Comércio e serviços - madeira e móveis planejados
Projetista de Móveis Planejados
1 Comércio e serviços de madeira e móveis planejados:
O setor de móveis, em si, é bastante amplo e envolve a utilização de diversos tipos de matérias-primas, como: madeira (84,5%), metal (8,8%), materiais para fabricação de colchões (2,3%) e outros (4,4%), utilizadas na fabricação de produtos para diferentes fins, tais como: móveis residenciais (67,7%), móveis para escritório (16,3%), colchões (6,9%) e outros (9,1%). Como a madeira e os móveis residenciais são os mais significativos nesse setor, eles se tornaram o foco deste estudo, que considera os móveis planejados como destaque no uso de móveis residenciais.
O comércio varejista de móveis, na Bahia, apresenta índice de volume de vendas negativo. Entretanto, isso não é uma particularidade desse estado. Devido à instabilidade econômica do país, outras UF apresentam situações semelhantes. O ponto positivo, porém, é que esses índices têm apresentado leve recuperação nos últimos meses, indicando que a perspectiva de futuro é otimista. É importante ressaltar, porém, que os móveis produzidos para ambientes residenciais podem facilmente ser adaptados para hotéis, pousadas, bares, escritórios, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais. Como os móveis planejados são versáteis, a diferença desses ambientes está principalmente no projeto de arquitetos, designers e demais profissionais relacionados. O móvel, em si, pouco se diferencia.
Exportação:
O Brasil exporta, anualmente, cerca de US$ 290 milhões em móveis de madeira. Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita são os principais destinos de móveis do Brasil. São compradores que não barganham preço, sua busca é por qualidade e diferenciação em design. As madeiras nobres, com certificação e oriundas de reflorestamento, são as mais procuradas por esse segmento. Entre os itens de maior demanda destes lugares destacam-se: portas, painéis de MDF e aglomerado, esquadrias, móveis e madeira trabalhada.
Além disso, os EUA também representam boa parte das exportações do Brasil, chegando, em 2014, a representar 20% desse mercado. Para lá, o Brasil exporta todo o tipo de móveis, para escritório, cozinha, quartos, entre outros.
Importação:
Quando se trata de importação de madeira, especialmente para acabamento de móveis, os países dos quais o Brasil mais compra são: Estados Unidos, Argentina, Itália e Chile. Isso se dá, principalmente, pelo fato de que as madeiras provenientes dessas regiões possuem certificação de sustentabilidade. Já os produtos acabados, como móveis residenciais, têm sido bastante importados da China, principalmente por causa do preço reduzido.
Potencial de Crescimento:
As regiões Sul e Sudeste são as que mais se destacam na produção de móveis, concentrando cerca de 80% do número de estabelecimentos. Entretanto, o Nordeste se posiciona em terceiro lugar e, nele, é o Estado da Bahia que possui maior número de estabelecimentos desse setor. Isso confirma que a região tem potencial de crescimento e pode investir nas diferentes oportunidades de negócio que o setor proporciona:
- Painéis de madeira: ocorre o processamento de matéria-prima em chapas que servem para confecção de móveis. Os mais comuns são: compensado multilaminado, compensado sarrafeado, compensado de madeira maciça e painéis de madeira aglomerada;
- Móveis planejados: são móveis que possuem grande variação de medidas e podem ser personalizados de acordo com o projeto e/ou cliente;
- Ferragens e acessórios: são complementos dos móveis, que podem agregar valor ao produto final. Nesse tópico, são considerados puxadores, corrediças, dobradiças, entre outros;
- Projetos: muitas vezes os clientes que buscam móveis planejados procuram profissionais especializados para desenvolver um projeto específico, por isso, esse é um serviço essencial no segmento.
Produção Nacional do Setor:
A produção de móveis no país apresenta característica sazonal, sendo os meses de outubro e novembro os que apresentam maiores volumes, o que se justifica pelo pagamento do 13º salário aos trabalhadores. A sazonalidade, avaliada entre os anos de 2002 a 2015, pode ser visualizada no gráfico abaixo:
Encadeamento Produtivo:
O encadeamento produtivo proporciona que os pequenos negócios atuem como fornecedores ou distribuidores de produtos para empresas de maior porte dentro da cadeia produtiva de um segmento. Ele pode ser observado na Cadeia Produtiva de madeira e de móveis planejados, que interage com diversas atividades de valor da economia.
2 Metodologia:
Para atender aos objetivos do Estudo de Mercado, a metodologia foi dividida em três etapas: uma fase de entrevistas quantitativas e duas fases de entrevistas qualitativas. As entrevistas quantitativas fornece uma visão mais abrangente do público a ser estudado, permitindo análises segmentadas por tipo de empresa (ME, MEI, EPP e, quando necessário, Produtor Rural) e por setor/segmento de atuação. É a técnica indicada para mensurar questões mais objetivas e permitir a criação de indicadores capazes de estabelecer comparativos entre diferentes perfis. As entrevistas qualitativas permitiram aprofundar questões mais sensíveis e explorar itens que requerem maior detalhamento.
Objetivos:
O objetivo da pesquisa é propor estratégias de mercado, de comercialização e sugerir trilhas de atendimento para ME, MEI, EPP e Produtores Rurais que compõem a cadeia produtiva de 27 diferentes segmentos no Estado da Bahia.
São objetivos específicos:
- Levantar os principais produtos e/ou serviços e suas características;
- Evidenciar os principais nichos que compõem o mercado;
- Apontar as principais empresas e grupos participantes do mercado;
- Verificar a representatividade econômica do segmento (participação na economia local, estadual, nacional e mundial);
- Indicar os principais gargalos do segmento;
- Investigar a cadeia produtiva, a cadeia de valor, os canais de distribuição e os fornecedores de produtos;
- Descrever os clientes, suas características, comportamentos e critérios de compra;
- Identificar novos entrantes representativos para o mercado;
- Localizar produtos substitutos diretos e indiretos;
- Analisar as tendências e oportunidades futuras de mercado;
- Apresentar a densidade empresarial da Bahia.
3 Setores e segmentos pesquisados:
Setor - Agronegócio:
Segmentos:
- Caprinocultura leiteira;
- Produção de Pólen;
- Produção de Própolis;
- Produção de Morango;
- Produção de Banana;
- Produtos Orgânicos;
- Horticultura;
- Piscicultura;
- Chocolate Gourmet (Região de Ilhéus).
Setor - Comércio e Serviços:
Segmento:
- Varejo de Alimentos: Mercadinhos;
- Varejo de alimentos: Açougue;
- Preparo e Comércio de Alimentos para Consumo domiciliar;
- Serviços de Reparos Residenciais (alvenaria, chaveiro, automação residencial, hidráulica, pintura etc.);
- Beleza e Estética: Salões de Beleza e Estética;
- Reciclagem de Resíduos;
- Madeira e Móveis Planejados;
- Reparação de Veículos Automotores.
Setor - Economia Criativa:
Segmentos:
- Produção audiovisual.
Setor - Indústria:
Segmentos:
- Indústria da Moda – Gemas e Joias;
- Panificação;
- Confecções;
- Couro e Calçados.
Setor - Encadeamento produtivo:
Segmentos:
- Produção de Energia Fotovoltaica;
- Hospitais (como âncoras);
- Produção de Alimentos e Bebidas;
- Cadeia do Turismo (sol e praia/religioso/eventos);
- Cadeia do Leite.
4 Fase Quantitativa:
A primeira fase da pesquisa será composta de entrevistas quantitativas, realizadas por telefone com questionário majoritariamente estruturado (contendo a maior parte das questões fechadas). As características desta fase da pesquisa estão descritas a seguir.
Amostra: 1.000 casos.
Público: proprietários, gerentes ou responsáveis por ME, MEI, EPP e, quando for necessário, Produtores Rurais.
Abrangência: foi estabelecido como critério entrevistar responsáveis por pequenos negócios localizados em municípios em que há sede do Sebrae. Dessa forma, são considerados na pesquisa 27 municípios, incluindo a capital. São eles: Alagoinhas, Barreiras, Brumado, Camaçari, Euclides da Cunha, Eunápolis, Feira de Santana, Guanambi, Ilhéus, Ipiaú, Irecê, Itaberaba, Itabuna, Itapetinga, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Paulo Afonso, Porto Seguro, Salvador, Santo Antônio de Jesus, Seabra, Senhor do Bonfim, Teixeira de Freitas, Valença e Vitória da Conquista.
Duração da entrevista: o questionário foi composto de perguntas abertas e fechadas, com um tempo de aplicação médio de 30 minutos.
Metodologia amostral:
A amostra foi desenvolvida de forma proporcional à população de empresas de interesse, de acordo com as seguintes etapas:
- . A partir de uma listagem contendo mais de 300 mil microempresas (ME), microempreendedores individuais (MEI) e empresas de pequeno porte (EPP) do Estado da Bahia, coletadas por meio da fonte Receita Federal, foram selecionadas empresas que correspondessem aos 27 segmentos de atuação pesquisados e que estivessem instaladas nos 27 municípios pesquisados. Esse filtro gerou um universo de pesquisa de 117.969 empresas;
- A amostra de 1.000 casos foi distribuída entre os 27 segmentos de negócio de forma proporcional ao universo de empresas em cada segmento, de acordo com os seguintes critérios:
De acordo com a metodologia apresentada, foi realizada a seguinte distribuição de casos, que será aplicada para a realização das entrevistas:
- Dentro de cada segmento de atuação, foram selecionados casos de forma aleatória para participar da pesquisa;
- Para os segmentos com baixa disponibilidade de contatos (menos de 200 contatos), foram realizadas pelo menos cinco tentativas de contato com cada empresa, objetivando atingir a amostra planejada.
Significância estatística:
A amostra da fase quantitativa proposta garante uma margem de erro de 3,1%, para mais ou para menos, para estimativas com 95% de confiança, considerando a amostra total de 1.000 empresas pesquisadas.
Para cada uma das categorias de empresa pesquisadas (ME, MEI, EPP ou produtores rurais), foi possível obter estatísticas representativas de cada grupo. Considerando-se uma amostra mínima de 100 casos, e considerando que o universo de empresas em cada categoria seja muito vasto, pode-se garantir que a margem de erro para estatísticas calculadas para cada categoria será inferior a 9,8% para mais ou para menos, com 95% de confiança.
Para cada um dos 27 segmentos pesquisados, foi alocada uma amostra de, pelo menos, 20 casos - conforme a disponibilidade de casos verificada no universo de empresas de cada segmento. A amostra de pelo menos 20 casos por segmento é suficiente para fornecer uma análise exploratória destes, bem como uma comparação exploratória entre os diferentes segmentos.
Dessa forma, o número de empresários entrevistados na fase qualitativa é apresentado na tabela a seguir:
Fase Qualitativa:
A segunda fase da pesquisa foi composta por entrevistas em profundidade, realizadas por telefone. O questionário qualitativo foi construído a partir dos resultados da primeira etapa quantitativa e foi validado posteriormente com o Sebrae/BA, antes da sua aplicação. As características dessa fase da pesquisa estão descritas a seguir.
Metodologia amostral:
Amostra: 85 casos, sendo 3 por segmento e 4 entrevistas piloto para validação da guia de discussão.
Público: proprietários, gerentes ou responsáveis por ME, MEI, EPP ou produtores rurais, quando couber.
Abrangência: Bahia (capital e interior), contendo os 27 segmentos citados anteriormente.
Duração: 75 min a 90 min.
Critérios para filtro de recrutamento:
Os entrevistados foram selecionados a partir da pesquisa quantitativa e sua escolha foi orientada por critérios como:
- Tempo mínimo do negócio: 5 anos;
- Localização do negócio: foram priorizados aqueles entrevistados que se encontram na região de maior concentração da atividade econômica em questão;
- Avaliação geral do Cenário Econômico e do Negócio: foram selecionados três entrevistados que apresentam, a partir da análise dos dados quantitativos, percepções diferenciadas a respeito do cenário para o desenvolvimento da atividade econômica de sua empresa.
Significância estatística:
Considera-se suficiente, para exploração de informações de cunho qualitativo, a amostra de três entrevistas por segmento. Isso porque se trata da segunda fase da pesquisa (que já tem dados levantados) e de questionário exaustivo realizado com empresários que pertencem a um mesmo contexto. A intenção da pesquisa qualitativa é identificar tendências e percepções subjetivas a respeito do fenômeno investigado, dispensando grandes amostras e comprovação estatística.
Optou-se por entrevistas em profundidade, devido a alguns fatores que caracterizam o presente estudo:
- Os respondentes desta pesquisa são Empresários ou Gerentes de Pequenos Negócios de diferentes regiões do Estado da Bahia. Este cenário inviabilizaria a reunião do público-alvo em um único local e horário. As entrevistas em profundidade permitiram que estas fossem agendadas no horário mais conveniente para o respondente e, sendo telefônicas, facilitaram reagendamentos e retornos para possíveis esclarecimentos;
- O estudo em questão apresenta uma variedade ampla de objetivos, sendo que parte deles requer maior detalhamento e relato de experiências por parte dos respondentes. Tais objetivos - como razões para maiores ou menores investimentos no negócio, percepção mais otimista ou pessimista do segmento, obstáculos e oportunidades identificadas para desenvolvimento da empresa - não poderiam ser abarcados somente através da etapa quantitativa, exigindo uma metodologia exploratória. A pesquisa qualitativa, além de responder a objetivos que não poderiam ser cobertos pela fase quantitativa, permitiu que o respondente detalhasse e embasasse achados importantes da primeira fase, de modo mais consistente e de forma que seja possível compreender determinadas opiniões e orientar ações do SEBRAE de maneira específica para cada segmento.
Identificação dos perfis dos consumidores:
A terceira fase da pesquisa foi composta por entrevistas em profundidade, realizadas por telefone, para identificação dos clientes dos empresários entrevistados, com o intuito de descobrir suas características, comportamentos e critérios de compra. O questionário qualitativo foi construído a partir dos resultados da primeira fase qualitativa.
5 Caracterização das Empresas Participantes:
As empresas do segmento de madeira e móveis planejados se dividem em indústria, comércio e serviços. A seguir, a divisão por CNAE das empresas pesquisadas.
Porte das Empresas:
Em relação ao porte das empresas pesquisadas, a maioria delas (69%) está enquadrada no porte de Microempresa.
Ao se avaliar o setor moveleiro no Estado da Bahia, é possível identificar os seguintes dados, de acordo com o RAIS 2015:
- A maioria das empresas possui de um a quatro funcionários - 56% das empresas que atuam na fabricação de móveis e 57% dos comércios de móveis apresentam essa característica;
- 74% dos funcionários que atuam no setor moveleiro na Bahia possuem ensino médio completo;
- 66% dos empregados nesse setor são do gênero masculino.
Setor das empresas:
Quase metade das empresas do setor são empresas industriais; mais de um terço delas são comercializadoras de móveis e 20% são prestadoras de serviços.
- 46% Indústria: empresas que atuam na fabricação dos mobiliários, como as marcenarias, por exemplo;
- 34% Comércio: empresas que atuam na comercialização dos móveis;
- 20% Serviços: empresas que prestam serviço para outras empresas de móveis planejados, como, por exemplo: elaboração de projetos, montagem, pintura, instalação, manutenção, entre outros.
Atuação das Empresas:
A principal atuação das empresas pesquisadas é no mercado local, isto é, na cidade em que estão inseridas. As empresas também atuam no mercado baiano e em outros estados do Nordeste, sendo que apenas 3% delas vendem seus produtos para outros estados do país.
Motivo da escolha do local do estabelecimento:
O principal motivo de escolha do local do estabelecimento foi o proprietário já residir naquela região. Porém, 23% dos empresários afirmaram ter escolhido o local em função da demanda do local ou de fatores propícios para o negócio, como disponibilidade de mão de obra, de fornecedores e boa logística disponível.
Tempo de Mercado:
O tempo de mercado varia consideravelmente entre as empresas pesquisadas. Contanto, 45% delas estão abertas há mais de 15 anos, demonstrando boa tradição no mercado em que atuam.
Distribuição das empresas no estado:
As empresas estão bem distribuídas pelo estado. A maioria situa-se nas cidades de Salvador, Vitória da Conquista e Jacobina.
O Estado da Bahia possui 264 indústrias de móveis, que faturaram R$ 786 milhões em 2014 e abasteceram 24% do mercado. As oportunidades estão na implantação de parque industrial: papéis, movelaria e embalagens; criação de novos polos de produção.
6 Diagnóstico do Segmento:
A seguir, será apresentado o diagnóstico do segmento, que consiste na análise do ambiente interno (forças e fraquezas) e do ambiente externo (oportunidades e ameaças relacionadas ao segmento). Os itens internos são de responsabilidade e controle dos empresários. Já os aspectos externos não podem ser controlados pelo empreendedor. Essa análise facilita a visão do todo. Os empresários podem avaliar suas condições atuais e estabelecer estratégias para atuar no mercado em diversas situações.
Análise SWOT:
Comparativo empresarial com o ano de 2015:
Os empresários acreditam que o segmento melhorou levemente em comparação com o ano passado, sendo a média de melhora de 5,4, em uma escala de 1 – muito pior – e 10 – muito melhor.
A avaliação das empresas foi um pouco melhor, sendo que os empresários acreditam que suas empresas melhoraram um pouco mais do que o setor em relação a 2015, com uma média de 5,6 em uma escala de 1 – muito pior – e 10 – muito melhor.
Impacto da crise:
94% dos empresários de madeira e móveis planejados afirmam que seus negócios foram afetados pela crise econômica, sendo que a maioria deles diz que o impacto foi moderado.
Endividamento do segmento: