Doulas como “amortecedores afetivos”

BÁSICO DE DOULA

1 O movimento de humanização do parto e do nascimento:

  Segundo o Ministério da Saúde, “é considerado óbito materno aquele sofrido por uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da mesma”. Os números mais assustadores estão na África, seguida da Ásia e da América Latina. Para se ter uma idéia, no Brasil, segundo os dados de 1995 de três organizações internacionais – Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo de População das Nações Unidas (FNUAP) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) –, ocorrem 260 óbitos maternos por 100.000 partos, enquanto que, por exemplo, nos EUA e na Europa Ocidental, há de 6 a 11 mortes por 100.000 nascimentos.

  Estes índices são alarmantes e demandam soluções urgentes. A primeira reação é buscar as causas do problema para, assim, orientar as ações mais adequadas. As principais causas, apontadas pelo Ministério da Saúde, são “a hipertensão arterial, hemorragias, infecção pós-parto e aborto. Ainda, a falta de acesso aos serviços de saúde de boa qualidade, principalmente nas áreas rurais, o despreparo dos profissionais de saúde, a falta de humanização dos serviços e as condições sociais e econômicas desfavoráveis”. Há problemas de conjuntura socioeconômica, mas o Estado também reconhece que há sérios problemas com os serviços e os profissionais de saúde.

  Nas cidades, onde o parto acontece majoritariamente no ambiente hospitalar, a OMS e as ONGs e os movimentos feministas, principalmente, apontam que muitas mulheres morrem devido a uma excessiva medicalização do parto. Basicamente, é contra este processo que milita o movimento pela humanização do parto e do nascimento. “É possível falar-se [deste movimento] no Brasil pelo menos desde o final dos anos 1980, década marcante do ponto de vista da organização de algumas associações de tipo não-governamental de atenção ao parto e ao nascimento”. A ONG HUMANA foi fundada na década de 1990 com o intuito principal de humanizar o parto no Brasil e, desde então, representa um dos expoentes mais importantes nesta discussão. Em uma das “Cartas” deste movimento social, elaborada na reunião que fundou o movimento, explicita seus objetivos:

a) mostrar os riscos à saúde de mães e bebês frente a práticas obstétricas inadequadas e intervencionistas;

b) resgatar o nascimento como evento existencial e sócio-cultural crítico, com profundas e amplas repercussões pessoais;

c) revalorizar o nascimento humanizado, as posturas e condutas face ao parto e nascimento;

d) incentivar as mulheres a aumentar sua autonomia e poder de decisão sobre seus corpos e seus partos;

e) aliar conhecimento técnico e científico sistematizado e comprovado a práticas humanizadas de assistência a partos e nascimentos;

f) resgatar práticas humanizadas tradicionais de parto e nascimento, aliadas aos conhecimentos técnicos e científicos sistematizados e comprovados;

g) implantar, implementar e divulgar as Recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre Tecnologias Apropriadas para Nascimentos;

h) conscientizar e mobilizar a população no sentido de reivindicar assistência mais humanizada;

i) construir coletivamente um referencial teórico e uma atuação prática capazes de intervir na assistência;

j) prover as autoridades que formulam e executam as políticas de saúde de subsídios para adoção das práticas preconizadas pela OMS (Carta de fundação da ONG HUMANA).

  De uma forma geral, esta tendência “humanizadora” critica os abusos cometidos à saúde das mulheres tanto no parto cesariano quanto no parto normal. Humanizar, segundo estes ativistas, é voltar aos procedimentos mais “naturais”. Vejamos quais são estas críticas ao parto medicalizado. Muitas são “as rotinas hospitalares consideradas como desnecessárias, geradoras de risco e excessivamente intervencionistas no que tange ao parto”. Lideranças e livros do movimento denunciam que, antes do parto, há a “síndrome da internação”, isto é, a mulher é incentivada a se internar com antecedência e precocidade (aumentando, entre outras coisas, os custos com diárias no hospital). Também apontam que há a predominância da “cesárea agendada”, que tem duas consequências. Primeiro, o jejum obrigatório da mulher, medida que pressupõe que a cesárea irá ser a via de parto escolhida independentemenre de sua necessidade. E, segundo, que o ritmo dos acontecimentos tende a ser ditado pelo profissional. Assim, priorizar o ritmo da instituição e do profissional pode significar que o processo de parto seja mais longo e sofrido, o que aumenta o uso de anestesia peridural, por exemplo.

  Durante o processo de parto, há o uso corrente de várias práticas, sem que, contudo, haja a devida comprovação científica de sua eficiência ou que as mulheres sejam consultadas ou informadas sobre o uso das mesmas. As mais comuns são “a imobilização da mulher na posição horizontal, o enema (lavagem intestinal), a tricotomia (raspagem dos pêlos pubianos), a amniotomia (rompimento precoce da bolsa d”água), [...] a administração de ocitocina para acelerar o trabalho de parto, a episiotomia (corte e costura da vulva e vagina), os esforços expulsivos dirigidos (mandar a mulher fazer força), [...] a manobra de Kristeller (fazer força sobre o útero)”, e toques frequentes e por mais de uma pessoa. Há, ainda, o aumento do número de agentes que participam do parto, ao passo que a presença de acompanhantes, como o marido, ainda pode ser negada. (Mas alguns estados já estão implantando a “Lei do Acompanhante”, que garante à mulher o direito de demandar e escolher a presença de um acompanhante durante o seu parto). Há uma “cultura da cesárea”, intervenção cirúrgica de grande porte que se sobrepõe, em muito, à sua conveniência: entre outras consequências negativas, estão o risco de “infecção puerperal, três vezes mais risco de mortalidade e morbidade materna, aumento dos riscos de prematuridade e mortalidade neonatal, recuperação mais difícil da mãe, maior período de separação entre mãe/bebê com retardo do início da amamentação e elevação de gastos para o sistema de saúde”. A OMS sugere que até 15% dos partos ocorrerem via cesariana é uma margem aceitável. No Brasil, a média é de 38%, chegando a 90% em alguns hospitais privados, proporções que nos “promovem” entre os campeões desta prática no mundo.

  Os ativistas da humanização, inclusive as doulas, propõem uma série de procedimentos menos invasivos em lugar da medicalização. Durante o parto: usar a mesma sala para evolução, parto e recuperação; liberdade de movimento para a mãe e não usar a maca para o transporte; presença de acompanhante familiar e doula; acesso a líquidos e alimentos; não fazer a tricotomia, o enema e a episiotomia; não usar o monitor eletrônico fetal contínuo; não usar sedativos ou anestésicos; não induzir o trabalho de parto; não romper a bolsa d’água artificialmente; evitar puxos prolongados e intensos; não usar as perneiras na mesa ginecológica; não estimular artificialmente a saída da placenta; permitir itens pessoais na sala de parto; não fazer a manobra de Kristeller. Quanto à família e ao bebê: promover o alojamento conjunto imediato; a liberdade para amamentar na sala de parto; o aquecimento com temperatura corporal; não usar rotineiramente no bebê o nitrato de prata e a vitamina K; o banho deve ser opcional; não cortar o cordão imediatamente; não aspirar o bebê com sonda nasogástrica; manter a atmosfera calma, silenciosa, quente e na penumbra; permitir liberdade para ir para casa.

2 O movimento das doulas: influências e legitimidade:

  Só recentemente ouvimos falar das doulas. Uma doula é “uma acompanhante de parto especialmente treinada para oferecer apoio contínuo físico e emocional à parturiente” antes, durante e depois do parto. O termo “doula”, segundo vários expoentes do “movimento” vem do grego e significa “mulher que serve”. A palavra-chave que norteia o trabalho de uma doula é “apoio”. Calcula-se que, hoje, cerca de 400 doulas atuem no país (censo informal realizado pela ONG APOIAR). Segundo elas, a necessidade do exercício de doulas é proporcional à crescente desumanização do parto e nascimento. “A doula transforma um lugar não adequado em um lugar adequado”. Esta frase, repetida várias vezes durante o curso de doulas, sintetiza, a meu ver, a missão que a APOIAR deseja multiplicar. Além da APOIAR, há outros importantes expoentes deste movimento, ONGs e vários pequenos e localizados grupos espalhados pelo país. O foco deste artigo é, primordialmente, a APOIAR.

  Há também algumas menções ao ideário “feminista” que perpassa este discurso. Há dois pólos importantes: o desejo e o poder. A primeira frase de Nicole, na abertura da oficina “O parto sob a perspectiva feminista”, dá o tom: “O desejo da mulher é uma coisa muito importante aqui”. E elas reforçam, a todo momento, que um dos principais papéis da doula é “empoderar” a mulher que ela apóia, para que ela possa colocar suas opções em prática. Assim, estas doulas acreditam que as mulheres têm o direito de controlar seu corpo, decidindo-se, quando, onde e como engravidar e parir. Estas também têm o direito de contar com um acompanhante de sua escolha na hora do parto. Ensinam que sua presença é um importante passo no sentido de conhecer e denunciar as violências sofridas pelas grávidas e parturientes. Mas a APOIAR é cuidadosa: “A doula intermedeia e interpreta o serviço de saúde para a mulher, tomando o cuidado de não falar por ela” (grifo meu), como explicou Marina na referida oficina. Elas proclamam que o parto deve voltar a ser uma coisa das mulheres e não da seara de médicos, hospitais e tecnologia.

  No Brasil, a APOIAR é uma das ONGs mais atuantes politicamente para formar e visibilizar as doulas. Vem promovendo vários encontros com estatura nacional, como o “Primeiro Encontro Nacional de Doulas”, que aconteceu em 2001, quando esta organização nasceu. Em 2002, organizaram o primeiro treinamento para doulas voluntárias. No mesmo ano, aconteceu o “Segundo Encontro Nacional de Doulas”. Em 2003, “a doula americana Debra Pascali-Bonaro – treinadora certificada pela Doulas of North America (DONA) – veio ao Brasil dar cursos de formação de doulas e [...] mostrou como as doulas possuem uma associação forte nos Estados Unidos”. Neste momento, não só a APOIAR angariava o respaldo da DONA, como aprendia novas técnicas de trabalho e também os primeiros passos para a institucionalização do movimento. Em 2003, a APOIAR passa a existir oficialmente como ONG e realizou o “Terceiro Encontro Nacional de Doulas” e o “Primeiro Encontro Nacional da APOIAR”. Além dos encontros, a articulação política também foi sendo realizada via listas de discussão criadas na Internet. E a própria constituição da APOIAR e a organização de suas atividades foram facilitadas, segundo suas lideranças, pela troca de e-mails. Atualmente, a APOIAR oferece cursos de formação para doulas e está se preparando para expedir uma certificação para esta profissional, com base em um currículo unificado.

  Além da DONA, a APOIAR também busca outras chancelas institucionais. Menciona sempre dois documentos: Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher, do Ministério da Saúde, de 2001, e Assistência ao parto normal: um guia prático, publicado pela Organização Mundial da Saúde em 1996. Este último é tido pelas entrevistadas como “a nossa bíblia”, “o documento que define o certo” em termos de parto normal. Ambos os documentos recomendam explicitamente a presença e atuação das doulas no parto.

  Antropólogas do parto e da reprodução são sempre citadas. Brigitte Jordan, Robbie Davis-Floyd, Sheila Kitzinger, Wenda Trevathan, que produziram etnografias sobre parto em diferentes lugares do mundo, problematizaram a hegemonia da biomedicina no parto e servem, portanto, como base teórica para a luta das doulas. Mardsen Wagner, Frederic Leboyer e Michel Odent são obstetras que publicaram, segundo elas, ideias inovadors sobre o parto. Desenvolveram “experiências concretas de preparação para o parto e parto que incorporam esses ideais (da humanização do parto), divulgando-as a um público composto sobretudo por classes médias intelectualizadas”. No Brasil, os médicos José Galba Araújo (que faleceu há alguns anos, mas deixou consideráveis contribuições para o “movimento”), Moyses e Claudio Paciornik, Hugo Sabatino, Simone Grilo Diniz, Marcos Leite e Daphne Rattner falam da perspectiva biomédica e atacam as práticas “violentas”, “desnecessárias” e “aviltantes” sofridas pelas mulheres, bebês e famílias. A APOIAR lança mão de todos estes autores para respaldar sua luta.

  Mas não apenas os médicos simpatizantes com a causa são acionados. “O movimento (de humanização do parto e do nascimento) hoje tem incorporado as lições da chamada “medicina baseada em evidências”, concepção esta que critica a medicina convencional pelo uso e abuso de crenças e valores tidos como “extracientíficos”, quais seja, os baseados na tradição e em concepções culturalmente consideradas ultrapassadas”. Esta fonte de informações indica que, apesar de criticarem a linguagem científica, estas doulas também a utilizam. Longe de ser uma contradição, acredito que se trata de uma estratégia frente aos médicos, ao público e à mídia: “A busca por legitimidade científica vem sendo buscada explicitamente por seus ideólogos, assinalando uma preocupação em sair do gueto do mundo “alternativo”, como o qual as experiências obstétricas eram identificadas nos anos 1970”. Elas admitem, portanto, adotar a mesma linguagem biomédica para que suas propostas sejam ouvidas. Marcio, médico que acompanhou todo o curso etnografado, mencionou a Biblioteca Cochrane5 e arrematou: “Usamos a evidência científica para comprovar o projeto da humanização do parto e também para criticar a biomedicina.”

  Durante o curso e na literatura sobre doulas, há três artigos de uma mesma equipe de médicos que são recorrentemente citados para justificar a presença das doulas. Em 1980 foi publicado, no renomado The New England Journal of Medicine, o primeiro artigo sobre doulas. Sosa et al. (1980) realizaram uma pesquisa-piloto na Guatemala, onde o apoio de doulas leigas foi conferido a 20 mulheres durante o trabalho de parto, enquanto outras 20 mulheres não tiveram este apoio. Os resultados mostram “the importance of human companionship during labor and delivery. Labor was shortened, and some aspects of maternal behavior in the first hour after delivery were enhanced”. Em 1986, esta equipe, publicou um artigo na British Medical Journal sobre uma pesquisa também na Guatemala, mas com uma amostra maior, 168 mulheres apoiadas foram comparadas a 249 não apoiadas por doulas.

  O principal efeito do apoio é a redução dos níveis de ansiedade e a aceleração do trabalho de parto, diminuindo a necessidade de intervenção médica.

  E em 1991 a equipe publicou no The Journal of the American Medical Association um artigo realizado com três grupos de mulheres em um hospital nos EUA: 212 receberam apoio de doulas, 200 foram apenas observadas à distância por doulas e 204 não tiveram qualquer apoio. Aqui, além de comprovar a eficiência da doula na diminuição da ansiedade da parturiente, do tempo do trabalho de parto e das complicações durante o mesmo, os autores apresentam dois resultados que, se levados a cabo, provocariam, segundo eles, uma revolução na prática obstétrica: Os custos seriam menores em termos de anestesia, internação infantil, operações cesarianas, salas de operação, equipe especializadas, medicamentos e diárias hospitalares. Desde então, outros estudos sobre as doulas têm surgido, tanto na biomedicina quanto na psicologia e nas ciências sociais.

  Do estrangeiro, não só a literatura ativista, técnica, autobiográfica e as “evidências científicas” são fonte de inspiração para este movimento. Experiências práticas, sobretudo as norte-americanas, são sempre mencionadas. Ao que parece, o avanço daquele país serve como meta a ser alcançada por este país. E, assim, a comparação entre os EUA e o Brasil permeia todo o curso, como por exemplo, uma das frases ditas logo no início do curso, por Pilar, uma das diretoras da APOIAR: “Os EUA contam com 12.000 doulas, enquanto o Brasil só tem cerca de 400.” Muitos dos vídeos mostrados são norte-americanos e precisaram de tradução simultânea durante o curso para serem compreendidos. A visita de ativistas dos EUA também é recebida com grande entusiasmo e visibilidade. Por exemplo, em 2003, Ina May Gaskin, “uma das criadoras do movimento de partos domiciliares nos EUA” e “idealizadora do Projeto de Doulas pelo Mundo”, esteve no Brasil para dar cursos, atender parturientes, conceder entrevistas e divulgar suas idéias. A HUMANA e a APOIAR haviam-na convidado para participar de um encontro na cidade do Rio de Janeiro. Os principais jornais vêm mencionando a influência de Gaskin no Brasil.

  Mas, por outro lado, os EUA também servem como referencial negativo, ao influenciar a constituição da obstetrícia brasileira: “O Brasil adotou o modelo americano de assistência ao parto caracterizado pelo processo intervencionista, buscando sua institucionalização, adaptando-se cada vez mais às novas tecnologias, incorporando-as ao grande número de intervenções e apoiando-se no enfoque de risco”.

  Além da teoria, a experiência prática das instrutoras foi sempre acionada durante o curso. Se, por um lado, estas experiências conferiam um caráter concreto à situação discutida, por outro, despertavam certa desconfiança em algumas participantes pelo fato de soarem como idiossincrasias individuais e de não poderem ser generalizadas como práticas recomendáveis. Miriam, uma das participantes mais “caxias”, exigiu a certa altura do curso que cada informação viesse atrelada à sua fonte original – ciência ou experiência pessoal. Com isso, ela alegava ser mais fácil discernir as informações. Vale lembrar que este curso tem como principal objetivo capacitar um novo grupo de profissionais para o mercado de trabalho e, por isso, repassava um conjunto de técnicas, práticas, posturas que deveriam ser adotadas. Apesar desta normatividade, a individualidade era um valor altamente considerado neste meio e, várias vezes, as instrutoras responderam às perguntas das alunas com as seguintes frases: “Cada parto é um parto”, “Cada parturiente é uma parturiente” ou ainda “Cada doula é uma doula”.

3 Natureza e cultura:

  A luta política destas doulas e do movimento pró-humanização em geral se orienta pelas estatísticas sobre cesáreas e os depoimentos que denunciam maus-tratos e alienação das parturientes. Assim, o ideal que norteia o trabalho das doulas é o parto natural, centrado na mulher, minimamente cercado de médicos e tecnologia. Quando necessário, o parto pode ser cirúrgico (cesárea), mas deve contar com procedimentos humanizados.

  Neste caso, a doula trabalha para que a cesariana ganhe traços de humanização. Ela deve dar todo o apoio para a mãe, espantando seus medos e suas inseguranças. E pode, por exemplo, pedir que os médicos diminuam a luz no momento em que o bebê estiver nascendo, que abaixem o pano para que a parturiente consiga vê-lo e que deixem um de seus braços livres para que ela possa tocar seu filho. [...] A doula, portanto, rompe essa frieza (das cesarianas).

  O principal é que estas doulas pretendem positivar o parto. Alegam que o parto era, até pouco tempo atrás, um processo social normal. Hoje, além de um evento patológico circunscrito à seara dos médicos, o parto reúne muitos termos negativos (como “dor”, “contração”, “complicação”, “risco”) que devem, segundo estas doulas, ser transformados ou substituídos.

  Nesta cruzada positivadora, há momentos em que explicações biológicas são priorizadas e outros em que explicações culturais merecem destaque. Para elas, o parto prima pelo desdobramento “normal” da biologia. As doulas querem que músculos, ossos, ligamentos, cartilagens, mucosas funcionem como foram “programadas”. E isto, mesmo que semânticamente contraditório, é o que baseia um parto “humanizado”. Ou seja, humanizar é, justamente, atrelar o ser humano ao que ele tem de mais “natural” – seu arcabouço fisiológico. Mas, em outros momentos, humanizar pode significar completamente o contrário, ou seja, criar condições (tidas como positivas) no ambiente social para que o parto aconteça. Assim, a doula proporciona conforto físico e emocional, para que, só então, o mesmo arcabouço fisiológico relaxe e cumpra seu papel “programado”.

  As doulas demandam que o parto passe do médico à mulher e do bisturi à natureza. Há uma resistência generalizada à tecnologia. Além da operação cesariana, querem ainda dispensar camas, tubos, lâminas de barbear, remédios, etc. Segundo Odent, importante mentor intelectual do movimento, o parto industrializado, fenômeno do século XX, “é uma das formas típicas de nos desviarmos das leis da natureza” e “tornou-se uma linha de montagem”. Neste crescente processo de medicalização, a tecnologia, segundo elas, não só pretende obstaculizar a via normal de parto, como também substituí-la. A humanização, desse modo, seria uma alternativa a duas atitudes biomédicas observadas por estas ativistas: a concepção patológica e pessimista da fisiologia do parto e a superestimação dos riscos inerentes ao parto normal.

  Uma das bases da legitimação desse modelo seria a concepção dualista de natureza/cultura, corpo/mente, feminino/masculino que se expressa através da metáfora, popularizada por Descartes, do corpo-máquina humano, cujo controle e aperfeiçoamento cabe à ciência. Segundo essa concepção, o corpo feminino é considerado inferior ao masculino e é retratado como uma máquina inerentemente defeituosa. O nascimento passa a ser entendido como ato médico e procedimento cirúrgico, cuja finalidade é proteger a mulher e o recém-nascido desse corpo-máquina feminino .

  Na contramão do avanço tecnológico, estas doulas advogam por uma prática artesanal, com base nas mãos, na intuição, na bricolagem de técnicas. O toque, principal atividade concreta da doula, equivaleria a uma das tecnologias mais simples. Humanizar, neste sentido, é cada doula oferecer uma abordagem específica para cada momento do parto de cada mulher, ao invés de submeter todas as mulheres à mesma “rotina de procedimentos” (expressão típica do mundo hospitalar e sempre criticada por estas doulas). Sheila Kitzinger é uma das antropólogas que orientam o movimento neste sentido. Estas doulas não querem somente introduzir o toque em um ambiente altamente tecnologizado, mas, sobretudo um toque mais “humano”, em contraste com o contato físico autoritário e até violento da equipe médica.

  Muito interessante, do ponto de vista antropológico, é como a cultura medeia a natureza, sem que esta perca seus atributos “naturais” que justamente a fazem ser enaltecida. Vejamos um exemplo. Na ocasião da visita de Ina May Gaskin foi noticiado que ela, “nos anos 70, criou uma fazenda no Tennessee, nos EUA, onde ensina a arte de parir naturalmente”. Segundo doulas e ativistas, nos tempos de hoje, tão mediados pela tecnologia, é preciso ensinar as mulheres a como ser “natural”. Ou seja, segundo estas doulas, é preciso reconduzi-las de volta ao “passado”, à “primitividade” e aos “instintos” de sua espécie: “Pela proposta das doulas, a mãe deve dar à luz da forma mais natural possível, como ocorria até o século XVII, antes de ser realizada a primeira cesariana no mundo”. As doulas estão, portanto, socializando os corpos para serem mais naturais, como nos mostra a antropóloga Carmem Susana Tornquist, que encontrou dados muito semelhantes aos aqui apresentados: O empoderamento das mulheres passaria pelo resgate dos poderes e saberes femininos que o processo civilizatório teria eliminado ou submetido. Esses poderes estariam centrados na condição natural, biológica e instintiva da mulher, ou seja, a sua sexualidade, sua capacidade reprodutiva, seu instinto maternal. No entanto, há um reconhecimento de que é preciso aprender a resgatar esses saberes ancestrais, de onde a necessidade da didática do parir e do maternar.

  Afinal, segundo foi notado repetidamente no curso, nas entrevistas e nos manuais:

1. O parto sempre foi um fenômeno natural, sendo programado evolutivamente para acontecer de forma normal;

2. As mulheres sempre estiveram no centro da cena de parto, tanto parindo como ajudando a parir;

3. As parturientes sempre tiveram partos mais fáceis com o apoio de outras mulheres, sejam estas suas parentes, amigas ou vizinhas.

  Este discurso se baseia em experiências e evidências do passado, de outras culturas e de estudos realizados com outras espécies (macacas, vacas, baleias, principalmente). A comparação é sincrônica e diacrônica. Mas o objetivo final é só um – confirmar que, apesar da diversidade cultural entre as mulheres do mundo, o substrato natural é e sempre foi um só. Estas ativistas lançam mão da perspectiva antropológica, mas observo que acionam o discurso cultural apenas de forma instrumental, para descartá-lo em seguida. A diversidade cultural serve para relativizar as práticas biomédicas que lutam para ser hegemônicas, mas nada mais acrescenta uma vez que esta ideia cristalizada de “parto natural” tenha sido alcançada. Naturaliza-se, inclusive, a cultura: "No entanto, essa valorização da diversidade cultural tem sido a base da busca de uma forma natural de parir dos seres humanos, acentuando, de um lado, os aspectos ritualísticos do parto e, de outro, remetendo à categoria do instinto universal, categoria essa que tem um especial valor dentro do ideário. O próprio termo “humanização” reforça uma concepção de ser humano fora da história e liberto da cultura, na qual humanizar é sinônimo de “animalizar”. [...] A humanização contrapõe-se aqui à cultura, vista apenas como constrangimento, e não como condição humana da qual não é possível escapar".

  “Natureza” e “cultura” são categorias utilizadas com frequência por estas doulas.

4 O trabalho das doulas:

  Há vários pré-requisitos para se tornar uma doula. Em geral, a APOIAR e outras ONGs no país listam uma série de características que uma candidata deve reunir. Disponibilidade de tempo (para ficar acordada durante a noite, ficar de plantão, abdicar de compromissos sociais, viagens e férias), ser saudável e fisicamente capaz, ter quem cuide dos filhos, ter o apoio do companheiro e da família, ter outra doula para cobrir emergências, contar com uma forma confiável de transporte, ter feito algum treinamento. É preciso contar com alguma base material para tornar-se uma doula profissional, o que tende a excluir mulheres sem um alto poder aquisitivo.

  E há mais um requisito que carece de consenso entre estas doulas. Durante o curso, as instrutoras asseguraram que é preferível, mas não necessário, que a doula tenha experiência própria com gravidez, parto e maternidade. O importante é que, se for mãe, a experiência de parto tenha sido positiva. Se não for mãe ainda, que a experiência de nascer tenha sido positiva. Se qualquer um dos casos tenha sido negativo, a doula precisa “se resolver” antes de prestar qualquer assistência a gestantes. Isto quer dizer fazer algum tipo de terapia e, sobretudo, não confundir sua experiência com a da parturiente. No trabalho, a doula precisa ser a ponta “racional” e não se desesperar com os problemas enfrentados pela parturiente. Inclusive, lembraram no curso que “qualquer profissional que se conhece bem tende a trabalhar melhor”. O “autoconhecimento” é muito valorizado neste meio.

  Uma participante do curso perguntou se ela poderia ser doula apesar de ser solteira e não ter filhos. A diretora Pilar lhe respondeu: “Toda mulher é mãe pela própria natureza. Toda mulher tem maternidade e instinto materno dentro dela.” Por mais que este movimento se guie por princípios feministas, ao biologizarem o papel materno, infringem, a meu ver, o primeiro e mais crucial deles, qual seja, a dissociação entre natureza e cultura.

  No Brasil, as primeiras doulas atuaram de forma autônoma, experimental e totalmente autodidata. Isto é, apoiaram parturientes que lhes eram próximas (amigas, alunas de ioga, parentes, vizinhas, etc.). Com o tempo e a experiência, esta atividade passou a ser um trabalho remunerado. Hoje, já encontramos doulas em hospitais privados e públicos. Neste último caso, atuam como voluntárias, rotina de trabalho definida em um manual prático recentemente publicado: “Se determinada mulher estiver em trabalho de parto num hospital da rede pública que ofereça este serviço, e nesse momento for plantão de alguma doula, ela vai acompanhar essa parturiente – seu contato se restringirá somente nesse momento”.

  Aquelas doulas há mais tempo no ramo já tendem a contar com este trabalho, como uma importante fonte de seu orçamento mensal. Poucas, no entanto, sobrevivem exclusivamente como doulas. Em geral, complementam essa renda com aulas de ioga, preparação de gestantes, cursos de terapias alternativas ou alguma outra atividade remunerada, como Veronica, por exemplo, que trabalha em tempo integral em uma secretaria estadual de saúde.

  O “pacote básico” oferecido pela doula a uma cliente particular envolve um encontro inicial, o apoio durante o trabalho de parto e um ou dois encontros pós-parto. Marina, por exemplo, cobrava por este pacote R$ 80,00 no início de sua carreira, anos atrás. Hoje ela já cobra, pelo mesmo serviço, R$ 500,00. Segundo me informaram durante o curso, este preço pode variar: tende a ser mais barato o serviço de uma doula menos experiente, que ofereça menos itens no “pacote”, que trabalhe em cidades do interior e que tenha que percorrer distâncias pequenas para chegar até a casa da parturiente ou até o hospital. Algumas destas doulas já experimentaram cobrar por hora de trabalho, mas o resultado não foi positivo. Isto porque a parturiente, preocupada com o preço final do serviço, se esforçava por parir rapidamente. E isso, segundo elas, gerava muita ansiedade e extensão do trabalho de parto, efeito justamente contrário do esperado.

  Pilar sugere que, “como em qualquer outra relação de serviços prestados, é importante que seja feito um contrato ou, pelo menos, um acordo por escrito, entre a doula e a gestante. Até isso representa um avanço nesse ramo do mercado de trabalho.” Elas se espelham na experiência norte-americana. A importação deste regulador provoca polêmica dentro do movimento. Algumas doulas têm manifestado certo constrangimento em introduzir um contrato em uma relação que prioriza “afeto, amor, diálogo, apoio, amizade”, enquanto outras já o têm utilizado.

  O encontro inicial serve para que doula e gestante se conheçam. Neste momento, a doula apresenta as seguintes informações: experiência anterior como doula, método de trabalho, sensibilidade em relação ao parto, experiência própria como mãe, relação com os médicos, contatos para ser alcançada a qualquer hora, orçamento e formas de pagamento. Por sua vez, a gestante (e o marido, se for o caso) explica como ela própria concebe a gravidez, parto e maternidade e o que espera da presença da doula. As autoras Leão e Bastos descrevem as atividades da doula durante o trabalho de parto:

  As atividades de apoio durante o trabalho de parto podem ser classificadas em 4 categorias:

a) Suporte emocional, que consiste em encorajar, tranqüilizar e estar presente continuamente;

b) Medidas de conforto físico, como massagens e compressas frias;

c) Suporte de informações através de orientações, instruções e conselhos;

d) Defesa, que consiste em interpretar os desejos do casal frente aos profissionais do hospital e agir em favor do mesmo.

  Uma doula pode realizar este leque de atividades e ainda incorporar “terapias naturais”, conforme sua especialização, ainda que este sincretismo não tenha uma aceitação consensual entre todas as doulas. E os encontros pós-parto servem para que a doula, por exemplo, possa relembrar à nova mãe o que aconteceu durante o parto, atenuar incômodos do resguardo, ensinar a amamentar. O vínculo estabelecido entre estas duas mulheres é muito forte, segundo as entrevistas, podendo transformar-se em uma amizade posterior. Muitas vezes, a doula é convidada a ser madrinha da criança. A doula contribui, de alguma forma, na socialização desta mulher para o papel de mãe. Um ativista do movimento de humanização do parto descreve o vínculo que se estabelece entre estas mulheres. Fica claro como há uma romantização das idéias de parto, feminilidade e maternidade:

  O encantamento, a vinculação e a gratidão são impressionantes. Existe uma cumplicidade verdadeiramente feminina, algo que soa como “Você me ajudou naquele momento. Você estava lá o tempo todo ao meu lado. Você presenciou meu choro, meu riso, meu medo e minhas lágrimas de alegria. Você me viu parindo meu filho, e este foi um dos momentos mais belos da minha vida. Estamos juntas, num elo de sangue e amor, para sempre.” 

  A doula pode ter um contato prévio com a mulher ou pode conhecê-la já dentro do hospital, como é o caso das doulas voluntárias. O importante, segundo elas, é que, em algum momento anterior ao trabalho de parto, se estabeleça um “vínculo” entre a doula e a mulher. A gestante deve negociar e firmar um “plano de parto”, isto é, um documento com todas as etapas que a equipe médica e a parturiente pretendem – idealmente – cumprir durante o parto. Elas sugerem que o mesmo seja feito anteriormente, evitando assim que seja um motivo de conflito durante o parto. E é a mulher (e, se for o caso, seu marido) quem deve cobrar a execução do plano. A doula não deve “representar” ou “falar pela” parturiente, pois, segundo elas, isto seria inconsistente com os princípios feministas que pautam seu trabalho e incentivaria uma tensão com a equipe médica, o que deve ser evitado ao máximo, como sempre repetiam.

 O corpo é o grande foco do trabalho da doula: toques, massagens, exercícios, banhos, compressas. “A doula pode ser um verdadeiro anestésico durante o trabalho de parto. Ela vai tirar essa conotação de dor do parto, de momento terrível”. Mas observa-se que o corpo é apenas o meio para chegar a um fim bem específico – o “psicológico”, o “afetivo”, o “emocional”: “O importante é o afetivo. As questões anatômicas são secundárias.” Por mais que as doulas estejam dando apoio físico à parturiente, esperam que ela funcione, antes e durante todo o processo, como um “amortecedor afetivo”, metáfora cunhada e amplamente utilizada dentro do movimento. Esperam que ela tenha uma relação positiva com o parto, que aceite bem seu bebê, que seja uma mulher forte, empoderada e bem resolvida em relação ao seu parto e à maternidade.

  Uma doula deve “estar aterrada” ou “estar com os pés no chão”. Assim, por mais que a doula esteja oferecendo apoio emocional, ela deve ser a ponta de racionalidade desta díade, enquanto a parturiente permanece como a ponta de emotividade e entrega. Muitas vezes, ouvi que o trabalho de parto cria um “estado alterado de consciência” e a mulher “fica fora de si”. Por isso a doula deve, ela própria, assumir – e não estimular – a conexão desta mulher com o mundo externo, real e concreto.

  A idéia de “aterrada” é muito interessante, mas também contextual. Só se justifica na díade doula-parturiente. Aqui, a doula é sinônimo de controle e técnica, enquanto à mulher se permite o “descontrole” e ela está, segundo o esperado por estas doulas, mais “perto da natureza”. Mas, na díade médico-doula, aquele concentra o controle e a técnica, enquanto esta busca na natureza as dicas, intuições, inspirações para apoiar a parturiente. A doula precisa observar a mulher e seu corpo para saber o que deve fazer para acelerar as contrações, relaxar uma musculatura, encorajar um empurrão etc. Assim, a racionalidade, tão importante no trabalho da doula, reforce a mesma dualidade do paradigma médico justamente porque, em sua prática, a doula trafega em meio às dicotomias, ora calcada na técnica e na cultura, ora respaldada pela inspiração e a natureza. 

  Esta racionalidade é importante também porque a doula se propõe a ser a fonte de memória sobre o parto. Como a mulher está “alterada” e “focada no parto”, a doula deve ter a capacidade de, não só apoiá-la, como observar todo o contexto, as etapas, os dilemas, os personagens, as anedotas que cercaram o parto. Depois, quando a mulher já voltou para casa, a doula pode lhe fazer uma visita e compartilhar estas histórias com ela.

  Uma doula não é médica, enfermeira, parteira e tampouco acompanhante familiar – “a doula não substitui nem subtrai ninguém”, dizia sempre Pilar. A doula não ajuda a parturiente de forma terapêutica, fisiológica ou psicológica. Ela deve desempenhar papéis não-médicos. O que se propõe é uma atuação “complementar”. Esta recomendação é uma estratégia para contornar uma histórica resistência que equipes médicas desenvolveram em relação à participação de outros atores no cenário do parto. Estas doulas comentaram que geralmente são invisibilizadas pela equipe, que, por exemplo, não as cumprimenta ao entrar na sala de parto, resiste em admitir os efeitos de sua contribuição, não lhes informa o que acontece durante o parto, etc. Mas elas acreditam que esta invisibilidade pode ser conveniente, pois lhes permite trabalhar na cabeceira da parturiente, de forma discreta e eficiente. “[A doula] deverá ficar sempre na retaguarda, nos bastidores do parto”.

  Elas reconhecem, contudo, que sua atuação, mesmo que silenciosa e sutil, vem provocando transformações. No contato prévio com a gestante, a doula exerce, um efeito catalisador. Neste momento, a doula informa à gestante de seus direitos, de tecnologias alternativas de parto, de possíveis riscos da obstetrícia convencional. A parturiente, uma vez “empoderada”, tem todas as condições de questionar os procedimentos do médico. Esta estratégia, então, permite que a doula, ao mesmo tempo, estimule a mulher a emancipar-se e evite o desgaste (da doula) com a equipe médica.

  Além disso, a APOIAR recomenda que a entrada da doula no hospital seja apresentada e negociada pela gestante junto à/ao obstetra, que é quem, de fato, autoriza, perante o hospital, a presença da doula. Com isso, a expectativa é que a doula passe a ser mais um membro da equipe médica. Esta estratégia tem duas implicações importantes. Primeiro, elas são “contagiadas” pela autoridade desta equipe e não precisam explicar sua presença para as autoridades administrativas do hospital. E, por outro, não são confundidas com uma acompanhante da família. Geralmente, os hospitais só permitem a presença de um acompanhante, que tende a ser o marido. Ao ser incluída na equipe, a doula não concorre com o marido por esta vaga.