Introdução a Língua Japonesa

INTRODUÇÃO À LÍNGUA JAPONESA

1 Para aprender japonês, você terá que aprender a aprender.

Repare que poucos brasileiros realmente aprenderam a falar japonês do zero. Os professores de japonês normalmente são nativos da língua, mesmo nascidos no Brasil, mas descendentes que aprenderam a falar japonês em casa, com os pais. Isto significa que algo está errado nos métodos de ensino praticados até o momento.

2 Parte 1: A Escrita Japonesa

A escrita japonesa é fascinante e desperta a curiosidade até mesmo daqueles que não são entusiastas do Japão. Você já deve ter reparado na quantidade de pessoas que buscam escrever símbolos japoneses em tatuagens e adesivos para carro.

Nesta primeira parte, estudaremos em detalhe os sistemas de escrita do japonês. Você entenderá qual a função de cada um dos silabários e como funcionam os ideogramas.

Os silabários fonéticos são relativamente fáceis de aprender e o ideal é que você os domine de vez durante o estudo desta parte.

A escrita japonesa possui três sistemas diferentes: o HIRAGANA, o KATAKANA e o KANJI.

Os três são sempre usados ao mesmo tempo e você entenderá melhor como eles funcionam conforme segue por esta parte. Não é necessário mais do que uma semana para aprender o HIRAGANA, e mais uma semana para aprender o KATAKANA.

Busque através desta parte aprender a reconhecer todo o HIRAGANA e o KATAKANA, e também entender como é que funciona o KANJI. Não é necessário aprender todo o KANJI para seguir aprendendo japonês. Ao chegarmos na parte sobre ele, você entenderá isto melhor.

1. Romaji – A escrita

Se você é fã de coisas provenientes do Japão, como músicas, animes, filmes e cultura tradicional, provavelmente já se deparou com diversas palavras em japonês escritas com o nosso alfabeto.

Exemplos:

a) taiko

b)sushi

c) itadakimasu

d) aishiteru

Os japoneses dão o nome de ローマ字 (roomaji, ou romaji, erroneamente chamado por muitos brasileiros de romanji) ao sistema ocidental de escrita. Na verdade, romaji é nada mais e nada menos do que a palavra em japonês utilizada para se referir ao alfabeto ocidental.

Porém, os não-japoneses, principalmente fãs do Japão, adotaram o termo para se referir a palavras em japonês escritas com o alfabeto romano. Ou seja, podemos dizer que as palavras utilizadas anteriormente como exemplo estão escritas em romaji.

Talvez isto não seja novidade para você, mas este esclarecimento é importante, principalmente pelo fato das informações contidas na internet sobre isto serem muito dispersas.

Agora, uma coisa que a maioria não sabe, é que não existem regras absolutas para escrever em romaji. Não existe correto ou incorreto, existem apenas convenções e costumes, todos criados por não-japoneses.

Vejo muitas pessoas preocupadas em como escrever em romaji corretamente, ou então reprimindo uma pessoa que escreveu diferente da forma mais utilizada. Isto não faz muito sentido, uma vez que romaji é apenas uma transcrição do verdadeiro japonês.

Para exemplificar o que estou dizendo, vamos tomar como exemplo a letra japonesa “か” (estudaremos depois, em mais detalhes, como as letras japonesas funcionam). Esta letra representa um som, e a maneira mais próxima de representarmos este som utilizando o nosso alfabeto, é escrevendo “ka”.

Porém, antes de qualquer coisa, a letra “ か” representa um som, não uma equivalência com a sílaba “ka” do português. O que quero dizer com isso é que eu poderia representar este som da forma que eu quiser, como por exemplo, com “ca” ou “cá”.

Não existe certo ou errado!

Conforme veremos a seguir, cada letra japonesa representa um som, e não um conjunto de letras do português ou outro idioma. Não existe certo ou errado no romaji, você não deve se preocupar com isso.

Agora o ponto mais importante: Se você deseja aprender japonês, você deve abandonar o uso do romaji o quanto antes. Escrever japonês em romaji serve apenas para demonstrar palavras japonesas a pessoas que não sabem japonês e não estão interessadas em aprender. Você, que deseja aprender japonês, deve começar imediatamente a estudar a escrita japonesa, que ao contrário do que muitos dizem, não é difícil e você pode ficar familiarizado com ela rapidamente.

Na prática, ou seja, no Japão, o alfabeto romano é utilizado para siglas, nomes estilizados (tais como de lojas ou de produtos), para marcação etc. Os japoneses sabem ler o alfabeto romano, mas utilizam ou para estes casos citados ou para escrever em outro idioma (normalmente inglês).

3 1. Os sistemas de escrita do japonês

Você provavelmente já viu coisas escritas em japonês e se deparou com diversos símbolos e letras legais. De fato, a escrita japonesa é muito bonita! Além de ser uma ferramenta para comunicação, é também uma arte.

Você já viu símbolos japoneses sendo escritos com o pincel, utilizando uma tinta preta em folhas finas que a absorvem muito bem? Isto é uma arte chamada shodou (書道【しょどう】). Se está a procura de um novo hobby, pesquise mais sobre depois! Entre os leigos, muitos boatos correm soltos sobre a escrita japonesa.

Lembro que quando eu estava no segundo ano do ensino médio, um professor de sociologia disse que cada única letra do japonês significa uma palavra inteira, sendo que para uma pessoa saber 5.000 palavras, ela deve ter memorizado 5.000 símbolos.

Como estudante de japonês, eu sabia que aquilo era um absurdo, mas todo o resto da classe acabou absorvendo uma informação errada e a repassaria por aí, e o pior, justificando com o argumento de que “Foi o meu professor de sociologia quem disse!”. De fato existem algumas palavras compostas por um único símbolo, mas são poucas. Assim como praticamente nenhum nativo japonês sabe 5.000 símbolos, mas provavelmente todos sabem mais do que 5.000 palavras.

O ideal é que você ignore tudo o que já ouviu por parte de leigos sobre o japonês. Guarde suas dúvidas e continue lendo esta sessão do livro, pois os principais pontos serão esclarecidos de forma clara e concisa.

A língua japonesa possui três sistemas de escrita, e antes que você pergunte: Sim, todos são usados ao mesmo tempo.

Na verdade, os três sistemas são complementares, cada um tem a sua função e seu momento para ser usado. Uma pessoa que deseja aprender japonês, precisa aprender os três.

Estes três sistemas não têm relação com as letras maiúsculas ou minúsculas do alfabeto romano, ou da letra de forma e letra cursiva. É uma coisa completamente diferente. Veremos mais detalhes daqui a pouco (reservamos um capítulo para cada um dos sistemas).

Os três sistemas de escrita são:

a) HIRAGANA (ひらがな)

b) KATAKANA (かたかな)

c) KANJI (かんじ)

Além disso, como já falado no capítulo anterior, os japoneses sabem ler o alfabeto romano. Os números também são os mesmos utilizados no ocidente. Vejamos como os três sistemas são utilizados ao mesmo tempo:

Exemplo:

Em roxo, temos o HIRAGANA. Em azul, temos o KANJI. Em laranja, temos o KATAKANA.

O importante aqui é você entender que todos são usados ao mesmo tempo, cada um com a sua devida função. Estas funções veremos em mais detalhes nos próximos capítulos.

Outro ponto importante, é que destes três sistemas, dois deles são fonéticos. Fonético significa que as letras representam sons, exatamente igual ao alfabeto romano. Na verdade, nós estamos acostumados apenas com sistemas de escrita fonéticos.

Os sistemas fonéticos do japonês são o HIRAGANA e o KATAKANA, onde cada letra representa um som. Isto significa que, uma letra de forma isolada, não possui nenhum significado a não ser o som que ela representa.

Tanto o HIRAGANA quanto o KATAKANA possuem 46 letras cada um, onde cada letra representa o equivalente a uma sílaba do português. Há também alguns sons formados através da composição de letras.

Uma tabela com o HIRAGANA e o KATAKANA está anexada a este livro. Você pode imprimi-la e consultar sempre que necessário.

Já o KANJI, é um sistema de escrita ideográfico. Isto significa que cada letra representa uma ideia, um significado. Basicamente, KANJI é significado. Cada KANJI possui um significado, uma ideia agregada. O KANJI é proveniente da China e existem milhares, mas nem todos são utilizados no japonês. Se isto não fizer muito sentido em um primeiro momento, fique tranquilo. Nós realmente não estamos acostumados com o KANJI pois nenhuma língua ocidental utiliza algo do tipo. Deixa comigo que eu farei você entende-lo.

Vejamos agora em mais detalhes cada um dos sistemas.

O HIRAGANA (ひらがな) é o sistema mais básico de escrita do japonês. É o primeiro que as crianças aprendem na escola e com ele é possível escrever todas as palavras do japonês. Apesar de ser possível escrever todas as palavras do japonês com ele, isto não é exatamente o que ocorre na prática. Os outros dois sistemas são amplamente utilizados. Muitos se perguntam: “Mas por que não utilizam apenas o HIRAGANA, já que seria mais fácil aprender? ”.

A resposta é: Porque não. Simples assim, é o que é. A escrita japonesa é como é e dificilmente irá mudar no curto e médio prazo. Para aprender japonês, é necessário aceitar como as coisas são. Aprender o HIRAGANA é fundamental para iniciarmos. Sempre começo os meus cursos através dele, antes de qualquer palavra, antes de qualquer coisa. O HIRAGANA é a base para todo o resto.

O sistema é composto por 46 letras, onde cada letra representa um som, uma sílaba. Não existem vogais ou consoantes, como no português. Cada letra por si só já equivale , uma sílaba.

4 2. Os sistemas de escrita do japonês

Algumas observações em relação a perguntas frequentes:

• A letra し tem o som de “xi”;

• A letra ち, apesar de normalmente ser romanizada como “chi”, tem o som de “ti”;

• A letra を, apesar de romanizada como “wo”, tem som de “o”, igual ao お;

• As letras は, ひ, へ e ほ tem sons de “rá”, “ri”, “rê” e “rô”;

• A letra ふ tem um som intermediário entre “fu” e “ru”;

• O som de nenhuma letra muda no caso dela estar no começo ou no meio da palavra;

• Nenhuma palavra começa com a letra ん.

O HIRAGANA é utilizado para representar foneticamente todas as palavras. Quando você buscar em um dicionário como uma palavra em KANJI deve ser lida, esta representação estará em HIRAGANA. Diversas palavras também são escritas apenas em HIRAGANA.

Exemplo:

A palavra está em KANJI, mas em cima delas, temos sua representação fonética em HIRAGANA. Esta prática (de colocar a leitura em cima dos KANJIS) é chamada de FURIGANA.

Dica: Praticamente todos os mangás possuem FURIGANA em todos os KANJIS. Desta forma, fica fácil ler mesmo sabendo poucos KANJIS, uma ótima oportunidade para melhorar o seu japonês! Leia mangás! Quando você não souber escrever um determinado KANJI, uma maneira de manter a comunicação é escrever em HIRAGANA mesmo. É isto que as crianças fazem. Os próprios adultos deixaram de usar alguns KANJIS por serem difíceis ou demorados demais para escrever.

O HIRAGANA também é utilizado para as partículas. Partículas são letras utilizadas dentro das frases para indicar qual a relação entre as palavras, normalmente entre a palavra e o verbo (explicação mais detalhada sobre partículas em seu respectivo capítulo).

Exemplo:

Os HIRAGANAS destacados são partículas. A partícula で representa com o que ou onde uma ação ocorre, enquanto a partícula へ indica a direção, para um verbo de movimento.

Também é utilizado para flexionar os verbos. A maioria dos verbos possui um radical em KANJI, mas a parte que indica sua flexão vem em HIRAGANA:

Exemplo:

5 3 . Dakuten (濁点) e Handakuten (半濁点)

Existem dois sinais no japonês que servem para modificar o som de algumas letras. Estes sinais servem tanto para o HIRAGANA quanto para o KATAKANA e funcionam para as mesmas letras.

O dakuten é popularmente chamado de tenten (点々), se refere ao sinal ゛, que modifica as letras da seguinte maneira:

Já o handakuten, popularmente conhecido como maru (まる), se refere ao sinal ゜ e é utilizado apenas nas letras は, ひ, ふ, へ, ほ, modificando os sons da seguinte maneira:

Com estes sinais, aumentamos a gamas de fonemas possíveis de se fazer no japonês, mantendo o mesmo número de letras.

Junção de letras

Podemos juntar algumas letras para formar novos sons, como por exemplo:

Na verdade, existe um número limitado de letras onde isto ocorre, além de as junções sempre ser com as letras や, ゆ, e よ.

Perceba que a segunda letra sempre é pequena. De fato, quando você for escrever, esta diferença deve ser visível. O ideal é que a letra pequena tenha aproximadamente 1/4 do tamanho das letras convencionais (apesar de isto nem sempre acontecer em diversas fontes japonesas do computador).

O つ pequeno

Ao inserirmos a letra つ, em tamanho pequeno, entre duas outras letras, é como se a boca cortasse o ar e desse uma pausa antes de continuar a pronunciar a palavra. A melhor forma de compreender este som é ouvindo.

Algumas palavras que utilizam o つ pequeno:

Perceba que ao romanizar, e apenas ao romanizar, a consoante da letra posterior é duplicada. A verdadeira diferença no som que isto causa é um “corte” no ar entre uma sílaba e outra. Aprender que na romanização a consoante é duplicada tem como utilidade escrever em japonês no teclado do computador.

Letras com sons semelhantes

Observando a lista de letras que compõe o HIRAGANA, podemos observar algumas letras que aparentemente possuem o mesmo som, sendo elas:

• お e を

• ず e づ

• じ e ぢ

Vamos resolver logo a questão do primeiro par (お e を): Ambas as letras são lidas da mesma forma, equivalente ao som de “o”, sendo que a segunda (を) é usada apenas como partícula. Explicamos sobre as partículas na sessão apropriada, inclusive o uso desta. O importante aqui é entender que existe uma partícula com o som de “o” que é escrita com a letra を. Apenas por curiosidade, há o costume de romanizar esta letra como “wo” (se você acompanha letras de músicas em japonês romanizadas já deve ter visto).

Quanto aos outros dois casos, realmente o som é o mesmo. Não há uma maneira lógica de saber se uma palavra utiliza uma ou outra, você precisa realmente aprender como escrever a palavra. É o mesmo caso do português, onde temos “ç” e “ss” para representar o mesmo som. Se você ouvir uma nova palavra com este som, e você nunca a viu escrita, é provável que você fique na dúvida se é com “ç” ou com “ss”. Até existe uma regra no português para definir isso, mas praticamente ninguém sabe ou ninguém se lembra dela.

Por isso a importância da leitura: Você deve ler muito para aprender a escrever as palavras corretamente.

A notícia boa é que, para o par ず e づ, podemos dizer que 95% das palavras utilizam ず, e para o par じ e ぢ, 95% das palavras utilizam o じ.

Aprendendo HIRAGANA com músicas

Uma forma muito divertida de fixar o HIRAGANA é escutar músicas em japonês e tentar acompanhar a letra. Originalmente, as músicas são escritas usando todos os sistemas de escrita do japonês.

Conclusão

Se alguém me perguntar: “Qual a PRIMEIRA coisa que devo fazer para aprender japonês?”. A minha resposta será: “Aprenda o HIRAGANA”.

Saber o HIRAGANA é importante para que você pesquise em dicionários, tanto físicos quanto online, as palavras que você ouvir. O HIRAGANA é a base para todo o resto, não há como aprender japonês em um nível funcional sem ao menos saber o HIRAGANA.

Não é difícil! Apesar de ser quase o dobro de letras que usamos no português, o nosso cérebro é plenamente capaz de aprendê-lo rapidamente. Comecei copiando as letras e mentalizando o som de cada uma, ou até mesmo repetindo em voz alta. Procure palavras em HIRAGANA e as escreva várias vezes.

Pratique também a leitura. Entre em websites japoneses e procure pelos HIRAGANAS. Ao encontra-los, tente ler. Sempre que não souber algum, consulte uma tabela. Em pouco tempo você verá que não precisa mais consultar tabela alguma!

6 4. KATAKANA (カタカナ)

O KATAKANA é o outro sistema básico de escrita, que como já vimos, é utilizado paralelamente aos outros dois. Também é composto por 46 letras e incluem as mesmas combinações do HIRAGANA. Todos os sons que existem no HIRAGANA, existem no KATAKANA. A diferença entre ambos está nas situações em que são utilizados.

O caso mais visível de uso para o KATAKANA são as palavras com origem estrangeira, principalmente provenientes do ocidente e da língua inglesa. Repare que não são necessariamente palavras em outro idioma, e sim palavras que foram importadas de outros idiomas e hoje fazem parte da língua japonesa.

Alguns exemplos:

Observando a fonética destas palavras, percebemos a clara semelhança com a fonética da palavra original, porém, estas palavras já foram devidamente incorporadas à língua japonesa e podemos seguramente dizer que são palavras em japonês.

Isso também acontece no português! A maioria das nossas palavras tem origem no latim, mas várias vieram de outros idiomas também, a diferença é que não temos um alfabeto exclusivo para representar estas palavras, por isso poucas vezes pensamos no assunto.

Sinal de prolongamento

No KATAKANA, é muito utilizado um sinal de prolongamento, representado por. Ele serve para prolongar o som da sílaba anterior

Exemplos:

Nome de países e cidades

Nome de países e cidades de fora do Japão quase sempre se encaixam no grupo das palavras de origem estrangeira. O nome de praticamente todos os países são escritos hoje em KATAKANA (as exceções ficam por conta de países que utilizam ou já utilizaram KANJI, como China, Coréia e Taiwan).

Exemplos:

O mesmo vale para o nome das cidades estrangeiras. Para os nomes mais populares, já existe uma convenção de como elas são escritas em japonês.

Exemplos:

Observação: 日本語 significa “língua japonesa”, é lido にほんご (nihongo).

Nomes

O KATAKANA também é utilizado para escrever nomes de pessoas que não possuem o nome em KANJI (japoneses possuem seus nomes em KANJI, chineses também). É importante entender que não há uma regra absoluta de como cada nome ocidental até porque existem milhões devem ser escritos em KATAKANA. Normalmente, e veja bem, normalmente, tenta-se imitar a pronúncia do nome em seu idioma original. Um exemplo de como é comum tentar expressar a pronúncia, é o nome comum na língua inglesa Adrian. Quase sempre, e eu digo quase sempre pois sempre há exceções, é escrito como エイドリアン (E/I/DO/RI/A/N), pois na língua inglesa a letra “A” tem som de “EI”.

Alguns nomes comuns na língua inglesa escritos em KATAKANA:

Para exemplificar a questão de que não há uma regra absoluta, o nome “Lucas”, por exemplo, já vi escrito por aí tanto como ルカス quanto como ルーカス. Ambos estão corretos, não existe certo ou errado. O nome “Roberto” também é muito escrito tanto como ホベルト (preservando a fonética do “Ro”, do português) quanto como ロベルト (preservando a escrita “Ro”, do português). O mesmo vale para “Rafael”, escrito tanto como ハファエル quanto ラファエル.

7 5. Onomatopeias

Onomatopeias são muito usadas no japonês, muito mais do que no português ou no inglês. Elas não servem apenas para representar pela escrita sons da natureza, elas são utilizadas na própria fala, dentro de frases. A maioria delas são escritas em KATAKANA (algumas ainda são escritas em HIRAGANA).

Esteja preparado pois você encontrará sim a mesma onomatopeia sendo usada em KATAKANA por uma pessoa e em HIRAGANA por outra pessoa. Não há regras absolutas para tudo, apenas siga a tendência e mantenha a cabeça aberta.

Existem três tipos de onomatopeias, e eu gostaria de já deixar claro que aprender estes tipos é apenas uma curiosidade. Na prática, aprender apenas as palavras é o suficiente.

GISEIGO (擬声語)

Estas são as onomatopeias são as que representam os sons de pessoas (choro, grito, reação à uma dor) e os sons dos animais (latido, miado, mugido).

Exemplos:

GIONGO (擬音語)

Onomatopeias que representam sons não gerados por pessoas ou animais, e sim sons da natureza, como trovões, explosões, vento, água.

Exemplos:

GITAIGO (擬態語)

Talvez estes sejam os mais difíceis de entender para um brasileiro, pois não tentam imitar um som. Mas como assim? Como uma onomatopeia pode não imitar um som?

Isso mesmo, o GITAIGO faz o contrário: Ele tenta através do som imitar ações ou qualidades, uma espécie de mímica com palavras.

Exemplos:

Conclusão

O KATAKANA é sempre utilizado quando queremos dar mais ênfase ao som de alguma coisa. É comum, por exemplo, em um mangá, caso o autor queira expressar o som que está saindo de um rádio, colocar a transcrição em KATAKANA (mas lembre-se que isto não é uma regra).

Aprenda o KATAKANA após aprender o HIRAGANA. Procure palavras diversas escritas em KATAKANA e copie-as mentalizando o som, ou até mesmo falando em voz alta. É absolutamente normal que demore um pouco mais para dominar o KATAKANA do que o HIRAGANA, pelo simples fato dele ser utilizado um pouco menos.

8 6. KANJI (漢字)

O KANJI é sem dúvida o que gera mais curiosidade, admiração, entusiasmo e dúvidas entre as pessoas que desejam aprender japonês, ou que ao menos pesquisam um pouco sobre a língua para entender como é que ela funciona.

O KANJI é a característica mais marcante do japonês, pois ao observarmos qualquer conteúdo escrito, o que mais vemos são KANJIS. Eles são mais complexos do que os outros sistemas de escrita, além de serem muito bonitos. Mas como eles funcionam? Para que servem? Como aprender KANJI? Tentaremos neste capítulo responder as dúvidas mais comuns feitas pelos estudantes em relação a ele!

O conceito mais importante que você deve entender em relação a KANJI é que cada símbolo representa um significado. Um KANJI é, acima de tudo, um significado representado em forma de desenho, por isso é comumente chamado de ideograma.

É importante frisar que cada KANJI possui apenas um significado, uma única ideia. Ao consultarmos dicionários, é comum vermos várias palavras em português descrevendo-o, mas isto é porque muitas vezes o significado é abrangente demais para ser representado por uma única palavra em outro idioma.

O KANJI teve origem na China (sendo hanzi o seu nome original) por volta do século XIII a.C., onde há registro de símbolos escritos em ossos de animais. Os ideogramas fora evoluindo com o passar dos séculos, paralelamente em diversas regiões, até chegarmos ao que temos hoje.

O número total de ideogramas existentes, principalmente se incluirmos a China, é absolutamente incerto. No Japão, há cerca de 6.000 ideogramas espalhados por toda a literatura, sendo 2.136 deles considerados pelo Ministério da Educação e Cultura como:

KANJIS de uso diário.

Antes que você se assuste com estes números, vou lhe contar um segredo que poucos livros e poucos professores sabem:

Aproximadamente 20% dos 2.136 kanjis compõe 80% do conteúdo escrito em japonês.

Ou seja, conhecendo um bom número de palavras que são escritas com aproximadamente 450 KANJIS, você já adquire um nível de familiaridade com a língua que lhe permite tentar ler revistas, livros e outros materiais escritos. Neste nível, o que você já consegue ler é suficiente para que o número de coisas a pesquisar seja menor, tornando o processo mais prazeroso.

A partir disto, o aprendizado de novos KANJIS se torna um processo automático proporcional ao quanto você se expõe a eles.

KANJIS de Uso Diário (常用漢字)

Em meio a imensidão de KANJIS existentes e espalhados por todo material escrito do Japão, na década de 40 do século XX, o Ministério da Educação e Cultura (文部科学省) do Japão selecionou os ideogramas mais utilizados e os denominou como KANJIS de Uso Diário (常用漢字【じょうよう漢字】).

Isto foi uma tentativa de organizá-los e tornar o ensino mais sistematizado. Praticamente 99% do conteúdo escrito do japonês utilizam apenas estes KANJIS, sendo que nas raras vezes onde um outro caractere aparece, é colocado o furigana (auxílio em HIRAGANA de como a palavra deve ser lida).

Inicialmente, foram selecionados 1945 KANJIS, a serem ensinados parte no ensino fundamental (小学校【しょうがっこう】- 6 anos) e parte no ensino secundário (中学校【ちゅうがっこう】 - 3 anos). No ano de 2010, houve uma reforma, de forma que este número aumentou para 2136 ideogramas. Para estes, há um total de 4388 leituras, sendo 2352 leituras-ON e 2036 leituras-KUN.

Muitos estrangeiros se assustam ao ver estes números. Não é de se espantar, eu mesmo acabei apresentando grandes números de uma só vez e você deve estar pensando que você só saberá japonês após aprender mais de 2000 letras. Não é bem assim. Primeiramente, entenda que não faz sentido medir a quantidade de japonês que você sabe pelo número de KANJIS. Conheço pessoas que estudaram muitos KANJIS mas nem por isso falam japonês bem, assim como conheço pessoas que falam japonês muito bem mas conhecem poucos KANJIS. Eu mesmo não sou um grande fã deles, concentrando meus estudos apenas na leitura e no aprendizado de palavras, não na escrita à mão. Conhecer um KANJI é um conceito relativo.

O que é saber um KANJI?

Você pode saber escrevê-lo e saber suas principais leituras, mas se deparar com uma palavra que o utiliza e ainda por cima com uma leitura não convencional. E então? Assim como você pode saber ler e saber o significado das principais palavras que utilizam um determinado KANJI, mas não sabe escrevê-lo à mão e também não sabe dizer o que ele significa isoladamente. E então?

Aliás, este último caso é muito comum entre os próprios japoneses. Ao perguntar o significado de determinado KANJI, eles se lembram de 3 ou 4 palavras que o utilizam e, através da semelhança entre elas, tentam chutar um significado para o KANJI. Lembre-se que nós, estrangeiros, costumamos dar significados em português (ou outra língua) para os KANJIS. Mas os japoneses não fazem isso. Eles utilizam o próprio japonês e palavras que o utilizam para descrevê-lo.

No Japão, são ensinados durante o ensino fundamental 1006 KANJIS, divididos pelas 6 séries, mas lembre-se que os japoneses estão imersos o tempo inteiro. Entre a infância e a pré-adolescência, um japonês não se limita apenas aos caracteres que são ensinados na escola. Através da vivência, ele já aprende a ler muitos outros símbolos que aparecem em nomes de pessoas, nomes de cidades, palavras na televisão e também dentro do conteúdo escrito que ele consome, como revistas, livros, mangás, catálogos, propaganda etc.

Este número de 1006 KANJIS refere-se apenas ao ensino de formal, aquele ato de o professor desenhá-lo na lousa, ensinar algumas palavras que o utilizam, mandar o aluno praticar e depois cobrar na prova.

O que faz o japonês realmente aprender KANJI não é o ensino deles na escola, e sim a convivência em tempo integral, o uso massivo em praticamente todas as situações do dia-a-dia. Na escola, o japonês aprende os KANJIS mais pela necessidade de ler textos, copiar conteúdo da lousa referente a todas as matérias, escrever redações e resolver exercícios, do que pelo ensino formal do KANJI.

Estes 1006 KANJI são suficientes para deixar uma pessoa com um grau satisfatório de familiaridade com a língua japonesa escrita, permitindo que ela se localize e extraia informações de praticamente qualquer conteúdo escrito. O próprio ato de ler o que é possível ler com este número de KANJI, faz com que novos sejam aprendidos automaticamente.

Mas até agora estamos falando como se os KANJIS de forma isolada significassem alguma coisa. Lembre-se que os KANJIS são usados para escrever palavras, e é saber ler e compreender o significado de palavras que tornará uma pessoa alfabetizada. É muito comum conhecer o significado de todos os KANJIS que compõe uma palavra mas não conhecer a palavra. Em alguns casos, é possível deduzi-lo através do significado de cada ideograma, mas nem sempre isso é possível.

Conhecer e estar familiarizado com KANJI é apenas o primeiro passo para aprender mais e mais palavras. É por isso que eu disse que não se mensura o nível de japonês pelo número de KANJI. Você pode muito bem estudar o significado de todos os KANJI mas conhecer poucas palavras. Claro que, nesta situação, será mais fácil aprendê-las do que se não conhecesse os KANJI, mas mesmo assim, no fim o que importa é o número de palavras que você compreende e sabe usar corretamente através de frases.

Os demais KANJIS são estudados durante o ensino secundário, composto por 3 anos e chamado em japonês de 中学校【ちゅうがっこう】 (não há um equivalente no Brasil.

No Brasil, o ensino fundamental é composto por 9 anos seguidos, enquanto no Japão ele está dividido em duas partes: 6 anos de shougakkou e 3 anos de chuugakkou).

9 7. Leitura ON e leitura KUN

Sendo os KANJIS ideográficos, então eles não são fonéticos. Você não agrupa KANJIS com o objetivo de formar um som que representa uma palavra. Palavras são escritas em KANJI e, dentro de cada palavra, o KANJI tem uma forma de ser lido.

Em todas elas temos o KANJI 日, que significa Sol (e dia, mas Sol representa o dia, lembre-se do que falamos sobre significados abrangentes), mas a leitura sofre variações de palavra para palavra.

Considerando todas as palavras que utilizam um KANJI e todas as maneiras que ele é lido, chegamos a um número de entre 2 a 5 maneiras de se ler um mesmo KANJI. Estas maneiras de se ler um KANJI estão categorizadas em dois grupos: Leitura-ON (音読み) e leitura-KUN (訓読み).

A leitura-ON são as maneiras como o KANJI era pronunciado no chinês quando foram incorporados ao japonês. Isto não significa que estas leituras são exatamente como os KANJIS são lidos no chinês hoje.

Os KANJIS não foram importados para o Japão todos de uma só vez. Lembre-se que estamos falando de vários séculos atrás, sem toda essa tecnologia da informação que possuímos hoje. Com isso, um mesmo KANJI chegou a ser importado repetidas vezes, para diferentes regiões e em diferentes épocas, por isso quase todos acabaram possuindo mais de uma leitura-ON.

Sempre que falamos em “o Japão importou os KANJIS da China” as pessoas tendem a achar que isto foi um processo sistêmico onde pegou-se as letras chinesas e adaptou ao japonês. Não é bem isso, os KANJIS vieram atrelados às palavras. Milhares de palavras do chinês foram incorporadas ao japonês, e a maneira como cada KANJI era lido dentro destas palavras é que chamamos de leitura-ON. O ato de separar as leituras e classificá-las foi algo feito muito posteriormente, para facilitar o estudo e a compreensão da língua.

Geralmente, e quando eu digo geralmente é para que você realmente entenda que não é uma regra absoluta, havendo muitas exceções, a leitura-ON é utilizada em palavras compostas por mais de um KANJI, sem que haja nenhum HIRAGANA acoplado. Geralmente (mais uma vez), estas palavras tiveram origem no chinês, e foi através delas que o KANJI foi importado.

Algumas palavras onde os KANJIS são lidos com leitura-ON:

Estas palavras compostas são chamadas de jukugo (熟語). Falamos sobre eles ainda neste capítulo.

Já a leitura-KUN é a leitura japonesa do KANJI. Bom, entenda o seguinte: Antes dos japoneses desenvolverem uma forma de escrita, eles já falavam, já havia palavras para representar as coisas. Quando o sistema de escrita chinês começou a aparecer no país (que não podia ser chamado de país, ainda, na época), aos poucos os japoneses foram associando palavras do japonês aos KANJIS chineses de significado semelhante. Assim, formas de leitura originais da própria língua japonesa foram atreladas ao KANJI.

Algumas palavras onde os KANJIS são lidos com leitura-KUN:

10 8. Jukugo (熟語)

Exemplos:

Normalmente é fácil decifrar o significado de um jukugo uma vez que você conheça o significado de cada KANJI, mas os japoneses só param para fazer isso quando realmente não conhecem a palavra. Na vida prática, ou você conhece, ou você não conhece a palavra. Quando você conhece uma palavra, você lê da mesma forma que no português: Passa o olho e automaticamente vem em sua mente o som e o significado (ou você analisa letra por letra sempre?). Quando você não conhece uma palavra, você para, lê com calma e, caso não a aprenda automaticamente pelo contexto da sentença, pode procurar em um dicionário ou perguntar para alguém.

Aproximadamente 50% das palavras da língua japonesa são compostas por jukugo. Em alguns casos, há tanto um jukugo quanto uma palavra convencional para o mesmo termo, caso em que podemos dizer que são sinônimos.

Aprender palavras em jukugo é uma das formas mais eficientes de se aprender a leitura dos KANJIS. Aprendendo e estudando jukugos (que nada são mais do que palavras), você aprende palavras que podem imediatamente ser utilizadas ou compreendidas, na língua japonesa, e também aprende automaticamente as leituras dos KANJIS que os compõe.

Elementos e Radicais (部首)

Se você já observou os KANJIS detalhadamente, deve ter percebido que várias partes se repetem em vários ideogramas diferentes. Caso não tenha percebido, falaremos sobre isso agora.

Para começarmos, veja os exemplos abaixo:

Repare que os cinco ideogramas acima possuem um elemento em comum. No caso, o símbolo 寺, que de forma isolada também é um kanji, aparece como elemento em comum nos demais.

O próprio 寺 também é composto por elementos ainda mais simples, veja:

Ou seja, o kanji 寺 é formado pelo kanji 土 (na parte de cima) e pelo kanji 寸 na parte de baixo. Com isso, você pode ver que os kanjis não são apenas traços aleatórios, eles são formados por um número limitado de elementos que se repetem várias vezes.

Os elementos podem facilitar o seu aprendizado!

Conforme você ficar mais familiarizado com os ideogramas, você passará a prestar atenção nos elementos que os formam, e não mais em traços isolados. O conhecimento desses elementos lhe ajuda a lembrar do kanji, assim como permite fazer associações para lembrar de seu significado.

Abaixo, temos um dos exemplos mais clássicos:

Repare que o kanji 木 aparece como um elemento dos kanjis 林 e 森. Você pode usar a sua imaginação para criar associações que lhe ajudem a lembrar do significado, por exemplo:

• Um bosque é formado por algumas árvores: 林

• Uma floresta é formada por muitas árvores: 森

Praticamente todos os ideogramas seguem esta ideia. Veja mais alguns exemplos que utilizam o elemento 木:

Como a mistura de árvore com mesa pode resultar em uma escrivaninha? Use a sua imaginação!

Vamos aprender agora sobre os radicais. Veja os KANJIs abaixo:

Repare que estes quatro ideogramas possuem um elemento em comum, que são os três tracinhos que aparecem no lado esquerdo. Isto é um radical, que se chama さんずい (sanzui) e tem o significado de “água”. Agora, você consegue perceber que o significado de todos estes KANJIs, de uma forma ou de outra tem alguma relação com água?

Ou seja, conhecer o radical e os elementos te ajuda tanto a enxergar os ideogramas de forma mais estruturada, quanto permite que você utilize o significado de cada elemento para, unido com a sua imaginação, lembrar mais facilmente do significado do kanji.

Os radicais são elementos de um KANJIS que indicam a sua natureza geral. Todo KANJIS possui radicais, que podem dar dicas de qual o significado do KANJI ou até mesmo da pronúncia (muitos KANJIS com o mesmo radical possuem a mesma leitura-ON, mas mais uma vez, isto não é uma regra absoluta).

Muitos dicionários, inclusive, organizam os KANJIS pelo seu radical. Alguns dicionários eletrônicos também lhe dão a opção de selecionar o radical e os outros elementos que aparecem no ideograma para que a busca seja realizada. Existe um total de 214 radicais. Todos os KANJIS são formados pela união de alguns destes radicais, sendo que alguns deles por si só são também um KANJI.

Cada radical possui um nome e um significado, mas nem sempre você encontrará uma explicação lógica para a união destes radicais. Também não é necessário aprender o nome de todos, nem os japoneses costumam saber. Os radicais sempre aparecem dentro de uma das sete posições abaixo. Você não precisa memorizar o nome em japonês de cada posição, estamos colocando aqui apenas como forma de curiosidade.

O conhecimento dos radicais pode ser muito útil para estudantes estrangeiros, pois você pode usar uma prática de mnemônica para memorizar os KANJIS. Você pode criar relações entre o significado dos radicais e histórias que as levem ao significado do KANJI.