Principais Ferramentas I
Pedreiro
1 Ferramentas para melhorar a qualidade e a produtividade da sua obra:
No início as alvenarias de pedras, resultantes do trabalho artesanal do mestre pedreiro que reunia habilidade e conhecimento, dependia de uma série de atividades de outros profissionais como: o mestre ferramenteiro, o mestre carpinteiro, o mestre entalhador..., que seguindo as orientações do arquiteto executavam o projeto do empreendimento.
Ao longo da história o conhecimento da técnica construtiva das alvenarias se perdeu e as unidades de alvenaria sem precisão e qualidade, justificadas pelo fato de desempenhar apenas a função de vedação, refletiram nas dificuldades enfrentadas na implantação da alvenaria com a função estrutural.
Há mais de 30 anos, hoje o Processo Construtivo em alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto é uma das alternativas de construção mais econômica e viável para o país.
Sustentado pela qualidade e implementando: capacitação profissional, racionalidade e industrialização nos canteiros de obras, esse processo construtivo milenar vai ao encontro do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat - PBQP-H, cuja meta mobilizadora é de: "Elevar para 90%, até o ano 2002, o percentual médio de conformidade com as normas técnicas dos produtos que compıem a cesta bsica de materiais de construção.
A Prática Recomendada número 1 apresentou os critérios para a escolha de um bloco de concreto de qualidade. Na Prática Recomendada de número 2, foi mostrado como elaborar o projeto modulado e compatibilizado. Neste número, iniciamos a primeira parte de uma série de Práticas a respeito dos procedimentos para a execução da alvenaria estrutural, apresentando as ferramentas e equipamentos necessários.
Ferramentas e Equipamentos:
Os equipamentos e ferramentas adequados têm uma importância singular na execução de qualquer serviço. Pelo fato de termos adquirido muitos hábitos ruins durante anos, a indústria da construção civil se torna hoje um campo fértil ao desenvolvimento e a mudanças. Mudanças aparentemente simples como a colocação de rodas no suporte do caixote de massa para assentamento, a introdução do esticador de linha, o emprego do fio traçador de linhas, resultam num ganho significativo de produtividade, organizam o serviço e muda a postura do trabalhador. Antes da apresentação de cada ferramenta e equipamento, a seguir apresentamos uma tabela indicando onde cada um deles é utilizado.
- Colher de pedreiro: É utilizada no espalhamento da argamassa para o assentamento da primeira fiada, na aplicação da argamassa de assentamento nas paredes transversais e septos dos blocos e para a retirada do excesso de argamassa da parede após o assentamento dos blocos.
- Palheta (40 cm):
Usada para a aplicação do cordão de argamassa de assentamento nas paredes longitudinais dos blocos por meio do movimento vertical e horizontal ao mesmo tempo, conforme (fig. 3).
Obs.: Existem outras alternativas, tais como a "meia cana" metálica e a bisnaga. Demos preferência para a régua por ser a mais fácil de utilização. A meia cana metálica (fig. 4), exige um recipiente com água para permitir a aplicação da argamassa no bloco e o manuseio da bisnaga não é de fácil aprendizado.
- Bisnaga:
Sugerimos sua utilização na aplicação da argamassa nas juntas verticais dos blocos. Tarefa essa que pode ser executada pelo ajudante, proporcionando ao pedreiro maior produção na elevação da alvenaria (fig. 5).
- Brocha:
Utilizada para molhar a laje para aplicação da argamassa de assentamento dos blocos da primeira fiada. (fig. 6)
- Esticador de linha:
Mantém a linha de náilon esticada entre dois blocos estratégicos, definindo o alinhamento e nível dos demais blocos que serão assentados. Substitui como mostramos a seguir nas figuras 7, 8 e 9, o artifício improvisado.
- Fio traçador de linhas:
Quando assentamos um bloco estratégico as seguintes operações são realizadas: locamos o bloco na posição segundo o projeto, devemos nivelá-lo em relação a referência de nível, aprumá- lo e mantê-lo no alinhamento da futura parede. O bloco estará locado quando essas condições forem conseguidas. O emprego do fio traçador de linhas elimina dois procedimentos no assentamento desses blocos. A locação e o alinhamento. O fio traçador compõe-se de um recipiente, onde colocamos pó colorido, que tinge o fio ao ser desenrolado. (fig. 10 e 11)
- Caixote para argamassa e suporte:
O caixote para argamassa de assentamento, deve possuir paredes perpendiculares para possibilitar o emprego da régua (40 cm). O suporte com rodas permite que o pedreiro desloque o caixote com menos esforço e sem necessidade da ajuda do servente (fig. 12 e 13).
- Trena de 30 m:
Utilizada na fase de conferência das medidas e esquadro do pavimento, antes de iniciar o assentamento dos blocos da primeira fiada (fig. 14).
- Trena de 5 m:
Usada pelo pedreiro como procedimento de controle para a garantia da qualidade, durante o processo de assentamento da alvenaria.
- Nível:
Sugerimos o nível alemão por ser um equipamento simples, eficiente e barato se comparado com o nível laser, podendo ser fabricado com facilidade. Compõe-se de uma mangueira de nível com 16 m comprimento, acoplada em uma extremidade a um recipiente de água de aproximadamente 5L e, na outra extremidade, a uma haste de alumínio com 1,70 m de altura. O recipiente se apoia a um tripé metálico com 1 m de altura. A haste de alumínio possui um cursor graduado em escala métrica de - 25 a +25 cm. (fig. 15 e 16)
- Régua prumo-nível:
Usada para verificar o prumo e nível da alvenaria durante o assentamento dos blocos. É também utilizada na verificação da planicidade da parede. Esta régua substitui o prumo de face (fig. 17).
- Esquadro (60 x 80 x 100):
Usado na verificação e na determinação da perpendicularidade entre paredes na etapa de marcação e durante a execução da primeira fiada.
- Escantilhão:
Assentado após a marcação das linhas que definem as direções das paredes em pontos definidos pelo encontro das paredes, com a primeira marca nivelada em relação à referência definida pelo ponto mais alto da laje, garante o nivelamento perfeito das demais fiadas. Equipamento constituído de uma haste vertical metálica com cursor graduado de 20 em 20 cm e duas hastes telescópicas articuladas à 1,20 m de altura. É fixado sobre a laje com auxílio de parafusos e buchas (fig. 18).
- Andaime:
Equipamento pouco usado, como proposto, porém responsável por significativo aumento de produtividade, pois a montagem, movimentação e desmontagem dos andaimes convencionais tomam muito tempo. O andaime proposto possui abas móveis que servem como equipamento de proteção. (fig. 19)
- Equipamento de proteção no andar:
Compõe-se de uma haste metálica vertical que se acopla a outra menor que possui duas chapas, com orifícios na extremidade, soldadas de topo. Essas chapas atravessam as juntas verticais da parede e por dentro do cômodo permitem o travamento da peça.(fig. 20)