Restauração de cabelos-
Principais técnicas para o Cabeleireiro iniciante
1 Impacto Social e Estético do Cabelo
A calvície preocupa os homens e as mulheres desde que a vaidade passou a ser aceite como uma característica social e pode ter repercussões negativas sobre a sua personalidade e o seu bem-estar psicossocial.
Naturalmente que, ao emoldurar a cabeça, parte mais importante do corpo humano, o cabelo adquire um impacto social determinante. Assim, compreende-se que, quando se descreve alguém, se mencione primeiro a cor, o comprimento, o estilo de penteado, ou mesmo a não existência de cabelo, antes de continuar a referir as outras características importantes do indivíduo, como a altura e o peso.
O penteado reflete muito da nossa condição social, da nossa profissão, da nossa cultura constituindo portanto um instrumento de expressão da personalidade da pessoa. A escolha do tipo de penteado, coloração e comprimento revelam muito do íntimo, dos nossos desejos e sentimentos acerca de nós próprios.
Na nossa sociedade e em muitas outras, o cabelo adquiriu pois um simbolismo tão importante que a sua perda poderá ter efeitos muito perturbadores. E, apesar de na gíria constar o contrário, os indivíduos calvos são normalmente vistos como prematuramente envelhecidos, mais fracos e terão mais dificuldade no mercado de trabalho bem como no relacionamento interpessoal, pelo que se compreende a sua tendência para a depressão e baixa auto-estima.
Assim a presença ou não de cabelo e um penteado mais ou menos elaborado poderão ter repercussões positivas ou negativas nos níveis social, profissional, sexual e pessoal do indivíduo.
A Vertente Psicológica da Perda do Cabelo
A preocupação com a queda de cabelo poderá ser interpretada por alguns como uma pura e simples questão de vaidade, mas se nos transportarmos para outras situações em que ocorreu qualquer tipo de perda, será mais fácil compreendermos as razões que motivam estes pacientes.
Perante uma perda a pessoa reage de várias maneiras. A reação negativa, a mais vulgar, é a depressão que será mais ou menos intensa, e dependerá duma multiplicidade de factores como a personalidade, raça, sexo, o estado emocional do momento e a cultura vigente. Quer essa perda se trate dum familiar, dum membro, duma mama por mastectomia ou da perda do emprego, cada um lidará com a situação e se ressentirá à sua maneira e com graduações diferentes consoante essa perda.
A sociedade “permite” um certo grau e medida neste tipo de reação, mas espera que, passado um período de luto, mal definido é certo, a pessoa ultrapasse a situação e acabe por aceitar o sucedido. A aceitação poderá ser mais ou menos conseguida, a reação mais ou menos exagerada, mas a vida continuará.
Em alguns casos, porém, a reação faz-se pela positiva na procura de algum meio que melhore ou diminua o impacto da perda. A própria sociedade aceita que a pessoa tome certas atitudes de compensação como submeter-se a uma reconstrução mamária após uma mastectomia, usar uma cabeleira para esconder a perda de cabelo durante a quimioterapia, aplicar uma prótese de um membro nos amputados ou uma prótese testicular. Mais ainda se justifica a reconstrução nos doentes queimados.
Se se aceita sem controvérsia a reconstrução mesmo quando não há perda de função (nova mama na mulher na menopausa ou um testículo no idoso e tratamento das sequelas de queimadura mesmo quando não existe compromisso funcional), também não deveria ser considerada uma questão de vaidade a procura de uma solução para a calvície.
Independentemente da cultura vigente, a perda afeta a pessoa de uma maneira ou de outra. Se há calvos que se conformam e acabam até por rapar o restante cabelo considerando ser melhor nenhum que pouco cabelo ou então seguindo a máxima de que o calvo é belo, outros há que se preocupam exageradamente, manifestando uma ansiedade que pode progredir até à depressão, prejudicando a sua auto-estima e conduzindo-os ao isolamento do mundo exterior.
O receio de expor a calvície inibe-os de praticar desporto ou mesmo de estar em zonas onde o vento os possa descobrir. Evitam o contacto íntimo e escolhem cuidadosa e estrategicamente os lugares nos espaços públicos como restaurantes ou cinemas para que a zona calva não seja detectada pelos outros. Perante as possíveis graves repercussões negativas quer físicas quer do foro psicológico, será assim tão gratuito ou pura vaidade compensar de algum modo essa perda?
2 A Arte e a Ciência
Durante as últimas décadas observamos um grande desenvolvimento da arte e da ciência na restauração do cabelo, campo no qual cremos também ter contribuído com algumas técnicas inovadoras.
Mas, embora tenhamos atingido um alto grau de perfeição, é de esperar que novas técnicas, ou melhoramentos doutras já existentes, continuem a surgir neste campo.
3 Causas da Queda de Cabelo
Fase de crescimento do cabelo
São múltiplas as causas da queda de cabelo quer masculino quer feminino. Poderão estar relacionadas com doença, desequilíbrio hormonal, alimentação deficiente e stress, mas a causa mais comum é a dependente dos andrógenos.
Se associarmos esta com a predisposição genética e o envelhecimento estará constituída a tríade para o surgimento da calvície.
Melhor dizendo, a calvície estabelece-se com a confluência de três factores: a carga genética, os androgénos e a idade – o tempo necessário e suficiente para a manifestação da perda do cabelo.
A predisposição genética para a calvície
Os genes são as unidades de hereditariedade, feitos de ADN. Quando uma célula se divide para dar duas células, os genes da célula mãe são distribuídos igualmente por cada célula filha. Cada gene codifica uma ou mais proteínas. Em cada célula do nosso corpo (excepto nos óvulos e nos espermatozoides) existem duas cópias do mesmo gene, chamadas alelos. Um alelo é herdado da mãe e outro do pai, e cada um contém informação ligeiramente diferente. Um exemplo é o alelo para olhos azuis e o alelo para olhos castanhos. Por vezes, apenas a informação de um dos alelos é convertida em proteína; neste caso diz-se que esse alelo é dominante, como por exemplo o alelo para a cor castanha dos olhos.
A predisposição genética para a calvície parece dependente de um gene influenciado pelo sexo. Ou seja é um gene que no homem é dominante e é recessivo na mulher, sendo portanto afetado pelas diferenças hormonais e fisiológicas de cada sexo.
Outra explicação seria que este gene de carácter recessivo, apenas se encontra no cromossoma X, o que explicaria a maior prevalência hereditária quando existe mais calvos na linha materna.
Embora nem sempre os antecedentes de calvície sejam prenúncios da mesma, é de recear uma grande probabilidade dela aparecer, quando existem muitos calvos nos antecedentes familiares.
Os antecedentes servem muitas vezes para o planeamento da restauração do cabelo. Calvícies extensas nos antecedentes poderão reaparecer nos descendentes e este facto deverá estar sempre presente quando se faz o plano de transplante de cabelo. Devemos contar com o pior cenário porque, caso contrário, poderá escassear a zona dadora de cabelo.
Os andrógenos
Já Hipócrates, em 400 AC, teria verificado que os eunucos nunca ficavam calvos, e o mesmo também acontecia com os homens castrados – os “castrati” – que cantavam nas óperas e no coro das igrejas. Mas se estes fizessem tratamento hormonal com andrógenos poderiam desenvolver calvície.
Estas hormonas encontram-se no homem e na mulher mas em diferentes concentrações, sendo mais predominantes no homem, o que explica a predominância da calvície neste. As mais frequentes são a testosterona e a androstenodiona. São produzidas nos testículos e cápsulas supra-renais no homem e nos ovários e cápsulas supra-renais na mulher.
A testosterona é metabolizada pela ação dum enzima, a 5-alfa-reductase, e transforma-se na di-hidrotestosterona (DHT) subproduto considerado imprescindível para o desenvolvimento da calvície.
Este enzima existe em alta concentração em certas células do folículo piloso e nas glândulas sebáceas. É nele, como veremos mais adiante, que se fundamentam os tratamentos médicos atuais que consistem em bloquear a sua ação, diminuindo assim os níveis da DHT.
A idade
Por que motivo a queda de cabelo não se instala na puberdade e não diminui com a idade? Seria de esperar que tal acontecesse, já que o pico de produção dos andrógenos na adolescência vai diminuindo com a idade. Parece que, no processo de calvície, existem outros factores que vão surgindo ou desaparecendo com o avançar da idade.
Não existe uma idade determinada para o início da queda de cabelo. Esta poderá iniciar-se no fim da adolescência ou muito mais tarde, e ter uma evolução rápida ou lenta. Não tem uma curva uniforme, podendo interromper a sua evolução, estabilizar e retomá-la mais tarde.
Graus de calvície
A evolução da calvície poderá desenrolar-se de modos distintos, pelo que é essencial que os pacientes se familiarizem com todos os padrões de queda de cabelo e aprendam a compará-los com o seu próprio padrão. O paciente bem informado compreenderá melhor o processo de calvície e tratará melhor do cabelo restante.
Assim, as expectativas em relação aos tratamentos médicos ou cirúrgicos serão mais realísticas e haverá uma melhor fidelização e aceitação das prescrições médicas.
4 Evolução da calvície
À nascença, o cabelo é do tipo vellus, fino, suave e claro. Este cabelo adquire, com o crescimento, as características do cabelo tipo terminal, mais espesso e robusto, mais escuro e com ondulações.
Depois da puberdade, estabelece-se a curva de implantação do cabelo na região frontal, que se caracteriza por ser baixa, recta ou até em curva para baixo.
Na década dos vinte anos, a linha de cabelo assume um aspecto “maduro” com uma curva ascendente, com reflexões laterais que poderão evoluir aprofundando-se e dando início às chamadas entradas se o processo de calvície androgênica se instala.
Este processo poderá evoluir da frente para trás, ou o inverso e até das duas maneiras simultaneamente. Em alguns casos, são as entradas que se aprofundam deixando uma península central, até se fundirem na região da coroa.
Todos aqueles que optem pela correção cirúrgica deverão compreender que a calvície tem uma evolução tão imprevisível que não deve ser menosprezada, sendo necessário um acompanhamento e continuação do tratamento. Caso contrário um ótimo resultado poderá mais tarde tornar-se noutro muito medíocre. Deverá portanto promover-se uma estratégia de fundo particularmente no paciente jovem.
Sabemos que não é fácil convencer um jovem de 25 anos a restabelecer cabelo com um recorte frontal como se já tivesse 40 anos, não só por razões de economia das zonas dadoras de cabelo mas também pela procura dum aspecto o mais natural possível para toda a vida, mas será neste pormenor de planeamento que se distingue um bom cirurgião …
Nas mulheres também se observa calvície com padrão androgênico, com baixa densidade fronto parietal mas respeitando a uma estreita faixa na linha frontal de implantação de cabelo (proteção que como veremos à frente é exercida por um enzima chamado aromatase).
A transplantação de cabelo nas mulheres é cada vez mais executada não só nestas situações mas também noutras como nas sequelas de operações como os “face-liftings”, ou outras situações de origem traumática.
5 Próteses Capilares
Perucas
A área calva poderá ser coberta com aplicações de cabelo que têm várias denominações: extensões, cabeleiras, entretecidos, mais vulgarmente conhecidas por capachinhos.
Mas a aceitação social do disfarce da calvície masculina tem-se revelado um processo muito lento na cultura vigente.
Qualquer que seja o tipo de sistema aplicado é muitas vezes motivo de chacota e assunto base para divertir audiências sendo inúmeras as anedotas de mau gosto sobre este tema.
Isto explica o grau de paranoia e ansiedade em que vivem alguns dos que recorrem a estas soluções, pelo receio da exposição da calvície em público e a subsequente humilhação.
Mas não deixa de ser uma maneira simples e rápida de enfrentar a sociedade quando ser calvo é um problema.
Já nas mulheres aceita-se com mais facilidade o uso das próteses capilares, até porque a sociedade já está habituada, desde longa data, à alteração da aparência natural da figura feminina quer com o uso de cosméticos, da cirurgia estética, do “bottox”, da coloração dos cabelos ou o uso de cabeleiras.
Materiais
As próteses poderão ser de cabelo humano ou sintético mas este não reúne as qualidades do cabelo humano particularmente no que respeita à textura natural, sensação ao tacto e aparência de cabelo real.
A origem do cabelo humano é habitualmente asiática ou europeia. O cabelo asiático é mais barato mas é espesso e quando colorido para aproximar da cor do portador, torna-se ainda mais espesso. Pode ser usado como cabeleira integral mas é mais difícil o seu uso em aplicações parciais quando o que se pretende é a sua mistura com o cabelo restante da pessoa.
O preço é variável e depende do material usado, se são feitas em larga escala ou por encomenda, podendo custar poucas centenas até 4 a 5 milhares de euros.
A manutenção deve também ser considerada havendo pessoas que têm duas cabeleiras, uma em uso outra preparada para substituição.
Todas as próteses capilares têm uma base em rede ou então uma película de material sintético que simula a própria pele, onde o cabelo é cuidadosamente implantado com a inclinação variável de acordo com a área da cabeça reproduzindo a erupção normal do cabelo.
A cabeleira poderá ser fixada à cabeça com molas, adesivo ou cola. As molas constituem a maneira mais fácil mas ao prenderem-se ao restante cabelo exercem uma permanente tração neste, o que por si só pode ser responsável pela progressão da calvície.
Por outro lado os adesivos e as colas podem deixar resíduos na cabeleira ou no couro cabeludo deixando-o pegajoso e de difícil higienização.
O entretecimento será outra maneira de fixar a prótese capilar com boa estabilidade mas o crescimento contínuo do cabelo obriga a fazer “reabertos” mensais. Pensa-se que a tensão aplicada no cabelo restante poderá acelerar o processo de calvície.
Os homens optam pelas próteses em vez do transplante, a maior parte das vezes, por razões econômicas. Mas se forem contabilizadas todas a despesas relacionadas com as cabeleiras, o preço inicial de compra de uma ou duas unidades, da sua manutenção e até da sua substituição periódica ao longo da vida, o montante final poderá ultrapassar largamente o preço do transplante de cabelo.
Infelizmente, para alguns casos extremos, nada mais se oferece do que as próteses, quando a calvície é muito extensa e o cabelo da zona dadora é escasso.
A observação pelo especialista será então absolutamente necessária para se determinar qual a melhor solução para cada caso.
6 Tratamento da Calvície
São variadas as justificações para o tratamento da calvície.
Nas mulheres, porque se associa a sua feminilidade ao cabelo longo e espesso.
Nos homens, porque pretendem retomar o aspecto anterior, deixar transparecer a juventude que sentem ou procuram de algum modo compensar todo o trabalho que têm tido para esconder a calvície.
Outros consideram o bom aspecto do cabelo necessário para o bem-estar no seu todo, para competir no mercado de emprego e, mais ainda, se esse se enquadra no meio artístico.
Mas independentemente dos motivos, que se advinham por vezes complexos ou multifacetados, as decisões deverão ser sempre muito ponderadas. Caso contrário, o indivíduo ansioso e desesperado poderá tornar-se presa fácil nas mãos de fabricantes de cabeleiras ou mesmo de cirurgiões sem escrúpulos, que se aproveitarão dos seus medos e pânicos para uma fácil e imediata exploração financeira. Isto não só levará a gastos vultosos, mas pior ainda, a futuras trágicas consequências estéticas.
O tratamento médico
Com o tratamento médico pretende-se recuperar cabelo com medicamentos que são tomados ou aplicados localmente.
No passado foram ensaiados os corticosteroides que interferem com a ação da DHT, os antiandrogenos (a Ciproterona), e hormonas femininas (os estrogenos) mas têm efeitos secundários indesejáveis pelo que não são usados atualmente.
Posteriormente verificou-se que a hormona dihidrotestosterona (DHT), derivada da testosterona por ação dum enzima chamado 5-alfa-reductase, é a hormona responsável pela CPM e também pela Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP). Por este motivo, surgiu um grande entusiasmo com os inibidores da 5-alfa-redutase, primeiro o Finasteride e, recentemente, o dutasteride, usados inicialmente apenas no tratamento da Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP). Reduzem os níveis de DHT no couro cabeludo e aumentam a densidade capilar.
A aplicação tópica destes medicamentos está em estudo, mas atualmente apenas se usa a via oral.
As más notícias são os potenciais efeitos adversos mas que se revelaram muito pouco frequentes. Receiam-se a baixa da líbido, a impotência e diminuição do volume de ejaculação. Adicionalmente, o Finasteride causa uma diminuição do nível sérico do Antigéneo Específico da Próstata (PSA), que, quando está elevado, é um indicador para a detecção precoce do cancro da próstata. Por outras palavras, o uso de Finasteride faz com que um dos mais precisos testes para uma neoplasia frequente no homem fique sem validade diagnóstica. Outros efeitos negativos são dor ao urinar, dores no tórax, cefaleias, dores abdominais e diarreia.
Nas mulheres grávidas, o Finasteride, tal como todos os outros inibidores do enzima 5-alfa-reductase, pode provocar anomalias nos órgãos genitais externos no fetomacho.
Na insuficiência hepática o uso do Finasteride deverá ser ainda mais cauteloso pois, ao ser metabolizado no fígado, torna difícil o acerto da dose adequada.
Outros medicamentos, como o Minoxidil e o Acido Retinóico, apresentam alguns resultados em certos casos mas não com a consistência e garantia desejável.
O tratamento cirúrgico
Em 1939, o Dr. Okuda, um Dermatologista Japonês, estabeleceu os princípios de transplantação de cabelo pelo método dos “tufos”. Estes consistiam em pequenos fragmentos de couro cabeludo com vários folículos pilosos, colhidos com bisturi ou com punções biopsia, das zonas temporoccipitais, usualmente não envolvidas no processo de calvície. Os trabalhos de Okuda envolveram apenas situações pós traumáticas e não de calvície androgenica.
Vinte anos mais tarde, Orentreich (1959) publica os seus trabalhos, usando este método em vários tipos de alopécias e particularmente na androgenica, e propõe a designação de “donor dominance” para descrever a manutenção da integridade e características da pele transplantada, independentemente da zona receptora. Ou seja, os folículos pilosos das zonas laterais e posteriores da cabeça continuarão produzindo cabelo quer sejam enxertados nas áreas calvas, supracílios, barba ou outros locais pilosos.
Durante décadas esta técnica não sofreu alterações até 1990. Nessa altura, em cada sessão de transplante, transferiam-se até 100 tufos com 15 a 20 folículos pilosos. O resultado era medíocre parecendo «cabelo de boneca».
Recorria-se também às próteses expansoras que permitiam a excisão quase completa da área calva.
Paralelamente, desenvolvia-se o método dos ”retalhos” que consistia na transferência de faixas de couro cabeludo das zonas têmporo-parieto-occipitais para a região frontal. A principal diferença em relação aos tufos reside na circunstância do cabelo do retalho continuar a crescer imediatamente após a sua transferência. Era a primeira geração do transplante de cabelo.
No princípio da década de 1990, percebeu-se que, transplantando tufos muito mais pequenos, a “pega” era mais segura e o cabelo tinha um aspecto mais próximo do normal. Rapidamente foi-se criando nova instrumentação, melhorou-se a técnica de colheita e de anestesia, o que permitiu que alguns cirurgiões transplantassem muitos minitufos de cada vez. Havia como que uma competição para ver quem transplantava mais tufos chegando alguns a transplantar 4.000 tufos em cada sessão. Era a segunda geração do transplante de cabelo – a geração da quantidade.
Nesta altura, a única limitação era a quantidade de zona dadora disponível. Após a euforia inicial, questionava-se se um transplante de 4.000 tufos daria o dobro do cabelo dum transplante de 2.000 tufos ou se apenas se transferiu uma quantidade dupla de tufos mas com a mesma quantidade de cabelo. E quanto mais pequeno é o microtufo maior a percentagem de folículos lesados com este procedimento, o que é extremamente prejudicial. Cada folículo lesado é um cabelo perdido pois na transplantação de cabelo há apenas transferência de folículos duma zona para outra e não regeneração de cabelo.
Paulatinamente iniciou-se uma nova fase em que, além do número de tufos, houve a preocupação de diminuir a lesão folicular e melhorar os resultados. É a terceira geração do transplante de cabelo – a geração da qualidade.
O tratamento cirúrgico da calvície compreende portanto fundamentalmente dois métodos que poderão ser usados solitariamente ou combinados de acordo com as particularidades de cada caso: a excisão da área calva e o transplante de cabelo.
Excisão da área calva
Pretende-se com este método reduzir o mais possível a zona calva, o que permitirá acelerar todo o tratamento ao exigir menos transplantes de cabelo para obtenção da densidade capilar pretendida.
Esta operação, muito divulgada a partir de 1970, foi perdendo o seu interesse estando atualmente reservada para quando o couro cabeludo tem lassidão considerável. Verificou-se que o ganho obtido com a redução se perdia muito precocemente, parecendo até que provocava uma aceleração do processo natural de calvície.
Causava assim um grande desapontamento nos médicos e pacientes ao verificar que grande parte do ganho conseguido se perdia, com a agravante de deixar como sequelas cicatrizes, algumas delas difíceis de camuflar.
7 Expansores
O expansor é uma prótese de silicone que consiste num balão com uma válvula de enchimento acoplada. Esta prótese é colocada vazia por baixo das zonas laterais da cabeça que têm cabelo e, através da válvula, vai-se enchendo progressivamente, dilatando e expandindo assim a zona pilosa tal como acontece com o abdômen na gravidez. Num segundo tempo operatório, retiram-se as próteses e as zonas laterais avançam superiormente conseguindo-se excisar toda a zona calva, (com excepção da área frontal), em dois tempos operatórios.
Parece tratar-se do ovo de Colombo, mas a deformação que provoca durante a expansão, com a formação de dois grandes tumores na cabeça, leva a que este método seja praticamente usado apenas em casos de perdas de cabelo de origem traumática, como em queimaduras.
Em Portugal, usamos este método apenas em reconstrução, pois não o achamos justificável na área da Estética dada a deformação que provoca quando se procede à expansão.
Os retratores – O retrator é um método que procura obter o mesmo efeito que o expansor mas com vantagens.
Trata-se da aplicação de uma membrana de silicone elástica por baixo da zona que se pretende retirar. É aplicada esticada e depois vai retraindo (daqui o seu nome), repuxando para cima as zonas com cabelo, criando assim pregas na zona calva. Num segundo tempo operatório, o cirurgião excisa o excesso assim conseguido.
Deste modo, excisam-se zonas calvas sem criar deformações na cabeça da pessoa e sem serem necessárias as múltiplas injeções para enchimento do expansor.
Para colmatar estes indesejáveis efeitos, algumas manobras e instrumentos foram entretanto desenvolvidos. Referimo-nos ao extensor de Frechet, à sutura de silicone de Nordstrom, ao ancoramento periósteo dos retalhos de Seery, ou então a modificações das incisões como a de “M” de Marzola.
Atualmente o uso da redução da área calva está apenas reservada para casos muito selecionados.
Método dos retalhos
Consistia na transferência de faixas de couro cabeludo das zonas temporo-parietooccipitais para a região frontal mantendo-se um pedículo por onde se faz a irrigação sanguínea. Tinha a vantagem da cobertura imediata de cabelo, mas deixava sinais evidentes de cirurgia e normalmente exige vários tempos operatórios, alguns dos quais sob anestesia geral e com internamento. A principal diferença em relação aos tufos reside na circunstância do cabelo do retalho continuar a crescer imediatamente sem interrupção após a sua transferência.
Os primeiros retalhos descritos datam de 1980. Em 1919, Passot e, em 1957, Lamont publicam a sua experiência com retalhos de pequena dimensão mas só em 1972, com os trabalhos apresentados pelo argentino José Júri com o seu retalho de grandes dimensões, é que esta técnica se desenvolveu.
Em 1980, Kitaro Ohmori apresenta trabalhos com retalhos livres usando técnica de microcirurgia.
O entusiasmo para estes grandes retalhos diminuiu gradualmente em especial para o retalho de Juri, pois o cabelo crescia com direção contrária ao normal e em faixa, o que é antinatural, quando o que se pretende é uma distribuição uniforme. Foram sendo preteridos em relação aos outros retalhos mais pequenos e mais seguros, como os de Nataf, Stough, Dardour, Bouhanna, Frechet, Nordstrom, Cabral Barreto e outros. Todavia aqueles retalhos continuam a ser usados no tratamento das alopécias de origem traumática como nos escalpes parciais e queimaduras.
A introdução de próteses expansoras de tecidos em 1980 tornou possível a realização de retalhos maiores e com mais segurança.
De qualquer modo, as sequelas cicatriciais dos retalhos são de tal maneira importantes que têm motivado os pacientes e cirurgiões para a opção de outras alternativas, nomeadamente a dos microtransplantes.
Método dos enxertos
Os primeiros enxertos consistiam em fragmentos de couro cabeludo com mais ou menos folículos pilosos colhidos nas zonas laterais e posterior da cabeça, zonas que não são afetadas pelo processo de calvície. Estes quando transplantados para as zonas calvas, produzem cabelo indefinidamente. É um dado adquirido e comprovado pelos milhares de transplantações já realizadas. O novo cabelo é exatamente igual ao da zona dadora só que agora nasce noutro local. A textura, a ondulação e a coloração são idênticas e acompanham as mesmas transformações do resto do cabelo. Assim o cabelo branco pode aparecer na mesma altura, se essa alteração da cor acontecer.
O método dos enxertos recebeu grande popularidade durante várias décadas da segunda metade do século passado graças aos trabalhos publicados de Orentreich. Tratava-se de fragmentos cilíndricos com 40 mm de diâmetro, em número de 40 a 100 por sessão.
Estes enxertos com 15 a 20 folículos, mesmo quando “pegados” integralmente, originavam cabelo com aspecto pouco natural como o das bonecas.
Já em 1970, começam a aparecer trabalhos em que a preocupação era a de miniaturização e do aumento do número de enxertos por sessão.
Em 1983, Carlos Uebel, do Brasil, parece ter sido o primeiro a realizar as chamadas mega-sessões de 1000 ou mais enxertos por sessão.
Em 1994, William Rassman, da Califórnia, revela ter realizado mais de 3600 numa sessão.
Estes exageros não equivaliam a mais cabelo e algumas vezes triplicavam o tempo de cada sessão. Foram paulatinamente sendo abandonados e substituídos por sessões mais curtas em que se transplantam 700 a 1000 microtufos.
É o método que actualmente consegue o melhor equilíbrio entre a tecnologia e a arte, ou seja, alia qualidade à quantidade do cabelo transplantado e é de longe o mais usado por ser mais fiável, mais simples e com resultados que mais se aproximam do normal.
Os enxertos podem ter um simples folículo piloso (Enxerto monocapilar), dois a cinco folículos (O Micro-tufo ou unidade folicular) ou seis a doze folículos (O Minitufo).
O número de cabelos varia conforme a densidade pilosa das zonas dadoras. Quando esta é grande, maior será o número de folículos em cada enxerto ou tufo.
À partida, o enxerto monocapilar será aquele que reproduzirá um revestimento piloso idêntico ao normal já que nos dá uma distribuição uniforme. Todavia, a quantidade de cabelo transplantada é menor, tornando-se um processo moroso pelo que
é reservado para a linha anterior do cabelo. O microtufo e a unidade folicular são os usados atualmente.
Normalmente são necessárias três ou mais sessões de transplante, espaçadas de várias semanas ou meses, a fim de se obter uma densidade de cabelo aceitável.
8 O transplante de unidade folicular
A erupção natural do cabelo no couro cabeludo não acontece de uma maneira uniforme de apenas um único cabelo, mas mais frequentemente em grupos de 2 até 4 cabelos. São as unidades foliculares.
Atendendo a este pormenor, os cirurgiões procuraram reproduzir aquela normalidade e iniciou-se um processo de transplante em que se procura isolar aquelas unidades foliculares de 1 a 4 cabelos.
Esta técnica exige o uso de meios de amplificação, quer lupas ou até o microscópico, para a colheita, dissecção e inserção das unidades foliculares.
Os resultados são muito bons, mas quando a área a transplantar é grande, exige muito mais tempo operatório chegando a duplicar, e até triplicar, o tempo de uma sessão de microtransplante.
Daí que o transplante de unidades foliculares não seja usado preferentemente por todos os cirurgiões mas antes reservado para as zonas mais críticas como as regiões frontal, temporal e da coroa.
Número de microtufos
Se considerarmos uma calvície extensa, tipo grau IV, com 10 x 20 cm, e se pretendemos uma densidade mínima de 40 cabelos por cm 2 atingimos um total de 8000 cabelos. Se optarmos por microtufos que têm 3 a 5 cabelos, necessitaremos de 2000 no total. Se preferirmos unidades foliculares chegaremos às 3500 na totalidade.
Há a possibilidade de aumentar a densidade mas quando se exagera poderá comprometer a “pega” dos microtufos e obter um efeito contrário ou seja, menor densidade pelo pouco recrescimento do cabelo.
A linha anterior do cabelo
A linha anterior do cabelo assume, pela sua situação, uma importância primordial no todo do couro cabeludo.
Limitando superiormente a face, tal como a parte superior da moldura de um quadro, acaba por revelar pormenores identificadores da pessoa. Pela sua posição mais ou menos recuada, dá-nos dados sobre a idade da pessoa. A exposição de parte ou de toda a linha frontal consoante o penteado, denota preocupações com uma imagem mais ou menos atrativa, jovem e cheia de vitalidade.
Compreende-se, por estes motivos, que, em situações de calvície, exista a preocupação, algumas vezes obstinação, em trazer cabelo de zonas longínquas do couro cabeludo, com penteados de elaboração ultra complexa, para criação de uma linha frontal. Infelizmente para esses indivíduos, esses esforços resultam na maioria das vezes infrutíferos, quando não criam figuras ridículas.
Posicionamento da linha frontal do cabelo
Quando se planeia a linha do cabelo, deve-se considerar mais o futuro do que o presente. O passado é passado. Neste momento interessa conjugar vários objetivos como a naturalidade, a discrição, e a preservação da zona dadora, que é limitada. Isto assume maior importância se o indivíduo for jovem.
O cabelo transplantado nunca mais cairá, ou seja, a linha recriada será imutável mesmo com o envelhecimento.
Quanto mais recuada dentro do aceitável, menor será a quantidade de cabelo para densificar a zona calva. Poderá parecer um exagero ao indivíduo novo mas ele agradecerá quando for mais velho. Mas não será tarefa fácil convencê-lo a passar a ter uma linha de cabelo duma pessoa mais madura. Se houver algum exagero será fácil avançar uma linha recuada enquanto o contrário deixará cicatrizes visíveis se for necessário ajustar essa linha mais atrás.
Uma vez demarcada a linha de cabelo, a colocação dos microtufos ou transplantes foliculares ou monocapilares é feita irregularmente numa procura consciente da criação de uma faixa com densidade progressiva, tal como se passa naturalmente.
A importância da coroa
A coroa requer alguns cuidados especiais quando a transplantação está indicada.
Se considerarmos uma calvície de grau IV, a área frontal que se estende desde a linha anterior de implantação capilar à linha que une as duas regiões temporais terá cerca de 50 cm2, a área parietal ou intermédia terá cerca 150 cm2 e a coroa, na parte mais posterior da calvície, poderá chegar aos 175 cm2.
Acaba por ser a área com mais consumo no que respeita a número de microtufos.
Tendo como objectivo apenas uma densidade mínima (mais ou menos 35 cabelos por cm2), só para a coroa precisaríamos de 2600 unidades foliculares ou metade em microtufos. Uma maior densidade exigirá até 7000 unidades foliculares, o que é demais quando falta considerar as outras zonas.
Se nos lembrarmos que a área dadora é limitada pergunta-se se é justificado aplicarem-se tantos preciosos microtufos numa zona que apesar de importante, o é certamente menos quando comparada com a região frontal que tem uma posição estratégica de relevo.
Assim, no indivíduo jovem com início de calvície na zona da coroa, há que evitar a tentação de transplantar com densidade alta, até porque o mais provável será a progressão da calvície e então acabar-se-á com um halo sem cabelo à volta de uma ilha de cabelo previamente transplantado.
Será por certo mais apropriado tratar medicamente com inibidores da 5-alfaredutase, já que se trata de uma zona que responde bem a este tratamento ou então transplantar para manter uma densidade mínima, reservando quase todo o potencial da zona dadora para a região frontal.
9 A Operação de Transplante I
Procuraremos neste capítulo desmitificar todo o processo de transplante, informando sobre todos os pormenores que o envolvem antes, durante e após a sessão.
Seja qual for o método de transplante escolhido, será sempre um tratamento a realizar em ambulatório salvo qualquer contra indicação.
Pré-operatório
Anti-inflamatórios, aspirina, álcool e vitamina E são de evitar antes do transplante.
Recomenda-se um calmante para aqueles mais apreensivos e que, de outra maneira, terão dificuldade em dormir.
De manhã deverão lavar a cabeça com o seu habitual champô ou então com betadine espuma.
À chegada à clínica, mudará de roupa para vestuário próprio de sala de tratamentos.
A cabeça é de novo lavada com betadine espuma e serão realizadas fotografias em vários ângulos para documentar toda a situação de calvície, mas sempre com o cuidado de preservar a identidade da pessoa.
Nesta altura é usual nova conversa com o cirurgião, que novamente explicará ao paciente tudo o que irá ser feito, particularmente a altura da testa e outros pormenores, sempre com o propósito de o acalmar e promover confiança na equipa que o vai tratar.
O cirurgião examinará de novo o couro cabeludo, a zona calva e a zona dadora procurando qualquer lesão que condicione o transplante, pesquisará que medicamentos estarão porventura a ser tomados, se existem alergias medicamentosas, e avaliará o estado de tensão em que se encontra o paciente.
É administrado novo comprimido de calmante, tipo benzodiazepina, e é solicitado ao paciente uma passagem pelos sanitários afim de esvaziar a bexiga, já que estará impedido de o fazer por 3 a 4 horas, tempo que dura todo o procedimento de transplante.
O doente instalar-se-á confortavelmente numa marquesa tipo estomatologia e o cabelo é então cortado numa pequena faixa com cerca de 1 cm de largura por 15 cm de comprimento na região occipital ou lateral da cabeça.
A anestesia e a assepsia
A anestesia é considerada como das principais alavancas no desenvolvimento de toda a cirurgia e em particular da cirurgia plástica.
Quando, em 16 de Outubro de 1846, no Massachusets General Hospital, EUA, Charles Morton realizou a 1.ª anestesia geral com éter, para o cirurgião John Collins Warren extrair uma glândula submaxilar, estabeleceu um ponto de ruptura com o passado. A partir daquele momento, em que a dor se eliminou do ato cirúrgico, o avanço foi espetacular.
Igualmente importante foi a implementação dos cuidados de assepsia a partir de 9 de Agosto de 1987, quando Joseph Lister apresentou, em Glasgow, no XXV Congresso da British Medical Society, o seu trabalho “Princípio Antisséptico”. Desde então, passou a haver a preocupação com a assepsia em cirurgia o que fez cair drasticamente as infecções no pós-operatório.
Paralelamente, os anestésicos locais também se foram desenvolvendo, e serão estes os que são utilizados quase exclusivamente em todos os procedimentos no tratamento cirúrgico da calvície.
A anestesia local reúne várias vantagens. Provoca uma vasoconstrição eficaz impedindo perda de sangue e simplificando toda a execução do transplante. Além disso, permite que o paciente saia no final para casa.
No transplante, a anestesia local é idêntica à que foi desenvolvida por um cirurgião americano Klein, especialmente para as lipoaspirações. Consiste na infiltração de grandes volumes de uma solução composta de soro fisiológico, anestésico e um vasoconstritor. É a chamada anestesia local tumescente. Depois de ensaiada no transplante de cabelo, veio a revelar-se uma técnica anestésica espetacular sendo atualmente a preferida por todos os cirurgiões. Consegue-se fazer todo o procedimento com uma hemostase perfeita, com uma perda de sangue mínima e, no pós-operatório, as equimoses na face são quase imperceptíveis.
A anestesia é iniciada com um instrumento sem agulha que injeta através da pele uma pequena porção de anestésico ao longo da faixa de couro cabeludo atrás referida. Este anestésico é do tipo lidocaína, vulgarmente usado em estomatologia.
Completa-se a anestesia infiltrando mais anestésico muito lentamente para não causar qualquer desconforto no paciente.
Existe um controlo na quantidade de anestésico procurando usar apenas o necessário e respeitando um limite de segurança, que não deve ser ultrapassado. Normalmente, a quantidade usada está muito aquém da dose máxima permitida.
Completada a anestesia, a zona dadora é infiltrada com soro fisiológico até ficar bem tumescente. Esta manobra permite a colheita sem qualquer dano dos folículos pilosos ou das restantes estruturas como vasos e nervos da zona dadora.
A partir deste momento, o paciente apenas sentirá puxar ou mexer na cabeça sem percepção de qualquer dor.
O transplante
A zona dadora - Instrumentos de colheita: Lâmina simples ou multilâmina?
A zona dadora encontra-se nas regiões occipitais e temporais (posterior e laterais) da cabeça.
Com um instrumento especial, procede-se à colheita de sete tiras de couro cabeludo com 1mm de largura e com comprimento variável, dependendo da quantidade necessária de microtufos. É fundamental respeitar a gálea, estrutura músculo aponevrótica que se estende da região frontal à occipital, onde se encontram os vasos e nervos.
Estas tiras são depois transformadas em múltiplos microtufos.
O cirurgião encerra a zona dadora com uma sutura cujos pontos devem ser retirados aos 12 dias. Em alternativa, poderá ser usado material reabsorvível que se dissolve com o tempo.
O uso do microscópico
É advogado por alguns cirurgiões, mas além de prolongar demasiado o tempo cirúrgico, o resultado final poderá não ser muito diferente quando se usa apenas lupas.
Tudo dependerá da experiência e habilidade dos executantes.
10 A Operação de Transplante II
A zona receptora: Micropunções versus microincisões.
Lâminas 15, 11 ou agulhas Nokor.
Completada a colheita, a atenção é então dirigida para a região calva, onde se repetem os passos da anestesia efetuados na região posterior.
São então criadas microincisões em número igual ao dos microtufos já individualizados pela restante equipa. Quando a calvície está já estabelecida, preferimos as punções, permitindo assim remover alguma área calva. Nas outras situações, preferimos as agulhas Nokor, que permitem inserir os microtufos entre o cabelo ainda existente na região receptora.
Nas alopécias tipo difuso, existe o cuidado de não lesar o cabelo que ainda existe na região receptora.
Então, três ou quatro elementos da equipa iniciam a colocação dos microtufos em toda a área calva. Os microtufos com menos folículos são destinados à parte mais anterior da região frontal para criar uma zona de transição, dando um aspecto muito próximo do normal.
O Pós Operatório
Após o transplante, deverão ser tomadas medidas e precauções para proteger o cabelo na sua nova localização. Afinal tratou-se de um investimento importante e ninguém quererá pôr em risco o sucesso do mesmo. Os folículos transplantados são únicos e a zona dadora útil é limitada.
No fim do transplante, a cabeça é lavada pelo pessoal da clínica, não sendo usualmente necessária a aplicação de qualquer penso.
As instruções prescritas deverão ser relidas com mais calma sem o entusiasmo do pré- operatório, até que sejam totalmente apreendidas:
- Dormir no sofá ou na cama mas manter a cabeça elevada com duas ou três almofadas.
- A segunda lavagem da cabeça deverá ser feita preferencialmente na clínica às 24 ou 48 horas após o transplante. O paciente poderá fazê-lo diariamente se necessário, desde que seja cauteloso aplicando o champô com um pincel de barba de pelo macio nas crostas que cobrem os microtufos.
- Os analgésicos serão apenas necessários no primeiro dia, mas os antiinflamatórios deverão ser tomados até ao 3º dia.
- A cicatrização causa um certo prurido mas deve evitar-se mexer nestas crostas pois os microtufos poderão ser desalojados. As crostas cairão a partir do 10º dia como se fossem caspa grosseira. Para acelerar a queda das crostas poderá ser aplicada na zona transplantada creme ou óleo de amêndoas doces, à noite.
- Durante mais ou menos duas semanas notar-se-ão pequenos pontos castanhos escuros que são as crostas dos enxertos. Estas não devem ser perturbadas para não interferir com a cicatrização dos tufos.
Os folículos pilosos transplantados ficarão em fase de repouso durante dois meses, após o que iniciarão a produção do cabelo. Este cabelo pode crescer indefinidamente no seu ritmo normal, ou seja, pouco mais de um centímetro por mês.
Complicações
Fistulas arteriovenosas na região dadora, quistos de inclusão e insuficiente “pega” dos microtufos.
Esta “pega” deficiente está muitas vezes dependente da fadiga dos executantes, fadiga esta mais associada às transplantações de grande número de microtufos.
A ação química dos anti-sépticos, álcool, água oxigenada, água pode lesar os frágeis folículos pilosos.
Quanto mais pequeno é o microtufo, mais vulnerável se torna aos microtraumatismos.
Cicatriz da zona dadora
Cicatrizes viciosas, largas e algumas vezes hipertróficas poderão desenvolver-se em algumas situações. Pensa-se ser devido à sutura com tensão, ou a colheitas em áreas muito baixas, perto da região cervical.
A correção é difícil devendo proceder-se à excisão parcial e por segmentos, à tatuagem e algumas vezes à inserção de alguns microtufos.
11 O que esperar do transplante
Não será demais relembrar que, após o transplante, se dá início a um processo chamado eflúvio anagenico, que se traduz numa queda progressiva de quase todo o cabelo dos folículos transplantados, até cerca das 8 semanas. Muitas vezes este cabelo cai com a queda das crostas.
As pessoas não prevenidas poderão ficar alarmadas com este facto. Todavia esta queda é perfeitamente normal e abrange quase a totalidade dos microtufos. Após este período, dá-se a erupção do cabelo novo que crescerá ao ritmo de 1 cm por mês em média. Assim, ao fim do 3ºmês, o cabelo terá 1 cm de comprimento, ao 4º, dois centímetros, ao 5º, três centímetros, etc. Aos seis meses, já pode ser avaliado objetivamente o resultado do transplante e decidir-se ou não por outra sessão de transplante.
Existe outra queda de cabelo que abrange alguns dos folículos pilosos da área receptora que estão próximos dos microtufos. É o eflúvio telogenico, que acontece cerca dos dois a três meses após o transplante. Os folículos existentes na zona dadora, traumatizados pela proximidade dos microtufos, e também pela compressão ou pela vasoconstrição da mistura anestésica, entram numa fase de repouso (telogeneo) e caem. Esta queda, numa zona em que a densidade já era baixa, preocupa naturalmente os menos avisados.
Inicialmente, o cabelo nasce muito fino mas, à medida que vai crescendo, aumenta de espessura e vai adquirindo a textura do cabelo da zona donde foi colhido. Algumas vezes, porém, acontece o cabelo nascer com mais ondulação mas progressivamente vai readquirindo a cor e qualidade antes da transplantação.
A cicatrização da zona dadora tem uma fase inicial inflamatória, moderadamente dolorosa e com algum prurido nos primeiros três ou quatro dias.
Previsões do número de transplantes
É extremamente importante que se considere a possibilidade de outras sessões de transplante antes de se realizar a primeira e para tal muitos factores deverão ser ponderados como a idade, o grau de calvície, a velocidade da queda, o tipo de cabelo, a maleabilidade do couro cabeludo e até o tipo de penteado desejado.
Idade
Os pacientes jovens com processo de queda em evolução tendem a ser menos realistas quanto aos resultados. Porque nunca se viram completamente calvos, e porque a reposição de cabelo nunca vai recuperar todo aquele que foi perdido. Até mesmo o cirurgião terá muita dificuldade em saber até onde se estenderá a queda do cabelo.
Será difícil convencer este paciente que a linha de cabelo deverá ser mais recuada, ou seja, própria de uma idade mais avançada do que a dele.
Se nestes casos for feita uma sessão de transplante muito densa, poderá acontecer um eflúvio telogenico ou até mesmo acelerar a queda já em evolução.
Estes pacientes jovens deverão ser avisados que os transplantes devem acompanhar o processo de calvície e que se deve ser muito criterioso no uso da zona dadora.
Os pacientes mais idosos, alguns com vários anos de calvície, cujo grau mais ou menos avançado já se estabeleceu, aceitam com satisfação o repovoamento das áreas calvas mesmo que com menor densidade.
O grau de calvície
Na calvície extensa, uma única mega-sessão poderá satisfazer o paciente mas, por norma, fazem-se duas sessões para compactar e reforçar as zonas da frente e da coroa.
Nos casos em início de calvície, próprios dos jovens, a dificuldade existe em decidir em esperar ou avançar, em que zona e em que quantidade. São questões por norma difíceis de debater com uma pessoa que se encontra mental e emocionalmente fragilizada e ansiosa por recuperar todo o cabelo que já perdeu.
A velocidade da queda
Quando esta é acelerada, o que poderá acontecer nas idades jovens, impõe-se uma reflexão ponderada nas atitudes a tomar. O jovem deve ser calmamente informado, mas com clareza, de tudo o que está envolvido nestas situações. Lembramos que se atuarmos muito precocemente podemos até acelerar o processo de queda e que provavelmente serão necessárias várias sessões de transplante.
O tipo de cabelo e densidade
O cabelo mais ondulado, mais denso, de cor mais clara, próxima do branco, permitirá o melhor resultado.
A maneabilidade do couro cabeludo
Quando o couro cabeludo é laxo, poderá ser equacionada uma excisão parcial da área calva antes de se iniciar a reposição de cabelo. Consegue-se deste modo reduzir, em maior ou menor grau, a zona a receber cabelo, o que se pode traduzir numa medida economizadora da zona dadora.
O estilo de penteado
Quando o cabelo é penteado para trás sem repartido, exige menos cabelo na coroa. Quando o cabelo é repartido, a transplantação deverá ser mais densa no lado do risco e também na coroa.
Por outro lado, o cabelo seco e ondulado dará uma melhor cobertura de cabelo com aspecto mais denso do que o cabelo molhado ou com gel.
12 Sequência dos transplantes
Apesar de ser possível realizar nova sessão no fim de um mês, será aconselhável esperar mais de seis meses para verificar toda a potencialidade de crescimento do cabelo transplantado. Será então mais fácil verificar quais as zonas em que é preciso reforçar a densidade do cabelo e também ajustar ou acertar a linha anterior do cabelo.
Nesta altura o couro cabeludo terá recuperado a sua elasticidade, sendo mais fácil também a colheita de novos tufos.
Entretanto, se houver uma progressão da calvície, é também uma boa altura para preencher as novas zonas calvas.
Planejar à distância
Quando o paciente é jovem, a preocupação dele é a resolução do problema no imediato. Ele quer recuperar o cabelo quando, segundo a sua opinião, mais falta lhe faz para gozar a sua juventude e lidar com a concorrência no trabalho e no seu meio profissional.
É perfeitamente compreensível que assim seja e todos aqueles que perderam o cabelo precocemente o sabem.
Mas esta atitude poderá acabar por ter repercussões negativas quando os resultados não atingem as expectativas do paciente. Desiludidos e frustrados, poderão voltar-se contra o próprio cirurgião particularmente se este foi responsável ao alimentar aquelas expectativas irrealistas.
Sendo a região dadora limitada e não renovável é completamente impossível cobrir todo o cabelo com a densidade anterior à queda.
A transplantação distribui o cabelo de forma estratégica de maneira a retirar o rendimento máximo, não do número, mas do comprimento do mesmo. Assim, um cabelo com 10 cm de comprimento será igual a 10 cabelos com 1 cm de comprido em termos de cobertura.
A transplantação requer um treino intenso do cirurgião e da sua equipe, que deverá ter, além de técnica apurada, um sentido artístico e estético bem desenvolvido.
Mesmo assim, acontecem resultados menos satisfatórios, as mais das vezes por planeamento defeituoso, mesmo com as técnicas mais recentes.
13 A Transplantação na Mulher
Se a calvície já perturba significativamente os homens, na mulher ela pode ser responsável por grande ansiedade e sofrimento emocional. O cabelo tem uma grande importância na estética feminina e é muito valorizado como uma característica própria da mulher. A perda do cabelo assume grande significado em relação à auto-estima, pelo que é motivo frequente para o seu tratamento.
A queda progressiva nas mulheres tem características próprias. Raramente atinge graus severos até a calvície, manifestando-se mais como uma rarefacção nas mesmas zonas que no homem, mas respeita quase sempre uma faixa na linha anterior do cabelo. Esta faixa tem um grande interesse estratégico, pois, mantendo a moldura da face, permite uma fácil camuflagem da perda acentuada de cabelo, quer com penteado mais ou menos elaborado, quer com uma adição de cabelo por meio duma prótese capilar.
Apesar deste fato, é cada vez maior o número de mulheres que solicitam a transplantação. As razões principais estarão intimamente relacionadas com dois aspectos. Primeiro, com o estado avançado da técnica que permite colocar cabelo em zonas com menor densidade capilar sem lesar o cabelo ainda existente; segundo, mas porventura não menos importante, pela menor aceitação por parte da mulher da calvície. Esta, podendo ser considerada como uma evolução naturalmente esperada, própria do envelhecimento do homem, não é encarada com a mesma resignação pela mulher. O cabelo na mulher é um reflexo importante da sua feminilidade e sexualidade. A identidade feminina relaciona-se com cabelo farto, luzidio e sedoso e, quando estes atributos se degradam, são motivos de grande preocupação e tristeza, podendo até comprometer a função da mulher no meio familiar e social.
O cabelo feminino poderá ser afetado por múltiplos factores que promovem a queda não necessariamente nas zonas fronto-parietais típica da calvície androgenica, mas muitas vezes duma maneira difusa atingindo todo o couro cabeludo.
Estas diferenças poderão estar relacionadas com os diferentes níveis e diferentes enzimas responsáveis pela queda de cabelo.
A mulher terá menor quantidade de 5-alfa-redutase (enzima que converte a testosterona em dihidrotestosterona – DHT) na linha anterior do cabelo na região frontal. Também parece que, nesta zona, nas mulheres os receptores de andrógenos é
menor.
Por outro lado, nesta área e na mulher, encontra-se outro enzima -aromatase- em maior concentração. Este enzima converte a testosterona em estrogenos os quais não parecem contribuir para a queda de cabelo.
Apesar de tudo, a mulher pode, em alguns casos, perder cabelo com o mesmo padrão do homem e vice-versa.
Existem algumas doenças que têm associada a queda de cabelo. Doenças da tiroide, anemia, desequilíbrios endócrinos (ovários quísticos, tumores da suprarrenal e da hipófise), doenças do tecido conjuntivo (lúpus, dermatomiosite).
Fatores de stress, quer físico ou emocional, pós-operatório, partos, anestesias gerais ou dietas exageradas podem desencadear um eflúvio catagenico de perda de cabelo de maior ou menor duração. Estas quedas poderão ser revertidas, particularmente se a causa for eliminada.
Certos medicamentos poderão também estar envolvidos, como citostáticos, pílulas anticonceptivas, derivados cumarínicos, hormona tiroideia, antihipertensores, doses altas de vitamina A, toxicodependência (anfetaminas, cocaína e narcóticos).
É assim importante investigar todas estas possibilidades para se determinar qual o agente causal, e corrigir a situação antes de se iniciar a transplantação.
Existe outro tipo de alopécia causada por tração. Esta poderá ser dependente dum compromisso psicológico a que se chama “tricotilomania”, em que o individuo obsessivamente exerce tração do cabelo, mas o mais frequente é ser consequente a determinados tipos de penteados (rabo de cavalo) ou então a sistemas de fixação de cabeleiras, extensões ou outras adições de cabelo.
Alopécias pós-traumáticas quer por avulsão, radiação, post-queimadura ou iatrogénicas, sequelas de cirurgia estética como ritidectomias faciais vulgo “face-lift”.
Há outras quedas de cabelo, como as alopécias areatas, que devem ser tratadas medicamente apenas e não com transplantação.
14 O paciente insatisfeito
Alguns pacientes ficam desapontados com os resultados. São pessoas que tinham expectativas irrealistas ou que não foram informadas cabalmente.
Mas há a referir casos também em que houve negligência e incompetência do cirurgião, que ainda usou técnicas já desatualizadas ou, então, não respeitou os mínimos critérios consensuais de estética. Mais grave é o facto de serem estes maus profissionais quem mais frequentemente aparece nos média, procurando apenas através de uma intensiva propaganda manter uma afluência de pessoas em vez de aprenderem a arte de bem-fazer transplante de cabelo.
Atualmente, mais do que recuperar uma calvície, impõe-se que esse trabalho não seja detectado pelo indivíduo comum.
Há que ter cuidado com as depressões endógenas, próprias de doentes impossíveis de se satisfazer, mesmo quando irrepreensivelmente tratados.
Igualmente, a imaturidade emocional em doentes muito jovens conduz à insatisfação.
Consentimento Informado
Trata-se da aplicação, na prática, do respeito pelo princípio da autonomia das pessoas. Este princípio é um dos quatro formulados por Beauchamp e Childress em 1979, no seu livro «Principles of Biomedical Ethics». Os outros princípios são: o da não-maleficiência, o da beneficiência e o da justiça.
O respeito pela autonomia exige que se reconheça ao outro o direito de ter os seus pontos de vista, de fazer as suas opções e atuar de acordo com os seus valores. Cabe a nós, médicos, promover e criar condições para o exercício dessa autonomia, obrigando nos a revelar a informação necessária às pessoas sobre todas as opções terapêuticas disponíveis para a calvície e a obter o consentimento esclarecido antes de avançar com qualquer medida terapêutica.
A opção pelo tratamento médico ou cirúrgico da calvície deve ser tomada depois do esclarecimento pormenorizado de tudo o que está envolvido e também dos resultados de cada via de tratamento.
O tratamento médico atual, focado essencialmente no bloqueio da transformação da testosterona na di-hidrotestosterona (DTH), derivado que afeta os folículos susceptíveis, será obviamente necessário para toda a vida, a não ser que surjam entretanto novas medidas terapêuticas.
Por outro lado, com a cirurgia, seja pela redução da área calva, quer pelo uso de retalhos ou outros métodos de transplante clássicos, quer pelos atuais métodos de microtufos ou transplantes foliculares, conseguir-se-á resultados piores ou melhores mas que são definitivos para toda a vida.
Não podemos esquecer que o resultado obtido deve ser aceitável em idades jovens e permanecer como tal em idades mais avançadas.
Daqui a importância da informação cabal que se deve fornecer sobre este assunto para que a escolha dum ou doutro tratamento possa ser feita com consciência.
Não existe um único método para todo o indivíduo. Poderá até acontecer que um postiço ou cabeleira seja a solução aconselhada em algumas situações extremas de calvície.
O cirurgião plástico deverá ter um sentido estético apurado e qualidades éticas para ajudar o paciente a tomar as decisões corretas, suportadas por antecipações realísticas em relação a um resultado final.
Este deverá ser bom no imediato e no mínimo aceitável no futuro.
Há que haver coragem para adiar, e mesmo negar, o transplante quando isso vai de encontro ao melhor interesse do paciente.
Casos demonstrativos
Outras indicações do microtransplante além da calvície
15 O futuro na restauração do cabelo
O laser no transplante
Até à presente data, o LASER não se revelou útil neste campo. Antes pelo contrário, pode até diminuir a pega dos microtufos e, se forem aplicados muito próximos, poderá até comprometer a viabilidade dos tecidos da área receptora.
Com a técnica LASER, são feitas micro-incisões no couro cabeludo com um feixe de luz de alta energia. O LASER não serve para retirar o couro cabeludo da zona dadora para o transformar em microtufos porque pode lesar permanentemente os folículos pilosos.
A nível mundial, a investigação tem revelado não haver vantagens no uso do LASER em transplantação de cabelo e aconteceram até resultados desastrosos que se repercutiram negativamente mesmo em outras técnicas de transplante de cabelo. Terá interesse para aqueles que procuram uma alternativa diferente apenas por razões de estratégia de "marketing".
O LASER tem vários efeitos negativos. Queima os tecidos, danificando os cabelos, o rendimento do cabelo transplantado é nitidamente menor, as crostas demoram mais tempo a cair e o cabelo demora mais tempo a crescer.
O LASER bloqueia os vasos sanguíneos. Este facto poderá ser útil em alguns tipos de cirurgia estética, onde as feridas precisam de ser encerradas e cauterizadas. Mas, em transplante de cabelo, a circulação sanguínea contínua é muito importante para o crescimento de cabelo. O sangue transporta nutrientes e oxigênio para o cabelo transplantado. O calor do LASER pára o fluxo sanguíneo, causando um menor crescimento do cabelo, ou seja, um resultado menos satisfatório.
Células estaminais adultas
O tratamento baseado em células estaminais representa uma esperança importante dentro dos avanços mais recentes nesta área, podendo vir a ser no futuro uma alternativa ao transplante de cabelo.
Cientistas alemães verificaram em ratos o crescimento de cabelo em regiões onde normalmente não há folículos pilosos, como nas orelhas, e adiantaram que esta nova terapia poderia ser aplicada em humanos dentro de um a quatro anos na redução ou interrupção da queda do cabelo. Mas os homens com calvície total não devem ainda alimentar muitas ilusões. Não se prevê, por enquanto, a possibilidade de devolver-lhes todo o cabelo perdido.
16 Perguntas sobre microtransplantação de cabelo I
Qual é a rotina antes do MTC?
O cabelo deve estar comprido para ser mais fácil cobrir os microtufos transplantados;
Duas semanas antes:
- Não tomar ASPIRINA ou medicamentos com Ácido Acetil Salicílico (AAS).
- Parar com minoxidil.
- Parar com Ácido Retinoico.
No dia antes:
- Não beber bebidas alcoólicas.
- Preparar a ida e vinda da Clínica.
No dia do MTC:
- Lavar a cabeça com o xampu habitual.
- Levar para Clínica uma Boina, Gorro ou Chapéu
- Vestir camisa. Não usar roupa de tirar por cima da cabeça.
- Comer muito ligeiramente antes de entrar para a Clínica.
Qual é a rotina antes do MTC ao entra na clínica?
O paciente assina o consentimento informado para o MTC.
O paciente veste roupa adequada para a operação.
A área calva é fotografada, preservando a identidade do paciente.
A cabeça é lavada.
Um calmante é administrado sob a forma de comprimido.
O paciente é então conduzido para a sala de operações. O cabelo é de novo desinfectado e são colocados panos esterilizados à volta da cabeça.
Com instrumento especial SEM agulha, a zona donde se colhem os microtufos é anestesiada.
Com outro aparelho são retiradas tiras muito finas de couro cabeludo que serão depois transformadas em microtufos.
A zona dadora é suturada de maneira a obter uma cicatriz quase imperceptível.
A área calva é então anestesiada e são preparados os sítios onde vão ser transplantados os microtufos.
No final, a cabeça é bem limpa podendo então ser colocado com cuidado qualquer cobertura ( gorro, boina ou chapéu).
O MTC é doloroso?
Os pacientes frequentemente referem que o MTC incomoda menos que uma ida ao dentista. As modernas técnicas de anestesia local associadas a uma ligeira sedação com um simples comprimido fazem com que o paciente se sinta completamente relaxado, deixando-se adormecer por períodos durante o MTC.
Todavia, esta sedação tem o inconveniente de desaconselhar a condução de automóveis logo após a intervenção.
No período post-operatório imediato, o paciente sentirá apenas ligeiro incômodo na parte posterior da cabeça donde foram retirados os folículos pilosos, que é aliviado com aplicação de frio (geleia ou saco de gelo) e com anti-inflamatórios.
17 Perguntas sobre microtransplantação de cabelo II
O que é que acontece a seguir ao MTC?
Nas primeiras 24 horas, é aplicada uma banda à volta da cabeça e uma cobertura ao gosto da pessoa, como um gorro, boina ou chapéu. O paciente volta à Clínica onde a cabeça é cuidadosamente lavada. O cabelo é então penteado para cobrir se possível os microtufos, ou então poderá voltar a colocar a cobertura que já usava e até repor a aplicação de cabelo, se o paciente já a usava, antes do MTC. Todavia, esta deve ser usada com um sistema de molas para que possa ser retirada para lavagem do couro cabeludo.
As crostas começam a cair a partir do sétimo dia, deixando um ponto cor-de-rosa no sítio do microtransplante. Esta queda poderá ser acelerada com aplicação dum creme ou óleo de amêndoas doces.
Os pontos cor-de-rosa vão adquirindo a cor da pele circundante sendo quase imperceptíveis aos dois meses.
O cabelo à volta dos microtufos pode, em alguns casos, diminuir de densidade. Chama-se a este fenômeno de “TELOGEN EFFLUVIA”. Infelizmente, esta diminuição da densidade capilar, apesar de ser temporária, causa extrema apreensão nas pessoas.
Quanto tempo demora o cabelo do MTC a crescer?
Usualmente, o cabelo começa a irromper a pele no fim do 2º mês, crescendo depois a um ritmo de 1 cm /mês, tal como acontecia na zona dadora. Inicialmente é um pouco mais espesso e escuro, mas normaliza ao fim de algum tempo.
Quanto tempo dura o cabelo do MTC?
O cabelo transplantado é cabelo proveniente de zonas não afetadas pelo processo de calvície e manterá as mesmas características onde quer que seja aplicado. Normalmente, todo o folículo piloso entra em repouso ao fim de 3 a 6 anos voltando depois a ativar-se e mantém este ciclo, mesmo quando é transplantado.
Pode afetar o resto do cabelo?
Os folículos pilosos são muito resistentes. Toleram cirurgias e outros traumatismos do couro cabeludo. Isto explica a grande dificuldade quando se pretende remover cabelos indesejáveis. Um cabelo pode ser arrancado centenas de vezes e volta a crescer. O ato de inserir um microtufo pode cortar algum cabelo ou comprometer a irrigação sanguínea dum folículo circundante levando à queda do respectivo cabelo. Mas esta paragem será apenas temporária e o crescimento será reativado passados um a dois meses.
Quantas sessões são necessárias?
Se se tratar de uma calvície já estabelecida, serão necessárias duas a três sessões de TC. Nos casos ainda em evolução, uma sessão poderá ser suficiente para restabelecer uma densidade aceitável.
Na primeira sessão procura-se obter uma densidade de cerca 25% da densidade original. Depois da segunda sessão, será atingida cerca 50% daquela densidade, o que é normalmente suficiente para satisfazer a maior parte dos pacientes.
O tempo que medeia entre duas sessões poderá ser de quatro semanas ou, então, mais de quatro meses, quando o novo cabelo já tem mais de 2 cm de comprimento e é fácil perceber onde houve maior e menor resposta ao tratamento.
Como é determinado a área da zona dadora e o número de microtufos?
Cálculo:
Para cobrir uma área de 60 cm2 com 25 % de densidade precisa-se duma tira de couro cabeludo de 15 cm2 (15 cm de comprimento x 1 cm de largura), que podem ser transformadas em 750 minitufos ou 1.500 microtufos .
Laser no MTC?
Não revelou qualquer utilidade nesta área, antes pelo contrário.