Introdução ao Design Gráfico 2
Introdução em Design Gráfico
1 Formas de ver: da Pré-história ao Barroco
Objetivos de aprendizagem
2 Para início de estudo
3 Linguagem visual
A imagem é um recurso com imensas e sutis potencialidades. Observe o cinema, por exemplo, um filme não pretende apenas contar uma história.
Em uma cena de um cara escalando uma montanha, não é exatamente o cara escalando que o filme mostra. Primeiro mostra, em close, o suor escorrendo no rosto dele, depois o olho trêmulo, sem coragem de olhar para baixo, até que olha, mas ainda em close desvia o olhar e prende a respiração, corta para a mão dele escapando de uma pequena ranhura em que ele se segurava. A imagem vai se desfocando enquanto faz a transição para uma visão de cima mostrando o paredão (já estamos com vertigem) e lá embaixo as coisas pequenininhas. Enfim, o que o filme pretende não é mostrar um cara escalando, mas fazer com que o espectador se coloque no lugar do personagem, que sinta medo, que se emocione como se fosse o próprio cara. Só assim o filme será interessante e válido esteticamente. Pensem na linguagem visual e sua força.
Para estudar uma imagem é preciso primeiro olhar o que está realmente colocado ali. É incrível, mas nem sempre vemos o que olhamos. Mostrando a foto de uma paisagem para algumas pessoas por um tempo, quando tiramos a imagem de vista muitos dirão que o céu é azul, mesmo que seja branco ou cinza. É fundamental reconhecer os elementos que a compõem e seus significados, mas também é importante identificar o que está implícito em uma imagem, as sensações que ela provoca, a história que evoca, não apenas o que representa.
Para ajudar na atividade de analisar uma imagem, podemos seguir um roteiro.
1. Estrutura da imagem - olhar a imagem procurando identificar qual é o principal aspecto formal do conjunto, a técnica usada para organizar o conteúdo visual, a direção prioritária do olhar.
2. Elementos básicos de comunicação visual - perceber, com cada vez mais detalhes, os elementos que constituem essa imagem e seus significados.
3. Contexto - identificar o contexto onde a imagem se insere e o de sua produção.
4. Impressões pessoais - por fim, nos deixar levar por nossas impressões e sensações pessoais, ligadas a nossa história e recordações; sem isto, a análise também não é completa.
A seguir, serão apresentadas as descrições de cada um desses itens. Você vai começar a observar as formas mais simples, para depois aplicar essas observações em conteúdos cada vez mais complexos.
1. Estrutura da imagem
Na estrutura da imagem podemos investigar:
a) as forças visuais;
b) as direções do olhar; e
c) as técnicas de composição.
Observe os detalhes de cada um destes aspectos.
a) Forças visuais
Para identificar a essência da composição, vamos tentar perceber as forças que atuam na imagem.
No quadrado da figura 2.1, o círculo está em uma posição estática, centralizado. No quadrado 2.2, ao contrário, normalmente percebemos o círculo como se estivesse em movimento. Para onde?
Mas para haver movimento deve haver uma força que tire o objeto de sua posição de repouso e um deslocamento. Que forças visuais são essas? Para onde o nosso olho é atraído e que movimentos ele é convidado a fazer?
Os elementos atuam de forma a atrair ou repelir outros elementos. Percebemos que o círculo da figura 2.2 se movimenta em relação ao quadrado. Na figura a seguir, a concentração das linhas e a direção do ângulo fazem com que a linha vertical da esquerda pareça bem maior do que a da direita. Verifique que elas são idênticas.
Além de forças de atração e repulsão, podemos também falar da força da gravidade. Sentimos como natural a terra mais densa que o céu, apoiamos as imagens considerando a linha do horizonte.
Tendemos a achar esquisito um elemento ou composição em que a parte superior é mais pesada. Veja o número 3 virado de cabeça para baixo.
Muitas vezes, estudamos nossos sentidos como coisas separadas, mas um cheiro pode ser realmente apetitoso. Nossa percepção do mundo é sinestésica, ou seja, um sentido interfere no outro. Esta característica do nosso sistema perceptivo também se presta bem às metáforas como uma cor gritante, um rosa doce. O sentido de cinestesia, que é a percepção de equilíbrio, peso, posição do corpo, interfere diretamente na nossa percepção visual.
Os pássaros percebem melhor as verticais, já que as ameaças que eles sofrem cotidianamente podem vir de cima e de baixo, tanto quanto dos lados. Nosso deslocamento no mundo exige que percebamos mais e melhor o que está na nossa volta, o horizonte é nossa principal referência.
Provavelmente, você já ouviu falar que o centro geométrico de uma figura não coincide com o centro de atração ou centro ótico. Os gregos já tinham chamado a atenção para a proporção áurea e indicado que a área acima do centro geométrico é a mais forte visualmente.
Essa explicação é interessante: a parte da retina com maior concentração de cones (células responsáveis pela percepção das cores) é a região de onde sai o nervo ótico (que conduz as informações ao cérebro). Essa área se localiza um pouquinho abaixo do centro do olho. Portanto, ao olharmos uma imagem na nossa frente, a parte dela que atingirá mais diretamente essa região do olho fica um pouquinho acima do centro.
Observe o exemplo a seguir.
b) Direções do olhar
Observe o caminho do olho ao percorrer as imagens. O olhar desliza fácil ou vacila em algum momento?
Nosso olhar ocidental tende a percorrer a imagem da esquerda para a direita e de cima para baixo, de acordo com o que fazemos para ler um texto. O movimento nessa direção parece mais fácil, mais veloz. Como tudo parece conduzir o olhar para a direita e abaixo, esse local parece ser mais pesado.
Rudolfh Arnheim exemplifica muito bem como isso funciona em seu livro “Arte e percepção visual, a psicologia da visão criadora”:
Os elementos estruturais, os fundamentos sintáticos da imagem se referem ao equilíbrio ou desequilíbrio da forma, às tensões e atrações entre as figuras, aos agrupamentos, à relação figura x fundo.
4 Linguagem Visual II
Observe as figuras 2.13 e 2.14: em uma janela com colunas de tamanhos diferentes, a que tem uma diferença maior, a figura 2.13, nos parece mais equilibrada do que a figura 2.14. Se o eixo vertical está próximo do centro, dá vontade de puxar um pouquinho e acertar a imagem, concordam?
Por exemplo, quando usamos duas fontes muito parecidas em uma composição, como a Arial e a Verdana, ambas sem serifa, a sensação que temos é de que houve um erro.
Serifas são prolongamentos que dão acabamento às extremidades das letras.
Para fazer uma composição equilibrada, alguns autores recomendam evitar esse tipo de conflito e combinar fontes usando harmonias ou contrastes. Harmonias podem ser feitas usando fontes da mesma família com variações de tamanho, negrito, itálico. Os contrastes devem ser contundentes, combinando fontes bem diferentes e variando, além do tipo, o tamanho, o peso, etc.
Equilíbrio não significa simetria. Podemos ter uma composição com equilíbrio simétrico ou assimétrico. Na figura 2.15 temos uma simetria na figura, apesar dela não estar centralizada, e na figura 2.16 temos um interessante exemplo de equilíbrio assimétrico.
Observe o trabalho do artista holandês Piet Mondrian (1872-1944). Em sua poética de rígido formalismo, Mondrian buscava justamente o equilíbrio. Usava planos de cores vermelhas, azuis, amarelas, brancas e linhas pretas para que as cores não interferissem umas nas outras. As diferentes extensões de cores se equilibram pela profundidade dos diferentes tons. Se as áreas de cores fossem do mesmo tamanho o azul pareceria estar atrás do amarelo, por exemplo, e o amarelo se destacaria. Seu trabalho, cujo estilo foi chamado de abstracionismo geométrico, foi muito valorizado e influenciou profundamente o design. Em 1986, um quadro seu foi vendido pro U$ 5.000.000,00.
c) Técnicas de composição
Uma das mais importantes técnicas visuais é o contraste, que pode ser um contraste de cores, de claro e escuro, de grande e pequeno, de horizontais e verticais, de muito e pouco.
Para identificar a técnica visual usada, podemos olhar o conjunto e tentar perceber qual é a principal característica da composição, como se gera um significado imediato. Observe se o conjunto é formado por vários elementos dispersos, se uma única forma está destacada de um fundo, se o destaque é uma perspectiva marcante, se é uma figura deformada, se é a repetição de um elemento criando um ritmo, uma transparência, se são várias figuras iguais e uma diferente, se um elemento é exagerado, se uma cor é usada em uma situação inusitada.
O artista Marco Evaristti fez uma expedição à Groenlândia e pintou um iceberg de vermelho. (figura 2.19). Para fazer o trabalho, mobilizou uma equipe numerosa e utilizou muitos galões de tinta orgânica. As técnicas de execução (os recursos utilizados para fazer a obra) e as técnicas visuais são coisas diferentes. Podemos dizer que a principal técnica visual desse trabalho é um contraste de cores (vermelho em um espaço branco), que é marcante também pela imensidão.
Na figura 2.20, a ênfase, a técnica visual adotada é a deformação da imagem, que dá um requebrado às imagens das cabines na ilustração para uma camiseta promocional de um bar em Nova Iorque.
Já na figura 2.21, a principal solução gráfica é a indicação de movimento dada pela inclinação das linhas.
Outro elemento que é importante observar é o vazio. Veja como o fundo pode transmitir uma sensação de desorganização. Alguns cuidados são necessários se o objetivo não for realmente esse. Compare as sensações que cada imagem provoca.
Veja como na figura 2.22 o amadorismo fica evidente, não há cuidado com os alinhamentos, não são explorados os contrastes, não é destacado o conteúdo de maior interesse, tudo parece querer se destacar. Observe, por exemplo, como o espaço entre o quadrado preto e o texto transmite uma sensação de desorganização. Na figura 2.23, alguns pequenos cuidados com os alinhamentos dos textos e imagens transmitem uma sensação de confiança, capricho. Uma margem invisível liga os elementos gráficos, e os espaços vazios estão organizados.
Mas nem sempre esse alinhamento é desejável. Até a bagunça, em função de um conceito particular, pode ser eficiente.
É importante observar o fundo da imagem e reconhecer seu potencial significativo.
Na figura 2.26, se o espaço azul (o vazio) fosse diminuído, a sensação de liberdade poderia se transformar em claustrofóbica, e na figura 2.27, o vazio é justamente o que está em destaque, falta o design do carro.
— Até aqui você estudou a forma que estrutura cada imagem. Seguindo nosso roteiro, no passo 2, o convite é observar que cada elemento gráfico tem significado e gera sensações: uma linha curva pode dar a ideia de coisas cíclicas, uma linha inclinada pode provocar percepção de movimento.
2. Elementos básicos de comunicação visual
Além da estrutura básica da imagem, podemos decifrar os elementos individualmente observando as cores, as fontes que foram escolhidas, como foram alinhadas, como foram organizados os grupos de informações, as luzes, o estilo de linha, as texturas, as perspectivas, os tamanhos relativos e como esses elementos se relacionam no todo. Isto pode ser bastante amplo. Quanto mais aprofundamos o olhar mais apreendemos da imagem.
Pode parecer que estamos falando de obviedades, que um triângulo qualquer é apenas um triângulo qualquer. Mas, por exemplo, o livro El triángulo, de Bruno Munari, tem 100 páginas ilustradas apenas sobre usos de triângulos eqüiláteros.
O elemento mais básico da comunicação visual é o ponto: um ponto em movimento faz uma linha, a linha em movimento faz uma superfície, uma superfície em movimento faz um volume, que em movimento é o tempo, o tempo em movimento... não percebemos. Apesar da física quântica nos indicar que o tempo não é linear, inclui vazios, retornos, saltos, não temos esta sensação. Nossa percepção é limitada pelo tempo e o espaço. Outros elementos básicos são as cores, texturas, profundidades, luzes, os tamanhos relativos.
O ponto
O ponto é o mínimo, mas fortemente atrativo. É uma marcação precisa. Pode ser significativo justamente por ser pontual em um espaço livre, é em relação ao vazio que a pintinha da figura. 2.28 ganha total importância. Mas o ponto também pode ser o preenchimento de tudo.
5 A linha
6 Planura e profundidade
Textura
7 Cores
Os aspectos físicos
Os efeitos psicológicos da cor
8 Os aspectos simbólicos e culturais da cor
Contexto
Impressões pessoais
9 A arte antiga
É importante olhar as formas procurando evitar o pré-conceito de que o mais antigo é o menos evoluído. Com o passar do tempo, algumas coisas evoluem, outras regridem, outras surgem de repente, outras dão saltos qualitativos e mudam tudo que atingem.
A arte é produzida a partir de perguntas que o homem se faz com relação à experiência humana, à existência. Se essas questões continuam sendo feitas, talvez ainda tenhamos algo a aprender com nossos mais distantes antepassados.
A arte pré-histórica é forte e misteriosa para nós. Essa curiosidade sobre as nossas raízes, a origem do humano, é ainda, ou talvez mais ainda, uma questão presente. Por isto, busca-se conhecer essa arte investigando seus vestígios. Mas o que a arte representava para os povos que a produziram e o significado que adquirem para nós hoje podem ser muito diferentes. Certamente, os homens que viveram nas cavernas 15.000 anos a.C. tinham motivações para o fazer artístico diferentes das nossas. A Antropologia busca entender o que essas imagens revelam de seus significados originais, mas é impossível ser conclusivo. Muitas teorias são desenvolvidas.
A ideia utilitarista de que tudo se explica pela busca da sobrevivência pode ser questionada por indícios de que as necessidades de compartilhar experiências estéticas foram muito determinantes na origem da humanidade e nas transformações sociais.
Supõe-se, sobre a origem das cidades, que os primeiros pontos fixos de encontro dos homens eram locais de culto aos mortos e de celebrações. Supõe-se também, sobre a origem da linguagem e da comunicação, que o primeiro som emitido pelo homem foi um grito de emoção e não um pedido utilitário.
Observando a figura 2.40, talvez não se consiga imaginar que essas pinturas são gigantescas. E ficam em lugares muito profundos das cavernas, onde não chega luz, com acesso por corredores às vezes baixos e estreitos. Eram feitas nos tetos, e por isto não são facilmente percebidas por quem entra na gruta.
A partir dos vestígios dessas civilizações, fazem-se deduções e teorizações. Supõe-se, por exemplo, que o artista tenha sido um dos primeiros homens a ter uma atividade diferenciada no grupo, sendo poupado de caçar, porque a atividade artística devia ser muito difícil e exigente, tanto em dedicação como em habilidades. Encontram-se também, comumente, marcas de flechadas nas imagens de animais e supõe-se que nossos antepassados tinham uma relação mágica com as figuras, exercitavam a captura do animal e acreditavam no poder dessa representação.
Algumas civilizações pré-históricas e antigas desenvolveram estilos artísticos naturalistas, que procuram imitar as formas das coisas naturais, e desenvolveram trabalhos de grande beleza e realismo. Mas quase toda a arte da Antiguidade não é naturalista, e sim bastante simbólica.
Podemos apreciar uma obra egípcia e admirar sua beleza. Mas o que eles pensavam sobre arte? E o que reconhecemos como arte nas obras antigas?
É possível, pessoalmente, inventar arte com essas formas. Mas se não soubermos que o chacal estilizado é para os egípcios o deus Anúbis, que conduz os mortos, que as figuras mais geometrizadas, maiores e menos naturais eram as mais importantes e que a beleza dessas esculturas não era sequer para ser contemplada, já que seriam enterradas com os mortos, não estaremos falando de arte egípcia, mas do que essas imagens significam para nós. São os símbolos que determinavam a linguagem visual das obras para os egípcios antigos.
Durante longo período, que vai até o final da Idade Média, a arte não mudou muito. Mas uma civilização se diferenciou e se destacou na Antiguidade, a cultura greco-micênica. É interessante saber que Atenas tinha apenas 30.000 habitantes, mas discutiram intensamente seus valores, sua organização política, sua arte e nos influenciaram profundamente.
Foram eles que iniciaram a discussão estética. Buscavam uma beleza perfeita, portanto irreal, ideal. Ainda hoje o belo idealizado dos gregos se confunde com a ideia de arte, de estético, apesar de a arte já ter adotado muitos outros caminhos. A distribuição simétrica ou o equilíbrio preciso das formas, que busca enfatizar o elemento central, ainda são muito usados para transmitir seriedade, tradição, organização.
Os romanos, quando expandiram seu império, foram os primeiros a se apropriarem da arte grega. Reproduziram várias obras, as principais imagens que conhecemos da arte grega são cópias romanas, mas também usaram esse conhecimento para outras funções, como contar suas vitórias, narrar as façanhas da guerra e expressar seu modo vigoroso e prático de vida.
Com a queda do Império Romano, a arte clássica desaparece. Na Idade Média, os principais objetivos da arte eram ensinamentos religiosos.
A Idade Média produziu uma arte cheia de convenções. Os artistas eram artesões, usavam suas competências para executar formas que seguiam regras com perfeição, a arte era uma técnica.
Foi um período longo, de aproximadamente mil anos. Produziram-se ilustrações em manuscritos, vitrais, mosaicos, esculturas e objetos ourivesaria de grande beleza. A arquitetura românica e o estilo gótico foram importantes. Mesmo assim, esse período foi chamado de Idade Média, ou seja, entre dois momentos de valorização da arte clássica.
No final desse período, mais uma vez a arte grega é retomada, mas é agora revitalizada pelos estudos da perspectiva e da anatomia. Com o desenvolvimento científico e a Reforma Protestante, que diminuiu o domínio da igreja, o interesse se volta do sobrenatural para o natural, de uma cultura religiosa para uma cultura humanista. O entusiasmo por um estilo mais antigo se justifica porque eles acreditavam que a ciência, o saber e a arte tinham sido destruídos pelos bárbaros na Idade das Trevas, e que era importante revigorar o conhecimento desses períodos gloriosos, não para imitá-los, mas para fazer ainda melhor.
— Na próxima seção, você vai estudar um pouco sobre a forma clássica, no seu renascimento no século XV, após a Idade Média.
10 Clássico e Barroco
É interessante estudar as imagens em relação às emoções que elas provocam ou em relação à sociedade que lhes produziu e valorizou, ou ainda em relação aos seus significados, à concepção do artista. Todas essas informações são pertinentes e paralelas, mas nesta unidade priorizaremos uma abordagem formalista para aprofundar mais nosso estudo sobre a linguagem visual.
Nesta seção, você vai conhecer uma comparação entre o estilo Clássico dos gregos e romanos - que foi revitalizado no Renascimento (século XV e século XVI) - com o estilo que se segue, o Barroco (século XVII e século XVIII).
Henrich Wolflin é um importante historiador desse período da História, ele mostra como os fundamentos de ordem visual são diferentes nos séculos XV e no XVII e, em função disto, as imagens clássicas e barrocas também são. Wolflin não descarta que a cultura é determinante sobre o que vemos e o que produzimos, mas nem sempre o que se pretendeu expressar estava de acordo com os meios e conhecimentos disponíveis. Por isto, conhecer esses requisitos da época é revelador. No Renascimento, os artistas estudaram a perspectiva; no Período Barroco, este conhecimento já estava solidificado e poderia ser ultrapassado por novas formas.
Wolfflin apresenta cinco pares de conceitos que explicitam as diferenças do Clássico e do Barroco:
* o Clássico é linear, o Barroco é pictórico;
* o Clássico usa perspectiva em planos, o Barroco explora a profundidade e conduz o olhar;
* o Clássico usa formas fechadas, o Barroco, formas que se abrem para fora do quadro;
* o Clássico prioriza os detalhes, o Barroco, o conjunto;
* o Clássico busca a clareza, o barroco explora contrastes de sombras e luzes.
É interessante conhecer um pouco mais sobre as características desses estilos, porque são recorrentes em diversos movimentos artísticos subsequentes.
Linear e pictórico - Os clássicos representavam principalmente a figura em destaque do fundo e valorizavam o contorno em cada detalhe.
Veja, por exemplo, no vestido da figura 2.47, cada rendinha é desenhada com todos os detalhes, linearmente. Não vemos assim, percebemos rapidamente, e antes o conjunto do que o detalhe. Os barrocos exploravam essa característica da visão e tornavam a imagem mais dramática e vital, como na obra da figura 2.48.
Plano e profundidade
A profundidade nos clássicos tende a apresentar planos destacados e sobrepostos. Veja como nas figuras 2.49 e 2.50 temos várias camadas de objetos e pessoas.
No Barroco (figura 2.51) as coisas se misturam, a profundidade e as linhas diagonais ganham ênfase.
Forma fechada e forma aberta
A imagem barroca lembra anjos que voam para o céu aberto acima da imagem. A imagem clássica é centrada, apresenta-se inteira e visível. Veja que enquanto na figura 2.52 o enquadramento é planejado, centrado, na figura 2.53 é uma tomada espontânea do olhar, nem tudo cabe na imagem, algumas coisas ficam cortadas, algumas chamam a atenção e direcionam o olhar, a imagem barroca é dinâmica, instantânea.
Pluralidade e unidade
A imagem clássica trata cada detalhe separadamente e detalhadamente; o Barroco enfatiza o todo e suprime o detalhe.
Clareza absoluta e relativa do objeto
A imagem clássica precisa mostrar todos os detalhes e mantém a clareza; o Barroco envolve o todo em uma iluminação que revela algumas coisas e obscurece outras.
A imagem clássica é desenhada, as formas são fechadas sobre si mesmas e destacadas umas das outras, são organizadas em planos e o foco é central, pretende a clareza. Considera-se que tais características estão em acordo com a sociedade renascentista, com o pensamento humanista, com a valorização das ciências, que se manifesta também nas artes com o estudo da Matemática, da Anatomia, com uma ideia de mundo que coloca na mão dos homens seus destinos. Valoriza a Ciência.
O Barroco é associado à contra-reforma da Igreja e à tentativa de emocionar e converter, o que estaria de acordo com a dramaticidade e a abertura para o infinito, características típicas da arte barroca.
O Barroco se dissemina e adquire diferentes formas de expressão em cada lugar. No Brasil, por exemplo, o barroco colonial é peculiar. Conhecem as obras de Aleijadinho?
Esses dois períodos da História da Arte foram amplamente estudados por diferentes abordagens históricas, pela crítica, pela Filosofia, e oferece vasta bibliografia.