Teologia elementar

História Geral das Religiões

1 A Doutrina das Escrituras

“As Sagradas Escrituras constituem o livro mais notável jamais visto no mundo. São de alta antigüidade. Contêm o registro de acontecimentos do mais profundo interesse. A história de sua influência é a história da civilização. Os melhores homens e os maiores sábios têm testemunhado de seu poder como instrumento de iluminação e santidade, e, visto que foram preparados por homens que “falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo”, a fim de revelar o “único Deus verdadeiro e Jesus Cristo a quem ele enviou”, elas possuem por isso os mais fortes direitos à nossa consideração atenciosa e reverente.” – Angus-Green.

Nossa atitude para com as Escrituras em si é que determina em grande parte os conceitos e as conclusões que tiramos de seus ensinamentos. Se as temos na conta de autoridade plena nos assuntos de que tratam, então suas afirmações positivas constituem para nós a única base da doutrina cristã.

Seu Significado

Por canonicidade das Escrituras queremos dizer que, de acordo com padrões determinados e fixos, os livros incluídos nelas são considerados partes integrantes de uma revelação completa e divina, a qual, portanto, é autorizada e obrigatória em relação à fé e à prática

A palavra “cânon” é de origem cristã e derivada do vocábulo grego “kanon”, que por sua vez provavelmente veio emprestado do hebraico “kaneh”, que significa junco ou vara de medir, daí tomou o sentido de norma ou regra. Mais tarde veio a significar regra de fé, e finalmente, catálogo ou lista. Gl. 6:16.

“Deve ser compreendido, entretanto, que a canonização de um livro não significa que a nação judaica, por um lado, ou a Igreja Cristã, por outro, tenha dado a esse livro a sua autoridade; antes, significa que sua autoridade, já tendo sido estabelecida em outras bases suficientes, foi conhecer que cada um dos livros canônicos possui uma qualidade que determinou sua aceitação. Foi percebida a sua origem divina, por isso foi aceito.“ “A canonização do sequentemente reconhecida como de fato pertencente ao Cânon e assim declarado.“ – Gray.

“Deve se relivro importava em: 1) o reconhecimento de que seu ensino era, em sentido especial, divino; 2) a conseqüente atribuição ao livro, pela comunidade ou seus guias, de autoridade religiosa.” – Angus-Green

Provas

As Escrituras não exigem credulidade cega por parte daqueles que examinam a fim de estudá-las, mas, sim, crença inteligente fundamentada na base de fatos críveis.

O Cânon do Antigo Testamento

“O Antigo Testamento não contém nenhum registro da canonização de qualquer livro ou coleção de livros, mas sempre reconhece os livros como possuidores de autoridade canônica.”

“São falhas todas as teorias que consideram a canonização dos livros do Antigo Testamento como obra do povo. A autoridade canônica e seu reconhecimento são duas coisas distintas. Prova-se por três considerações que a decisão do povo não foi a causa da canonicidade.

1. Naqueles tempos, a autoridade não era considerada como proveniente do povo, mas sim de Deus. Tal teoria crítica colocaria à força o princípio da civilização moderna nos tempos antigos. A fim de que os livros fossem reconhecidos por Israel, era necessário possuírem autoridade canônica prévia, pelo contrário, Israel não teria reconhecido. Eram canônicos pelo fato de ser divinamente inspirados e de possuir autoridade divina desde sua primeira promulgação.

2. Os dois relatos de assim-chamada canonização não o são propriamente. O que se refere ao livro de Deuteronômio no tempo de Josias, nada tem a ver com canonização. O livro era reconhecido como sendo já autorizado, por todos que o liam. Disse Hilquias a Safã: “Achei o Livro da Lei na casa do Senhor” (II Rs. 22:8). Safã leu o livro diante do rei Josias, que imediatamente rasgou suas vestes e ordenou uma consulta ao Senhor a respeito das palavras do livro, dizendo “Grande é o furor do Senhor, que se acendeu contra nós, por quanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem segundo tudo quanto de nós está escrito” (II Rs. 22:13). Josias ajuntou o povo e leu diante dele o livro (II Rs. 23:1-2). Semelhantemente, o registro de Neemias 8 não é o da canonização de um livro. É claro que Esdras considerava o livro já canônico, caso contrário não teria feito tanta questão de lê-lo na assembléia solene do povo, que tinha a mesma opinião, pois pediria a Esdras que o lesse (Ne. 8:1-3) e, “abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé”, como evidência dessa autoridade. Sua aceitação era apenas o reconhecimento de uma autoridade já existente. A leitura teve por objetivo a instrução do povo.

3. No Antigo Testamento não há registro da aceitação formal pelo povo de nenhum dos livros pertencentes à segunda e terceira divisões do cânon. Não obstante, esses livros eram evidentemente considerados canônicos. Fosse imprescindível ou a aceitação pelo povo, ou o endosso oficial pelos escribas para a canonização dos livros, o registro de tal ato seria uma parte importante de cada livro ou, pelo menos, de cada divisão de cânon. Mas não existe nenhum registro dessa natureza. A explicação óbvia é que os livros eram reconhecidos como canônicos desde o princípio.” – Raven

3. No Antigo Testamento não há registro da aceitação formal pelo povo de nenhum dos livros pertencentes à segunda e terceira divisões do cânon. Não obstante, esses livros eram evidentemente considerados canônicos. Fosse imprescindível ou a aceitação pelo povo, ou o endosso oficial pelos escribas para a canonização dos livros, o registro de tal ato seria uma parte importante de cada livro ou, pelo menos, de cada divisão de cânon. Mas não existe nenhum registro dessa natureza. A explicação óbvia é que os livros eram reconhecidos como canônicos desde o princípio.” – Raven

As Escrituras do Antigo Testamento são chamadas, dentre outros títulos, de “a lei dos profetas” (Mt. 22:40; At. 13:15; Rm. 3:21).

Aceitação demonstrada pelo lugar recebido no templo

(a) Tábuas da lei preservadas na arca da aliança.

Dt. 10:5 – Virei-me, e desci do monte, e pus as tábuas na arca que eu fizera; e ali estão, como o Senhor me ordenou.

(b) Livro da lei conservado pelos levitas ao lado da arca.

Dt. 31:24-26 – Tendo Moisés acabado de escrever integralmente as palavras desta lei num livro, deu ordem aos levitas que levaram a arca da aliança ao Senhor, dizendo: Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do Senhor vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti.

(c) Escrituras achadas no Templo, nos dias de Josias.

II Rs. 22:8 – Então disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da Lei na casa do Senhor. Hilquias entregou o livro a Safã, e este o leu.

Aceitação demonstrada pelo reconhecimento de sua autoridade

(a) a Lei devia ser lida na presença do povo cada sete anos.

Dt. 31:10-13 – Ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, precisamente no ano da remissão, na festa dos tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel. Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos, e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam e aprendam, e temam ao Senhor vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei; para que seus filhos, que não a souberam, ouçam, e aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão, para o possuir.

(b) O povo era exortado a obedecê-las.

II Cr. 17:9 – Ensinaram em Judá, tendo consigo o livro da lei do Senhor, percorriam todas as cidades de Judá, e ensinavam ao povo.

(c) O rei devia ter uma cópia para regular suas decisões.

Dt. 17:18-20 – Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes. E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, par os cumprir. Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos, e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.

(d) Josué havia de lê-las.

Js. 1:8 – Não cesses de falar deste livro da lei; antes media nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo a tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido.

2 A Doutrina das Escrituras II

(e) Base do julgamento divino dos reis.
I Rs. 11:38 – Se ouvires tudo o que eu te ordenar, e andares nos meus caminhos, e fizeres o que é reto perante mim, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como fez Davi, meu servo, eu serei contigo e te edificarei uma casa estável, como edifiquei a Davi, e te darei Israel.
(f) O cativeiro de Israel e Judá foi motivado pela desobediência às Escrituras.
Ne. 1:7-9 – Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos, que ordenaste a Moisés teu servo. Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; mas se vos converterdes a mim e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremas do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome.
(g) Reconhecidas pelos cativos que retornaram.
Ed. 3:2 – Levantou-se Jesua, filho de Jozadaque, e seus irmãos, sacerdotes, e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus irmãos, e edificaram o altar, do Deus de Israel, para sobre ele oferecerem holocaustos, como está escrito na lei de Moisés, homem de Deus.

Aceitação demonstrada pelo fato de serem os Profetas colocados em pé de igualdade com a Lei

“Os profetas salientavam a lei (Is. 1:10), mas consideravam suas pró- prias palavras igualmente obrigatórias. A desobediência aos profetas era igualmente digna de castigo (II Rs. 17:13).” – Raven.

Aceitação demonstrada pela referência de Daniel a declara- ções proféticas preservadas em livros

Dn. 9:2 – No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.

Referência de Cristo às Escrituras, como existentes e autorizadas

Mt. 22:29 – Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. V.A. – Jo. 5:39; 10:35; Mt. 23:35; Lc. 24:44.

Referência do apóstolo às Escrituras, como dotadas de origem e autoridade divinas

II Tm. 3:16 – Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça. V.T. – II Pe. 1:20,21.

Composto de livros escritos pelos Apóstolos ou recebidos como possuidores de autoridade divina na era apostólica

Jo. 16:12-15 – Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir. Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. V.A. – II Pe. 3:15,16; Jo. 14:26.

Composto de livros colocados em nível de autoridade não atingido por quaisquer outros livros

I Ts. 2:13 – Outra razão ainda temos nós para incessantemente dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e, sim, como em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes.

Composto de livros que dão evidência de uma própria origem

Cl. 1:1,2 – Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por vontade de Deus, e o irmão Timóteo, aos santos e fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos: Graça e paz a vós outros da parte de Deus nosso Pai. V.A. – Rm. 1:1,7.

Composto de livros a respeito dos quais foi dado discernimento espiritual à Igreja para capacitá-la a discriminar entre o falso e o verdadeiro

“Foi depois de um período considerável de tempo, a contar da ascensão do Senhor, que foi escrito, em realidade, qualquer dos livros contidos no cânon do Novo Testamento.
“ A obra primária e mais importante dos apóstolos era a de dar testemunho pessoal dos fatos básicos da história evangélica. O ensino deles foi inicialmente oral, mas, no decurso do tempo, muitos procuraram dar forma escrita a esse Evangelho oral. Enquanto os apóstolos ainda viviam, não era urgente a necessidade de registros escritos das palavras e ações de nosso Senhor. Mas, quando chegou o tempo de serem eles removidos do mundo, tornou-se extremamente importante que fossem publicados registros autoritativos. Assim, vieram à existência os Evangelhos.
“Os fundadores das igrejas, freqüentemente impossibilitados de visitá-las pessoalmente, desejavam entrar em contato com seus convertidos no propósito de aconselhá-los, repreendê-los e instruí-los. Assim surgiram as Epístolas.
“A perseguição movida por Diocleciano (302 D.C.) pôs em evidência a questão da literatura sagrada da Igreja. Os perseguidores exigiram que fosse abandonadas as Escrituras. A isso se negaram os cristãos. Então tornou-se urgente a pergunta: Que livros são apostólicos? A resposta está em nosso Novo Testamento. Pesquisas cuidadosas, regadas por oração, aprimoradas, mostraram quais livros eram genuínos e quais eram falsos. Assim surgiu o cânon do Novo Testamento.” – Evans.
D.D. – Os livros das Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, conforme os possuímos hoje, têm sido aceitos pela Igreja durante toda a era cristã como aqueles que compreendem a revelação completa vinda de Deus, e também que foram escritos pelos autores humanos aos quais são atribuídos.

Significado

Por veracidade das Escrituras queremos dizer que seus registros são verazes, e que assim podem ser aceitos como declarações dos fatos.
O caráter canônico das Escrituras, incluindo a genuinidade de sua autoria, fica assim demonstrado como fato estabelecido; porém, a questão de sua veracidade ainda precisa ser corroborada. Um livro pode ser genuíno quanto à sua autoria, e, contudo, não ser crível quanto ao seu conteúdo. Por exemplo, entre as obras de ficção, possuímos as de Dickens, Shakespeare e Stevenson, com provas incontestáveis de sua autoria. Nenhuma pessoa inteligente, entretanto, tentaria estabelecer a veracidade de suas narrativas. São universalmente reconhecidas como ficção. Seria esse o caso da Bíblia, ou ela é ao mesmo tempo genuína e veraz?

Provas

A veracidade de qualquer afirmação ou série de afirmações pode ser testada mediante comparação com os fatos, desde que tais fatos estejam disponíveis. A veracidade das afirmações bíblicas pode ser e tem sido testada mediante fatos descobertos pela investigação científica e pela pesquisa histórica.

Não contradizem quaisquer fatos científicos bem estabelecidos

Quando corretamente interpretados, suas afirmações se harmonizam com todos os fatos conhecidos a respeito da constituição física do universo e com o mistério dos mundos planetário e estrelar; com a constituição do homem e com sua complexa natureza e seu ser; com a natureza dos animais inferiores, e com suas várias espécies na escala da existência; com a natureza das plantas e com o mistério da vida vegetal; e com a constituição da terra e suas formas e forças materiais.
Frequentemente é levantada a questão da exatidão científica das afirmações bíblicas. Algumas vezes essa questão é aliada com a alegação que a Bíblia não é um livro científico. Apesar, porém, de ser verdade que a Bíblia não tem como tema uma questão secundária como a ciência natural, mas antes, trata da história da redenção, inclui, contudo, em seu escopo, todo o campo da ciência. Em todas as suas afirmações, portanto, a Bíblia deve falar e realmente fala com exatidão.

3 A Doutrina Das Escrituras III

Não contradizem as conclusões filosóficas geralmente apoiadas concernentes aos fatos do universo

A Bíblia se opõe a certo número de conceitos filosóficos do mundo e refuta-os: o ateísmo, o politeísmo, o materialismo, o panteísmo e a eternidade da matéria (Gn. 1:1); porém, não entra em conflito ou debate com aqueles pontos de vista que têm sido provados como cientificamente sãos.

Integridade topográfica e geográfica

As descobertas arqueológicas provam que os povos, os lugares e os eventos mencionados nas Escrituras são encontrados justamente onde as Escrituras os localizam, no local exato e sob as circunstâncias geográficas exatas descritas na Bíblia.

O Dr. Kyle diz que os viajantes não precisam de outro guia além da Bíblia quando descem pela costa do Mar vermelho, ao longo do percurso seguido no Êxodo, onde a topografia corresponde exatamente à que é dada no relato bíblico.

“Sir William Ramsey, que iniciou suas explorações na Ásia Menor como pessoa que duvidava da historicidade do livro de Atos, dá testemunho da sua maravilhosa exatidão quanto às particularidades geográficas, conhecimento das condições políticas, que somente alguém vivo naquela época e presente em cada localidade poderia saber. Ficou ele tão impressionado com essas fotos que se tornou ardente advogado da historicidade do livro de Atos.” – Hamilton.

Integridade etnológica ou racial

Todas as afirmações bíblicas concernentes às raças a que se referem, têm sido demonstradas como harmônicas com os fatos etnológicos revelados pela arqueologia.

“Trata-se de fato bem confirmado pela pesquisa arqueológica que, sempre que as Escrituras mencionam um povo ou suas relações raciais, sua origem ou seus costumes, ou afirmam que governaram ou serviram outras nações, ou se trate de outro fato qualquer, pode-se confiar que essas afirmações estão exatamente de acordo com as revelações da arqueologia. Por conseguinte, a única teoria que um historiador pode sustentar, em face de tais fatos, é que o autor da genealogia dos povos, em Gênesis 10, deve ter tido diante de si, quando escrevia, informações originais de primeira ordem.” – Hamilton.

Integridade cronológica

A identificação bíblica de povos, lugares e acontecimentos com o período de sua ocorrência é corroborada pela cronologia síria e pelos fatos revelados pela arqueologia.

A Bíblia possui um sistema real pelo qual fica demonstrado como correto o período ao qual é atribuído cada acontecimento, ficando também demonstrado que a ordem dos acontecimentos é a ordem correta da sua ocorrência, e que as circunstâncias acompanhantes são corretamente colocadas no tempo e dispostas. Os primeiros elementos de uma história digna de confiança são encontrados nos documentos bíblicos. Os lugares onde se afirma que os acontecimentos ocorreram, são localizados com exatidão, os povos mencionados nesta ou naquela localidade, estavam realmente ali; e o tempo dos acontecimentos registrados é o tempo exato em que devem ter acontecido. Isso fornece o arcabouço da história inteira do Antigo Testamento.

Integridade histórica

O registro bíblico dos nomes e títulos dos reis está em harmonia perfeita com os registros seculares, conforme estes têm sido trazidos à luz pelas descobertas arqueológicas.

O Dr. R. D. Wilson, professor de línguas semíticas, diz que os nomes de quarenta e um dos reis citados nominalmente no Antigo Testamento, desde o tempo de Abraão até o fim do período do Antigo Testamento, também são encontrados nos documentos e inscrições contemporâneos, escritos no tempo daqueles reis e geralmente sob a orientação dos mesmos, em seus próprios idiomas.

Integridade canônica

A aceitação pela Igreja em toda a era cristã, dos livros incluídos nas Escrituras que hoje possuímos, representa o endosso de sua integridade.

Concordância de exemplares impressos, do Antigo e do Novo Testamentos datados de 1488 e 1516 D.C., com exemplares impressos atuais das Escrituras

“Esses exemplares impressos, ao serem comparados, concordam nos seus aspectos principais com as Escrituras impressas que possuímos hoje em dia, e assim provam, de uma vez, que tanto o Antigo como o Novo Testamento, na forma em que os possuímos agora, já existiam há quatrocentos anos passados.” – Evans.

Aceitação da integridade canônica à base de 2000 manuscritos bíblicos possuídos por eruditos no século XV, em confronto com a aceitação de escritos seculares à base de uma ou duas dezenas de exemplares

“Quando essas Bíblias foram impressas, certo erudito tinha em seu poder mais de 2.000 manuscritos. Kennicott reuniu 630 manuscritos e DeRossi mais 743 para a edição crítica da Bíblia hebraica. Acima de 600 outros manuscritos foram coligidos para a edição do Novo Testamento grego. Esse número é sem dúvida suficiente para estabelecer a genuinidade e autenticidade do texto sagrado. Têm servido para restaurar ao texto sua pureza original, e também nos fornecem absoluta certeza e proteção contra corrupções futuras.

“A maioria desses manuscritos foram escritos entre 1.000 e 1.500 D.C. Alguns remontam ao século IV. O fato de não possuirmos manuscritos anteriores ao século IV explica-se sem dúvida pela destruição em massa dos livros sagrados no ano de 302 D.C. por ordem do imperador Diocleciano.” – Evans.

Confirmação por parte das quatro Bíblias mais antigas, datadas entre 300 e 400 D.C. e escritas em diferentes partes do mundo, que em conjunto contêm as Escrituras como as possuímos atualmente

D.D. – O conteúdo verídico das Escrituras tem sido plenamente comprovado apelando-se para os registros regulares e para os fatos reais revelados pela pesquisa científica.

Significado

Por inspiração das Escrituras queremos dizer que os escritores foram de tal modo capacitados e dominados pelo Espírito Santo, na produção das Escrituras, que estas receberam autoridade divina e infalível.

Há diferença entre a afirmativa da inspiração e da integridade. Em referência à primeira, as Escrituras afirmam ser a palavra de Deus no sentido de que suas palavras, embora escritas por homem e trazendo as marcas indeléveis de sua autoria humana, foram escritas, não obstante, sob influência do Espírito Santo a ponto de serem também as palavras de Deus, a expressão adequada e infalível de Sua mente e vontade para conosco. Embora o Espírito Santo não tenha escolhido as palavras para os escritores, é evidente que Ele as escolheu por intermédio dos escritores.

“Assim sendo, a credibilidade da Bíblia significa somente que ela se situa entre os melhores registros históricos de produção humana, enquanto que a inspiração da Bíblia subtende que, ainda que se assemelhe a tais registros históricos, pertence ela a uma categoria inteiramente distinta; e que, diferentemente de todos os demais escritos, ela não é apenas geralmente digna de fé, mas não contém erros e é incapaz de erro; e que assim é porque se distingue absolutamente de todos os outros livros, visto que em si mesma, em cada uma de suas palavras, é a própria palavra de Deus.” – Green.

Provas

Os sinais do que é divino sempre podem se distinguir, visto que evidenciam aquilo que é acima do natural. Assim, as Escrituras se distinguem de todas as produções humanas pelo fato de possuírem características que tornaram necessária a sua classificação como sobrenaturais e divinais.

O Testemunho da Arqueologia – Evidência corroborativa da pá e da picareta quando à exatidão das Escrituras

O testemunho da arqueologia, quanto à veracidade ou integridade das Escrituras, também pode ser considerado como evidência que corrobora sua inspiração. Se as Escrituras devem ser reputadas como declarações da verdade, sem qualquer mistura de erro, então seu testemunho a respeito de sua própria inspiração pode ser aceito como digno de confiança. As citações abaixo ilustram o testemunho da arqueologia quanto à exatidão dos registros bíblicos.

“Há quem imagine que a história de Abraão não deve ser crida mais que a história de Aquiles, de Enéias ou do rei Arthur, mas a verdade é que têm sido trazidos à luz documentos escritos no tempo de Abraão e na terra onde ele cresceu. Foi descoberta a cidade onde ele nasceu; os detalhes da sua viagem ao Egito conforme se conhece agora dão todas as evidências de historicidade, e temos provas grandemente confirmatórias a respeito de sua famosa batalha contra os reis confederados, mencionada em Gn. 14. Até mesmo Melquisedeque, com quem Abraão se encontrou, não é mais o mistério que era conforme demonstram as tabuinhas de barro de Tel el-Amarna.” – Gray.

“A cidade tesouro, Piton, edificada para Ramsés II, pelo trabalho escravo dos hebreus, durante o tempo de sua dura escravidão no Egito (Êx. 1:11), foi recentemente desenterrada perto de Tel-el-Kebir; e as paredes das casas, segundo se verificou, foram feitas de tijolos secos ao sol, alguns com palhas e outros sem palhas, exatamente de acordo com Êx. 5:7, escrito há 3.500 anos: ‘Daqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos...’ “ – Collett.

“Explorações recentes têm esclarecido certas questões importantes referentes às jornadas pelo deserto. Por exemplo, o ponto de travessia do Mar Vermelho; o verdadeiro caráter do deserto; a localização da transmissão da lei; de Cades-Barnéia e outros lugares importantes. Muita luz tem sido projetada sobre a história e o caráter de diversos dos povos que habitavam na terra de Canaã, especialmente os heteus e amorreus, revelando o motivo da ira de Deus contra eles devido à sua repulsiva iniquidade, e mostrando a necessidade da intervenção sobrenatural para que os israelitas pudessem triunfar sobre eles.” – Gray.

Outro caso é a menção, feita no livro de Daniel, ao rei Belsazar, onde aparece como rei dos caldeus. Até bem recentemente não se encontrava tal nome em toda a história caldaica ou antiga, embora houvesse uma lista aparentemente completa de reis babilônicos, não permitindo espaço para a inserção de qualquer outro nome. Nessa lista aparece o nome de Nabonidos, o rei que em realidade reinava no tempo que a Bíblia atribui ao reinado de Belsazar.

Em 1854, Sir Henry Rawlinson descobriu, em Ur dos Caldeus, alguns cilindros de terracota, contendo uma inscrição do acima mencionado Nabonidos, na qual ele faz menção de “Belsazar, meu filho mais velho”. Não obstante, permanecia ainda uma dificuldade: Como é que ele podia ter sido rei dos caldeus, se todos os registros antigos mostram que seu pai, Nabonidos, foi o último monarca reinante?

“Em 1876, trabalhadores sob a ordens d e Sir Henry Rawlinson estavam a escavar em uma antiga região da Babilônia quando descobriram algumas jarras cheias de mais de duas mil tabuinhas de barro com inscrições cuneiformes. Uma delas continha uma narração oficial, por um personagem que não era menos que Ciro, rei da Pérsia, a respeito da invasão da Babilônia, e na qual, após afirmar que Nabonidos primeiramente fugiu e depois foi aprisionado, acrescenta que, certa noite, o rei morreu. Ora, visto que Nabonidos, que fora feito prisioneiro, viveu por tempo considerável após a queda da Babilônia, esse ‘rei’ não pode ter sido outro senão Belsazar, sobre quem a antiga mas desacreditada Bíblia registra há muito: ‘Naquela mesma noite foi morto Belsazar, rei dos caldeus’. É evidente que Belsazar servia de regente, durante a ausência de seu pai. Dessa forma veio à luz o fato que Nabonidos e Belsazar, seu filho, estavam ambos reinando ao mesmo tempo, o que explica a oferta de Belsazar a Daniel, de fazer deste o terceiro no reino (Dn. 5:16), uma vez que Nabonidos era o primeiro, e Belsazar, o regente, era o segundo”. – Collett.

Sua unidade

“A unidade da Bíblia é sem paralelo. Nunca, em qualquer outra lugar, se uniram tantos tratados diferentes, históricos, biográficos, éticos, proféticos e poéticos para perfazer um livro, assim como todas as pedras lavradas e as tábuas de madeira compõem um edifício ou, melhor ainda, como todos os ossos, músculos e ligamentos se combinam em um corpo. Isso também, além de ser um fato incontestável, não tem paralelo na literatura, visto que todas as condições, humanamente falando, não apenas são desfavoráveis, mas fatias a tal combinação.
“Há sessenta e seis livros, escritos por quarenta diferentes homens vindos de várias condições e níveis de vida, possuidores de diversos graus de cultura, desde pastores até estadistas. Esses livros foram escritos em três idiomas diferentes, durante um período que abrange mais de 16 séculos. Os assuntos sobre os quais esses livros versam são diversos e variados; não obstante, há uma unidade doutrinária e estrutural que permeia o todo. Apesar dos elementos divergentes, foi produzido essencialmente um livro. Não apenas a Bíblia, em seu conjunto, um fenômeno que não conhece rival, mas todas as suas características são fenomenais, e nenhuma se destaca mais que essa convergência de conteúdo, como raios que se concentram num ponto comum.

4 A Doutrina Das Escrituras IV

“Grandes catedrais, como as de Milão e Colônia, precisaram de sé- culos para serem edificadas. Centenas e milhares de trabalhadores foram empregados. Certamente ninguém necessita ser informado que por trás do trabalho desses edificadores havia algum arquiteto que construiu mentalmente esse templo, antes de ser lançada a pedra fundamental, e que esse arquiteto, antes de mais nada, traçou os planos e forneceu até mesmo especificações minuciosas, de modo que a estrutura deve sua simetria inigualável, não aos trabalhadores braçais que fizeram o trabalho bruto, mas àquele único arquiteto, o cérebro da construção, que planejou a catedral em sua totalidade.
“A Bíblia é uma majestosa catedral. Muitos edificadores humanos, cada um por sua vez, contribuíram para a estrutura. Mas, quem é o arquiteto? Que mente una foi aquela que planejou e enxergou o edifício completo, antes que Moisés tivesse escrito aquelas primeiras palavras do Gênesis, as quais, não por acidente, mas tendo o propósito de gravar o nome do arquiteto no vestíbulo, são estas: ‘No princípio Deus’?” – Pierson.

Suas exposições sem igual

“O que as Escrituras têm a dizer sobre todos os seus temas principais é tão contrário aos pensamentos e idéias de todas as classes de homens que somos obrigados a concluir que é impossível que a mente humana as tenha inventado.” – Pink.

Em relação a Deus: infinito, soberano, triúno, santo e cheio de amor

Is. 6:1-3 – No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. V.A. – Dn. 4:35; Hb. 1:10-12; II Co. 13:14.
“Este conceito transcende totalmente o entendimento do intelecto finito e, portanto, não pode ter nascido ali. Nenhum homem ou conjunto de homens jamais inventou um Deus como este.” – Pink.

Em Relação ao Homem: Condenável Pelo Seu Caráter Corrompido e Seu Procedimento Pecaminoso

“A Bíblia apresenta como indescritivelmente terrível a condenação eterna do pecador que rejeita a Cristo. Ensina-a com clareza e destaque. Ora, qual o homem pecador que iria inventar para si mesmo semelhante desgraça? A doutrina bíblica do castigo eterno é, portanto, mais uma evidência da origem e autoria sobrenaturais do Livro.” – Pink.
Rm. 3:10-12 – Como está escrito: não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; nada há quem faça o bem, não há nem um se quer. V.A. – Jr. 17:9. V.T. – Ef. 4:18.
Diferentemente dos demais livros, a Bíblia condena o homem e todos os seus feitos. Semelhante descrição da natureza caída jamais teria sido inventada pela mente humana. O homem não pintaria de si próprio um quadro tão condenatório.

Em Relação ao Mundo (Sistema Mundano) Como Mau e Oposto a Deus

I Jo. 2:15-17 – Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente. V.A. – Gn. 6:5; Tg. 1:13-15.
“Os homens consideram o pecado uma infelicidade e sempre procuram diminuir-lhe as enormes proporções. Diferentemente de todos os outros livros, a Bíblia desnuda o homem de todas as desculpas e salienta sua culpabilidade.” – Pink.

Em Relação ao Castigo Contra o Pecado – Como Proporcional à Sua Hediondez a Culpa

Ez. 18:4 – Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá. V.A. – Rm. 6:23; Lc. 12:47,48; Sl. 62:12; Jr. 25:14; Rm. 2:6.
“Que homem ou homens pecadores jamais inventaram uma condenação tão indescritivelmente terrível como aquela que, segundo a Bíblia declara, aguarda toda a pessoa que rejeita a Cristo? E o fato que o Castigo Eterno é ensinado na Bíblia, ensinado clara e proeminentemente, é outra das muitas evidências de sua origem e autoria sobrenaturais.” – Pink.

Em Relação à Salvação do Pecado – Como Absolutamente Independente do Mérito Humano e Baseada Exclusivamente nos Méritos de Cristo

Rm. 3:20,24 – Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado... sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. V.A. – Gl. 2:16; Tt. 3:5; Ef. 2:8,9.
A independência e justiça própria do homem o desviaria de estabelecer um conceito da salvação como o que se acha nas Escrituras, a saber, pela graça, mediante a expiação providenciada por Deus.

A profecia e Seu Cumprimento

“Ninguém senão Deus pode predizer com certeza o futuro; portanto, se pudermos demonstrar que a Bíblia contém numerosas predições que se cumpriram literalmente, pelo menos não poderemos duvidar que esse Livro veio da parte de Deus.” – Boddis.

Referente aos judeus

II Rs. 21:11-15 (ver especialmente o vers. 14) – Abandonarei o resto da minha herança, entregá-lo-ei na mão de seus inimigos; servirá de presa e despojo para todos os seus inimigos.
II Cr. 36:6 – Subiu, pois, contra ele Nabucodonosor, rei da Babilônia, e o amarrou com duas cadeias de bronze, para o levar à Babilônia. Também alguns dos utensílios da casa do Senhor levou Nabucodonosor para a Babilônia, onde os pôs no seu templo. V.A. – Mt. 24:34,35.
“Toda a história judaica dá testemunho da verdade das sagradas Escrituras. A continuação da existência dos judeus como povo separado prova que as profecias a eles concernentes foram, verdadeiramente, dadas por Deus. Se lermos as Escrituras em confronto com a história secular dos judeus, descobriremos que a profecia e a história se adaptam uma à outra uma luva se adapta à mão.” – Boddis.
Isso é verdade tanto da história atual como da mais remota.

Referente aos Gentios

Daniel 2 – A imagem colossal – parcialmente cumprida na história da Babilônia, da Média Pérsia, da Grécia e de Roma. V.A. – Jl. 3:12; Mt. 25:31,32
Estudantes da Bíblia, dignos de confiança, têm crido que a história dos três primeiros desses impérios tem sido o desdobramento do quadro profético acima. Um cumprimento parcial da profecia concernente ao último império também é historicamente verídico, porém grande parte dessa profecia espera uma realização futura e mais completa.
A respeito de Roma, diz o Dr. Boddis: “Poderia o mais sábio dos profetas ter previsto que uma comunidade relativamente insignificante, nas margens do rio Tibre, se tornaria o poderoso império de ferro, cujo poder partiria a terra em pedaços? Poderia ele, sem o auxílio do poder divino, ter previsto que esse grande império viria a dividir-se em duas partes, oriental e ocidental, para nunca mais serem unidas? Que homem, mesmo vivendo nos dias de Antíoco, poderia ter sabido que, em sua última etapa, esse império consistiria de diversos reinos, nos quais se reuniria a democracia e o poder imperial? Até o presente a profecia vem se cumprindo literalmente. Apenas uma parte é ainda futura: a manifestação final dos dez dedos dos pés e o derrubamento da imagem pela pedra.”

Referente a Nosso Salvador

“O Antigo Testamento está repleto de Jesus. Toda a profecia. O tem como tema. As Escrituras nos fornecem a linha da ascendência do Messias. Ele havia de ser da semente da mulher, da raça de Sem, da linhagem de Abraão, por meio de Isaque e Jacó (e não de Ismael ou Esaú), da tribo de Judá e da família de Davi.”
“Encontramos também a previsão de toda a Sua vida e ministério. O lugar de Seu nascimento, Seu nascimento miraculoso de uma virgem, Sua ida ao Egito, Seu precursor, o caráter de Seu ministério, Sua entrada em Jerusalém montado em jumento, a traição de que foi vítima, Seu julgamento e crucificação, Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão, Sua segunda vinda e Seu reino – tudo foi predito em termos inequívocos, do Gênesis a Malaquias.”
“Tem sido calculado por estudiosos que mais de trezentos detalhes proféticos foram cumpridos em Cristo. Aqueles que ainda não foram cumpridos se referem à Sua segunda vinda e ao Seu reino, ainda futuros. Poderia essa profusão de profecias messiânicas ter cumprimento numa única pessoa, se não viesse de Deus? Como são verdadeiras as palavras das Escrituras: ‘... jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo.” – Boddis.

Suas Próprias Declarações

II Tm. 3:16 – Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça. V.A. II Sm. 23:1,2; II Pe. 1:20,21.
A Bíblia, cuja genuinidade tem sido estabelecida e cuja credibilidade tem sido comprovada, declara sua própria inspiração e autoridade divinas.

O Testemunho de Cristo – Evidência Confirmatória das Declarações das Escrituras, Por Ele e Por Meio dEle

A vida e o ministério inteiros de Jesus, juntamente com Sua ressurreição, põem o selo confirmatório sobre a inspiração e a autoridade divinas das Escrituras.

Suas Palavras

Lc. 24:44,45 – A seguir Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmo. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras. V.A. – Lc. 24:25-27; Jo. 10:35; Mt. 15:3,6; 5:18.

5 A Doutrina Das Escrituras V

“Sempre que o Senhor se referia às Escrituras, invariavelmente o fazia em termos calculados para inspirar a maior confiança possível em cada uma de Suas palavras. E o registro inteiro de Sua vida não fornece uma única exceção a essa regra.” – Collet.
Ele chamou os livros do Antigo Testamento de “a Escritura” que “não pode falhar”. Também falou das verdades que ainda “hão de ser reveladas” e forneceu instruções concernentes ao Espírito Santo, por meio de Quem seria dada essa revelação. (Jo. 16:13,14).

Suas Obras

Mt. 11:4,5 – E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.
Is. 61:1 – O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos, e a pôr em liberdade os algemados. V.T. – Jo. 14:11; 10:41.
O testemunho das palavras de Jesus, quanto à inspiração das Escrituras, é sustentado e suplementado pelo testemunho de Suas obras. Suas afirmações da autoridade divina das Escrituras foram consubstanciadas por essa credenciais de Seu poder divino.
A revelação, em distinção à manifestação de Deus no curso da natureza e aos feitos ordinários da providência, em Sua própria concepção e miraculosa. O fato da presença e da agência mais imediata de Deus, em conexão com a doutrina cristã, é transmitido aos sentidos por meio de obras de poder sobrenatural. Essa obras corroboram a evidência fornecida pela própria doutrina, o que é visto em seus frutos. Os milagres são auxílios à fé. Produzem o efeito decisivo de convencer aqueles que estão impressionados com a evidência moral. Assim eram considerados por Jesus. Os milagres e a doutrina são tipos de provas que mutuamente se apoiam.

Sua Ressurreição

At. 17:31 – Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos. V.T. – Sl. 16:10,11; Rm. 1:4; I Pe. 1:21.
Na ressurreição de Cristo temos o milagre por excelência do Novo Testamento, e seu valor como evidência é muito acentuado. Fornece prova positiva de que Jesus Cristo é o que afirmava ser. Desse modo Ele foi declarado filho de Deus dotado de poder. Fornece também endosso de tudo que Cristo apoiou, consubstanciando e corroborando todas as Suas declarações e ensinamentos a respeito de Sua própria pessoa e das Escrituras. Portanto, se Cristo ensinou que as Escrituras são inspiradas, como realmente o fez, então Sua ressurreição confirmou a veracidade desse ensino.

O Testemunho das Vidas Transformadas – Sua Influência Sobre o Caráter e a Conduta

O propósito de Deus na redenção, conforme revelado pelas Escrituras, é restaurar os homens a Deus, dos quais Ele se havia alienado por causa do pecado, não apenas judicialmente mas também experimentalmente, a fim de proporcionar ao homem não apenas a posição de justo, mas também o estado de justiça – “... a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”. Foi atingido esse alvo? A história da Igreja Cristã responde afirmativamente. Saulo, o perseguidor, foi transformado em Paulo, o apóstolo. João Bunyan, João Newton, Wesley e Spurgeon, no passado, e o coronel Clark, Jerry McCauley e S.H. Hadley em nossa própria geração, homens em cujas vidas a graça de Deus se tem corporificado e expressado, demonstram que assim é. Essa realização dos propósitos declarados das Escrituras provam sua inspiração.
D.D. – Que as Escrituras têm origem divina, ou seja, a autoridade e inspiração de Deus, é demonstrado pelo testemunho conjunto da arqueologia e das Escrituras, incluindo o testemunho de Cristo, registrado e evidenciado pela transformação de vidas humanas.

Perguntas para Estudo: A Doutrina das Escrituras

1. Defina canonicidade e mostre a derivação da palavra “cânon”.
2. Discorra sobre as três provas de que a canonização não dependia do povo. Esboce as provas da canonicidade da Lei dos Profetas. Forneça provas suplementares no Novo Testamento.
3. Dê a prova de cinco facetas da genuinidade do cânon do Novo Testamento.
4. Dê a Declaração Doutrinária sobre a Canonicidade.
5. Defina a integridade das Escrituras.
6. Pode um livro ser genuíno quanto à sua autoria, mas não ser crível quanto ao seu conteúdo. Ilustrar.
7. Que considerações negativas estabelecem a integridade das Escrituras? Discorra sobre o assunto.
8. Discorra por extenso sobre a prova positiva de cinco aspectos, da integridade das Escrituras.
9. Defina a inspiração das Escrituras.
10. Faça a distinção entre a inspiração e a integridade.
11. Discorra sobre o testemunho da arqueologia à inspiração das Escrituras, e cite três ilustrações da exatidão do registro bíblico.
12. Discorra sobre a unidade da Bíblia como prova interna de sua origem divina.
13. Discorra sobre cinco exposições das Escrituras, as quais, por não terem paralelo, não podem ser de origem humana.
14. Discorra sobre a profecia e seu cumprimento como prova interna da inspiração.
15. Cite uma passagem na qual a Bíblia declara sua própria inspiração.
16. Discorra sobre o testemunho de Cristo à origem divina das Escrituras.
17. Discorra sobre o testemunho das vidas transformadas à inspiração das Escrituras,
18. Dê a Declaração Doutrinária sobre a Inspiração das Escrituras.

6 A Doutrina de Deus

O Fato de Deus

“Se existe ou não uma suprema inteligência pessoal, infinita e eterna, onipotente, onisciente e onipresente, o Criador, Sustentador e Governante do universo, imanente em tudo ainda que transcendendo a tudo, gracioso e misericordioso, o Pai e Remidor da humanidade, é sem dúvida o mais profundo problema que possa agitar a mente humana. Jazendo à base de todas as crenças religiosas do homem, está ligado não apenas à felicidade temporal e eterna do homem, mas também ao bem-estar e progresso da raça.” – Whitelaw.
A existência de Deus é uma premissa fundamental das Escrituras, que não tecem argumentos para afirmá-la ou comprová-la. Por conseguinte, nossa principal base para a crença na realidade de Deus se encontra nas páginas da Bíblia. A Bíblia, portanto, não se destina ao ateu, que nega a existência de Deus, nem ao agnóstico declarado, que nega a possibilidade de saber se existe Deus ou não. Também não tem valor para o incrédulo que rejeita a revelação de Deus e, por isso mesmo, o Deus da revelação. O ateu rejeita o conceito de Deus por não ser capaz de descobri-lo no universo material. Deus, porem, sendo Espírito, não pertence à categoria da matéria e, portanto, não pode ser descoberto por investigações meramente naturais ou materiais.
“Para asseverar categoricamente a não existência de Deus, o homem se vê obrigado a arrogar-se à sabedora e à onipresença de Deus. Precisa explorar até aos confins do universo para estar certo de que Deus não está ali. Há de interrogar a todas as gerações da humanidade e todas as hierarquias do céu, para estar certo de que eles nunca ouviram falar em Deus.” – Chalmers.
O vocábulo “agnosticismo” se deriva da partícula negativa grega “a” (não) e do termo grego “ginosko” (conhecer), tendo assim o sentido de “não conhecer”. Foi criado pelo professor Huxley para expressar sua pró- pria atitude. Provavelmente foi sugerido pelo nome dado a uma antiga seita (os gnósticos), que pretendiam possuir um conhecimento especial.
A incredulidade rejeita, irracionalmente, qualquer possibilidade de haver uma revelação divina, pois é evidente à mente sem preconceitos que o Deus da natureza é também o Deus da revelação, visto que muitas provas a respeito de um podem ser oferecidas a respeito do outro. O incrédulo, todavia, rejeita a Bíblia como revelação divina e, por conseguinte, rejeita aquilo que ela revela e assim se recusa a crer no Deus da Bíblia.

Estabelecido pela Razão

Há certo número de argumentos que, embora não sejam aceitos como provas concludentes da existência de Deus, podem, apesar disso, ser considerados como provas corroborativas.

O Argumento Decorrente da Crença Universal

Rm. 1:19-21,28 – Porque o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos, por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis. Porquanto, tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem cousas inconvenientes. V.A. – Jó 32:8, At. 17:28,29; Rm. 2:15; 1:32.
O argumento baseado na crença universal não pode ser desprezado. “O homem em toda parte acredita na existência de um Ser Supremo ou Seres a quem é moralmente responsável e a quem necessita oferecer propiciação. Tal crença pode ser crua e mesmo grotescamente representada e manifestada, mas a realidade do fato não é mais invalidada por tal crueza do que a existência de um pai é invalidada pelas cruas tentativas de uma criança para desenhar o retrato de seu pai.” – Evans.

O Argumento de Causa e Efeito

É um princípio aceito que todo efeito deve ter uma causa adequada. Por conseguinte, todos os elementos que são possuídos de qualquer efeito devem resistir, ainda que seja apenas potencialmente, dentro da causa. Há certos elementos que são característicos no universo material e que indicam a existência de Deus conforme o conhecemos por meio da Revelação Divina
“Galeno, célebre médico de inclinações ateísticas, depois de ter feito a anatomia do corpo humano, examinado cuidadosamente seu arcabouço, visto quão adequada e útil é cada parte, percebido as diversas intenções de cada pequenino vaso, músculo e osso, e a beleza do todo, viu-se tomado pelo espírito de devoção e escreveu um hino a seu Criador. Deve ser realmente insensato o homem que, após estudar plenamente o seu próprio corpo, possa conservar-se ainda ateu.” – Arvine.

O Elemento da Inteligência ou da Tendência com Propósito

A ordem e a harmonia são sinais de inteligência. Com isso queremos dizer que a ordem e a harmonia estão invariavelmente associados à inteligência. Se isso é verdade, e ordem e harmonia são encontradas na natureza, então a existência da inteligência na natureza fica provada além de qualquer dúvida. Como ilustração disso, podemos citar um exemplo na química. Toda molécula de matéria, de toda variedade possível, é uma massa definida de elétrons reunidos com a mais exata relação aritmética e geométrica. Há muito mais ordem na construção de uma molécula do que na construção de um edifício.

O Elemento da Personalidade

O homem, que possui existência pessoal, manifesta a existência de Deus como Ser pessoal.
“Sabemos que existimo. Não podemos duvidar racionalmente desse fato, pois o conhecimento é imediato e traz consigo seu próprio certificado de certeza.