Tratamento Fotossensível para Lentes Oftálmicas

Técnicas de Vendas em Óticas

1 Tratamento Fotossensível para lentes oftálmicas:

Fotossensivel: É um tratamento que faz com que as lentes fiquem escuras no sol e claras em ambientes fechados. Nas lentes de cristal este tratamento é chamado de Fotocromático, neste caso a matéria prima é misturada com sais de prata que é o elemento reagente com a luz (ultravioleta), porem nas lentes graduadas a coloração não fica uniforme, principalmente em graus altos. Nas lentes orgânicas é chamado de Transitions, sendo uma película na superfície das lentes, o que lhe dá coloração uniforme quando sensibilizado, independente do grau. As lentes Transitions também reagem aos raios ultravioleta na atmosfera.

As lentes fotossensíveis também têm fator de proteção UV. Nas lentes de cristal, chamadas de fotocromáticas se utilizam várias matérias primas além da areia, quartzo e cal, também o ácido bórico. A estas substâncias básicas se mistura sais de prata em forma de halógenos deste metal (cloreto ou brometo de prata) que representam os agentes fotocromáticos. As lentes orgânicas chamadas de fotossensível têm em sua grande maioria um tratamento de superfície que as torna reativas a luz (radiação UV) escurecendo por igual em toda sua extensão independente de sua diferença de espessura ou força dióptrica.

Elas podem ser encontradas em vários desenhos de superfície como: Visão simples esféricas, combinadas ou asféricas, bifocais e multifocais em vários índices de refração. Elas recebem o tratamento na face anterior com moléculas de Idolino Spronaphthoxazinas ou cromóforos de outros tipos, tornando-se parte estrutural da lente. Quando exposta a radiação UV sofrem reação química reagrupando suas moléculas em formações capazes de absorver e decompor a luz visível, escurecendo a lente (ativação), sendo esta ação revertida na ausência de estimulo luminoso (desativação).

Tanto as fotossensíveis de cristal que tem seu agente sensibilizante na massa como as orgânicas tratadas na superfície têm a propriedade de filtrar a radiação UV até 400 nm, elas também podem receber o tratamento anti-reflexo em sua face posterior. Porém estas lentes não são recomendadas em certas atividades profissionais, como por exemplo, os dentistas, pois a luz dos refletores utilizada no consultório pode sensibilizar o agente fotossensível deixando-às escuras e, portanto inadequada ao trabalho realizado por este profissional.

2 Comparação do desempenho e comodidade visual entre lentes fotossensíveis e incolores:

Além dos efeitos benéficos causados pela radiação ultravioleta (UV), existem, cada vez mais, evidências científicas de seus efeitos deletérios. Na pele, a radiação UV é responsável por ceratose actínica, secura, rugas, hiperplasia sebácea, comedões, e câncer. No Brasil, país tropical, o câncer de pele corresponde cerca de 25% dos tumores diagnosticados em todas as regiões geográficas e a radiação ultravioleta natural, é o seu maior agente etiológico.

Em relação aos efeitos causados na visão e nos olhos, alterações agudas e cumulativas tardias são causadas pela exposição aos raios UV. Dentre as alterações agudas, podemos citar as ceratites que ocorrem em geral de 6 a 12 horas após a exposição, ocasionando dor, irritação, diminuição da acuidade visual, fotofobia, lacrimejamento, edema conjuntival, edema palpebral e dificuldade em se adaptar ao escuro. A exposição ao Sol durante um dia inteiro pode diminuir a capacidade de adaptação ao escuro por até dois dias.

Dentre as alterações cumulativas tardias, podemos citar:

  • efeitos sobre a pálpebra: envelhecimento da pele e tumores;
  • efeitos sobre a conjuntiva: conjuntivite crônica, pinguécula, tumores;
  • efeitos sobre a córnea: pterígio, foto ceratite;
  • efeitos sobre o cristalino: catarata, presbiopia precoce (em países de clima temperado, a presbiopia inicia-se em geral aos 45 anos de idade; em países de clima tropical entre 38 a 40 anos);
  • efeitos sobre a retina: degeneração macular relacionada à idade, alteração na visão de cores e edema macular cistoide.

A radiação ultravioleta é invisível aos olhos por estar situada em um dos extremos do espectro luminoso, com comprimento de onda mais curto que a luz visível, porém mais longo que o raio X.

Os raios ultravioletas dividem-se em três tipos:

  • UV A - com comprimento de onda de 315 a 380 nm
  • UV B - com comprimento de onda de 280 a 315 nm
  • UV C - com comprimento de onda de 100 a 280 nm

A radiação UV C praticamente não chega até a Terra, em virtude da presença da camada de ozônio na região entre 20 e 50 km acima da calota terrestre. A temperatura, a grandes alturas, é geralmente baixa; mas na camada de ozônio, é quase igual à do nível do mar. A causa desse calor é a absorção dos raios ultravioleta. Essa absorção é importante para a vida na Terra, pois se todos os raios ultravioleta da luz solar chegassem à superfície do planeta, toda a vida seria destruída. Os raios UVA e UVB provenientes da luz solar e que chegam até os olhos, são filtrados principalmente pelo cristalino. Sendo que uma pequena porcentagem (1% dos UVB e 2% dos UVA) chega até a retina. Os raios ultravioletas são também emitidos por lâmpadas fluorescentes, dicroicas, mercuriais, tela de vídeo, clarões e faíscas de soldas, etc

Quem necessita de proteção:

As crianças são mais vulneráveis à radiação, pois suas pupilas normalmente estão mais dilatadas, os olhos possuem menos pigmento e os cristalinos e as córneas são menos eficientes na filtração dos raios UV. Além disso, 80% da exposição que a pessoa recebe durante a vida ocorre até os 18 anos de idade. A proteção deve ser constante sendo, porém primordial nessa fase. Os pseudo-fácicos e os afácicos, pois se sabe que com o envelhecimento, o cristalino vai ficando mais duro, amarelado e aumenta sua absorção aos raios UVA e UVB, criando assim uma proteção extra para a mácula, a qual é anulada quando se opera a catarata.

Por isso, as lentes intra-oculares de última geração já vêm com essa proteção. Os trabalhadores que permanecem muito tempo expostos ao sol como construtores, pedreiros, carteiros, garis, caminhoneiros, fazendeiros, agricultores e policiais e quem pratica esportes ao ar livre (surfistas, velejadores, pescadores, marinheiros, esquiadores, etc) têm 60% mais possibilidade de desenvolver catarata cortical. Sabe-se que a neve reflete 85% dos raios UV, a água 20% e a areia 10%. Ressalta-se que as nuvens não filtram os raios ultravioleta e mesmo em dias nublados, 70% dos raios nocivos atingem a pele e os olhos.

Também necessitam de proteção, trabalhadores que se expõem à luz artificial (luz fria) por longos períodos (escritórios, dentistas, bancos, artistas, etc), técnicos de laboratório e fotógrafos que trabalham com a luz ultravioleta artificial. Cuidado especial deve também ser dispensado para os usuários de medicamentos fotossensibilizadores (medicamentos capazes de promover a absorção de raios ultravioleta) como: Barbitúricos, Griseofulvina, Haloperidol, Procaína, Salicilatos, Sulfonamida, Tetraciclina, Tricíclicos, Carbamazepina (Tegretol®). Quando esses medicamentos se depositam no cristalino ou na retina, esses tecidos se tornam mais vulneráveis aos efeitos nocivos da radiação.

Proteção:

Como medidas preventivas oculares, deve ser usado chapéu, viseira e guarda-sol. É importante lembrar do retorno do raio ultravioleta que incide em superfícies reflexivas, tais como: areia e água, situações em que o guarda-sol não pode prover total proteção. Outro cuidado necessário é estar ciente dos horários em que a exposição ao sol é mais intensa (das 10h às 16h), e usar lentes protetoras como: lentes polarizantes (que ajudam a absorver a radiação indesejável e reduzir a luz visível, além de proteger contra o brilho, eliminando a radiação refletida das superfícies); filtros gradientes (que criam uma variação progressiva na transmissão luminosa, geralmente do mais escuro no topo do filtro ao mais claro na sua base); fotossensíveis, fotocromáticas ou óculos escuros com filtro absorvedor de UVA e UVB.

Lentes fotossensíveis:

As lentes fotocromáticas e fotossensíveis tem a propriedade de tornarem-se claras, em ambiente escuro, e escuras, em ambiente claro. Assim, o usuário não precisa trocar os óculos ao se expor a diferentes intensidades de iluminação. O benefício se torna mais evidente, em pessoas que estão sempre se movimentando de um ambiente para o outro, ou aquelas que não gostam de carregar dois óculos. No Brasil, na Ilha de Fernando de Noronha (nordeste brasileiro), foi encontrado significativa relação entre pterígio e pinguécula com o tempo de exposição ao sol e propõe que se usem mecanismos de proteção contra a agressão solar.

Na literatura brasileira, encontram-se poucos trabalhos, sobre efeitos danosos e medidas de proteção contra raios ultravioleta. Mesmo entre pessoas com nível universitário, é muito pequeno o conhecimento sobre os efeitos dos raios ultravioleta e como se proteger de suas conseqüências nefastas. Como era de se esperar a maioria absoluta dessa população não adota medidas preventivas.