Introdução a Gestão em Saúde Pública

NOÇÕES BÁSICAS EM GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA

1 Básico em Saúde Pública no Brasil

Organizar gastos, organizar processos ,supervisionar os demais colaboradores são as atividades mais comuns para quem trabalha com Gestão em Saúde Pública.

Esses profissionais são responsáveis por gerenciar empreendimentos da área de saúde no setor público. 

Por ter ligação com o governo, esse segmento tem regulamentações e regras próprias aplicadas para essa gestão. Essa gestão é muito importante para o desenvolvimento de uma instituição e para o alcance dos objetivos e metas que foram traçados a partir de planejamentos orçamentários.  

Por ser uma área de grande complexidade, é importante que o profissional esteja habilitado e pronto para enfrentar desafios, como a administração do fluxo de caixa e o bom funcionamento do lugar.

 

A importância da Gestão em Saúde Pública:

 

A saúde figura com enorme importância a pauta de políticas públicas de todo governo. 

O setor é responsável por oferecer serviços que mantém a população saudável. Alguns dos exemplos deles são vacina, serviços essenciais à saúde, assistência farmacêutica etc.

Implementado entre o final do século XX e início do século XXI, o Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o maior sistema gratuito e universal do mundo. 

Por isso, ter acesso a esses bens é um dos passos em direção a um país igualitário e que respeita seus cidadãos, oferecendo dignidade e qualidade de vida para esses indivíduos.

Devido a essa importância, ter uma infraestrutura adequada, profissionais qualificados e recursos financeiros é primordial nesse setor.

Por isso, a figura do gestor se faz tão importante. É ele quem vai destinar corretamente e de forma efetiva esses recursos.

 

Os principais desafios enfrentados pelo gestor público:

 

A OMS entende que para atender as demandas da população e proporcionar mais qualidade de vida, é essencial garantir a cobertura universal da saúde. Consequentemente, se torna necessário investir na proteção e promoção dela.

Apesar dessa importância no desenvolvimento social e econômico do país, a saúde pública precisa enfrentar diversos desafios, já que a expectativa e insatisfação da população em relação a esses serviços aumenta cada vez mais.

 

O subfinanciamento é alvo de críticas entre os gestores

 

O subfinanciamento da saúde pública começou quase que de maneira análoga à criação do SUS, no entanto, é considerado por gestores e especialistas um dos maiores gargalos quando falamos do tema.

O Governo Federal, Estadual e Municipal investem cerca de R$ 240 bilhões anualmente na área. No entanto, esse número precisa suprir as necessidades de 150 milhões de brasileiros. Dessa maneira, ainda que o Estado invista, não é o suficiente para atender a alta demanda.

Nesse ponto, existe uma sobrecarga dos municípios .Antes eles eram os responsáveis apenas pela atenção básica, mas agora precisam destinar parte da verba também para atendimentos complexos, já que os repasses dos Governos Federal e Estadual não são suficientes para as duas áreas.

Dessa maneira, existe uma sobrecarga dos municípios. Antes eles eram responsáveis apenas pela atenção básica, porém agora precisam destinar parte da verba também para atendimentos complexos, já que os repasses dos Governos Federal e Estadual não são suficientes para as duas áreas.

 

PEC 241 e o congelamento dos gastos em saúde pública:

 

Tendo como objetivo de conter os gastos públicos e equilibrar a balança entre gastos e arrecadação, foi aprovada, em 2018, a PEC dos Gastos Públicos. Nela, se estabelece um teto para os gastos em políticas públicas. Inicialmente com duração de 10 anos, sendo prorrogável por mais 10.

Esses cortes influenciam diretamente dois setores-chave no desenvolvimento de um país: a saúde e educação.

 

 

Hospitais públicos não respondem aos novos modelos de gestão:

 

O artigo científico Gestão em Saúde no Brasil: Diálogo com Gestores Públicos e Privados, fez um estudo tendo como objetivo de identificar os principais problemas em Gestão em Saúde Pública no país. Para isso, foram feitas diversas entrevistas com gestores, na qual foi possível entender quais são os principais gargalos do cargo.

As queixas sobre estagnação e resistência à transformação são frequentes. 

Segundo a entrevista feita com gestores, essa resistência  teria três principais motivações, são elas:

  • Baixo grau de interação entre os profissionais e departamentos.
  • Fragmentação da parte clínica.
  • Pouca possibilidade de governança sob a corporação.

Eles também consideram que a gestão hospitalar é muito particular e a logística de reprodução de gerência de outras institucionais seria um fator que atrapalha o desenvolvimento do setor. 

A solução, então, seria construir novas formas de Gestão em Saúde Pública, fundamentadas na participação e práticas interdisciplinares, estimulando a participação de trabalhadores e usuários.

 

Pouca estrutura para demandas complexas:

É um consenso entre os gestores que o SUS foi um movimento importantíssimo para as políticas públicas de saúde do Estado. O modelo, inclusive, é internacionalmente elogiado e referência na área de transplantes, sendo um grande suporte nos tratamentos de HIV e câncer.

Porém, o seu reconhecimento internacional é referente ao atendimento primário à saúde. O sistema público ainda depende quase que totalmente do setor privado quando se fala em demandas de média e alta complexidade.

Mesmo com os  problemas, não quer dizer que a área de Gestão em Saúde Pública esteja totalmente perdida. É possível driblar os problemas e realizar uma gestão eficiente através de algumas ações e pensamento inteligente.

 

2 Práticas indispensáveis para Gestão em Saúde:

A área de gestão em saúde pública exige grande desempenho daqueles que desejam ocupá-lo. Otimizar os recursos e trazer mais eficiência para os serviços que são oferecidos aos usuários são imprescindíveis. 

Para chegar a isso, é essencial investir em estratégias práticas que irão aprimorar esses resultados.

 

Parceria entre público-privado:

 

Apesar de ter qualidade em atenção primária à saúde, o setor público ainda encara desafios no que corresponde ás demandas complexas. Uma maneira de diminuir esse gargalo é a parceria público-privado. (PPP). Nela ,são feitos acordos entre instituições governamentais e empresas de iniciativa privada para o fornecimento de serviços.

Essa alternativa é interessante á medida que o setor privado possui menos burocracias em seus serviços, agilizando processos. As PPP colaboram em : Redução das despesas orçamentárias, diminuição de custos de serviços, transparência e padronização de processos e poder fiscalizatório. 

 

Agendamento de consultas:

 

Uma das maiores queixas das pessoas em relação à saúde pública são as longas filas de espera. Para tentar resolver esse problema, alguns gestores tentam implementar o agendamento de consultas baseado na singularidade de cada paciente.

Funciona dessa maneira: o agendamento de consultas deve ser baseado em uma linha de cuidado. O paciente precisa ser encaminhado a especialistas somente quando for estritamente necessário. Dessa forma, irá desafogar esse setor.

Atualmente, grande parte da demanda poderia ser sanada apenas com consultas de atenção básica.

 

Adoção de mecanismos para medição de indicadores de desempenho:

 

Cada unidade de saúde tem as suas próprias particularidades, por isso, ao adotar mecanismos para medição de indicadores de desempenho é possível identificar qual o problema específico daquele local. Processos mal organizados, necessidade de mais pessoas, onde destinar melhor os recursos, são os pontos que podem ser descobertos a partir da análise de dados.

 

Utilização de aparatos tecnológicos de gestão:

 

Softwares e aplicativos de gestão e otimização são de grande ajuda para gestores. O auxílio desses aparatos também são uma forma de padronizar processos e seguir parâmetros bem definidos.

Mesmo com os ganhos, a ajuda da tecnologia ainda é pouco explorada na área de Gestão de Saúde Pública.

Alguns exemplos são:

  • Sistemas de agendamento automático e rotação de leitos nas UTI’s;
  • Softwares para a geração de senhas;
  • Bancos de dados etc.

Sabemos que a questão financeira e burocrática podem ser impeditivos para a aplicação dessa prática. Porém, é possível driblar isso com a primeira prática que falamos acima.

 

Capacitação da equipe:

 

É muito difícil coordenar um empreendimento quando a equipe e, até mesmo os próprios gestores, não são capacitados para o trabalho.

Nesse sentido, para que processos e operações funcionem do jeito esperado, é interessante investir em capacitação, workshops e palestras. 

É necessário oferecer treinamento com equipes de atendimento, triagem até a administração. 

Ter uma boa capacitação faz com que o atendimento seja certeiro. Além do mais, também contribui para que os profissionais sejam atenciosos e empáticos no suporte ao paciente. Dessa forma, recursos humanos, técnicos e financeiros são usados em todo o seu potencial.

Isso faz grande diferença para que os gestores tenham entendimento específicos da área de saúde e conhecimento de administração de pessoas.