Agente Comunitário de Saúde
Formação Inicial de Agentes Comunitários de Saúde
1 A família e o trabalho agente comunitário de saúde:
Identificação dos Usuários:
• Registro Geral (RG) ou Carteira de Identidade:
As letras significam Registro Geral. Ele é aquele documento “mãe”, a partir dele é possível tirar a maioria dos nossos documentos. É considerado o documento mais importante do cidadão, pois representa identidade de cada pessoa registrada no Brasil.
2 A família:
A família é a primeira e mais importante influência na vida das pessoas. É na família que adquirimos os valores, os usos e os costumes que irão formar nossa personalidade e bagagem emocional. Podemos chamar de família um grupo de pessoas com vínculos afetivos, de consanguinidade e de convivência.
As famílias vêm se transformando ao longo do tempo, acompanhando as mudanças religiosas, econômicas, sociais e culturais. Hoje existem várias formas de organização familiar, como: famílias com uniões estáveis, reconstituídas, de casais do mesmo sexo, de casais que moram em casas separadas etc. Há ainda famílias que não têm a presença da mãe, do pai ou de ambos.
Muitas vezes nesses casos, os avós assumem a responsabilidade em cuidar da família. A família é o ponto de partida para o trabalho do ACS na comunidade. Por isso, é preciso identificar e compreender a formação e como funcionam as famílias da sua área de abrangência. A seguir, alguns itens que podem colaborar na identificação da organização e funcionamento das famílias.
Registro Civil de Nascimento e documentação básica:
Você pode encontrar na sua área de atuação pessoas que não possuem Certidão de Nascimento e outros documentos básicos de cidadania. Isso faz com que esses brasileiros deixem de ter acesso a oportunidades e até mesmo aos programas sociais do governo.
Na visita domiciliar, é importante que você identifique as pessoas sem Registro Civil e sem documentação.
Registro Civil de Nascimento:
Sem o Registro Civil de Nascimento, uma pessoa, para todos os efeitos legais, não possui nome, sobrenome, nacionalidade, não existe para o Estado e não pode ter outros documentos como: Carteira de Trabalho, Título de Eleitor, CPF, Carteira de Identidade, Habilitação de Motorista, Passaporte etc.
Não é possível também ter direito a: fazer matrícula na escola, fundo de garantia por tempo de serviço, aposentadoria, licença-maternidade etc. Não pode participar dos programas sociais como Bolsa-Família, Luz para Todos, entre outros, nem realizar casamento civil, fazer alistamento militar e comprar um imóvel com escritura.
É comum encontrar grupos de população específicos sem documentação, como os povos indígenas, ciganos, quilombolas, trabalhadores rurais, catadores de papel, pessoas em situação de rua, pessoas de baixa renda e aqueles que moram afastados dos cartórios. Os povos indígenas têm o direito, mas não são obrigados, ao Registro Civil de Nascimento.
É preciso estar atento para as crianças nascidas e que não foram registradas após os 90 dias de vida.
A Declaração de Nascido Vivo (DNV) é o documento que é emitido pelo estabelecimento de saúde onde a criança nasceu. Esse documento deve ser levado ao cartório para ser feito o Registro Civil de Nascimento (RCN) e emitida a Certidão de Nascimento. O registro fica no cartório. A certidão fica com a pessoa que fez o registro. Pai, avô, padrinho ou amigo pode fazê-lo. O Registro Civil de Nascimento é feito uma única vez em livro no cartório, é gratuito para todos os brasileiros, assim como a primeira Certidão de Nascimento fornecida pelo cartório.
O Registro Civil de Nascimento é gratuito, mesmo quando feito após o prazo legal, que é de 15 dias. Esse prazo se amplia para até três meses nos lugares com mais de 30 quilômetros de distância da sede do cartório (artigos 30 e 50 da Lei nº 6.015/73; art. 1º da Lei nº 9.265/96; art. 45 da Lei nº 8.935/94). As penalidades aos profissionais registradores estão previstas na Lei nº 8.935/94, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8935.htm
O Registro Civil de Nascimento é feito no cartório de Registro Civil do local (vila, povoado, cidade) onde a criança nasceu, somente nos primeiros 90 dias. Após esse prazo, o registro só poderá ser feito no cartório mais próximo de onde a pessoa mora.
A segunda via da Certidão de Nascimento só é gratuita para aqueles reconhecidamente pobres, de acordo com a Lei nº 9.534/97.
Se os pais são casados:
• Via amarela da Declaração de Nascido Vivo, fornecida pelo hospital;
• Certidão de Casamento;
• Presença do pai ou da mãe.
Se os pais não são casados:
•Via amarela da Declaração de Nascido Vivo, fornecida pelo hospital;
•Um documento de identidade dos pais, por exemplo, Certidão de Nascimento.
•Carteira de Identidade;
•O pai e a mãe devem estar presentes. Se o pai não estiver presente, a mãe só faz o registro com o nome paterno se tiver uma procuração do pai para esse fim. Sem a procuração, ela pode registrar apenas em seu nome e, a qualquer tempo, o pai pode ir ao cartório para registrar a paternidade.
Se a criança não nasceu no hospital e não tem a Declaração de Nascido Vivo, os pais devem ir ao cartório com duas testemunhas maiores de idade que confirmem a gravidez e o parto.
Os pais não registrados devem primeiramente se registrar para depois registrar o filho.
Os pais menores de 18 anos não emancipados deverão ir ao cartório, acompanhados de seus pais ou representantes legais.
Quem pode ser o representante legal?
Se a criança ou adolescente não tem os pais, o avô ou avó será seu representante legal. Na falta dos avós, outro parente próximo poderá requerer a guarda ao juiz. Se a criança estiver em situação de risco, o Conselho Tutelar poderá intervir e encaminhar pedido ao promotor de Justiça, que requererá ao juiz a nomeação de um representante legal ou abrigamento da criança ou adolescente.
Para o registro civil para os maiores de 90 dias sem a DNV, você, ACS, deve recomendar que a família procure o cartório mais próximo de sua residência para obter mais informações de como proceder. Destacamos que, mesmo assim, o 1º RCN continua sendo gratuito.
É importante guardar e preservar a certidão original, pois será utilizada por toda a vida do cidadão.
Caso seja necessário ter acesso a uma segunda via da Certidão de Nascimento, basta solicitar a emissão de outra certidão no cartório onde a pessoa foi registrada. Nesse caso será cobrada uma taxa, a não ser que o solicitante seja reconhecidamente pobre, conforme já explicado.
Documentação básica:
• Cadastro de Pessoa Física (CPF);
• Carteira de Trabalho e Previdência Social – CNTPS;
3 Saúde da criança:
O acompanhamento de crianças é uma etapa fundamental e prioritária de seu trabalho. Você vai acompanhar todas as crianças de sua área de atuação, desenvolvendo ações de prevenção de doenças e agravos e de promoção à saúde.
Entre as ações de prevenção das doenças e promoção à saúde, estão o incentivo ao cumprimento do calendário vacinal, a busca ativa dos faltosos às vacinas e consultas, a prevenção de acidentes na infância, o incentivo ao aleitamento materno, que é uma das estratégias mais eficazes para redução da morbimortalidade (adoecimento e morte) infantil, possibilitando um grande impacto na saúde integral da criança.
Os problemas que surgem durante a infância são responsáveis por graves consequências para os indivíduos, e sua atuação certamente contribuirá para minimizar o aparecimento desses problemas.
A seguir orientações que devem ser dadas durante a visita domiciliar às famílias onde há crianças.
A criança no primeiro mês de vida:
A criança desde o nascimento até completar 28 dias de vida é chamada de recém-nascida, sendo totalmente dependente dos cuidados dos pais.
É importante que os cuidados com o recém-nascido, mesmo os mais simples, sejam feitos pela mãe. No entanto, outras pessoas podem ajudar no cuidado com a criança: o pai, a avó, a vizinha ou a comadre. Nessa fase qualquer doença pode se tornar grave.
Você pode colaborar conversando com os pais, esclarecendo suas dúvidas e diminuindo suas preocupações. Lembre-se de que a mãe também está se recuperando e se acostumando a uma nova situação, mesmo que ela já tenha outros filhos.
Observando os cuidados da mãe com o bebê no banho, nas mamadas, na troca de fraldas, você poderá perceber o tipo de atenção que é dada à criança e assim orientar melhor a mãe e a família.
Características físicas do recém-nascido:
Os bebês nascem vermelhinhos, amassados, inchados, alguns com a cabeça pontuda, o nariz achatado e os olhos “vesgos”. Essas características são normais neles e somem até o primeiro ano de vida. Algumas marcas podem aparecer na pele resultantes do trabalho de parto, independentemente da habilidade da pessoa que fez o parto. Não é o caso de se preocupar, pois elas vão desaparecer com o tempo.
Peso:
Normalmente os bebês nascem com peso entre 2,5 kg e 4 kg e sua altura fica entre 47 e 54 centímetros.
Por que o peso é tão importante?
Por que o peso ao nascer pode ser um indicativo de algum problema de saúde durante a gestação. Depois o peso e a altura vão marcar o início do crescimento do bebê, agora fora da barriga da mãe e, é claro, com as características herdadas dos pais.
Aqueles que nascem com menos de 2,5 kg têm maiores riscos de apresentar problemas. Podem ser prematuros, que nasceram antes da hora. Podem também ser crianças que por diversas razões, como desnutrição da mãe, infecções da mãe durante a gravidez, mãe fumante durante a gravidez ou por outras razões, nasceram no tempo certo, mas com baixo peso. Por outro lado, não podemos nos esquecer dos bebês que nasceram acima de 4 kg, que pode ser um indicativo de mãe que apresentou diabetes gestacional.
Todos esses bebês precisam ser acompanhados com mais frequência por você e pelos demais profissionais da UBS, pois geralmente precisam de cuidados especiais.
Perda de peso natural:
Nos primeiros dias de vida, o bebê perde peso e isso é normal. Perde líquido e elimina as primeiras fezes (mecônio). Ele está se acostumando ao novo ambiente. Deve recuperar seu peso em mais ou menos 10 dias.
Pele:
Sua pele é avermelhada e recoberta por uma camada de gordura, que serve de proteção e aumenta sua resistência a infecções. É delicada e fina, então é preciso ter muito cuidado com a higiene.
• Podem ter pelos finos e longos nas costas, orelhas e rosto, que desaparecem após uma semana do nascimento;
• Podem aparecer alguns pontinhos no nariz como se fossem pequenas espinhas, que não se deve espremer, pois podem inflamar. Eles desaparecem em cerca de um ou dois meses;
• Podem apresentar manchas avermelhadas espalhadas pelo corpo, que é uma reação da pele ao ambiente, e também logo desaparecem;
• Se o bebê apresentar coloração amarelada em qualquer intensidade, orientar para procurar a UBS, porque pode ser “icterícia”.
Cabeça:
A cabeça do recém-nascido sofre pressão intensa durante o trabalho de parto, que, às vezes, adquire uma forma diferente do normal. O bebê pode ainda nascer com o rosto inchado e com manchas. São alterações que desaparecem em poucos dias.
O bebê pode apresentar um inchaço no couro cabeludo, como uma bolha, devido à compressão da cabeça para dilatar o colo do útero. Quando o parto é natural, é comum isso acontecer com o bebê.
A “moleira” é também uma característica do recém-nascido, não devendo ser motivo de preocupação. Ela nada mais é que uma região mais mole na parte de cima dos ossos da cabeça que ainda não estão emendados. Isso ocorre para facilitar a passagem da cabeça do bebê pelo canal vaginal na hora do parto. A moleira é importante para que a cabeça do bebê continue crescendo, acompanhando o crescimento do cérebro. Ela vai se fechando aos poucos, num processo que só se completa por volta dos 18 meses de vida.
Casquinhas no couro cabeludo:
São comuns nos recém-nascidos essas casquinhas, que não incomodam em nada o bebê. O importante é manter a cabeça limpa e seca. Orientar para não tentar tirá-las a seco e verificar se as orientações da UBS estão sendo realizadas. Com o tempo elas desaparecem naturalmente. Caso você sinta um cheiro desagradável na cabeça do bebê, é preciso encaminhá-lo para a UBS. A criança pode nascer com dentes, que geralmente não tem o formato de um dente normal. Não se deve tentar tirá-los, e sim encaminhar o bebê para o dentista na UBS.
Tórax e abdome:
• Alguns bebês podem nascer com as mamas aumentadas porque os hormônios da mãe passaram por meio do cordão umbilical. Isso é natural. Você deve orientar a mãe para não espremer, pois, além de machucar, pode inflamar. Informe que as mamas irão diminuir aos poucos;
• A barriga do bebê é alta e grande, e na respiração ela sobe e desce (respiração abdominal);
• O coto umbilical é esbranquiçado e úmido, que vai ficando seco e escuro, até cair;
• Os braços e pernas parecem curtos em relação ao corpo.
Genitais:
Em alguns meninos os testículos podem ainda não ter descido totalmente, parecendo o saco um pouco murcho; outros podem ser grandes e duros, parecendo estar cheios de líquido. Mantendo-se qualquer uma dessas situações, orientar para procurar a UBS. Nas meninas pode haver saída de secreção esbranquiçada ou um pequeno sangramento pela vagina. Isso ocorre devido à passagem de hormônios da mãe. Nesses casos, oriente que é uma situação passageira e recomende a higiene local, sempre da frente para trás, ou seja, da vagina em direção ao ânus, e não o contrário.
Funcionamento intestinal:
Nas primeiras 24 horas de vida, os recém-nascidos eliminam o mecônio (que é verde bem escuro, quase preto e grudento, parecendo graxa), depois as fezes se tornam esverdeadas e, posteriormente, amareladas e pastosas. As crianças amamentadas no peito costumam apresentar várias evacuações por dia, com fezes mais líquidas. Se o bebê está ganhando peso, mamando bem, mesmo evacuando várias vezes ao dia, isso não significa diarreia.
4 Saúde bucal da criança:
Desde os primeiros dias de vida, a adoção de cuidados com a saúde bucal deve ser estimulada e motivada pelos profissionais da equipe de saúde. A prática de hábitos de vida saudáveis irá prevenir o aparecimento de doenças bucais na primeira infância, repercutindo na promoção à saúde para toda a vida.
Nesse primeiro momento, deve-se ouvir a família e observar o comportamento do recém-nascido. Orientar as dúvidas que os pais e os familiares tiverem, como: aleitamento materno; uso de bicos e chupetas; sucção digital (chupar o dedo); higiene bucal; uso de creme dental; alimentação; e manifestações mais frequentes.
Dentição de leite:
Durante a vida possuímos dois tipos diferentes de dentição: a de leite e a permanente. Os dentes de leite aparecem por volta dos seis meses de vida. Geralmente os dentes inferiores surgem primeiro que os superiores e sempre aparecem aos pares, um esquerdo e outro direito.
Os dentes de leite são em número de 20:
Oito incisivos: ficam na frente, sendo tanto superior quanto inferior
Quatro caninos: ao lado dos incisivos
Oito molares: ficam atrás dos caninos, no fundo da boca
Higiene bucal:
Os bons hábitos alimentares e de higiene bucal na família irão interferir no comportamento das crianças. Por essa razão, o ACS deve orientar a família nos cuidados da higiene bucal e ainda na mudança de alguns hábitos alimentares, como a redução do uso do açúcar no leite, em sucos ou chás.
A limpeza da cavidade bucal deve ser iniciada antes mesmo da erupção dos dentes. Deve-se orientar a utilização de um tecido limpo (gaze ou fralda) umedecido em água filtrada ou fervida, mas em temperatura ambiente, massageado suavemente a gengiva. Além de higienizar a cavidade bucal, esse procedimento tem o objetivo de condicionar o bebe à adoção de hábitos saudáveis futuramente.
Escovação:
Com o aparecimento do primeiro dente, inicia-se a fase do uso da escova dental, que deverá ser de cabeça pequena e as cerdas arredondadas e macias, mas sem a pasta de dente. O creme dental com flúor só deverá ser utilizado quando a criança souber cuspir completamente o seu excesso.
Criança que ainda não sabe cuspir não deve usar pasta de dente com flúor, pois ela pode engolir essa pasta e vir a ter um problema conhecido como fluorose, que é o aparecimento de manchas esbranquiçadas e/ou má formação dentária. Seguir as recomendações da equipe de Saúde Bucal quanto à quantidade segura de creme dental para a criança e a frequência de escovação, pois isso é fundamental para prevenir a cárie precoce e a fluorose.
Dica: o que limpa o dente é a ação da escovação, e não a pasta de dente. Por isso, orientar para colocar pouca pasta de dente na escova (quantidade equivalente a um grão de arroz cru).
Fio dental:
O uso do fio dental é tão importante quanto o uso da escova de dente. Ele garante a retirada dos restos de alimentos entre os dentes e da placa bacteriana. O seu uso deve ser estimulado na medida em que a criança for crescendo e iniciado assim que se estabelecer o espaço entre dois dentes.
Na saúde bucal o ACS deve ainda reforçar a importância de uma alimentação saudável, sem açúcar. Incentivar o consumo de frutas, legumes e verduras e evitar alimentos industrializados (refrigerantes, bolachas, salgadinhos, balas, doces, chocolates). Orientar a mãe, o pai ou quem cuida da criança para ir regularmente ao serviço de saúde para avaliação e prevenção de cárie.
Candidíase bucal:
Conhecida como “sapinho”, é uma doença infecciosa causada por fungos. Apresenta-se como uma placa esbranquiçada e mole que recobre a língua, bochecha ou palato mole (céu da boca mais posterior). A candidíase é encontrada com maior frequência em bebês entre zero e três meses de idade. Caso você ou a mãe identifique esses sinais, oriente a procurar a UBS.
Língua geográfica:
São áreas lisas localizadas na língua com margens limitadas e bem definidas que imitam o formato de um mapa, por esse motivo que se denomina de língua geográfica. O ACS pode ficar tranquilo ao ser questionado sobre essa manifestação bucal, pois ela não necessita de nenhum tratamento. Porém, em caso de dúvida, sempre comunique sua equipe e discuta sobre o caso para ter mais informações.
Gengivite de erupção:
É uma inflamação localizada na gengiva devido ao surgimento dos primeiros dentes de leite. O bebê pode sentir dor, febre e recusa à alimentação. Deve-se orientar a mãe e familiares que essa situação é comum e que o bebê pode ficar irritado, mais choroso e precisar de mais carinho e atenção. O ACS pode indicar algumas medidas caseiras, como chá gelado de camomila ou malva e procurar o dentista da área.
Hematoma de erupção:
É uma lesão de coloração azulada na região do dente que está nascendo. Os pais, geralmente, ficam preocupados devido à coloração, mas é importante tranquilizá-los, pois não é dolorido e não necessita de tratamento.
Atenção:
O ACS deve identificar e conhecer o serviço de saúde bucal disponível na sua área de abrangência, para orientar às famílias sobre como ter acesso a esse serviço.
5 Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança:
Crescimento:
É o aumento do corpo como um todo. A altura faz parte do crescimento, que é a medida em centímetros, e o peso, em quilogramas.
Desenvolvimento:
É o amadurecimento das funções do corpo. É o que faz com que a criança aprenda a segurar objetos, relacionar sons e comportamentos, falar, andar, coordenar seus movimentos e ações, sentir, pensar e se relacionar com os outros e com o meio a sua volta.
O acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento da criança faz parte da consulta na UBS e também deve ser acompanhado por você durante a visita domiciliar (VD). Na VD é importante observar como as mães lidam com seus filhos: se conversam com eles, se brincam. Não é necessário que ela fique o tempo todo em casa, mas é importante que quem a substituir possa ter tempo para conversar com a criança, mesmo durante os trabalhos de casa.
Caderneta de Saúde da Criança:
A Caderneta de Saúde da Criança existe para acompanhar e avaliar o crescimento e desenvolvimento e a saúde da criança até os 09 anos. Existe uma caderneta para meninas e outra para meninos porque o seu crescimento é diferente. Você pode ter uma cópia da ficha vacinal e do gráfico de crescimento de cada criança, essa cópia é conhecida como cartão sombra ou cartão espelho. Isso lhe ajudará no acompanhamento sobre a saúde e o crescimento e desenvolvimento da criança, a cada visita.
informações importantes a serem verificadas se constam na caderneta de saúde da criança:
No Brasil, a Caderneta de Saúde da Criança é considerada um documento. Ela contém diversas instruções, entre elas: dados de identificação da criança, orientações relacionadas ao crescimento e desenvolvimento, amamentação e calendário vacinal.
Dados de identificação e do nascimento da criança:
♦ Nome completo da criança e dos pais;
♦ Local onde mora (não se esquecer de indicar um ponto que ajude a encontrar a casa da criança);
♦ Como nasceu: se em hospital, centro de parto natural ou em casa, com parteira; se foi parto normal ou cesárea; qual o peso e o comprimento; qual o APGAR (que varia de 0 a 10 e quanto mais alto melhores foram as condições do nascimento); qual o perímetro cefálico (que é a medida da cabeça da criança, que na maioria dos recém-nascidos fica entre 32 e 36 cm).
Interpretação dos gráficos de crescimento para crianças:
O estado nutricional, em todas as fases da vida, é avaliado a partir de dados de peso e altura. Para saber se a pessoa será classificada como saudável, é necessário que se façam comparações com uma referência baseada em uma população saudável. Uma das maneiras de realizar essa comparação é por meio de gráficos. A Caderneta de Saúde da Criança e a do Adolescente apresentam gráficos para essa avaliação. As curvas de peso para idade, altura para idade e Índice de Massa Corporal (IMC) para idade mostram se o peso, a altura e o IMC da criança ou adolescente estão compatíveis com os valores de pessoas que se encontram na mesma idade.
Para usar esses gráficos, algumas informações são necessárias, de acordo com o gráfico utilizado: peso, estatura, idade e sexo. Os meninos têm gráficos na cor azul, enquanto as meninas têm gráficos na cor rosa. Fique atento também para o fato de que cada gráfico se destina a uma faixa etária diferente: alguns gráficos são para crianças menores de dois anos, outros para crianças entre dois e cinco anos incompletos e outros gráficos para crianças de cinco a dez anos de idade.
Peso para idade:
Esse gráfico faz uma avaliação do peso de acordo com a idade da pessoa no momento da avaliação. Para utilizá-lo, o primeiro passo é pesar a criança ou adolescente. Depois disso, anote o valor do peso com a data. Além do peso, é necessário saber a idade da criança em anos e meses. É muito importante que meninos e meninas tenham os gráficos certos, já que o desenvolvimento e o crescimento são diferentes para os dois grupos. Com os valores de peso e idade nas mãos, abra o gráfico.
A seguir, temos como exemplo um gráfico de peso para idade para menores de cinco anos. Note que ele é azul, então se refere a um menino. Na linha horizontal (deitada), estão descritos os valores de idade; nessa linha, localize a idade da criança. Na linha vertical (de pé), estão descritas as medidas de peso em quilogramas; localize o peso da criança encontrado na pesagem. Marcados os dois pontos, faça uma linha horizontal saindo da marcação do peso e uma linha vertical saindo da idade da pessoa. As duas linhas devem se cruzar. Esse ponto onde as linhas se cruzam irá proporcionar a classificação do estado nutricional dessa criança no dia em que se realizou a pesagem.
Após colocar o ponto no gráfico de peso por idade, é necessário fazer avaliação dessa informação, conforme a descrição abaixo:
• Abaixo da linha do -3 (equivalente ao percentil 0,1): peso muito baixo para a idade;
• Acima ou sobre a linha do -3 (equivalente ao percentil 0,1) e abaixo da linha do -2 (equivalente ao percentil 3): o peso está baixo para a idade;
• Acima ou sobre a linha do -2 (equivalente ao percentil 3) e abaixo ou sobre a linha do +2 (equivalente ao percentil 97): o peso está adequado para a idade;
• Acima da linha do +2 (equivalente ao percentil 97): o peso está elevado para a idade.
Tanto as situações de muito baixo peso e baixo peso como os casos de peso elevado para idade devem ser encaminhados a sua equipe de saúde para consulta.
Estatura para idade:
Esse gráfico faz uma avaliação da altura com a idade da pessoa no momento da avaliação. Para utilizar o gráfico, o primeiro passo é medir a altura da criança ou adolescente. Depois disso, anote o valor da altura com a data. Além da altura, é necessário saber a idade da criança em anos e meses.
A seguir, temos como exemplo um gráfico de estatura para idade. Note que ele é rosa, então se refere a uma menina. Na linha horizontal (deitada), estão descritos os valores de idade; nessa linha, localize a idade da criança. Na linha vertical (de pé), estão descritas as medidas de altura em centímetros; localize a altura avaliada. Marcados os dois pontos, faça uma linha horizontal saindo da altura e uma linha vertical saindo da idade. As duas linhas devem se cruzar. Esse ponto onde as linhas se cruzam irá proporcionar a classificação do estado nutricional dessa criança no dia em que se realizou a avaliação.
Após colocar o ponto no gráfico de estatura por idade, é necessário fazer avaliação dessa informação conforme a descrição abaixo:
• Abaixo da linha do -3 (equivalente ao percentil 0,1): a altura está muito baixa para a idade;
• Acima ou sobre a linha do -3 (equivalente ao percentil 0,1) e abaixo da linha do -2 (equivalente ao percentil 3): a altura está baixa para a idade;
• Acima ou sobre a linha do -2 (equivalente ao percentil 3): a altura está adequada para a idade.
Crianças ou adolescentes que são classificados abaixo da linha do -2 devem ser encaminhados para consulta com um profissional da equipe de saúde.
IMC para idade:
O IMC (Índice de Massa Corporal) avalia a proporção entre o peso e altura e pode ser avaliado de acordo com a idade do nascimento até os 19 anos. Para utilizar o gráfico, o primeiro passo é medir a altura da criança ou adolescente; depois, deve-se obter o peso da pessoa no momento da avaliação. Anote o valor da altura e do peso com a data. Para essa avaliação, também é necessário saber a idade em anos e meses. Com os valores de altura e peso, calcule o IMC a partir da seguinte fórmula:
Note que a medida do peso deve estar em quilogramas e a da altura em metros. Portanto, divida o valor do peso pelo quadrado da altura, isto é, a medida da altura multiplicada por ela mesma.
A seguir, temos como exemplo um gráfico de IMC para idade para indivíduos dos 5 aos 19 anos. Note que o gráfico é azul, então se refere a um menino. Na linha horizontal (deitada), estão descritos os valores de idade; nessa linha, localize a idade da criança ou adolescente. Na linha vertical (de pé), estão descritos os valores de IMC; localize o valor do IMC calculado. Marcados os dois pontos, faça uma linha horizontal saindo do valor de IMC e uma linha vertical saindo da idade. As duas linhas devem se cruzar. Esse ponto onde as linhas se cruzam irá proporcionar a classificação do estado nutricional dessa criança ou adolescente no dia em que se realizou a avaliação.
6 Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança II:
Após colocar o ponto no gráfico de IMC por idade, é necessário fazer avaliação dessa informação conforme a descrição abaixo:
• Abaixo da linha do -3 (ou do percentil 0,1): IMC muito baixo para a idade;
• Acima ou sobre a linha do -3 (equivalente ao percentil 0,1) e abaixo da linha do-2 (equivalente ao percentil 3): o IMC está baixo para a idade;
• Acima ou sobre a linha do -2 (equivalente ao percentil 3) e abaixo ou sobre a linha do +2 (equivalente ao percentil 97): o IMC está adequado para a idade;
• Acima da linha do +2 (equivalente ao percentil 97): o IMC está elevado para a idade; a criança ou adolescente apresenta excesso de peso.
Atenção:
Deve-se estar sempre atento para a evolução do crescimento da criança. Se a linha de crescimento registrada no gráfico de crescimento estiver descendo ao longo dos atendimentos, trata-se de um sinal de alerta, já que a criança está se aproximando de uma situação de baixo peso por idade ou de baixa estatura por idade. Da mesma forma, caso uma criança apresente um contínuo ganho de peso e estiver se aproximando cada vez mais das linhas superiores do gráfico, o caso também requer uma atenção maior.
Para mais informações sobre esse assunto, consulte a Caderneta de Saúde da Criança, Caderno de Atenção Básica (CAB) de Saúde da Criança e os materiais do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).
Atividades:
Para acompanhar o desenvolvimento da criança, é preciso observar as atividades que a maioria delas é capaz de fazer nas diferentes idades. Procure ter acesso a essa parte da Caderneta, que o médico e a enfermeira preenchem.
Esquema de vacinação da criança:
A vacinação é uma importante ação para diminuir doenças e mortes por doenças infecciosas. Você deverá solicitar a Caderneta de Saúde da Criança e verificar o esquema vacinal.
Observação:
O esquema vacinal pode ser alterado de tempos em tempos ou sofrer adaptações regionais. Recomenda-se que você sempre converse com a enfermeira ou com o médico da sua equipe para se manter atualizado(a) sobre o esquema vacinal adotado em seu município.
Em relação à vacinação, você deve orientar para procurar a UBS as crianças que:
• Não tiverem a marca (cicatriz) da vacina BCG no braço direito, após seis meses da aplicação da vacina;
• Não tiverem o registro da aplicação de qualquer uma das vacinas na Caderneta da Criança;
• Tiverem informações sobre aplicações de vacinas que não estejam registradas na Caderneta;
• Não compareceram no dia agendado pela UBS para a vacinação;
• Apresentarem qualquer queixa após a aplicação da vacina.
Atenção: as etapas de cicatrização da pele após a aplicação da vacina BCG:
• Em torno da segunda semana, palpa-se uma pequena área endurecida;
• Da quinta à sexta semana, o centro da área endurecida começa a amolecer, formando uma crosta (casca);
• Quando a crosta cai, deixa em seu local uma pequena lesão, que desaparece lentamente entre a 8ª e a 10ª semana. Em alguns casos, a cicatrização é mais demorada, podendo se prolongar até o quarto mês, raramente além do sexto mês.
Você deverá orientar a mãe sobre as fases da cicatrização da vacina. Além disso, orientar a manter o local da aplicação limpo, utilizando água e sabão, e que não se deve colocar nenhum tipo de medicamento, nem cobrir a lesão com curativo. Qualquer dúvida quanto à cicatrização da vacina BCG, encaminhar a criança, a mãe ou o responsável à sua equipe de SF ou à UBS.
Atenção: a aplicação de uma ou mais vacinas, no mesmo dia, não oferece nenhum risco à criança:
A Caderneta de Saúde da Criança registra o peso e as atividades, mostra se a criança está com as vacinas em dia, se adoece muito e do que adoece.
7 Programa bolsa família:
Você deve verificar se a família está inscrita no programa. Caso existam famílias que se enquadrem nos critérios de inclusão e não estejam no programa, você deve orientar como se inscrever.
O Programa Bolsa-Família define que as famílias beneficiárias devem cumprir algumas ações na área da saúde e educação (condicionalidades), que são: manter as crianças e adolescentes em idade escolar frequentando a escola e realizar os cuidados básicos em saúde, verificação do calendário de vacinação, para as crianças entre zero e seis anos, e da agenda pré e pós-natal para as gestantes e mães em amamentação
Essas condicionalidades devem ser acompanhadas por você e pelas equipes. Podem fazer parte do Programa Bolsa-Família as famílias com renda mensal até R$ 120,00 (cento e vinte reais) por pessoa devidamente cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Se a família se encaixa numa das faixas de renda definidas pelo programa, deve procurar o setor responsável pelo Programa Bolsa-Família no município (geralmente ligado à Secretaria de Assistência Social), em porte dos documentos pessoais (título de eleitor ou CPF), para se cadastrar no CadÚnico.
Orientações alimentares para a criança:
Nos primeiros seis meses, o bebê só deve receber o leite materno. Ele deve ser oferecido todas as vezes que o bebê quiser, inclusive à noite. Após os seis meses, introduzir novos alimentos, continuando com o aleitamento materno até os dois anos ou mais. A partir dos seis meses, as papas de frutas, legumes, carnes e cereais podem ser feitas com alimentos da região.
No início o bebê come em pouca quantidade e coloca parte da comida para fora, até aprender a engolir e se acostumar com o gosto do novo alimento. É importante orientar os cuidadores do bebê a terem paciência em caso de resistência na aceitação de um novo alimento. Insistir na oferta de oito a dez vezes.
Você deve orientar sobre:
♦ A limpeza no preparo dos alimentos vai evitar diarreias e outras infecções;
♦ Lavar bem as mãos com água e sabão antes de preparar os alimentos;
♦ Os alimentos devem sempre ser cobertos ou tampados;
♦ Aos seis meses, as crianças devem receber papas de frutas, e as papas salgadas devem conter no mínimo um alimento de cada grupo. Exemplo de papa: abóbora, carne, arroz, feijão e espinafre;
♦ As frutas devem ser lavadas, descascadas e amassadas, para que fiquem na consistência de papa. Não passar a fruta na peneira ou no liquidificador nem acrescentar açúcar. A criança tem que se acostumar a comer alimentos de diferentes consistências. As papas salgadas oferecidas no almoço a partir de seis meses e as papas oferecidas no jantar a partir dos sete meses também não devem ser liquidificadas, e sim amassadas com o garfo;
♦ Aos seis meses, a criança que mama no peito deve receber, além do leite materno em livre demanda, ou sempre que sentir fome, uma papa de fruta no meio da manhã, uma papa salgada na hora do almoço e uma papa de fruta no meio da tarde;
♦ Aos sete meses, a crianças que mamam no peito já pode receber duas papas salgadas por dia e duas papas de fruta;
♦ Aos 10 meses, a criança já pode receber a alimentação básica da família, desde que não muito condimentada;
♦ A partir dos 12 meses, a criança que mama no peito deve fazer uma refeição ao acordar, dois lanches por dia e duas refeições básicas por dia (almoço e jantar);
♦ As verduras devem ser descascadas e cozidas no vapor ou em pouca água e com pouco sal. Depois devem ser amassadas com o garfo e ficar com consistência de papa;
♦ Deve-se evitar dar à criança açúcar, frituras, enlatados, café, chá mate, refrigerantes nos primeiros anos de vida. Esses alimentos podem causar ou ser fator de predisposição a excesso ou baixo peso, anemia, alergia alimentar e cárie. Além de fazer com que as crianças percam o interesse por alimentos na sua forma natural;
♦ A papa salgada deve conter um alimento do grupo dos cereais ou tubérculos (inhame, cará, aipim/macaxeira/mandioca), um das hortaliças (folhas ou legumes) e um do grupo dos alimentos de origem animal (frango, boi, peixe, miúdos, ovos) ou das leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão-de-bico);
♦ Miúdos ou fígado devem ser oferecidos no mínimo uma vez na semana para a prevenção da anemia;
♦ Após o consumo de papas salgadas, é indicado o consumo de meio copo de suco de fruta natural ou uma porção pequena de fruta para aumentar a absorção do ferro presente nas refeições e ajudar na prevenção da anemia;
♦ Durante o dia e no intervalo das refeições, as crianças devem receber água pura, limpa, filtrada ou fervida. Os sucos devem ser oferecidos apenas após as papas salgadas (almoço e jantar);
♦ O leite artificial deve ser preparado no máximo uma hora antes de ser oferecido. Não aproveitar sobras de outros horários. Crianças até seis meses que recebem outro leite que não o materno devem consumir no máximo 400 ml por dia.
8 Obesidade em criança:
A obesidade não é apenas um problema estético (beleza) que incomoda por causa das “brincadeiras” dos colegas.
Pode-se definir obesidade como o grau de armazenamento de gordura no organismo associado a riscos para a saúde, devido a sua relação com o aparecimento e complicações de algumas doenças como diabetes, hipertensão e outros problemas cardíacos.
O ganho de peso além do necessário é devido a hábitos alimentares errados, questões genéticas, estilo de vida sedentário, distúrbios psicológicos, problemas na convivência familiar, entre outros.
Costuma-se pensar que as crianças obesas ingerem grande quantidade de comida. Essa afirmativa nem sempre é verdadeira, pois a obesidade não está relacionada apenas com a quantidade, mas com o tipo de alimentos consumidos frequentemente.
Atividades físicas:
Além da alimentação, a vida sedentária facilitada pelos avanços tecnológicos (computadores, televisão, videogames etc.) também é fator para a presença da obesidade.
Hoje em dia, devido ao medo da violência urbana, entre outros motivos, as crianças costumam ficar horas paradas em frente à TV ou outro equipamento eletrônico e quase sempre com um pacote de biscoito ou sanduíche regado a refrigerantes.
A prática regular de atividade física proporciona muitos benefícios, entre eles o aumento da autoestima, do bem-estar, a melhoria da força muscular, fortalecimento dos ossos e pleno funcionamento do sistema de defesa do organismo – sistema imunológico.
Você pode colaborar na promoção à prática regular de atividade física e utilização dos espaços públicos que facilitem a incorporação dessa prática no cotidiano.
Ansiedade:
Não são apenas os adultos que sofrem de ansiedade provocada pelo estresse do dia a dia. As crianças e os jovens também são alvos desse sintoma, causado por preocupações em semanas de prova na escola ou pela tensão do vestibular, entre outros. Algumas pessoas em situações de ansiedade comem em excesso.
Fatores genéticos:
Algumas pesquisas já revelaram que, se um dos pais é obeso, o filho tem maiores chances de se tornar obeso, e essas chances dobram no caso de os dois pais serem obesos.
Orientações importantes que podem ser dadas por você:
• Os alimentos de diferentes grupos devem ser distribuídos em pelo menos três refeições e dois lanches por dia;
• Os alimentos como cereais (arroz, milho), tubérculos (batatas), raízes (mandioca/ macaxeira/aipim), pães e massas devem ser distribuídos nas refeições e lanches do seu filho ao longo do dia;
• Legumes e verduras devem compor as refeições da criança. As frutas podem ser distribuídas nas refeições, sobremesas e lanches;
• Feijão com arroz deve ser consumido todos os dias ou no mínimo cinco vezes por semana;
• Leite e derivados como queijo e iogurte devem compor a alimentação diariamente, nos lanches. Carnes, aves, peixes ou ovos devem compor a refeição principal da criança;
• Alimentos gordurosos e frituras devem ser evitados. A preferência deve ser por alimentos assados, grelhados ou cozidos;
• Refrigerantes e sucos industrializados, balas, bombons, biscoitos doces e recheados, salgadinhos e outras guloseimas no dia a dia devem ser evitados ou consumidos o mínimo possível;
• Diminuir a quantidade de sal na comida;
• A criança deve beber bastante água e sucos naturais de frutas durante o dia, de preferência nos intervalos das refeições, para manter a hidratação e a saúde do corpo;
• A criança deve ser ativa, evitando-se que ela passe muitas horas assistindo à TV, jogando videogame ou brincando no computador.
Alimentos que são importantes e devem fazer parte da alimentação diária da criança:
Nas visitas domiciliares, você deve fazer orientações para a promoção à saúde, reforçando as orientações quanto ao aleitamento materno exclusivo, alimentação, a manter o esquema de vacinação sempre atualizado, medidas para higiene e cuidado com a criança e o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento. Assim estará contribuindo para a manutenção e promoção à saúde das crianças das famílias que moram na sua área de atuação.
Doença diarreica aguda (DDA):
É uma doença que pode ser causada por bactérias, vírus e parasitos, caracterizada principalmente pelo aumento do número de evacua- ções, com fezes aquosas (líquidas) ou de pouca consistência. Em alguns casos, há presença de muco e sangue. A criança também pode ter náusea, vômito, febre e dor abdominal. Tem duração entre 2 e 14 dias. É importante sua atuação imediata para evitar que ocorra a desidratação.
A DDA é uma das importantes causas de adoecimento e morte no Brasil e está diretamente relacionada às precárias condições de vida e saúde dos indivíduos, em consequência da falta de saneamento básico, desnutrição crônica, entre outros fatores.
A transmissão pode ocorrer em virtude da ingestão de água e alimentos contaminados e por contato com objetos contaminados (exs.: utensílios de cozinha, acessórios de banheiros, equipamentos hospitalares) ou de pessoa para pessoa (ex.: mãos contaminadas) e de animais para as pessoas.
As moscas, formigas e baratas podem contaminar, principalmente, os alimentos e utensílios. Locais de uso coletivo, como escolas, creches, hospitais e penitenciárias, apresentam maior risco de transmissão.
Se durante uma VD você constata ou é informado que há uma criança com diarreia, você deve buscar saber:
Um dos tratamentos para DDA é a hidratação, que tem o objetivo de reidratar ou evitar a desidratação. Pode ser feita por via oral ou por meio de soro na veia.
9 Obesidade em criança II:
Ao constatar os sinais relatados acima, você já deve orientar o aumento do consumo de líquidos disponíveis no domicílio – preferencialmente leite materno (em menores de dois anos) e soro de reidratação oral (SRO); na falta desses, soro caseiro, chás, cozimento de farinha de arroz e água de coco. Esses líquidos devem ser usados após cada evacuação ou vômito. Se o vômito dificultar a aceitação, deve-se oferecer a solução em colheres, a cada um ou dois minutos, aumentando o volume de líquido gradualmente.
A alimentação habitual deve ser mantida, evitando alimentos muito gordurosos. No caso de a criança estar com os olhos fundos, ausência de lágrima, bebendo líquidos rapidamente ou com dificuldade de beber, apresentar sangue nas fezes ou febre alta, ela deverá ser orientada a procurar imediatamente a UBS.
É importante ressaltar que os refrigerantes não devem ser utilizados, pois, além de não fazer efeito como hidratantes, podem agravar a diarreia.
Orientar/desenvolver:
Dosagem e tempo de contato do hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária) segundo o volume de água para consumo humano a ser tratado no domicílio.
Atuação do ACS no controle das doenças diarreicas agudas:
Prevenindo acidentes na infância:
Evitar acidentes na infância é uma tarefa importante para os pais e responsáveis. Os acidentes estão entre as cinco principais causas de morte na infância e podem comprometer o futuro e o desenvolvimento da criança. As crianças convivem com muitos riscos e perigos diariamente.
Você deve informar que os acidentes não são fatalidades nem obras do destino. Na sua maioria podem ser evitados.
Informações que devem ser passadas sobre cuidados gerais na prevenção de acidentes:
Os acidentes mais frequentes nessa faixa etária são:
Para evitar as queimaduras, basta criar o hábito de experimentar a temperatura da água antes do banho e experimentar os alimentos antes de oferecê-los ao bebê.
Para evitar enforcamentos, não colocar fios ou prendedores para amarrar a chupeta e, se for utilizá-los, deixe-os curtos para evitar que se enrolem em torno do pescoço da criança. Nunca os amarre ao redor do pescoço, como colares.
Para evitar afogamentos, nunca deixe a criança sozinha na banheira (mesmo que se sinta bem) e se possível utilize os assentos próprios de borracha antiderrapante.
Para evitar intoxicação, nunca administre os medicamentos sem expressa ordem do médico, e use seringa ou dosador para a porção recomendada.
Para evitar as quedas, é necessário manter vigilância constante. Nunca espere que o bebê não vá rolar, porque ele pode começar a fazer isso a qualquer momento. Mesmo a colocação de objetos, como travesseiros ou pequenas grades no trocador, não substitui a vigilância responsável.
A partir do momento em que a criança começa a engatinhar ou a andar, triplicam os perigos. Além dos riscos anteriores, estão:
Para evitar as intoxicações acidentais, guardar os produtos perigosos em locais altos, completamente fora do acesso das crianças. Não usar locais baixos protegidos por chaves, porque, no dia a dia, é muito fácil esquecer uma porta aberta. Um descuido pode ser fatal. Eliminar da casa as plantas venenosas. As mais responsáveis por intoxicações em crianças são: comigo-ninguém-pode, mamona, saiabranca, copo-de-leite, costela-de-adão, espirradeira, dama-da-noite, bico-de-papagaio, oficial-de-sala, os cogumelos e as folhas da batata e do tomate, aveloz. Existe, ainda, lista muito grande de vegetais capazes de provocar envenenamentos. Procure conhecer as plantas tóxicas da sua região para orientar as famílias. Evite colocar produtos de limpeza em frascos de doces, garrafas de refrigerantes ou de sucos, pois a criança não vai saber distinguir que o conteúdo daquela embalagem não pode ser consumido.
Uma das medidas para evitar a sufocação é esconder os sacos plásticos em local de difícil acesso. Para evitar os choques elétricos, coloque as tomadas em lugares mais altos ou tampe-as com protetores de plástico. Para evitar atropelamentos, não acostumar a criança a brincar perto de ruas ou rodovias onde passam carros. O adulto deve sempre segurar na mão da criança quando estiver em locais com movimento de carros, motos, bicicleta. Para evitar acidentes automobilísticos, não levar crianças no colo, e sim sempre no banco traseiro, na cadeira apropriada ou assento infantil e com cinto de segurança.
Para evitar mordeduras e picadas, não armazenar entulho ou objetos velhos e imprestáveis, que podem servir de ninho a animais peçonhentos. Da mesma forma, não deixar o mato crescer no quintal. Usar repelente conforme orientação médica e cortinado sempre que possível. Para evitar ferimentos, esconder objetos cortantes e perfurantes, como facas e tesouras. Para evitar queimaduras no fogão, utilizar apenas as bocas traseiras e nunca deixar os cabos das panelas voltados para frente, de modo que a criança possa alcançá-los. Retirar os botões que controlam o gás, evitando que a criança abra o gás acidentalmente e provoque um desastre.
Para evitar a inalação, não deixar pequenos objetos ao alcance da criança. Ela pode colocar na boca, engolir e ir para os pulmões. Atenção para os brinquedos pequenos. Para evitar quedas de alturas, cuidar para não deixar as janelas abertas ou móveis próximos às janelas. Impedir o acesso às escadas e sacadas. O tanque de lavar roupa é um local muito perigoso. Verificar se está bem preso na parede, pois a criança pode se pendurar nele e derrubá-lo sobre si mesma. Para evitar afogamentos, não permitir a entrada de uma criança na água sem a supervisão de um adulto. Evitar que as crianças brinquem próximas a poços, cacimbas, tanques, córregos ou valão.
Não deixe sua criança sozinha:
Cuidados com as crianças maiores:
A criança maior, que vai à rua sozinha, está sujeita a uma série de acidentes graves que só podem ser evitados por meio de uma orientação clara, firme e convincente. Nesse caso, estão:
Para evitar queimaduras com fogos de artifício, além da orientação, o ideal é que os adultos não usem para dar o bom exemplo. Para evitar os acidentes com armas de fogo, o melhor é não ter armas em casa, pois sempre se corre o risco delas caírem nas mãos das crianças. Em caso em que isso não puder ser evitado, devem ser guardadas em locais extremamente seguros.
Para evitar as quedas de brinquedo de velocidade (bicicleta, velocí- pede), compre os materiais de segurança recomendados (capacetes, joelheiras, cotoveleiras) e só permita a sua utilização em locais protegidos (nunca na rua). Para evitar afogamentos, não nadar em locais desconhecidos, longe da margem e orientar a não mergulhar de cabeça na água. Para andar sozinho na rua, a pé ou de bicicleta, a criança deve estar efetivamente treinada, conhecer e obedecer às regras de trânsito, para evitar que se envolva em acidentes.
10 Situações em que você deve orientar a família a procurar o serviço de saúde mais rápido possível:
• Criança molinha, gemente, parada, com choro fraco. É aquela que não demonstra interesse pelo o que ocorre ao seu redor, ela não olha quando é chamada;
• Criança que vomita tudo (alimentos, líquidos e medicamentos);
• Criança que não mama;
• Criança com tosse ou com dificuldade para respirar (ruído ao respirar, aparecimento das costelas ao respirar – tiragem intercostal, batimento de asa de nariz);
• Criança com diarreia (três ou mais evacuações líquidas ou semilíquidas em 24 horas) com sinais de desidratação: está inquieta, irritada, com sede, olhos fundos, sinal da prega (a pele volta lentamente ao estado anterior quando com os dedos polegar e indicador são usados para levantar a pele);
• Emagrecimento acentuado, pés inchados, palma da mão muito pálida;
• Peso baixo para a idade (abaixo do percentil 3 da Caderneta de Saúde da Criança);
• Criança com secreção no ouvido;
• Presença de placas brancas na garganta e com mau cheiro;
• Presença de bolhas com pus na garganta;
• Umbigo vermelho com secreção amarelada;
• Presença de sangue nas fezes;
• Criança com febre (temperatura acima de 38º C).
Atenção: você deve informar imediatamente a equipe de saúde se na visita domiciliar encontrar a criança com alguma situação acima descrita. Deve ainda reforçar com a mãe, o pai ou quem cuida da criança as orientações dadas pela UBS.,
11 Saúde do adolescente:
A adolescência é uma etapa da vida compreendida entre a infância e a fase adulta, marcada por um complexo processo de crescimento e desenvolvimento físico, moral e psicológico. A lei brasileira considera adolescente a faixa etária de 12 a 18 anos. Para mais informações, consultar o Estatuto da Criança e do Adolescente .
Conforme já abordado, seu trabalho requer uma relação de vínculo e confiança. Para trabalhar com adolescentes, essa relação é fundamental. Entender a fase pela qual estão passando, estar disponível para ouvi-los, dentro da sua realidade, respeitar a diversidade de ideias, sem julgar. A promoção à saúde e prevenção de agravos para o adolescente deve ser desenvolvida pela equipe em integração com diferentes instituições na comunidade, como a escola, ação social, cultura, grupos de jovens, de arte, capoeira, hip hop, entre outros. Deve-se aproveitar para divulgar informações, ajudando no esclarecimento de dúvidas e na sensibilização da comunidade.
Esquema vacinal:
Orientação:
Orientar para procurar a UBS quando o adolescente não tiver a carteira de vacinação ou caderneta de saúde do adolescente e/ou se estiver com o esquema de vacinação incompleto ou atrasado.
Sexualidade:
Na adolescência, afloramse muitos questionamentos relacionados à identidade sexual, às transformações do corpo e à vivência das primeiras experiências sexuais. A sexualidade não está restrita ao ato sexual. Envolve desejos e práticas relacionados à satisfação, ao prazer, à afetividade e autoestima. É importante para todas as pessoas e especialmente para os adolescentes e jovens conhecer o funcionamento do seu corpo.
Para promover a saúde sexual e a saúde reprodutiva de adolescentes e jovens, é fundamental a realização de ações educativas que tenham como princípio a igualdade entre homens e mulheres, incentivo ao respeito mútuo nas relações e que sejam rejeitadas todas as formas de violência e atitudes discriminatórias – discriminação contra homossexuais ou a ridicularização dos que não sejam sexualmente ativos, entre outras. Essas atividades podem ser realizadas nos diversos espaços comunitários (clubes, escolas, grêmios recreativos, associações).
Utilizando uma linguagem acessível, simples e objetiva, devem ser dadas informações completas e precisas sobre sexualidade, contracepção, gravidez, proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e realização do preventivo de câncer do colo uterino. O início da atividade sexual, cedo/precoce ou tardia, deve ser precedido das informações necessárias para uma vida sexual saudável, livre de doenças e de problemas.
Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST):
A atividade sexual sem a utilização de preservativos torna os adolescentes e jovens mais expostos às DST. Todo adolescente com suspeita de DST que apresente os sinais ou queixas deve ser orientado a procurar a UBS para um exame clínico.
Alguns sinais e queixas que indicam o surgimento de DST:
Quem apresenta mais risco de contrair DST?
Você deve:
As DST têm cura?
Quando identificada no início e devidamente tratada, a maioria das DST tem cura. A Aids, que é uma DST, não tem cura, mas pode ser tratada e controlada com medicamentos adequados.
Para um bom resultado durante e após o tratamento, é necessário que algumas orientações sejam seguidas pelos portadores de DST:
Planejamento reprodutivo:
O planejamento reprodutivo é um direito e vai muito além da adoção de um método anticoncepcional. Envolve um conjunto de ações para concepção e anticoncepção desde que não coloque em risco a vida e a saúde das pessoas, sendo garantida a liberdade de opção.
A orientação não deve significar escolher no lugar das pessoas, mas sim ajudar no processo de tomada de decisão, respeitando o princípio de autonomia no qual tanto o homem quanto a mulher têm o direito de decidir se querem ou não realizar o planejamento reprodutivo. Embora o adolescente tenha o direito de decidir e programar se deseja ou não ter filhos, em que época de sua vida e como tê-los, a gravidez em menores de 15 anos é considerada de risco. Nesse caso o ACS deve dar atenção especial a essa adolescente e orientá-la a procurar a UBS o quanto antes para iniciar o pré-natal e estimular a participação do companheiro e familiares em todas as etapas.
A importância do uso de preservativo e da dupla proteção:
O papel mais importante da anticoncepção é assegurar que o adolescente possa vivenciar sua sexualidade e esteja protegido das DST e de uma gravidez não planejada. O acesso aos métodos contraceptivos e à orientação sobre o planejamento reprodutivo deve ser facilitado e discutido na perspectiva de seus direitos.
Caso haja a suspeita de gravidez, é importante que a adolescente seja orientada a procurar a UBS para realizar o teste de gravidez e iniciar o pré-natal o mais cedo possível.
A importância do pré-natal:
Um dos pontos importantes do pré-natal é preparar a mulher e sua família para a chegada de um novo membro, orientando-as sobre os cuidados com sua saúde e com o bebê.
Outros objetivos do pré-natal:
Saúde bucal no adolescente:
Compreender os processos da adolescência é papel tanto da equipe de saúde como de sua família. Para se trabalhar com essa faixa etária, a equipe de saúde deve utilizar linguagem apropriada para divulgar os conceitos de promoção à saúde bucal. Deve-se buscar dar continuidade à atenção à saúde bucal da criança e consolidar a ideia de autocuidado e da importância da saúde bucal para o indivíduo. A equipe de saúde abordará, nessa faixa etária, outros assuntos com a família e o adolescente, entre eles estão: orientações de higiene bucal, uso de enxaguatórios bucais e manifestações bucais mais frequentes.
Higiene bucal:
Os cuidados de higiene bucal nessa fase da vida devem ser motivados com a escovação correta e o uso do fio dental, abordando temas como a valorização estética para aceitação em grupo.
Alterações em saúde bucal mais frequentes nos adolescentes:
Erosão dentária é a perda irreversível de tecido dentário (esmalte) devido a uma exposição a ácidos. O refrigerante é uma bebida considerada ácida e ajuda a provocar a erosão ácida na estrutura dos dentes, causando sensibilidade. Assim, orientar o adolescente e sua famí- lia sobre hábitos de alimentação saudáveis é fundamental para evitar a erosão ácida. Entre esses cuidados estão: tomar bastante água, evitar bebidas ácidas em excesso (bebidas com gás, suco de frutas, café etc.), evitar escovar os dentes durante os primeiros 60 minutos após ingerir alimentos ou bebidas ácidas.
Doenças periodontais (doenças das gengivas) também são comuns nessa faixa etária, pois o adolescente é mais despreocupado com sua saúde bucal. A doença gengival é uma inflamação das gengivas que pode progredir afetando o osso que rodeia e suporta os dentes. É causada pelas bactérias da placa bacteriana, uma película aderente e sem cor que se forma constantemente nos dentes. Quando não é removida diariamente por meio da escovação e uso do fio dental, a placa bacteriana pode acumular-se e as bactérias podem infectar não só as gengivas e dentes, mas, eventualmente, o tecido gengival e o osso que suporta os dentes (periodontite). Isso pode levar à sua mobilidade e podem cair ou ter de ser removidos pelo dentista. O ACS deve orientar a higiene bucal correta com uso de creme dental com flúor e fio dental.
Traumatismo dentário é muito frequente entre os adolescentes (causado, principalmente, por acidentes com bicicletas, futebol, skate etc.) e, como em qualquer traumatismo da boca, o ACS deve orientar a procurar a equipe de saúde imediatamente para determinar se é necessário fazer algum procedimento. É importante o agente de saúde questionar se houve fratura (se quebrou) ou se lascou o dente e se o pedaço perdido foi encontrado, pois é necessário manter esse pedaço de dente hidratado (em leite, água, soro fisiológico ou até na própria saliva) e levá-lo ao dentista de sua equipe. Se um dente “saltar” completamente da boca (um processo chamado de avulsão devido a um traumatismo), oriente para levá-lo ao dentista o mais rápido possível. Poderá ser possível recolocá-lo na boca, um procedimento chamado de reimplante.
Bruxismo (o ranger dos dentes) é outra alteração bucal cada vez mais frequente. Se o usuário relata acordar com os músculos dos maxilares (da face) doridos ou com dores de cabeça, ele poderá sofrer de bruxismo. Para muitas pessoas, o bruxismo é um hábito inconsciente. A pessoa pode não perceber o que está fazendo, até que alguém comente que ela faz um ruído ao ranger os dentes enquanto dorme. Para outros, é na consulta de rotina ao dentista onde se descobre que os dentes estão sofrendo desgaste ou que o esmalte deles se encontra fraturado. O ideal é o ACS orientar o usuário a procurar o dentista para realizar o tratamento apropriado e encontrar formas de relaxamento junto com o usuário e a família. O estresse do dia a dia parece ser a principal causa de bruxismo. Qualquer coisa que reduza o estresse pode ajudar – ouvir música, ler um livro, fazer caminhadas ou tomar um banho.
Atenção: você sabia que a cárie é causada por bactérias e que o beijo na boca é uma das formas de transmissão?
Para que o beijo seja saudável, é importante que a boca esteja limpa e sem cárie.
12 Saúde do adulto:
Hábitos alimentares saudáveis:
Uma alimentação saudável é aquela que reúne os seguintes atributos: é acessível e não é cara, valoriza a variedade, as preparações alimentares usadas tradicionalmente, é harmônica em quantidade e qualidade, naturalmente colorida e segura sanitariamente.
Os Dez Passos para uma Alimentação Saudável:
Os Dez Passos para uma Alimentação Saudável são orientações práticas e importantes sobre alimentação para pessoas saudáveis com mais de dois anos de idade que o ACS deve utilizar com a população que acompanha.
Informe à pessoa para começar com aquela orientação que lhe pareça mais fácil, interessante ou desafiadora. Não é necessário que sejam adotados todos os passos de uma vez e também não é preciso seguir a ordem dos números sugerida nos 10 passos.
1º PASSO:
Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições! Oriente a pessoa a fazer todas as refeições, assim, evita-se que o estômago fique vazio por muito tempo, diminuindo o risco de ter gastrite e de ficar com muita fome e exagerar na quantidade quando for comer. No entanto, alerte quanto a evitar “beliscar” entre as refeições. Isso vai ajudar no controle do peso.
É importante orientar a pessoa a apreciar a refeição, comer devagar, mastigando bem os alimentos, e dar preferência aos alimentos saudáveis, típicos da região e disponíveis na comunidade.
2º PASSO:
Inclua diariamente seis porções do grupo de cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos, como as batatas, e raízes, como a mandioca/macaxeira/aipim, nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. Nesse passo é importante incentivar o consumo de alimentos como cereais, de preferência integrais, tubérculos e raízes. Esse grupo de alimentos apresenta a mais importante fonte de energia e deve ser o principal componente da maioria das refeições.
Eles são ricos em carboidratos. Oriente a pessoa a distribuir as seis porções desses alimentos nas principais refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar) e nos lanches entre elas.
Para as refeições principais, informe que a metade do prato deve ser preenchida com esses alimentos. Se a pessoa utiliza biscoitos nos lanches, oriente na escolha dos tipos e marcas com menores quantidades de gordura total, gordura saturada, gordura trans e sódio (sal), lendo o rótulo. Esses ingredientes, se consumidos em excesso, são prejudiciais à saúde.
3º PASSO:
Coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches. Frutas, legumes e verduras são ricos em vitaminas, minerais e fibras e devem estar presentes diariamente em todas as refeições e lanches, pois evitam a prisão de ventre, contribuem para proteger a saúde e diminuir o risco de várias doenças. E não se esqueça de lembrá-las para que deem preferência às frutas, legumes e verduras crus.
Frutas: são as partes polposas que rodeiam a semente da planta. São ricas em suco. Entre elas estão: acerola, laranja, tangerina, banana, maçã, caju, caqui, cajá ou taperebá etc.
Legumes: são os frutos ou sementes comestíveis da planta ou partes que se desenvolvem na terra. Exemplos: cenoura, beterraba, abobrinha, abóbora, pepino, cebola etc.
Verduras: são folhas comestíveis, flores, botões ou hastes tais como: acelga, agrião, alface, almeirão etc.
É importante que as pessoas da comunidade que você acompanha variem os tipos de frutas, legumes e verduras consumidos durante a semana, comprem os alimentos da época (estação) e estejam atentas para a qualidade e o estado de conservação. Oriente para que procurem combinar verduras e legumes de maneira que o prato fique colorido, garantindo assim diferentes nutrientes. Sucos naturais de fruta feitos na hora são os melhores. A polpa congelada perde alguns nutrientes, mas ainda é uma opção melhor que os sucos artificiais, em pó ou em caixinha.
4º PASSO:
Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde. Realmente é uma combinação completa! Oriente as pessoas da comunidade a misturarem uma parte de feijão para duas partes de arroz cozido. Estimule as pessoas a variarem os tipos de feijão usados (preto, da colônia, manteiguinha, carioquinha, verde, de corda, branco e outros) e as formas de preparo. E também para que elas usem outros tipos de leguminosas.
As sementes (de girassol, gergelim, abóbora e outras) e as castanhas (do Brasil, de caju, nozes, amendoim, amêndoas e outras) são fontes de proteínas e de gorduras de boa qualidade.
5º PASSO:
Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis! Leite e derivados são as principais fontes de cálcio na alimentação. Carnes, aves, peixes e ovos fazem parte de uma alimentação nutritiva e contribuem para a saúde e para o crescimento saudável. Todos são fontes de proteínas, vitaminas e minerais.
Os adultos da sua comunidade devem preferir o uso de leite e derivados com menores quantidades de gorduras, os chamados desnatados. As gestantes devem dar preferência a esses alimentos nas formas integrais, se não houver orientação contrária do nutricionista ou médico que as acompanham.
Estimule o consumo de mais peixe e frango e que dê preferência às carnes magras. Oriente para que os peixes consumidos sejam frescos e que estejam presentes pelo menos duas vezes por semana. Tanto os de água doce como salgada são saudáveis.
É importante que as pessoas comam, pelo menos uma vez por semana, vísceras e miúdos, como o fígado bovino, moela, coração de galinha, entre outros. Esses alimentos são excelentes fontes de ferro, nutriente essencial para evitar anemia. Quem optar por uma alimentação sem carnes (com ou sem ovos, leite e derivados) deve ser orientado a procurar a Unidade Básica de Saúde para orientação técnica de um profissional.
6º PASSO:
Consuma, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. Fique atento aos rótulos dos alimentos e escolha aqueles com menores quantidades de gordura trans. Oriente para a redução do consumo de alimentos gordurosos, como carnes com gordura aparente, embutidos (salsicha, linguiça, salame, presunto, mortadela), queijos amarelos, frituras e salgadinhos, para, no máximo, uma vez por semana.
Oriente para o uso em pequenas quantidades de óleo vegetal quando cozinhar (canola, girassol, milho, algodão e soja), sem exagerar nas quantidades. Uma lata de óleo por mês é suficiente para uma família de quatro pessoas. Estimule o uso do azeite de oliva para temperar saladas, sem exagerar na quantidade.
Informe sobre preparo dos alimentos de forma a usar pouca quantidade de óleo, como assados, cozidos, ensopados e grelhados. Oriente para que se evite cozinhar com margarina, gordura vegetal ou manteiga. Na hora da compra, oriente as pessoas a darem preferência às margarinas sem gordura trans (tipo de gordura que faz mal para saúde) ou a marcas com menores quantidades desse ingrediente (procure no rótulo essa informação).
7º PASSO:
Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas como regra da alimentação. Oriente o consumo de no máximo uma porção do grupo dos açúcares e doces por dia. É importante que seja estimulada a valorização do sabor natural dos alimentos e das bebidas, evitando ou reduzindo o açúcar adicionado a eles.
Oriente a diminuição do consumo de refrigerantes e de sucos industrializados; a maioria dessas bebidas contém corantes, aromatizantes, açúcar ou edulcorantes (adoçantes artificiais), que não são bons para a saúde. Quanto ao consumo de bolos, pães e biscoitos doces preparados em casa, oriente para que sejam feitos com pouca quantidade de gordura e açúcar, sem cobertura ou recheio.
8º PASSO:
Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. Evite consumir alimentos industrializados com muito sal (sódio) como hambúrguer, charque, salsicha, linguiça, presunto, salgadinhos, conservas de vegetais, sopas, molhos e temperos prontos. A quantidade de sal utilizada deve ser de, no máximo, uma colher de chá rasa por pessoa, distribuída em todas as refeições do dia. Deve-se orientar para o uso somente de sal iodado. O sal usado na ração de animais, principalmente na zona rural, não deve ser utilizado para consumo humano, pois é prejudicial à saúde.
A leitura dos rótulos dos alimentos é importante e deve-se dar preferência àqueles com menor quantidade de sal. Para temperar e valorizar o sabor natural dos alimentos, oriente a utilização de temperos como cheiro verde, salsa, cebolinha, coentro, alho, cebola e ervas frescas e secas ou suco de frutas, como limão.
9º PASSO:
Beba pelo menos dois litros (seis a oito copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. A água é muito importante para o bom funcionamento do organismo das pessoas em todas as idades. O intestino funciona melhor, a boca se mantém úmida e o corpo hidratado. Use água tratada, fervida ou filtrada para beber e preparar refeições e sucos. Ofereça água para crianças e idosos ao longo de todo o dia. Eles precisam ser estimulados ativamente a ingerir água.
Bebidas açucaradas como refrigerantes e sucos industrializados e bebidas com cafeína como café, chá preto e chá mate não devem substituir a água.
10º PASSO:
Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo. Mantenha o peso dentro de limites saudáveis. Além da alimentação saudável, a atividade física regular é importante para manter um peso saudável. Movimente-se! Descubra um tipo de atividade física agradável, o prazer é também fundamental para a saúde. Caminhe, dance, ande de bicicleta, jogue bola, brinque com crianças.
Aproveite o espaço doméstico e espaços públicos próximos a sua casa para movimentar-se. Convide os vizinhos, amigos e familiares para acompanhá-lo. Incentive as crianças a realizarem brincadeiras mais ativas como aquelas que você fazia na sua infância e ao ar livre: pular corda, correr, pular amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, andar de bicicleta e outras. Evitar o fumo e o consumo frequente de bebida alcoólica também ajuda a diminuir o risco de doenças graves, como câncer e cirrose, e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida.