A prancheta é a tábua ou mesa apropriada que serve de apoio para a folha de papel, onde vai se elaborar o desenho. Ela possui um movimento basculante, podendo ficar na horizontal ou numa posição inclinada mais confortável para o desenhista. Há, porém, pranchetas verticais mais indicadas para desenhos de grandes formatos, quando é necessário colocar uma bancada ao lado de desenhista para depositar o material de desenho. O tampo da prancheta deve ser forrado com um plástico fosco de cor clara e bem esticado para não formar bolhas, e grampeado na face inferior do tampo.
A prancheta deve ser equipada de uma régua T que é muito útil para traçar linhas horizontais e servir como apoio para os esquadros no traçado de linhas verticais e inclinadas, mantendo-a apoiada na borda esquerda da prancheta.
Modo correto de usar: a régua T é manejada com a mão esquerda, o tórax do desenhista deve ficar paralelo à direção do traço e a sua haste não deve ter folga na altura superior a 3 mm. Nunca se deve usar a régua T apoiada nas bordas superior ou inferior da prancheta para traçar linhas verticais. A iluminação também deve ser adequada evitando-se vir da direita, pois pode provocar sombra da mão e dos esquadros no desenho. Uma alternativa moderna para as réguas “T’s” são as réguas paralelas ou deslizantes presas à prancheta por fios paralelos, mantendo-a paralela.
A postura do desenhista sentado é muito importante para sua saúde e produtividade. Posturas incorretas sinalizam displicência, problemas de visão, problemas de coluna e podem causar sérios problemas no futuro.
Já a régua graduada em milímetros serve para leitura e marcação de medidas e não deve ser transparente devendo ser de plástico opaco e flexível. Não se deve usá-la como apoio para traçar retas porque o lápis suja a régua, gasta a graduação e a própria linha fica irregular por falta de apoio para o lápis. Também não devemos utilizá-la para rasgar ou cortar papeis, pois seu aquecimento devido ao atrito gerado derrete o plástico causando falhas e ondulações a régua.
Um par de esquadros no qual a hipotenusa de um (esquadro de 30 e 60º) é igual ao cateto de outro (esquadro de 45º) são essenciais para os traçados nos desenhos usuais. Como a régua T, os esquadros devem ser lavados periodicamente com água e sabão.
Modo correto de usar: Conforme mostrado na figura acima, um esquadro deve ser apoiado na régua T ou em seu par, para o traçado de retas perpendiculares ou paralelas.
O compasso é um instrumento essencial para o traçado de círculos e normalmente tem um encaixe numa de suas pernas de 12 a 15 cm para a colocação do grafite e /ou da ponta seca (empregado para o transporte acurado de medidas). Sua versão para círculos de grandes raios (acima de 12”) é o compasso extensível ou simplesmente extensor.
Modo correto de usar: O raio do círculo deve ser ajustado previamente, fora do desenho, por meio dos dedos indicador, médio e anular da mão direita (para os destros). usando-se o polegar e o indicador para o traçado de arcos. No extensor ou prolongador, usa-se a mão esquerda para manter a ponta seca no centro da circunferência e a mão direita para movimentar a outra extremidade do compasso que tem a caneta ou o tira-linhas.
Com o cintel, prende-se por pressão a ponta seca e o lápis numa haste de madeira ou metal a uma distancia correspondente ao raio que se quer traçar. Já as curvas francesas são empregadas para traçar outras curvas não circulares e possuem uma grande variedade de tamanhos e de formas, como parábolas, elipses e hipérboles.
Porém, nenhum desenho será feito sem o lápis, que é o principal material de qualquer desenhista, podendo ser sextavado de madeira ou lapiseira onde se coloca a ponta de grafite. Num lápis de madeira, a dureza da mina (alma) é indicada numa das extremidades do lápis. O uso do lápis requer habilidade no seu apontamento feito com facas, estiletes, lâminas ou apontadores apropriados.
Lápis comuns escolares (nºs 1, 2 e 3) não devem ser usados para trabalhos profissionais de desenho técnico, que deve sempre ser realizado com lápis apropriados ou lapiseira. Nestes últimos, o grafite apresenta diferentes graus de dureza indo desde o 7B(mais mole) até o 9H( mais duro), passando pelo HB(dureza média). Normalmente, nos desenhos técnicos, não se empregam os tipos de 9H até 4H(pois são muito duros e as linhas saem muito claras) e os tipos de 2B até 7B(pois são muito moles e as linhas saem muito grossas). Na realidade, os tipos utilizados pelos desenhistas são o 3H, 2H, H e F para desenhos finais e o HB e B para os esboços à mão livre.
Um bom desenhista é atento a todos os detalhes. Persistência, treinamento e observação são qualidades que devem ser cultivadas por estes profissionais e pelos que aspiram esta qualificação. Assim é importante começar aprendendo como segurar corretamente o lápis, evidentemente após seu correto apontamento, mantendo sua ponta sempre cônica. O lápis deve ser segurado entre o polegar e o dedo indicador a cerca de 4 a 5 cm da ponta, de modo que a mão fique apoiada no dedo mínimo e a ponta do lápis esteja bem visível.
A regra de ouro é: sempre puxar o lápis e nunca empurrar! O grafite mais indicado é o F ou H. O uso de grafite macio (B) deve ser evitado em desenho técnico pois desgasta rapidamente sua ponta cônica, causando seu constante lixamento ou apontamento , o que normalmente sujam os dedos e o papel. A ponta cônica deve ser feita com uma lixa fina para madeira, grana 100 ou 150 , ao invés de usar gilete ou estilete.
Para desenho de letras, pode-se usar o HB. Seja qual tipo de lápis que estiver usando, o mais importante é ter um traço firme, o que não significa ter que usar a força. Um traço sem uniformidade é desagradável e depõe contra o desenhista, da mesma forma que um desenho só com um tipo de traço fica sem vida por falta de contraste.
Lembre-se: um traço grosso é a soma de vários traços finos paralelos entre si. Se quiser fazê-lo, trace primeiro um traço fino, depois outro traço fino paralelo ao primeiro e aí então preencha o espaço entre as paralelas com vários traços finos. Portanto, um traço grosso não depende de fazer mais força! Apagadores são importantes, pois até os desenhistas mais experientes necessitam de refazer seus trabalhos de vez em quando.
Eles possuem formatos diversos e são feitos de diversos materiais como a própria borracha natural ou materiais sintéticos. Os transferidores são utilizados nos traçados dos ângulos, sendo em geral divididos de meio em meio grau num material de plástico transparente com 180º de extensão.
As escalas servem para reduzir as dimensões originais do que se quer desenhar nas dimensões que cabem no papel de desenho ou em outras palavras na escala de desenho escolhida. Uma vez escolhida a escala de desenho todas as medidas devem ser reduzidas a essa escala. Para facilitar o traçado e marcar seus comprimentos, é utilizada a chamada escala de arquiteto que normalmente possui todas as escalas convencionais usualmente utilizadas.
A tinta nanquim requer um cuidado especial ao ser usada em esquadros e gabaritos para que não escorra pelas suas bordas e borre o desenho, o que pode ser atenuado com o uso de tinta de melhor qualidade e de secagem mais rápida. Ela é vendida em recipientes de plástico flexível e em vidros. Podemos torná-la mais fina com a adição de água destilada ou álcool absoluto.
O tira-linhas é um instrumento complementar do compasso para desenhar a tinta preta ou de variadas cores, podendo ser de bico comum ou com bico de pato, que possui maior reserva de tinta para o traçado de linhas longas, sendo que ambos os tipos dispõem de um parafuso de ajuste para adequar a espessura da linha. Após o seu uso, deve ser muito bem limpo, especialmente se a tinta utilizada for colorida por ser muito corrosiva. Outra opção é adaptar a caneta nanquim ao compasso conforme a figura a seguir.
Deve-se evitar mergulhar o tira- linhas no vidro de tinta. A colocação de tinta deve ser realizada através do conta-gotas. Modo correto de usar: a ponta do tira-linhas ou mesmo da caneta a tinta deve ser mantida na posição ortogonal ao plano do papel. Caso fique obliqua para dentro pode causar borrões.
Outras causas de falhas, erros e borrões são falta ou excesso de tinta no tira -linhas, afastamento da caneta da borda do esquadro, restos de borracha sobre o papel ou escorregamento do esquadro sobre o papel. Borrões normalmente ocorrem quando usamos a régua com a parte mais fina voltada para baixo, fazendo com que a tinta nanquim escorra para debaixo da régua, acumule, e se espalhe irregularmente sobre o papel. Interessante que usar a régua dessa forma pode parecer mais lógico, principalmente, se for traçar com lápis ou lapiseira, porém, com bico do tira-linhas, isso se torna desastroso.
Para evitar isso, tudo o que você precisa fazer é inverter o lado da régua (ponta mais fina para cima) como na imagem a seguir, o que evitará acúmulos próximos ao papel. Nada, porém, seria possível sem o papel de desenho, que são vendidos com vários tipos e para diferentes desenhos. Os mais usados especialmente para principiante é o papel transparente tanto para desenho manual como para desenho arquitetônico com rugosidade média para não desgastar demais o grafite e produzir linhas muito grossas. O papel vegetal é um tipo de papel mais transparente devido ao seu revestimento e possui uma ótima rugosidade para o traço a lápis ou a tinta.
Modo correto de usar: após verificar a iluminação e a prancheta, corte o papel no tamanho necessário, não se esquecendo de suas margens. Cole-o mais próximo da cabeça da régua T com fita adesiva crepe, seguindo a numeração indicada na figura abaixo. Isso evitará o desvio na extremidade da régua T que prejudica a qualidade do desenho, sendo importante também observar que o alinhamento da folha é em relação a régua paralela e não pela prancheta conforme mostra a figura a seguir
Finalmente os gabaritos servem para desenhar perfis especiais como tubulações, hexágonos, símbolos, contornos, etc. de uma maneira fácil e rápida.