Primeiramente os desenhos animados começaram a ser dublados para o cinema, o que permitiu ao público infantil entender e se deliciar com as grandes obras do cinema de animação.
No Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 1938 começaram as gravações, nos estúdios da CineLab, em São Cristóvão, da dublagem do filme Branca de Neve e os Sete Anões, com intervenção direta na organização dos trabalhos dos profissionais de Walt Disney.
Essa produção marcou o início das atividades da dublagem brasileira, seguido por outras criações do mesmo estúdio como Pinóquio, Dumbo e Bambi. Carlos de la Riva e Walter Goulart, foram os primeiros técnicos de áudio a trabalharem com dublagem no Brasil. Outra dublagem original marcante foi a do clássico ...E o vento levou que aparece disponível no lançamento em blu-ray.
Os filmes brasileiros já contavam com a dublagem para corrigir a precariedade do equipamento de som disponível nas produções da década de 1940 e 1950 e tornou-se natural fazer o mesmo trabalho para os filmes estrangeiros. Com o sucesso da televisão, a necessidade de dublagem para a tela pequena se tornou imperativa e aos poucos os brasileiros se acostumaram à ideia, quase inconcebível na época, de grandes astros de Hollywood falarem português.
Em São Paulo foi fundada em 1958/1959 a Gravasom, uma associação da Screen Gems subsidiária da Columbia Pictures, representada por Hélios Alvarez, com Mário Audrá Jr. (sócio da Cinematográfica Maristela). Ford na TV que apresentava pequenos dramas de 30 minutos foi a primeira série dublada apresentada na TV Brasileira. Depois vieram Rin-Tin-Tin, Lanceiros de Bengala, Papai Sabe Tudo e outras. Até há pouco tempo, todo o elenco de dublagem de um filme trabalhava junto pois só havia um canal disponível para as gravações das vozes. Atualmente os dubladores atuam separadamente, conforme mostrado no Especial Dublagem HBO exibida em 2011.
O dublador brasileiro Telmo de Avelar (ou Telmo Perle München) participou da primeira dublagem acontecida em território brasileiro, interpretando o "Príncipe Encantado" no desenho animado Branca de Neve e os Sete Anões. O dublador brasileiro Orlando Drummond Cardoso que interpreta a voz de Scooby Doo permanece ligado ao personagem por mais de 30 anos e por isso entrou para o Guinness - O Livro dos Recordes. Outro caso interessante é o elenco principal da série Harry Potter, que permaneceu o mesmo desde o primeiro filme, com as vozes evoluindo ao mesmo tempo em que dubladores e atores foram crescendo. No início, adultos faziam as dublagens de crianças. Atualmente, crianças e adolescentes dublam crianças e adolescentes, como no caso de Harry Potter, Ben 10 ou o recente Karate Kid.
Atualmente, vários canais fechados de TV se conscientizaram da importância da dublagem brasileira, criando canais especialmente para difusão de produções audiovisuais dubladas em língua portuguesa do Brasil.
Os excelentes trabalhos de Borges de Barros viraram referências e sua técnica virou verbo. Sempre que um dublador consegue acertar uma sequência difícil, o profissional recebe o elogio de que ele “borgeou” aquele trabalho.
Legislação
Na legislação brasileira, dubladores necessitam do registro profissional de ator para trabalharem com dublagem, porém:
Até 18 anos de idade (em São Paulo - no Rio de Janeiro é até 16 anos), o registro profissional para dubladores fica condicionado à autorização dos pais ou responsáveis legais, como também a um alvará autorizando o trabalho do menor, expedido pelo Juizado da Infância e da Juventude.
A Lei 9610/98 é a que define Direitos Autorais e Conexos de atores e dubladores, em território nacional.
Para se trabalhar com dublagem, se faz necessário o Registro Profissional de Ator (também conhecido como DRT), o qual, é expedido pela Delegacia Regional do Trabalho. Mas pode ser requerido pelo SATED regional (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões), que emite um documento de capacitação profissional, o qual é acatado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para o registro no MTE, são necessários diploma ou certificados de conclusão de curso (técnico ou superior) reconhecido pelo MEC, ou o atestado de capacitação do sindicato.
A Lei 6533/78 é a lei que rege a atividade do ator/atriz em território brasileiro.