Introdução ao Design Gráfico 2

Introdução em Design Gráfico

1 Formas de ver: da Pré-história ao Barroco

Objetivos de aprendizagem

* Conhecer os conceitos básicos de composição e anatomia visual.
* Observar o papel da arte em diferentes contextos históricos.
* Identificar as características dos estilos Clássico e Barroco.

2 Para início de estudo

Nesta unidade, nosso objetivo é olhar, olhar muito, olhar e ver, ver e pensar sobre o que se viu, conhecer outros pensamentos e outros olhares, repensar, pretendendo que isto contribua para fertilizar os processos de criação e produção em design digital e multimídia.
A linguagem visual tem características muito próprias. Saber explorá-las é uma habilidade que podemos desenvolver. Podemos aprender a apreciar e produzir imagens cada vez melhor.
Vários estudos pretendem contribuir com o processo criativo: análise de soluções gráficas e classificação das técnicas usadas, depoimentos dos profissionais sobre como as idéias foram geradas, pesquisas que analisam o movimento do olho quando o sujeito olha uma imagem procurando identificar os pontos de atração, investigações sobre a recepção de imagens, feitas com grande número de pessoas, analisando as sensações, associações e o que ficou registrado na memória são alguns exemplos.
Apesar de não garantirem idéias inovadoras, temos convicção de que esses estudos nos interessam. Por isto, esta introdução apresenta os temas de forma bem sintética, mas também indica materiais complementares para aprofundamento.
As competências básicas para a configuração de imagens exigem desenvolver permanentemente o olhar, a imaginação, a reflexão e a habilidade de produção com ferramentas antigas, novas e com as que forem necessário inventar.
Vamos começar falando da imagem, de seus elementos e sua organização gráfica e depois conversar um pouco sobre a história da arte priorizando o estudo de suas formas.

3 Linguagem visual

A imagem é um recurso com imensas e sutis potencialidades. Observe o cinema, por exemplo, um filme não pretende apenas contar uma história.

Em uma cena de um cara escalando uma montanha, não é exatamente o cara escalando que o filme mostra. Primeiro mostra, em close, o suor escorrendo no rosto dele, depois o olho trêmulo, sem coragem de olhar para baixo, até que olha, mas ainda em close desvia o olhar e prende a respiração, corta para a mão dele escapando de uma pequena ranhura em que ele se segurava. A imagem vai se desfocando enquanto faz a transição para uma visão de cima mostrando o paredão (já estamos com vertigem) e lá embaixo as coisas pequenininhas. Enfim, o que o filme pretende não é mostrar um cara escalando, mas fazer com que o espectador se coloque no lugar do personagem, que sinta medo, que se emocione como se fosse o próprio cara. Só assim o filme será interessante e válido esteticamente. Pensem na linguagem visual e sua força.

Para estudar uma imagem é preciso primeiro olhar o que está realmente colocado ali. É incrível, mas nem sempre vemos o que olhamos. Mostrando a foto de uma paisagem para algumas pessoas por um tempo, quando tiramos a imagem de vista muitos dirão que o céu é azul, mesmo que seja branco ou cinza. É fundamental reconhecer os elementos que a compõem e seus significados, mas também é importante identificar o que está implícito em uma imagem, as sensações que ela provoca, a história que evoca, não apenas o que representa.

Para ajudar na atividade de analisar uma imagem, podemos seguir um roteiro.

1. Estrutura da imagem - olhar a imagem procurando identificar qual é o principal aspecto formal do conjunto, a técnica usada para organizar o conteúdo visual, a direção prioritária do olhar.

2. Elementos básicos de comunicação visual - perceber, com cada vez mais detalhes, os elementos que constituem essa imagem e seus significados.

3. Contexto - identificar o contexto onde a imagem se insere e o de sua produção.

4. Impressões pessoais - por fim, nos deixar levar por nossas impressões e sensações pessoais, ligadas a nossa história e recordações; sem isto, a análise também não é completa.

A seguir, serão apresentadas as descrições de cada um desses itens. Você vai começar a observar as formas mais simples, para depois aplicar essas observações em conteúdos cada vez mais complexos.

1. Estrutura da imagem

Na estrutura da imagem podemos investigar:

a) as forças visuais;

b) as direções do olhar; e

c) as técnicas de composição.

Observe os detalhes de cada um destes aspectos.

a) Forças visuais

Para identificar a essência da composição, vamos tentar perceber as forças que atuam na imagem.

No quadrado da figura 2.1, o círculo está em uma posição estática, centralizado. No quadrado 2.2, ao contrário, normalmente percebemos o círculo como se estivesse em movimento. Para onde?

Mas para haver movimento deve haver uma força que tire o objeto de sua posição de repouso e um deslocamento. Que forças visuais são essas? Para onde o nosso olho é atraído e que movimentos ele é convidado a fazer?

Os elementos atuam de forma a atrair ou repelir outros elementos. Percebemos que o círculo da figura 2.2 se movimenta em relação ao quadrado. Na figura a seguir, a concentração das linhas e a direção do ângulo fazem com que a linha vertical da esquerda pareça bem maior do que a da direita. Verifique que elas são idênticas.

Além de forças de atração e repulsão, podemos também falar da força da gravidade. Sentimos como natural a terra mais densa que o céu, apoiamos as imagens considerando a linha do horizonte.

Tendemos a achar esquisito um elemento ou composição em que a parte superior é mais pesada. Veja o número 3 virado de cabeça para baixo.

Muitas vezes, estudamos nossos sentidos como coisas separadas, mas um cheiro pode ser realmente apetitoso. Nossa percepção do mundo é sinestésica, ou seja, um sentido interfere no outro. Esta característica do nosso sistema perceptivo também se presta bem às metáforas como uma cor gritante, um rosa doce. O sentido de cinestesia, que é a percepção de equilíbrio, peso, posição do corpo, interfere diretamente na nossa percepção visual.

Os pássaros percebem melhor as verticais, já que as ameaças que eles sofrem cotidianamente podem vir de cima e de baixo, tanto quanto dos lados. Nosso deslocamento no mundo exige que percebamos mais e melhor o que está na nossa volta, o horizonte é nossa principal referência.

Provavelmente, você já ouviu falar que o centro geométrico de uma figura não coincide com o centro de atração ou centro ótico. Os gregos já tinham chamado a atenção para a proporção áurea e indicado que a área acima do centro geométrico é a mais forte visualmente.

Essa explicação é interessante: a parte da retina com maior concentração de cones (células responsáveis pela percepção das cores) é a região de onde sai o nervo ótico (que conduz as informações ao cérebro). Essa área se localiza um pouquinho abaixo do centro do olho. Portanto, ao olharmos uma imagem na nossa frente, a parte dela que atingirá mais diretamente essa região do olho fica um pouquinho acima do centro.

Observe o exemplo a seguir.

b) Direções do olhar

Observe o caminho do olho ao percorrer as imagens. O olhar desliza fácil ou vacila em algum momento?

Nosso olhar ocidental tende a percorrer a imagem da esquerda para a direita e de cima para baixo, de acordo com o que fazemos para ler um texto. O movimento nessa direção parece mais fácil, mais veloz. Como tudo parece conduzir o olhar para a direita e abaixo, esse local parece ser mais pesado.

Rudolfh Arnheim exemplifica muito bem como isso funciona em seu livro “Arte e percepção visual, a psicologia da visão criadora”:

Os elementos estruturais, os fundamentos sintáticos da imagem se referem ao equilíbrio ou desequilíbrio da forma, às tensões e atrações entre as figuras, aos agrupamentos, à relação figura x fundo.

4 Linguagem Visual II

Observe as figuras 2.13 e 2.14: em uma janela com colunas de tamanhos diferentes, a que tem uma diferença maior, a figura 2.13, nos parece mais equilibrada do que a figura 2.14. Se o eixo vertical está próximo do centro, dá vontade de puxar um pouquinho e acertar a imagem, concordam?

Por exemplo, quando usamos duas fontes muito parecidas em uma composição, como a Arial e a Verdana, ambas sem serifa, a sensação que temos é de que houve um erro.

Serifas são prolongamentos que dão acabamento às extremidades das letras.

Para fazer uma composição equilibrada, alguns autores recomendam evitar esse tipo de conflito e combinar fontes usando harmonias ou contrastes. Harmonias podem ser feitas usando fontes da mesma família com variações de tamanho, negrito, itálico. Os contrastes devem ser contundentes, combinando fontes bem diferentes e variando, além do tipo, o tamanho, o peso, etc.

Equilíbrio não significa simetria. Podemos ter uma composição com equilíbrio simétrico ou assimétrico. Na figura 2.15 temos uma simetria na figura, apesar dela não estar centralizada, e na figura 2.16 temos um interessante exemplo de equilíbrio assimétrico.

Observe o trabalho do artista holandês Piet Mondrian (1872-1944). Em sua poética de rígido formalismo, Mondrian buscava justamente o equilíbrio. Usava planos de cores vermelhas, azuis, amarelas, brancas e linhas pretas para que as cores não interferissem umas nas outras. As diferentes extensões de cores se equilibram pela profundidade dos diferentes tons. Se as áreas de cores fossem do mesmo tamanho o azul pareceria estar atrás do amarelo, por exemplo, e o amarelo se destacaria. Seu trabalho, cujo estilo foi chamado de abstracionismo geométrico, foi muito valorizado e influenciou profundamente o design. Em 1986, um quadro seu foi vendido pro U$ 5.000.000,00.

c) Técnicas de composição

Uma das mais importantes técnicas visuais é o contraste, que pode ser um contraste de cores, de claro e escuro, de grande e pequeno, de horizontais e verticais, de muito e pouco.

Para identificar a técnica visual usada, podemos olhar o conjunto e tentar perceber qual é a principal característica da composição, como se gera um significado imediato. Observe se o conjunto é formado por vários elementos dispersos, se uma única forma está destacada de um fundo, se o destaque é uma perspectiva marcante, se é uma figura deformada, se é a repetição de um elemento criando um ritmo, uma transparência, se são várias figuras iguais e uma diferente, se um elemento é exagerado, se uma cor é usada em uma situação inusitada.

O artista Marco Evaristti fez uma expedição à Groenlândia e pintou um iceberg de vermelho. (figura 2.19). Para fazer o trabalho, mobilizou uma equipe numerosa e utilizou muitos galões de tinta orgânica. As técnicas de execução (os recursos utilizados para fazer a obra) e as técnicas visuais são coisas diferentes. Podemos dizer que a principal técnica visual desse trabalho é um contraste de cores (vermelho em um espaço branco), que é marcante também pela imensidão.

Na figura 2.20, a ênfase, a técnica visual adotada é a deformação da imagem, que dá um requebrado às imagens das cabines na ilustração para uma camiseta promocional de um bar em Nova Iorque.

Já na figura 2.21, a principal solução gráfica é a indicação de movimento dada pela inclinação das linhas.

Outro elemento que é importante observar é o vazio. Veja como o fundo pode transmitir uma sensação de desorganização. Alguns cuidados são necessários se o objetivo não for realmente esse. Compare as sensações que cada imagem provoca.

Veja como na figura 2.22 o amadorismo fica evidente, não há cuidado com os alinhamentos, não são explorados os contrastes, não é destacado o conteúdo de maior interesse, tudo parece querer se destacar. Observe, por exemplo, como o espaço entre o quadrado preto e o texto transmite uma sensação de desorganização. Na figura 2.23, alguns pequenos cuidados com os alinhamentos dos textos e imagens transmitem uma sensação de confiança, capricho. Uma margem invisível liga os elementos gráficos, e os espaços vazios estão organizados.

Mas nem sempre esse alinhamento é desejável. Até a bagunça, em função de um conceito particular, pode ser eficiente.

É importante observar o fundo da imagem e reconhecer seu potencial significativo.

Na figura 2.26, se o espaço azul (o vazio) fosse diminuído, a sensação de liberdade poderia se transformar em claustrofóbica, e na figura 2.27, o vazio é justamente o que está em destaque, falta o design do carro.

— Até aqui você estudou a forma que estrutura cada imagem. Seguindo nosso roteiro, no passo 2, o convite é observar que cada elemento gráfico tem significado e gera sensações: uma linha curva pode dar a ideia de coisas cíclicas, uma linha inclinada pode provocar percepção de movimento.

2. Elementos básicos de comunicação visual

Além da estrutura básica da imagem, podemos decifrar os elementos individualmente observando as cores, as fontes que foram escolhidas, como foram alinhadas, como foram organizados os grupos de informações, as luzes, o estilo de linha, as texturas, as perspectivas, os tamanhos relativos e como esses elementos se relacionam no todo. Isto pode ser bastante amplo. Quanto mais aprofundamos o olhar mais apreendemos da imagem.

Pode parecer que estamos falando de obviedades, que um triângulo qualquer é apenas um triângulo qualquer. Mas, por exemplo, o livro El triángulo, de Bruno Munari, tem 100 páginas ilustradas apenas sobre usos de triângulos eqüiláteros.

O elemento mais básico da comunicação visual é o ponto: um ponto em movimento faz uma linha, a linha em movimento faz uma superfície, uma superfície em movimento faz um volume, que em movimento é o tempo, o tempo em movimento... não percebemos. Apesar da física quântica nos indicar que o tempo não é linear, inclui vazios, retornos, saltos, não temos esta sensação. Nossa percepção é limitada pelo tempo e o espaço. Outros elementos básicos são as cores, texturas, profundidades, luzes, os tamanhos relativos.

O ponto

O ponto é o mínimo, mas fortemente atrativo. É uma marcação precisa. Pode ser significativo justamente por ser pontual em um espaço livre, é em relação ao vazio que a pintinha da figura. 2.28 ganha total importância. Mas o ponto também pode ser o preenchimento de tudo.

5 A linha

A linha pode ser o contorno das figuras no desenho, é o mais comum. Mas também pode ser usada de outras formas interessantes. Ela é inquieta, pode ser esboço, escrita, pode ser delicada, ondulada, nítida, grosseira.
Na produção de imagens, explorar diferentes possibilidades da linha, pode enriquecer muito o trabalho. Veja alguns exemplos em que a linha não foi usada para definir o contorno, mas se constitui na própria forma.

6 Planura e profundidade

Outro elemento da linguagem visual é a profundidade. Mesmo que a imagem apresente perspectiva, ela está colocada em um plano. A ideia de profundidade pode ser transmitida por diferenças de tamanho (o que é menor parece mais distante), sobreposição de imagens (o que está atrás está mais distante), diferenças de tonalidades (o que está longe nos aparece desbotado, azulado) e pelas sombras.
Estudos indicam que nossa visão é bidimensional a cada instante, nossos movimentos e o que conhecemos do mundo é que nos fazem perceber dinamicamente como as coisas se distribuem espacialmente. Em lugares com grandes extensões cobertas de neve podemos ter dificuldade de identificar a distância em que se encontra um objeto, já que não temos outras referências espaciais para estabelecer comparações. Mas podemos aprender a ver mais. Em lugares, por exemplo, onde o branco predomina, não somos capazes de perceber nuances que os moradores da região identificam. É comum que eles reconheçam perigos, como buracos sob a neve, apenas pelas variações dos tons de branco, que para nós são imperceptíveis.
Fechar um olho e afastar um pouco a imagem nos ajuda a perceber melhor a organização no plano. Este era um gesto muito comum de quem trabalhava com composição antes do computador. Mesmo que a imagem seja percebida em profundidade, também é importante observar sua composição no plano, esquecendo seu conteúdo e observando bem a distribuição das figuras, a mancha gráfica em relação ao fundo. Tratar essas sutilezas no trabalho gráfico pode nos ajudar a transmitir as sensações que pretendemos.

Textura

A textura pode ser a solução de um trabalho gráfico. Nem precisamos de muitas palavras para chamar a atenção para suas potencialidades. O contraste da pele do homem com a do bebê nas páginas da revista (figura 2.35) ou a lixa no lugar do papel higiênico (figura 2.36) são bons exemplos.

7 Cores

A cor também é um elemento da linguagem visual fundamental. Seus significados podem ser estudados considerando três aspectos:
a) os aspectos físicos - referem-se a qualidade luminosa e as sensações que provocam;
b) os efeitos psicológicos - a cor influencia a temperatura, o tamanho, o peso das coisas; e
c) os aspectos simbólicos e culturais - a cor pode ser usada como informação, como conteúdo significativo.
Estes aspectos não são isolados. Uma característica física da luz pode estar relacionada com um efeito psicológico que acaba gerando um significado para a cor. Mas, para facilitar o estudo, vamos observar como acontece a percepção visual, para depois estudar os efeitos psicodinâmicos da cor e, por fim, tentar compreender como acontece a construção de seus significados na cultura.

Os aspectos físicos

Veja que coisa incrível é o processo de percepção das cores! Primeiro, temos os fenômenos da luz, que é uma onda eletromagnética; cada cor tem um comprimento de onda diferente.
Dá para dizer que o melão é realmente amarelo?
No olho ocorrem processos óticos através das lentes (naturais como o cristalino e a pupila, ou com auxílio de óculos ou lentes de contato), que conduzem os raios luminosos até a retina no fundo do olho, onde se forma uma imagem invertida.
Aí ocorrem os processos químicos, onde se formam substâncias que estimulam algumas células e estas, por meio das sinapses, enviam as informações para o cérebro. O mais complexo e desconhecido é ainda o que acontece no cérebro.
Ao observar o espectro das ondas luminosas, vamos notar que a parte visível é bem pequena, vai do violeta com o menor comprimento de onda ao vermelho, que tem o maior. Mas temos também os raios ultravioletas, os infra-vermelhos, as ondas de rádio, que não são visíveis para nós.
O vermelho é o máximo que se pode ver! Ou seja, o maior comprimento de onda visível. Será que este fato tem relação com o vermelho muitas vezes simbolizar violência, energia, perigo, situação-limite?

Os efeitos psicológicos da cor

A cor influencia a temperatura, o tamanho, a forma, o peso das coisas, por isto, pode ser usada de forma funcional para provocar sensações específicas, como diminuir a sensação de peso de um objeto, diminuir a temperatura de um ambiente, aumentar um espaço, estimular o apetite. A psicodinâmica das cores dedica-se ao estudo das reações humanas frente às cores.
Veja algumas experiências que indicam como as cores funcionam.
* Em um estudo, foram colocados um vidro com bactérias sob luz azul, outro sob luz amarela e outro sob luz vermelha e observaram suas atividades. As bactérias que ficaram sob o efeito da luz azul depois de um tempo morreram, as que ficaram na luz vermelha continuaram vivas e as que ficaram sob a luz amarela se reproduziram mais. Interessante, não é?
* Será que isto tem relação com o azul transmitir serenidade, e o amarelo ser mais energético?
* Produtos como pães e bolachas embalados em papel azul duram menos tempo do que se a embalagem for de tons alaranjados, amarelos ou vermelhos. Eles apodrecem rápido sob o azul.
* O verde é a cor do meio do espectro. Será por isto que o verde é a cor do equilíbrio, da saúde?
* O verde é a cor complementar ao vermelho, ou seja, a cor oposta no disco cromático e que tem o contraste mais vibrante. Quando o olho se satura de muito olhar uma cor, pode provocar um efeito que nos faz ver a cor complementar. Para que isto não aconteça em uma sala de cirurgia, onde o médico pode ficar por várias horas focado no vermelho, as salas são pintadas de verde claro, cor oposta ao sangue.
* As cores provocam calor ou frio. Um estudo feito em um posto de gasolina mostrou que a evaporação nos tanques que eram vermelhos diminuiu em + ou – 3% quando esses tanques foram pintados de branco. Claro, as cores escuras absorvem muita luz! E provocam calor.
* Amir Klink contou em uma de suas palestras que navegando em lugares gelados enfrentava um problema sério porque o mastro do barco congelava. Uma vez, comendo um Diamante Negro, notou que a embalagem do chocolate não criava a crosta de gelo. Pintou o mastro de preto e não teve mais problemas com isso.
* Outro estudo interessante foi feito por um ergonomista contratado para analisar as condições de trabalho de uma empresa onde os trabalhadores que carregavam caixas estavam reclamando muito do peso, apesar de estar tudo adequado às normas para tal atividade. O resultado de sua análise do trabalho indicou que as caixas deveriam ser apenas pintadas de verde claro ao invés de marrom. E funcionou! Os empregados não mais sentiram a sensação de peso desagradável.
* Percebeu-se que em uma região de Nova Iorque as pessoas estavam sofrendo de claustrofobia e sensação de tristeza por não verem o céu graças a altura dos edifícios. A solução adotada foi pintarem os andares mais altos dos prédios de azul! Ver o céu ou o azul dá a sensação de grandeza, profundidade, e menos claustrofobia.
* Em Londres, as pessoas fazem seções de banho de luz para aliviar a sensação de depressão que acontece sazonalmente.
* A cromoterapia já é técnica aceita para diferentes funções.
* Em ambientes, os usos funcionais da cor são bastante comuns. Cores escuras para rebaixar o teto, cores claras para os ambientes parecerem maiores, etc.
* Nos produtos alimentícios, é comum a utilização de amarelos e avermelhados, por suas propriedades de atuar nos centros da fome. Também determinados tipos de rosa possuem propriedades táteis e gustativas, por isto, são bastante usados em propagandas e em embalagens de guloseimas.
Além dos aspectos físicos e psicológicos da cor, podemos também observar seus significados.

8 Os aspectos simbólicos e culturais da cor

A cor pode ser usada como informação e não apenas de forma realista.
Um excelente estudo sobre isto é a tese de Luciano Guimarães sintetizada no livro A cor como informação. Ele fez uma pesquisa sobre o uso do vermelho nas capas da VEJA ao longo de 30 anos e nos mostra como a cor é usada intencionalmente e de forma não ingênua.
Veja alguns exemplos de capas analisadas nesse estudo.
- Vimos que a estrutura de uma imagem é fundamental para a sua significação, vimos também que cada elemento constituinte nos oferece subsídios próprios para aprofundarmos o olhar. Seguindo nosso roteiro, para fazer a análise de uma imagem, devemos observar o contexto onde a imagem foi produzida, quem era o artista ou designer, que momento e que cultura lhe oportunizaram ser criada e onde ela está exposta para nossa observação.

Contexto

Nossas impressões e sensações sobre as imagens geram significados que podem ir se transformando se tivermos outras informações sobre a obra.
Para compreender e identificar como atuam as imagens, é importante considerar o contexto espacial, cultural e histórico.
Uma embalagem pode estar impregnada de significados diferentes se estiver em uma prateleira de supermercado, envolvida por milhares de outras semelhantes, ou em uma vitrine sofisticada de um shopping.
A arte, em alguns momentos, considerava o “cubo branco”, ou seja, o espaço arquitetônico todo branco, um lugar neutro, como o lugar ideal para mostrar um objeto artístico, evitando qualquer interferência no significado da obra. Atualmente, muitos trabalhos são desenvolvidos justamente para estabelecer uma comunicação com o lugar, com o contexto: site specific. São também comuns as “residências de artistas”, ou intercâmbios, em que são desenvolvidos trabalhos de arte em contextos diferentes e especificamente para esses contextos.
Na Bienal de 2006 em São Paulo, vários artistas de países latino americanos foram convidados para permanecerem em uma cidade brasileira por um período de dois meses antes da exposição a fim de desenvolverem seus trabalhos para o evento.
E também, uma imagem tem um significado diferente se soubermos que ela foi produzida nos anos 1960 ou em 2010.

Impressões pessoais

A ação do espectador é também determinante na significação de uma imagem. Tendemos a organizar as coisas em unidades coerentes e percebemos melhor determinadas formas de acordo com o significado pretendido.
Um arquiteto ao olhar uma imagem poderia identificar o período histórico pelas características estilísticas dos prédios, outros nem notariam que esses detalhes existem, perceberiam os trajes, a situação, etc. A percepção não é algo estático, percebe-se as coisas na sua relação com as outras, com nossos conhecimentos, desejos e estados de espírito.
A gestalt, teoria que estuda a forma e a nossa estrutura mental e psicológica para percebê-la, mostra que percebemos o todo de forma diferente da soma de suas partes. Percebemos o todo com mais facilidade porque ele geralmente é mais significativo do que as partes isoladas. Dois ou três risquinhos, por exemplo, já servem para associarmos com um rosto e notarmos, mesmo com pouquíssimos detalhes, as expressões de alegria, tristeza, medo.
Estudos da Psicologia sobre percepção visual também foram aplicados em diferentes linhas de terapia. Muitas vezes, o foco de nossa atenção é tão concentrado em um aspecto do mundo que desconsideramos o mundo. Perceber melhor as coisas e nossa existência entre elas é uma experiência que pode ser ampliada.
— Não podemos aprofundar aqui, em uma introdução rápida, as questões da Psicologia da forma, mas certamente é um instigante tema para investigação e têm ampla bibliografia. Observe as indicações no Saiba Mais desta unidade.
Sugerimos que vocês apreciem e avaliem o que vêem com espontaneidade. E que coloquem as questões que surgirem para discussão com o grupo. Esta é a oportunidade mais rica deste estudo. Valorizem a dúvida. Aqui, problematizar pode ser mais importante do que explicar.
Vamos agora utilizar esses conhecimentos sobre a imagem para estudar um pouco da História da Arte.

9 A arte antiga

É importante olhar as formas procurando evitar o pré-conceito de que o mais antigo é o menos evoluído. Com o passar do tempo, algumas coisas evoluem, outras regridem, outras surgem de repente, outras dão saltos qualitativos e mudam tudo que atingem.

A arte é produzida a partir de perguntas que o homem se faz com relação à experiência humana, à existência. Se essas questões continuam sendo feitas, talvez ainda tenhamos algo a aprender com nossos mais distantes antepassados.

A arte pré-histórica é forte e misteriosa para nós. Essa curiosidade sobre as nossas raízes, a origem do humano, é ainda, ou talvez mais ainda, uma questão presente. Por isto, busca-se conhecer essa arte investigando seus vestígios. Mas o que a arte representava para os povos que a produziram e o significado que adquirem para nós hoje podem ser muito diferentes. Certamente, os homens que viveram nas cavernas 15.000 anos a.C. tinham motivações para o fazer artístico diferentes das nossas. A Antropologia busca entender o que essas imagens revelam de seus significados originais, mas é impossível ser conclusivo. Muitas teorias são desenvolvidas.

A ideia utilitarista de que tudo se explica pela busca da sobrevivência pode ser questionada por indícios de que as necessidades de compartilhar experiências estéticas foram muito determinantes na origem da humanidade e nas transformações sociais.

Supõe-se, sobre a origem das cidades, que os primeiros pontos fixos de encontro dos homens eram locais de culto aos mortos e de celebrações. Supõe-se também, sobre a origem da linguagem e da comunicação, que o primeiro som emitido pelo homem foi um grito de emoção e não um pedido utilitário.

Observando a figura 2.40, talvez não se consiga imaginar que essas pinturas são gigantescas. E ficam em lugares muito profundos das cavernas, onde não chega luz, com acesso por corredores às vezes baixos e estreitos. Eram feitas nos tetos, e por isto não são facilmente percebidas por quem entra na gruta.

A partir dos vestígios dessas civilizações, fazem-se deduções e teorizações. Supõe-se, por exemplo, que o artista tenha sido um dos primeiros homens a ter uma atividade diferenciada no grupo, sendo poupado de caçar, porque a atividade artística devia ser muito difícil e exigente, tanto em dedicação como em habilidades. Encontram-se também, comumente, marcas de flechadas nas imagens de animais e supõe-se que nossos antepassados tinham uma relação mágica com as figuras, exercitavam a captura do animal e acreditavam no poder dessa representação.

Algumas civilizações pré-históricas e antigas desenvolveram estilos artísticos naturalistas, que procuram imitar as formas das coisas naturais, e desenvolveram trabalhos de grande beleza e realismo. Mas quase toda a arte da Antiguidade não é naturalista, e sim bastante simbólica.

Podemos apreciar uma obra egípcia e admirar sua beleza. Mas o que eles pensavam sobre arte? E o que reconhecemos como arte nas obras antigas?

É possível, pessoalmente, inventar arte com essas formas. Mas se não soubermos que o chacal estilizado é para os egípcios o deus Anúbis, que conduz os mortos, que as figuras mais geometrizadas, maiores e menos naturais eram as mais importantes e que a beleza dessas esculturas não era sequer para ser contemplada, já que seriam enterradas com os mortos, não estaremos falando de arte egípcia, mas do que essas imagens significam para nós. São os símbolos que determinavam a linguagem visual das obras para os egípcios antigos.

Durante longo período, que vai até o final da Idade Média, a arte não mudou muito. Mas uma civilização se diferenciou e se destacou na Antiguidade, a cultura greco-micênica. É interessante saber que Atenas tinha apenas 30.000 habitantes, mas discutiram intensamente seus valores, sua organização política, sua arte e nos influenciaram profundamente.

Foram eles que iniciaram a discussão estética. Buscavam uma beleza perfeita, portanto irreal, ideal. Ainda hoje o belo idealizado dos gregos se confunde com a ideia de arte, de estético, apesar de a arte já ter adotado muitos outros caminhos. A distribuição simétrica ou o equilíbrio preciso das formas, que busca enfatizar o elemento central, ainda são muito usados para transmitir seriedade, tradição, organização.

Os romanos, quando expandiram seu império, foram os primeiros a se apropriarem da arte grega. Reproduziram várias obras, as principais imagens que conhecemos da arte grega são cópias romanas, mas também usaram esse conhecimento para outras funções, como contar suas vitórias, narrar as façanhas da guerra e expressar seu modo vigoroso e prático de vida.

Com a queda do Império Romano, a arte clássica desaparece. Na Idade Média, os principais objetivos da arte eram ensinamentos religiosos.

A Idade Média produziu uma arte cheia de convenções. Os artistas eram artesões, usavam suas competências para executar formas que seguiam regras com perfeição, a arte era uma técnica.

Foi um período longo, de aproximadamente mil anos. Produziram-se ilustrações em manuscritos, vitrais, mosaicos, esculturas e objetos ourivesaria de grande beleza. A arquitetura românica e o estilo gótico foram importantes. Mesmo assim, esse período foi chamado de Idade Média, ou seja, entre dois momentos de valorização da arte clássica.

No final desse período, mais uma vez a arte grega é retomada, mas é agora revitalizada pelos estudos da perspectiva e da anatomia. Com o desenvolvimento científico e a Reforma Protestante, que diminuiu o domínio da igreja, o interesse se volta do sobrenatural para o natural, de uma cultura religiosa para uma cultura humanista. O entusiasmo por um estilo mais antigo se justifica porque eles acreditavam que a ciência, o saber e a arte tinham sido destruídos pelos bárbaros na Idade das Trevas, e que era importante revigorar o conhecimento desses períodos gloriosos, não para imitá-los, mas para fazer ainda melhor.

— Na próxima seção, você vai estudar um pouco sobre a forma clássica, no seu renascimento no século XV, após a Idade Média.

10 Clássico e Barroco

É interessante estudar as imagens em relação às emoções que elas provocam ou em relação à sociedade que lhes produziu e valorizou, ou ainda em relação aos seus significados, à concepção do artista. Todas essas informações são pertinentes e paralelas, mas nesta unidade priorizaremos uma abordagem formalista para aprofundar mais nosso estudo sobre a linguagem visual.

Nesta seção, você vai conhecer uma comparação entre o estilo Clássico dos gregos e romanos - que foi revitalizado no Renascimento (século XV e século XVI) - com o estilo que se segue, o Barroco (século XVII e século XVIII).

Henrich Wolflin é um importante historiador desse período da História, ele mostra como os fundamentos de ordem visual são diferentes nos séculos XV e no XVII e, em função disto, as imagens clássicas e barrocas também são. Wolflin não descarta que a cultura é determinante sobre o que vemos e o que produzimos, mas nem sempre o que se pretendeu expressar estava de acordo com os meios e conhecimentos disponíveis. Por isto, conhecer esses requisitos da época é revelador. No Renascimento, os artistas estudaram a perspectiva; no Período Barroco, este conhecimento já estava solidificado e poderia ser ultrapassado por novas formas.

Wolfflin apresenta cinco pares de conceitos que explicitam as diferenças do Clássico e do Barroco:

* o Clássico é linear, o Barroco é pictórico;

* o Clássico usa perspectiva em planos, o Barroco explora a profundidade e conduz o olhar;

* o Clássico usa formas fechadas, o Barroco, formas que se abrem para fora do quadro;

* o Clássico prioriza os detalhes, o Barroco, o conjunto;

* o Clássico busca a clareza, o barroco explora contrastes de sombras e luzes.

É interessante conhecer um pouco mais sobre as características desses estilos, porque são recorrentes em diversos movimentos artísticos subsequentes.

Linear e pictórico - Os clássicos representavam principalmente a figura em destaque do fundo e valorizavam o contorno em cada detalhe.

Veja, por exemplo, no vestido da figura 2.47, cada rendinha é desenhada com todos os detalhes, linearmente. Não vemos assim, percebemos rapidamente, e antes o conjunto do que o detalhe. Os barrocos exploravam essa característica da visão e tornavam a imagem mais dramática e vital, como na obra da figura 2.48.

Plano e profundidade

A profundidade nos clássicos tende a apresentar planos destacados e sobrepostos. Veja como nas figuras 2.49 e 2.50 temos várias camadas de objetos e pessoas.

No Barroco (figura 2.51) as coisas se misturam, a profundidade e as linhas diagonais ganham ênfase.

Forma fechada e forma aberta

A imagem barroca lembra anjos que voam para o céu aberto acima da imagem. A imagem clássica é centrada, apresenta-se inteira e visível. Veja que enquanto na figura 2.52 o enquadramento é planejado, centrado, na figura 2.53 é uma tomada espontânea do olhar, nem tudo cabe na imagem, algumas coisas ficam cortadas, algumas chamam a atenção e direcionam o olhar, a imagem barroca é dinâmica, instantânea.

Pluralidade e unidade

A imagem clássica trata cada detalhe separadamente e detalhadamente; o Barroco enfatiza o todo e suprime o detalhe.

Clareza absoluta e relativa do objeto

A imagem clássica precisa mostrar todos os detalhes e mantém a clareza; o Barroco envolve o todo em uma iluminação que revela algumas coisas e obscurece outras.

A imagem clássica é desenhada, as formas são fechadas sobre si mesmas e destacadas umas das outras, são organizadas em planos e o foco é central, pretende a clareza. Considera-se que tais características estão em acordo com a sociedade renascentista, com o pensamento humanista, com a valorização das ciências, que se manifesta também nas artes com o estudo da Matemática, da Anatomia, com uma ideia de mundo que coloca na mão dos homens seus destinos. Valoriza a Ciência.

O Barroco é associado à contra-reforma da Igreja e à tentativa de emocionar e converter, o que estaria de acordo com a dramaticidade e a abertura para o infinito, características típicas da arte barroca.

O Barroco se dissemina e adquire diferentes formas de expressão em cada lugar. No Brasil, por exemplo, o barroco colonial é peculiar. Conhecem as obras de Aleijadinho?

Esses dois períodos da História da Arte foram amplamente estudados por diferentes abordagens históricas, pela crítica, pela Filosofia, e oferece vasta bibliografia.

11 Síntese

Nesta unidade, você estudou sobre os elementos básicos da linguagem visual: o ponto, a linha, o plano, a profundidade, a textura, as cores, e percebeu que qualquer aspecto gráfico é significativo, mesmo o vazio.
Não se poder mudar uma fonte, uma cor, uma forma sem mudar o significado da imagem. Você viu também como esses elementos se organizam na imagem. A estrutura, a técnica visual determina nossa primeira impressão, as forças de atração visual e a direção do nosso olhar. As imagens não são percebidas da mesma forma por todos e dependem de aspectos psicológicos, culturais e do contexto em que se encontram.
As manifestações artísticas de diferentes culturas tinham formas, técnicas e intenções muito diferentes umas das outras. A arte é um conceito necessariamente flexível.
Você conheceu também, ao estudar esta unidade, a comparação entre as formas clássicas e barrocas. Enquanto a imagem clássica é linear porque valoriza o contorno das formas, fechada, enquadrando e destacando o conteúdo principal, usa profundidade em camadas de planos, reproduz cada detalhe e busca a clareza das formas, a imagem barroca usa formas abertas, que conduzem o olhar para fora do quadro, não desenha cada detalhe porque o conjunto é mais importante, valoriza as diagonais, a profundidade, os contrastes de claro e escuro. Na imagem barroca nem tudo é completamente visível, algumas coisas se misturam com as sombras.

12 Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, você poderá pesquisar os seguintes livros:
* ADRIAN, Frutiger. Sinais & símbolos: desenho, projeto e significado. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
* ARNHEIM, Rudolf. Arte & percepção visual: uma psicologia da visão criadora. São Paulo: Pioneira, 1998.
* AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas: Papirus, 2002.
* DONDIS, A. Donis. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
* GOMES Filho, João. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. São Paulo: Escrituras, 2003.
* HURLBURT, Allen. Layout: o design da página impressa. São Paulo: Nobel, 1999.