Planejamento de Canteiros de Obra e Gestão de Processos
Mestre de Obras
1 Planejamento de Canteiros de Obra e Gestão de Processos:
Definição de planejamento de canteiros:
O planejamento de um canteiro de obras pode ser definido como o planejamento do layout e da logística das suas instalações provisórias, instalações de segurança e sistema de movimentação e armazenamento de materiais. O planejamento do layout envolve a definição do arranjo físico de trabalhadores, materiais, equipamentos, áreas de trabalho e de estocagem (FRANKENFELD). De outra parte, o planejamento logístico estabelece as condições de infra-estrutura para o desenvolvimento do processo produtivo, estabelecendo, por exemplo, as condições de armazenamento e transporte de cada material, a tipologia das instalações provisórias, o mobiliário dos escritórios ou as instalações de segurança de uma serra circular.
De acordo com a definição adotada, considera-se que o planejamento de assuntos de segurança no trabalho não relacionados às proteções físicas, tais como o treinamento da mão-de-obra ou as análises de riscos, não fazem parte da atividade planejamento de canteiro. Tal definição deve-se a complexidade e as particularidades do planejamento da segurança.
Objetivos do planejamento de canteiros:
O processo de planejamento do canteiro visa a obter a melhor utilização do espaço físico disponível, de forma a possibilitar que homens e máquinas trabalhem com segurança e eficiência, principalmente através da minimização das movimentações de materiais, componentes e mão-de-obra. Tommelein (1992) dividiu os múltiplos objetivos que um bom planejamento de canteiro deve atingir em duas categorias principais:
(a) objetivos de alto nível: promover operações eficientes e seguras e manter alta a motivação dos empregados. No que diz respeito à motivação dos operários destaca-se a necessidade de fornecer boas condições ambientais de trabalho, tanto em termos de conforto como de segurança do trabalho. Ainda dentre os objetivos de alto nível, pode ser acrescentada à definição de Tommelein (1992) o cuidado com o aspecto visual do canteiro, que inclui a limpeza e impacto positivo perante funcionários e clientes. Não seria exagero afirmar que um cliente, na dúvida entre dois apartamentos (de obras diferentes) que o satisfaçam plenamente, decida comprar aquele do canteiro mais organizado, uma vez que este pode induzir uma maior confiança em relação a qualidade da obra;
(b) objetivos de baixo nível: minimizar distâncias de transporte, minimizar tempos de movimentação de pessoal e materiais, minimizar manuseios de materiais e evitar obstruções ao movimento de materiais e equipamentos.
Tipos de canteiro:
De acordo com Illingworth (1993), os canteiros de obra podem ser enquadrados dentro de um dos três seguintes tipos: restritos, amplos e longos e estreitos. No Quadro 2.1 é caracterizado cada um destes tipos.
O primeiro tipo de canteiro (restrito) é o mais freqüente nas áreas urbanas das cidades, especialmente nas áreas centrais. Devido ao elevado custo dos terrenos nessas áreas, as edificações tendem a ocupar uma alta percentagem do terreno em busca de maximizar sua rentabilidade. Em decorrência disto, Illingworth (1993) afirma que os canteiros restritos são os que exigem mais cuidados no planejamento, devendo-se seguir uma abordagem criteriosa para tal tarefa.
Illingworth (1993) destaca duas regras fundamentais que sempre devem ser seguidas no planejamento de canteiros restritos:
(a) sempre atacar primeiro a fronteira mais difícil;
(b) criar espaços utilizáveis no nível do térreo tão cedo quanto possível.
A primeira regra recomenda que a obra inicie a partir da divisa mais problemática do canteiro. O principal objetivo é evitar que se tenha de fazer serviços em tal divisa nas fases posteriores da execução, quando a construção de outras partes da edificação dificulta o acesso a este local. Os motivos que podem determinar a criticalidade de uma divisa são vários, tais como a existência de um muro de arrimo, vegetação de grande porte ou um desnível acentuado. A segunda regra aplica-se especialmente a obras nas quais o subsolo ocupa quase a totalidade do terreno, dificultando, na fase inicial da construção, a existência de um layout permanente. Exige-se, assim, a conclusão, tão cedo quanto possível, de espaços utilizáveis ao nível do térreo, os quais possam ser aproveitados para locação de instalações provisórias e de armazenamento, com a finalidade de facilitar os acessos de veículos e pessoas, além de propiciar um caráter de longo prazo de existência para as referidas instalações.
2 O processo de planejamento de canteiros de obra:
O planejamento do canteiro deve ser encarado como um processo gerencial como qualquer outro, incluindo etapas de coleta de dados e avaliação do planejamento. É sob essa ótica que foi elaborado o método apresentado nesse trabalho, o qual considera a existência de quatro etapas para o planejamento de canteiros:
(a) Diagnóstico de canteiros de obra existentes;
(b) Padronização das instalações e dos procedimentos de planejamento;
(c) Planejamento do canteiro de obras propriamente dito;
(d) Manutenção da organização dos canteiros, baseando-se na aplicação dos princípios dos programas 5S.
Diagnóstico de canteiros de obra:
O diagnóstico dos canteiros de obra existentes deve ser a primeira atividade executada em um programa de melhorias, uma vez que são gerados subsídios para a realização das etapas de padronização e planejamento. O método de diagnóstico proposto consiste da aplicação conjunta de três ferramentas: uma lista de verificação (checklist), elaboração de croqui do layout e registro fotográfico.
Lista de verificação:
A lista de verificação é a mais abrangente dentre as ferramentas, permitindo uma ampla análise qualitativa do canteiro, no âmbito da logística e do layout, segundo os seus três principais aspectos: instalações provisórias, segurança no trabalho e sistema de movimentação e armazenamento de materiais. Cada um desses três grupos envolve diversos elementos do canteiro. Um elemento do canteiro é definido como qualquer aspecto da logística no âmbito dos três grupos que mereça atenção no planejamento, tais como, por exemplo, refeitório, elevador de carga ou armazenamento de cimento. Todos os elementos devem satisfazer certos requisitos ou padrões mínimos de qualidade para o desempenho satisfatório de suas funções.
Os requisitos de qualidade de cada elemento foram definidos a partir da consulta à várias fontes: normas sobre armazenamento de materiais (ABNT, 1992) e segurança, um inventário de melhorias de qualidade e produtividade na construção civil (SCARDOELLI), um manual sobre segurança em canteiros (ROUSSELET; FALCÃO), além de requisitos definidos a partir de sugestões de profissionais com experiência na área e daqueles decorrentes de noções básicas de layout e logística. Os requisitos foram definidos da forma mais objetiva possível, tentando-se, assim, possibilitar a verificação visual da sua existência ou não, dispensando medições, consultas a outras pessoas ou a projetos da obra.
Embora a lista destine-se a uma análise qualitativa dos canteiros, o resultado dela pode ser expresso quantitativamente através de uma nota. É possível atribuir uma nota para o canteiro como um todo e uma nota para cada grupo, sendo que a nota global do canteiro é a média aritmética das notas dos grupos. A existência de notas fornece parâmetros para a comparação entre diferentes canteiros e propicia a formação de valores para benchmarking. O sistema de pontuação adotado estabelece que cada requisito de qualidade, de qualquer elemento, possui valor igual a 1 ponto. O item recebe o ponto caso esteja assinalada a opção “sim”.
Existe uma tabela na lista de verificação, ao final de cada grupo, onde devem ser anotados os pontos obtidos (PO), os pontos possíveis (PP) e a nota do grupo, a qual é a relação entre PO e PP. Os pontos obtidos corresponde ao total de itens com avaliação positiva, enquanto os pontos possíveis ao total de itens com avaliação positiva ou negativa. Para os fins de atribuição da nota são desconsiderados os itens marcados com “não se aplica”.
Quanto à nota global do canteiro, calcula-se a mesma fazendo a média aritmética das notas dos três grupos. Embora esta nota possa ser calculada, seu significado para a análise do desempenho do canteiro é secundário, se comparado ao significado das notas dos grupos. As notas dos grupos são mais úteis por agregarem somente o desempenho de elementos do canteiro semelhantes, devendo, por isso, serem priorizadas na comparação entre diferentes canteiros. Qualquer empresa que utilizar a lista como uma ferramenta de controle, pode estabelecer o seu próprio sistema de pontuação, baseando-se na realidade de seus canteiros e nas suas prioridades estratégicas.
Entretanto, se a empresa deseja comparar-se com o desempenho de um concorrente ou com a média do setor, é necessário optar por um sistema comum de pontuação. É neste contexto que se insere a ferramenta proposta, pretendendo-se que a mesma seja utilizada na comparação de diferentes obras e empresas. Especialmente no grupo segurança, o número de requisitos não aplicáveis pode variar significativamente conforme a fase da obra e o tipo de transporte vertical utilizado (por exemplo, grua ou guincho), podendo distorcer, de certa forma, a comparação entre diferentes obras.
A visita ao canteiro para aplicação da lista deve ser feita sem pressa, visto o extenso rol de itens (128) e a atenção requerida para a correta compreensão do conteúdo da lista e seu preenchimento. Contudo, tais exigências não impedem que a aplicação demande pouco tempo, variando com o porte da obra e com a experiência do aplicador no uso da ferramenta. A partir de estudos realizados, pode-se estimar o tempo para aplicação da lista em torno de uma hora para edificações de porte médio (quatro a oito pavimentos).
Caso o aplicador não seja funcionário da empresa ou não trabalhe na obra em questão, é imprescindível que, na ocasião da visita ou com antecedência, explique-se ao mestre-de-obras ou engenheiro da obra os objetivos do levantamento e os procedimentos para a coleta de dados.
Elaboração de croquis do layout do canteiro:
A análise da(s) planta(s) de layout é útil para a identificação de problemas relacionados ao arranjo físico propriamente dito, permitindo observar, por exemplo, a localização equivocada de alguma instalação ou o excesso de cruzamentos de fluxo em determinada área. A necessidade desta ferramenta surge do fato de que a grande maioria dos canteiros não possui uma planta de layout, situação que acaba obrigando a elaboração de um croqui na própria obra, durante a visita de diagnóstico. Considerando essa necessidade, são apresentadas a seguir algumas diretrizes para a elaboração de croquis do layout do canteiro. Tais diretrizes também são aplicáveis à elaboração das plantas de layout.
Inicialmente, recomenda-se desenhar croquis de todos os pavimentos necessários à perfeita compreensão do layout (subsolo, térreo e pavimento tipo, por exemplo). Sugere-se utilizar folha A4 e consultar o projeto arquitetônico, disponível na próprio escritório da obra. Nos canteiros convencionais, uma aproximação da escala 1:200 será suficiente, não sendo, porém, necessária muita rigidez na transferência de escala. Nos croquis, devem constar no mínimo os seguintes itens:
(a) definição aproximada do perímetro dos pavimentos, diferenciando áreas fechadas e abertas;
(b) localização de pilares e outras estruturas que interfiram na circulação de materiais ou pessoas;
(c) portões de entrada no canteiro (pessoas e veículos) e acesso coberto para clientes;
(d) localização de árvores que restrinjam ou interfiram na circulação de materiais ou pessoas, inclusive na calçada;
(e) localização das instalações provisórias (banheiros, escritório, refeitório, etc.), inclusive plantão de vendas;
(f) todos os locais de armazenamento de materiais, inclusive depósito de entulho;
(g) localização da calha ou tubo para remoção de entulho;
(h) localização da betoneira, grua, guincho e guincheiro, incluindo a especificação do(s) lado(s) pelo(s) qual(is) se fazem as cargas no guincho;
(i) localização do elevador de passageiros;
(j) localização das centrais de carpintaria e aço;
(l) pontos de içamento de fôrmas e armaduras;
(m) localização de passarelas, rampas e/ou escadas provisórias com indicação aproximada do desnível; e
(n) linhas de fluxo principais.
Registro fotográfico:
Na apresentação dos resultados do diagnóstico é interessante incluir registros visuais da situação encontrada, podendo ser utilizadas tanto filmagens quanto fotografias. Uma vez no canteiro, é comum que o observador fique em dúvida sobre o que fotografar e, em conseqüência, deixe de registrar importantes problemas que acabam passando desapercebidos. Para evitar este problema, foi elaborada uma listagem dos principais pontos do canteiro que devem ser fotografados, escolhidos com base na sua importância logística e pelo fato de serem tradicionais focos de problemas. A listagem é composta por treze itens:
(a) armazenamento de areia;
(b) armazenamento de tijolos;
(c) armazenamento de cimento;
(d) entulho (em depósito ou não);
(e) condições do terreno por onde circulam caminhões;
(f) refeitório, vestiários e banheiros com as respectivas instalações;
(g) detalhamento do sistema construtivo das instalações provisórias;
(h) fechamento de poços de elevadores;
(i) corrimãos provisórios de escadas;
(j) sistema de fixação das treliças das bandejas salva-vidas na edificação;
(l) acesso ao guincho nos pavimentos; (m) proteção contra quedas no perímetro dos pavimentos; e
(n) sistema de drenagem.
Na reunião de apresentação dos resultados do diagnóstico as fotografias podem desempenhar um importante papel como instrumento de apoio à argumentação, visto que se constituem em um registro indiscutível da realidade observada. O relatório pode incluir ao lado de cada fotografia de uma situação negativa, uma outra fotografia, a qual mostre um exemplo de solução para a deficiência encontrada. Se possível, os exemplos positivos devem ser de outras obras da empresa, indicando a fácil disponibilização das soluções.
Padronização:
Em meio às diversas estratégias gerenciais cujo uso se disseminou no movimento pela qualidade total, a padronização destaca-se como uma das mais importantes e mais eficientes, podendo trazer uma série de benefícios à empresa, facilitando as atividades de planejamento, controle e execução. Contudo, a padronização não é uma estratégia a ser utilizada indiscriminadamente em qualquer situação, fazendo-se necessário um estudo criterioso da sua real necessidade e profundidade de implantação. Assim, empresas que trabalham com diversos tipos de obras, em diferentes regiões, devem avaliar quais são os serviços e procedimentos comuns passíveis de padronização, adotando-se padrões somente para estes.
Benefícios da padronização:
Pode haver variações significativas nas instalações de canteiro, conforme o tipo de obra. Um prédio de apartamentos, um conjunto habitacional, uma estrada, uma usina hidroelétrica ou uma planta industrial, podem apresentar canteiros tão distintos quanto as tecnologias empregadas. Deste modo, a padronização deve ser encarada como uma estratégia a considerar em maior ou menor grau, sendo mais recomendada para empresas que constroem obras com tipologia e tecnologia semelhantes, como é o caso da grande maioria das construtoras e incorporadoras de edificações.
Conforme Maia (1994), dentre os principais critérios para determinar os processos a serem padronizados na construção de edifícios devem estar a sua importância em termos de custo e o grau de repetição. A padronização das instalações de canteiro é fortemente justificada e recomendada pelo segundo critério (repetição), pois qualquer obra, independentemente do porte ou tecnologia, necessita de tais instalações. Para empresas que constroem obras com características semelhantes, a repetição assume um caráter ainda mais forte, existindo a possibilidade das instalações de canteiro serem praticamente idênticas em todas as obras, respeitadas as particularidades intrínsecas ao layout de cada canteiro. Especificamente no que diz respeito às instalações de canteiro, a padronização pode trazer os seguintes benefícios:
(a) diminuição das perdas de materiais, como decorrência do reaproveitamento, da melhor qualidade e da utilização mínima de componentes nas instalações (somente o especificado pelo padrão, nada mais);
(b) facilidade para o planejamento do layout dos novos canteiros, pois muitos dos padrões são dados necessários à realização da atividade;
(c) contribuição para a formação de uma imagem da empresa no mercado, lembrando que a qualidade do padrão é o fator que determina se esta imagem é positiva ou negativa;
(d) conformidade com os requisitos da NR-18, evitando multas e prevenindo acidentes;
(e) possibilidade de elaboração de um modelo básico de PCMAT (Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho) a partir dos padrões estabelecidos. Desta forma o PCMAT refletirá a realidade da empresa, ao contrário do que aconteceria se a elaboração do mesmo não considerasse as reais práticas (padrões) da empresa;
(f) estabelecimento da base, a partir da qual o processo de introdução de melhorias nos canteiros é implantado.
Apesar destes benefícios potenciais, são poucas as empresas que possuem seus canteiros padronizados. Durante o já citado diagnóstico junto à quarenta canteiros no Rio Grande do Sul foi constatado o pouco uso da padronização, tendo sido observadas as seguintes práticas:
(a) as melhorias existentes em um canteiro não eram estendidas aos demais, ainda que tratassem de instalações simples, como o uso de dosadores de água ou depósitos para entulho;
(b) a improvisação e a falta de uma estratégia definida acerca da tipologia das instalações provisórias era visível, não existindo nenhum documento que registrasse o sistema utilizado pela empresa. Deste modo, detectava-se o uso, dentro da mesma empresa, de diferentes sistemas em chapas de compensado, ou o uso não criterioso de instalações em alvenaria e compensado;
(c) as instalações de segurança também eram improvisadas, salientando-se itens como os corrimãos provisórios de escadas, proteção no poço do elevador e andaimes. Algumas dessas instalações, como os guarda-corpos do poço do elevador, eram indevidamente retiradas pelos operários para uso em outros locais da obra, o que em parte devia-se ao caráter precário das mesmas.
Etapas da padronização:
A padronização dos canteiros pode ser normalmente realizada em um período que varia de dois à três meses, incluindo quatro etapas: diagnóstico, reuniões do grupo de padronização, elaboração do manual de padrões e elaboração do plano de implantação e controle.
O diagnóstico deve envolver, de preferência, todas as obras da empresa. Tendo em vista a padronização, o diagnóstico deve atingir os seguintes objetivos:
(a) identificar padrões já existentes e padrões novos que necessitarão ser elaborados;
(b) identificar as deficiências mais freqüentes e graves nos canteiros, as quais poderão ter seus respectivos novos padrões priorizados para implantação;
(c) justificar a necessidade do trabalho de padronização e demonstrar a importância do planejamento do canteiro, a partir do relato dos problemas detectados.
No fechamento da etapa deve ser feita uma reunião, contando com a presença de mestres, engenheiros de obra e diretores, sendo apresentadas e discutidas as conclusões do diagnóstico, além de sugeridas soluções para os problemas encontrados. Nesta reunião também devem ser definidos os participantes do grupo de padronização e quais instalações serão padronizadas. Este grupo não deve ter um número excessivo de participantes (seis pessoas é um bom limite máximo), devendo envolver engenheiros, mestres-de-obras e técnicos em segurança. É fundamental que um ou mais dos componentes do grupo detenha poder de decisão dentro da empresa, de forma que, com base nos recursos e necessidades da empresa, seja dada agilidade às decisões, facilitando o processo de implantação do padrão estabelecido.
Desde a primeira reunião de padronização, já devem ser definidos um coordenador e um responsável pela redação preliminar dos padrões estabelecidos, os quais deverão também elaborar o manual de padronização no seu formato final. Ao coordenador do grupo caberá conduzir as reuniões a partir de uma listagem dos itens a serem discutidos. O quadro 3.2 apresenta um exemplo de programação das reuniões de padronização, incluindo uma sugestão de itens a serem abordados. As reuniões geralmente têm duração entre uma hora e uma hora e trinta minutos, recomendando-se que estas sejam realizadas semanalmente.
A definição dos padrões deve considerar basicamente quatro fatores:
(a) a capacitação técnica e financeira da empresa, de modo a se planejar padrões viáveis de implantação;
(b) a estratégia de produção (mesmo que esta só exista de forma implícita), de modo que os padrões sejam coerentes com as prioridades e objetivos estratégicos da empresa. Por exemplo, se a empresa visa reduzir custos com transporte de materiais pode ser interessante padronizar o uso de pallets no transporte de blocos e cimento;
(c) benchmarks, os quais serão úteis para a elaboração de padrões novos e revisão dos já existentes;
(d) os requisitos da NR-18, para padronização das instalações de segurança e áreas de vivência.
Em relação à elaboração do manual, os padrões devem ser concebidos se assumindo que os mesmos têm caráter evolutivo, isto é, eles podem e devem ser alterados quando for viável implantar uma solução mais eficiente que a atual. Como decorrência das inevitáveis alterações, não é recomendável elaborar um manual único com todos os padrões, sendo mais interessante desagregá-los em diversos manuais particulares. Uma sugestão é agrupar os padrões em nove manuais, conforme a proposta apresentada a seguir:
(a) sistema construtivo das instalações provisórias;
(b) instalações provisórias - acessos à obra: tapumes, placa da empresa, portão para pessoas, portão para veículos, acesso coberto;
(c) instalações provisórias - áreas de vivência e de apoio: plantão de vendas, guarita do vigia, escritório, almoxarifado, refeitório, vestiário e instalações sanitárias;
(d) segurança na obra - proteções contra quedas de altura: escadas, escadas de mão, poços de elevadores, proteção contra queda na periferia dos pavimentos, aberturas no piso, bandejas salva-vidas, andaimes suspensos, elevador de passageiros;
(e) segurança na obra - elevador de carga;
(f) segurança na obra - instalações complementares: sinalização de segurança, EPI´s e uniforme, caixa de capacetes para visitantes, instalações elétricas, proteção contra incêndio, serra circular;
(g) movimentação e armazenamento de materiais: vias de circulação, entulho, produção de argamassa e concreto, armazenamentos de cimento, agregados, blocos, aço e tubos de PVC;
(h) planejamento de layout: envolve diretrizes para dimensionamento e locação das instalações de canteiro; e
(i) manutenção da organização dos canteiros: programa 5S.
A redação dos padrões deve ser em linguagem simples e objetiva, priorizando-se a colocação de figuras. Também deve ser observada a necessidade de padronização da própria documentação, ou seja, de seus cabeçalhos, rodapés, caracteres alfanuméricos e capas. Caso a empresa já possua certificação com base nas normas da série ISO 9000, ou deseje obtê-la, os padrões dos canteiros devem observar a hierarquia e formato da documentação da qualidade da empresa.
Uma alternativa simples para a redação dos padrões consiste na redação dos mesmos sob a forma de checklists, os quais apenas referenciam as páginas do manual nas quais podem ser encontradas as figuras necessárias à sua interpretação. Após o término da elaboração dos manuais se faz necessário estabelecer um plano de implantação e controle dos padrões. Tal plano pode ser elaborado através da técnica do 5W2H (o que?, quem?, quando?, onde?, por que?, como?, quanto custa?), respondendo cada uma das sete questões para os padrões considerados prioritários. Além do plano de ação, outras medidas podem ser adotadas para facilitar a disseminação, implantação e controle dos padrões:
(a) realização de reuniões de treinamento com mestres, engenheiros e encarregados não participantes do grupo de padronização. Tais reuniões têm o objetivo de divulgar o plano de implantação, evidenciar sua importância e explicar o conteúdo dos manuais, esclarecendo inclusive aspectos técnicos de cada padrão;
(b) avaliar periodicamente a aplicação dos padrões em todas as obras da empresa. Esta tarefa pode ser feita utilizando-se checklists correspondentes aos padrões de cada manual; e
(c) alterar os manuais sempre que algum padrão for modificado.
3 Planejamento do canteiro:
O planejamento de canteiro deve ser realizado através de um procedimento sistematizado, compreendendo cinco etapas básicas:
(a) análise preliminar: esta etapa envolve a coleta e a análise de dados, sendo fundamental para a execução qualificada e ágil das demais etapas. A não realização completa e antecipada da análise preliminar pode provocar interrupções e atrasos durante as etapas posteriores, visto que faltarão as informações necessárias para a tomada de decisões. As empresas que possuem suas instalações de canteiro padronizadas realizarão com maior facilidade esta etapa, uma vez que boa parte das informações requeridas estão prontamente disponíveis. As principais informações que devem ser coletadas nessa etapa são as seguintes: ·
- Programa de necessidades do canteiro: devem ser listadas todas as instalações de canteiro que deverão ser locadas, estimando-se a área aproximada necessária para cada uma delas. Para tanto, recomenda-se o uso de um checklist.
- Informações sobre o terreno e o entorno da obra: devem estar disponíveis informações tais como a localização de árvores na calçada e dentro do terreno, pré-existência de rede de esgoto, passagem de rede alta tensão em frente ao prédio, desníveis do terreno, rua de trânsito menos intenso caso o terreno seja de esquina, etc. Mesmo que estas informações estejam representadas nas plantas dos vários projetos, é recomendável a conferência in loco;
- Definições técnicas da obra: devem estar definidas as principais tecnologias construtivas adotadas, a fim de que se possa ter claro quais serão os espaços necessários para a circulação, estocagem de materiais e áreas de produção. São exemplos de definições desta natureza o tipo de estrutura (concreto usinado, pré-moldados, estrutura de aço, etc.), tipo de argamassa (ensacada, pré-misturada ou feita na obra), tipo de bloco de alvenaria ou tipo de revestimento de fachadas;
- Cronograma de mão-de-obra: deve ser estimado o número de operários no canteiro para três fases básicas do layout, ou seja, para a etapa inicial da obra a etapa de pico máximo de pessoal e a etapa final ou de desmobilização do canteiro;
- Cronograma físico da obra: a elaboração do cronograma de layout requer a consulta ao cronograma físico da obra, uma vez que é normal a existência de interferências entre ambos. Embora o cronograma físico original possa sofrer pequenas alterações para viabilizar um layout mais eficiente, deve-se, na medida do possível, procurar tirar proveito da programação estabelecida sem alterá-la. Entretanto são comuns situações que exigem, por exemplo, o retardamento da execução de trechos de paredes, rampas ou lajes para viabilizar a implantação do canteiro. Além destas análises de atrasos ou adiantamento de serviços, o estudo do cronograma físico permite a coleta de outras informações importantes para o estudo do layout, como, por exemplo, a verificação da possibilidade de que certos materiais não venham a ser estocados simultaneamente a outros (blocos e areia, por exemplo), o prazo de liberação de áreas da obra passíveis de uso por instalações de canteiro, prazo de início da alvenaria (para reservar área de estocagem de blocos), etc.;
- Consulta ao orçamento: com base no levantamento dos quantitativos de materiais e no cronograma físico, podem ser estimadas as áreas máximas de estoque para os principais materiais.
(b) arranjo físico geral: a etapa de definição do arranjo físico geral, também denominado de macro-layout, envolve o estabelecimento do local em que cada área do canteiro (instalação ou grupo de instalações) irá situar-se, devendo ser estudado o posicionamento relativo entre as diversas áreas. Nesta etapa, por exemplo, define-se de forma aproximada, a localização das áreas de vivência, áreas de apoio e área do posto de produção de argamassa;
(c) arranjo físico detalhado: envolve o detalhamento do arranjo físico geral, ou a definição do micro-layout, no qual é estabelecida a localização de cada equipamento ou instalação dentro de cada área do canteiro. Nesta etapa define-se, por exemplo, a localização de cada instalação dentro das áreas de vivência, ou seja, as posições relativas entre vestiário, refeitório e banheiro, com as respectivas posições de portas e janelas;
(d) detalhamento das instalações: definido o arranjo físico do canteiro, faz-se necessário planejar a infra-estrutura necessária ao funcionamento das instalações. Desta forma, com base nos padrões da empresa, devem ser estabelecidos, por exemplo, a quantidade e tipos de mesas e cadeiras nos refeitórios, quantidades e tipos de armários nos vestiários, técnicas de armazenamento de cada material, tipo de pavimentação das vias de circulação de materiais e pessoas, local e forma de fixação das plataformas de proteção, etc.;
(e) cronograma de implantação: este cronograma deve apresentar graficamente o seqüenciamento das fases de layout, além de explicitar as fases ou eventos da execução da obra (concretagem de uma laje, por exemplo) que determinam uma alteração no layout. O cronograma de implantação pode estar inserido no plano de longo prazo de produção, sendo útil para a divulgação do planejamento, para a programação da alocação de recursos aos trabalhos de implantação do canteiro, e, ainda, para o acompanhamento da implantação, facilitando a identificação e análise de eventuais atrasos. A figura 3.4 abaixo apresenta um exemplo de cronograma de layout.
O layout já deve ser estudado a partir do momento em que estiver disponível o anteprojeto arquitetônico do edifício. Contudo, nessa etapa ainda não há necessidade de dimensionar e locar com precisão as instalações. A consideração do layout já nesta etapa tem como principal objetivo permitir que, na medida do possível, o projeto arquitetônico e os projetos complementares possam considerar as necessidades do projeto do canteiro de obras. Tal prática tende a evitar que o projeto do canteiro seja, como ocorre muitas vezes, uma mera conseqüência das restrições impostas pelos projetos executivos. Obviamente que as interferências do canteiro nos outros projetos não irão implicar em mudanças radicais na concepção inicial dos projetos. Embora as mudanças devam se limitar a intervenções de pequeno impacto, elas podem ser fundamentais para a viabilização de um layout eficiente. Dentre os assuntos que podem ser objeto de intervenção podem ser citadas a largura ou o dimensionamento de uma rampa para passagem de caminhões ou a execução de um detalhe na fachada para viabilizar a colocação de uma grua.
O planejamento do canteiro deve preferencialmente ser coordenado pelo gerente técnico da obra. Além deste, é fundamental a participação do mestre-de-obras e de representantes dos empreiteiros envolvidos. Caso o estudo seja feito ainda durante a etapa de anteprojeto, deve ser elaborada uma planta de anteprojeto do canteiro para ser encaminhada a todos os projetistas, a fim de que todos verifiquem a existência de eventuais interferências com seus projetos.
Programa de manutenção da organização do canteiro:
É comum que exista entre os profissionais da construção civil a percepção de que canteiros de obra são locais destinados a serem sujos e desorganizados, características determinadas pela natureza do processo produtivo e pela baixa qualificação da mão-de-obra. Os diagnósticos realizados junto aos quarenta canteiros de obra, confirmaram que, na maior parte destas obras, a desorganização dos canteiros realmente confirma esta percepção. Entretanto, algumas obras mostraram-se significativamente superiores às demais em termos de limpeza e organização. A causa identificada para essa melhor situação foi a existência, nestas empresas, de programas de envolvimento dos funcionários à gestão do canteiro. Tais programas, através de treinamento, colocação de metas, avaliação de desempenho e premiações, conscientizavam e estimulavam os trabalhadores a manter a obra limpa e organizada.
Estes programas têm como base os princípios dos programas 5S, os quais visam a criar nas organizações um ambiente propício a implantação de programas de qualidade, através do desenvolvimento de cinco práticas ou sensos nos indivíduos: descarte (seiri), ordem (seiton), limpeza (seiso), asseio (seiketsu) e disciplina (shitsuke) (OSADA). A primeira prática, o descarte, tem como princípio identificar materiais ou objetos que são desnecessários no local de trabalho e encaminhá-los ao descarte, retirando-os do canteiro de obras. Além de liberar áreas do canteiro, o descarte pode resultar em benefícios financeiros através da venda dos materiais.
A segunda prática, a organização, visa a estabelecer lugares certos para todos os objetos, diminuindo o tempo de busca pelos mesmos. A implementação da prática pode se dar através de comunicação visual e padronização. A definição de lugares certos para cada documento no escritório, o etiquetamento de prateleiras de materiais no almoxarifado ou o uso de uma cor diferente nos capacetes dos visitantes, são exemplos de práticas adotadas. A terceira prática, a limpeza, visa a, além de tornar mais agradável o ambiente de trabalho, melhorar a imagem da empresa perante clientes e funcionários e facilitar a manutenção dos equipamentos e ferramentas.
Um local mais limpo é mais transparente, permitindo a identificação visual de problemas e facilitando o acesso aos equipamentos. A quarta prática, o asseio, tem como objetivos conscientizar os trabalhadores acerca da importância de manter a higiene individual, assim como de manter condições ambientais satisfatórias de trabalho, tais como os níveis de ruído, iluminação e de temperatura. A última prática, a da disciplina, visa a desenvolver a responsabilidade individual e a iniciativa dos trabalhadores, podendo ser desenvolvida através do treinamento. Esta prática pode ser medida, por exemplo, através dos níveis de utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI).
Diversas empresas de construção têm implantado programas de manutenção da organização dos canteiros com base nestes princípios, porém em muitos casos sem a utilização do termo 5S (é comum o programa SOL - segurança, organização e limpeza) e sem um estudo mais aprofundado de suas recomendações de implantação, o que tem limitado sua eficiência. Tratando especificamente da aplicação do programa 5S à organização dos canteiros, sugerem-se as seguintes diretrizes para implantação:
a) definir critérios objetivos de avaliação: devem ser listados os itens do canteiro a serem avaliados e estabelecidos os critérios de avaliação para cada item. Deve ser observado que os critérios de avaliação devem ser alterados na medida em que já estiverem incorporados à rotina do canteiro, sendo substituídos por critérios novos ou mais exigentes.
Considerando que os resultados da avaliação de diferentes itens devem ser expressos sob uma unidade comum de medida, a nota atribuída ao item limpeza com base na aplicação do checklist pode ser enquadrada em faixas de desempenho, representadas por cores, conforme o exemplo abaixo:
- nota de 0 à 5 = faixa vermelha;
- nota de 5,1 à 8,0 = faixa amarela;
- nota de 8,1 à 10,0 = faixa verde.
Da mesma forma que neste exemplo, qualquer outro critério de avaliação poderia ter seu resultado adaptado às faixas apresentadas. O item de avaliação reclamações de vizinhos, por exemplo, poderia ter critérios estabelecendo que, em uma dada semana, situaria-se na faixa verde caso não houvesse reclamação, situaria-se na faixa amarela caso houvesse uma reclamação e na faixa vermelha caso houvesse mais de uma.
(b) estabelecer avaliadores e periodicidade de avaliação: a avaliação não deve ser feita unicamente por alguém diretamente interessado no seu resultado, tal como o mestre, os operários ou o engenheiro da obra. Assim, é recomendável que além da participação de membros internos à obra, exista também um avaliador externo, representado, por exemplo, por outro engenheiro da empresa ou um consultor. Quanto à periodicidade de avaliação, a prática mais comum é a avaliação semanal, podendo ou não ter dia e horário pré-fixados. O fato de não haver um dia preestabelecido normalmente é vantajoso, uma vez que evita a organização circunstancial do canteiro.
(c) estabelecer sistema de premiação: devem ser tomados alguns cuidados na definição da premiação, uma vez que a mesma constitui importante fator de motivação dos funcionários envolvidos no programa. Inicialmente, deve-se estabelecer se a premiação (e não a avaliação) será individual ou coletiva. Recomenda-se que a definição da premiação seja feita em conjunto com os trabalhadores, podendo ser alterada no decorrer do tempo. Outro assunto importante é o estabelecimento do patamar de desempenho necessário para receber a premiação. Nesse sentido, sugere-se a definição de um limite mínimo de desempenho, acima do qual todas as obras da empresa serão premiadas, mesmo que alguma obra se sobressaia sobre as demais. Um sistema de concorrência entre obras poderia ser utilizado paralelamente a este, dando um prêmio adicional para a melhor obra. Contudo, o uso exclusivo do sistema de concorrência não é recomendável, já que poderia ocorrer favorecimento de obras com determinadas características ou fases de execução mais fáceis de serem gerenciadas.
(d) forma de expressar os resultados: os itens e critérios de avaliação, assim como os resultados da mesma, devem ser expressos no canteiro da forma mais transparente e objetiva possível, de modo que todos os trabalhadores possam compreender seu significado. As Figuras 3.6 e 3.7 apresentam dois exemplos de quadros com resultados de avaliação de canteiros. O quadro da Figura 3.6 apresenta os resultados através de notas e gráficos de barras, enquanto que o quadro da Figura 3.7, de mais fácil compreensão, apresenta os resultados através de faixas de desempenhos, representadas por cartões coloridos.
4 Diretrizes para o planejamento de canteiros de obra:
Tipologia das instalações provisórias:
Embora na maior parte dos canteiros predominem os barracos em chapas de compensado, existem diversas possibilidades para a escolha da tipologia das instalações provisórias, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Seja qual for o sistema utilizado, devem ser considerados os seguintes critérios: custos de aquisição, custos de implantação, custos de manutenção, reaproveitamento, durabilidade, facilidade de montagem e desmontagem, isolamento térmico e impacto visual. A importância de cada critério é variável conforme as necessidades da obra. Nesta seção são apresentados dois sistemas: um sistema racionalizado em chapas de compensado e o sistema de containers.
Sistema tradicional racionalizado:
O sistema tradicional racionalizado representa um aperfeiçoamento dos barracos em chapa de compensado comumente utilizados, de forma a aumentar o seu reaproveitamento e facilitar a sua montagem e desmontagem. O sistema racionalizado constitui-se de módulos de chapa de compensado resinado, com espessura mínima de 14 mm, ligados entre si por qualquer dispositivo que facilite a montagem e a desmontagem, tais como parafusos, dobradiças ou encaixes.
Os seguintes requisitos devem ser considerados na concepção do sistema:
(a) Proteger as paredes do banheiro contra a umidade (requisito da NR-18), revestindo-as, por exemplo, com chapa galvanizada ou pintura impermeável. Com o mesmo objetivo, é recomendável que o piso dos banheiros seja feito em contrapiso cimentado, e não em madeira;
(b) Prever módulos especiais para portas e janelas. As janelas preferencialmente devem ser basculantes, garantindo iluminação natural à instalação;
(c) Fazer a cobertura dos barracos com telhas de zinco, as quais são mais resistentes ao impacto de materiais se comparadas às telhas de fibrocimento. Além de usar telhas de zinco, pode ser necessária a colocação de uma proteção adicional sobre os barracos, como, por exemplo, uma tela suspensa de arame de pequena abertura;
(d) Pintar os módulos nas duas faces, assim como selar os topos das chapas de compensado, contribuindo para o aumento da durabilidade da madeira.
(e) Prever opção de montagem em dois pavimentos, já que esta será uma alternativa bastante útil em canteiros restritos. Um problema que pode surgir ao planejar-se um sistema com dois pavimentos é a interferência com a plataforma principal de proteção. Nesse caso, uma solução que tem sido aceita pela fiscalização é o deslocamento da plataforma para a laje imediatamente superior, somente no trecho em que existe interferência.
O mesmo sistema descrito poderia também ser feito com chapas metálicas galvanizadas, tomando-se o cuidado adicional, neste caso, de acrescentar algum tipo de isolamento térmico às paredes, como por exemplo, placas de isopor acopladas as mesmas. Deve-se estar atento ainda, para o fato de que o sistema apresentado pode ser aproveitado também em áreas cobertas. Nesse caso, os únicos componentes do sistema a serem usados são os módulos de parede.
Containers:
A utilização de containers na construção é uma prática habitual em países desenvolvidos e uma alternativa adotada há algum tempo, por exemplo, em obras de montagem industrial e grandes empreendimentos. Embora atualmente venha ocorrendo uma disseminação do uso de containers em obras de edificações residenciais e comerciais, essa opção ainda pode ser considerada minoritária se comparada aos barracos em madeira. Apesar de existir a opção de compra de container com isolamento térmico, o custo desta opção faz com que ela raramente seja utilizada, ocasionando a principal reclamação dos operários em relação ao sistema: as temperaturas internas são muito altas nos dias mais quentes. Tendo em vista a minimização do problema, algumas medidas simples podem ser adotadas: pintura externa em cor branca, execução de telhado sobre o container e, conforme a NR-18, uma ventilação natural de, no mínimo, 15% da área do piso, composta por, no mínimo, duas aberturas.
Além dos requisitos de ventilação, a NR-18 tem outras exigências importantes em relação aos containers:
(a) a estrutura dos containers deve ser aterrada eletricamente, prevenindo contra a possibilidade de choques elétricos;
(b) containers originalmente usados no transporte e/ou acondicionamento de cargas devem ter um atestado de salubridade relativo a riscos químicos, biológicos e radioativos, com o nome e CNPJ da empresa responsável pela adaptação.
Em que pese o relativo alto custo de aquisição e as dificuldades para manter um bom nível de conforto térmico, os containers apresentam diversas vantagens, tais como a rapidez no processo de montagem e desmontagem, reaproveitamento total da estrutura e a possibilidade de diversos arranjos internos. As dimensões usuais dos containers encontrados no mercado são 2,4 m x 6,0 m e 2,4 m x 12,0 m, ambos com altura de 2,60 m. Existem diversos fornecedores no mercado (aluguel e venda), havendo opções de entrega do container já montado ou somente de entrega de seus componentes para montagem na obra. Em caso de empilhamento de unidades, deve-se priorizar a colocação de depósitos de materiais no módulo térreo, tendo em vista a facilidade de acesso.
Exemplos de estratégias para implantação das instalações provisórias:
Nesta seção são comparados os custos de três opções de implantação das instalações provisórias, tendo sido adotados os seguintes parâmetros de referência:
- a obra tem duração de doze meses;
- o pico máximo será de vinte e cinco operários;
- a vida útil das chapas de compensado pintadas é igual a 3 anos;
- os barracos são de dois pavimentos, executados conforme a descrição do item anterior, com piso cimentado;
- considera-se que todos os materiais foram adquiridos novos para esta obra;
- não será considerada a depreciação dos equipamentos;
- tanto os barracos quanto os containers devem abrigar banheiros, vestiário, escritório, almoxarifado e refeitório;
- o custo de entrega ou retirada do container de 12 x 2,40 m na obra é de R$ 250,00; e
- o custo da chapa de compensado de 14 mm é de R$ 16,00 e o custo de aquisição do container é de R$ 3.000,00.
As opções consideradas foram as seguintes:
(a) Opção A: esta opção considera a aquisição de dois containers de dimensões 12 x 2,40 m (área de 57,6 m2 ), os quais substituirão totalmente os barracos em chapas de compensado, abrigando todas as instalações durante todo o período de execução da obra. O custo desta opção, incluindo a entrega e retirada do container do canteiro, fica em torno de R$ 6.500,00.
(b) Opção B: a opção B considera a utilização do sistema racionalizado em chapas de compensado, em área equivalente aos dois containers da opção A, abrigando todo o pessoal da obra durante o período de execução. O custo da opção B, incluindo custos com mão-de-obra para montagem e desmontagem dos barracos, ficaria em torno de R$ 3.700,00.
(c) Opção C: a opção C considera que será alugado um container de dimensões 12 x 2,40 m nas fases inicial e final (3 meses de aluguel, a R$ 500;00/mês) da obra, locando as instalações em áreas construídas do prédio no restante do período. Aproximando os valores, o custo da opção C fica em torno de R$ 3.200,00.
Considerando somente a primeira obra, o custo da opção A é 76% superior ao das opções B e C. Esta última opção é a mais barata, tendo custo 13,5% inferior ao da opção B. A Figura 4.2 abaixo mostra o incremento de custos de cada opção ao longo de 4 anos, admitindo que neste período a construtora executou 4 obras semelhantes à utilizada no exemplo. Observa-se que na segunda e na terceira obra (ou no segundo e no terceiro ano) a opção B teria o custo mais baixo, enquanto que a partir da quarta obra a opção A assumiria esta posição. Ainda que a análise seja simplificada, desconsiderando os custos financeiros, a tendência observada é que a opção de uso exclusivo dos containers revele-se a mais vantajosa economicamente no médio e longo prazo.
Instalações provisórias, áreas de vivência e de apoio:
De acordo com a definição da NR-18 (SEGURANÇA), as áreas de vivência (refeitório, vestiário, área de lazer, alojamentos e banheiros) são áreas destinadas a suprir as necessidades básicas humanas de alimentação, higiene, descanso, lazer e convivência, devendo ficar fisicamente separadas das áreas laborais. Esta norma também exige, tendo em vista as condições de higiene e salubridade, que estas áreas não sejam localizadas em subsolos ou porões de edificações.
Já as áreas de apoio (almoxarifado, escritório, guarita ou portaria e plantão de vendas) compreendem aquelas instalações que desempenham funções de apoio à produção, abrigando funcionário(s) durante a maior parte ou durante todo o período da jornada diária de trabalho, ao contrário do que ocorre nas áreas de vivência, as quais só são ocupadas em horários específicos. Nas próximas seções são apresentadas diretrizes para o planejamento do layout e da logística de cada uma das instalações que compõem as áreas de vivência e de apoio de um canteiro.
Refeitório:
Considerando a inexistência de norma que estabeleça um critério para dimensionamento de refeitório, sugere-se o uso do parâmetro 0,8 m2 /pessoa. Este valor tem por base a experiência de diferentes empresas, considerando que os refeitórios dimensionados através dele demonstraram possuir área suficiente para abrigar todos os funcionários previstos, não se detectando reclamações. Existem duas exigências básicas para definir a localização do refeitório. A primeira, comum as demais áreas de vivência, é a proibição de sua localização em subsolos ou porões (NR-18). A segunda exigência é a inexistência de ligação direta com as instalações sanitárias, ou seja, não possuir portas ou janelas em comum com tais instalações. A segunda exigência não implica necessariamente em posicionar o refeitório afastado dos banheiros, visto que a proximidade é desejável para facilitar a utilização dos lavatórios destes.
Considerando que o refeitório é uma instalação que abriga muitas pessoas simultaneamente, além de conter aquecedores de refeições, é indispensável que o mesmo possua uma boa ventilação. Dentre os vários modos de ventilar naturalmente a instalação, alguns dos mais utilizados têm sido a execução de uma das paredes somente até meia-altura ou o fechamento lateral somente através de tela de arame ou náilon, o que é uma solução inadequada em regiões de clima frio. Contudo, seja qual for o tipo de fechamento, é importante que o mesmo isole a instalação das áreas de produção e circulação, evitando a penetração de pequenos animais e contribuindo para a manutenção da limpeza do local.
Apesar de ser uma instalação exigida pela NR-18, algumas empresas não colocam refeitório nos canteiros e outras os mantêm em condições precárias, alegando a pouca utilização por parte dos funcionários. A justificativa comum é a de que os trabalhadores não gostam de comer nos refeitórios, pelo fato de terem vergonha de sua marmita e de seus hábitos à mesa, preferindo fazer as refeições em locais diversos, sozinhos ou em pequenos grupos. É preciso lembrar ainda que devido à natureza autoritária das relações de trabalho no setor e ao baixo grau de organização e evolução social de grande parte dos trabalhadores, melhorias no refeitório e no canteiro de modo geral, dificilmente serão exigidas pelos operários. Desse modo, cabe à empresa dotar o canteiro de boas condições ambientais, além de incentivar e cobrar o uso e manutenção das instalações.
Alguns exemplos de ações que podem ser realizadas para facilitar a assimilação do refeitório por parte dos operários são listadas abaixo:
(a) colocação de mesas e cadeiras separadas (tipo bar, por exemplo) de modo a favorecer que os trabalhadores agrupem-se segundo suas afinidades pessoais;
(b) fornecimento de refeições prontas;
(c) colocação de televisão;
(d) atendimento aos requisitos da NR-18 como, por exemplo, lixeira com tampa, fornecimento de água potável por meio de bebedouro ou dispositivo semelhante, mesas com tampos lisos e laváveis e aquecedor de refeições
Área de lazer:
A área de lazer pode ser implementada de várias formas, sendo recomendável uma consulta prévia aos trabalhadores acerca de suas preferências. Contudo, as características do canteiro podem restringir ou ampliar a gama de opções. Em caso de um canteiro amplo, por exemplo, é possível ter-se um campo de futebol ou mesmo uma situação pouco comum, tal como um espaço para cultivo de uma horta. Em canteiros restritos a opção mais viável é a utilização do próprio refeitório como área de lazer, status que pode ser caracterizado pela colocação de uma televisão ou jogos, tais como pingue-pongue e damas. Embora a NR18 (SEGURANÇA) só exija a existência de área de lazer se o canteiro tiver trabalhadores alojados, a existência de tais áreas, mesmo quando a exigência não é aplicável, pode se revelar uma iniciativa com bons resultados, contribuindo para o aumento da satisfação dos trabalhadores.
Vestiário A NR-24 (SEGURANÇA), que apresenta requisitos referentes as condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho, estabelece um parâmetro de 1,5 m2 /pessoa para dimensionamento de vestiários. Entretanto, este critério é difícil de ser cumprido em canteiros restritos, fato comprovado em um levantamento realizado junto a quatorze canteiros de Porto Alegre (RS), nos quais obteve-se um valor médio de 1,0 m2 /pessoa.
O vestiário deve estar localizado ao lado dos banheiros e o mais próximo possível do portão de entrada e saída dos trabalhadores no canteiro. O requisito de proximidade com o portão de acesso de pessoal parte do pressuposto de que os EPI básicos, comuns a todos os trabalhadores (capacetes e botinas), sejam guardados no vestiário. Visto que esta instalação é o primeiro local no qual os operários dirigem-se ao chegar na obra e o último local ocupado antes que os mesmos deixem a obra no final do expediente, desta forma assegura-se que apenas o percurso vestiário-portão seja realizado sem o uso de capacete e botina.
Tendo em vista a segurança, é também recomendável criar-se uma ligação coberta entre o vestiário e o portão. Uma prática comum, orientada por problemas de furto, é a colocação de acessos independentes para vestiários e banheiros. Com o objetivo de evitar que funcionários, ao ir no banheiro em horário de expediente violem armários de colegas, algumas empresas nunca colocam vestiários e banheiros no mesmo ambiente ou com acessos comuns. Esse arranjo exige que, em algumas ocasiões, o operário tenha de percorrer trajetos ao ar livre para ir de uma instalação a outra, comprometendo sua privacidade e expondo-se às intempéries. Neste sentido, algumas empresas optam pela colocação somente de chuveiros no mesmo ambiente dos vestiários ou pela implantação de arranjos físicos que garantam privacidade e proteção no trajeto entre as instalações. Complementando os requisitos já discutidos, são sugeridas, a seguir, outras medidas para o planejamento dos vestiários:
(a) colocação de telhas translúcidas como cobertura (NR-24), melhorando assim a iluminação interna da instalação (o mesmo vale para as demais instalações provisórias);
(b) caso existam armários junto às paredes, deslocar as janelas para cima, aumentando sua largura para compensar a redução de altura;
(c) utilizar cabides de plástico ou de madeira, e não de pregos, os quais danificam as roupas penduradas;
(d) utilizar armários individuais (NR-18), de preferência metálicos. Apesar do preço relativo alto, o reaproveitamento e a melhor higiene tornam os armários metálicos vantajosos em comparação a armários feitos de compensado;
(e) identificar externamente, por um número, cada armário;
(f) dotar os armários de dispositivo para cadeado (NR-18), mas definir que a aquisição e colocação do cadeado é de responsabilidade de cada funcionário;
(g) definir que o capacete de cada funcionário deve ser guardado na sua respectiva prateleira no armário;
(h) disponibilizar bancos de madeira, com largura mínima de 30 cm (NR-18).
Uma questão geralmente mal resolvida nos vestiários é o local para colocação das botinas, as quais por questões de higiene não são colocadas dentro dos armários. Possíveis soluções podem ser a construção de sapateiras, divididas em compartimentos com a mesma numeração dos armários, ou a execução de uma divisória horizontal dentro dos armários, reservando um espaço isolado para as botinas. Uma prática comum que evita este problema, porém não recomendada por desgastar adicionalmente o calçado, é o trabalhador usar a botina como calçado normal, utilizando a mesma no trajeto casa-trabalho.
Banheiros:
A NR-18 apresenta critérios para o dimensionamento das instalações hidrossanitárias, estabelecendo as seguintes proporções e dimensões mínimas:
(a) 1 lavatório, 1 vaso sanitário e 1 mictório para cada grupo de 20 trabalhadores ou fração;
(b) 1 chuveiro para cada grupo de 10 trabalhadores ou fração;
(c) o local destinado ao vaso sanitário deve ter área mínima de 1,0 m2 ;
(d) a área mínima destinada aos chuveiros deve ter 0,80 m2 ;
(e) nos mictórios tipo calha, cada segmento de 0,60 m deve corresponder a um mictório tipo cuba.
Estes critérios devem ser interpretados como requisitos mínimos, recomendando-se adotar, especialmente para os chuveiros, um menor número de trabalhadores por aparelho. Tal recomendação decorre do fato de que os chuveiros geralmente representam um ponto crítico dos banheiros no horário de fim do expediente, isto é, são as instalações mais procuradas e, ao mesmo tempo, aquela em que os usuários consomem mais tempo, o que origina a formação de filas caso não existam aparelhos em número suficiente. Embora a norma não se refira ao assunto, sugere-se que não se incluam nos seus critérios os banheiros volantes (vaso sanitário ou mictório) colocados ao longo dos pavimentos. A justificativa para tal recomendação baseia-se no fato de que os banheiros volantes, por sua localização dispersa e significativa distância do vestiário, não podem ser utilizados no momento de maior exigência, representado pelo horário de saída do pessoal, conforme já citado. Um eventual banheiro exclusivo para o pessoal da administração da obra (engenheiro, mestre, estagiários e clientes) também não deve ser incluído nos critérios da NR-18.
Conforme mencionado no item 3.2.3, os banheiros devem estar localizados próximos do vestiário, situando-se ao seu lado ou no mesmo ambiente. Caso os banheiros sejam uma instalação vizinha, deve-se prever acessos que permitam ao trabalhador deslocar-se de uma peça para a outra sem a perda da privacidade. Existem várias configurações arquitetônicas que resolvem este problema. Deve-se também observar na localização dos banheiros a possibilidade de aproveitamento de uma eventual rede de esgoto pré-existente no canteiro e a já comentada proibição de ligação direta com o refeitório.
Em obras com grande desenvolvimento horizontal podem ser colocados banheiros volantes em locais próximos aos postos de trabalho, com o objetivo de diminuir deslocamentos improdutivos durante o horário de trabalho. A NR-18 (SEGURANÇA) estabelece 150 m como distância limite para deslocamento dos postos de trabalho até as instalações sanitárias, podendo-se interpretar que essa distância corresponde a deslocamentos horizontais e verticais. Em obras verticais os banheiros volantes também são importantes, uma vez que diminuem tempos improdutivos.
É recomendável que estes banheiros possuam ao menos um mictório e estejam localizados em uma área do pavimento tipo que permita ao tubo de queda provisório atingir o térreo em local próximo ao coletor dos esgotos dos banheiros. Em relação à disposição ao longo dos andares, uma boa prática é colocar um banheiro volante a cada três pavimentos (HINZE). A seguir são listadas algumas exigências da NR-18 (SEGURANÇA) e apresentadas sugestões que podem ser úteis no planejamento das instalações hidrossanitárias:
(a) deve existir recipiente com tampa para depósito de papéis usados junto ao lavatório e junto ao vaso sanitário (NR-18);
(b) colocar saboneteira com detergente (tipo rodoviária) em cada lavatório;
(c) colocar naftalina ou outro tipo de desinfetante nos mictórios;
(d) tanto o piso quanto as paredes adjacentes aos chuveiros devem ser de material que resista à água e possibilite a desinfecção (NR-18). Logo, caso as paredes sejam de chapas de compensado, as mesmas devem receber um revestimento protetor, usualmente feito com chapa galvanizada ou pintura impermeabilizante;
(e) deve existir em cada chuveiro um estrado, um cabide de madeira e uma saboneteira (NR-18).
Almoxarifado:
O principal fator a considerar no dimensionamento do almoxarifado é o porte da obra e o nível de estoques da mesma, o qual determina o volume de materiais e equipamentos que necessitam ser estocados. O tipo de material estocado também é uma consideração importante. No caso da estocagem de tubos de PVC, por exemplo, é necessário que ao menos uma das dimensões da instalação tenha, no mínimo, 6,0 m de comprimento. Deve-se observar que o volume estocado é variável ao longo da execução da obra, de modo que, em relação à fase inicial da obra, pode haver necessidade de ampliar a área disponível nas fases seguintes em duas ou mais vezes. Em um estudo de caso realizado, esta variação dimensional ficou bastante evidente: o almoxarifado inicial ocupou uma área de apenas 3,6 m2 , sendo a mesma posteriormente ampliada para 30 m2 . Em seis obras de porte semelhante (prédios de seis a nove pavimentos com área construída média de aproximadamente 1600 m2) a área média do almoxarifado, para a situação mais desfavorável ao longo da execução, foi de 27 m2 .
O almoxarifado abriga as funções de armazenamento e controle de materiais e ferramentas, devendo situar-se idealmente, próximo a três outros locais do canteiro, de acordo com a seguinte ordem de prioridades: ponto de descarga de caminhões, elevador de carga e escritório. A necessidade de proximidade com o ponto de descarga de caminhões e com o elevador de carga é evidente. No primeiro caso, a justificativa é o fato de que muitos materiais são descarregados e armazenados diretamente no almoxarifado. No segundo caso, considera-se que vários destes materiais devem ser, no momento oportuno, transportados até o seu local de uso nos pavimentos superiores, usualmente através do elevador. Já a proximidade com o escritório é desejável devido aos freqüentes contatos entre o mestrede-obras e o almoxarife, facilitando-se, assim, a comunicação entre ambos.
Caso exista almoxarife, a configuração interna do almoxarifado deve ser tal que a instalação seja dividida em dois ambientes: um para armazenamento de materiais e ferramentas (com armários e etiquetas de identificação), e outro para sala do almoxarife, com janela de expediente, através da qual são feitas as requisições e entregas. Ainda é importante lembrar que no almoxarifado (ou no escritório) deve ser colocado um estojo com materiais para primeiros socorros. Nos canteiros onde existem subempreiteiros de menor porte não vinculados ao empreiteiro principal da obra (os de instalações hidráulica e elétrica, por exemplo), freqüentemente esses subempreiteiros utilizam uma mesma dependência para as funções de vestiário e almoxarifado. Embora não seja recomendável, alguns subempreiteiros resistem ao abandono dessa prática, justificando-se na preocupação em zelar pelas suas ferramentas e pelo pouco entrosamento com os demais operários da obra.
Uma desvantagem dessa situação é o fato de que muitas vezes é difícil locar este vestiário-almoxarifado extra próximo do ponto de descarga de caminhões, do elevador de carga e das instalações sanitárias da obra, sendo necessário estabelecer prioridades. Devido ao volume relativamente pequeno de materiais e ferramentas, que geralmente são guardados nestes almoxarifados, e com o objetivo de otimizar o uso das instalações hidrossanitárias, recomenda-se priorizar a locação destes subempreiteiros em posição próxima aos banheiros. Outro aspecto negativo é o fato de que a situação dá margem para que outros subempreiteiros de menor porte também passem a exigir instalações privativas, criando dificuldades de layout semelhantes às citadas. Em relação ao controle de retirada e entrega de ferramentas, uma boa medida é a implantação de uma sistemática formal de registro e cobrança diária das ferramentas entregues aos trabalhadores. A operacionalização desta prática pode ser feita por meio de quadros.
Neste sistema cada funcionário da obra é identificado por um número e cada ferramenta é representada por uma ficha de cartolina. Sempre que um funcionário retirar uma ferramenta, a ficha correspondente é pendurada sobre o seu número no quadro. Ao final do dia o mestre-de-obras pode fiscalizar a devolução e limpeza das ferramentas. Para o controle de entrada e saída de materiais, a técnica mais simples é a utilização de planilhas de controle de estoque, as quais devem conter campos tais como fornecedor, especificação do material, local de uso, saldo, datas de entrega e retirada e responsável pela retirada.
Escritório da obra:
O dimensionamento desta instalação é função do número de pessoas que trabalham no local e das dimensões dos equipamentos utilizados (armários, mesas, cadeiras, computadores, etc.), variáveis estas que são dependentes dos padrões de cada empresa. Dimensões usuais de escritórios são 3,30 m x 3,30 m ou 3,30 m x 2,20 m. O escritório tem a função de proporcionar um espaço de trabalho isolado para que o mestre-de-obras e o engenheiro (somando-se a técnicos e estagiários, eventualmente) desempenhem parte de suas atividades.
Além disso, uma função complementar é servir como local de arquivo da documentação técnica da obra que deve estar disponível no canteiro, incluindo projetos, cronograma, licenças da prefeitura, etc. Em relação à sua localização, requer-se, além da proximidade com o almoxarifado, uma posição nas imediações do portão de entrada de pessoas, a qual torne o escritório ponto de passagem obrigatória no caminho percorrido por clientes e visitantes ao entrar no canteiro. Também é interessante que esta instalação esteja posicionada em local que permita que do seu interior tenha-se uma visão global do canteiro, de modo que o mestre e/ou engenheiro possam realizar, ao mesmo tempo, atividades no escritório e acompanhar visualmente os principais serviços em execução.
No escritório a necessidade de uma boa iluminação faz-se mais presente do que nas demais instalações, devido à natureza das atividades desenvolvidas, as quais exigem boas condições visuais para a elaboração de desenhos, trabalhos em computador e leitura de plantas e documentos diversos. No que diz respeito à organização do escritório, a principal preocupação deve ser quanto ao arquivamento dos documentos da obra. Este arquivamento é comumente feito de duas formas:
(a) através da utilização de arquivos metálicos, no qual os diversos documentos são separados por pastas, todas identificadas por etiquetas;
(b) através da utilização de caixas tipo arquivo morto, também identificadas por etiquetas.
As duas opções requerem que inicialmente seja feita uma listagem de todos os documentos a serem armazenados, adotando-se uma numeração para cada caixa ou pasta. Uma folha com esta listagem pode ser fixada nas paredes do escritório. Outras medidas eficazes para a organização do escritório são a colocação de um mural para a fixação de plantas, cronogramas e avisos, além de um chaveiro o qual contenha todas as chaves das instalações da obra e dos apartamentos, devidamente identificadas por etiquetas.
Guarita do vigia e portaria:
A existência de uma portaria formal, com um funcionário trabalhando exclusivamente como porteiro, só é justificável em obras de grande porte nas quais há um grande fluxo diário de pessoas e veículos. Nestas obras a porta ria geralmente é aproveitada para abrigar o vigia, visto que este trabalhará somente no turno da noite. Neste caso, esta guarita-portaria deve observar dois requisitos de localização, muitas vezes difíceis de serem cumpridos simultaneamente. O primeiro requisito decorre da função de controle de entrada e saída de pessoas e caminhões, exigindo uma localização junto ao portão de entrada de pessoas e, se possível, também próxima ao portão de entrada de caminhões. O segundo requisito decorre das atividades do vigia, exigindo que da instalação seja possível ter uma visão global do canteiro, especialmente das divisas e do almoxarifado.
Já em obras de pequeno porte é mais freqüente existir apenas um vigia, o qual, se possuir residência fora da obra, não requer uma dependência específica. Entretanto, em alguns casos pode acontecer a contratação de um vigia que reside na própria obra, não raramente com a família. Nestes casos exige-se, já no estudo de layout, a alocação de um espaço para a sua residência, considerando a necessidade de fornecimento de água e luz. Normalmente as dimensões de 2,20 m x 3,30 m ou 3,30 m x 3,30 m são suficientes.
Plantão de vendas:
Atualmente é comum que as obras possuam um plantão de vendas, geralmente posicionado na divisa frontal do terreno e ocupando um espaço substancial. Apesar de ser evidente a necessidade de integração do plantão de vendas ao projeto de layout, esta recomendação com freqüência é negligenciada. Na maioria dos casos a construção do plantão é feita com bastante antecedência em relação ao início da obra, sem avaliar as implicações de sua localização sobre o layout geral do canteiro
Instalações provisórias, acessos à obra e tapumes:
Embora pareça um requisito óbvio, nem todos os canteiros possuem um portão para entrada de pessoas exclusivo, fazendo com que as pessoas tenham que entrar pelo mesmo portão de acesso de veículos. A localização do portão de pessoas deve ser estudada em conjunto com o estudo do(s) trajeto(s) que visitantes e funcionários devem fazer ao entrar e sair da obra. Qualquer que seja a localização do portão, se recomenda que o mesmo atenda aos seguintes requisitos:
(a) possua uma inscrição que o identifique, como, por exemplo, “entrada de pessoas”;
(b) possua uma inscrição com o número do terreno;
(c) possua uma fechadura ou puxador que facilite a abertura e o fechamento;
(d) na placa de tapume ao lado do portão, ou na própria placa do portão, é recomendável a colocação de uma caixa de correio, a qual tem dimensões usuais de 20 cm (largura) x 30 cm (profundidade) x 20 cm (altura);
(e) possua uma campainha, que pode tocar, por exemplo, na zona de serviço do pavimento térreo, em local próximo ao guincho e a betoneira, e no almoxarifado. Quando existirem recursos para tanto, a campainha pode ser substituída por um porteiro eletrônico.
Para manter o portão permanentemente fechado pode ser utilizada uma fechadura de tranca automática acoplada a um sistema de molas, de forma que a simples batida do portão será suficiente para fechá-lo. Ao entrar na obra é normal que o visitante, ou mesmo os funcionários, não saibam ao certo qual caminho percorrer para chegar até as escadas de acesso aos pavimentos superiores ou às áreas de vivência. Isto pode induzir à tomada de caminhos inseguros ou mais longos, sendo uma demonstração de descaso com o planejamento do canteiro. Para evitar este tipo de situação, uma boa medida é a construção de um acesso coberto para entrada de pessoas, delimitado lateralmente. Este acesso deve ser uma passagem obrigatória para entrada e saída de pessoas na obra. Deve começar no portão de pessoas e estender-se até uma área coberta, desenvolvendo trajeto que desvie das áreas de produção e estoque de materiais, privilegiando, por outro lado, a passagem junto as áreas de vivência e escritório, terminando em local próximo as escadas do prédio. Além da função de segurança, o acesso pode ser aproveitado para fixação de cartazes relacionados ao marketing do empreendimento, e também com setas indicativas de locais da obra e com instruções sobre procedimentos de segurança.
A localização do(s) portão(ões) de acesso de veículos deve ser estudada em conjunto com o layout das instalações relacionadas aos materiais, devendo-se fazer tantos portões quantos forem necessários para garantir a descarga dos materiais sem a necessidade de múltiplo manuseio dos mesmos. Neste sentido, deve-se atentar para a existência de árvores em frente ao terreno, o que pode restringir a escolha da posição do portão a uma ou duas opções. Caso o terreno esteja localizado em uma esquina, deve-se, preferencialmente, colocar os portões na rua de trânsito menos intenso. Quanto à construção do portão propriamente dito, são recomendadas as seguintes medidas:
(a) o portão deve, preferencialmente, ser de correr. O objetivo principal é facilitar a abertura e o fechamento, além de não ocupar espaço útil do canteiro quando aberto para dentro;
(b) sendo de correr, o trilho de corrimento deve ser superior ao portão, visto que o trilho inferior não se adapta a terrenos inclinados;
(c) o portão deve possuir altura livre mínima de 4,50 m, permitindo a passagem de todo tipo de caminhão;
(d) caso o portão seja de abrir, ele deve permitir abertura tanto para dentro, quanto para fora do canteiro, estando apto à atender diferentes necessidades que podem surgir ao longo da execução da obra; (e) o portão deve, preferencialmente, ser metálico e construído de forma que facilite a sua montagem e desmontagem, de modo a tornálo um equipamento permanente da empresa; e
(f) de forma similar ao portão de pessoas, recomenda-se identificar o portão de veículos com uma inscrição do tipo “entrada de veículos”.
Com relação aos tapumes, estes devem ser mantidos em bom estado de conservação e limpeza. Por ser um dos aspectos da obra mais visíveis para a comunidade, deve causar um impacto visual agradável. Além das tradicionais pinturas com o logotipo da empresa, é comum que os tapumes sejam aproveitados para pinturas artísticas ou sejam pintados com cores chamativas, geralmente a cor principal do marketing do empreendimento. Além dos tradicionais tapumes de compensado, três outros tipos são comumente utilizados:
(a) em placas de concreto pré-moldado,
(b) metálicos, e
(c) chapa galvanizada.
Qualquer que seja o material, recomenda-se que sejam construídos de forma racionalizada, através de modulação e ligações com parafusos ou dispositivo semelhante. Outra opção são os tapumes que permitem a visualização do interior da obra, desde a rua, sendo constituídos geralmente por telas de aço. Esta escolha pressupõe um canteiro organizado, que cause boa impressão. Uma das razões para o pouco uso dessa opção é o temor dos gerentes em chamar a atenção de ladrões para eventuais equipamentos ou materiais expostos. Em relação a segurança contra roubos, uma medida que tem se tornado comum é a colocação de iluminação e alarmes junto aos tapumes.
É usual que sobre os tapumes sejam colocadas as placas da empresa e também de fornecedores. Tentando evitar que tais placas sejam colocadas de forma desorganizada e mal conservadas, algumas empresas vêm utilizando placas únicas, incluindo seu nome e o nome dos fornecedores, melhorando a aparência da entrada do canteiro. A placa deve reservar um espaço para a colocação do selo do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), devendo conter ainda o nome dos responsáveis técnicos pela execução da obra e pelos projetos e serviços complementares. Algumas empresas optam por iluminá-las, através de lâmpadas tipo fotocélula ou refletores.