Agentes comunitários frente a situação do COVID-19
Qualificação Básica para Agente Comunitário de Saúde
1 Novo Coronavírus - COVID-19:
O Coronavírus é uma família de vírus que pode resultar em infecções respiratórias que vão desde um resfriado até síndromes respiratórias agudas graves. O novo coronavírus foi nomeado como SARS-CoV-2. Este novo coronavírus produz a doença classificada como COVID-19, sendo agente causador de uma série de casos de pneumonia na cidade de Wuhan (China). Ainda não há informações plenas sobre a história natural da doença, nem vacinas ou medicamentos reconhecidamente seguros para tratar ou prevenir a infecção.
A transmissão do SARS-CoV-2 de humanos para humanos foi confirmada em diversos países, inclusive no Brasil, e ocorre principalmente com o contato de gotículas da boca e do nariz (saliva, espirro, tosse ou catarro), que podem ser repassados por toque ou objetos ou superfícies contaminadas. Durante o período sintomático estima-se que possa haver transmissão (em menor escala).
Em média, o período de incubação é estimado em de 5 a 6 dias, podendo variar de 0 a 14 dias. Ou seja, o vírus pode levar até 14 dias para manifestar sintomas na pessoa infectada.
Sinais e Sintomas:
O paciente com a doença COVID-19 apresenta geralmente os seguintes sintomas e sinais:
• Febre (maior que 37,8ºC);
• Tosse;
• Dispneia (falta de ar);
• Mialgia (dor muscular) e fadiga (fraqueza);
• Sintomas respiratórios superiores (espirro, tosse, dor de garganta);
• Sintomas gastrointestinais, como diarreia (mais raros).
Nos dias de hoje, não existe tratamento para infecções causadas por coronavírus humano. Está indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas farmacológicas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, e orientação médica.
Medidas de Prevenção
Atualmente existe vacina para prevenção de infecção por COVID-19, a melhor maneira de prevenir é evitar a exposição ao vírus e as seguintes práticas:
- Realizar lavagem frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, especialmente após contato direto com pessoas doentes.
- Utilizar lenço descartável para higiene nasal.
- Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir.
- Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca.
- Higienizar as mãos após tossir ou espirrar.
- Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas.
- Manter os ambientes bem ventilados.
- Evitar contato com pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença.
Competências dos agentes comunitários de saúde:
Veja agora as competências do agentes comunitários de saúde:
- Orientar a população sobre a doença, medidas de prevenção e sinais e sintomas.
- Auxiliar a equipe na identificação de casos suspeitos.
- Orientar durante as visitas domiciliares que crianças menores de 5 anos com sinais e sintomas respiratórios devem procurar a unidade de saúde.Caso o município e/ou a unidade apresentem fluxo próprios, os mesmo devem ser seguidos.
- Orientar durante as visitas domiciliares que pessoas com 60 anos ou mais com sinais e sintomas respiratórios devem entrar em contato com a unidade de saúde. Caso o município e/ou a unidade apresentem fluxo próprios, os mesmo devem ser seguidos.
- Auxiliar no atendimento através do FAST-TRACK COVID-19 (anexo 01 e 02) na identificação de pacientes sintomáticos, tomando os devidos cuidados de proteção e isolamento.
- Auxiliar a equipe no monitoramento dos casos suspeitos e confirmados.
- Realizar busca ativa de novos casos suspeitos de síndrome gripal na comunidade.
- Realizar busca ativa quando solicitado. Principalmente em casos de pacientes que se enquadram no grupo de risco (gestante, pessoas com doenças crônicas, puérperas e idosos) e não compareceram a unidade de saúde para a realizar a vacina contra influenza.
- Organizar o fluxo de acolhimento de modo a evitar aglomeração de grupos com mais de 10 pessoas e, preferencialmente em ambientes arejados.
- Auxiliar as atividades de campanha de vacinação de modo a preservar o trânsito entre pacientes que estejam na unidade por conta de complicações relacionadas ao COVID-19, priorizar os idosos.
- Realizar atividades educativas na unidade enquanto os pacientes aguardam atendimento.
Visitas domiciliares:
As visitas domiciliares são uma importante ferramenta para informar, fazer busca ativa de suspeitos e acompanhamento de casos, mas, para a realização desta atividade é importante considerar alguns cuidados para garantir a segurança do paciente e do profissional.
- Não realizar atividades dentro domicílio. A visita estará limitada apenas na área peridomiciliar frente, lados e fundo do quintal ou terreno).
- Priorizar visita aos pacientes de risco (pessoas com 60 anos ou mais ou com doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão, doença cardíaca, doença renal crônica, asma, DPOC, doença cardíaca, imunossuprimidos, entre outras). Por serem grupo de risco, são os que precisam de mais cuidado também.
- Manter distanciamento do paciente de no mínimo 1 metro, não havendo possibilidade de distanciamento, utilizar máscara cirúrgica.
- Higienizar as mãos com álcool em gel.
- Nos casos de visita às pessoas com suspeitas de COVID-19, sempre utilizar máscara cirúrgica e garantir uso de EPI apropriado.
O agente comunitário de saúde (ACS) que apresentar febre e qualquer sintoma respiratório (tosse, coriza, dor de garganta, falta de ar, etc), deve permanecer em isolamento domiciliar conforme orientação do médico e/ou enfermeiro.
Os agentes comunitários de saúde com mais de 60 anos e/ou condições crônicas (doentes cardíacos, doentes respiratórios crônicos, doentes renais em estágio avançados e em diálise, imunossuprimidoss e diabetes) devem trabalhar na Unidade de Saúde em atividades de monitoramento e administrativas que não demandem atendimento ao público.
2 Orientações e cuidados durante os atendimentos na unidade de saúde:
O ACS deve auxiliar a equipe na identificação de casos suspeitos também na unidade de saúde conforme fluxo Fast-Track para ACS durante o atendimento dos pacientes com suspeita de Síndrome Gripal deve ser utilizado EPIs e adotar as medidas para evitar contágio, conforme o que será visto a seguir.
Medidas para evitar contágio por vírus causadores:
- Profissionais da saúde
- Máscara cirúrgica
- Lavar as mãos com frequência
- Limpar e desinfetar os objetos e superfícies tocados com frequência
- Pacientes
- Fornecer máscara cirúrgica
- Isolamento com precaução de contato em sala isolada e bem arejada
Orientações para uso correto de máscaras cirúrgicas para evitar contágio por vírus causadores de Síndromes Gripais, Ministério da Saúde, 2020:
- Coloque a máscara com cuidado para cobrir a boca e o nariz e amarre com segurança para minimizar as lacunas entre o rosto e a máscara.
- Enquanto estiver utilizando a máscara, evite tocá-la.
- Remova a máscara usando técnica apropriada (ou seja, não toque na frente, mas remova o laço ou nó da parte posterior).
- Após a remoção, ou sempre que tocar em uma máscara usada, higienize as mãos com água e sabão ou álcool gel, se estiver visivelmente suja.
- Substitua a máscara por uma nova máscara limpa e seca assim que ela estiver úmida ou danificada.
- Não reutilize máscaras descartáveis
- Descarte em local apropriado as máscaras após cada uso.
- Substitua a máscara por uma nova máscara limpa e seca assim que a antiga se tornar suja ou úmida.
Orientações para a correta higienização das mãos:
- Abrir a torneira com mão não dominante e molhar as mãos, evitando tocar na pia.
- Aplicar na palma da mão quantidade suficiente de sabonete líquido para cobrir toda a superfície das mãos.
- Ensaboar as palmas das mãos, friccionando-as entre si.
- Esfregar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda, entrelaçando os dedos e vice-versa.
- Entrelaçar os dedos e friccionar os espaços interdigitais.
- Esfregar o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta, segurando os dedos, com movimento de vai-e-vem e vice e versa.
- Esfregar o polegar direito com o auxílio da palma da mão esquerda, realizando movimento circular e vice-versa.
- Friccionar as polpas digitais e as unhas da mão esquerda contra a palma da mão direita, fechando em concha, fazendo movimento circular e vice-versa.
- Esfregar o punho esquerdo com o auxílio da palma da mão direita, realizando movimento circular e vice-versa.
- Enxaguar as mãos, retirando os resíduos de sabonete. Evitar o contato direto das mãos ensaboadas com a torneira.
- Secar as mãos com papel toalha descartável, iniciando pelas mãos e seguindo pelos punhos. No caso de torneira com contato manual para fechamento, sempre usar papel toalha.
Orientações gerais:
A higienização das mãos deve ser realizada nos seguintes momentos:
- Antes do contato com o paciente:
- Após o contato com o paciente:
- Antes de realizar procedimentos assistenciais e manipular dispositivos invasivos: Antes de calçar luvas para a inserção de dispositivos invasivos que não requeiram preparo cirúrgico:
- Alto risco de exposição a fluidos corporais
- Após contato com objetos inanimados e superfícies imediatamente próximas ao paciente
- Antes e após remoção de luvas.
- Quando as mãos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sangue e outros fluidos corporais.
Identificação de casos suspeitos de síndrome gripal e de COVID - 19:
O ACS deve auxiliar a equipe na identificação de casos suspeitos tanto na unidade de saúde quando durante as visitas domiciliares.
Para a identificação de casos suspeitos de síndrome gripal o primeiro passo é questionar se o paciente apresenta sintomas respiratórios, como: tosse, dor de garganta, desconforto ou esforço respiratório com ou sem e febre. Caso a pessoa apresente sintomas respiratórios, forneça uma máscara cirúrgica, oriente higienização imediata das mãos, solicite que evite tocar no rosto e em superfícies e direcione para atendimento do auxiliar ou técnico de enfermagem da unidade de saúde.
O paciente deve aguardar atendimento e ser atendido em uma área separada ou sala específica visando o isolamento respiratório. A sala deve ser mantida com a porta fechada, janelas abertas e ar-condicionado desligado.
Lembre-se: Pessoas acima de 60 anos, imunossuprimidos (HIV+, transplantados, etc), pacientes com doenças crônicas, gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto) Tem prioridade no atendimento.
3 Isolamento Domiciliar:
Os pacientes com diagnóstico de Síndrome Gripal (SG) sem sinais de gravidade deverão realizar isolamento domiciliar, por 14 dias desde a data de início dos sintomas, conforme indicado pelo médico ou enfermeiro, seguindo as recomendações para cuidados domésticos descritas na tabela 04. Os contatos domiciliares de paciente com SG confirmada também deverão realizar isolamento domiciliar por 14 dias, conforme orientação do médico e/ou enfermeiro seguindo as condutas descritas a seguir.
O ACS deve reforçar as orientações aos pacientes em isolamento e aos seus cuidadores, assim como, auxiliar a equipe no monitoramento dos pacientes a cada 48 horas, até 14 dias após o início dos sintomas, preferencialmente por telefone, informando ao enfermeiro ou médico de forma imediata caso o paciente refira agravamento dos sintomas ou mudança das condições clínicas (como sintomas novos).
Cuidados domésticos do paciente em isolamento domiciliar por 14 dias desde a data de início dos sintomas de síndrome gripal:
Sempre reportar à equipe de saúde que acompanha o caso o surgimento de algum novo sintoma ou a piora dos sintomas que já estão presentes.
Isolamento do paciente:
Permanecer em quarto isolado e bem ventilado:
- Caso não seja possível isolar o paciente em um quarto único, manter pelo menos 1 metro de distância do paciente. Dormir em cama separada (exceção: mães que estão amamentando devem continuar amamentando com o uso de máscara e medidas de higiene, como a lavagem constante de mãos):
- Limitar a movimentação do paciente pela casa. Locais da casa com compartilhamento (como cozinha, banheiro, etc) devem estar bem ventilados:
- Utilização de máscara cirúrgica todo o tempo. Caso o paciente não tolere ficar por muito tempo, realizar medidas de higiene respiratória com mais frequência: trocar máscara cirúrgica sempre que estiver úmida ou danificada.
- Em idas ao banheiro ou outro ambiente obrigatório, o doente deve usar obrigatoriamente máscara:
- Realizar a higiene frequente das mãos, com água e sabão ou álcool em gel, especialmente antes de comer ou cozinhar e após ir ao banheiro:
Sem visitas ao doente:
O paciente só poderá sair de casa em casos de emergência. Caso necessário, sair com máscara e evitar multidões, preferindo transportes individuais ou a pé, sempre que possível.
Precauções do cuidador:
O cuidador deve utilizar uma máscara (descartável) quando estiver perto do paciente. Caso a máscara fique úmida ou com secreções, deve ser trocada imediatamente. Nunca tocar ou mexer na máscara enquanto estiver perto do paciente. Após retirar a máscara, o cuidador deve lavar as mãos;
Deve ser realizada higiene das mãos toda vez que elas parecerem sujas, antes/depois do contato com o paciente, antes/ depois de cozinhar e comer ou toda vez que julgar necessário. Pode ser utilizado álcool em gel quando as mãos estiverem secas e água e sabão quando as mãos parecem oleosas ou sujas:
Toda vez que lavar as mãos com água e sabão, dar a preferencia para ao papel-toalha. Caso não for possível, utilizar uma toalha de tecido e trocá-la toda vez que ela ficar úmida:
Caso alguém do domicílio apresentar sintomas de SG, iniciar com os mesmos cuidados de precaução para pacientes e solicitar atendimento na sua UBS. Realizar o atendimento domiciliar dos contactantes sempre que possível.
Precauções gerais:
Toda vez que lavar as mãos dar água e sabão, dar preferência ao papel-toalha. Caso não seja possível, usar toalha de tecido e trocá-la toda vez que ficar úmida; Todos os moradores da casa devem cobrir a boca e o nariz quando forem tossir ou espirrar, seja com as mãos ou máscaras. Lavar as mãos e jogar as máscaras após o uso:
Evitar o contato com as secreções do paciente: quando for descartar o lixo do paciente, utilizar luvas descartáveis
Limpar frequentemente (mais de uma vez por dia) as superfícies que são frequentemente tocadas com solução contendo alvejante (1 parte de alvejante para 99 partes de água): faça o mesmo para banheiros e toaletes:
Lave roupas pessoais, roupas de cama e roupas de banho do paciente sabão comum e água entre 60-90ºC, deixe secar.
Normativa de acompanhamento do paciente em isolamento domiciliar via telefone:
Anotar o número de contato do paciente e de algum acompanhante (de preferência o cuidador que ficará responsável pelo paciente).
Realizar a ligação a cada 48 horas para acompanhamento da evolução do quadro clínico.
Não há necessidade de gravar a conversa.
Anotar as informações sobre a conversa telefônica, quadro clínico autorreferido do paciente, autoavaliação da necessidade de ir algum profissional a residência do paciente ou consulta presencial na UBS com paciente em uso de máscara e horário da ligação e queixas.
Informar ao médico e/ou ao enfermeiro se o paciente apresenta novos sintomas e/ou piora do quadro.
Recomendações em grupos especiais:
Gestantes e puérperas: Até onde as evidências atuais indicam, gestantes e puérperas não possuem risco individual aumentado para o novo coronavírus. Contudo medidas devem ser adotadas para proteção da criança. Além disso, gestantes e puérperas têm maior potencial de risco para desenvolvimento de Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG por Síndrome Gripal decorrente do vírus da Influenza. Desta forma, importante seguir as recomendações expressas a seguir.
Recomendações para gestantes e puérperas com síndrome gripal e risco para COVID-19:
Priorizar o atendimento na unidade de saúde
Orientar:
Manter a amamentação
Manter, preferencialmente, o binômio em quarto separado.
Manter distância mínima do berço do recém-nascido (RN) e mãe de 1 metro.
Orientar a realizar etiqueta respiratória
Orientar a higienização das mãos imediatamente após tocar nariz, boca e sempre antes do cuidado com o RN.
Orientar o uso de máscara cirúrgica durante o cuidado e a amamentação do RN.
Caso a puérpera precise circular em áreas comuns da casa, utilizar máscara cirúrgica.
Ressaltamos que a realidade em situações de epidemia é bastante dinâmica e os processos de trabalho necessitam de constante reavaliação e planejamento em conformidade com os fluxos, protocolos e notas técnicas vigentes, atualizados frequentemente.