu modo de agir e avaliar o que é certo ou errado, bom ou mau.

A moral é parte da vida concreta e trata da prática real das pessoas que se expressam por costumes, hábitos e valores culturalmente estabelecidos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores consagrados (FREITAS e FERNANDES, 2006, p. 47). Portanto, a moral é normativa, enquanto a ética é teórica e reflexiva (DURAND, 2003). No cotidiano encontramos, frequentemente, situações que nos colocam diante de problemas morais. Em geral, são questões práticas da vida em sociedade que dizem respeito às nossas escolhas, ações e comportamentos. Tais questões exigem uma avaliação, um julgamento, um juízo de valor sobre o que é considerado socialmente bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado pela moral vigente. E essa avaliação requer uma reflexão ética, que nos permita compreender a natureza de nossas decisões e posicionamentos morais. Neste ponto, é importante considerar que para fazer escolhas morais todo indivíduo se apoia em três componentes fundamentais: consciência, liberdade e responsabilidade (VASQUEZ, 2005).

A consciência, nesse sentido, não é a consciência psicológica que temos quando estamos despertos, aquela que nos permite reconhecer a nossa própria existência, nossos sentimentos, ou saber que o dia está ensolarado. Trata-se da consciência moral, o pensamento interior que nos orienta de maneira única, individual, sobre o que devemos fazer ou não fazer em determinada situação. Antes da ação, a consciência moral emite o seu juízo por meio de uma voz interior que aconselha ou proíbe. A consciência moral, com seus valores, normas e prescrições, orienta as escolhas morais. Se o indivíduo não tivesse consciência a respeito do que faz, não existiriam problemas morais (BORIO, 2004, p. 58).

Outro componente importantíssimo nas escolhas morais é a responsabilidade, pois só é possível falar em comportamento moral quando o indivíduo que age de um determinado modo é responsável pelos seus atos. Isso pressupõe que o indivíduo pôde fazer o que queria fazer, que pôde escolher entre duas ou mais alternativas e agir de acordo com a decisão tomada. Nesse momento, o indivíduo exerce a sua liberdade. A liberdade, portanto, é inseparável da responsabilidade. Por essa razão, a liberdade de fazer escolhas morais exige que elas sejam feitas com responsabilidade (VASQUEZ, 2005).

Ética profissional A ética é um atributo indispensável ao exercício de qualquer profissão, porque nas atividades profissionais “fazer” e “agir” estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem seu ofício. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua função (MOTTA, 1984). No ambiente de trabalho, a ética adquire uma conotação específica. Ética profissional pode ser definida como a reflexão sobre as exigências - conjunto de direitos e obrigações - do profissional em sua relação com o cliente, o público, seus colegas e sua corporação (DURAND, 2003, p.85) Para orientar a reflexão dos profissionais sobre sua função e fornecer parâmetros para o exercício de cada profissão, todas as categorias elaboram códigos de ética e de conduta.

O Código de Ética de Enfermagem é um instrumento legal que reúne um conjunto de normas, princípios morais e do direito relativo à profissão e ao seu exercício. Exprime o que é esperado dos profissionais da Enfermagem e foi elaborado com base no compromisso que eles têm com a sociedade (SCHIRMER, 2006, p. 61). O Código de Ética é um importante aliado do enfermeiro, que está constantemente exposto aos conflitos inerentes à profissão e tem o dever de agir com base em princípios éticos para a preservação dos interesses, direitos e segurança do paciente. Entretanto, é fundamental levar em conta que, mesmo diante de um código de ética prescrito, o profissional terá sempre a liberdade de agir de acordo com a sua consciência, e deverá responder por esta escolha. Em última análise, deve estar ciente de que cabe a ele assumir inteiramente a responsabilidade implicada em toda decisão de cunho ético.

 

A ética na prática:

A ética está presente em todas as atividades desempenhadas pelo enfermeiro, tanto as que envolvem procedimentos técnicos, como as que exigem o contato humano. Por essa razão, a reflexão sobre ética deve ser uma prática constante na vida de um profissional que tem como objetivo central o cuidado com o outro. Ao ingressar na profissão, o enfermeiro compromete-se a agir conforme o conjunto de deveres inerentes à área, assume um compromisso com a ética profissional, que permeia não somente as ações de cuidado, mas está presente em todas as relações, processos e demandas da sua rotina de trabalho. Isso exige que o profissional tenha sempre em mente a importância de manter uma conduta ética. Ser ético é ser responsável pelas próprias atitudes, pautar-se pelos princípios convencionados na profissão, zelar pela integridade do paciente e primar pelo respeito ao outro em todas as suas ações.

Tal postura fortalece o enfermeiro no exercício de sua profissão e o torna apto para lidar com as questões éticas corriqueiras do dia a dia, assim como o deixa mais preparado para o enfrentamento dos dilemas recorrentes nas relações entre os profissionais, com o paciente e com a família, que o acompanharão ao longo de toda a carreira. “Ser ético é ser responsável pelas próprias atitudes, pautar-se pelos princípios convencionados na profissão, zelar pela integridade do paciente e primar pelo respeito ao outro em todas as suas ações”