Como Realizar Análise Grafológicas I

Princípios Básicos da Perícia Grafotécnica

1 Como realizar análises grafológicas:

Talvez,este capítulo deva ser lido por último ou, quem sabe, devesse ter sido colocado no final. Na dúvida, ele permaneceu aqui. A grafologia, assim como toda ciência, está baseada em um método, ou seja, para realizar uma análise da escrita e traçar o perfil psicológico de uma pessoa, temos de seguir alguns procedimentos. Cada escola de grafologia adota um método próprio, o qual é necessário estudar com afinco. É óbvio que, depois de aprendido o método, o futuro grafólogo pode adaptar os procedimentos à sua personalidade, mas sempre mantendo o espírito que o acompanha. A base do conhecimento na grafologia é o estudo dos gêneros, espécies e modos, e, antes de realizar a análise, esse conhecimento deve estar bem estruturado. O segundo passo é escolher uma das técnicas para a realização do perfil grafológico. Nessa técnica incluem-se várias escolas e estudos específicos.

É importante reafirmar, mesmo correndo o risco de ser redundante, que a base da grafologia está no perfeito conhecimento dos gêneros, espécies e modos. Somente manejando esses instrumentos com precisão, o grafólogo obterá sucesso em suas ava- liações. Para a realização de um perfil grafológico, utilizamos a técnica de observação ao grau máximo, o que exige estudos constantes e treinamento intenso. Sugere-se pelo menos dois anos de treinamento e a observação de centenas de grafismos ao longo desse tempo para a formação do grafólogo. Indicamos os seguintes passos para a realização de uma análise grafológica:

1. Observação passiva;
2. Observação ativa – sínteses de orientação;
3. Estudo dos gêneros – definições;
4.Hierarquização das espécies;
5.Observação das dominantes;
6.Assinaturas e outros sinais;
7.Perfil psicológico
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Observação passiva:

No primeiro passo, o grafólogo observa margens, traços, assinatura, números, retoques, inclinações, linhas, pressão, variações do texto etc. Neste momento, o grafólogo isola-se e toma uma atitude receptiva, deixando as outras impressões de lado e avaliando a página como um todo, literalmente “mergulhando” na escrita. Aqui, as impressões precisam fluir livremente, e a intuição deve falar mais alto. O profissional tem de se familiarizar com a escrita, observar aquilo que existe nela e o que há de igual e de diferente em relação aos grafismos conhecidos. A experiência é fundamental, portanto aconselha-se que o grafólogo guarde uma pasta com os exemplos mais importantes que encontrou em seu trabalho e, ao longo dos anos, vá acrescentando novos e interessantes casos. Somente após essa observação, devemos ler o que está escrito. A leitura do texto traz informações importantes, tais como erros ortográficos, erros de concordância, uso de verbos no imperativo e uso de pronomes, sinalizando características da personalidade que são comparadas com a interpretação psicológica.

Observação ativa – sínteses de orientação:

Antes de iniciar a análise, o grafólogo escolhe uma síntese de orientação, a qual passará a ser o farol para toda a análise, facilitando seu trabalho e conferindo maior precisão ao perfil grafológico. Existem várias sínteses de orientação dentre as quais o grafólogo pode escolher uma ou mais e, dependendo da análise, trocar por outra síntese que pareça mais ade- quada ao caso. No Brasil, poucos grafólogos concedem a devida importância a essa parte da grafologia, mas convém lembrar que realizar análises grafológicas sem a síntese apropriada fatalmente conduz o profissional a diversos erros graves. As principais sínteses são as seguintes:

• Organização (evolução);
• Harmonia;
• Nível de forma (NF);
• Síntese entre forma e movimento

A escolha das sínteses leva em conta principalmente os seguintes fatores:

• Tipo de perfil grafológico;
• Características a serem avaliadas;
• Preferências pessoais.

O meio gráfico deve ser observado com grande atenção para que a síntese escolhida seja a mais precisa possível. O meio gráfico é o contexto de cada unidade gráfica que nos mostrará o panorama de cada espécie, gesto ou pequeno signo, todos baseados na psicologia da Gestalt – do alemão, “forma”, “estrutura”. Para Jamin, a interpretação dos movimentos na escrita deve ser feita em função do meio no qual se manifesta. Assim, era necessário encontrar maneiras de determinar esse “meio” por métodos rápidos. A primeira maneira encontrada foi o desenvolvimento escritural da pessoa; partindo da escrita inorganizada das crianças, de acordo com as condições de uma educação normal.

A segunda maneira foi a síntese da harmonia e da falta dela (inarmônica). Como veremos, é nesta segunda que está a alma da obra jaminiana. É certo que as duas sínteses podem se sobrepor quando o grafólogo realizar a avaliação. O grafólogo deve se ater à síntese de harmonia, pois seus conceitos trazem várias e precisas informações para o levantamento do perfil grafológico. Tem sempre de levar em conta a visão do conjunto, sem perder os detalhes. Essa visão mostrará um caminho mais preciso e seguro para o perfil grafológico. As sínteses de orientação familiarizam o grafólogo com as formas e os movimentos da escrita, o que facilita a interpretação final do perfil. Normalmente, quase todas as sínteses guiam-se pelos seguintes princípios:

• Procura-se o significado de um traço na escrita, considerando-o como movimento fisiológico e pondo-o em relação e extensão, de constância e de energia, com o movimento psicológico correspondente.
• Todos os signos têm valor relativo e o mesmo movimento pode ser determinado por várias causas.
• A arte do grafólogo, como dizem os principais autores do mundo, está em escolher, dentre os vários significados, aquele que mais se ajusta a cada escrita.

 

Aprender grafologia é familiarizar-se com as distintas causas das variedades de escritas e seus significados, saber vê-las por meio de suas concepções sintéticas, em sua substância profunda, ao amparo das grandes ideias que originam a multiplicidade das pequenas manifestações. Crépieux-Jamin foi um dos primeiros a reconhecer a importância de se realizar uma síntese grafológica na execução da análise. Ele dizia que, sem a síntese, a grafologia não teria um fio condutor, e a análise se perderia num labirinto de particularidades. Ao trabalhar com uma síntese, temos ampla visão da escrita e, consequentemente, das diversas características psicológicas da pessoa. O aprofundamento dos estudos depois disso confirma (caso a síntese seja bem selecionada) nossa avaliação inicial.Também é de grande utilidade quando a avaliação inicial não é confirmada, pois precisamos revisar toda a análise para encontrar o erro ou acerto inicial.

Resultado da cultura gráfica insuficiente, doenças ou acidentes, essa escrita apre- senta grafismo torpe, com formas infantis, torcidas, grosseiras etc. O modelo caligráfico e a organização espacial do campo gráfico estão sempre comprometidos. Pratica- mente não existe direção das linhas e é possível que a pessoa escreva com a folha colocada no sentido horizontal. O tamanho das palavras não tem constância e quase todos os gêneros gráficos revelam, por assim dizer, problemas. A escrita inorganizada é comum em crianças com dificuldades de aprendizado, problemas familiares, entre outros. Em idosos, pode ser notada a deterioração gráfica. Ao observar tais escritas, o grafólogo precisa conhecer as causas dessa falta de organização, que muitas vezes tem origem em fatores exteriores ao indivíduo. A interpretação é ampla: insegurança, imaturidade, doenças, timidez, falta de atenção, vulgaridade, ignorância etc.