Radiocomunicação- Sinergia e Produtividade
Rádio Operador
1 Prefácio
Após muitos anos no setor de telecomunicações, testemunho o surgimento de uma obra inédita e útil aos profissionais deste segmento, assim como a alunos e professores de cursos técnicos. O livro nos conduz a uma viagem dos primórdios aos avanços da tecnologia que suporta o complexo de telecomunicação brasileiro.
Estimo que no Brasil exista um número expressivo de usuários desses serviços, considerando pessoas físicas, empresas de todos os portes e os mais variados segmentos empresariais, como taxistas, transportadores aéreos e terrestres. Ressalte-se ainda que, entre outras virtudes, esses usuários recolhem muitos impostos e tributos e alimentam a máquina eletrônica brasileira que troca informações e estabelece laços
O autor usa uma linguagem objetiva e de fácil assimilação, tecnicamente perfeita. Abrange todas as modalidades de serviços e estabelece uma clara dimensão do tamanho e da importância dessas faixas espectrais, que contribuem para o desenvolvimento do país.
Deste modo, me sinto confortável para falar do autor - um homem justo e de princípios. Profissional dedicado, honesto, ético e preocupado com a sociedade. Dedicado à luta pela organização do setor há muito tempo e que hoje vê seus frutos vingarem. Procede de uma família com tradição no ramo e que sempre atuou em sintonia fina com os órgãos de telecomunicação do país.
Enfim, temos em mãos uma obra indispensável aos profissionais do setor, que, desde já, passa a ser uma referência bibliográfica.
Dr. Everaldo Gomes Ferreira
Gerente Regional da Anatel no estado de São Paulo
2 História- Telégrafo, Telex e Cabo Submarino
Telégrafo:
O telégrafo é o avô dos transceptores. O primeiro aparelho era visual e possuía um sistema de painéis desenvolvido no início da década de 1790, pelo engenheiro francês Claude Chappe. Transmitia letras, palavras e frases por meio de um código visualizado, a partir de três réguas de madeira articuladas e colocadas na parte alta de um poste ou edifício
A primeira linha desse tipo de telégrafo surgiu em 1794. Ligava Paris a Lille, distantes 225 km. Esse sistema teve larga difusão no século XVIII e princípios do século XIX, na França e outros países. Um desses telégrafos óticos de semáforos foi instalado no alto das torres da igreja de Saint-Supilce, em Paris, e usado para transmitir notícias das campanhas napoleônicas. Dependia das condições naturais de visibilidade. Mesmo porque o telégrafo propriamente dito só foi possível graças aos avanços nas áreas da eletricidade e do magnetismo.
Em 1747, William Watson demonstrou na Inglaterra que a corrente elétrica podia ser transmitida a uma considerável distância, por meio de um fio metálico, cujas extremidades, ligadas à terra, formavam um circuito.
Em fins do séc. XVIII, ocorreu outro avanço. Os italianos Luigi Galvani e Alessandro Volta fizeram experiências que revolucionaram as concepções sobre a eletricidade e seus efeitos. Galvani descobriu que, por um condutor elétrico, era possível enviar uma corrente direta ou contínua, gerada pela junção de dois metais diferentes. Entre eles, existia certa substância úmida. Em seguida, baseado nesses princípios, Volta apresentou uma bateria elétrica, que se tornou conhecida como a “pilha voltaica” ou “pilha de Volta”. Em resumo, o italiano inventou a pilha elétrica.
Em 1795, o médico espanhol Francisco Salvá y Campillo, de Barcelona, provou que as correntes voltaicas poderiam servir para a emissão de sinais e se tornou um dos pioneiros na aplicação prática da eletricidade para fins de comunicação.Salvá inventou também um tipo de telégrafo elétrico constituído de fios (cada um correspondendo a uma letra), por vasos de água nas extremidades e por uma pilha de Volta. A letra transmitida era detectada pela formação de bolhas gasosas produzidas no vaso. As bolhas eram obtidas por eletrólise da água. Com este sistema, o médico catalão conseguiu enviar mensagens a um quilômetro de distância.
Em 1819, o físico e químico dinamarquês Hans Christian Ørsted descobriu que a agulha magnética poderia ser defletida mediante a passagem de uma corrente elétrica por um fio suficientemente próximo. Verificou também que a deflexão variava para a esquerda ou para a direita, conforme o sentido da corrente. A ação da corrente elétrica no magneto foi aplicada pela primeira vez à telegrafia pelo físico e matemático francês André-Marie Ampère, em 1820. Segundo o cientista, pequenos magnetos instalados na extremidade de recepção de 26 fios poderiam ser usados para indicar as letras do alfabeto. Em sua homenagem, foi dado o nome de ampère (símbolo: A) à unidade de medida da intensidade da corrente elétrica.
O diplomata e barão russo Pawel Schilling inventou um sistema de telégrafo elétrico mais inovador em 1832. Precisava apenas de seis fios, ao contrário dos anteriores. As letras transmitidas eram detectadas pelo movimento de agulhas magnéticas colocadas sobre bobinas. Ao serem percorridas por corrente, as bobinas produziam campos magnéticos que faziam desviar as agulhas (Lei de Ampère).Um ano depois, os físicos alemães Johann Carl Friedrich Gauss e Wilhelm Webber também fizeram funcionar um telégrafo, baseado nos movimentos da agulha magnética.
O inglês William Cook viu uma demonstração do telégrafo de Schilling em Heidelberg, na Alemanha, em 1836, e construiu vários aparelhos semelhantes, em sociedade com Charles Wheatstone, professor do King’s College, de Londres. O primeiro telégrafo desenvolvido patenteado por eles tinha seis fios e cinco agulhas magnéticas. Daí o nome de telégrafo de cinco agulhas. As agulhas eram acionadas por eletroímãs. Duas agulhas de cada vez, pois cada letra era definida por uma dupla de agulhas. Esse sistema foi usado em 1839 na Inglaterra, entre as localidades de Paddington e West Drayton, numa distância de 21 km, servindo para informar as posições de comboios. Tornou-se o primeiro serviço telegráfico comercial e entrou para a História como pioneiro no uso comercial da eletricidade.
Mais tarde, os ingleses Willian Fothergill Cook e Charles Wheatstone criaram um telégrafo mais simples, com duas agulhas. A máquina podia transmitir até 22 palavras por minuto. Porém, foi um pintor chamado Samuel Finley Breese Morse, filho de um pastor protestante do estado norteamericano de Massachusetts, quem inventou um sistema mais prático. Era assim: um interruptor, um eletroímã e um fio. E deu-se uma revolução.
Código Morese:
A façanha começou em outubro de 1832, quando Samuel Morse projetou a construção de um aparelho telegráfico e estabeleceu seus princípios: código de pontos, traços e intervalos, com base na presença ou ausência de impulsos elétricos. Havia se inspirado nas experiências do inglês Michael Faraday sobre eletromagnetismo, depois de voltar de viagem da Europa para os Estados Unidos.
Três anos depois, Morse construiu um modelo experimental de sua engenhoca, no qual a ação mecânica de um eletroímã movimentava uma alavanca que suportava um lápis. A passagem de impulsos elétricos pelo eletroímã fazia com que o lápis se movesse na superfície de uma fita de papel, apoiado sobre um cilindro. À medida que a fita avançava sobre o cilindro, o lápis ia traçando uma linha ondulada, que incorporava o código ou o chamado alfabeto de Morse. Os pontos correspondiam a uma ação breve sobre o eletroímã, o traço, a uma ação mais longa e o espaço, a uma pausa.
Na sequência de suas experiências, o inventor viu que a corrente elétrica perdia muito de sua intensidade depois de passar por um condutor de 30 km de comprimento, tornando-se fraca demais para fazer funcionar o aparelho receptor. Ajudado por Leonard Gole e Joseph Henry, Morse construiu um aparelho auxiliar. Instalado num ponto intermediário da linha, a máquina repetia os sinais automaticamente, permitindo que eles chegassem ao fim com boa intensidade. Com o emprego de vários desses aparelhos, a linha condutora podia ser dividida em lances e alcançar a distância desejada.
Em seguida, Morse aperfeiçoou o aparelho. Em 1844, enviou o primeiro telegrama entre Washington e Baltimore, numa distância de 64 km, usando código recém-criado. O sistema de Morse fez o telégrafo deslanchar de tal modo que em 1852 já havia 64 mil km de linhas telegráficas no mundo. Na sequência, o inglês Wheatstone construiu o primeiro telégrafo ABC, com um fio, um eletroímã e um disco que indicavam as letras recebidas e logo depois modificou o modelo para imprimir as letras numa tira de papel. Em 1855, o professor inglês Davis Hughes inventou o telégrafo impressor, formado por um teclado no lado emissor (no qual cada tecla correspondia a uma letra) e por uma máquina impressora no lado receptor.
Wheatstone prosseguiu em suas pesquisas. Em 1858, incluiu uma perfuradora de fita de papel no aparelho de Morse, alcançando quase 600 palavras por minuto, pois as mensagens eram perfuradas na fita antes de serem enviadas. O telégrafo duplex – do norte-americano Joseph B. Stearns – chegou para permitir a transmissão de duas mensagens simultâneas pela mesma linha, uma em cada sentido. E o francês Jean-Maurice-Émile Baudot deu o passo seguinte inventando o telégrafo multiplex (transmissão de duas ou mais mensagens ao mesmo tempo, por uma mesma linha e no mesmo sentido).
Surgiu, em 1915, um sistema que dava conta do serviço nas duas pontas. Tinha um teclado acoplado na recepção e outro na máquina perfuradora de fita. Na invenção de dois cientistas (o inglês Frederick George Creed e o norte-americano Edward Ernst Kleinschmidt), a fita era lida por uma decifradora que imprimia a mensagem em outra fita – gomada de papel. Essa fita, em seguida, era colada num papel e entregue ao destinatário. Quinze anos depois, a empresa norte-americana AT&T (American Telephone and Telegraph) criou um sistema de comunicação utilizando uma máquina de escrever telegráfica (TWX) ou tele-impressora, permitindo escrever em folha de papel.
Depois, apareceram em cena dois gênios. O italiano Guilhermo Marconi criou a telegrafia sem fio (que trouxe segurança para as viagens marítimas, pelo constante contato entre os barcos) e o físico alemão Heinrich Rudolf Hertz (descobridor das ondas elétricas, análogas às luminosas, e hoje conhecidas como “ondas hertzianas”). Tomadas como fonte de estudo para Marconi, tais descobertas resultaram na radiotelegrafia. Fazendo experiências em seu jardim, em pouco tempo o físico italiano conseguiu enviar despachos de um extremo a outro. Assim, Marconi demonstrou a possibilidade de transmitir sinais telegráficos a grandes distâncias, estabelecendo comunicação entre Europa e Estados Unidos, via Oceano Atlântico.
Com os aperfeiçoamentos, entre o século XVIII e meados do século XIX, o telégrafo se transformou no único meio rápido de comunicação disponível, até que o advento e a difusão do telefone decretaram seu declínio no séc. XX.
Apenas em princípios do séc. XX, os sistemas telegráficos impressores se tornaram recursos de uso geral. Eles podem ser classificados em três grandes categorias:
1 - sinais registrados em código a serem decifrados
2 - mensagens saídas do aparelho receptor em forma impressa
3 - reprodução fac-similar do original
Os sistemas telegráficos impressores modernos utilizam uma combinação permutadora de cinco unidades. Nesses sistemas são transmitidos cinco impulsos para cada um dos caracteres, que podem ser seletivos ou não. Assim, é possível obter 32 combinações diferentes, das quais 26 são correspondentes às letras do alfabeto, deixando-se uma para o estado de repouso e cinco para funções diversas, tais como espaços, mudança de cifras, de letra etc.
Há também o sistema de telefoto. Consiste na transmissão de imagens ou fotos à distância, associada à telegrafia. Um pincel luminoso explora todos os pontos da imagem que uma célula fotoelétrica traduz em correntes variáveis. Elas são transmitidas à estação receptora na qual, em sincronismo, se reconstitui o original por processo inverso. A invenção e o aprimoramento técnico do telefone trouxeram um lote de novos recursos tecnológicos para a telegrafia, especialmente no campo da transmissão de informação em alta velocidade.
Outro importante progresso para a telegrafia no séc. XX foi o surgimento da transmissão por ondas de rádio. Atualmente, a emissão por satélite é amplamente utilizada na telegrafia internacional, da mesma forma que as faixas de rádio de alta frequência. Os computadores digitais também ganharam um papel de relevância, não apenas pela rapidez na codificação edecodificação de sinais de transmissão, mas também pela capacidade de armazenamento de dados.
No serviço telegráfico moderno, os telegramas são escritos à máquina no local de origem e transmitidos através das várias estações de distribuição, sem necessidade de retransmissão manual. O telegrama recebe um código que permite fazê-lo chegar ao seu destino. No momento em que o código de chamada é recebido no centro distribuidor, um cérebro eletrônico seleciona automaticamente a linha pela qual seguirá a mensagem.
Em alguns países, o telégrafo é mantido pelo Estado, como acontece nos serviços postais. Em outros, porém, são sustentados por empresas comerciais. Muitas dessas empresas dispõem de vários serviços auxiliares, tais como hora certa, cotações da bolsa, preços de mercado dos produtos agrícolas e uma série de outras informações úteis.
Telex:
O serviço telegráfico desenvolvido por Samuel Morse serviu de base para o desenvolvimento de outros sistemas de comunicação. Assim nasceu o telex. Como no telégrafo, as mensagens transmitidas por telex eram compostas por sequências de códigos binários. De forma similar ao telégrafo, as mensagens escritas em telex são compostas por sequências de codificação binária dos caracteres transmitidos, acrescidos por um conjunto adicional de caracteres e mensagens de controle, que garantiam confiabilidade no endereçamento da correspondência e autenticação da entrega junto aos respectivos destinatários.
O telex usava como meio físico de comunicação as redes de telefonia fixas mundiais. Parecia uma máquina de escrever, mas tinha outras funcionalidades que o diferenciavam. Uma delas era um dispositivo que, à medida que enviava uma mensagem, efetuava a leitura de uma fita de papel perfurada com o teor do texto. Logo, cada texto possuía uma fita, que continha o relato fiel, vírgula por vírgula, do documento.
Outra funcionalidade do telex era o fato de estar conectado a uma rede com milhares de aparelhos idênticos. Assim como um número de telefone ou um endereço de rede, cada telex possuía seu número, facilitando sua disseminação e o uso mundial massificado.
Havia ainda outro diferencial muito valorizado: a rapidez. Era só discar e enviar a mensagem. Assim como hoje, com o uso do correio eletrônico, era possível mandar simultaneamente cópias para diversos destinatários, tantos quanto necessário fosse. Outra vantagem revolucionária – ainda não superada pelos novos meios – era o sistema de autenticação do recebimento da mensagem. Muitos podem discordar, mas quem nunca mandou um e-mail que jamais chegou ao destinatário? Com o telex, isso não acontecia.
A certeza de que a mensagem estava do outro lado era absoluta. O terminal receptor sempre autenticava a mensagem recebida.
Tais características de confiabilidade e rapidez permitiram sua ampla utilização em bancos, indústrias, grandes magazines (para emissão de ordens de compra, pagamento, expedientes internos). Havia a certeza de que seu teor não seria distorcido. Além disso, tudo estaria documentado, para desfazer dúvidas.
O sistema recorria a uma rede similar à utilizada nas redes públicas de comunicações de telefonia fixa e na maioria das vezes era explorado pelos mesmos operadores de telecomunicações. Embora partilhassem a mesma estrutura física (cabeamento, postes, centrais de comutação), não havia cruzamento ou choque entre as operações da rede de telefonia fixa e da rede de telex. Muitos operadores de telecomunicações utilizaram serviços manuais para envio de mensagens telegráficas através do telefone. Este serviço, útil para quem não tinha um terminal de telex, era conhecido pelo serviço de telegramas telefonados (ou fonados), pago na conta telefônica do emissor da mensagem.
O serviço tinha pequenas limitações no pacote decaracteres utilizados, tais como acentos. As palavras eram obrigatoriamente maiúsculas. As primeiras gerações de máquina não possuíam memória RAM e as mensagens tinham que ser pré-gravadas em meio mecânico e depois transmitidas para economizar tempo. As mensagens recebidas eram impressas em bobinas contínuas de papel.
Uma parte do custo do serviço era fixo, mensal e incluía a disponibilidade da linha, como se fosse uma assinatura. A outra parte era calculada levando-se em conta o número de palavras/sílabas transmitidas e a distância entre os terminais..
Para reduzir o custo das mensagens, os operadores de telex desenvolveram um padrão de texto enxuto, suprimindo preposições, artigos, pronomes e outras categorias gramaticais, transmitindo somente as palavras chaves do texto. Daí, o surgimento da expressão “linguagem telegráfica”. O lead (a técnica de abertura de uma notícia jornalística) também foi inspirada na linguagem telegráfica, na época da Segunda Guerra Mundial, ocasião em que os repórteres envolvidos na cobertura no front precisavam de objetividade e tinham pouco tempo para transmitir as notícias via telex para o mundo. Surgiu, então, o lead, que era a cabeça do texto, o primeiro parágrafo, exigindo resposta para cinco perguntas: quem, quando, como,onde, por quê?
Cabos Submarinos:
Na era dos satélites, as telecomunicações ainda dependem de um sistema de meados do século passado. Trata-se dos cabos submarinos que interligam países e continentes e permitem que empresas transmitam dados, pessoas se comuniquem por telefone e internet e assistam à televisão.
Os cabos submarinos carregam 95% das informações de voz e dados transmitidos internacionalmente. Hoje, a maior parte desses cabos é dotada de fibras ópticas, que recebem proteção reforçada para trabalhar sob as águas marinhas.
3 Conceitos da Radiocomunicação
1.Ondas Eletromagnéticas:
Através da propagação de ondas eletromagnéticas, as estações de um sistema de radiocomunicação estabelecem contato umas com as outras. Tais ondas se espalham no espectro radioelétrico na velocidade da luz. Para isso, dispõe de vários modos de emissão, faixas de frequência, tipos de sistema, de conteúdo (dados, voz ou imagem).
Os equipamentos de transmissão ou recepção são cambiáveis (assim como os elementos irradiantes) de acordo com o tipo de comunicação pretendida. A radiação eletromagnética, gerada pelos equipamentos de radiocomunicação, é definida dentro de um espectro de frequências. Se fosse possível enxergar, por certo apresentariam um degradê de infinitas cores, brilhos e cintilações, por causa dos vários níveis de potência e tipos de modulação.
Basicamente, as ondas de rádio (chamadas eletromagnéticas) são parte da luz. Na verdade, o contato entre estações de telecomunicações decorre da manipulação consciente destes fenômenos, possível graças à intervenção humana pelo uso dos meios físicos necessários. Cada transmissão lança um raio ionizado no espectro radioelétrico e ilumina o oceano de luz que jazia inerte na imensidão da atmosfera.
Uma onda, viajando a uma velocidade de 300 mil km/s, é capaz de penetrar na terra, na água e no ar (conforme o tipo de modulação, frequência e potência), alcançar o espaço sideral e se perder no infinito.
2.Portadora:
Para transmitir a mensagem de forma concisa e íntegra, existe uma onda denominada portadora. Como o próprio nome sugere, transporta o conteúdo da mensagem, adequando as diversas relações entre os meios físicos empregados na transmissão, tais como rádios, antenas, cabos, duplexadores, etc.
A onda portadora é um sinal de radiofrequência constituído por três variáveis: amplitude, frequência e fase. Uma das técnicas pioneiras de modulação, na qual o sinal da portadora detém em si a mensagem a ser transmitida, é o Código Morse. Nele, a portadora é interrompida por sons (ponto e traço) que autotraduzem a mensagem, conferindo-lhe ritmo e significado.
3.Modulação:
A modulação é a modificação de um sinal eletromagnético inicialmente gerado antes de ser irradiado por uma onda portadora. A transmissão via sistema de modulação é transformada em ondas eletromagnéticas, que podem ser recuperadas por um rádio receptor ou transceptor. O nome desse processo é demodulação. Em seguida, a informação originada pela modulação da portadora é transmitida pela radiação eletromagnética, podendo ser recuperada por um rádio receptor ou transceptor mediante a conversão das ondas eletromagnéticas.
Resulta daí a diferença entre rádios transmissores, receptores e transceptores. Os rádios transmissores somente transmitem. Os rádios receptores apenas recebem, sendo ambos unilaterais. Já os transceptores são capazes de receber e transmitir. Por isso são bidirecionais ou two way.
Nota-se que muitas formas de comunicação envolvem modulação. A fala, por exemplo. Quando uma pessoa diz alguma coisa, os movimentos da boca são realizados a níveis de frequência baixa, na ordem dos 10 hertz, incapazes de produzir ondas acústicas propagáveis. A transmissão da voz através do ar ocorre pela geração de ondas portadoras de alta frequência nas cordas vocais, modulados com as ações musculares da cavidade bucal. O que o ouvido interpreta como fala é uma onda acústica modulada, parecida com uma onda eletromagnética modulada. O dispositivo que realiza a modulação é chamado modulador
Em resumo, a modulação consiste no intercâmbio de parâmetros da onda portadora compensando valores de forma harmônica e proporcional à variação do sinal, que é a informação que se pretende transmitir
4.Tipos de Modulação:
a - AM
Amplitude de Modulação – ou simplesmente AM – é a técnica mais popular desde os primórdios da radiocomunicação. O transmissor de AM tem a propriedade de variar o nível de potência da portadora em função do sinal modulante.
A transmissão em AM tem como característica a geração de uma portadora na frequência central e duas portadoras laterais. Elas são conhecidas como bandas laterais USB (Upper Side Band) e LSB (Lower Side Band). As bandas laterais contém toda a informação útil a ser transmitida. Deste modo, a energia gerada é distribuída no espectro de frequências preenchido por três portadoras diferentes (central, USB e LSB), todas com igual informação.
A técnica conhecida por SSB (Single Side Band ou Banda Lateral Única) é um refinamento da modulação de amplitude capaz de usar de forma mais eficiente o binômio energia elétrica e largura de banda. Com o advento dos transceptores de SSB, as comunicações internacionais passaram a ser feitas em qualquer horário e para qualquer lugar do mundo. Foi muito utilizada no Brasil, especialmente para interligar estações em distâncias superiores a 500 km.
Nas transmissões em AM, os problemas entre o sinal recebido pelo receptor e o ruído de fundo são claramente audíveis. Na busca pela melhor qualidade da informação, os especialistas criaram um sistema baseado na relação sinal/ruído.
Quando o receptor de AM não está sintonizado a uma portadora, nota-se um chiado constante. Denominado ruído branco. O barulho é uma analogia ao Disco de Newton, composto de várias cores, que, misturadas, apresentam apenas a tonalidade branca.
Esse ruído é produzido pela integração de infinitos barulhos naturais e artificiais, de diversas frequências, tais como radiação cósmica, descargas atmosféricas, ruídos causados por dispositivos elétricos e eletrônicos, inclusive pelo próprio receptor.
Para garantir aos receptores a separação entre informação e ruído (relação sinal/ruído), os transmissores passaram a gerar portadoras cada vez mais intensas para serem irradiadas por antenas cada vez maiores. Surgiram então os transmissores de AM de milhares de watts (kilowatts), utilizados até hoje pelas emissoras comerciais ao redor do mundo.
b - FM
A batalha pelo fim do ruído não foi vencida pela AM. A modulação FM (Frequency Modulation) reduziu o problema ao mínimo e permitiu uma qualidade de sinal que se estendeu além dos limites da audição humana. O receptor com uma banda de recepção menor também recebe muito menos ruído. Portanto, o ganho do sistema é muito melhor.
A revolução começou na década de 1920. A intenção era eliminar os ruídos indesejáveis nas transmissões de rádio em AM. Resolveu-se estudar a Modulação da Frequência (FM – Frequency Modulation). O estudo teve como base uma onda chamada cossenoidal. Sua principal característica era possuir uma variação proporcional ao sinal modulador, capaz de manter um equilíbrio constante na amplitude da onda.
Nas experiências, os cientistas enfrentaram os dois principais fatores de degradação da AM: o ruído térmico e a distorção não linear. O que fizeram? Aumentaram largura do canal. Ou seja, houve ampliação da faixa de frequência, caminho pelo qual trafega o conteúdo da comunicação, permitindo a eliminação dos ruídos. Em seguida, resolveram o problema da distorção não linear.
Tais estudos foram úteis não somente para a radiodifusão, mas determinaram também o tipo de emissão em FM como o principal em várias modalidades de comunicação, especialmente a radiocomunicação comercial.
É importante notar que a propagação de sinais em FM é limitada e restrita a raios de alcance local. Dificilmente excede mais de 60 km, em média, salvo em condições de propagação excepcional ou em enlace de outros tipos de sistema – satélite, por exemplo. Já os sinais em AM alcançam distâncias maiores, mas estão sujeitos a variações conforme os obstáculos (como, por exemplo, concentração de edifícios, montanhas e morros) em seu caminho.
5.Faixas de Frequência:
Frequência é uma grandeza física ondulatória que indica o número de ocorrências de um evento (ciclos, voltas, oscilações etc.) em determinado intervalo de tempo.
Por ser uma grandeza de ordem infinita, a indústria de telecomunicações, as universidades de pesquisas tecnológicas e os governos dividem o espectro radioelétrico em faixas de frequência que sucessivamente são divididas em canais e consignadas às diversas atividades das telecomunicações.
4 Radiocomunicação Convencional
Os sistemas de de radiocomunicação convencional possuem estações equipadas com transceptores comuns. São utilizados para comunicação de voz, mas podem servir para dados em pequenos volumes e baixa velocidade. É o tipo de radiocomunicação mais requisitado comercialmente nos setores primário, secundário e terciário da economia.
Eis as vantagens do sistema de radiocomunicação convencional:
a - a inexistência de tarifação. Paga-se apenas uma taxa anual à Anatel
b - a disponibilidade. O sistema fica acessível por 24 horas a todos os usuários da rede
c - a comunicação em grupo instantânea, fundamental às redes dedicadas a missões delicadas e essenciais, como segurança, saúde, meio ambiente, bombeiros e outros serviços nos quais cada segundo pode ser decisivo
d - ferramenta de liderança, indispensável aos comandantes comprometidos com suas equipes. Um meio pelo qual é possível acompanhar diversas rotinas. E ainda facilita a intervenção rápida em situações imprevistas e necessárias para atenuar contratempos, perdas materiais e humanas
e - possibilita atendimento em qualquer área de cobertura, oferecendo comunicação de dados e de voz
1.Redes Privadas:
Outros sistemas disponíveis no mercado, provedores de comunicação móvel, hoje não podem atender demandas com a mesma riqueza de detalhes e customização. Especialmente clientes distantes dos grandes centros, que atuam em segmentos como o agronegócio.
Para tais casos, a solução é o projeto de rede privada de comunicação capaz de oferecer cobertura de sinal a grandes extensões territoriais, reduzir custos com telefonia móvel, aprimorar e otimizar o processo produtivo.
2.Tipos de Rede:
As redes de telecomunicações podem ser:
a - ponto a ponto
b - ponto a multiponto
c - multiponto a multiponto A rede ponto a ponto possui comunicação direta, chamada também desimplex, na qual todos os equipamentos recebem e transmitem na mesma frequência
Na rede ponto a multiponto, os equipamentos recebem em uma frequência e transmitem em outra diferente.
Já no caso da multiponto a multiponto, duas redes se conectam por meio de um link, de rádio ou de internet. Esse tipo de interligação deve ser bem discutido com o cliente. Funciona conectado e aumenta a área de cobertura, ampliando também o número de usuários.
3.Tipos de Estação:
a - Estação portátil
A estação portátil permite ampla mobilidade ao usuário de rádio. O aparelho manual pode ser utilizado livremente em toda a área de cobertura do sistema de radiocomunicação. É também chamado de HT (do inglês Hand Talk, que significa rádio de mão).
Atualmente, existem muitos sistemas projetados para garantir mobilidade a seus usuários. Há uma relação diretamente proporcional entre área de cobertura e quantidade de estações retransmissoras, equilíbrio que produz cobertura de qualidade às estações portáteis com potência máxima de cinco watts.
Muitos rádios portáteis circulam no campo, longe dos escritórios. Assim, repetidas vezes, a troca de bateria fica prejudicada. Nesses casos, recomenda-se a aquisição de uma segunda ou terceira bateria para substituição imediata.
b- Estação móvel
Geralmente instaladas em viaturas, caminhões e veículos de serviço, as estações móveis asseguram mobilidade e comunicação de qualidade em toda a área de cobertura do sistema de radiocomunicação.
Quanto à potência, trabalham com 25 a 45 watts, de acordo com fatores como faixa de frequência (VHF ou UHF) e posição da antena em relação ao condutor do veículo. Deve-se observar as normas de saúde ocupacional dos usuários.
c- Estação fixa
Trata-se de estação instalada em edifícios. Assume papel estratégico em locais de comando com a função de coordenar as estações móveis e portáteis, seja no follow-up de tarefas, seja na coordenação de ações emergenciais da atividade da empresa, negócio ou departamento.
Em alguns casos, tais estações funcionam como centro nervoso de toda a operação. São exemplo algumas redes públicas que executam serviços essenciais, como o COPOM (da Polícia Militar) e o COBOM (do Corpo de Bombeiros do estado de São Paulo). O mesmo sistema é adotado por inúmeras redes de concessionárias de serviços de água e esgoto, energia elétrica, transportes, rodovias etc. A potência varia de 1 a 45 watts, dependendo de diversos fatores, tais como área de cobertura, tipo de antena, modo simplex ou duplex, altura da antena e limite de segurança exigido pela Anatel.
d- Estação repetidora
O papel da estação repetidora é ampliar a área de cobertura do sinal radioelétrico, permitindo a comunicação de estações móveis, portáteis e bases situadas a uma distância maior.
Interliga as estações da rede e funciona como o coração do sistema. Por isso, exige cuidados especiais em todas as fases do trabalho, a partir do Site Survey da área de cobertura pretendida, infraestrutura necessária à sua implantação e demanda do sistema que deverá suportar. Eis uma lista prioritária:
1. quantidade de estações
2. interoperabilidade com outras redes
3. tráfego de chamadas
4. duração média de cada chamada
5. projeção de air time (diário, mensal e anual)
Enfim, uma série de informações imprescindíveis para se determinar o modelo de equipamento mais eficiente para o serviço. A maioria das estações repetidoras instaladas no Brasil não é homologada para essa categoria. Na verdade, são equipamentos móveis adaptados para utilização como repetidores, em desacordo com a Anatel (Resolução 242), que homologa e certifica produtos de telecomunicação.
O improviso causa problema à estação repetidora pela inexistência de um projeto que harmonize a universalidade de seus componentes, tais como fonte de alimentação conversora ( 110/220 para 12 volts), interface controladora, gabinete para acondicionamento dos dispositivos etc.
5 Periféricos- As Estrelas Ocultas
Cintilam algumas estrelas ocultas no espetáculo da radiocomunicação. Atuam silenciosamente e a maioria dos usuários sequer suspeita de sua existência. São, a rigor, alguns instrumentos periféricos indispensáveis para o sucesso da transmissão via rádio. Eis alguns nomes: duplexadores, interfaces, cabos conectores e antenas. Poucos sabem, mas inúmeros problemas são causados pela má utilização e instalação de tais componentes.
Existem várias categorias de antenas, cabos, conectores, duplexadores e interfaces, com significativas diferenças de preços. Ocorre que, dependendo do resultado pretendido, vale a pena investir um pouco mais em determinado insumo pois é certo que a compensação virá na forma de maior produtividade. Convém ao cliente contratar um consultor experiente, sem interesses comerciais, preparado para oferecer orientação correta e evitar desperdícios.
1.Torres:
A torre é outro equipamento muitas vezes ignorado pelo usuário, apesar de seu tamanho. Está aí, no entanto, para garantir que a área de cobertura do sinal de rádio seja suficiente e proporcional à necessidade de comunicação do cliente. Quanto maior a área a ser coberta, maior o tamanho ou a quantidade de torres.
Dessa forma, os sistemas podem ser expandidos sem limites, desde que existam redes de VHF, cujo sinal atravesse centenas de quilômetros, por meio de links posicionados de modo estratégico em pontos escolhidos em levantamentos altimétricos e cartas geográficas do IBGE. Há dois tipos de torre. As estaiadas e as autoportantes. As estaiadas têm sido a opção mais viável economicamente.
Sua única desvantagem é o espaço que necessita para ser instalada – a chamada área de tombamento ao seu redor. Já a antena autoportante pode ser levantada num espaço bem menor, dispensando estirantes. Seu custo, porém, é bem mais elevado, devido aos custos com a base de concreto para sua correta instalação.
Em geral, os bons especialistas e consultores recomendam a econômica torre estaiada, sem prejuízo do resultado final.
2.Antenas:
Existem vários tipos de antenas, classificadas de diversas maneiras, conforme o tipo de estação: portátil, móvel, fixa e repetidora.
Quanto ao tipo de lóbulo de irradiação, pode ser omnidirecional, no estilo plano terra e colinear, diretiva do padrão yagi ou refletora de canto. Todas úteis para aplicação e configuração do sistema que se pretende instalar.
As antenas podem ter maior ou menor ganho. Ganho em radiocomunicação é sinônimo de sensibilidade e desempenho. Quanto mais sensibilidade, maior será a capacidade de recepção e transmissão da antena. O ganho também está ligado à potência que o rádio manda para a antena irradiar, através do cabo.
O tipo de antena mais requisitado é a plano terra. É a mais econômica, fácil de instalar e transportar.
A potência irradiada pela antena é chamada de estacionária. Quando a estacionária está zerada, 100% da potência estão sendo irradiados. Em rádios instalados em carros, dificilmente se consegue um aterramento perfeito, que permita zerar a estacionária. Exceto no caso de antena fixada no centro da capota, furada.
Como o número de clientes com frotas alugadas atualmente é expressivo, tem-se usado suportes em calhas e porta-malas. O máximo que se consegue nesses casos é 1 ou 2 dB’s de refletida. A harmonia entre rádio, cabo e antena garante o bom desempenho de cada uma das estações.
O serviço técnico deve dedicar especial atenção ao rendimento do equipamento, que cai muito se a estacionária for alta, podendo danificar o módulo de potência do equipamento em casos extremos em razão de toda a potência que deixou de ser irradiada pela antena.
No que se refere a antenas em rádios móveis, o tipo Whip é consagrado do mercado, graças à boa relação custo/benefício. Existem também antenas dual-band, para serem usadas em rádios do mesmo tipo. Transmitem e recebem em VHF e UHF. Realizam operações Crossband, comuns em radioamadorismo.
Convém usar antenas originais ou similares de qualidade nos rádios portáteis. Em primeiro lugar, aconselha-se descartar a antena do tipo stuby, pequena, que diminui muito a capacidade de transmissão e de recepção do rádio portátil. Com rádios de 5 watts, operando ponto a ponto em curtas distâncias, a diferença não é percebida. Mas em situações que exigem o máximo do rádio, o rendimento fica seriamente comprometido.
3.Diretividade:
Em telecomunicações, o termo diretividade refere-se ao ângulo de abertura no plano horizontal de irradiação. Antenas onidirecionais são projetadas para irradiar e receber igualmente em todas as direções, enquanto antenas direcionais canalizam toda a sua energia para uma área menor que 360 graus.
A escolha correta e a definição de uma antena depende de um estudo detalhado do relevo da área de cobertura. É aconselhável fazer várias projeções teóricas e práticas até obter um laudo conclusivo sobre a melhor antena.
4.Antena WHIP:
O nome Antena Whip quer dizer chicote em inglês, numa alusão ao movimento de balanço feito na estação móvel. É um modelo usado em viaturas e pode ter vários tipos de suportes adaptáveis conforme as características do veículo.
Possui dois modelos. Pode ser de 0 dB de ganho ou de 3 dB de ganho. Lembre-se que quanto maior o ganho, melhor o desempenho, sobretudo na recepção. Seu comprimento varia conforme a faixa de frequência.
5.Antena Plano Terra:
A antena plano terra é a mais comum nas bases e repetidoras. Sua vantagem é o pequeno tamanho, o preço razoável e a facilidade de instalação em qualquer frequência da faixa. É diferente das colineares, com dipólos fixos e divididas em diferentes tipos por subfaixa.
6.Antena Colinear com Bobinas:
São utilizadas em rádios base e, erroneamente, em repetidoras. Afinal, suas características mecânicas são frágeis, projetadas para estações base e operação rente ao solo, onde os ventos não são tão fortes. Por causa de seu baixo custo, acabam sendo utilizadas indiscriminadamente em repetidoras. Em consequência, exigem frequentes reparos e constantes substituições. Pesa ainda em seu currículo, de modo negativo, a frágil resistência mecânica. Não raro surgem casos de infiltração de líquidos em antenas ainda novas.
7.Antena Colinear com Dipólos:
Oferece tudo que se espera de uma boa antena: sensibilidade, robustez e qualidade. Dependendo do tipo, é muito mais cara que o modelo plano terra, mas vale a pena. Dura muito mais e evita a repetição de trabalho. É superior em sensibilidade.
Seus dipólos podem ser instalados de duas maneiras: totalmente alinhados (de empilhada), um para cada ponto cardeal; direcionados para as regiões nas quais se pretende dar maior cobertura conforme adequação ao relevo.
8.Antena Diretiva (YAGI):
Trata-se de uma antena desenvolvida por dois professores da universidade japonesa de Vohoku, Hidetsugo Yagi e Shintaru Uda. Daí, o nome do primeiro fixado na peça – Yagi.
São antenas extremamente úteis para otimizar o espectro radioelétrico. Em vez de irradiarem em todas as direções, como as antenas omnidirecionais, transmitem apenas numa direção, variando o lóbulo de irradiação em poucos graus. Desse modo, evitam a ocupação inútil de grande espaço do espectro radioelétrico.
9.Duplexadores:
Os duplexadores unem a impedância existente entre as frequências de recepção e de transmissão num sistema operado no modo duplex (quando toda a rede recebe em um canal e transmite em outro). Na faixa de VHF, o espaçamento entre os canais é de 4,6MHz.
Na faixa de UHF, o espaçamento é de 5MHz. É comum esta diferença ser chamada de offset – termo inglês que designa o referido espaçamento.
6 Conceitos Importantes
1.Impedância:
A impedância é uma das mais importantes características em sistemas de transmissão, especialmente em cabos e conectores. Em termos elétricos, ela é a relação da tensão entre os condutores e a corrente que passa no mesmo condutor.
Em cabos coaxiais homogêneos, a impedância é característica constante para o comprimento total do cabo. Em comunicação via rádio, a impedância mais comum é de 50 Ohms.
Os equipamentos ou componentes passivos de serem usados devem ter a mesma impedância característica. Qualquer variação pode causar incompatibilidade elétrica e distorções na transmissão.
2.Polarização:
A polarização é o rumo da oscilação do vetor do campo elétrico. Geralmente, nas comunicações móveis, a polarização é vertical. Em sistemas de radiodifusão, a polarização é horizontal ou circular.
3.Diagrama Vertical e Horizontal:
Na maioria dos casos, a característica de propagação de uma antena pode ser descrita pela elevação por meio dos diagramas de irradiação horizontal e vertical. Em comunicações móveis, a definição é feita pelos componentes do campo magnético plano horizontal (plano H) e componentes do campo elétrico plano vertical (plano E).
4.Ganho:
Na realidade, uma antena não possui a propriedade de melhorar a qualidade de energia irradiante por meio de seu ganho. Uma antena sem ganho irradia energia em muitas direções.
Uma antena com elevado ganho concentra a energia num ângulo segmentado no espaço tridimensional.
Em frequências altas, o ganho em geral é definido com referência ao irradiador isotrópico. Ou seja: a relação entre a potência irradiada por uma antena em seu lóbulo principal e a potência elétrica nela injetada, expressa em dB.
5.Abertura da Antena:
A abertura da antena é chamada tecnicamente de ângulo de meia potência irradiada e alcança a metade de sua amplitude em relação à direção de radiação. Os pontos de meia potência são simétricos em torno do raio, contendo o pico do lóbulo principal. Esses pontos também são conhecidos como pontos de 3dB.
6.Referencia de Ganho:
Há dois tipos de referência de ganho. A dBi, que funciona contra um irradiador isotrópico (a antena isotrópica é uma abstração, não existe). É mais utilizada nas especificações de fabricantes europeus. A outra referência de ganho é a dBd, que atua contra um dipólo de meia onda. É a mais usada nas especificações de fabricantes americanos.
O ganho de uma antena está ligado à característica de sua irradiação. Pode ser calculado através dos ângulos de meia potência nos planos vertical e horizontal.
O ângulo de meia potência é inversamente proporcional ao ganho (para converter dBd em dBi usa-se a fórmula ‘dBi = dBd+ 2,15’).
O ganho em antenas é obtido com o acréscimo de mais elementos irradiantes ou parasitas ao equipamento, forçando a estreiteza e o alongamento do seu lóbulo principal e diminuindo seu ângulo de meia potência.
Em outras palavras: cada vez que se acrescenta um segmento (bobina), aumentando em 3dB o ganho de uma antena, duplica-se a ERP (potência efetivamente irradiada).
Dessa forma, selecionar o ganho correto da antena exige muita análise e investigação. Uma das principais tarefas dos engenheiros projetistas é conciliar a necessidade do cliente e as normas da Anatel, utilizando o espectro radioelétrico de forma racional.
7.Relação Frente/Costas:
A relação frente/costa é definida como o ganho do lóbulo principal comparado ao ganho do posterior. Quanto maior o valor (medido em dB) da relação frente/costa, melhor será a isolação atrás da antena, garantindo maior proteção das interferências de sinal entre antenas de uma mesma ERB (estação rádio base) ou entre ERBs distintas.
8.Miniduplexador:
O comprimento da antena conectada ao rádio transmissor é diferente do comprimento da antena do rádio conectado ao transmissor da repetidora. Essa diferença tem que ser harmonizada para que a estacionária da repetidora seja zerada. Caso isso não ocorra, toda a rede ficará com o desempenho comprometido, uma vez que ela é o coração do sistema que irradia o sinal sobre toda a área de cobertura. Como funciona? Seu papel é permitir a passagem da banda corretamente ajustada ao rádio e à antena, além de rejeitar qualquer outra frequência diferente da programada. Assim é quando transmite e recebe alternadamente, conferindo grande estabilidade ao sistema.
Seu uso não é obrigatório. Nada impede que a estação repetidora trabalhe com duas antenas, desde que haja espaçamento entre a antena da recepção e a da transmissão. Como dificilmente os sites de repetição, assim como as torres, são construídos para abrigar um único equipamento, faz-se necessário otimizar o espaço, seja o interno (que acomoda os racks que servem como abrigo dos equipamentos), seja o externo da própria torre.
Ao recorrer a duas antenas, também será necessário o dobro em cabos para a transmissão. Existem três tipos de míni-duplexadores: duplexador de 4 cavidades e de 6 cavidades, duplexador 4 cavidades ARS e duplexador 6 cavidades ARS.
9.Filtros:
O que foi esclarecido sobre duplexadores, se aplica também aos filtros, sobretudo quanto à pureza dos sinais e à rejeição de harmônicos e espúrios. Eles são instalados em uma frequência simplexs, geralmente um link responsável por um enlace entre duas estações (base ou repetidora).
10.Cabos Coaxiais:
Os cabos coaxiais costumam ser motivo de erro em muitas compras para instalação de bases e repetidoras. Existem cabos coaxiais de várias bitolas.
Portanto, com numerosas capacidades de atenuação de perdas.A razão de ser de um cabo na radiocomunicação é, além de conectar o rádio à antena, diminuir a perda de potência.
Torna-se fundamental trabalhar com torres de altura inferior a 50 ou 60 metros em projetos de médio e grande porte. Afinal, é preciso garantir que a capacidade de transmissão e recepção da repetidora não fique comprometida. Como assegurar o sucesso? Basta usar cabos coaxiais de alta qualidade, debruçando-se sobre a prancheta e calculando o que é mais viável com melhor custo-benefício.
11.Cabos Fendidos:
Este é um modelo de cabo cuja confecção dispensa o uso de antena. O próprio cabo é a antena. Por isso é fabricado para certa frequência e muito utilizado em túneis de metrô e de mineração. São também chamados de cabos irradiantes e possuem aplicação em diversas faixas do espectro, inclusive celulares.
12.Conector:
O conector liga as pontas do cabo ao rádio e à antena. O mau isolamento dos pólos ativos e negativos pode provocar sérios danos ao equipamento, reduzir o desempenho, causar chiados e ruídos indesejáveis.
Todas as estações – com exceção dos portáteis – possuem conectores móveis, bases e repetidoras. No caso dos móveis, é comum, com a trepidação do veículo, o conector se desprender do rádio, tirando-o do ar. Por isso, convém ao usuário a rotina de checar se estão rosqueados.
13.Interfaces:
Assim como existem computadores prontos, que saem montados das fábricas (IBM, HP), há também repetidoras prontas (Motorola, Vertex, Icom), que deixam a linha de montagem do mesmo modo que os PCs. No entanto, por serem equipamentos importados, o custo elevado não seduz o consumidor. Além disso, a falta de um bom suporte técnico em território nacional induz o interessado a facilidades oferecidas para se montar repetidoras locais.
Assim, a maioria dos consumidores tem optado pela repetidora definida como standard, composta por dois rádios móveis comutados por uma interface.
As interfaces são necessárias apenas em repetidoras montadas, desde que não haja link no sistema. Têm por objetivo comutar o rádio transmissor ao rádio receptor, possuindo outras funcionalidades, de acordo com o modelo e fabricante.
14.Instrumentação:
Muitas empresas e entidades tentam resolver o problema do sistema de radiocomunicação comprando mais rádios. Assim como não se resolve um problema financeiro com mais dinheiro, não se resolve uma falha do sistema de radiocomunicação aumentando o parque ou substituindo equipamentos.
Para solucionar este impasse, em redes de radiocomunicação, é necessário mergulhar fundo na questão, identificar problemas de natureza estrutural e cultural. Deste modo, será possível saber quantas frentes há no horizonte e com quais armas lutar.
Enfim, não se produz um trabalho de qualidade – em matéria de implantação de sistema e manutenção – apenas com boa vontade e um punhado de chaves de fenda.
Nota-se que obter a instrumentação necessária não é tudo. Há empresas que têm os equipamentos, mas não possuem profissionais técnicos capacitados para utilizá-los.
Para leigos, tais medidas podem parecer onerosas quando na verdade são a melhor relação custo-benefício para o cliente. Mesmo porque não será preciso refazer tudo e nem haverá prejuízos por causa da paralisação do sistema, que em muitas operações param a unidade industrial.
Desta forma, são necessárias duas coisas para a produção de um trabalho honesto no setor: conhecimento técnico especializado e instrumentação técnica de qualidade.
Cabe ao consumidor de produtos e serviços de telecomunicação uma advertência: escolher cuidadosamente empresas idôneas e com boas referências na área em que atuam, não se deixando influenciar por títulos (que nem sempre condizem com a realidade) e baixos preços.
7 Sistemas de Radiocomunicação
1.Trocalizados Analógicos:
Os sistemas de radiocomunicação troncalizados têm como princípio básico um canal controlador que seleciona uma frequência livre num pacote dentro do espectro radioelétrico. A escolha permite que diferentes grupos se comuniquem ao mesmo tempo, conforme a disponibilidade de canais e quantidade de grupos.
Os troncos analógicos são largamente utilizados em empresas detentoras de muitos terminais e diversos grupos específicos. Quanto aos sistemas troncalizados disponíveis, existem diversos protocolos (tais como o LTR, MPT 1327, entre outros).
2.Trocalizados Digitais:
Igualmente utilizados por grandes redes, os sistemas troncalizados digitais possuem recursos que possibilitam a integração de redes via chamada geral, de grupo e seletiva, assim como recurso para desabilitar à distância rádios extraviados ou roubados. Facilitam os serviços de roaming automático de site, criptografia, sigilo das comunicações e discagem rápida por memorização. Quanto aos protocolos que utilizam a técnica de modulação TDMA (Time Division Multiple Access), o digital é o mais comum aplicado na radiocomunicação troncalizada. Alguns sistemas são híbridos quanto à plataforma tecnológica.
3.Tetra Standard ETSI:
Terrestrial Trunked Radio é o nome completo de um protocolo. Para facilitar, é comumente denominado TETRA. Muito utilizado na Europa, o sistema tem como principal vantagem a operação com redes de telefonia móvel, que utilizam a plataforma GSM. Possibilita o acesso a serviços 3G, além de uma variada gama de funcionalidades.
4.Protocolo Digital P25:
No início da década de 1970, o espectro radioelétrico de algumas grandes cidades americanas se encontrava congestionado por estações de radiocomunicação de segurança pública.
Para solucionar o problema, a FCC (Federal Communications Comission, órgão governamental equivalente à Anatel brasileira), propôs a implantação de soluções troncalizadas. Os fabricantes, distribuidores e prestadores de serviço dos Estados Unidos iniciaram diferentes estudos técnicos para a definição do padrão de rádio troncalizado a ser destinado aos órgãos de segurança.
Entre o final da década de 1970 e meados dos anos 1980 foi concluído o Projeto 16. Esse protótipo de sistema era composto por cinco estações repetidoras, operando em 10 canais de radiofrequências em modo duplex, na faixa compreendida entre 806 e 866MHz. Foi definida a largura de canal em 12,5 kHz e espaçamento entre canais de 5MHz (offset). A modulação dos canais de voz era analógica, porém os testes com canais digitais também começaram na mesma época.
Na rede de Chicago foram instaladas 150 estações para o tráfego de dados prioritários em ocorrências policiais. Elas obedeciam três linhas básicas de informação: endereço, telefone e o nome da pessoa-contato, para que as viaturas pudessem se deslocar até o ponto de chamada com maior agilidade.
Os primeiros equipamentos foram comercializados pela Motorola e por um longo período pontificaram como padrão “fechado” de rádio troncalizado.
Poucos anos depois, as demandas por tráfego de dados obrigaram a tecnologia digital a substituir as redes analógicas do Projeto 16. Muitos estudos foram feitos e o novo sistema recebeu a denominação de Projeto 25. A comercialização desse padrão se expandiu além das fronteiras dos Estados Unidos e atualmente é adotado em inúmeros países.
8 Tecnologia Digital
Há muitos sistemas de radiocomunicação disponíveis atualmente no mercado corporativo de telecomunicação no país. Eis os principais:
a - sistema analógico convencional
b - analógico troncalizado
c - digital troncalizado (com protocolo aberto e protocolo fechado)
Qualquer um dos sistemas possui diferencial de qualidade na transmissão de voz e de dados, entre outros recursos. A oferta se deve a inúmeros fatores, tais como aumento da concorrência entre fabricantes, evolução tecnológica e segmentação de produtos específicos para determinados nichos da indústria. Esse cenário favorece muito o consumidor final.
Considerando os altos investimentos, tanto na aquisição como na manutenção de qualquer tipo de sistema, os gestores de TI devem atender às expectativas de seus clientes e minimizar o impacto financeiro sem prejuízo da qualidade.
No caso de sistemas troncalizados, os investimentos podem atingir cifras milionárias. É indispensável analisar a perspectiva de vida útil do parque de equipamentos, a estimativa de custos de manutenção e de reposição de terminais, a atualização dos sites de repetição, sem perder de vista que na área tecnológica tudo fica obsoleto em períodos cada vez mais curtos.
Na hora da operacionalização do sistema, muitas vezes o cliente acaba frustrado e o responsável técnico da empresa fica insatisfeito com a operação. Por isso, recomenda-se separar o real do ilusório, o que não é tarefa fácil.
Para evitar dissabores e maximizar ganhos, existem no mercado consultores independentes, engenheiros e advogados especializados na área, capazes de orientar com segurança empresas e órgãos governamentais. Tais profissionais gerenciam e analisam o funcionamento dos sistemas e se preocupam com a adoção de normas técnicas exigidas pela legislação.
Seja na aquisição de um novo sistema, seja no upgrade do sistema instalado, o primeiro passo para um investimento seguro é saber exatamente o que a empresa precisa. Em seguida, adquirir um sistema adequado para atender suas necessidades. E ainda mais: cuidar para que o sistema escolhido esteja dentro da visão estratégica do gestor de TI. É recomendável testar tudo antes da compra.
É imprescindível nesta avaliação o engajamento do usuário final em cenários que envolvam o cotidiano da empresa/entidade. Nessas situações, existem contratos específicos que conferem estabilidade na relação comercial e oferecem segurança a ambas as partes.
9 Radiocomunicação Digital: A Nova Fronteira
A humanidade ingressou no século XXI com inúmeras divergências políticas, étnicas, religiosas e culturais. Algumas delas são frutos da sinergia de povos causada pela globalização. Outras existem desde eras remotas. Entretanto, no território da tecnologia, árabes e judeus, brancos e negros, tucanos e petistas, punks e hippies, todos se curvam à nova ordem global do mundo digital.
1.O Protocolo da Internet:
O TCP/IP é o protocolo oficial da internet. Entre inúmeros benefícios operacionais, o TCP/IP foi o responsável pela padronização, ampliação e melhoria dos diversos serviços disponíveis, hoje acessíveis em escala mundial. Tais serviços suportam aplicativos e ferramentas como e-mail, navegadores de internet, serviços de telefonia móvel e fixa, sites de internet e mais uma infinidade de soluções.
A Motorola projetou uma linha completa de soluções com base na plataforma digital. Diz respeito à família de produtos de banda larga (PTP e PMP Motorola), linhas Astro (do protocolo P25) e Dimetra IP (do protocolo TETRA) e Mototrbo, que operam no modo integrado, garantindo segurança, estabilidade e confiabilidade aos usuários. O grande diferencial da linha de produtos Mototrbo é que permite a migração gradual, aproveitando os parques de rádios analógicos existentes.
A transição (em andamento desde 15 de dezembro de 2008, por meio da Resolução 523) faz-se necessária em razão do grande congestionamento do espectro radioelétrico. Desta forma, o primeiro benefício do sistema de radiocomunicação digital é a otimização de canais e, por via oblíqua, a preservação do meio ambiente de diversas formas.
2.Do Analógico para o Digital:
Os tipos de modulações foram modernizados e diferenciados ao longo do tempo. Desde os primórdios, tais diferenciações tiveram o objetivo de transmitir mais informações com maior qualidade. A migração dos sistemas analógicos para digitais não é diferente. Os sistemas digitais são necessários para melhorar a qualidade do serviço de acordo com o interesse do consumidor. Para o governo brasileiro, o papel dos sistemas digitais é racionalizar o espectro com otimização da atual quantidade de canais.
O processo de migração desses sistemas, ora em curso, é irreversível, principalmente para o cliente corporativo com grande quantidade de frequência em amplas áreas. A Anatel chegou a criar uma espécie de premiação para quem se antecipar à mudança. Assim, em caso de litígio pela disputa de certo canal, terá prioridade o usuário que houver migrado primeiro para o modo digital, reforçando o princípio da anterioridade, consagrado em vários ramos do Direito.
3.Implantação de Sistema:
Muitas vezes, a ansiedade do cliente, o cronograma exíguo, a pressão dos usuários e a falta de visão estratégica sobre o bem adquirido inviabilizam a execução de um trabalho de qualidade. Daí, o resultado pode ser um sistema aquém das necessidades do cliente.
Em primeiro lugar, o interessado precisa dar ao consultor de engenharia liberdade para planejar o processo passo a passo, mapeando as necessidades com precisão e planejando a arquitetura de rede mais adequada.
4.Topologia de Rede:
É fundamental para o projeto identificar as necessidades de cada setor da empresa. Este processo exige grande articulação e interesse das áreas gerenciais. Não é por acaso que essa fase determina a quantidade de estações base, móveis, portáteis e repetidoras, número de canais necessários, redes interligadas ou não e o grau de mobilidade exigido pelo usuário.
5.Arquitetura e Prediação:
Definida a topologia da rede, o passo seguinte é estabelecer como será a arquitetura, determinando o tipo de tecnologia capaz de atender à demanda. Nesse sentido, é indispensável fazer uma predição de cobertura. Cabe ao gestor do contrato fixar as premissas mínimas que o prestador de serviço e fornecedor dos equipamentos deverá garantir em contrato.
Em seguida, surge o instante de definição das premissas mínimas em relação a quem irá executá-lo. Ou seja, a instrumentação mínima para a execução da tarefa, a qualificação dos profissionais envolvidos e os procedimentos que deverão ser observados, assegurando também o cumprimento das normas trabalhistas.
Por fim, uma lição extraída da experiência. A precipitação é motivo de falha comum na maioria dos processos. É o fazer sem pensar muito. O cliente, embalado pelo ritmo de trabalho, adquire o equipamento de rádio sem definir com o provedor de produtos e serviços os requisitos mínimos sobre área de cobertura e nível de sinal mínimo em dBm, dBi ou micro volts das áreas estratégicas. Neste caso, o risco de desperdício de dinheiro e atraso nas instalações é altíssimo. Logo, é preciso pensar, planejar, contratar profissionais reconhecidos no mercado, e depois fazer.
6.Infraestrutura:
Premissas de infraestrutura costumam ser esquecidas na maioria dos projetos, embora essenciais para o bom desempenho do sistema. Entende-se por infraestrutura todo o manancial de insumos exigido para as instalações nas quais se assentarão as estações repetidoras, base e móveis.
Em geral, as obras começam com a edificação que suportará o sistema de repetição. O local deve ser limpo, seguro, refrigerado e funcional nos requisitos da engenharia civil. A energia elétrica carece de estabilização, aterrada com protetores anti-surto e principalmente com corrente elétrica compatível à demanda de consumo dos equipamentos. A falta de tais recursos impactará de modo negativo o desempenho do sistema. O funcionamento precário pode sujeitar todo o aparato a panes e interrupções constantes.
Ainda no quesito infraestrutura, a torre que abrigará as antenas das repetidoras é fundamental na operação. Será preciso um minucioso planejamento de sua carga para evitar o sub ou o hiperdimensionamento. O cálculo da estrutura deve considerar razão proporcional entre peso, altura e base, para que seja segura, funcional e eficaz. As normas técnicas obedecem aos padrões da Telebrás, que são referência também para as operadoras de telefonia móvel e fixa.
Ressalta-se ainda a necessária atenção à fundação e iluminação. Incorporado à torre, funcionará ainda o sistema de para-raios, para o qual existem hoje várias técnicas e metodologias.
7.Sustentabilidade:
Os sistemas de radiocomunicação, por essência, dependem do fornecimento de energia elétrica. Deste modo, os projetos de sítios de repetição não podem abrir mão do compromisso com um projeto de sustentabilidade, convertendo a energia solar – um recurso farto e abundante – em eletricidade de qualidade, de maneira limpa, sem desmatamento, poluição e outras mazelas.
8.Energia Solar:
Existem algumas premissas básicas para planejar um sistema de geração de energia solar eficiente e adequado às necessidades do sítio de repetição. Uma delas é a instalação correta das placas de captação de energia, que dependem de um ângulo adequado para obter melhor desempenho durante todo o ano, absorvendo maior quantidade de energia solar.
Outras premissas importantes são: estudo do índice histórico de pluviosidade/nebulosidade da área de instalação do sítio de repetição, estudo da umidade relativa do ar para projetar o sistema de armazenamento de energia, estudos da carga suportável pelo sistema e da latitude do local para fixar o coeficiente de insolação do local.
The Geen Repearter Project:
Em seguida, desenhado o projeto de construção civil do sítio de repetição, faz-se necessária uma repetidora ambientalmente correta, capaz de otimizar o espectro radioelétrico, hoje tão congestionado pela demanda de comunicação wireless.
10 Tecnologia-Wireless
1.Espalhamento Espectral:
O espalhamento espectral (OFDM) é uma técnica de transmissão digital de sinais surgida durante a Segunda Guerra, com a finalidade de converter as informações num sinal parecido com um ruído radioelétrico. O objetivo era evitar o monitoramento pelas forças inimigas.
A técnica de espalhamento espectral utiliza diversos canais simultâneos para transmitir dados. Esse conjunto de portadoras atua como um feixe de canais e transporta maior volume de dados em menos tempo. Desta maneira, o conjunto total de informação não se perde quando apenas um dos canais é invadido pelo inimigo.
Outra vantagem do espalhamento espectral é a baixíssima potência, não chegando a 0,5 watt. Num primeiro momento, a tecnologia de espalhamento não teve muita aplicação comercial. No entanto, o seu aprimoramento possibilitou a transmissão de dados via rádio com alta confiabilidade e a conquista de índices de transmissão cada vez melhores.
Tamanho êxito fez com que seu uso fosse disseminado nas redes locais (LANs) ou regionais (WANs), proporcionando grande mobilidade e flexibilidade para seus usuários. Por sinal, a possibilidade de criar enlaces interligando redes desencadeou ampla utilização em várias situações cotidianas. Os equipamentos de espalhamento espectral utilizam os protocolos padronizados para redes sem fio (IEEE 802.11).
Suas interfaces suportam os principais protocolos de redes existentes.
O padrão IEEE 802.11 originalmente previa taxas de transmissão de até 2 Mbit/s. A versão IEEE 802.11b estabelece a utilização de taxas até 11 Mbit/s. Hoje, existe a versão N, que possui maior capacidade de desempenho. Em geral, as interfaces de dados disponíveis são do tipo Ethernet.
Os serviços mais comuns oferecidos são de interligação de redes corporativas ou de acesso à internet (que compete diretamente com os serviços do tipo ADSL).Em ambos os casos, a banda oferecida para cada usuário depende da arquitetura escolhida.
a - TDMA
O TDMA (Time Division Mutiple Access) é uma técnica de modulação que permite dividir um canal de frequência em mais de um intervalo de tempo distinto, permitindo o acesso simultâneo a mais de uma chamada ao mesmo tempo.
b - IDEN
O IDEN (Integrated Digital Enhanced Network) é uma tecnologia de comunicação móvel, desenvolvida pela Motorola. Combina os serviços de rádio bidirecional digital, telefone celular, rede de dados e envio de mensagens em um único sistema/ aparelho, utilizando a tecnologia TDMA. O IDEN permite a utilização de até seis conversações simultâneas em um canal de 25kHz. No Brasil, a tecnologia IDEN é utilizada pela Nextel.
c - CDMA
O CDMA (Code Division Multiple Access) é um modo de transmissão de informação de dados ou voz baseado na formação de pacotes codificados, que permitem sua organização e identificação de maneira lógica e ordenada por um complexo processo de multiplexação.
d - GSM
O GSM (Global System for Mobile Communications) consiste numa plataforma de telefonia móvel muito utilizada atualmente, contando com mais de um bilhão de usuários. É adotada em mais de 200 países.
e - SLF
A SLF (Super Low Frequency) é uma escala de frequência entre 30 hertz e 300 hertz.
f - VLF
A VLF (Very Low Frequency) consiste na radiação eletromagnética pelas linhas de transmissão de energia elétrica em corrente alternada. É usada também em rede de comunicação de rádio em submarinos.
g- LF
A LF (Low Frequency) é uma banda de radiofrequência que se situa entre 30 kHz e 300 kHz. Em alguns lugares do planeta, a banda de LF é utilizada em radiodifusão. Devido ao comprimento de onda, serve ainda para balizamento aéreo, navegação, informações meteorológicas e pesquisas de camadas ionosféricas.
TRANSCEPTORES ESPECIAIS
a- Intrinsecamente seguros
Existem ainda alguns tipos de equipamentos especiais. Entre eles, a chamada linha intrinsecamente segura, fabricada atualmente por diversas marcas mundiais. São exigidos em áreas nas quais existe risco de explosão. Submetida a um processo de vedação especial, a linha intrinsecamente segura é produzida sob critérios rigorosos, com o objetivo de evitar explosões causadas por faíscas e acidentes provocados pelo manuseio ou a simples exposição da bateria do rádio portátil em áreas de riscos expostas a uma determinada categoria de gases.
A utilização da linha de equipamento intrinsecamente segura é obrigatória em empresas petrolíferas e segmentos ativos em áreas classificadas como de risco. No Brasil, o equipamento necessita da homologação da Anatel e de certificação do Inmetro.
b - Dispositivo man down
O sistema man down é muito utilizado no controle e monitoramento de pessoas que trabalham confinadas. O equipamento é capaz de detectar queda ou desmaio de um trabalhador confinado e disparar um alarme para a rede, geralmente monitorada por profissionais da saúde, brigadas de incêndio e afins.
c - Rádios profissionais
Outro grande diferencial da radiocomunicação é a robustez do equipamento. Por tradição, os seus equipamentos são projetados segundo padrões e normas militares. No caso de algumas indústrias, existem testes específicos, como o de Vida Útil Acelerada, da Motorola, realizado para simular condições adversas, de impacto e temperatura, entre outros. As normas militares mais comuns são os padrões MIL-SPECS 810 E e F.
Para controlar a infiltração de líquidos e poeira, existem dois testes para medir a capacidade de vedação do equipamento em relação ao meio externo: IP57 e IP64. Esses padrões garantem maior resistência quanto às ameaças mais comuns.
11 Sustentabilidade e Meio Ambiente
Atividade do setor de telecomunicação provoca impacto no meio ambiente de diversas maneiras. Seja pelo uso do espaço radioelétrico, seja pelo descarte de materiais agressivos à natureza, como as baterias utilizadas nos rádios portáteis.Admitido o fato, torna-se possível ajudar a construir um mundo melhor dentro das próprias empresas, estimulando a prática de ações pelo uso racional dos recursos do meio ambiente e a aposta no menor impacto ambiental.
1.Risco de Irradiação:
O mundo está cada vez mais saturado de ondas eletromagnéticas. Elas estão em toda a parte, nas ruas, escritórios, fazendas, cidades, hospitais, indústrias, shopping centers e residências. Tal saturação preocupa as autoridades de saúde, pois o número de equipamentos produzidos e colocados no mercado é cada vez maior.
Além da preservação da saúde, há outro manancial a ser resguardado. Trata-se do espaço pelo qual trafegam as ondas eletromagnéticas. Sem esse caminho, o mundo da tecnologia móvel jamais existiria. Recurso natural escasso e não renovável, apenas agora começa a ser protegido por normas e padrões racionais de correta utilização. Uma lei federal de 2009, por exemplo, determina a obrigatoriedade de medição das irradiações em estações base e repetidoras.A Anatel (Resolução 303) fixou a instalação correta, destinação e utilização dos sistemas de telecomunicações.
Para a aprovação de sistemas de telecomunicações, hoje é necessário laudo técnico atestando que o referido sistema foi instalado de acordo com normas e padrões legais. Nesse sentido, a contratação de bons técnicos é imprescindível para a saúde pública e a conservação do meio ambiente. Recomenda-se que um engenheiro eletricista, contratado para elaborar projeto técnico para regularização de um sistema de telecomunicações esteja presente no local das instalações. Somente a presença in loco será capaz de produzir um trabalho responsável e de qualidade.
12 Demandas do Mercado de Radiocomunicação
Há dois grandes grupos de demandas de usuários do sistema de radiocomunicação:
a - as demandas do mercado microeconômico
b - as demandas do mercado macroeconômico
O mercado microeconômico congrega setores ligados à área de serviços, empresas que prestam serviços a terceiros na cadeia produtiva, sejam pessoas físicas ou jurídicas.
O leque é bastante aberto. Para ilustrar melhor, eis alguns segmentos: empresas de segurança, de portaria, conservação e limpeza, hotéis, supermercados, estacionamentos, shopping centers, condomínios verticais e horizontais, comércio em geral e empresas de manutenção predial, bem como toda a sorte de serviços que, com o fenômeno da terceirização, não param de crescer.
Inclui-se no pacote demandas do mercado microeconômico, na maioria das vezes com sistemas que operam no modo simplex e com topologia de rede simples, poucos canais, área de cobertura pequena e baixo grau de interoperabilidade com outras redes ou sistemas. Operam com baixa quantidade de rádios, dificilmente passando de 100 unidades.
As demandas macroeconômicas, geralmente, são determinadas por grandes empresas tomadoras de serviços, tais como indústrias dos mais diversos segmentos da economia, administração pública direta, empresas públicas, universidades, empresas da construção civil, de agronegócios, de papel e celulose, usinas de açúcar e etanol, mineradoras, petrolíferas, concessionárias de rodovias, de energia elétrica, de serviço de água e esgoto. No aparato oficial, secretarias de segurança pública, saúde, educação, meio ambiente e instituições financeiras da área governamental. Eventualmente, entre elas, pode aparecer alguma do grupo microeconômico que, em razão de seu porte, passa a ter uma demanda diferenciada.
As demandas desses clientes especiais se destacam em relação aos demais pela grande quantidade de equipamentos, redes, canais, interoperabilidade com outros sistemas, complexidade de topologia de redes, enlaces, necessidade de cobertura de grandes áreas e gerenciamento de situações de risco.
13 Normas Reguladoras
Nem tudo que é possível tecnicamente é viável juridicamente. Existem normas e padrões a serem seguidos no que diz respeito à canalização de frequências e quantidade mínima de estações em algumas redes. É recomendável, antes de se comprar equipamentos e definir a faixa de frequência, um minucioso estudo da disponibilidade de canais existentes na região. Há casos em que equipamentos são adquiridos e sequer são instalados em razão da inexistência de canais disponíveis. Para evitar erros de planejamento em áreas de pouca disponibilidade de canais (caso das grandes capitais e de regiões do interior paulista), recomenda-se um levantamento local antes da compra de equipamentos, como medida para evitar contratempos e dissabores mais tarde.
1.Cronograma e Mapa de Risco:
A elaboração de um projeto é elementar. Tem que haver começo, meio e fim dentro de um cronograma que estabelece uma ordem de necessidades. A principal delas é de cunho econômico e financeiro. Outra é operacional, uma vez que não se adquire um sistema de radiocomunicação por modismo, mas sim porque existe carência de comunicação.
Recomenda-se elaborar cronograma com datas para a entrega de tarefas ou produtos. Se possível, fazer constar no contrato que os pagamentos serão efetuados mediante medição e aprovação da tomadora do serviço. Para que não haja atrasos, o que é inevitável em algumas obras, é indispensável executar um mapeamento de riscos. Desta forma, o gestor do projeto poderá planejar alternativas logísticas, técnicas e operacionais, com o objetivo de reduzir ou superar as adversidades.
Nas obras em locais distantes, que exigem o deslocamento de equipes especializadas, algumas providências são necessárias para evitar complicações. Profissionais experientes são capazes de prevê-las, razão pela qual vale a pena investir na competência e na qualidade técnica, economizando tempo e dinheiro.
2.Treinamento:
Em grandes redes é comum observar a ignorância de muitos usuários a respeito do sistema de radiocomunicação. Não raro envolve profissionais que jamais tiveram contato com equipamentos de radiocomunicação.
Há também os profissionais que já conhecem e operam rádio, mas jamais participaram de treinamento. Nos laboratórios de consertos, muitos defeitos dos aparelhos são identificados como fruto do mau uso.Ocorrem por desconhecimento do manuseio e de ações nocivas ao equipamento.Há ainda quem confunda rádio comercial com o rádio amador, desvirtuando a finalidade para a qual se destina no contexto empresarial.
Para trocar experiência com todos, iniciantes e veteranos, nada melhor do que contratar uma empresa especializada no ramo para organizar um treinamento, com os principais tópicos: funcionamento das redes do sistema, noções gerais sobre comportamento e conduta do usuário, recomendações sobre como utilizar o equipamento, diferenças operacionais entre os diversos tipos de estação, cuidados com os equipamentos, entre muitos outros aspectos que devem ser customizados caso a caso.
3.Administração de Terceiros:
Com os grandes clientes, o fenômeno da terceirização é muito comum. Isso gera algumas distorções. Por exemplo: várias redes de diferentes operadores atuam ao mesmo tempo, integradas ou não nas instalações da empresa, suscitando dúvidas dos gestores e forçando-os a falar um tipo de língua com cada um dos prestadores de serviço. Algo como uma Torre de Babel.
Cabe ao gestor da área definir a política de contratação de terceiros usuários de rádios. É preciso decidir se deverão trazer suas respectivas licenças com os rádios ou se operarão com a licença da tomadora de serviços. Neste segundo caso, se houver substituição do contratado, o controle das respectivas autorizações para uso de estação de rádio permanecerá com o antigo prestador de serviço. A licença é intransferível.
Orçamento:
Ponto crucial na aquisição de produtos e serviços é o envolvimento do departamento de compras responsável pela escolha dos fornecedores e a identificação da proposta mais vantajosa. A partir daí, o interessado irá mergulhar no complexo universo das competitivas empresas de radiocomunicação e se defrontar com um pacote de especificações de equipamentos, acessórios e periféricos existentes. Caso tudo não seja preciso e exato, correse o risco de adquirir produtos e serviços inadequados. No afã de comprar barato, algumas empresas, em casos extremos, acabam tipificadas pelo Código Penal como receptadoras.
A rigor, a desinformação impera no ramo. A maioria dos departamentos encarregados da recepção de materiais (geralmente almoxarifados), inclusive das grandes empresas, não tem condições de identificar e avaliar produtos de telecomunicações. Para resolver tais fragilidades, o ideal é que se estabeleça no contrato que o produto será parte do serviço. O fornecedor deve ser auditado por resultados definidos no momento da contratação.
5. Interferências:
A interferência é uma das piores maldições que assolam as redes de radiocomunicação. Há, porém, muitas maneiras de resolver o impasse. Primeiro, revisar todo o sistema e se certificar de que a operação obedece a características técnicas corretas. Em caso positivo, o próximo passo é rastrear a origem da fonte das emissões. Quando a interferência é audível, esse processo é fácil. Basta, ao escutar a outra rede, identificar a entidade responsável pelo sistema. Quando afeta os dados, a situação é mais complicada. Convém então procurar as causas minuciosamente dentro da própria empresa, em outros sistemas. São infinitas as hipóteses de origem e muitas vezes decorrem de harmônicos, espúrios e batimentos.
6.Área de Cobertura e Pontos de Sombra:
Durante o processo de site survey é possível identificar e projetar, em conjunto com o cliente/usuário, a concepção da arquitetura de rede. Sem a elaboração de estudos práticos e teóricos, escuta de frequências e avaliação prévia de viabilidade de canais na Anatel, o serviço certamente ficará prejudicado.
Se alguma coisa sai errada, o fenômeno resulta da não contratação do serviço de predição. O usuário compra o sistema como se tivesse adquirindo um eletrodoméstico que funciona “no piloto automático” e não um sistema de grande complexidade.
7.Exposição a ondas Eletromagnéticas:
O governo federal (lei nº 11.934) e a Anatel (Resolução 330) instituíram normas, padrões e parâmetros para a instalação de estações emissoras de ondas eletromagnéticas não ionizantes na faixa de 9 kHz a 300 GHz. Nesse sentido, estações base, repetidoras e móveis passaram a ser objeto de estudo adicional. Além de atender às necessidades operacionais dos executantes do Serviço Limitado Privado, a legislação passou a exigir segurança aos profissionais operadores e aos colaboradores expostos às irradiações nas estações de radiocomunicação. Hoje, a Anatel solicita laudos técnicos assegurando que as estações estejam de acordo com as normas técnicas e a metodologia de instalação.
Os níveis de irradiação existentes no local de instalação devem ser verificados por medição in loco, com equipamento aferido pelo Inmetro, conforme as especificações do fabricante e os parâmetros fixados pela lei. O laudo baseado em cálculos teóricos é impreciso pois exclui variáveis fundamentais, tais como altura e tipo da antena, tipo de cabo, condições dos materiais, condições da estação, aferição de potência do equipamento e aferição de ERP.
Deve-se levar em consideração que alterações de antena não previstas no projeto e condições geológicas do local de instalação podem impactar na amplitude magnética da corrente eletromagnética.
8.Autuaçoes, Multas e Lacrações:
Eis aqui a derradeira pá de cal que recai sobre um sistema mal planejado. Se forem constatados problemas no sistema de radiocomunicação, a Anatel irá instaurar processo administrativo para apurar as irregularidades, nos termos da Resolução 344. Ressalta-se que essas responsabilidades a priori recaem sobre o executivo que responde pela entidade. Mas a instaladora não fica livre da encrenca. É autuada como co-responsável, conforme a Lei Geral das Telecomunicações (artigo 183).
9.Vantagens da Turn Key:
Muitos são os modelos possíveis de terceirização de serviços. Existem empresas especializadas em várias fases do processo. Caso o gestor do projeto queira aproveitar o melhor de cada uma delas, a terceirização é perfeitamente viável, desde que se aceite alguns riscos. Dessa forma, é possível comprar equipamento de um fornecedor, instalar com outro e licenciar com um terceiro. No entanto, o gestor do contrato precisará de tempo, disposição e conhecimento para administrar todos os fornecedores (gerenciando as zonas cinzentas, nas quais a responsabilidade de um acaba onde começa a do outro). Em alguns casos, pode até reduzir custos.
Ocorre que, na maioria das vezes, o gestor do projeto de radiocomunicação está soterrado por muitas atribuições. Neste caso, o alinhamento de contas com um único fornecedor, costuma ser interessante do ponto devista gerencial e às vezes também no aspecto econômico. Com a centralização de produtos e serviços num único fornecedor, a negociação assume outra dimensão.
10.Locação ou Compra?
Em geral, o que determina compra ou locação de equipamentos é a combinação entre cultura de investimentos e percepção do gestor a respeito do bem adquirido, considerando, acima de tudo, sua importância no processo produtivo do business. Aliás, tudo no mundo dos negócios se resume na percepção e no “olhar” que paira sobre o objeto da negociação, não importando qual o lado do balcão em que se esteja. Apenas em relação à Anatel, os equipamentos devem seguir quatro normas:
a - Resolução 242, que dispõe sobre homologação
b - Norma 13, que determina o licenciamento de equipamentos transceptores
c - Resolução 303, que dispõe sobre os parâmetros de segurança necessários à salvaguarda da saúde e do meio ambiente
d - LGT (Lei Geral de Telecomunicações) que dispõe sobre as punições aos infratores de normas de telecomunicações Nesse contexto, para assegurar o funcionamento com qualidade e de modo contínuo, sempre haverá necessidade de um provedor que preste assistência rotineira, assumindo, também, os serviços de manutenção, legalização e treinamento, no caso de compra de equipamentos.
Não se pode perder de vista algumas questões pontuais e percalços inevitáveis. Afinal, qualquer objeto eletrônico se deprecia no máximo em três anos e o certificado de homologação da Anatel, para maioria dos equipamentos, expira em 24 meses. Os acessórios e componentes de reposição de antigas peças aos poucos se tornam escassos e podem atingir cifras inviáveis. Assim, em vez da compra, é mais conveniente a locação de equipamentos, bem negociada com o fornecedor, que deverá assumir todos os custos e encargos decorrentes da prestação do serviço.
A proposta do fornecedor deve atender aos objetivos do cliente. Competirá a ele providenciar o licenciamento na Anatel ou fornecer suas próprias licenças (em vias originais), capazes de garantir a quantidade de rádios locados. Se o objeto do contrato for a locação de 50 rádios, deverão acompanhar 50 licenças. Constará ainda do contrato o licenciamento de laudos para assegurar a saúde dos usuários, laudos ambientais, assessoria jurídica para acompanhar processos na Anatel, recolhimento de taxas e emolumentos, entre outros documentos exigidos por lei.
Acrescenta-se ainda treinamento aos usuários sobre prática e capacitação no uso correto do sistema, evitando gastos desnecessários com manutenção decorrente de mau uso. E ainda mais: manutenção preventiva trimestral sem custo adicional, manutenção corretiva 24 horas por dia, incluindo mão-de-obra técnica especializada e fornecimento de componentes (qualquer cobrança extra por má utilização deverá ser acompanhada de laudo técnico e foto do item danificado).
No âmbito das vantagens estratégicas, dependendo do regime fiscal de declaração de Imposto de Renda (lucro real), toda a fatura de locação é lançada como despesa. Portanto, abatida do valor final a pagar. Na renovação do contrato (vigência, em geral, de 12 a 36 meses), poderá ser exigida atualização completa do parque de rádios. Desta forma, a contratante terá sempre equipamentos novos e atualizados. Nesse modelo de negócio, o gestor determinará os custos dos serviços em contrato, situação rara em se tratando detelecomunicações, cujas tarifas no país são altíssimas.
11.Ética e Qualidade:
No dia-a-dia da vida comercial, sempre haverá duas maneiras de atuação: a justa e a injusta. A justa se apoiará no trabalho com qualidade e na virtude. A injusta no desrespeito ao concorrente ou na deslealdade com o consumidor (e muitas vezes do consumidor para com o prestador ou fornecedor de produtos e serviços).
Deste modo, o grande divisor de águas é a qualidade. Ela é que faz a separação bíblica do joio do trigo. Quem oferece trabalho com qualidade, não teme os concorrentes desleais, pois sua missão tem como base um conceito que é intangível.
A definição de qualidade é muito complexa, por ser extremamente subjetiva. Mas é possível definir qualidade como um momento subjetivo de satisfação no qual o consumidor ou usuário se identifica de tal maneira com o produto ou serviço prestado que o objeto desaparece da relação e ele passa a se relacionar apenas com a sensação de realização decorrente do gozo e fruição do produto ou serviço ofertado.
12.Homologação:
A homologação tem como principal objetivo garantir a comercialização de produtos de boa qualidade em território brasileiro, testados e aprovados pela Anatel. Atualmente, a agência possui organismos denominados OCDs, que efetuam a conferência das características técnicas e conferem o certificado de designação dos produtos que atenderem aos parâmetros fixados por lei. Em muitos casos, esses processos demandam ensaios e testes em laboratórios especializados. Tais produtos são divididos por famílias e subdivididos em classes. Muitas vezes permite-se que um único certificado abranja toda uma família de produtos. Qualquer objeto utilizado em tele-comunicações e comercializado no país deve passar pelo crivo da Anatel.
Os cuidados visam manter a organização do espaço radioelétrico, evitando interferências prejudiciais e perturbação da qualidade de comunicação de outros permissionários. A agência ainda obriga o fabricante ou distribuidor a manter componentes de reposição e suporte técnico durante a vida útil do produto, salvaguarda o direito do consumidor e garante um mercado confiável e de acordo com normas globais de qualidade.