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Redação Oficial
1 A comunicação humana:
O homem utiliza a linguagem para comunicar-se. Ela, além de propiciar o progresso (já que o ser humano, através da linguagem, pode codificar e armazenar suas experiências e descobertas para transmiti-las a outras gerações), é um fator de interação e coesão social.
A linguagem pode ser verbal (o código linguístico) e não verbal (todos os outros códigos: icônico, gestual, cromático, etc.). As características inerentes à linguagem verbal são:
- O dialogismo: a linguagem sempre remete a algo já dito e dirige-se a alguém, ela só é viva porque é orientada para o outro com o qual entra em interação;
- A argumentatividade: Através da linguagem, o enunciador (emissor) imprime, por meio de palavras, uma direção argumentativa a seu texto, indicando como o enunciatário (receptor) deve/pode entendê-lo.
A comunicação é um processo que exige determinados fatores, elementos mínimos para poder realizar-se. No quadro a seguir, você verá o esquema clássico proposto pelo linguista Roman Jakobson:
Analisemos esses fatores:
- Emissor: Você. A partir de uma situação de comunicação, caberá a você escolher, entre as possibilidades que os códigos colocam à sua disposição, os enunciados que melhor se ajustem aos seus próprios interacionais;
- Receptor: Seu leitor. O destinatário vê, ouve, lê etc., traduz os códigos (decodifica), entende e interpreta. É importante enfatizar que é o leitor que vai determinar a escolher de palavras e todos os outros recursos de organização da mensagem que você vai utilizar, pois uma dar características fundamentais da linguagem é o dialogismo, a interação;
- Referente: Assunto sobre o qual você vai falar/escrever;
- Mensagem: Ou texto é a manifestação comunicativa, concretizada por alguma materialidade (grafia, som, imagem, gestos...). Ela é produzida por alguém, em uma situação concreta (contexto), com alguma finalidade;
- Código: É uma convenção, um contrato, que controla a relação entre aquilo que se pode perceber através dos sentidos (significante) e seu significado. Essa relação entre o plano da expressão (significante) e o plano do conteúdo (significado) constitui uma unidade abstrata a que se dá o nome de signo (no ato de linguagem, será concretizado por alguma materialidade visual, sonora, tátil...). É a partir do código que um estímulo físico qualquer pode virar signo. É importante enfatizar que o código que o comunicador social vai usar é a Língua Portuguesa, a qual deve dominar em todas as suas variantes;
- Canal (meio, veículo ou mídia): É o meio físico que transporta a mensagem e possibilita o contato entre o emissor e o destinatário da mensagem. Há dois tipos de canal – natural e tecnológico –, que, quando necessário, complementam-se (isso ocorre sobretudo na publicidade e em textos de RTV). Assim, podemos aumentar a abrangência do canal natural, com o auxílio de um canal tecnológico. A televisão, por exemplo, é um meio, canal ou veículo tecnológico, pelo qual podemos ver e ouvir o mundo todo, o que a nossa visão e audição (canais naturais) não permitem. Os canais tecnológicos (telefone, internet, rádio, impressões etc.) são chamados pelos especialistas em comunicação de mídias. Quando a comunicação é realizada somente com o canal natural (ar), ela é denominada comunicação direta. A comunicação realizada com o auxilio da mídia (canal tecnológico) é denominada comunicação indireta.
2 Funções da Linguagem:
Segundo o linguista russo Roman Jakobson, em toda comunicação há uma intenção predominante por parte do emissor da mensagem. Esse objetivo do emissor faz com que, nas mensagens, cada fator, que corresponde a uma das funções da linguagem, esteja mais enfatizado do que outros (a questão é de hierarquização das funções e não de exclusão). Assim:
- O remetente informa de modo objetivo ↣ função denotativa ou referencial ↣ ênfase no contexto. Ex.: bula de remédio, manual de instrução, notícia de jornal.
- O remetente trata de seus sentimentos, emoções ↣ função emotiva ↣ ênfase no emissor. Ex.: músicas românticas, poesia lírica (gênero de poesia em que o poeta canta suas emoções e sentimentos íntimos).
- O remetente quer influenciar o comportamento do destinatário ↣ função conativa ↣ ênfase no destinatário/receptor. Ex.: publicidade.
- O emissor quer explicar alguma palavra que faz parte da mensagem, isto é, usa o código para falar do próprio código ↣ função metalinguística ↣ ênfase no código. Ex.: dicionário.
- O remetente testa se o destinatário está recebendo bem a mensagem ↣ função fática ↣ ênfase no contato/canal de comunicação. Ex.: a conversa de elevador.
- ) O remetente preocupa-se com a elaboração da forma da mensagem ↣ função poética ↣ ênfase na mensagem. Trata-se de um trabalho com a linguagem. Ex.: metáforas, aliterações, rimas, ritmo etc.
Lembre-se de que essas funções dificilmente aparecem sozinhas nos textos. Na maioria das vezes, ocorre uma hierarquização de funções. Veja nos exemplos a seguir.
Exemplos:
Função referencial – uma notícia do jornal.
Tiradentes rendeu pensão especial para sete trinetos. Criada na ditadura militar, aposentadoria especial já foi paga a sete trinetos do mártir da Inconfidência, enforcado há 219 anos. Uma das descendentes recebeu o benefício por 18 anos.
Função emotiva – qualquer texto em que sentimentos, emoções, opiniões do receptor sejam enfatizados:
Amor, então,
Também acaba?
Não que eu saiba
O que eu sei
É que se transforma
Numa matéria-prima
Que a vida se encarrega
De transformar em raiva
Ou em rima
(Paulo Leminski, Caprichos e Relaxos)
Função conativa ou apelativa – procura convencer o receptor, o uso do modo imperativo, na maioria das vezes, prevalece:
“A Stella Barros está lançando uma novidade on ice: os novos programas para as mais incríveis estações de esqui dos EUA. São várias opções para a próxima temporada de inverno: Aspen, Vail e Park City. E em todos os programas você e sua família contam com uma infraestrutura completa, que inclui hoteis, restaurantes, instrutores, equipamentos e transporte.” (Vip, nov. 95)
Função metalinguística: utiliza o código (seja ele qual for) para “falar” do próprio código:
“Quadrinhos: s.m.pl. Narração de uma história por meio de desenhos e legendas dispostos numa série de quadros; história em quadrinhos.” (Minidicionário Luft. 9ª ed. São Paulo: Ática/Scipione, s.d. p. 511.)
Função fática – predomínio das mensagens que têm por objetivo principal não a transmissão de informações, mas o prolongamento da comunicação ou sua interrupção, para atrair a atenção do destinatário ou verificar sua atenção:
Alô! Alô!, marciano
Aqui quem fala é da Terra...
(Rita Lee)
Função poética – caracteriza-se pelo trabalho com a linguagem:
Quem as suas mágoas canta,
Quando acaso as canta bem
Não canta só suas mágoas,
Canta a de todos também.
(Mário Quintana)
As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão (...)
(Guimarães Rosa)
Em todo esse processo de comunicação, o contexto é de fundamental importância, pois, dependendo dele, um mesmo enunciado pode adquirir significados diferentes. Observe a oração A porta está aberta nas seguintes situações:
- diz a moça num dia de calor: A porta está aberta e, por ela, entra uma brisa fresca. O conteúdo da mensagem indica, simplesmente, que a porta está aberta;
- o barulho do corredor é muito intenso e o professor, incomodado com a situação, queixa-se a um aluno que está perto da porta: A porta está aberta. Sua intenção não é constatar que a porta está aberta, mas pedir ao aluno que a feche;
- um aluno está brigando com o professor e diz-lhe que não suporta mais sua aula. O professor responde: A porta está aberta, ou seja, Pode sair;
- um empregado de uma empresa recebe uma proposta para trabalhar num outro lugar, com um salário melhor e possibilidade de ascensão na carreira. Seu empregador lhe diz que está feliz com essa perspectiva; mas, se algo não correr bem no próximo emprego, A porta está aberta, ou seja, ele poderá voltar.
É por isso que se diz que, na comunicação, é preciso sempre levar em consideração o contexto e reconhecer a intenção de quem produz a mensagem. Assim, nas frases acima, o leitor deve perceber a força elocutória (a intenção), para que a interação se estabeleça.
A linguagem também trabalha (e muito) com implícitos, espécie de passageiros clandestinos, que agem sub-repticiamente3 , daí a necessidade de saber ler as lacunas. Os implícitos podem ser de duas naturezas:
- pressupostos: mensagens cuja inferência é automática. Em Paulo deixou de fumar, a inferência é que ele fumava antes, pois o verbo parar autoriza essa leitura. Ou Jean nasceu na França, mas é bem-humorado. O mas pressupõe que quem nasce na França é mal-humorado. Há sempre na frase um elemento linguístico que permite a pressuposição.
- subentendidos: mensagem que “transfere” ao emissor a responsabilidade de atribuir determinado sentido ao texto. É o caso da ironia, em que é difícil provar que o emissor quis dizer tal coisa, isto é, muitas vezes não se pode provar, com apoio no texto, a intenção do emissor. Para sua leitura, o receptor deve conhecer o contexto. Por exemplo, no ano de 2004, uma escola de idiomas em sua publicidade veiculou esta frase em cartazes:
3 O Signo Linguístico:
O signo, aquilo que representa algo para alguém, compõe-se de um elemento material, perceptível – o significante – e um elemento conceitual, não perceptível, conceitual – o significado. Entre significante e significado se estabelece uma relação arbitrária proveniente de um acordo implícito ou explícito entre os usuários de uma mesma língua, assim essa relação é convencional, arbitrária e aprendida.
Trabalho com o significante
Seu trabalho, agora, é “escrever/desenhar” palavras, fazendo com que a relação significante/significado não seja mais arbitrária, mas motivada.
Primeiramente, você vai trabalhar denotativamente e, em seguida, produzirá metáforas visuais.
4 Texto Literário X Texto não literário:
Texto 1:
“Fotossíntese – Da ação da luz sobre os vegetais verdes depende o mais importante de todos os fenômenos vitais, a fotossíntese, à qual estão direta ou indiretamente escravizados todos os seres vivos. Exteriormente, a fotossíntese se manifesta pela troca de gases entre o vegetal e a atmosfera: o vegetal absorve CO2 e elimina oxigênio. Duas condições são necessárias para que o fenômeno se realize: uma é a presença de clorofila; outra, a presença de luz. O papel da clorofila consiste em absorver uma parte das radiações solares, cuja energia é então aproveitada para reações químicas no interior da planta. Nessa função, as radiações vermelhas são as mais eficazes, vindo depois o alaranjado, o amarelo, e, na outra extremidade do espectro, o violeta. Na faixa correspondente ao verde, o fenômeno é quase nulo. O mais importante, porém, é que, graças à energia solar absorvida, a planta verde decompõe o CO2 em seus elementos (carbono e oxigênio), devolve o oxigênio à atmosfera, e, unindo o carbono aos materiais da seiva, fabrica substância orgânica. Esta síntese, efetuada sob a ação da luz, é que justifica a denominação de fotossíntese dada ao fenômeno. (ALMEIDA Jr., A. Biologia Educacional. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1965. p. 201.)
Texto 2:
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça, em vida, em força, em luz
Céu azul que vem
Até onde os pés tocam a terra
E a terra inspira e exala seus azuis
Reza, reza o rio
Córrego pro rio e o rio pro mar
Reza a correnteza, roça a beira, doura a areia
Marcha o homem sobre o chão
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza
A coisa mais querida, a glória da vida.
(Caetano Veloso, Luz do Sol. In: Meu bem, meu mal. LP Fontana 826162-1. 1985. L.2, f.1.)
Como você percebeu, o tema do primeiro texto e do segundo (na parte destacada) é o mesmo: a fotossíntese. Mas, por suas intenções e características, cada um deles pode ser classificado como não literário e literário, respectivamente. Vejamos por quê. No primeiro texto predomina a função referencial. O objetivo do autor é, pura e simplesmente, informar de maneira precisa e objetiva. Para atingir essa meta, ele utilizou a denotação, isto é, valeu-se do sentido próprio ou referencial da palavra. Privilegiou, portanto, o significado, seu valor utilitário, ou seja, o plano do conteúdo. Por isso, pode-se fazer um resumo das ideias do texto e apreender o essencial da informação. O plano da expressão (exploração dos recursos do significante) não é trabalhado nesse texto, isto é, a linguagem é transparente, só veicula conteúdos. Como consequência o texto é univalente: apresenta uma única interpretação.
No segundo texto, ao contrário, predomina a função poética, pois a organização da mensagem privilegia a própria mensagem, o plano da expressão, o trabalho com a parte concreta do signo (significante): o que se destaca é o trabalho com a linguagem. A predominância no texto de Caetano é da linguagem em função estética, conotativa, que permite o aparecimento de um sentido figurado. Observe o uso conotativo, metafórico, dos verbos tragar e traduzir: houve uma associação por similaridade, em outras palavras, associou-se o ato de fumar e de tragar à ação do vegetal absorvendo a luz e, em seguida, transformando essa luz em substância orgânica. Ou, nas palavras do autor, traduzindo uma informação em outra.
Além dessa utilização de metáforas, percebe-se na seleção desses verbos o trabalho com o significante: a repetição dos fonemas tr (traga e traduz) e a enumeração em verde novo, em folha, em graça, em vida, em força, em luz.
Essas observações referem-se somente à parte destacada do texto, mas, no restante, a presença do trabalho no nível da mensagem repete-se. Na segunda estrofe, a repetição do fonema r sugere o movimento das águas e, na terceira estrofe, o uso de metáforas (ferida acesa, dono do sim e do não) indica o trabalho com uma linguagem subjetiva. É o domínio da conotação, da interpretação afetiva, do sentido figurado, metafórico. Neste exemplo, vemos claramente como, ao plano do conteúdo, superpõe-se o plano da expressão, resultando daí a plurissignificância do texto.
É importante aqui fazer uma distinção de muita relevância: se o texto não literário é passível de ser resumido porque tem uma função utilitária (informar), porque trabalha basicamente o plano do conteúdo, o mesmo não acontece com o texto literário. Resumir o texto literário é perder o essencial. No ato de resumir pode-se saber o enredo da história, mas perdem-se as sabedorias e minúcias do estilo.
Esquematizando o que foi dito, teremos predominantemente:
O texto não literário:
Textos não literários privilegiam a função referencial, portanto concisão, objetividade, clareza, coerência e adequação ao nível hierárquico do destinatário são suas principais características.
- Concisão: expressar o máximo de informações com o mínimo necessário de palavras.
- Objetividade: para que o texto seja objetivo, é preciso determinar com precisão quais são as informações realmente relevantes que dele devem constar.
- Clareza: para que o texto seja claro, deve estar conceitualmente bem organizado e redigido em bom português.
- Coerência: para que o texto seja coerente, deve ter nexo, lógica, isto é, deve apresentar harmonia entre situações, acontecimentos ou ideias.
- Linguagem formal: respeitar as normas gramaticais. O grau de formalidade, maior ou menor, deverá ser adequado à posição hierárquica do destinatário.
5 Modalidades e Variedades Linguísticas:
Modalidades Linguísticas:
O português, como qualquer outra língua, tem uma modalidade oral e uma modalidade escrita. Trata-se, praticamente, de duas línguas com gramáticas diferentes, o que não impede que certos textos escritos apresentem traços de oralidade ou que determinadas realizações orais se pautem pela gramática normativa a qual rege, na maioria das vezes, a modalidade escrita. Exemplos disso são o radio jornal e o telejornal que, apesar de falados, têm como base um texto escrito, que tenta aproximar-se da linguagem oral.
A modalidade oral pressupõe o contato direto entre os falantes, o que a torna mais concreta e econômica (porque os elementos a que se refere estão presentes na situação do diálogo e porque gestos e olhares desempenham, ao lado da linguagem verbal, um papel importante). Existe ainda na modalidade oral um jogo de cadências e pausas que dá o ritmo à fala e auxilia na decodificação de mensagem. Essa modalidade caracteriza-se pela fragmentação (hesitações, repetições, correções, truncamentos), pela presença de marcadores conversacionais (né, então, daí, entendeu?) e pelo envolvimento devido à alta taxa de feedback. Constituída por jatos cujo comprimento é de aproximadamente sete palavras (quantidade de informação que o falante consegue controlar na memória), conhecidos como chunks, a modalidade oral prefere a coordenação (situação em que as unidades de pensamento são independentes).
Ao contrário da modalidade oral, a escrita é um ato de produção solitário, lento, planejado, que possibilita alterações, ou seja, ela é editável. A modalidade escrita caracteriza-se pela integração e pelo distanciamento, preferindo a subordinação. Nesta modalidade, o jogo de cadências e pausas deve ser recriado pela pontuação e pelos caracteres gráficos (maiúsculas, negrito, itálico, etc.). Como tem de recuperar todos esses elementos, a modalidade escrita resulta menos econômica, mas mais precisa que a oral.
6 Variações Linguísticas:
Em nossa sociedade (como aliás em qualquer outra), existe uma pluralidade de discursos, ou seja, nossa língua não é homogênea: os brasileiros não se expressam todos da mesma forma, apesar de todos falarem português. Cada um de nós – segundo o nível de instrução, idade, sexo, região, situação em que ocorre a comunicação, destinatário da mensagem, etc. – usa a língua de uma determinada forma. Assim, existem variações dialetais, que ocorrem em função dos emissores, e variações de registro, que dependem dos receptores, da mensagem ou da situação.
O extinto jornal Notícias Populares (NP) de São Paulo, na edição de 11/9/2000, apresentou a seguinte manchete seguida da linha fina (explicação sucinta da manchete):
Observe que a seleção de palavras – rolo, mela, treta, comer bola – exemplifica, ao mesmo tempo, uma variante social da linguagem e uma variação de registro (tentativa de adequar-se à linguagem do receptor).
Com certeza, o mesmo fato teria outra manchete em um jornal como O Estado de S.Paulo ou Folha de S.Paulo, por exemplo, pois seu público é outro. Poderia ser algo como:
o que, certamente, seria incompreensível (ou menos legível) para o leitor do NP.
7 Variações Dialetais:
Estas variações presentes na fala ou na escrita revelam muito sobre o emissor da mensagem. É nelas que o preconceito linguístico se manifesta com maior intensidade, porque há certas variantes que desfrutam de maior prestígio social. Elas podem ser:
- territoriais ou regionais: ocorrem entre pessoas de diferentes regiões onde se fala a mesma língua e são determinadas por influências históricas, sociais, econômicas, culturais, políticas. Marcam-se sobretudo na fonética (observe como é diferente o sotaque de um carioca, de um baiano, de um mineiro) e no léxico (a mandioca do Sudeste do Brasil é chamada macaxeira no Nordeste e aipim no Sul);
- sociais: representadas pelos jargões (linguagem técnica, profissional) ou pela gíria;
- etárias: dependem da idade dos interlocutores. Observe que um jovem não fala como uma pessoa de 70 anos;
- de sexo: há palavras permitidas aos homens, mas inadmissíveis na boca de mulheres;
- de geração ou históricas: devidas à evolução do idioma, são mais percebidas na língua escrita. Caetano Veloso, na música Língua, em que trata das variantes, conseguiu com mestria sintetizar essa variação neste verso: “Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões” (Atenção que, provocativamente, o autor sugeriu uma conotação sexual ao texto escolhendo no código a palavra roçar (tocar de leve, brandamente)).
8 Variações de registro:
Estas variações representam a necessidade de o emissor adaptar-se ao seu interlocutor, à situação ou à mensagem. Assim, obras científicas ou obras literárias clássicas apresentarão um cuidado maior com a linguagem e utilizarão a norma culta, enquanto obras do Modernismo, bate-papos na Internet, revistas para jovens e adolescentes vão aproximar-se do coloquial. A situação vai também determinar o registro a ser usado: um professor não fala da mesma forma em uma palestra e num bate-papo em um barzinho ao lado de uma turma de jovens.
Em qualquer situação sociocomunicativa, o emissor deve estar atento ao grau de formalismo (representado pelo cuidado com a linguagem e pela aproximação da língua padrão e culta) e à sintonia com seu receptor – neste último item
- selecionando os recursos de expressão de acordo com o status do receptor, variando o volume de informações ou conhecimentos com o que presume que seu leitor / ouvinte tenha;
- ajustando o nível de cortesia segundo a dignidade que considera adequada a seus interlocutores (que varia da blasfêmia à obscenidade e ao eufemismo, veja como João Gordo (ex-Ratos do Porão) trata seus entrevistados);
- escolhendo o registro a ser utilizado em dado contexto, o que é considerado “bom” para determinada situação.
Assim, em função de diversos fatores, as pessoas falam “línguas diferentes”, o que levou o linguista Evanildo Bechara a dizer que devemos ser poliglotas dentro da própria língua, pois o conhecimento das variações e modalidades linguísticas facilita a eficácia da comunicação.
Podem-se delinear três principais níveis de linguagem: a linguagem culta (ou variante padrão), a linguagem familiar (ou coloquial) e a linguagem popular.
- A linguagem culta é utilizada pelas classes intelectuais da sociedade. É a variante de maior prestígio e aquela ensinada nas escolas. Sua sintaxe é mais complexa, seu vocabulário mais amplo e há, nela, maior obediência à gramática e à língua dos escritores clássicos;
- A linguagem coloquial é utilizada pelas pessoas que fazem uso de um nível menos formal, mais cotidiano. Relativamente à linguagem culta, apresenta limitação vocabular, revelando-se incapaz para a comunicação do conhecimento filosófico, científico etc. Apresenta maior liberdade de expressão, sobretudo no que se refere à gramatica normativa;
- A linguagem popular é aquela utilizada por pessoas de pouca ou nenhuma escolaridade. Esse nível raramente aparece na forma escrita e caracteriza-se como um subpadrão linguístico. Nele, o padrão é bem mais restrito, com muitas gírias, onomatopeias e formas gramaticalmente incorretas (pobrema, nóis vai, nóis fumo e não encontremo ninguém, tauba, etc.). Não há, aqui, preocupação com as regras gramaticais.
Como em comunicação a questão não é de certo ou errado, mas de adequação ao contexto sociocomunicativo, essas variações nos fazem entender e aceitar construções da linguagem publicitária decalcadas na modalidade oral, como: A empresa que você fala com o dono, em lugar da forma gramaticalmente correta: A empresa em que você fala com o dono. O slogan da Caixa Econômica Federal – Vem pra Caixa você também, vem – em lugar de Venha para a Caixa você também, venha ou de Vem para a Caixa tu também, vem, é outro exemplo dessas variações, pois opta pela mistura de tratamento tu/ você, típica do registro coloquial, para chegar mais próximo de seu público. Por outro lado, as letras das músicas de Adoniran Barbosa só são saborosas e verossímeis11 porque retratam a língua inculta falada por seus personagens.
Ao contrário, este título de outro texto publicitário publicado há cerca de 20 anos numa importante revista semanal não quer com seus erros aproximar-se de seus leitores nem procura criar nenhum efeito de sentido, ele só revela que seu autor não conseguiu adequar a mensagem nem ao seu público nem à situação: “More no Pacaembú como a 60 anos atrás”. Analisando:
- Até um corretor ortográfico do Word indicaria que Pacaembu não tem acento por se tratar de uma oxítona terminada em u;
- Como se trata de 60 anos atrás, o há deve ser assim grifado;
- E, se já se grafou o há 60 anos, o atrás é indispensável (embora, no nível coloquial as pessoas não o omitam).
Não teria sido mais fácil e conciso o redator ter escrito: “More no Pacaembu como há 60 anos”?
Assalto à Brasileira:
Assaltante mineiro "Ô sô, prestenção. Issé um assarto, uai. Levantus braçu e fiketin quié mió prucê. Esse trem na minha mão tá chein di bala... Mió passá logo os trocado que eu num to bão hoje. Vai andano, uai ! Tá esperanuquê, sô?!"
Assaltante baiano "Ô meu rei... (pausa). Isso é um assalto... (longa pausa). Levanta os braços, mas não se avexe não... (outra pausa). Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado Vai passando a grana, bem devagarinho (pausa pra pausa ) Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado (pausa maior ainda). Não esquenta, meu irmãozinho (pausa). Vou deixar teus documentos na encruzilhada."
Assaltante carioca "Aí, perdeu, mermão! Seguiiiinnte, bicho. Isso é um assalto, sacô? Passa a grana e levanta os braço rapá ... Não fica de caô que eu te passo o cerol.... Vai andando e se olhar pra trás vira presunto ..."
Assaltante paulista "Isto é um assalto! Erga os braços! Passa logo a grana, meu. Mais rápido, mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pru jogo do Curintias, meu ... Pô, agora se manda, meu, vai... vai..."
Assaltante gaúcho "O guri, ficas atento... isso é um assalto. Levanta os braços e te aquieta, tchê ! Não tentes nada e cuidado que esse facão corta uma barbariiidaaade, tchê. Passa as pilas prá cá ! Trilegal! Agora, te mandas, senão o quarenta e quatro fala."
Assaltante de Brasília "Companheiros, estou aqui no horário nobre da TV para dizer que no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas: energia, água, esgoto, gás, passagem de ônibus, imposto de renda, licenciamento de veículos, seguro obrigatório, gasolina, álcool, IPTU, IPVA, IPI, ICMS, PIS, Cofins."
9 Fatores da Textualidade:
Conceituação de Texto:
O texto é uma manifestação linguística produzida por alguém, em alguma situação concreta (contexto), com alguma intenção. Independentemente de sua extensão, o texto deve dar a sensação de completude, do contrário não será um texto
Por exemplo, alguém sai correndo de um edifício e grita: “Fogo!” Percebe-se que nessa circunstância a palavra “fogo” adquire um significado diferente de uma mera referência a um processo de combustão. A interpretação será de que há um incêndio naquele prédio e a pessoa está querendo alertar outras e, se possível, conseguir ajuda. Logo, nessa situação específica, a palavra “fogo” é um texto.
Além da noção de completude, sete fatores são responsáveis pela textualidade (conjunto de características que fazem de um texto um texto e não um amontoado de frases):
- FATORES PRAGMÁTICOS: Intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade – dizem respeito aos fatores contextuais que determinam os usos linguísticos nas situações de comunicação e contribuem para a construção do sentido do texto:
- intencionalidade: é a manifestação da intenção, do objetivo do emissor numa determinada situação sociocomunicativa;
- aceitabilidade: é a expectativa do leitor manifestar de que o texto com que se defronta seja coerente, coeso, útil, relevante:
- situacionalidade: pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre. Ela orienta tanto a produção quanto a recepção de textos;
- informatividade: diz respeito à taxa de informação do texto. Ela depende da situação, do público, das intenções;
- intertextualidade: refere-se ao diálogo entre textos. A produção e compreensão de textos dependem do conhecimento de outros textos.
Exemplificando:
Canção do exílio facilitada
lá?
ah!
sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...
cá?
bah! (José Paulo Paes)
Esse texto pode parecer um amontoado de palavras sem sentido se o leitor não perceber as intenções do autor, se não aceitá-lo como um texto coerente. Mas, para isso, ele deve ter em seu repertório a informação de que este texto refere-se a outro (dialoga com outro) do Romantismo brasileiro – Canção do exílio, de Gonçalves Dias – e dirige-se a leitores de um tempo moderno, caracterizado pela pressa, daí seu título.
- fator semântico conceitual - dele depende a coerência do texto;
- fator normal - diz respeito à coesão textual (corresponde à superfície linguística do texto).
Como você viu, um texto vai além de sua superfície linguística e pressupõe um comunicador atento a todas as suas dimensões. Em seguida, vamos tratar com maior profundidade os dois últimos fatores: o semântico conceitual e o formal.
Coerência:
A coerência é o resultado de processos cognitivos, relações de sentido, conhecimentos partilhados, condições operantes entre os usuários – emissor e destinatário – e não apenas um traço constitutivo dos textos.
Para ser coerente, um texto deve:
A realização da coerência condiciona-se à adequação entre os elementos cognitivos ativados pelas palavras e o universo de referência do texto. Veja este exemplo: Os leões subiram as montanhas geladas e puseram-se a perseguir a foca. Os esquimós os chamavam por seus nomes. As feras corriam sobre o gelo, protegendo-se com suas garras para não cair. Quando estavam prestes a alcançá-la, a foca alçou voo. (In: GUIMARÃES, Elisa. A articulação do texto. São Paulo: Ática, 1990. p. 39)
Se considerarmos o “mundo normal”, a incoerência do texto decorre da incompatibilidade entre aquilo que ele descreve e os fatos da realidade: os leões não habitam territórios gelados, os esquimós não se utilizam desses animais para caçadas, nem as focas voam. No entanto, inserido num contexto ficcional fantástico, o mesmo texto teria a coerência própria (o valor de verdade) desse tipo de contexto. Como se trata do “mundo normal”, teria de haver a consonância entre os referentes textual e externo (situacional) em que repousa a coerência.
A coerência também é representada pela organização linear das sequências e pela ordenação temporal relativa aos fatos descritos. Nas seguintes frases, só a primeira é coerente:
A menina despediu-se da mãe, disse o dia da sua volta, tomou o táxi e partiu.
A menina partiu, despediu-se da mãe, tomou o táxi e disse o dia da sua volta
Coesão:
A coesão, efeito da coerência, manifesta-se no plano linguístico e constrói-se por meio de mecanismos gramaticais e lexicais.
- Mecanismos gramaticais: o conhecimento da gramática nos auxilia a produzir textos coesos. Entre alguns dos recursos gramaticais que auxiliam a coesão estão os pronomes, conjunções, pontuação, crase, advérbios, a elipse, a concordância, a correlação entre os tempos verbais, a colocação das palavras na frase, a pontuação, etc.
- Mecanismos lexicais: a coesão lexical se dá, entre outros processos, pela reiteração, pela substituição e pela expansão lexical.
- reiteração: repetição do mesmo item lexical;
- substituição: inclui a sinonímia, a antonímia, a hiponímia e a hiperonímia e os nomes genéricos (coisa, negócio, gente, pessoa, lugar);
- expansões lexicais: trazem para o texto novas informações sobre o termo substituído, marcando também o posicionamento ideológico do enunciador, pois as palavras não são neutras, manifestam intenções. Ex.: João Paulo II esteve em Varsóvia. Na capital da Polônia, o sumo Pontífice disse que a Igreja continua a favor do celibato clerical. // João Paulo II esteve em Varsóvia. Na cidade do odioso gueto, o mais recente aliado do capitalismo disse que a Igreja continua a favor dessa excrescência que é o celibato clerical.
O texto abaixo, publicado na primeira página de um jornal de bairro da Zona Sul de São Paulo logo após os resultados do primeiro turno para eleição do prefeito da cidade, em 2000, exemplifica aspectos da coerência e coesão:
Esse texto não apresenta coerência porque não trata de um único assunto nem a informação da introdução foi desenvolvida (portanto não houve progressão semântica), houve, também, uma informação que contraria nosso conhecimento do mundo: o Muro da Vergonha ficava em Berlim (Alemanha) e não na Rússia. No plano linguístico, faltou-lhe coesão, pois a crase no àqueles não remete a nada e não há correlação entre os termos pertencem/ querem/ classe; terem sofrido/ sentem/ povo. No segundo período, terem sofrido não tem sujeito explícito, portanto o muro da vergonha é o sujeito dessa oração reduzida e o mas e o mesmo assim marcam uma relação que não existe. Conclusão: texto(?) mal-estruturado, que jamais deveria ter sido publicado.
10 Gêneros Textuais:
Gêneros são entidades sociodiscursivas altamente maleáveis, dinâmicas, plásticas que surgem, situam-se e integram-se funcionalmente nas culturas em que se desenvolvem. Os gêneros orientam tanto o autor na produção, quanto o leitor na interpretação. Dessa definição do linguista russo Bakhtin, depreende-se que:
- como estão inseridos no fluxo histórico, os gêneros modificam-se constantemente, morrem e surgem em função, por exemplo, de inovações tecnológicas. Assim, até antes de o computador ser inventado, não havia o gênero e-mail ou o gênero infografia;
- os gêneros têm uma função dentro da sociedade e representam uma grande economia, pois são reconhecidos pelos interlocutores por suas características. Por exemplo, qualquer um sabe que uma receita não é um poema, que não é um romance, que não é uma notícia de jornal, que não é um requerimento, que não é um texto publicitário e assim por diante;
- os gêneros têm três dimensões essenciais à sua caracterização: tema (conteúdo), estilo (configurações específicas das unidades de linguagem) e composição (estrutura particular do texto, relaciona-se com a finalidade extralinguística do texto: didática, publicitária, jornalística, etc.)
É importante saber que cada gênero trabalha com a tipologia textual que lhe é mais adequada, assim, por exemplo: uma notícia vai trabalhar sobretudo com a narração e a descrição; um artigo de jornal, com a argumentação; um texto publicitário, com a injunção (ordem); uma conferência, com a exposição...
11 Tipologia Textual:
Descrição:
Descrever é recriar imagens sensoriais na mente do leitor: o enunciador percebe o objeto através de seus cinco sentidos e sua imaginação criadora “traduz” em palavras o objeto com riqueza de detalhes, minuciosa e inventivamente. Observe o esquema:
Exemplos:
“A faca desce macia, cortando sem esforço o pedaço de picanha. Dourada e crocante nas bordas, tenra e úmida no centro. Você põe a carne na boca e mastiga devagar, sentindo o tempero, a maciez, a temperatura. O sumo que escorre dela enche a boca e, com ele, o sabor incomparável. Carne é bom. Mas que tal assistir à mesma cena de outra perspectiva? No prato jaz um pedaço de músculo, amputado da região pélvica de um animal bem maior que você. Com a faca, você serra os feixes musculares. A seguir, coloca o tecido morto na boca e começa a dilacerá-lo com os dentes. As fibras musculares, células comprimidas – de até 4 centímetros – e resistentes, são picadas em pedaços. Na sua boca, a água (que ocupa até 75% da célula) se espalha, carregando organelas celulares e todas as vitaminas, os minerais e a abundante gordura que tornavam o músculo capaz de realizar suas funções, inclusive a de se contrair. Sim, meu caro, por mais que você odeie pensar que a comida no seu prato tenha sido um animal um dia, você está comendo um cadáver.” (Superinteressante, abril de 2002.)
“Fui também recomendado ao Sanches. Achei-o supinamente17 antipático: cara extensa, olhos rasos, mortos, de um pardo transparente, lábios úmidos, porejando baba, meiguice viscosa de crápula18 antigo. Primeiro que fosse do coro dos anjos, no meu conceito era a derradeira das criaturas.” (Raul Pompeia)
“Lá vem ele. E ganjento19, pilantra: roupinha de brim amarelo, vincada a ferro; chapéu tombado de banda, lenço e caneta no bolsinho do jaquetão abotoado; relógio de pulso, pegador de monograma na gravata chumbadinha de vermelho.” (Mário Palmério)
Depois da leitura dos textos, você percebeu que o ato de descrever exige percepção e imaginação criadora. Só existe uma boa descrição a partir da percepção do objeto. É preciso, portanto, desenvolver a acuidade sensorial, ativando sentidos às vezes adormecidos, anestesiados por uma civilização predominantemente audiovisual. Somente uma percepção aguçada permite revelar facetas novas do objeto descrito.
Narração:
O texto narrativo conta uma história. A narração é um relato de fatos vividos por personagens e ordenados numa sequência lógica e temporal, por isso ela caracteriza-se pelo emprego de verbos de ação que indicam a movimentação das personagens no tempo e no espaço. A estrutura narrativa compõe-se das seguintes sequências: apresentação, complicação, clímax, desfecho.
Se os fatos se apresentarem nessa ordem acima exposta, o enredo será linear; do contrário, será alinear.
Os morangos
A vizinha espiou por cima do muro.
— Bom dia, seu Agenor!
— Bom dia.
— Que lindos estão esses morangos, que maravilha!
— O senhor não colhe, seu Agenor? Estão no ponto.
— Não gosto de morangos.
— Que pena, aqui em casa somos todos loucos por morangos. As crianças, então, nem se diga. Se não colher, vão apodrecer no pé, uma judiação.
— É.
— Se o senhor não se incomodasse eu colhia um pouco, já que o senhor não gosta de morangos.
— Com licença, preciso pegar o ponto na repartição.
— À vontade, seu Agenor, mas... e os morangos?
— Não prestam para comer, têm gosto de terra.
— Pena, tão lindos!
Saiu para a repartição. Voltou à noite. O luar batia em cheio no canteiro de morangos. Acercou-se em silêncio. Estavam bonitos mesmo. De dar água na boca. Pena que não se pudessem comer. Suspirou fundo.
Mariana, tão linda. Linda como uma flor. Mas tão desleixada, tão preguiçosa. Comida malfeita, roupa por lavar, pratos gordurosos. E aquele gênio! Sempre descontente, exigindo tudo o que não lhe podia dar, espezinhando-o diariamente pelo seu magro ordenado.
Fora realmente uma gentil ideia plantar os morangos depois que a enterrara no jardim.
(Giselda Laporta Nicolelis)
Exposição:
O texto expositivo é de natureza dissertativa. Trata-se da apresentação, explicação ou constatação, de maneira impessoal, sem julgamento de valor e sem o propósito de convencer o leitor.
A formação da mensagem – Muniz Sodré
De um modo geral, a mensagem da televisão – assim como a do rádio – visa a uma universalidade (atingir todo e qualquer receptor indistintamente) que, mal compreendida, pode levar o veículo a uma relação falsa com o grupo social. A tv é levada a tratar como homogêneos fenômenos característicos de apenas alguns setores da sociedade. A busca de um suposto denominador comum, que renda o máximo de aceitação por parte do público, preside à elaboração da mensagem. O êxito de um programa é aferido pelo índice de audiência: quanto maior o público, maior o sucesso.
Essa necessidade de padronizar o conteúdo do veículo segundo um índice optimum de aprovação do público condiciona necessariamente a formação da mensagem. Isso é demonstrável na Teoria da Informação: quanto menor é a taxa matemática de informação de uma mensagem (e maior, portanto, a redundância), maior a sua capacidade de comunicação. Comunicação aqui é empregada em seu sentido técnico: não se trata de um ideal de ordem humana ou social, mas da recepção e decodificação da mensagem por um indivíduo qualquer. Quanto mais os signos da mensagem (os elementos culturais de um programa de televisão, por exemplo) forem familiares ao público, por já constarem de seu repertório, maior será o grau de comunicação.
O que aconteceria se um comunicador (a tv, por exemplo) tentasse transmitir uma mensagem a um público amplo e heterogêneo (composto por diferentes classes sociais, níveis de instrução e faixas etárias) sem atentar, na sua formação, para o nível comum de entendimento? Certamente a mensagem só seria decodificada ou aceita pela parte do público que conhecesse o código do comunicador, ou seja, que participasse da mesma estrutura cultural.
Suponhamos que a televisão pretendesse, a título de serviço público, esclarecer o povo sobre os perigos da falta de higiene doméstica e de limpeza urbana para a saúde nacional. Se a tv utilizasse argumentos puramente técnicos (de ordem médico-sanitária, sociológica, etc.), a mensagem seria provavelmente entendida por uma boa parcela da população culta, a detentora do código segundo o qual se organizou a mensagem. Mas os outros setores da população ficariam impermeáveis à campanha.
O comunicador poderia, então, elaborar uma nova mensagem em termos mais acessíveis. A nova mensagem, embora mais efetiva em comunicação, seria certamente mais pobre em informação por omitir dados científicos (difíceis, mas necessários à correta apreciação do problema) desconhecidos da população. Mas figuremos uma terceira hipótese: a mensagem não atingiu a população inteira.
O comunicador poderia criar, agora, um slogan (algo como Higiene é Saúde), cujos termos fossem acessíveis até aos analfabetos. Esse slogan sintetiza a mensagem original, mas a esvazia de sua força informativa. Já viram o que acontece quando se joga uma pedra num lago? Formam-se círculos concêntricos, cada vez maiores à medida que se espalham. No processo de comunicação, dá-se exatamente o movimento inverso: a mensagem original é um grande círculo que tende a reduzir-se para se espalhar. Na televisão, como a norma geral é atingir o maior público possível, as mensagens são empobrecidas ou reduzidas ao suposto denominador comum.
Argumentação:
O texto argumentativo também é de natureza dissertativa. Ele consiste na apresentação, explicação ou constatação de um fato para:
a) convencer o leitor através de um raciocínio lógico, consistente e baseado na evidência das provas;
b) persuadir o leitor através da emoção.
APROVEITE EM EXCESSO. FUME COM MODERAÇÃO. Ninguém tem o direito de fazer suas escolhas por você. É isso que chamam de liberdade. O ideal mais importante na vida de qualquer um. Free sempre acreditou nisso, respeitando os mais diversos estilos, opiniões, atitudes. Cada um na sua. Então seja livre para fazer o que quiser: cante, ame, dance, crie, apaixone-se, sonhe, aproveite tudo em excesso. E se você decidiu fumar, por que não com moderação? A decisão é sua. Só não deixe de ser quem você é, seja você quem for.
Uma questão de ser Free.
12 Redação (premissas):
Ao elaborar seus textos, lembre-se de que sua comunicação será muito mais eficiente se você observar as seguintes condições:
- Conheça com razoável profundidade aquilo sobre o que vai falar (leia, pesquise, discuta...);
- Conheça seu receptor, para adequar a ele sua linguagem. Trata-se de saber a posição do outro, usar a linguagem e o nível adequados à hierarquia;
- Conheça e domine as possibilidades e as regras do código por meio do qual você vai expressar-se;
- Escolha o canal mais eficiente para enviar sua mensagem.
Lembre-se, no entanto, de que ruídos na comunicação podem comprometer a mensagem. Para combatê-los existe a redundância, também conhecida como saber partilhado. Trata-se do fenômeno que não traz informação nova à mensagem, mas garante sua eficácia. Os meios de comunicação de massa, por exemplo, primam pela redundância, pois, para atingir um público amplo e heterogêneo e conquistar o máximo de audiência, evitam soluções originais preferindo trabalhar com elementos previsíveis, que fazem parte do repertório desse público (saber partilhado).
No entanto, quando a redundância é exagerada, ao invés de garantir a eficácia da mensagem, torna o texto repetitivo, prolixo, sem coesão.
13 O texto descritivo:
Descrição do ambiente:
- Tentando ativar a percepção, procure registrar livremente todos os sons e ruídos que estão ocorrendo.
- Registre, agora, os cheiros que esteja sentindo ou de que possa lembrar-se.
- ... e os gostos.
- Descreva, em seguida, as formas que enxerga ao seu redor.
- Que cores essas formas têm?
- Que diferentes sensações táteis tais formas apresentam?
- Organize um texto que seja a descrição de uma feira livre
Descrição de tipos:
1. A partir de traços específicos, descreva estes tipos:
- uma prostituta
- uma mendiga
- um jogador profissional
- uma catadora de papéis
- um rapper
2. Elabore, agora, um texto que seja um instantâneo de um dos tipos.
Descrição Objetiva:
Até este ponto, fornecemos exemplos de descrições subjetivas que incorporaram a visão do observador, transmitindo concomitantemente às características do objeto as impressões causadas no sujeito que descreve. No entanto, a descrição pode centrar-se no objeto, independentemente de quem o sente ou vê. É a chamada descrição objetiva ou técnica, que busca a objetividade absoluta.
A descrição objetiva trabalha com a função referencial, os traços objetivos referem-se ao objeto, independentemente de quem o vê ou sente. O vocabulário é preciso, os pormenores exatos e seu objetivo é esclarecer, informar, comunicar. Ela está presente em manuais de instrução ou de estudos e em relatórios.
Robert Barrass, em seu livro Os cientistas precisam escrever, nos fornece indicações úteis de como redigir instruções, que com algumas alterações aqui transcrevemos. As instruções devem ser completas, de modo a explanar a ação requerida e responder a todas as perguntas relevantes. Devem ser claras, concisas, simples e de fácil entendimento. Devem, portanto, ser redigidas por alguém que conheça a tarefa a executar.
- Considerar o destinatário das instruções;
- Preceder as instruções de quaisquer explicações indispensáveis;
- Explicar precauções relativas à segurança: se preciso, repetir os mesmos informes imediatamente antes da fase em que as precauções devem ser tomadas;
- Colocar as instruções na ordem em que devem ser executadas;
- Indicar a ação exigida em cada uma das fases separadamente;
- Empregar frases completas, no modo imperativo;
- Numerar as sucessivas fases, de modo a realçar a ação exigida em cada uma;
- Havendo desenhos, fotos ou exemplos, colocá-los logo em seguida aos trechos que ilustram;
- Analisar as instruções;
- Efetuar um teste preliminar, no mínimo com duas pessoas: uma que tenha experiência da tarefa a executar, e outra sem essa experiência.
A descrição objetiva, também chamada conceitual, pode apresentar-se sob outra forma.
14 O texto narrativo:
Contar e ouvir histórias é uma atividade atávica, isto é, que remonta aos nossos antepassados mais distantes. Desde que o mundo é mundo, o ato de narrar fascina o homem e o de ouvir histórias o hipnotiza. Xerazade, a protagonista das Mil e uma noites, para evitar que o sultão, seu marido, a matasse, o entreteve com 1.001 histórias ao final das quais o soberano, além de não mandar matá-la, apaixonou-se por ela.
Narrar é o ato de relatar acontecimentos factuais ou fictícios por meio de palavras em textos orais ou escritos. Baseado na sequência temporal de fatos, o texto narrativo caracteriza-se por verbos de ação e marcadores temporais, como os advérbios.
O mais simples dos roteiros em que se pode inserir um fato a ser narrado consiste na fórmula do lead: 3Q+O+P+C.
Quem? apresenta as personagens geradoras da ação;
Quê? trata do enredo, o inventário dos fatos;
Quando? responde à situação dos fatos narrados no tempo;
Onde? responde à situação dos fatos narrados no espaço;
Por quê? indica as causas dos acontecimentos, sua origem;
Como? trata das singularidades do fato narrado, da maneira como se desenvolvem.
Esse é o roteiro prototípico das narrativas jornalísticas e serve de base para narrativas literárias, bem mais complexas quanto a sua estrutura. O que diferencia a narrativa literária de outros tipos de narrativa é seu caráter ficcional; sua natureza essencialmente linguística, geradora de uma supra realidade, uma realidade paralela, complementar ao "real" das coisas e dos fatos do mundo e o fato de provocar uma experiência estética definida como prazer estético, que conjuga sentimento e razão.
Assim, a função primordial do texto literário é levar o leitor a vivenciar a percepção da beleza e não de informá-lo sobre o real, sobre os fatos do mundo, ou seja, o texto literário tem a capacidade de levar-nos ao encantamento com a linguagem, com a beleza do arranjo de palavras, ideias, sons da língua, "a palavra é, pois, o elemento material intrínseco do homem para realizar sua natureza e alcançar seu objetivo artístico" (Alceu de Amoroso Lima). Quase sempre a organização expressiva das palavras no texto literário está ligada à conotação, isto é, não só estabelece relações novas, originais entre som e sentido (tradutori traditori), fenômeno denominado paronomásia, como também trabalha com figuras de linguagem como a metáfora, a metonímia, a prosopopeia, a hipérbole, etc
Os elementos da narrativa são: personagem, ação, tempo, espaço, narrador.
Quanto às personagens, há o protagonista (personagem principal), o antagonista (personagem que tenta impedir que o protagonista realize sua tarefa) e os coadjuvantes (personagens secundárias).
Essas personagens podem ser apresentadas de forma direta pela descrição física ou psicológica, ou a partir de dados esparsos no texto, como comportamento e fala.
O tempo, na narrativa, pode ser cronológico ou psicológico.
Para contar a história, é fundamental a presença do narrador. Ele é o intermediário entre a ação narrada e o leitor. O narrador (ou foco narrativo)pode ser de três tipos:
1. 3ª pessoa:
1.1 discurso de um narrador objetivo, não-personagem, que narra só o que vê sem opinar, fotografa apenas;
1.2 discurso de um narrador não-personagem que narra objetiva e subjetivamente, pois dá opinião.
1.3 discurso de um narrador não-personagem que penetra no interior da personagem, sabe o que ela pensa (onisciente) e está onde ela está (onipresente);
2. 1ª pessoa:
2.1 discurso de um narrador-testemunha, personagem secundária;
2.2 discurso de um narrador-protagonista, personagem central;
3. monologado:
a história vem direta, através da mente da personagem (monólogo interior).
A narrativa ficcional compreende, tradicionalmente, gêneros distintos como a fábula (hoje pouco frequente), o conto, a novela e o romance.
Fábula: narrativa curta, inverossímil, com fundo didático, cujo objetivo é transmitir um ensinamento moral. Suas personagens são animais e seres inanimados (menos frequente). No caso destes últimos, a fábula recebe o nome de apólogo O grego Esopo, o francês La Fontaine e o brasileiro Monteiro Lobato escreveram fábulas, Machado de Assis é autor de Um apólogo.
Conto: narrativa curta que apresenta unidade de enredo – há apenas um núcleo de ação com um único clímax. Há contos, no entanto, que não têm no enredo seu aspecto mais importante, centrando-se no interior da personagem, como faz Clarice Lispector.
Novela: texto de tamanho intermediário entre o conto e o romance. Nela há vários episódios entrelaçados pelas personagens e cada um desses episódios possui um pequeno conflito com clímax próprio. Geralmente suas personagens são simples, não têm densidade psicológica.
Romance: narração de um fato complexo, com seus antecedentes e desdobramentos. O romance abarca situações mais complexas e mais densas do que a novela e suas personagens tendem a ser mais trabalhadas. De acordo com o destaque ou a importância de cada um dos elementos da narrativa, o romance pode classificar-se como policial, psicológico, regionalista, romântico, etc.
15 O texto dissertativo:
Dissertar é um ato praticado pelas pessoas todos os dias. Elas procuram justificativas para a elevação dos preços, para o aumento da violência nas cidades, para a repressão dos pais. Todos se preocupam com a AIDS, a solidão, a poluição. Muitas vezes, em casos de divergência de opiniões, cada um defende seus pontos de vista em relação ao futebol, ao cinema, à música.
A vida cotidiana traz constantemente a necessidade de exposição de ideias pessoais, opiniões e pontos de vista. Em alguns casos, é preciso persuadir os outros a adotarem ou aceitarem uma forma de pensar diferente. Em todas essas situações e em muitas outras, utiliza-se a linguagem para dissertar, ou seja, organizam-se palavras, frases, textos, a fim de – por meio da apresentação de ideias, dados e conceitos – chegar a conclusões.
Dissertação implica discussão de ideias, argumentação, organização do pensamento, defesa de pontos de vista, descoberta de soluções. Para elaborar um texto dissertativo é necessário conhecimento do assunto que se vai abordar, aliado a uma tomada de posição diante dele. É o tipo de texto que analisa e interpreta dados da realidade por meio de conceitos abstratos, ou seja, a referência ao mundo real se faz por meio de conceitos amplos, de modelos genéricos. Na dissertação não existe uma progressão temporal entre os enunciados, mas relações de natureza lógica (causa e efeito, premissa e conclusão, etc.).
A dissertação expositiva tem como propósito principal expor ou explanar, explicar ou interpretar ideias. A dissertação argumentativa visa sobretudo convencer ou persuadir o leitor, apresentando pontos de vista e juízos de valor.
A linguagem utilizada nesse tipo de texto é referencial, clara, objetiva, com vocabulário adequado e diversificado.
Padre Antônio Vieira, representante máximo da vertente conceptista do Barroco brasileiro, assim define o sermão e, por extensão, a argumentação:
Para ser persuasivo, segundo Vieira, o texto deve ter:
- Unidade: tratar de um só objeto, de uma só matéria – eleger seu objeto central.
- Comprovação das teses defendidas com outros textos autorizados: no texto, Vieira usa as Sagradas Escrituras, que, para ele, são a fonte legítima da verdade.
- Raciocínio: para estabelecer correlações lógicas entre as partes do texto.
- Confirmar suas afirmações com exemplos adequados: uma ideia abstrata ganha mais confiabilidade quando acompanhada de exemplos concretos adequados.
- Refutação de argumentos contrários.
Além desses recursos, há outros que aumentam o poder de persuasão de um texto:
- Apoio na consensualidade: há enunciados que não exigem demonstração nem provas porque seu conteúdo de verdade é aceito como válido por consenso. Ex.: As condições de saúde são mais precárias em países subdesenvolvidos.
- Comprovação pela experiência ou observação: o conteúdo de verdade pode ser fundamentado por documentação com dados que comprovem sua validade.
- Fundamentação lógica: a argumentação pode basear-se em operações de raciocínio lógico, como implicações de causa e consequência.
Estrutura textual:
Tema: Proposição que vai ser tratada ou demonstrada.
Assunto: Delimitação do tema.
É importante delimitar um aspecto acerca do tema proposto para uma boa abordagem do assunto. Não se poderá fazer uma análise aprofundada se o tema for amplo, por isso especifica-se o assunto a ser tratado. A escolha do aspecto, entretanto, não pode restringir demais o tema ou corre-se o risco da falta de ideias.
Essa delimitação deve ser feita na introdução e, a partir daí, o leitor sabe que aquele aspecto será explorado no decorrer do texto e a conclusão fará menção direta a ele.
Exemplos:
televisão – a violência na televisão / a televisão e a opinião pública
a vida nas grandes cidades – a vida social dos jovens nas grandes cidades / os problemas das grandes cidades
preconceitos – preconceitos raciais / causas do preconceito racial
progresso – vantagens e desvantagens sociais do progresso / progresso e evolução humana
Partes de uma dissertação:
1) Introdução:
Constitui o parágrafo inicial do texto e deve ter, em média, cinco linhas. É composta por uma sinopse41 do assunto a ser tratado no texto. Não se pode, entretanto, começar as explicações antes do tempo. Todas as ideias devem ser apresentadas de forma sintética, pois é no desenvolvimento que serão detalhadas. Esta é a parte em que se apresenta a ideia principal, a tese, a qual deverá ser desenvolvida progressivamente no decorrer do texto. A ideia principal é o ponto de partida do raciocínio. A elaboração dessa etapa inicial exige boa capacidade de síntese, pois a clareza alcançada na exposição da ideia constitui uma das formas de obtermos a adesão do leitor ao texto; não que o leitor de imediato concorde com nosso primeiro argumento – a tese –, mas, se oferecermos a ele um contato direto com a matéria que encaminhará nossa argumentação, o texto ganhará maior objetividade e rigor.
2) Desenvolvimento
Esta segunda parte, também chamada de argumentação, representa o corpo do texto. Aqui serão desenvolvidas as ideias propostas na introdução. É o momento em que se defende o ponto de vista acerca do tema proposto. Deve-se tomar cuidado para não deixar de abordar nenhum item proposto na introdução. É evidente que a variedade de conexões entre os argumentos depende da riqueza do repertório de quem escreve e da possibilidade de constituir-se com eles uma rede de sentidos; a quantidade de informações por si só não assegura a qualidade da argumentação, já que esta, como uma operação lógica, decorre do domínio sobre o material linguístico (estruturação da frase, pontuação, uso de conectivos etc.) e da adequação dos argumentos ao contexto, antecedida do exame da veracidade de cada um deles.
3) Conclusão
Representa o fecho do texto e deve conter, assim como a introdução, em torno de cinco linhas, pode ser uma reafirmação do tema e dar-lhe um fecho ou apresentar possíveis soluções para o problema apresentado.
Qualidades de uma dissertação:
O texto deve ser sempre bem claro, conciso e objetivo. A coerência é um aspecto de grande importância para a eficiência de uma dissertação, pois não deve haver pormenores excessivos ou explicações desnecessárias. Todas as ideias apresentadas devem ser relevantes para o tema proposto e relacionadas diretamente a ele.
A originalidade demonstra sua segurança; não se pode, entretanto, abandonar o tema proposto.
Toda redação deve ter início, meio e fim, que são designados por introdução, desenvolvimento e conclusão. As ideias distribuem-se de forma lógica, sem haver fragmentação da mesma ideia em vários parágrafos.
Elementos de Coesão:
Algumas palavras e expressões facilitam a ligação entre as ideias, estejam elas num mesmo parágrafo ou não. Não é obrigatório, entretanto, o emprego destas expressões para que um texto tenha qualidade. Seguem algumas sugestões e suas respectivas relações:
assim, desse modo – têm valor exemplificativo e complementar. A sequência introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar e complementar o que se disse anteriormente.
ainda – serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão; ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto de ideias qualquer.
aliás, além do mais, além de tudo, além disso – introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo. Pode ser usado para dar um "golpe final" num argumento contrário.
mas, porém, todavia, contudo, entretanto... (conj. adversativas) – marcam oposição entre dois enunciados.
embora, ainda que, mesmo que – servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento, diminuir sua importância. Trata-se de um recurso dissertativo muito bom, pois sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário.
este, esse e aquele – são chamados termos anafóricos e podem fazer referência a termos anteriormente expressos, inclusive para estabelecer semelhanças e/ou diferenças entre eles.
Argumentação:
A base de uma dissertação é a fundamentação de seu ponto de vista, sua opinião sobre o assunto. Para tanto, deve-se atentar para as relações de causa-consequência e pontos favoráveis e desfavoráveis, muito usadas nesse processo.
Algumas expressões indicadoras de causa e consequência:
causa: por causa de, graças a, em virtude de, em vista de, devido a
consequência: consequentemente, em decorrência, como resultado/ efeito de.
Algumas expressões que podem ser usadas para abordar temas com divergência de opiniões: em contrapartida, se por um lado... / por outro... , xxx é um fenômeno ambíguo, enquanto uns afirmam... / outros dizem que...
Exemplo de argumentação para a tese de que as abelhas são insetos extraordinários:
porque tem instinto muito apurado
porque são organizadas em repúblicas disciplinadas
porque fornecem ao homem cera e mel
apesar de seus ferrões e de sua força quando constituem um enxame
Mesmo quando se destacam características positivas, é bom utilizar ponto negativo. Neste caso, destaca-se que a importância dos pontos positivos minimizam a negatividade do outro argumento.
Tipos de Desenvolvimento:
Desenvolvimento corresponde ao desdobramento da tese, da ideia central contida na introdução. Algumas possíveis formas de organização: causa e consequência, tempo e espaço, comparação e contraste, enumeração, exemplificação.
Causa e consequência
"O aumento da natalidade parece resultar, em certas sociedades, de transformações psicossociológicas.
Havia antigamente, no esquema tradicional, certo número de costumes cujo efeito, voluntário ou não, era a natalidade: interdição do casamento das viúvas, importância do celibato religioso, poliandria, interdição das relações sexuais em certos períodos, interdição da exogamia.
Esses fatores, que de algum modo limitavam a natalidade, hoje estão sensivelmente esfumados. Há, por vezes, a vontade mais ou menos consciente de expansão demográfica nas populações minoritárias ou nos povos que veem no crescimento de seus efetivos um aumento das forças que podem opor a seus adversários (é, por exemplo, o caso do Paquistão diante da Índia).
Porém, no essencial, o aumento da natalidade resulta das melhorias sanitárias que foram realizadas nos países subdesenvolvidos, os antibióticos fazem recuar as causas de esterilidade devidas a moléstias infecciosas." (Yves Lacoste, Os países subdesenvolvidos)
Tempo e espaço
"O café chegou ao Brasil pouco depois de sua introdução no Novo mundo, na segunda metade do século XVIII, levada a efeito pelos holandeses, na colônia de Suriname, em 1718, e pelos franceses, na ilha de Martinica, em 1723.
No Brasil, o café entrou em 1727, em Belém do Pará, trazido por Francisco de Melo Palheta.
Na Amazônia não encontrou condições favoráveis para desenvolver-se devido ao clima super úmido e aos solos facilmente esgotáveis, limitando-se seu cultivo a pequenas chácaras e quintais.
Foi no início do século XIX, quando da estada da família real portuguesa no Brasil, que se plantaram os primeiros cafeeiros com fins comerciais, nas encostas de morros da Baixada Fluminense.
Entre 1825 e 1850, toda a porção ocidental da província fluminense se tornaria o centro por excelência da cafeicultura, com suas fazendas se multiplicando pelo Vale do Paraíba, atingindo as encostas da Mantiqueira e as contra encostas da serra do Mar.
As terras fluminenses já estavam ocupadas e a penetração do café seguia por áreas da Zona da Mata mineira, do Vale do Paraíba paulista e Campinas.
Por volta de 1860, a região de Campinas transformou-se na mais importante área cafeeira paulista, expandindo-se pelas manchas de terra roxa da depressão periférica paulista.
A partir daí, começou a expansão do café pelo interior do Estado de São Paulo, atingindo as áreas de Ribeirão Preto, zona Mojiana e Jaú, expandindo-se para o oeste paulista, invadindo o Mato Grosso e o norte do Paraná."
(Marcos Coelho e Nilce Soncin, Geogarfia do Brasil)
Comparação e contrate
"De acordo com a comunidade linguística, a oposição linguagem do homem/ linguagem da mulher pode determinar diferenças sensíveis, em especial no campo do vocabulário, devido a certos tabus morais (que geram os tabus linguísticos). Essa oposição, no entanto, vem perdendo, gradativamente, sua significação, em especial nas grandes cidades, onde os meios de comunicação de massa (também o teatro em proporção menor) e a transformação dos costumes e padrões morais (atividades exercidas pela mulher fora do lar, novas profissões, condições culturais mais recentes, como colégios mistos, os movimentos feministas, etc.) têm exercido um papel nivelador importante.
Apesar disso, o problema dos tabus linguísticos é bastante sensível no campo da linguagem obscena, cuja incidência é muito maior no homem do que na mulher."
(Dino Preti, Os níveis da fala)
Enumeração
"Como a ocorrência dos mitos acontece no espaço geográfico, obviamente estão relacionados com a ecologia.
Em síntese, o mito é tido como algo real e fantástico que germinou na fértil imaginação do povo e vive no seio das gerações atravessando séculos. O mito é uma personagem constante em torno da qual são contadas lendárias narrativas. No mito pode detectar-se anseio, paixão e até temor.
A mítica brasileira procede de três fontes étnicas: influência negra, abrangendo a área da cana-de-açúcar, da mineração e grande parte da cafeeira; influência indígena, envolvendo o extremo norte e o oeste, isto é, a Amazônia Legal; e influência branca, predominantemente no sul do país. Note a presença da ecologia humana.
Todos sabem que a penetração dos pioneiros desbravadores foi executada por dois movimentos demográficos: o das entradas e bandeiras, que conquistaram o centro-sul, e o dos criadores de gado, que ocuparam grande parte do nordeste. O primeiro partiu do Planalto Paulista e o do pastoreio saiu da área do São Francisco. Portanto, dois sistemas diferentes seguindo núcleos ecológicos díspares. Aquele visava, a princípio, à escravidão dos índios e, posteriormente, à mineração. O outro, à criação de gado no sertão. Ambos geraram mitos que retratam a mentalidade dos pioneiros povoadores do interior."
(José C. Rossato, Revista Pau-Brasil)
Exemplificação
Muita gente, pouco emprego
Os megaproblemas das grandes cidades
A população das megacidades cresce muito mais depressa do que sua capacidade de promover empregos e fornecer serviços decentes a seus novos moradores. O fenômeno, detectado no relatório da ONU sobre a população, é tanto mais grave porque atinge em cheio justamente os países mais pobres. Das dez megacidades do ano 2000, sete estarão fincadas no Terceiro Mundo. As pessoas saem do campo para as cidades por uma razão tão antiga quanto a Revolução Industrial: querem melhorar de vida. Mesmo apinhadas em periferias e favelas, suas chances de prosperar são maiores do que na área rural. As cidades, escreveu o historiador Lewis Mumford, são “o lugar certo para multiplicar oportunidades”.
A típica explosão urbana é registrada em várias cidades da África e da Índia, que dobram de população a cada doze anos e não dão conta de demanda por emprego, educação e saneamento. Karachi, no Paquistão, com 8,4 milhões de habitantes, quase nada investe em sua rede de esgotos desde 1962. Mesmo as que crescem a uma taxa menos selvagem, como a Cidade do México, têm pela frente seus megaproblemas. A poluição produzida pelos milhões de veículos e 35 000 fábricas da capital mexicana, por exemplo, pode chegar, como em fevereiro passado, a um nível quatro vezes além do ponto em que o ar é considerado seguro em países desenvolvidos.
Ainda que todos os prognósticos sejam pessimistas, não se deve desprezar a capacidade de as megacidades encontrarem soluções até para seus piores desastres. A mobilização da população da capital mexicana em 1985 para reconstruir partes da cidade arrasadas por um violentíssimo terremoto evitou o pior – e mostrou que as mobilizações coletivas podem driblar o apocalipse anunciado para as megalópoles.
(Veja, 14 jul. 1993)
16 Acentuação:
a) Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em: -a(s), e(s), o(s)
já, vás, fé, crês, dó, sós
b) Acentuam-se as oxítonas terminadas em: -a(s), e(s), o(s), em, ens
jabá, sofás, café, português, jiló, ilhós, armazém, parabéns
c) Não se acentuam as paroxítonas terminadas em: -a(s), e(s), o(s), em, ens
inflável, júri, hífen, ônus, revólver, ônix, órfã, órfãos, bíceps
Obs.: Acentuam-se as paroxítonas terminadas em ditongo crescente:
história, ópio, cárie, precípua, vácuo, tênue, páreo, aérea
d) Acentuam-se todas as proparoxítonas
fósforo, médico, flácido, bêbado
e) Acentuam-se os ditongos abertos éi(s), ói(s) e éu(s) das oxítonas e monossílabos tônicos
réis, fiéis, rói, caracóis, chapéu, céus
Obs.: Antes do Acordo Ortográfico, os ditongos abertos ei e oi das paroxítonas eram acentuados:
jiboia (jibóia), Coreia (Coréia)
f) Acentuam-se o i e o u dos hiatos
Anhangabaú, Havaí, baús, jataís
Obs.: Não são mais acentuadas o i e o u tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo.
Ex.: baiuca, feiura
g) Não se acentuam os hiatos oo e ee
creem, veem, enjoo
h) Os únicos acentos diferenciais são:
pôde (pode), pôr (por), têm (tem), vêm (vem) [e seus compostos provêm, retêm, por exemplo], fôrma (facultativo)
i) Não é mais acentuada a letra u nas formas verbais arrizotônicas42 quando precedida de ou q:
argui, apazigue, averigue, obliques.
j) Não há mais trema.
17 Ortografia:
Uso do hífen:
Com os principais prefixos e elementos prefixo-radicais relacionados a seguir, SÓ haverá hífen:
- se a palavra que a eles se junta começar por vogal idêntica a eles. anti-inflamatório, micro-ônibus
- se eles forem terminados por r e a palavra que a eles se junta começar também por r. inter-regional, hiper-requintado, super-resistente
- se a palavra que a eles se junta começar por h. neo-helênico, geo-história, sub-hepático
- Com o prefixo co, NÃO haverá hífen mesmo que a outra palavra seja iniciada com a vogal o: coobrigação, coocupante.
- O hífen permanecerá em palavras formadas pelos prefixos circum e pan + palavras iniciadas em vogal, m e n: circum-adjacente, circum-hospitalar, circum-navegação, pan-americano, pan-mixia, pan-negritude.
- Com o prefixo sub, haverá hífen se a palavra seguinte iniciar-se por b ou r: subraça, sub-- bibliotecário.
- Palavras compostas com o verbo para não terão mais hífen: paraquedas, paraquedismo.
O hífen permanecerá com os seguintes prefixos:
além: além-mar, além-linha
aquém: aquém-fronteiras, aquém-oceano
ex: ex-aluno, ex-presidente, ex-mulher
pós: pós-graduação, pós-traumático
pré: pré-natal, pré-nupcial
pró: pró-desarmamento, pró-soviético
recém: recém-nascido, recém-adquirida
sem: sem-teto, sem-vergonha, sem-número (número indeterminado; grande número)
sota: sota-almirante, sota-capitão
soto: soto-soberania, soto-ministro
vice: vice-campeão, vice-governador
- Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, Guaçu e mirim, amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu
- Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
18 Uso dos Porquês:
19 Uso de há / a / havia:
Há / Havia:
Marca tempo passado, sinônimo de fazer.
O colégio foi fundado há dezenove anos.
Obs.: quando o verbo que acompanha o haver está no imperfeito ou no mais-que-perfeito, deve-se usar havia (fazia) e não há.
Ele estava lá havia três horas./ Ele estivera ali havia muito tempo.
O colégio fora fundado havia dezenove anos.
A:
Marca tempo futuro ou distância.
Chegarei daqui a dois dias.// O gol foi marcado a dois minutos do final da partida.// Estamos a dez quilômetros de Salvador.
20 Uso de onde e aonde:
Onde:
Usa-se com verbos que exigem a preposição em.
Onde você mora? (quem mora, mora em.)
Aonde:
Usa-se em verbos que exigem a preposição a.
Aonde você vai? (quem vai, vai a algum lugar)
21 Se não / Senão:
Se não:
o se é uma conjunção condicional, equivale a caso não
Se não houver água, não poderemos tomar banho. (caso não haja...)
Senão:
(exceto; a não ser, do contrário; mas, mas sim, mas também; defeito, erro)
Não fazia coisa alguma senão reclamar. (exceto, a não ser)
Corra, senão o bicho pega. (do contrário)
A solução não cabe a mim, senão aos pais. (mas)
O único senão na sua prova é letra ilegível. (defeito)
22 Uso dos Pronomes:
Pronomes Pessoais:
- para mim/ para eu:
Trouxe os livros para mim.
Trouxe os livros para eu ler.
- entre mim e ti (é errado dizer entre eu e tu, porque os dois pronomes são regidos por preposição. Assim, só se podem usar os pronomes oblíquos).
Entre mim e ti não pode haver ressentimentos.
Entre eles e mim não pode haver mais acordo.
- conosco e convosco (são utilizados na forma sintética, exceto se vierem seguidos de outros, todos, mesmos.)
Queriam falar conosco.
Queriam falar com nós mesmos.
Pronomes Indefinidos:
- todo/ todo o
todo = qualquer: Todo cidadão deve respeitar a lei.
Todo o = inteiro: Todo o país comoveu-se com a tragédia.
- todos (sempre exige o artigo os)
Todos os manifestantes foram presos.
Pronomes Possessivos
- seu X dele
Para neutralizar a ambiguidade que pode instalar-se em frases como: Ele não aceitou sua nomeação. (sua de quem?), usa-se dele quando se quer indicar a pessoa de quem se fala: Ele não aceitou a nomeação dela.
- Às vezes os pronomes pessoais me, te, nos, vos, lhe, lhes podem ter o valor de um pronome possessivo. Ex.: Rasgaram-me a camisa. (= Rasgaram a minha camisa).
- É facultativo o uso do artigo antes do pronome possessivo; assim, ambas as frases estão corretas: Meu carro está sem gasolina. / O meu carro está sem gasolina
Pronomes Demonstrativos:
Pronomes de Tratamento:
Pronomes de tratamento são aqueles com os quais nos dirigimos às pessoas de maneira cerimoniosa. Embora sejam expressos na segunda pessoa (singular ou plural: Vossa/ Vossas), a concordância verbal será feita na terceira pessoa. Os pronomes usados (pessoais e possessivos) também serão de terceira pessoa.
Ex.: Peço que Vossa Senhoria se digne enviar seu relatório.
Obs.: Quando se fala da/sobre a autoridade, deve-se usar Sua Excelência, Sua Majestade... Ex.: Leve estes documentos para Sua Excelência. Ele acabou de pedi-los.// O presidente Luís Inácio Lula da Silva viajou a Cuba. Lá Sua Excelência conversou com Fidel Castro.
Vossa Excelência (V. Exª.) – pronome usado para dirigir-se às seguintes autoridades:
- do Poder Executivo:
Presidente da República, Vice-Presidente da República, Ministros de Estado, Secretário-Geral da Presidência da República, Consultor-Geral da República, Chefe do Estado-Maior da Forças Armadas, Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República, Secretários da Presidência da República, Procurador-Geral da República, Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal, Chefes de Estado-Maior das Três Armas, Embaixadores, Secretário Executivo e Secretário Nacional de Ministérios, Secretários de Estado dos Governos Estaduais, Prefeitos Municipais.
- do Poder Legislativo:
Presidente, Vice-Presidente e Membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Presidente e Membros do Tribunal de Contas da União e dos Tribunais de Contas Estaduais, Presidentes e Membros das Assembleias Legislativas Estaduais, Presidentes das Câmaras Municipais.
- do Poder Judiciário:
Presidente e Membros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral, do Tribunal Superior do Trabalho, dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais, dos Tribunais Regionais do Trabalho, Juízes e Desembargadores, Auditores da Justiça Militar.
O vocativo para os Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado, Excelentíssimo Senhor Presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Para as demais autoridades, usa-se o vocativo Senhor, seguido do cargo: Senhor Prefeito, Senhor Deputado, Senhor Juiz.
Vossa Senhoria (V. Sª.) deve ser empregado para as demais autoridades e para os particulares. O vocativo é Senhor, seguido do cargo: Senhor Diretor.
Vossa Magnificência (V. Magª ) é empregado para reitores de universidades.
Vossa Santidade (V. S.) é usado para o Papa. O vocativo é Santíssimo Padre.
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima (V. Emª. ou V. Emª. Revmª.) empregam-se para cardeais. O vocativo é Excelentíssimo Senhor Cardeal ou Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal
Vossa Excelência Reverendíssima (V. Exª. Revmª.) usa-se para arcebispos e bispos.
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima (V. Revmª. ou V. Sª. Revmª.) para monsenhores, cônegos e superiores religiosos.
Vossa Reverência (V. Revª.) é usado para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.
Pronomes Relativos:
- QUE / QUEM (o, a / qual; os, as / quais)
Já li o livro que comprei.
Esta é a mulher a quem prestei assistência.
O livro de que mais gostei foi Quincas Borba.
O filme a que assisti durou duas horas.
O rio Tietê, que corta a cidade de São Paulo, está poluidíssimo.
- ONDE (em que; no, na / qual; nos, nas / quais) - estabelece uma relação de lugar, somente:
Chutou no canto onde estava o goleiro.
A rua em que moro ainda não foi asfaltada.
- CUJO (cujos, cuja, cujas) - estabelece uma relação de posse (equivale ao possessivo seu/sua/seus/suas):
Este é o livro cuja leitura o professor recomendou.
São estes os autores a cujas obras me referi.
Tirei o colete em cujo bolso encontrei moedas.
As nações do terceiro mundo, cujas economias são instáveis, deveriam solidarizar-se.