Segundo o autor Moura, 1997, o inventário é o volume de materiais ou produtos em estoque. As organizações costumam manter estoques de materiais, de materiais em processamento ou de produtos acabados. O inventário permite certa flexibilidade em seus processos de produção / operação para ultrapassar períodos de excesso ou capacidade ociosa, enfrentar períodos de demanda irregular e obter economias em compras de larga escala. Como o inventário representa um dos maiores investimentos de capital, ele precisa ser cuidadosamente administrado.
O propósito do controle do inventário é assegurar que o estoque corresponda ao tamanho certo para as tarefas a serem executadas. A tentativa de reduzir todas as formas de custos está levando as organizações à reconhecer que a administração de compras é uma ferramenta de produtividade. O controle de custos das organizações está verificando o que se paga para tudo aquilo que se compra. Entre as novas abordagens administrativas, está a alavancagem do poder de compra que faz com que as organizações centralizem suas compras para aumentar o volume, ao mesmo tempo em que comprometem cada vez mais com um menor número de fornecedores com os quais negociam contratos especiais, qualidade assegurada e preferência nas compras parcerias entre fornecedores e compradores para operar de maneira a reduzir os custos dos parceiros envolvidos.
De acordo com o autor Moura, 1997 o lote econômico de compra (LEC) é um método de controle de inventário que envolve a aquisição de certo número de itens toda vez que o nível de estoque cai a um determinado ponto crítico. Quando esse ponto é atingido, uma decisão é automaticamente tomada para colocar um pedido padronizado. O melhor exemplo está nos supermercados, onde centenas de pedidos diários são feitos rotineiramente através de computadores.
Esses pedidos padronizados são matematicamente calculados para minimizar os custos totais de estocagem/ o LEC determina pedidos de compras que minimizam dois custos de estoques: primeiro, os custos de emissão de pedidos, incluindo os custos de comunicação, expedição e recebimento; segundo, os custos de estocagem, que incluem os custos de estoque e de seguros, bem como os custos de capital empatado. O LEC proporciona uma reposição de estoque no momento em que o estoque anterior foi esgotado. Isso minimiza os custos de estoque.
O estudo de lotes econômicos de compra e de fabricação são tópicos tradicionais do estudo da administração de materiais. Embora esteja perdendo sua importância no novo contexto industrial, onde se procura a produção em lotes cada vez menores, ainda sim fazem parte do programa de qualquer curso sobre administração de materiais, pois trazem consigo a preocupação, sempre presente, de minimização de custos. A sua aplicação de forma adequada, com a utilização dos recursos hoje disponíveis em praticamente em qualquer software de gestão de estoques, que mantém uma base de dados a ser consultada instantaneamente, permitindo o cálculo das quantidades econômicas de compra e de fabricação, dependendo do caso, só trazem benefícios às empresas.
A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DOS ESTOQUES
Conforme o autor Joary Corra, 1971, muitas empresas apresentam estoques equivalentes a 2 ou 3 meses de venda. Mas pior do que isso, 20% a 30% dele, composto por itens obsoletos, e até 50% constituído de itens de baixo valor e giro. Por outro lado, essas mesmas empresas apresentam problemas no atendimento de seus Clientes, nos itens de alto valor (classe A) e médio valor (classe B), incorrendo em rupturas.
E isso quando não apresentam os mesmos problemas para os itens de menor valor. Outras que melhor administram seus estoques, têm dificuldades com a variabilidade da demanda de seus fornecedores, gerando uma custosa sobrecarga nos estoques de segurança. A combinação de fatores que afetam os níveis de estoques é gigantesca, e maior ainda são os impactos sobre a lucratividade e valor da empresa. Estoques mal administrados oneram o capital de giro da empresa, geram baixo nível de serviço aos Clientes internos e externos e contribuem diretamente para a queda da lucratividade.
Estima-se que os custos financeiros e operacionais com estoques mal gerenciados gerem 2% a 3% de custo logístico adicional à empresa, em termos de receita de vendas, salienta o autor Joary Corra, 1971. Conforme o autor acima citado, por sua vez, os custos financeiros e operacionais com a manutenção dos estoques atingem cifras que representam até 20% a 30% dos valores em estoques. O fato de ainda se estar na infância da gestão dos estoques faz com que se tenha inventários de 2 a 3 vezes superiores aos norte- americanos e japoneses.
Paga-se um alto preço pelo desconhecimento de técnicas de gestão de estoques, pela não utilização de ferramentas estatísticas (algumas muito básicas e de fácil compreensão), pela baixa aplicação tecnológica, por não se investir na capacitação técnica dos gestores de estoques e pela visão restrita da cadeia logística (supply chain). A gestão de estoques é competência vital para qualquer empresa, e poderá trazer benefícios inimagináveis. Trabalhos recentes e pesquisas realizadas apontam que se podem reduzir em até 30% os estoques em um prazo ao redor de 18 meses, sem comprometer o atendimento aos clientes.
O sucesso de uma boa gestão de estoques dependerá do apoio da alta gestão da empresa, da redução no número de itens comercializados, em ajustes nos lead-times de fornecedores e na utilização de ferramentas e conceitos para a gestão. Portanto, arregacem as mangas e garimpem as oportunidades existentes na sua empresa. Visto como um recurso produtivo que no final da cadeia de suprimentos criará valor para o consumidor final, os estoques assumem papel ainda mais importante. Os estoques têm a função de funcionar como reguladores do fluxo de negócios (Marttins, Petrônio Garcia, 2003.).
RECEBIMENTO DE MATERIAIS
Todo material que chega à empresa deve ser recebido, conferido qualitativamente e quantitativamente, identificado e caso necessário deve ser submetido a testes de recebimento. Moura (1997, p.118) menciona que o recebimento inclui todas as atividades envolvidas no fato de aceitar materiais para serem adotados . Esta atividade é fundamental, pois quase sempre é nela que se inicia processo de rastreabilidade do material através da identificação dos lotes de fornecimento (quando aplicável), e a denominação do local onde o material iniciará seu processo de movimentação dentro da empresa.
Em muitas empresas, a atividade de recebimento é realizada simultaneamente com a atividade de registro fiscal, que processa os dados das notas fiscais. Qualquer equívoco nesta etapa inicial ocasionará uma sucessão de erros nas demais etapas e tornará sua identificação mais difícil na medida em que os dados equivocados são utilizados no dia-a-dia. Esta atividade também tem como característica, uma intensa movimentação de materiais, por conta dos descarregamentos de veículos, cargas, palletes, e os deslocamentos necessários entre as áreas da empresa.
SEPARAÇÃO DE PEDIDOS DE MATERIAIS
A separação de pedidos de materiais é a atividade que se apoiam fortemente nos dados das demais atividades do almoxarifado, e precisa ser realizada no menor espaço de tempo possível. Seja para a separação de componentes para abastecer uma ordem de produção ou atender um pedido de venda de um cliente externo, a atividade de separação de materiais necessita dos dados de quantidade e local corretos, para não desperdiçar tempo, ou mesmo deixar de atender uma solicitação, afirma os autores Petrônio Garcia Marttins e Paulo Renato Campos, 2003.
A atenção necessária para esta atividade deve ser muito grande, pois em qualquer dos casos, o erro pode trazer graves conseqüências, como por exemplo, a separação de um componente eletrônico errado para compor uma ordem de produção, que acarreta o não funcionamento do produto final, provocando assim perda de recursos. Da mesma forma, a separação e um pedido de venda com o produto errado, pode fazer com que o cliente ao recebê-lo não volte a efetuar novos pedidos.
Deve-se lembrar que além das conseqüências acima citadas, devido a tais erros apontados acima, pode incorrer também na falta de acuracidade dos dados de estoque até a detecção da falha. Por isso uma característica predominante aos funcionários desta atividade é o conhecimento dos materiais a serem manuseados, apoiando-se na experiência técnica e na vivência dentro da empresa, e também o conhecimento dos locais de estocagem (almoxarifados, ruas, prateleiras, etc.), o que facilita e diminui o tempo de separação e evita a ocorrência de erros.
Moura, 1997 comenta que por causa do número de empregados envolvidos, a separação de pedidos é uma tarefa que apresenta a maior possibilidade de erros. Há ainda a questão das embalagens (para os itens que a necessitam), em especial aqueles que serão enviados a clientes externos, e via de regra, deverão estar identificados e contidos em embalagens de forma compatível com o meio de transporte a ser utilizado e o local de destino.
ESTOCAGEM DE MATERIAIS
Após o recebimento do material, e sua aceitação pela empresa, ocorre à atividade de estocagem, que conduz o material recebido, e até então alocado provisoriamente na área de recebimento, ao seu local definitivo. Neste local, enquanto durar o prazo de estocagem, ele será constantemente, verificado quanto a seus aspectos de embalagem e identificação, e periodicamente, quanto a seu prazo de validade (se aplicável) e quantidades através de inventários. A atividade de estocagem proporciona a movimentação planejada dos materiais pelas áreas dos armazéns, visando garantir à maximização dos espaços, a facilidade de separação, a integridade física e a acuracidade dos dados de quantidade e local. Moura, 1997 mencionam que a idéia de que a estocagem planejada é em geral desnecessária é um conceito obsoleto.
Os erros mais comuns relacionados a esta atividade estão ligados à localização do material, que ocorre quando um item é movimentado fisicamente, mas sua nova posição não é atualizada nos controles, ocasionando perda de tempo na tentativa de localizá-lo quando for necessário. Esta atividade agrega ainda boa parte da responsabilidade da acuracidade dos dados de estoque, sendo que os funcionários a ela ligados reúnem boas aptidões para condução dos inventários, já que são eles que passam mais tempo em contato com os materiais, fazendo movimentações, arranjos de layout, verificações periódicas do estado físico visual, etc.
ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES
Esta atividade funciona como centro de processamento de informações das demais atividades. Nela concentram-se as análises dos dados, sua planificação e a definição de quais técnicas serão utilizadas para obter o melhor resultado, lembrando sempre que a acuracidade dos dados é um dos pontos relevantes deste contexto, que a considera como um pressuposto em todo processo analítico. Por isso também a organização de inventários é uma das suas atribuições, Moura, 1997, menciona que: dimensionar e controlar estoques é um tema importante e preocupante. Descobrir fórmulas para reduzir estoques sem afetar o processo produtivo e sem o crescimento dos custos é um dos maiores desafios que os empresários encontram em época de escassez de recursos. Entre as diversas análises possíveis de se realizar, destacam-se:
a) Valor total dos estoques por almoxarifados;
c) Giro de material em estoque;
d) Entrada de materiais em estoque;
e) Requisição de materiais;
f) Itens zerados no estoque ou itens críticos;
Em algumas empresas, a responsabilidade pela apuração dos custos de estocagem também é da administração de estoques, e por envolver metodologia específica na sua obtenção, não será objeto de detalhamento neste artigo, porém é um dado relevante que necessita ser registrado.
A administração de estoques também atua em sua própria rotina administrativa, processando documentos, atualizando posições, dando suporte às decisões gerenciais através das análises realizadas, e em alguns casos, onde o gerente faz parte desta atividade, também realiza os controles individuais do setor (índice de absenteísmo, planejamento de férias de funcionários, controle de equipamentos de proteção individual, etc.). Pelo índice de manuseio de dados, e o poder analítico necessário, esta atividade sugere o uso de mão de obra especializada, com bom grau de experiência.