História da Alfaiataria dentro da moda no Ocidente

Consultoria de Moda

1 História da Alfaiataria

Os primeiros avanços no vestuário europeu estão relacionados com o desenvolvimento das armaduras, no final do século XII. Isso se deve ao fato de que as vestimentas até então eram feitas sem levar em consideração as partes do corpo, utilizando-se longas pleas de tecido enrolados, mantos e capas. As armaduras eram projetadas para além de proteger, realçar a beleza articulada dos corpos masculinos.

O vestuário masculino perdeu a sua forma ampla, que vinha apresentando desde a Antiguidade, passando a considerar as partes do corpo separadamente e em conjunto, novas linhas para o torso, pernas e braços (conforme se pode observar nas figuras abaixo.Além disso, as armaduras metálicas exigiam o uso de vestes complementares que ficavam em contato com o corpo e eram feitas por armeiros que utilizavam o linho como matéria-prima. Executavam um traje acolchoado e aderente que protegia o corpo do homem por inteiro. Os armeiros então, podem ser considerados os primeiros alfaiates da Europa.

O registro mais antigo da profissão de alfaiate data do século XII em Portugal, pois em 1256, já havia um alfaiate estabelecido, sendo um dos poucos a exercer um ofício mecânico. Houve destaque dessa profissão por ser uma das poucas organizadas em forma de corporações de ofícios.

A profissão firmou-se acompanhando a evolução natural da vestimenta no século XIV surgida com o período do Renascimento, levando a uma maior especialização das atividades.

Devido a grande variedade das formas do vestuário, exigia-se desses profissionais uma série de conhecimentos específicos sobre as proporções do corpo humano, ou seja, transformar as medidas do cliente em um traçado plano do corpo, que resultaria em um molde para o corte da roupa, exigindo assim conhecimentos de aritmética e geometria.Mas, as grandes mudanças na profissão dos alfaiates, viriam a partir do século XVIII.

Devido a grandes mudanças sociais como a Revolução Francesa (1789 - 1799) e a Revolução Industrial (a partir do século XIII), ocorreram importantes avanços técnicos na confecção do vestuário, como as tabelas de medidas e o  surgimento das indústrias têxteis. Especialmente na indústria do vestuário o maior avanço técnico foi o advento da máquina de costura, criada por Isaac Singer em 1851.

Entretanto, as peças produzidas eram consideradas de baixa qualidade e feitas com tecidos mais comuns, não representando uma séria concorrência aos alfaiates. As máquinas foram sendo incorporadas ao trabalho dos alfaiates, mas a maior parte do trabalho permaneceu manual. Paralelamente os alfaiates, em busca de um conhecimento mais aprofundado da anatomia humana, lançaram as bases da antropometria. Foi através da publicação da obra A Arte da Alfaiataria (1830), do célebre alfaiate francês H. Guglielmo Compaign, que se estabeleceram as primeiras tabelas de medidas e o princípio do escalado .

Segundo Jones foi por meio da observação empírica que os alfaiates do passado, notaram que as pessoas podiam ser classificadas pelos tipos de corpos semelhantes, o que tornaria os ajustes mais eficazes, bastando seguir-se regras básicas de proporção. A antropometria tornou-se também uma ciência a partir do século XIX, através dos estudos realizados por Charles Darwin e do surgimento da fotografia documental, que facilitaram a prática de catalogação e medição das formas do corpo humano. 

Segundo HOLLANDER (1996), foi no período neoclássico, entre 1780 e 1820, que surgiu o design clássico no Ocidente, originando a moda clássica masculina, mais especificamente o terno como o conhecemos, que deriva de um desejo dos homens de libertarem-se dos excessos do rococó, com uma moda mais elegante e funcional. Na imagem 3, pode-se observar o luxo excessivo de um traje do século XVIII, com bordados em fios de prata.

A busca pela simplicidade, levou os franceses a adotarem as roupas de campo inglesas. Isso porque os ingleses, ao contrário dos franceses que gostavam de frequentar a corte, preferiam passar seu tempo nas suas propriedades rurais. Postura essa que combinava perfeitamente com os novos tempos revolucionários. Na moda masculina, aboliram-se os casacos bordados que passariam a ser confeccionados em tecido liso, assim como as rendas do pulso e do pescoço. As meias brancas de seda, foram substituídas por botas resistentes.

As perucas, os penteados elaborados e os cabelos empoados também desapareceram (Veja na imagem abaixo). Assim, também sob a influência de Napoleão que ascendeu ao poder na França, selou-se definitivamente a nova seriedade na moda masculina no Período do Diretório , consolidando o traje inglês campestre como traje oficial dos cavalheiros franceses.

Tornou-se naturalmente masculino vestir-se de forma sóbria, condenando ao desuso os trajes espalhafatosos de outrora, o que fez dos homens os grandes impulsionadores da maior mudança estrutural ocorrida na moda até hoje.

A figura crucial que impulsionou a rebeldia através do vestuário masculino no século XIX foi o dândi (imagem abaixo). Este, muitas vezes não tinha profissão nem nome de família e, aparentemente, nenhum meio de sustento econômico, mas acabou por criar o arquétipo do novo homem urbano.A sua dedicação a um ideal de vestuário que exaltava a sutileza, inaugurou uma época que punha o tecido, o corte e o caimento do traje á frente do adorno. Assim, introduziu um traje moderno e urbano, estabelecendo rígidos padrões de uma nova masculinidade.

Para o dândi, o vestuário também era uma forma de expressar revolta e de reforçar a imagem pessoal, já que para ele a imagem era tudo. Os alfaiates ingleses foram os primeiros a aperfeiçoar as técnicas de costura para atender essa nova demanda, originando a tradição da alfaiataria inglesa para o traje masculino.

Os alfaiates de Londres eram especialmente habilidosos no trabalho com a casimira, tecido que podia ser facilmente moldado e esticado. As roupas usadas pelos aristocratas do século XVIII não se ajustavam ao corpo, ao contrário da moda dândi, cujo principal representante era o inglês George Brummell (imagem 6), que se orgulhava das suas roupas n„o terem uma só ruga e seus calções ajustarem-se perfeitamente ás suas pernas.

A roupa do dândi primava pela elegância e não pela ostentação, assim, os casacos eram destituídos de bordados, o tecido era liso e o corte inspirado no traje
de caça. As cores eram primárias, como o azul-escuro, o vermelho e o amarelo, além do verde-musgo e do preto (conforme imagem 7, onde o cavalheiro veste
casaca azul, colete amarelo e calça preta). Cada peça deveria ter uma cor diferente, sendo a gola branca em veludo, usada alta na nuca.

O dândi era conhecido principalmente pelo apuro do arranjo de seu pescoço, com o colarinho da camisa virado para cima, com as pontas projetadas sobre o rosto, presas por um lenço em forma de plastrom ou stock (faixa dura que já vinha pronta em nó, abotoada atrás). Tanta preocupação estética tomava horas do tempo desses cavalheiros em frente ao espelho antes de saírem á rua.

Mas, apesar da grande preocupação estética que os homens ainda mantinham, o desejo era de sobriedade nos trajes e era inegável a grande mudança estrutural ocorrida na vestimenta masculina. Assim como os modernos casacos de lã, os alfaiates passaram a confeccionar as calças, originadas das roupas dos trabalhadores da Revolução Francesa.

Embora já fossem usadas por marinheiros, trabalhadores e escravos, jamais tinham sido feitas em versão social. Elas também proporcionavam uma nova silhueta, não mais marcada pelas meias de seda apertadas, causando uma aparência um pouco mais casual e elegante, embora as calças ainda fossem justas e presas sob o arco do pé .

É a partir de 1800 que podemos identificar a consolidação da alfaiataria moderna, influenciada pelo próprio vestuário esportivo masculino, pelas roupas de trabalho e pelos uniformes militar e naval.

Isso leva a pensar que vem daí a idéia de que não se pode apenas trabalhar a aparência do traje, a roupa precisa atender a diversos quesitos relacionados ao caimento, ao conforto, a funcionalidade e ainda estar aliada a estética. Pois, enquanto as mulheres sofriam em apertados espartilhos e vestidos que varriam o chão em busca de assemelharem-se a bonecas de louça, diferentemente, os homens desfrutavam de um conforto ao se vestirem, desconhecido para elas.

Assim, afirmavam-se ainda mais como chefes soberanos da sociedade moderna. Isso tudo porque, a arte da alfaiataria baseia-se em sólidos conceitos de adaptação ás formas do corpo, primando pelo caimento perfeito, cujas formas lembram o contorno aerodinâmico das máquinas da era industrial, como os aviões e outras invenções modernas. Dessa forma, o terno constitui uma roupa clássica, mas que ainda não caiu em desuso.

 

Apesar de sofrer adaptações e novas interpretações, em sua essência continua imutável e sempre bem aceito, imprimindo aos que o vestem uma elegância jamais obtida com outro tipo de vestimenta.

Porém, na segunda metade do século XIX, surgiu um novo tipo de profissional, muito diferente do alfaiate e da costureira: o estilista. O item seguinte, mostra a ruptura ocorrida em 1850 nas relações até então estabelecidas entre cliente e profissional, com o surgimento da alta-costura e do pronto a vestir. Mostra também como os alfaiates europeus contribuÌram nesse processo.

2 Novos tempos para Alfaiataria

Até então, as mudanças ocorridas na sociedade vinham sendo interpretadas e transformadas em moda através das mãos dos alfaiates, o que era feito com base nos seus conhecimentos e nos desejos dos seus clientes. Nesse ínterim, cabe estabelecer o momento da ruptura nas relações cliente-profissional, ocorrida no século XIX e suas repercussões nas profissões ligadas a produção do vestuário. Embora o profissional alfaiate exercesse a sua criatividade na elaboração do traje, este se atinha ás exigências do cliente respeitando o gosto pessoal do mesmo, mas também, mantendo os preceitos de elegância vigentes na sociedade a qual pertencia.

Com o surgimento da alta-costura em Paris, na década de 1850, houve uma transformação irreversível no sistema de moda vigente. Até então, a elite da sociedade aristocrática encomendava suas roupas em costureiras particulares ou alfaiates de senhoras.

Em 1850 havia em Paris cerca de 158 costureiras que trabalhavam para essa elite. Nas principais capitais europeias essas mulheres habilidosas, executavam através de um artesanato minucioso, peças que atendiam a um código social rigoroso, para um público restrito. Mas, em 1858, o inglês Charles- Fréderic Worth abriu sua própria maison.

Segundo Vincent-Ricard, o surgimento do primeiro grande costureiro no século XIX, coincide com o surgimento da indústria em grande escala e com a ascensão da alta burguesia ao poder, que precisava a qualquer preço fazer-se notar, renovando os seus trajes com frequência. Pode-se dizer, que Charles Worth foi o divisor de águas entre a produção artesanal representada pela alfaiataria e a criação de moda imposta por um criador e n„o mais pelos clientes. Worth primeiramente mostrava croquis em aquarela e, mais tarde, modelos vestidos em manequins semelhantes ás clientes - as sósias. Assim, suas clientes milionárias tinham de ir até seus salões, ato inédito até então (com exceção da Imperatriz Eugênia e as damas da corte a quem ia pessoalmente atender).

Agora já não eram mais os caprichos de uma rainha temperamental ou os rígidos preceitos da elegância que determinavam os rumos da moda e sim o resultado das observações da sociedade e a sensibilidade criativa de gênios do estilo que viriam a mostrar os novos rumos da moda. Assim, o relacionamento de executante e senhor muda para criador e cliente, firmando as bases do que mais tarde viria a ser o sistema de moda com as suas variáveis e sazonalidades pré- definidas. Mas, Worth e os outros que surgiriam depois dele na alta-costura, só atendiam mulheres da alta sociedade.

Os homens da elite e as demais pessoas das outras classes sociais ainda necessitavam, em parte, dos serviços dos alfaiates e das costureiras. Dessa forma, a grande mudança nas relações entre aquele que cria e desenvolve o traje e aquele que o veste, ocorreu mais significativamente na a elite, que consumia trajes de alta-costura.

Cabe aqui explicar mais detalhadamente o conceito de alta-costura. Em 1868, foi criada a atualmente denominada, Chambre Syndicale de la Couture Parisienne (Câmara Sindical da Costura Parisiense), onde foram traçadas as diretrizes da alta- costura. Somente pode levar o título de alta-costura, a grife que pertencer a essa organização.

Segundo as regras estabelecidas, as maisons devem localizar-se exclusivamente em Paris (França); devem empregar no mínimo vinte funcionários em tempo integral e ter pelo menos um atelier; criar roupas sob-medida para cada cliente com no mínimo três provas; apresentar em Paris duas coleções por ano, em janeiro e julho com pelo menos vinte e cinco modelos originais, para dia e noite.

Além dessas, mais uma regra garante a sua base econômica: ter um perfume com o nome do criador. Atualmente, as casas pertencentes ao seleto grupo da haute- couture (alta-costura) são: Adeline André, Chanel, Dior, Lacroix, Sirop, Ungaro, Sorbier, Givenchy, Gaultier, Sherrer, Armani e Valentino.

Além da alta-costura e da alfaiataria, havia a confecção de roupas prontas para usar. Anteriormente, as roupas prontas eram somente aquelas destinadas as classes baixas, como camisas e jaquetas para trabalhadores e marinheiros. Foi só no século XIX que as roupas masculinas prontas para usar, alcançaram um patamar de igualdade com as roupas usadas pela alta sociedade. Isto porque os alfaiates atingiram uma variação estética mais ampla, como exigia a produção de peças prontas.

Para que a confecção de peças prontas para usar fosse possível os alfaiates precisaram se adaptar e criar novos mecanismos de trabalho. Anteriormente, eles mantinham um registro das medidas de cada cliente e utilizavam uma única fita métrica com seu nome inscrito nela, com marcações referentes á largura, altura e diâmetro das partes do corpo.

A fita métrica com os centímetros só foi inventada por volta de 1820, com o propósito de confeccionar trajes para homens que n„o tinham tirado as medidas previamente, porém utilizando um princípio comum para as proporções físicas masculinas.

Assim, alfaiates habilidosos criaram esquemas novos de medidas que fariam com que as roupas prontas obedecessem aos padrões exigidos, pelas indústrias de confecções. Posteriormente, foi-se notando uma certa proporcionalidade relativa em pessoas com as mesmas medidas de tórax, cintura e quadril, bem como braços e pernas. Essas similaridades proporcionaram um novo modelo clássico pronto para vestir que poderia proporcionar elegância a figura de qualquer um.

Mais uma vez,é possível perceber a contribuição dos alfaiates no princípio da criação da tabela de medidas, que originou o sistema justamente utilizado na indústria de confecções. Mas esse estudo não se deu através do uso de softwares e equipamentos eletrônicos e sim do conhecimento adquirido com a vivência dentro do atelier e do convívio com os clientes e suas peculiaridades físicas. Na alfaiataria feminina somente peças que não exigiriam ajustes como capas, mantos, chapéus e boinas eram vendidos prontos para o uso, as demais peças continuavam a serem feitas sob medida, primando pelo acabamento impecável, conferindo á peça seu caráter nobre.

No século XIX mantinha-se na Inglaterra e na França a preferência pela alfaiataria sob medida, sendo as roupas prontas europeias consideradas inferiores ás americanas. Mas, nos século XX, nas grandes cidades, os trajes compostos, que exigiam o uso de chapéus formais, lenço, gravata e luvas, foram sendo abandonados gradualmente no período entre as duas Grandes Guerras. Esses trajes só foram mantidos em eventos cerimoniais e entre diplomatas e estadistas. Para o uso em todas as ocasiões adotou-se o traje simplificado, que viria a ser o 26 terno, independente de classe ou ocupação. Após a Segunda Guerra a versão sob medida foi refinada e suavizada, reforçando a ideia de padrão de elegância masculina, diferenciando-se dos ternos prontos. Assim, a alfaiataria sob medida consolidou-se como alternativa á produção em massa, agora totalmente estabelecida, mas ainda preferida pelos cidadãos comuns, pois contemplava a todos os gostos e preços.

Com a popularização dos ternos no século XX, ocorreu um fenômeno social relevante: a massificação da elegância. Até então, quando os ternos somente eram obtidos nos ateliês de alfaiataria, a sua procura por pessoas de classe social mais baixa, era mais reduzida. Embora houvesse alfaiates que atendessem aos pobres, n„o era somente baseado na m„o-de-obra que se constituía um bom traje, pois o tecido e o material empregados também influenciavam no resultado final do trabalho. Portanto, um bom traje de alfaiataria, deveria ser feito com um tecido de boa qualidade, assim como os aviamentos e entretelas utilizadas, o que onerava o produto. Com a produção industrial do traje, a elegância masculina, prerrogativa até então exclusiva da elite, começou a alcançar as classes trabalhadoras, padronizando a aparência de uma certa forma.

Mas, esse fenômeno que ficou mais evidente no século XX, só veio a se estabelecer definitivamente, após a consolidação da era industrial. Isso porque o grande trunfo do terno é justamente proporcionar uma elegância discreta aquele que o veste, logo, um trabalhador em busca de um emprego por exemplo, deveria vestir um terno, de modo a causar uma boa impressão dentro de um círculo econômico ao qual não pertencia. Assim, quando duas pessoas de classes sociais distintas ficavam lado a lado, as diferenças de aparência não eram mais gritantes e quase se podia confundir ambos, e isso se mantém até hoje. Obviamente, os cuidados com a pele e cabelos, assim como as malas e os sapatos de couro denunciam a origem de qualquer cavalheiro, mas o visual geral dos homens de diferentes classes socioeconômicas, tornou-se muito mais similar do que já foi em outros séculos.

Entretanto, segundo Hollander , os ternos prontos a vestir só eram bem aceitos entre as classes mais populares, uma vez que as classes altas consideravam os ternos de origem industrial, mal-feitos e vulgares. Nesse período, o uso desses trajes passou a ser motivo de vergonha moral, baseado mais no discurso esnobe do que em fundamentos plausíveis, uma vez que esses trajes eram muitas vezes feitos com bons tecidos e com caimento perfeito.

Na segunda metade do século XX, os métodos de fabricação em massa, oriundos dos Estados Unidos, melhoraram a qualidade das roupas prontas com um preço mais acessível. Assim, tornaram-se a única alternativa para muitos industriais, em vista da falta de mão-de-obra especializada. Diante desses fatos, a alfaiataria perdeu a sua característica de uma arte para muitas pessoas, tornando-se uma alternativa para um grupo cada vez mais seleto de clientes. Diante disso, a relação dos alfaiates com a sua clientela teve de ser revista, uma vez que a alfaiataria já não era o único meio de adquirir peças de qualidade.

Para além da simples execução de peças do vestuário, a arte da alfaiataria consolida as bases do desenvolvimento técnico de produção de artigos do vestuário. Graças aos estudos e a prática desenvolvida ao longo dos séculos pelos alfaiates, foi possível estabelecer as bases da modelagem sob medida e em escala. Também se pode atribuir a esses profissionais a percepção do corpo humano enquanto suporte da roupa e vice-versa, a roupa envolvendo perfeitamente esse corpo, através do estudo da antropometria. Tornando assim esses mestres artesões verdadeiros estudiosos pioneiros da moda aplicada na prática da confecção de roupas, firmando as bases da modelagem como a conhecemos.

Mas, a alfaiataria, mais ligada á confecção de trajes masculinos, também influenciou significativamente a moda feminina. O item a seguir busca identificar as influências da alfaiataria na evolução dos trajes femininos, considerando que este fato está relacionando com o comportamento da sociedade. Também aborda outras hipóteses que podem ter contribuído para a emancipação feminina de um modo geral e no que diz respeito á moda.