Mitos

NOÇÕES BÁSICAS EM IMUNIZAÇÃO

1 Mitos:

O mercúrio presente nas vacinas causa autismo:

MITO. O mercúrio é um dos componentes do timerosal, o conservante mais utilizado em vacinas multidoses. Ele é empregado desde 1930 em concentrações muito baixas e os estudos mostram que não há risco para a saúde, pois é expelido rapidamente do organismo.

Em 1998, foi publicado um artigo em que o autor afirmava ter encontrado relação entre a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. Mais tarde, descobriu-se que ele havia recebido pagamento de escritórios de advocacia envolvidos com processos de indenização contra indústrias farmacêuticas. O autor foi criminalmente responsabilizado, teve o registro médico cassado e o artigo foi retirado dos arquivos da revista Lancet, onde fora publicado.

Inúmeros estudos sérios têm sido conduzidos para verificar a relação entre a vacina e a doença e nenhum encontrou qualquer evidência. Um dos maiores foi divulgado em 2015 e avaliou 95.727 crianças nos Estados Unidos, entre 2001 e 2012. A análise dos dados mostrou que a vacinação com uma ou duas doses da tríplice viral não estava associada com um risco aumentado de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em qualquer idade.

 

Vacinas causam desmaios:

MITO. Os desmaios (ou síncopes) estão associados ao medo de agulha, de sentir dor, à ansiedade. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), ainda não se sabe com que frequência eles ocorrem após a vacinação, entretanto, os dados do Sistema de Notificação de Eventos Adversos Pós-vacinação mostram que a reação é mais comum entre os adolescentes. De janeiro de 2005 a julho de 2007, 62% das notificações de sincope nos Estados Unidos foram registradas em adolescentes com idade entre 11 e 18 anos.

 

Vacinas causam esclerose múltipla:

MITO. A esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central caracterizada pela destruição da membrana que protege os neurônios. Segundo o Center for Disease Control (CDC), não há evidências científicas que comprovem a relação entre a vacinação e o desenvolvimento dessa doença.

 

Vacina da gripe causa gripe:

MITO. A vacina da gripe usa vírus inativado (morto) em sua composição, portanto, NÃO é possível que provoque a doença. É importante destacar que a função da vacina é prevenir. Sendo assim, se a pessoa que foi vacinada já estiver infectada, vai desenvolver a doença. Por essa razão é tão importante se vacinar antes do início da temporada da gripe. Os eventos adversos mais comuns após essa vacinação são: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação. Febre baixa, dor de cabeça e muscular também podem acontecer.

 

Gestantes não devem tomar vacinas:

MITO. Algumas vacinas, como a da gripe, da hepatite B e da difteria, tétano e coqueluche são especialmente indicadas a gestantes, para a proteção delas e também do feto e do bebê após o nascimento. A aplicação de outras vacinas inativadas deve ser avaliada pelo médico, considerando cada caso (riscos individuais, moradia em região endêmica para determinadas doenças, ocorrência de epidemias, etc.). As vacinas atenuadas (febre amarela, tríplice viral, varicela, herpes zóster) em geral estão contraindicadas. É importante lembrar que a gestante deve sempre consultar seu obstetra antes de se vacinar.

 

A mulher que está amamentando não deve receber vacinas:

MITO. A vacinação não está contraindicada nessa fase, portanto, pode ser feita normalmente. Aliás, é desejável que ocorra, para evitar que a mãe transmita vírus ou bactérias ao seu bebê. A única exceção é a febre amarela, cuja vacinação deve ser evitada nos primeiros seis meses de vida do bebê, exceto para mulheres que vivem em áreas de risco. Neste caso, a amamentação deve ser suspensa por 15 a 30 dias.

 

Tomar mais de uma vacina ao mesmo tempo é prejudicial para o sistema imunológico:

MITO. A segurança da aplicação simultânea de vacinas e/ou de vacinas combinadas (contra mais de uma doença) é comprovada cientificamente e não sobrecarrega o sistema imunológico. Para se ter uma ideia, durante um resfriado ou uma dor de garganta, uma criança é exposta a quantidade maior de germes do que quando recebe vacinações. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a vantagem da aplicação simultânea é diminuir as visitas à clínica de vacinação ou Unidade Básica de Saúde, o que reduz gastos — com transporte, por exemplo — e facilita a adesão, uma vez que aumenta a chance de completar o esquema vacinal.

 

2 Perguntas e Respostas:

O que são vacinas e como agem no organismo?

As vacinas são o meio mais seguro e eficaz de nos protegermos contra certas doenças infecciosas, e são obtidas a partir de partículas do próprio agente agressor, sempre na forma atenuada (enfraquecida) ou inativada (morta).

Quando nosso organismo é atacado por um vírus ou bactéria, nosso sistema imunológico — de defesa — dispara uma reação em cadeia com o objetivo de frear a ação desses agentes estranhos. Infelizmente, nem sempre essa ‘operação’ é bem-sucedida e, quando isso ocorre, ficamos doentes.

O que as vacinas fazem é se passarem por agentes infecciosos de forma a estimular a produção de nossas defesas, por meio de anticorpos específicos contra o “inimigo”. Assim, elas ensinam o nosso organismo a se defender de forma eficaz. Aí, quando o ataque de verdade acontece, a defesa é reativada por meio da memória do sistema imunológico. É isso que vai fazer com que a ação inimiga seja muito limitada ou, como acontece na maioria das vezes, totalmente eliminada, antes que a doença se instale.

 

Todos nós reagimos da mesma forma às vacinas?

A vacinação é uma imunização ativa, isso é, depende da resposta do sistema imunológico de cada indivíduo. A grande maioria das pessoas saudáveis responde adequadamente à vacina, mas uma minoria pode não ficar protegida. Em geral, quanto mais jovem, melhor é resposta do sistema imunológico. Já as pessoas com doenças crônicas ou imunodeprimidas tendem a apresentar uma resposta menos eficiente. Além disso, pessoas imunodeprimidas e gestantes (pelo risco de infecção do feto) não podem receber vacinas vivas atenuadas, devido ao risco teórico de desenvolverem a doença.

 

Algumas doenças só acontecem uma vez. A catapora, por exemplo: quem ‘ pega ’ , nunca mais vai ter catapora. As vacinas também protegem tanto assim?

Nem toda doença gera proteção para sempre. O mesmo ocorre com as vacinas. Algumas geram proteção para a vida toda, como as vacinas hepatite A, sarampo, caxumba e hepatite B, por exemplo. Outras vacinas necessitam de doses periódicas de reforço — como a difteria, o tétano e a coqueluche. Mas toda doença infectocontagiosa, mesmo as que geram proteção permanente, oferece risco de complicações que podem deixar sequelas e levar algumas pessoas a necessitarem de internação, com possibilidade de óbito. Esse risco as vacinas não oferecem.

 

Já que doenças como a catapora são leves, por que vacinar? Não é melhor deixar a doença se instalar?

Não. Todas as doenças infecciosas preveníveis por vacinas são potencialmente graves, com registro de hospitalizações, sequelas ou óbitos, mesmo a catapora. Também chamada de varicela, a catapora pode acometer qualquer pessoa não vacinada, e o risco de ocorrer a forma mais grave da doença aumenta com a idade, inclusive com possibilidade de hospitalização e complicações no sistema respiratório e neurológico, pneumonia e infecções de pele, entre outras. E mais: a doença requer afastamento das atividades cotidianas, para evitar a transmissão, o que, para jovens e adultos, pode significar perda de oportunidades preciosas. Há ainda outra questão: quem contrai catapora tem grande chance de desenvolver herpes zóster, principalmente após os 60 anos. Essa doença é causada pelo mesmo vírus — o varicela zóster — e provoca dor, em alguns casos incapacitante, e muito desconforto. Portanto, a falta da proteção oferecida pela vacina não deve ser considerada uma boa opção, seja para crianças, adolescentes ou adultos.

 

Conheço crianças que não tomaram vacinas e não adoecem. Por que devo, então, vacinar meus filhos?

Felizmente, muitas doenças, inclusive as graves, não acometem 100% dos indivíduos graças exatamente às vacinas. Isso porque quanto maior o número de pessoas vacinadas em uma comunidade, menor a chance das não vacinadas adoecerem. Contudo, é muito difícil — ou praticamente impossível — prever quem adoecerá e, principalmente, quem desenvolverá as formas mais graves das doenças. Portanto, vacinar é como um seguro, é proteção!

 

Tem doença que quase não acontece mais. Então, por que é preciso vacinar?

A continuidade da vacinação é importante exatamente para mantermos o status de controle ou erradicação de determinada doença em uma região. O mundo é imenso, mas as distâncias estão cada vez mais curtas devido às facilidades de deslocamento, e isso possibilita a circulação de agentes infecciosos até mesmo de um país para o outro, criando oportunidades para a reintrodução de antigas ameaças. Um exemplo é a poliomielite (paralisia infantil). Essa doença foi erradicada do Brasil na década de 1990 e, para que ela não seja reintroduzida, é preciso continuar vacinando as crianças.

 

Como posso ter certeza de que as vacinas são seguras?

Foi por meio das vacinas que conseguimos erradicar a varíola e controlar diversas doenças, como a poliomielite (paralisia infantil), o sarampo, a coqueluche e a difteria, entre outras. Isso comprova a eficácia das vacinas em promover proteção com segurança. Eventuais reações, como febre e dor local, podem ocorrer após a aplicação de uma vacina, mas os benefícios da imunização são muito maiores que os riscos dessas reações temporárias. É importante saber também que toda vacina licenciada para uso passou antes por diversas fases de avaliação, desde os processos iniciais de desenvolvimento até a produção e a fase final que é a aplicação, garantindo assim sua segurança. Além disso, elas são avaliadas e aprovadas por institutos reguladores muito rígidos e independentes. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde (MS). E não é só isso. A vigilância de eventos adversos continua acontecendo depois que a vacina é licenciada. Isso possibilita continuar monitorando a segurança do produto.

 

Vacina causa autismo e outros problemas do sistema nervoso? Como posso ter certeza de que as vacinas não causarão problemas no longo prazo?

As vacinas não causam autismo. Um estudo realizado entre 2001 e 2012, com mais de 95 mil crianças, demonstrou que não existe relação entre vacina e esse transtorno do desenvolvimento. Os resultados foram publicados na revista JAMA, da Associação Médica Americana. Mas existem vários outros estudos que também reforçam a importância e a segurança das vacinas.

 

Mas as vacinas contêm mercúrio, não? Quais os problemas que o mercúrio pode causar?

O mercúrio é usado como conservante, sempre em pequenas quantidades, nos frascos que contêm várias doses de vacinas. O objetivo é evitar a contaminação por fungos, bactérias e outros microrganismos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a utilização desse conservante por considerar o mercúrio seguro e não cumulativo, já que o organismo o elimina rapidamente após a aplicação da vacina. A título de curiosidade, a principal fonte de intoxicação de humanos por mercúrio são os peixes contaminados devido ao uso do metal na mineração.

 

O que é a lactose, componente que aparece na formulação de algumas vacinas?

É o açúcar contido no leite e seus derivados. Pessoas que têm deficiência da enzima que digere este açúcar apresentam “intolerância à lactose”, o que pode provocar diarreia, vômitos e inchaço abdominal. Isso é diferente de alergia ao leite, condição em que a proteína (e não a lactose) contida no alimento e seus derivados é capaz de desencadear reações alérgicas que podem ser tão graves quanto a anafilaxia

É importante saber que a lactose presente em algumas vacinas não é capaz de causar os sintomas da inerrância, já que não é ingerida e, portanto, não precisa ser digerida.

 

A aplicação de muitas vacinas em um mesmo dia faz mal? Pode sobrecarregar o sistema imunológico?

Não. A aplicação conjunta de vacinas apropriadas para esse tipo de procedimento não implica risco para a saúde. Nosso organismo está preparado para responder de forma adequada, ou seja, para produzir os anticorpos que serão estimulados pelas vacinas.

 

A amamentação não consegue sozinha proteger o bebê?

Não de forma ampla e prolongada. A amamentação pode oferecer proteção direta por meio da transferência de anticorpos através do leite materno (desde que a mãe os tenha). Entretanto, essa proteção é temporária e limitada. Como nos primeiros meses de vida o organismo do bebê já tem condições de responder aos estímulos das vacinas, produzindo anticorpos específicos contra diversas doenças, é de fundamental importância vacinar, para que seu organismo desenvolva proteção de forma mais consistente e prolongada.

 

O que é a imunidade natural do bebê e quanto tempo dura a proteção dos anticorpos que a mãe passa para ele?

O bebê nasce com o sistema imunológico imaturo. A produção de anticorpos e outros mecanismos de defesa contra agentes agressores da sua saúde vai ocorrer ao longo de seu desenvolvimento. Embora os anticorpos maternos transferidos via cordão umbilical ou leite materno possam proteger o bebê, essa proteção é variável, temporária e dependente de fatores como a imunidade natural da mãe e as vacinações que ela tenha recebido, variando também para cada doença que o bebê possa adquirir. Portanto, a proteção será mais duradoura e específica na medida em que o organismo do bebê produza os próprios anticorpos.

 

Por que iniciar a vacinação de crianças tão cedo?

As crianças pequenas são as mais suscetíveis às doenças, uma vez que suas defesas imunológicas ainda não estão bem formadas. Logo, quanto mais cedo for iniciada a vacinação, mais cedo elas ficarão protegidas. O índice de mortalidade infantil caiu 77% no Brasil em 22 anos e as vacinas estão entre os recursos que mais contribuíram para esse resultado.

 

Por que são necessárias tantas doses de uma mesma vacina no primeiro ano de vida?

Ao nascer, o bebê traz no sangue muitos anticorpos da mãe, transferidos durante a gravidez. Eles são importantes para a proteção enquanto o bebê não produz seus próprios anticorpos, contudo, os anticorpos herdados podem diminuir a efetividade das vacinas. Daí a necessidade de várias doses no primeiro ano de vida. Além disso, a imaturidade do sistema imunológico da criança requer mais doses de vacinas para se obter uma boa resposta.

 

Já que meu bebê só fica em casa, posso começar a vaciná-lo mais tarde ou só quando ele for para escola?

Não espere. Você deve vaciná-lo nas idades descritas no calendário de vacinação, por várias razões: o bebê recebe, via placenta, alguns anticorpos da mãe, dependendo das doenças que ela já teve. Com o passar dos meses, a concentração desses anticorpos diminui, o que torna ainda mais relevante a vacinação para que ele fique protegido. Ademais, algumas doenças não fornecem anticorpos suficientes para serem transferidos ao bebê, que fica suscetível desde o nascimento.

É importante saber também que os calendários de vacinação baseiam-se em estudos que mostram as idades em que os bebês passam a estar mais suscetíveis a determinadas doenças. Um exemplo é a vacina que protege do sarampo: ela só é indicada após 1 ano de vida, porque até essa idade os bebês ficam protegidos pelos anticorpos maternos. O mesmo não acontece, por exemplo, com doenças como poliomielite, difteria, coqueluche, meningites e pneumonias. Por essa razão tais vacinas devem ser aplicadas o mais precocemente possível.

Vale destacar que o fato de a criança não ir à escola não reduz a zero o risco de adoecimento, pois os pais, avós, tios, babá, irmãos mais velhos, primos, entre outros, carregam na garganta vírus e bactérias que podem ser transmitidos, mesmo que eles não estejam doentes.

 

Posso espaçar ou atrasar algumas vacinas para meu bebê não tomar tantas em um único dia?

Pode, porém sempre com orientação médica. O calendário é uma forma de organizar as vacinas por doses e faixas etárias preconizadas, o que não impede uma pequena variação. Você deve respeitar o número de doses para a faixa etária e o intervalo mínimo entre elas e prestar muita atenção ao prazo limite para aplicação de cada uma. A vacina só confere a proteção prevista quando todas as doses são aplicadas na quantidade e prazos determinados na bula.

 

Se eu precisar comprovar que fui vacinado, mas não tiver a caderneta de vacinação, ou se eu não souber se já tomei determinada vacina, posso me vacinar novamente? Tomar doses a mais da mesma vacina causa algum mal?

O recomendado é refazer a vacinação. Não há problema em repetir doses, mas é importante evitar aplicações em um curto período de tempo, para prevenir a ocorrência de eventos adversos (complicações indesejadas).

 

Se eu esquecer de tomar alguma dose de vacina durante muito tempo, preciso recomeçar do zero o esquema de aplicação?

Não é necessário. O lema da vacinação é “dose dada não é dose perdida”. Se foi feita uma dose há muito tempo, você deve continuar o esquema respeitando o intervalo entre as próximas doses. Por exemplo: para se proteger da hepatite B são necessárias três doses. Se foi feita apenas a primeira, você deve completar o esquema recebendo as duas doses restantes, independentemente do tempo transcorrido. Portanto, independentemente do tempo entre uma dose e outra, retoma-se o esquema vacinal a partir do momento que o mesmo foi interrompido.

 

Existe alguma vacina que não pode ser tomada junto com outra? Por quê?

Sim. Há casos em que a aplicação conjunta pode gerar interferência na eficácia de uma ou de ambas as vacinas. Um exemplo são as vacinas febre amarela e sarampo, que preferencialmente devem ser aplicadas com um intervalo de 30 dias, exceto se o risco para as duas doenças for grande — no caso de viagem para área onde haja ocorrência de ambas, por exemplo. Diante dessa situação, solicite que seu médico avalie o risco-benefício, ou seja, se é melhor garantir algum nível de proteção do que nenhum.

 

O que são vacinas combinadas?

As vacinas combinadas são aquelas que oferecem proteção para mais de uma doença com a aplicação de uma única injeção. São exemplos: a tetraviral, que protege do sarampo, caxumba, rubéola e varicela; a penta bacteriana acelular, que oferece proteção para a poliomielite, difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus; a hepatite A e B, que protege das duas hepatites; a hexa acelular, contra poliomielite, difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus e hepatite B; a tríplice viral, que protege do sarampo, da caxumba e da rubéola; a tríplice bacteriana, contra difteria, tétano e coqueluche, entre outras.

 

Por que tem vacina que precisa ser tomada durante toda a vida e tem vacina que não?

Porque algumas vacinas não geram proteção permanente, necessitando doses de reforço ao longo da vida para que os anticorpos — agentes de defesa — continuem em níveis adequados.

 

O que aconteceria se todas as pessoas parassem de tomar vacinas?

Em uma situação como essa, toda a população ficaria vulnerável (suscetível) a doenças que hoje são prevenidas por vacinas. Em alguns países da Europa, onde uma parcela da população não tem sido vacinada contra sarampo e rubéola nos últimos anos, está ocorrendo o ressurgimento destas doenças com importantes e nocivas consequências à Saúde Pública (surtos, gastos com tratamento e internações e até mesmo a morte).

 

Por que nem todas as vacinas são gratuitas?

É impossível a qualquer governo — mesmo dos países mais ricos — oferecer gratuitamente todas as vacinas existentes, seja por questões econômicas ou de produção (abastecimento). Além disso, é preciso garantir o fornecimento contínuo da vacina de modo a alcançar as metas de cobertura vacinal (número de pessoas protegidas), o que em um país de dimensões continentais, como o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, não é tarefa fácil.

 

3 Perguntas e Respostas Parte 2:

Diante dessa realidade, os governos realizam estudos de custoefetividade e custo-benefício para identificar quais vacinas representam maior impacto do ponto de vista da Saúde Pública e qual é a parcela da população que mais adoece com risco aumentado de gravidade. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi implantado em 1973 e é considerado um dos melhores no mundo. O calendário básico infantil do SUS oferece 12 vacinas, as quais previnem mais de 20 doenças. As demais vacinas licenciadas pelo Ministério da Saúde (MS) para uso no Brasil e disponíveis nas clínicas privadas de vacinação são igualmente importantes e devem ser consideradas na proteção de cada indivíduo.

A partir desse esforço conjunto entre o público e o privado é que conseguiremos alcançar taxas cada vez mais altas de prevenção de doenças infectocontagiosas.

 

O que é Síndrome de Guillain-Barré (SGB)?

A SBG é caracterizada por alterações no sistema nervoso — principalmente dos nervos periféricos — em decorrência de agressões pelo sistema imunológico, o que provoca fraqueza muscular e por vezes paralisia. Os sintomas podem durar algumas semanas ou vários meses. A maioria das pessoas se recupera totalmente, mas algumas ficam com sequelas motoras. Nos Estados Unidos, onde é realizada uma vigilância efetiva das síndromes neurológicas, são registrados de 3 mil a 6 mil casos por ano. Qualquer pessoa pode ser acometida por essa síndrome, mas o risco para quem tem mais de 50 anos é de duas a três vezes maior do que para os mais jovens.

 

Quais as causas da Síndrome de Guillain-Barré (SGB)?

Apesar de o fator desencadeante da SGB ser ainda desconhecido, em cerca de dois terços das pessoas que desenvolvem a síndrome os sintomas surgem dias ou semanas após a ocorrência de infecções diarreicas ou respiratórias. A que mais comumente precede a SGB é a diarreia causada pela bactéria Campylobacter jejuni. Ela também pode ocorrer após a gripe e outras infecções, como as que são causadas pelo vírus de Epstein Barr, por exemplo, mas esses casos são bem mais raros.

 

As vacinas podem causar a Síndrome de Guillain-Barré (SGB)?

São raros os casos em que a SGB ocorreu dias ou semanas após a aplicação de vacinas como a que previne do tétano e da gripe (influenza). Desde 1976, muitos estudos têm sido realizados, mas até hoje não foi estabelecida relação de causa entre a síndrome e as vacinas, apenas coincidência temporal entre a vacinação e o posterior aparecimento de sintomas da SGB. O que se sabe de fato é que a chance de uma pessoa desenvolver SGB em decorrência da infecção pelo vírus da gripe (influenza), por exemplo, é muito maior do que pela vacina que protege da doença.

 

Todas as informações que circulam na internet sobre vacinas são seguras?

Infelizmente, não. A internet nos oferece um universo de possibilidades, com acesso a conteúdos produzidos em todo o mundo, mas nem tudo é sério, nem tudo é confiável. A disseminação de informações de forma precipitada, não conclusiva, não consolidada, é constante e pode causar grandes impactos, principalmente quando envolve equívocos. Na área da Saúde, alguns pontos básicos devem ser considerados ao se consultar informações na rede:

• Priorizar a busca em sites de órgãos oficiais.

• Acessar informações de sociedades científicas, instituições tradicionais de competência e seriedade reconhecidas.

• Sempre consultar mais de uma fonte de informação.

• Em casos polêmicos, aprofundar o conhecimento dos argumentos de todas as partes envolvidas, buscando identificar os possíveis conflitos de interesses.

• Identificar se o conteúdo oferece referências das fontes de informação, se segue os padrões científicos baseados em evidência.

 

Os argumentos utilizados por grupos ‘ antivacinas ’ estão corretos?

Não, não estão, e é fácil identificar isso. Observe: graças às vacinas, a chance de você conhecer alguém que tenha contraído paralisia infantil (poliomielite) é quase zero. As vacinas também foram responsáveis pela erradicação da varíola em todo o planeta, e da rubéola nas Américas; e pelo controle do sarampo, da difteria e do tétano (inclusive neonatal), apenas para citar alguns exemplos. Elas também possibilitaram enorme redução no número de casos de meningites causadas por bactéria.

Outro efeito produzido pelas vacinas é a redução na mortalidade, não apenas de crianças, mas também de adultos e idosos, o que tem impactado positivamente a qualidade e a expectativa de vida. Calculase que as vacinas, por si, tenham aumentado a média de vida, nos últimos dois séculos, em cerca de 30 anos. Em breve teremos vacinas para dengue e malária e, em um intervalo de tempo um pouco mais longo, para Aids. É impossível fechar os olhos a essas conquistas!

 

Se todos os amigos de meu filho são vacinados, ele não fica protegido por imunidade de rebanho? Por que, então, eu preciso colocar meu filho em risco de ter reações, se todas as crianças com quem ele convive estão vacinadas?

Em primeiro lugar, seria um ato extremamente egoísta deixar para as outras crianças o risco de reação para a proteção de rebanho de seu filho. Em segundo lugar, essa proteção não será completa. Com o passar dos anos, havendo acúmulo de não vacinados, é bem possível a ocorrência de um surto entre eles quando da introdução, em seu ambiente, de doença para a qual não estão protegidos.

 

Quando leio as bulas das vacinas, encontro substâncias que não sei para que servem, com nomes estranhos. Algumas são tóxicas? Como posso ter certeza de que são seguras?

Em geral, a bula de qualquer medicamento ou vacina deve explicitar a possível toxicidade de alguma substância nele contida. Seu médico ou um especialista em imunizações poderá lhe fornecer todas as informações necessárias para que haja tranquilidade.

 

Uma pessoa pode pegar uma doença mesmo tendo sido vacinada contra ela?

De maneira geral, após completar corretamente o esquema de vacinação, a pessoa fica protegida da doença contra a qual a vacina oferece proteção. Porém, nenhuma vacina é 100% efetiva. Os fatores que influenciam nos níveis ideais de proteção são:

 

Inerentes às vacinas

• Cadeia de frio — a vacina deve ser mantida em temperatura adequada (entre 2º e 8º) desde sua fabricação até o momento da aplicação, passando pelo processo de transporte.

• Esquemas recomendados — deve-se seguir o esquema de dose, via de administração e intervalos adequados para cada vacina/faixa etária.

 

Inerentes ao organismo que recebe a vacina

• idade;

• doença de base ou intercorrente;

• tratamento imunossupressor.

Em relação à vacina, quando se diz que sua efetividade vacinal é de 80%, por exemplo, significa que há a possibilidade de falha na resposta em 20% das pessoas vacinadas, que podem contrair a doença. Vale ressaltar que algumas vacinas não conseguem evitar a doença por completo, mas amenizam sua gravidade e têm como propósito prevenir as complicações. Um exemplo é a vacina influenza quando aplicada em grupos de risco, como os idosos e os portadores de doenças crônicas — a pessoa pode contrair a influenza, mas a vacinação adequada reduzirá de modo significativo o risco de complicações da doença, como internações ou até mesmo o óbito.

 

A vacina pode causar doença?

Existem dois tipos básicos de vacinas: as inativadas (de vírus morto) e as atenuadas (de vírus enfraquecidos). As primeiras são produzidas por diferentes tecnologias que inativam a ação danosa do vírus ou da bactéria, por meio de agentes químicos. Portanto, não há qualquer possibilidade de causarem doença. Já as vacinas atenuadas são produzidas de forma a enfraquecer a ação do agente agressor. Ao serem administradas, ele se multiplica no organismo o suficiente para estimular uma resposta imunológica adequada e segura. Porém, a pessoa pode, ocasionalmente, apresentar reações semelhantes às da doença, só que muito brandas.

 

O governo pode obrigar que as crianças sejam vacinadas para frequentar a escola? E a escola pode?

São as seguintes as normas legislativas atuais que regem essa matéria:

• Artigo 227 da Constituição Federal Brasileira e sua Emenda Constitucional n. 65, de 13/07/2010, que define: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

• Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), definido pela Lei n. 8.069, de 13/07/1990, artigo 14, e que informa no Parágrafo único: “É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.”

• As vacinas hoje recomendadas pelas autoridades sanitárias brasileiras estão definidas na Portaria n. 1.498, de 19/07/2013. As vacinas têm como finalidade evitar que as crianças contraiam doenças, suas complicações e até mesmo cheguem ao óbito. E também de evitar que as crianças não vacinadas, ao contraírem doenças, a transmitam para a população em geral. No entanto, essas leis não preveem qual a punição para sua infringência, e até hoje o número de situações de recusa de vacinação de filhos ou dependentes que chegou à Justiça é ínfimo.

Além disso, em condições normais, é muito discutível qualquer conduta que, em nosso país, dificulte ou impeça o acesso de uma criança à escola. Deve-se tentar sempre resolver este tipo de situação por meio do diálogo e da informação, e reservar qualquer medida mais drástica para situações de surtos ou epidemias, quando o afastamento temporário do convívio com os colegas da escola poderá representar medida de proteção à saúde tanto da criança não vacinada quanto das outras que com ela têm contato.

 

Por que as vacinas são tão caras? Não é melhor gastar com o tratamento, já que não sei se ficarei doente por não estar vacinado?

Uma vacina, assim como a maioria dos medicamentos, leva anos, até décadas, desde o processo inicial de pesquisa até a produção e disponibilização no mercado, após aprovação pelos órgãos oficiais de Saúde. O valor cobrado pela dose corresponde não apenas ao custo de produção, distribuição, armazenamento e aplicação — um percentual refere-se ao valor investido em pesquisas para o desenvolvimento do produto até sua liberação para comercialização. Sem esse investimento, simplesmente seria inviável a produção de novas vacinas.

 

4 Perguntas e Respostas Parte 3:

Em linhas gerais, os custos com tratamento de doenças são muito superiores aos da prevenção por meio de vacinas. Esses custos envolvem gastos com profissionais da Saúde, medicações, exames laboratoriais e, eventualmente internações hospitalares. Também deve-se levar em consideração a cessação de ganhos, ao analisarmos os dias de afastamento do trabalho, seja por doença ou para dar atenção a dependentes, como filhos ou pais. Muito importante também é lembrarmos a impossibilidade de mensurar, do ponto de vista financeiro, o sofrimento relacionado às doenças e eventuais complicações, com desfechos muitas vezes imprevisíveis.

 

Por que as bulas das vacinas fornecem umas orientações vagas, que não consigo entender, como: “Os dados disponíveis sugerem que não existe uma associação entre vacinas e autismo…” ou “Até o momento não existem indicações disso ou daquilo ”?

A metodologia científica que envolve os testes clínicos para licenciamento das vacinas gera toda a confiabilidade nos dados para garantir a informação correta acerca da eficácia e segurança do produto em questão. No entanto, certas afirmações não podem ser feitas de maneiras tão explícitas, seja porque o evento em questão precisaria de um número muito grande de indivíduos participando dos testes clínicos, seja porque pode haver alteração de indicações por questões epidemiológicas ou novos dados científicos, por exemplo. Sempre que persistirem dúvidas em relação às informações contidas em bulas, deve-se consultar o médico de confiança, pois ele estará mais capacitado a entender e explicar as informações.

 

Já sei que existem algumas vacinas que precisam de menos doses em crianças mais velhas. Então, não é melhor esperar para vacinar?

A recomendação da idade para aplicação de cada vacina leva em conta os dados epidemiológicos da população e a suscetibilidade dos indivíduos em cada faixa etária, tanto para o adoecimento quanto para complicações da doença. Um exemplo é a vacina pneumocócica conjugada: a maior incidência de doenças pneumocócicas invasivas e seus desfechos mais graves acontecem em crianças menores de 1 ano. Exatamente nessa idade, para obtenção de resposta imunológica adequada, são necessárias mais doses da vacina. Adiar a vacinação para após um ano vai colocar a criança em risco justamente durante o período em que ela se encontra mais suscetível à doença e à evolução mais grave.

 

Por que não colocar todas as vacinas em uma única injeção?

Os produtos devem sempre ser utilizados de acordo com a recomendação do fabricante. Isso porque os diversos componentes da formulação de uma vacina — adjuvantes, estabilizantes, conservantes e antígenos vivos ou inativados — podem gerar interferências com os componentes de outra vacina se elas forem simplesmente “misturadas” em uma só seringa. Para a obtenção de vacinas combinadas (em que várias vacinas são incluídas em uma única formulação), foram necessários anos de pesquisas para garantir que não haveria alteração na segurança e na capacidade de a vacina gerar proteção (imunogenicidade).

 

5 Glossário Conceitos importantes Parte 1:

Adjuvante — Substância adicionada a uma vacina para potencializar a resposta imunológica ao antígeno. O adjuvante mais frequentemente utilizado é o hidróxido de alumínio, porém, outras substâncias têm sido usadas à base de esqualeno.

Agente etiológico — Agente biológico que pode causar infecção ou doença, também chamado de agente infeccioso ou agente patogênico. São exemplos: vírus, bactérias, protozoários, fungos e rickettsias.

Agente infeccioso — Ver agente etiológico.

Alérgeno — Substância que, ao ser introduzida no organismo, pode causar, em alguns indivíduos predispostos, uma reação alérgica.

Alergia — Resposta imunológica anormal e exagerada, em pessoas predispostas (atópicas). São manifestações de hipersensibilidade do sistema imune diante de uma substância (alérgeno), e podem se manifestar como asma, eczema, rinite, anafilaxia, reação de Arthus, e outros.

Antibiótico — Grupo de substâncias que impedem o crescimento de microrganismos, utilizados para tratamento de doenças infecciosas causadas por bactérias. Não atuam contra vírus.

Anticorpo — Uma molécula orgânica (em geral uma glicoproteína), produzida por célula do nosso sistema imune, encontrada em fluidos teciduais e no soro, em resposta à entrada de um antígeno. É capaz de se combinar com este, neutralizando-o ou destruindo-o. Também conhecido como imunoglobulina.

Antígeno — Substância estranha ao organismo do hospedeiro; porção ou produto de um agente biológico (por exemplo, proteína, polissacarídeo, vírus ou partícula viral, toxina bacteriana, etc.) capaz de estimular resposta imunológica específica com formação de anticorpos.

Antígeno de superfície — Antígeno localizado na parte externa do agente biológico.

Antitoxinas — Anticorpos que inativam proteínas solúveis tóxicas de bactérias. Por exemplo, os anticorpos produzidos pelas vacinas do tétano e da difteria.

Área endêmica — Área geográfica onde está comprovada a transmissão de determinada doença. Por exemplo, a região Norte do Brasil é endêmica para febre amarela e malária.

Bacilo — Tipo de bactéria em forma de bastonete ou bastão. Exemplo: bacilo da tuberculose.

Bactéria — Microrganismo formado por uma só célula (unicelular). As bactérias podem ter formas variadas (esféricas, cilíndricas, filamentosas…); ocorrem isoladamente ou agregam-se em colônias; podem não se movimentar sozinhos ou ter flagelos para se movimentar. Suas características, visíveis ao microscópio, permitem que sejam identificadas e muitas vezes dão origem aos nomes pelos quais são conhecidos: espiroquetas, vibriões, cocos (meningococos, pneumococos), etc. Frequentemente, produzem toxinas que agridem o hospedeiro e causam doença. São exemplos de doenças bacterianas: difteria, pneumonia, algumas meningites, gonorreia, cólera, sífilis, coqueluche, tuberculose, febre tifoide, tétano. Algumas bactérias são transmitidas diretamente de pessoa a pessoa (coqueluche, meningococo, pneumococo); outras são adquiridas a partir de fontes externas (tétano, febre tifoide).

Bacteremia — Quadro patológico caracterizado pela presença de bactérias vivas na circulação sanguínea.

Cadeia ou rede de frio — É o sistema que inclui o armazenamento, transporte e manipulação de vacinas em condições adequadas de refrigeração, desde o laboratório produtor até o momento em que a vacina é aplicada em um indivíduo, o que garante a eficácia do produto.

Cepa — População de microrganismos de uma mesma espécie descendente de um antepassado comum ou que tenha a mesma origem. No caso de cepas vacinais, são conservadas mediante uma série de passagens por hospedeiros ou meios de cultura adequados.

Cobertura vacinal — Esse termo refere-se ao percentual da população que está vacinada. Quanto mais pessoas receberem determinada vacina, maior será a cobertura vacinal. A eliminação ou controle de qualquer doença imunoprevenível depende da obtenção desse índice de sucesso. Um exemplo clássico do resultado de alta cobertura vacinal é o da varíola, doença que assolava o mundo matando aos milhares. Depois do esforço mundial para vacinar praticamente todas as pessoas, o vírus por fim desapareceu e agora a varíola é apenas parte da história. O mesmo resultado é pretendido no combate a outras doenças graves, como a poliomielite (paralisia infantil), o sarampo, a rubéola e a hepatite B, por exemplo. Para acabar com elas, é necessário que a maior parte da população esteja vacinada. Mas para a erradicação ou controle não basta apenas atingir altas coberturas vacinais, é preciso mantê-las até que o agente causador da doença esteja eliminado. Mesmo que em determinado momento ocorram apenas poucos casos de alguma doença graças à vacinação, se a população parar de se vacinar, cada vez mais pessoas ficarão desprotegidas e outras tantas serão infectadas, voltando a espalhar a doença, e assim, em pouco tempo, todo o progresso obtido ao longo dos anos estará perdido.

Coeficiente/taxa — Relação entre o número de casos de certa doença ocorridos em uma população ou grupo populacional. O denominador (população) é sempre referenciado como potência de 10 (mil, 100 mil, um milhão). Esta relação é utilizada em Saúde Pública para estimar a probabilidade da ocorrência ou não da doença estudada.

Congênito — Traço genético ou infeccioso que nasce com o indivíduo, adquirido durante a gestação ou herdado de seus progenitores.

Conservantes — Em relação a vacinas, são aditivos que previnem ou inibem os danos que podem ser causados por fungos, bactérias, ou outros microrganismos capazes de contaminá-las. Exemplos: antibióticos, fenoxietanol.

Contaminação — Presença de agente infeccioso na superfície do corpo e de objetos (como vestuário, brinquedos, instrumentos cirúrgicos, móveis) ou em substâncias (como a água, o leite e os alimentos), permitindo a disseminação deste agente.

Doença infecciosa ou transmissível — São doenças que se transmitem por contágio entre indivíduos, pelo contato com objetos e substâncias contaminadas, ou através de vetores transmissores da doença (seres de outra espécie, como mosquitos, pulgas e carrapatos), pois quando eles são portadores de agentes infecciosos ficam aptos a passá-los para os seres humanos transmitindo a doença. Exemplo: febre amarela

Efetividade vacinal — Refere-se aos efeitos da utilização de uma vacina em termos populacionais. Relaciona-se com a capacidade de uma vacina em reduzir o risco de determinada doença e o consequente impacto nos índices de saúde desta população.

Eficácia — Refere-se à capacidade da vacina de fornecer proteção, ou seja, à redução do risco de adoecimento em vacinados, comparativamente com não vacinados. O dado é obtido a partir da realização de estudos controlados. Quando se diz que tal vacina tem 95% de eficácia, se está afirmando que 95 de cem pessoas que foram vacinadas ficaram protegidas. Mas atenção: isto também significa que cinco dessas cem não responderam adequadamente à vacina. Por isso é essencial obter uma alta cobertura vacinal, para que aqueles que não desenvolveram anticorpos sejam indiretamente protegidos.

Endemia — Refere-se à doença que ocorre com frequência e constância em uma população, em alguma área geográfica e cujo número de casos em determinado período de tempo é estável, esperado e previsível. Deve-se à circulação permanente ou eventual, mas repetida, do agente infeccioso naquela população e área geográfica. Exemplos: a febre tifoide em países do sudeste asiático e a malária no norte do Brasil.

Epidemia — Número de casos anormalmente elevado de uma doença em certa população, área geográfica e/ou período de tempo em comparação com a quantidade de casos esperados. Uma doença é considerada epidêmica se causa epidemias regulares ou esporadicamente em uma população, com picos elevados e duração determinada. Uma doença epidêmica pode ser endêmica ou não.

Epidemiologia — Área da Saúde que estuda a frequência, as formas de transmissão, a distribuição geográfica e a evolução das doenças nas populações, bem como os fatores que as afetam. O objetivo é produzir conhecimento e tecnologia capazes de promover a saúde individual através de medidas de alcance coletivo.

Erradicação — Cessação completa da transmissão de uma infecção por extinção da circulação do agente infeccioso. Pressupõe a total ausência de risco de reintrodução da doença, o que permite suspender todas as medidas de prevenção ou controle. Foi o que aconteceu com a varíola.

Estabilizantes — Nutrientes contidos nas vacinas atenuadas, para mantê-las eficazes por período determinado.

 

6 Glossário Conceitos importantes Parte 2:

Estirpe — Uma população de microrganismos que descende de um organismo comum, compartilhando um conjunto de características. Do ponto de vista imunológico, sua relevância reside na capacidade de serem ou não reconhecidos pelo sistema imunológico humano. Uma mesma espécie de microrganismos pode ter várias estirpes, umas mais patogênicas que outras. O aparecimento de novas estirpes é, com frequência, resultado de um processo adaptativo da espécie, por exemplo, em resposta ao uso de antibióticos.

Estratégia Cocoon — Cocoon significa “casulo” em inglês. A palavra é empregada no sentido de “proteção” e se usa para nomear a estratégia que implica vacinar todas as pessoas que têm contato frequente com recém-nascidos, para evitar a transmissão de doenças, como a coqueluche, por exemplo. Esse cuidado é essencial, uma vez que o recém-nascido possui sistema imunológico ainda em fase de “amadurecimento”, portanto, menos eficiente no combate aos vírus e bactérias. A vacinação da gestante tem um efeito positivo duplo, porque também possibilita a transmissão de anticorpos ao feto. A ação desses anticorpos após o nascimento não será duradoura, mas ajudará a proteger o bebê por alguns meses.

Etiologia — O termo, de origem grega, define a área do conhecimento que estuda as causas das coisas e fenômenos. Em medicina, é o estudo das causas das doenças (os chamados agentes etiológicos).

Exotoxina — Proteína tóxica, produzida pelo metabolismo de determinadas bactérias, em geral liberadas no ambiente que as rodeia. Quando liberadas no organismo humano durante a infecção bacteriana, podem causar danos de graus variados, que se traduzem nos sintomas da doença.

Falha vacinal — Em uma minoria de pessoas a vacina pode não gerar imunidade efetiva, portanto, se expostas ao agente infeccioso, elas podem adoecer — daí o fenômeno ser denominado “falha vacinal”. Ela depende do tipo de vacina utilizada, da idade, da condição de saúde de quem a recebe, entre outros fatores. Por exemplo: as pessoas com o sistema imunológico comprometido, seja em decorrência de doença ou tratamento médico, tendem a apresentar falhas na resposta imunológica. Por conta disso, os esquemas de vacinação podem incluir um número maior de doses. Outra situação está associada à própria vacina. Este é o caso do sarampo: uma única dose da vacina gera proteção em cerca de 95% das crianças, mas após duas doses, quase 100% ficam imunizadas. Atenção: Às vezes, uma pessoa é exposta a um agente infeccioso pouco tempo antes de ser vacinada, e adoece. Esta situação não significa falha vacinal, mas sim uma consequência da infecção por vírus cujo período de incubação é mais curto do que o tempo que a vacina necessita para gerar anticorpos (duas semanas, em média).

Fonte de infecção — Pessoa, animal, objeto e/ou substância infectados, cujo agente infeccioso passa para um hospedeiro.

Gamaglobulina — Proteína existente no plasma sanguíneo das pessoas. Engloba a maioria das imunoglobulinas (anticorpos).

Hipersensibilidade — Resposta exagerada do organismo a estímulos ao sistema imune. Pode ou não ser caracterizada como alergia; trata-se de sensibilidade aumentada.

Hipersensibilidade imediata — Tipo de hipersensibilidade mediada por anticorpos, quando o contato natural ou a administração de um antígeno (vacina) produz uma resposta rápida, em segundos ou minutos. Também chamada ‘reação de hipersensibilidade do tipo I’, abrangendo desde quadros leves de urticária até quadros graves, como o choque anafilático.

Hipersensibilidade tardia — Tipo de hipersensibilidade em que as reações ao antígeno só acontecem de 24 a 48 horas após o contato ou a administração do antígeno. Exemplo: reação cutânea (da pele) a um antígeno injetado (vacina), mediada por células.

Hospedeiro — Refere-se ao organismo que é invadido por um microrganismo. Diz-se, por exemplo, que os humanos são os únicos hospedeiros do vírus do sarampo.

Imunidade — É o estado de resistência do organismo às infecções, em geral associado à presença de anticorpos que possuem ação específica sobre o microrganismo responsável por uma doença infecciosa ou sobre suas toxinas.

Proteção coletiva — Trata-se do efeito obtido quando algumas pessoas são indiretamente protegidas pela vacinação de outras, o que acaba beneficiando a saúde de toda a comunidade. É o mesmo que “proteção de grupo” ou “proteção de rebanho”. Funciona da seguinte forma: a pessoa vacinada não transmitirá a doença para outros que não estão imunizados por razões como: são muito novos para tomar alguma vacina; têm algum problema que impede a vacinação; foram vacinados antes, porém, não produziram níveis ideais de anticorpos, logo, não ficaram devidamente imunizados.

Imunocompetente — Refere-se ao indivíduo cujo sistema imune tem a capacidade de produzir resposta adequada.

Imunodeficiência — Deficiência no sistema imunológico. Pode ser adquirida por doença, medicamento ou contato com radiação (imunodeficiência secundária), ou ser inerente ao indivíduo — ele nasce com alguma alteração genética que interfere no sistema imunológico (imunodeficiência primária ou congênita).

Imunodepressor — Doença — as neoplasias, por exemplo — ou substância capaz de deprimir a resposta imunológica, como o corticoide.

Imunogenicidade — Capacidade de uma vacina de estimular o sistema imunológico gerando anticorpos. Aqui, o que conta é a quantidade de pessoas que produzem anticorpos após a vacinação. Em outras palavras: dizemos que a imunogenicidade de uma vacina é 100% quando absolutamente todas as pessoas vacinadas produzem anticorpos. Esse conceito é diferente do conceito de eficácia — o qual considera a capacidade de proteção, ou seja, quantas pessoas vacinadas não desenvolvem a doença. Ao se estudar uma vacina, os primeiros resultados obtidos são de imunogenicidade e é excelente quando os índices são altos, pois sugerem que a vacina será eficaz. Mas é preciso observar ao longo do tempo, para quantificar o número de pessoas que não adoeceram, ou seja, a eficácia da vacina.

Imunoglobulinas (Igs) — Ver anticorpos.

Incidência — O número de casos de certa doença, ocorridos durante um período de tempo definido. Os picos de incidência não coincidem necessariamente com os de prevalência.

Infecção — Refere-se à penetração, alojamento e, em geral, multiplicação de um agente etiológico (bactéria, vírus, fungos e protozoários) no organismo de um hospedeiro, produzindo danos de diversos graus onde se instala, com ou sem o aparecimento de sintomas clinicamente reconhecíveis.

Infectado — Refere-se ao hospedeiro que possui o agente etiológico da doença. Um infectado pode não apresentar a doença ou seus sintomas e mesmo assim ser capaz de transmiti-la.

Letalidade — Percentual dos óbitos entre os casos de determinada doença.

Linfócito — É um tipo de leucócito ou glóbulo branco, presente no sangue, fabricado na medula óssea pelas células-tronco linfoides. Dividem-se em linfócitos B e T, e ambos têm papéis essenciais na defesa do organismo contra infecções.

Morbidade — É como se apresenta o comportamento e a quantidade de casos de uma doença ou de um agravo à saúde em uma população exposta em algum território. É calculada pelos coeficientes de incidência e prevalência.

Mortalidade — É a proporção de mortes por uma causa específica em determinada população ou em grupos de população (mortalidade infantil, mortalidade por sarampo, mortalidade por acidentes, etc.).

Pandemia — Trata-se de uma epidemia que se dissemina pelo mundo e adquire uma distribuição com escala global.

Parasita — Diz-se de um organismo que, ao invadir outro, beneficia-se e prejudica este último. Em epidemiologia, subdividem-se em macroparasitas (ex: “lombrigas”, “tênias”) e microparasitas, que são os responsáveis pela maioria das doenças transmissíveis e pertencem essencialmente a quatro grandes grupos: vírus, bactérias, protozoários, e fungos.

Período de incubação — É o espaço de tempo que um vírus ou bactéria leva para se proliferar no organismo após invadi-lo, até surgirem os primeiros sintomas da doença. Esse período varia de acordo com o agente infeccioso, podendo ser muito curto (como no caso da gripe e da meningite meningocócica) ou muito longo (como no caso das hepatites A e B). Durante o período de incubação, a pessoa não apresenta sintomas, portanto, não sabe que já foi infectada. A chance de adoecer mesmo se vacinada após a infecção é inversamente proporcional, ou seja: quanto menor for o período de incubação, maior será a chance de a doença se manifestar, apesar da vacinação. Isso porque toda vacina leva cerca de duas semanas para estimular níveis adequados de anticorpos. Um exemplo é o vírus da gripe (influenza): como ele circula intensamente durante o outono e o inverno, muitas pessoas já estão infectadas quando se vacinam e vão manifestar a doença, porém, na maior parte das vezes, de forma muito branda.

Plasma — Componente líquido do sangue, no qual as células (glóbulos brancos e vermelhos) estão em suspensão.

 

7 Glossário Conceitos importantes Parte 3:

Período de transmissibilidade — É o espaço de tempo durante o qual o agente infeccioso pode ser transferido, direta ou indiretamente, de uma pessoa infectada a outra, de um animal infectado ao homem, ou de um homem a um animal, inclusive insetos.

Portador — Indivíduo infectado, mas sem sintomas da infecção. Pode ou não ser capaz de transmitir o agente infeccioso.

Potência — Em relação a vacinas, é a medida que expressa a quantidade de antígenos presentes por volume da dose e que tem a capacidade de induzir a produção de anticorpos.

Prevalência — É o número ou a proporção de indivíduos da população que estão infectados por certo agente infeccioso (doentes e/ou portadores) em determinado momento em uma comunidade, permitindo uma ideia estática da ocorrência da doença. A prevalência pode ser expressa em números absolutos ou em coeficientes.

Profilaxia — Conjunto de medidas que têm por finalidade prevenir ou atenuar as doenças, suas complicações e consequências.

Reação de Arthus — Reação inflamatória local intensa (na pele), mediada por complexos formados pela ligação de antígenos com anticorpos. É chamada ‘reação de hipersensibilidade de grau III’.

Reatogenicidade — É a capacidade de a vacina gerar reação adversa (ou colateral) local ou sistêmica no organismo.

Rede de frio — Ver cadeia de frio.

Regulamento Sanitário Internacional (RSI) — Documento da Organização Mundial da Saúde (OMS) que contém normas e procedimentos relativos à Saúde Pública e que devem ser seguidos pelos países signatários, ou seja, todos os países que concordaram com as regras. Um exemplo de exigência internacional é a vacinação com a vacina febre amarela por alguns países.

Sinal de doença — Evidência objetiva de doença, que pode ser verificada e/ou quantificada. Por exemplo: febre, vômitos, palidez, alterações nas quantidades de eletrólitos no sangue.

Síndrome — Conjunto de sintomas e sinais que tipificam determinada doença.

Sintoma — Evidência subjetiva de doença, que não pode ser quantificada ou confirmada por vias laboratoriais. Por exemplo: malestar, náusea, dor de cabeça, dor abdominal.

Sistema imunológico — Também chamado de sistema imune ou imunitário, consiste numa rede de células, tecidos e órgãos que atuam na defesa do organismo contra o ataque de agentes invasores.

Sorologia — Estudo laboratorial das reações entre antígeno e anticorpo. Consiste na análise de líquidos fisiológicos (sangue, saliva, líquor) dos indivíduos para, através de meios apropriados, medir a quantidade de anticorpos nesses líquidos. A presença de anticorpos indica que o indivíduo já foi ou está ainda infectado por um agente infeccioso (o antígeno).

Soropositivo — Indivíduo cujo resultado da sorologia sugere que já foi ou está infectado por algum agente infeccioso.

Sorotipo ou serotipo — São subtipos de agentes infecciosos que induzem resposta imune específica para cada um.

Sintomas subclínicos — São os sintomas de infecção tão discretos ou inaparentes, que passam despercebidos no exame clínico.

Suscetibilidade — É o estado de qualquer pessoa ou animal que não possui resistência contra determinado agente patogênico e que pode contrair a doença provocada por este agente quando em contato com ele.

Suscetível — Indivíduo que pode ser infectado por um agente etiológico.

Toxina — Produto ou componente de microrganismo que pode prejudicar outro organismo. Em geral, é uma proteína, mas também podem ser lipídeos ou outras substâncias. Ver também exotoxina

Toxoide — Exotoxina modificada, de forma a perder a toxicidade, ou seja, a capacidade de causar danos, mas que continua a estimular a formação de antitoxina quando administrada em um indivíduo. Como exemplo, o toxoide diftérico das vacinas DT, dT, DTPw, DTPa.

Transmissão — Processo pelo qual um agente que pode provocar doença passa de uma fonte de infecção (indivíduo infectado, substância ou objeto contaminado) para um hospedeiro. Um modo de transmissão muito particular é a chamada transmissão vertical, como a que ocorre da gestante para o feto, quando a transferência do agente infeccioso acontece de forma direta pela circulação sanguínea.

Vacina — Uma preparação capaz de induzir resposta imune naquele indivíduo que a recebe, para que uma vez exposto já disponha de anticorpos protetores.

Vacinação de bloqueio — É a vacinação feita com o objetivo de imunizar toda uma comunidade em caso de surto, visando impedir que apareçam novas ocorrências de determinada doença. Quando começam a acontecer registros de alguma doença em uma comunidade, em número fora do esperado, as autoridades de Saúde podem decidir vacinar toda esta comunidade para evitar que o agente infeccioso encontre mais pessoas desprotegidas e continue se espalhando. Um exemplo é a vacinação de bloqueio contra a doença meningocócica (meningite), cujo período de incubação é curto (muitas vezes de apenas três dias). Esta ação não impedirá a doença em pessoas que já foram contaminadas, mas protegerá aqueles que ainda não tiveram contato com a bactéria, mas convivem com os que estão doentes ou infectados, bloqueando a transmissão.

Vacinação pós-exposição — É a vacinação feita com o objetivo de bloquear o adoecimento de uma pessoa que já foi infectada. Essa estratégia funcionará se soubermos quando o indivíduo entrou em contato com o portador da infecção e se houver tempo suficiente para a vacina estimular a proteção (dez dias, em média) antes de ser terminado o período de incubação do micróbio — o que varia para as diferentes doenças infecciosas. Realizada nas condições descritas, a vacinação pós-exposição pode ser eficaz para contactantes de doentes com varicela (catapora), hepatite A, hepatite B e sarampo.

Vetor — Refere-se à fonte de transmissão de agentes patogênicos (que podem provocar doenças). Com frequência, o termo restringe-se a hospedeiros intermediários de microrganismos cujos ciclos de vida ocorrem em mais de uma espécie hospedeira. Como exemplos comuns, temos os insetos (mosquitos, carrapatos, etc.), que transmitem alguns agentes infecciosos aos humanos. Entretanto, existem vetores não vivos. Um exemplo são as águas paradas que, quando contaminadas pelo vírus da hepatite A, por exemplo, passam a ser um vetor da doença.

Vigilância epidemiológica — É “o conjunto de informações, investigações e levantamentos necessários à programação e à avaliação de medidas de controle a doenças e situações de agravos à saúde” (art. 20 da Lei n. 6.259, de 30/10/1975). Proporciona as informações indispensáveis para conhecer, detectar e prever mudanças que possam ocorrer nos fatores condicionantes do processo saúdedoença, com a finalidade de recomendar, oportunamente, as medidas indicadas que propiciem a prevenção e o controle das doenças.

Viremia — É a presença de vírus na circulação sanguínea. O termo também engloba o próprio processo de multiplicação do vírus dentro do hospedeiro

Vírus — Agentes etiológicos de estrutura muito simples, de tipo não celular. Possuem um só tipo de DNA ou RNA com informação necessária para sua reprodução, cercado por uma capa de natureza proteica. Os vírus não conseguem se reproduzir fora de uma célula hospedeira, sendo então chamados “parasitas intracelulares obrigatórios”. São muito menores e mais simples que os organismos celulares (como as bactérias) e só são visíveis ao microscópio eletrônico. Os antibióticos não têm efeito sobre eles. Exemplos de doenças causadas por vírus: gripe (influenza), catapora (varicela), sarampo, rubéola, caxumba, poliomielite, hepatite B, hepatite A, Aids, Herpes zóster, raiva e febre amarela.