Toxicologia dos agrotóxicos

Tecnologia de Aplicação de Agrotóxicos

1 Toxicologia dos agrotóxicos

Objetivos:

  • Entender o termo agrotóxico e sua utilização.
  • Identificar as classificações dos agrotóxicos.
  • Conhecer os principais efeitos tóxicos dos agrotóxicos.

No Brasil, o Decreto Federal nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002, que regulamenta a Lei Federal nº 7.802, de 11 de julho de 1989, em seu Artigo 1º, Inciso IV, define o termo agrotóxico e afins como produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens, proteção de florestas nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais. São utilizados para alterar a composição da flora ou da fauna, com a finalidade de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. Também estão incluídas as substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento. Ou seja: são substâncias utilizadas para combate de pragas (como insetos, larvas, fungos, carrapatos) e para controle do crescimento de vegetação, entre outras funções (BRASIL, 2010).

O termo agrotóxico, ao invés de defensivo agrícola, passou a ser utilizado no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988, sendo esta modificação fruto de grande mobilização da sociedade civil organizada. Mais do que uma simples mudança de terminologia, este termo coloca em evidência a toxicidade desses produtos para o meio ambiente e para a saúde humana (BRASIL, 2010).

Popularmente, os agrotóxicos são também chamados de venenos, remédios, defensivos ou pesticidas. Sua maior utilização é na agricultura. São também utilizados na saúde pública (controle de vetores), no tratamento de madeira, no armazenamento de grãos e sementes, na produção de flores, no combate a piolhos e outros parasitas no homem e na pecuária (BRASIL, 2010).

Classificação conforme a toxicidade

Os agrotóxicos são classificados pela ANVISA, órgão de controle do Ministério da Saúde, em quatro classes de perigo para sua saúde. Cada classe é representada por uma cor no rótulo e na bula do produto (ANVISA, 2011).

Conforme o organismo alvo e grupo químico

Os agrotóxicos também podem ser classificados segundo o grupo químico ao qual pertencem e o tipo de ação (natureza da praga controlada). A forma de classificar os agrotóxicos é importante e pode ser útil para o diagnóstico das intoxicações e para a adoção de tratamento específico, como mostra o Quadro 6.1.

 

Outras classes importantes de agrotóxicos compreendem: raticidas (combate aos roedores), acaricidas (combate aos ácaros), nematicidas (combate aos nematoides) e molusquicidas (combate aos moluscos, basicamente contra o caramujo da esquistossomose). Alguns agrotóxicos possuem mais de um tipo de ação como, por exemplo, o inseticida organofosforado “Parathion” que também é utilizado como acaricida e o inseticida carbamato “Furadan” que também possui ação de combate aos nematoides (nematicida).

Principais usos e população exposta

Calcula-se que atualmente são utilizadas cerca de 2000 substâncias diferentes como praguicidas (ingredientes ativos) em todo o mundo. E a partir dessas são produzidas misturas ou formulações com outros ingredientes ativos ou com solventes e emulsificantes. O Brasil está entre os principais consumidores mundiais de agrotóxicos. A maior utilização dessas substâncias está na agricultura, no combate às mais variadas pragas e como desfolhantes e dessecantes. Também tem sido amplamente utilizados no ambiente domiciliar como raticidas, baraticidas, piolhicidas, mosquicidas, na jardinagem amadora, etc. Ainda são incluídos na medicina veterinária para o controle de carrapatos, miíase, mosca-dos-chifres, pediculoses e outros. Na saúde pública, na eliminação e controle de vetores transmissores de doenças endêmicas. E, ainda, no tratamento de madeira para construção, no armazenamento de grãos e sementes, na produção de flores, para combate de piolhos e outros parasitas, na pecuária, etc.

Dentre os vários grupos de população que estão expostos aos agrotóxicos, destacam-se os que estão expostos de forma ocupacional ou profissional, os trabalhadores do setor agropecuário, de saúde pública, de empresas desinsetizadoras, indústrias de formulação e síntese, transporte e comércio.

Os trabalhadores do setor agropecuário são, sem dúvida, o grupo mais sujeito aos efeitos danosos dos agrotóxicos. Tanto os que têm contato direto, (aplicadores, preparadores da calda, almoxarifes) como os de contato indireto, podem ter exposição e apresentarem efeitos agudos e de longo prazo. O grupo de contato indireto, que é o que realiza capinas, roçadas, desbastes, colheitas, é o de maior preocupação. Como o período de reentrada nas lavouras não é respeitado, estes trabalhadores, muitas vezes, se expõem e se contaminam em maior grau do que o grupo de contato direto.

O setor de saúde pública apresenta riscos de contaminação, pois embora a exposição, em geral, ocorra com produtos de baixa toxicidade, ela é contínua durante muitos anos. A resistência adquirida pelos vetores, como o Aedes, aos principais agrotóxicos, exige a mudança frequente de produtos, gerando nos trabalhadores exposição a múltiplos produtos com sérios prejuízos à saúde.

Os trabalhadores de empresas desinsetizadoras ou dedetizadoras são ainda motivo de preocupação.

Os casos de intoxicações agudas de aplicadores são comuns em todo o país. Além disso, vários casos de intoxicação vêm ocorrendo em pessoas que vivem nos ambientes onde houve aplicação dos produtos.

Trabalhadores das indústrias de formulação e síntese, como os operários da linha de produção, pessoal de manutenção, limpeza, lavanderia e profissionais de assistência técnica, podem estar mais expostos e apresentarem efeitos adversos, tanto agudos, como em longo prazo.

Os setores de transporte e comércio têm grande importância, principalmente nos municípios do interior dos estados onde existe um número significativo de casas comerciais e cooperativas que comercializam e estocam os produtos.

Efeitos sobre a saúde

Os agrotóxicos podem ter vários efeitos sobre a saúde humana, dependendo da forma e tempo de exposição e do tipo de produto por sua toxicidade específica. Os agrotóxicos que mais causam preocupação, em termos de saúde humana, são os inseticidas organofosforados e carbamatos, os piretróides e os organoclorados, os fungicidas ditiocarbamatos e os herbicidas fenoxiacéticos (2,4-D), o glifosato e o paraquat. De acordo com o tempo de exposição, podem determinar três tipos de intoxicação: aguda, sobreaguda e crônica.

Inseticidas organofosforados e carbamatos

São agrotóxicos amplamente utilizados na agricultura e podem ser absorvidos por inalação, ingestão ou exposição dérmica. É importante ressaltar que mais de 90 % da absorção se dá pela pele e o restante via digestiva, pois as gotículas das pulverizações não são inaláveis por serem grandes e acabam sendo deglutidas quando estão nas vias aéreas superiores (nariz, garganta, faringe). Após absorvidos, são distribuídos nos tecidos do organismo pela corrente sanguínea e sofrem biotransformação, principalmente no fígado. A principal via de eliminação é a renal.

A principal ação dos organofosforados (OF) e carbamatos no organismo humano é a inibição da acetilcolinesterase (ACE) nas terminações nervosas. Sendo a ACE responsável pelo fim da atividade biológica do neurotransmissor acetilcolina (AC), sua inibição leva a um acúmulo de AC nas sinapses. A AC atua na mediação do impulso nervoso e este acúmulo desencadeia uma série de efeitos: sinais e sintomas que mimetizam ações muscarínicas, nicotínicas e ações do SNC da acetilcolina (BRASIL, 2010). As intoxicações agudas por carbamatos podem levar a sinais e sintomas que incluem diarreia, náusea, vômito, dor abdominal, salivação e sudorese excessivos, visão borrada, dificuldade respiratória, dor de cabeça, fasciculações musculares. Para os OF, os sinais e sintomas de intoxicação aguda podem ser divididos em três estágios:

• Leve – fadiga, dor de cabeça, visão borrada, dormência de extremidades, náusea, vômitos, salivação e sudorese excessivos.

• Moderada – fraqueza, dificuldade para falar, fasciculação muscular, miose.

• Severa – inconsciência, paralisia flácida, dificuldade respiratória, cianose.

Além desses sintomas clássicos, recentemente sinais de neurotoxidade persistente vêm sendo relacionados aos organofosforados. O segundo estágio de intoxicação por OF é a síndrome intermediária, que pode ocorrer 24 a 96 horas após a crise aguda, tendo duração aproximada de 6 semanas e apresenta-se como uma sequência de sinais neurológicos e fraqueza muscular (BRASIL, 2010).

O terceiro estágio clínico descrito é a neurotoxidade retardada induzida por organofosforados. Os sintomas podem surgir de 2 a 5 semanas após a exposição aguda, apresentando um quadro clínico que inclui fraqueza progressiva, paralisia distal flácida de membros inferiores e superiores e paralisia de músculos respiratórios. A recuperação pode ser demorada (de meses a anos), podendo não ocorrer total reversão do quadro. Assim, é importante que pacientes intoxicados agudamente por OF sejam acompanhados por semanas durante a recuperação de uma intoxicação aguda, para que se observe se ocorrerá a evolução do quadro para algum dos estágios citados (BRASIL, 2010)

Alguns organofosforados e carbamatos estão presentes na revisão da IARC em 2009 (BRASIL, 2010):

• Diclorvós (organofosforado) – grupo 2B (possivelmente cancerígeno para o homem).

• Malation, Paration (organofosforados); Aldicarb, Carbaril, Maneb (carbamatos) – grupo 3 (não classificado como carcinogênico para o homem).

Apesar de não incluído na lista da IARC, o agrotóxico Acefato é classificado como possível carcinógeno humano, ou classe C pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency – EPA).

A EPA inclui nessa classe as substâncias para as quais há evidências de carcinogenicidade obtidas em estudos experimentais, mas que não foram adequadamente avaliadas em estudos com seres humanos. Não existem, até o momento, estudos epidemiológicos que tenham investigado a associação entre exposição ao acefato e a ocorrência de câncer em seres humanos (BRASIL, 2010).

2 Inseticidas organoclorados

São agrotóxicos de lenta degradação, com capacidade de acumulação nos seres vivos e no meio ambiente, podendo persistir por até 30 anos no solo. São altamente lipossolúveis e o homem pode ser contaminado não só por contato direto, mas também através da cadeia alimentar – ingestão de água e alimentos contaminados (BRASIL, 2010).

Esses inseticidas foram utilizados por várias décadas na saúde pública para o controle de vetores de doenças endêmicas, como a malária, assim como na agricultura. O DDT (inseticida organoclorado) foi banido em vários países a partir da década de 1970.

No Brasil, a maioria dos organoclorados de uso na agricultura teve a comercialização, uso e distribuição proibidos pela Portaria nº 329, de 2 de setembro de 1985. As restrições à sua utilização originam-se da sua grande capacidade residual e de uma possível ação carcinogênica (BRASIL, 2010). Entretanto, algumas substâncias, como o endossulfam e o dicofol, foram liberadas em caráter emergencial para comercialização, distribuição e uso em algumas culturas (Portaria nº 95, de 21 de novembro de 1985) (BRASIL, 2010).

Na intoxicação aguda os sintomas são: irritabilidade, sensação de dormência na língua, nos lábios e nos membros inferiores, desorientação, dor de cabeça persistente (que não cede aos analgésicos comuns), fraqueza, vertigem, náuseas, vômitos, contrações musculares involuntárias, tremores, convulsões, coma e morte. Em caso de inalação, podem ocorrer sintomas como tosse, rouquidão, edema pulmonar, broncopneumonia e taquicardia (BRASIL, 2010). Na intoxicação crônica ocorrem alterações no sistema nervoso, alterações sanguíneas diversas, como aplasia medular, lesões no fígado, arritmias cardíacas e lesões na pele (BRASIL, 2010).

A IARC classifica alguns organoclorados como pertencentes ao grupo “2B” (possivelmente cancerígeno para a espécie humana). O DDT, por exemplo, pertence a este grupo por estar associado ao desenvolvimento de câncer de fígado, de pulmão e linfomas em animais de laboratório. Outros organoclorados pertencentes ao grupo 2B são Clordane, Heptacloro, Hexaclorobenzeno, Mirex. O endossulfam é um inseticida e acaricida do grupo dos organoclorados que ainda é comercializado no Brasil. A ANVISA vêm propondo a reavaliação desse químico, visando à sua proibição no país, por se mostrar como risco à saúde humana, incluindo potencial carcinogênico (BRASIL, 2010).

Piretroides

Tiveram uso crescente nos últimos 20 anos e, além da agropecuária, são também muito utilizados em ambientes domésticos, nos quais seu uso abusivo vem causando aumento nos casos de alergia em crianças e adultos. São facilmente absorvidos pelas vias digestiva, respiratória e cutânea. Os sintomas de intoxicação aguda ocorrem principalmente quando sua absorção se dá por via respiratória. São compostos estimulantes do sistema nervoso central e, em doses altas, podem produzir lesões no sistema nervoso periférico (BRASIL, 2010).

Na intoxicação aguda, os principais sinais e sintomas incluem dormência nas pálpebras e nos lábios, irritação das conjuntivas e mucosas, espirros, coceira intensa, manchas na pele, edema nas conjuntivas e nas pálpebras, excitação e convulsões.

Apesar de não estarem descritas evidências de toxicidade crônica com o uso de piretroides, alguns autores citam efeitos de exposições de longo prazo como neurites periféricas e alterações hematológicas do tipo leucopenias (BRASIL, 2010). Recentemente, foram detectados vários casos de pneumonia em uma população que foi exposta a esse grupo de inseticidas na cidade de Manaus, após uma pulverização contra o vetor da dengue.

Os piretroides parecem não estarem associados ao desenvolvimento de câncer. A IARC classifica os agrotóxicos deltametrina e permetrina no grupo 3 (não carcinogênicos para o homem).

Herbicidas

São usados no controle de espécies não desejadas no campo e para realização de “capina química”. Nas últimas duas décadas, esse grupo tem tido sua utilização crescente na agricultura. Alguns herbicidas comercializados no Brasil são: Paraquat, Glifosato, Triazinas e derivados do ácido fenoxiacético.

Existem várias suspeitas de mutagenicidade, teratogenicidade e carcinogenicidade relacionadas a esses produtos. Dentre os herbicidas, alguns grupos químicos merecem atenção especial pelos efeitos adversos à saúde, descritos a seguir.

  • Bipiridílios (Paraquat) – esse produto é considerado como um dos agentes de maior toxicidade específica para os pulmões. Pode ser absorvido por ingestão, inalação ou contato com a pele. Provoca lesões hepáticas, renais e fibrose pulmonar irreversível, podendo levar à morte por insuficiência respiratória em até duas semanas após a exposição, em casos graves (BRASIL, 2010).
  • Glicina substituída (Glifosato) – comercializado principalmente com os nomes Glifosato ou Roundup, é o herbicida mais utilizado nos Estados Unidos e no mundo. Muito utilizado na agricultura de grande porte, assim como, na agricultura familiar, sendo considerado por muitos agricultores e agrônomos como um produto quase “inofensivo” ao homem (BRASIL, 2010).

Sintomas de exposição ao glifosato incluem irritação dos olhos, visão borrada, erupções cutâneas, náusea, inflamação ou dor de garganta, asma, dificuldade para respirar, dor de cabeça e vertigens. Estudos recentes demonstram existir relação entre a exposição ao glifosato e o desenvolvimento de linfoma não Hodgkin e mieloma múltiplo. Além disso, pesquisadores sugerem que o glifosato formulado provoca as primeiras etapas de cancerização de células, pois ativa o que se chama de checkpoint, ou seja, as proteínas de controle.

  • Triazinas – as triazinas são herbicidas muito persistentes no ambiente e consideradas contaminantes ambientais importantes, principalmente poluente de ambientes aquáticos. Pesquisas que investigam a associação desses compostos com o desenvolvimento de câncer ainda são controversas, tanto em animais quanto em seres humanos. Alguns artigos de revisão sugerem uma associação das triazinas e o câncer de ovário. Entretanto, outros estudos e publicações não encontraram associação entre a triazina e o câncer. Portanto, mais estudos sobre o tema precisam ser desenvolvidos para que se chegue a resultados conclusivos (BRASIL, 2010).
  • Derivados do ácido fenoxiacético – um dos principais produtos é o 2,4-D, muito usado no país em pastagens e plantações de cana-de-açúcar. O quadro de intoxicação aguda dos derivados do ácido fenoxiacético inclui: cefaleia, tontura, fraqueza, náuseas, vômitos, dor abdominal, lesões hepáticas e renais. Casos graves podem apresentar convulsões, coma e podem evoluir para óbito em 24 horas. Os efeitos crônicos incluem neuropatia periférica, disfunção hepática e maior risco de desenvolver linfomas tipo Hodgkin e não Hodgkin, sarcoma de partes moles e mieloma múltiplo (BRASIL, 2010).

Rodenticidas

Atualmente, os rodenticidas são à base de anticoagulantes, os dicumarínicos, que são bem absorvidos por via digestiva e podem determinar, na intoxicação aguda, hemorragias de vários graus, dependendo da dose ingerida. O grupo de maior risco, nesse caso, são as crianças que têm contato com essas substâncias em forma de isca, sendo que algumas simulam guloseimas bastante atrativas para as crianças (TRAPÉ, 2004).

Na intoxicação aguda os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a exposição excessiva, por curto período, a produtos extrema ou altamente tóxicos. Nas intoxicações agudas decorrentes do contato/exposição a apenas um produto, os sinais e sintomas clínico-laboratoriais são nítidos e objetivos, o diagnóstico é claro e o tratamento definido. Pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, dependendo da quantidade de veneno absorvido.

A intoxicação sobreaguda ocorre por exposição moderada ou pequena a produtos altamente tóxicos ou medianamente tóxicos e tem aparecimento mais lento. Os sintomas são subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza, mal-estar, dor de estômago e sonolência, entre outros.

A intoxicação crônica caracteriza-se por surgimento tardio, após meses ou anos, por exposição pequena ou moderada a produtos tóxicos ou a múltiplos produtos, acarretando danos muitas vezes irreversíveis, como paralisias e neoplasias. Os sintomas são subjetivos tornando o quadro clínico indefinido e o diagnóstico difícil de ser estabelecido.