Técnicas de Vendas de Serviços Funerários

Necromaquiagem

1 Técnicas de Vendas de Serviços Funerários:

Quando morrer vira um bom negócio:

Seguros de vida, venda de ossos e serviços funerários movimentam um mercado em ascensão.

A morte sempre foi um assunto delicado e um tanto incômodo. Ir ao cemitério, participar de um velório e enterrar uma pessoa nunca foram situações muito agradáveis. No entanto, de um tempo para cá, todo esse ritual tem sido marcado pelos interesses financeiros. Heranças que causam disputas familiares, seguros de vida cada vez mais comuns, serviços inusitados oferecidos pelas funerárias e até a compra de ossos humanos por estudantes universitários, se tornaram atividades lucrativas responsáveis por um crescimento de um mercado da morte. O

Os enterros são bom exemplo desse comércio que gira em torno da morte. Os rituais estão ainda mais diferenciados e, com tanta variedade, atingem praticamente todos os grupos sociais. Os preços e os serviços variam de acordo com as funerárias e com os cemitérios, e o que se pode perceber é que, definitivamente, cuidar de mortos virou um negócio lucrativo.

A concorrência forte é explicitada não só pelos diversos opcionais oferecidos, como também pelo “plantão” que os corretores das funerárias fazem na porta do Instituto Médico Legal (IML). A atividade, apesar de não parecer eticamente correta, é comum, e os empregados das casas funerárias aproveitam o momento para distribuir cartões e fazer propaganda.

A maior parte das funerárias disponibiliza uma espécie de serviço completo para seus clientes: possuem um atendimento 24 horas, fazem a liberação do corpo junto ao IML, oferecem a seus clientes convênios e planos de assistência, realizam funerais internacionais e ainda contam com uma variedade de tipos de enterros e caixões, conhecidos no mercado como urnas mortuárias.

Os planos oferecidos se encaixam em diversas categorias, das simples às s u p e r- l u x u o s a s. Os preços incluem urnas, flores, traslados, maquiagem, tratamento do corpo e velório. Tais pacotes de serviços têm diferentes valores e custam a partir de R$ 300, podendo chegar a R$ 20 mil. Além dos gastos com a funerária, a família também terá que pagar pelo local onde o morto é enterrado, o chão perpétuo.

Os tipos e preços de cemitérios também se diferenciam dependendo do que a família deseja. Desde os mais simples até os mais sofisticados, oferecem uma enorme variedade. No cemitério Memorial do Carmo, no Caju, o único vertical do Brasil, há várias opções de jazigos. O mais barato deles custa R$ 9 mil e existe ainda a possibilidade de se financiar o pagamento dos títulos perpétuos em até 12 vezes.

Já no Jardim da Saudade, que segue a linha de um parque, um padrão americano, tem um visual diferenciado dos outros cemitérios, com um espaço todo gramado e lápides padronizadas. Nele, só existe uma opção de jazigo perpétuo, mas de acordo com a localização, os preços mudam. O mais barato é o mais distante da capela e sai por R$ 16.400, o mais caro, que tem melhor localização, custa R$ 58 mil. O cemitério também oferece um financiamento de até 10 vezes.

Para quem não pode gastar tanto dinheiro, a solução são enterros mais singelos. No Cemitério do Caju, os jazigos perpétuos custam de R$ 10 mil a R$ 25 mil, e ainda há como opção as sepulturas de aluguel, que ficam em poder das famílias por três anos. Nessa categoria existem os carneiros – quadrados de cimento armado – por R$ 178, as gavetas, no valor de R$ 121, e as sepulturas rasas, que saem por apenas R$ 27.

No entanto, as variedades não acabam por aí. Além de sepultamentos tradicionais, existe a opção da cremação. A única urna crematória do Rio de Janeiro se localiza no Cemitério do Caju. Para que uma pessoa seja cremada, é necessário seguir os pro c e d imentos normais do enterro e ainda pagar pelo Plano de Cremação, disponível em todos os cemitérios. Os preços desse plano variam de R$ 200 a R$ 550.

Vale lembrar que, para os que não querem ter trabalho na última hora, algumas funerárias oferecem os planos de assistência funeral, no qual os interessados pagam um valor mensal pelos serviços que vão querer em seu próprio enterro. Na Santa Casa, por exemplo, o valor mínimo da mensalidade é de R$ 6 e o valor máximo é de R$ 132. Depois de quitar três pagamentos, o enterro já é inteiramente pago pela funerária, caso a pessoa “morra antes do tempo”.

Vamos ao cemitério e pedimos o que precisamos. Os crânios custam em torno de R$ 50”.

2 Seguro de vida: um mercado crescente:

Em outro setor do mercado da morte, encontramos um de seus principais financiadores, os seguros de vida. Cada vez mais pessoas pagam para garantir a suas famílias um tipo de remuneração pela morte do segurado. A área está crescendo a cada dia que passa. Os comerciais se propagaram e as propostas das seguradoras se tornaram mais atraentes e mais acessíveis para grande parte da população.

Marlene Lima, dona de casa de 67 anos, já tem o seguro há cinco anos e credita o crescimento do i n t e resse das pessoas em contratar planos desse tipo ao fato de os seguros terem se tornado mais baratos.

As pessoas passaram a achar a ideia mais aceitável. Antes, fazer um seguro de vida era estranho, não era algo norm a l . Hoje em dia, não há mais esse tipo de preconceito, afirma Marlene.

São muitos os atrativos oferecidos, o que aumenta as opções para os interessados, e além das seguradoras, os bancos também entraram no ramo, instituindo-se uma forte concorrência na área. Dependendo dos bancos, são oferecidas simulações de indenização pela internet, assistência funeral e residencial, que garante a visita de profissionais , sem custos extras, em casos emergenciais .

Determinados tipos de seguro possibilitam ao cliente definir a indenização mais adequada para o bem-estar de sua família.Os preços das mensalidades mudam conforme o valor do benefício desejado e da idade, sendo esta a causadora de uma variação de até 1000% no valor das parcelas.

Os serviços exclusivos chegam a 40 e em determinados casos é possível recorrer ao seguro até mesmo em situações banais, como conserto de fechadura, mudança e limpeza da residência .

O mercado está se mostrando tão lucrativo e com tanta concorrência que os seguros estão cada vez mais direcionados para agradar os mais diferentes perfis. Um exemplo é um novo tipo de seguro direcionado apenas para mulheres, que, além das assistências tradicionais, oferece a opção de cobertura por diagnóstico de câncer de mama ou de colo do útero.

Nesta situação, a cliente tem o direito de receber o pagamento do benefício em vida, sem a comprovação de gastos. Todas essas vantagens chamaram a atenção da psicóloga Joyce Quadros, de 51 anos, que pensa em fazer um seguro de vida. Segundo ela, o atendimento especial para mulheres com câncer é um grande diferencial, principalmente na sua idade, quando a incidência da doença é maior. O seguro de vida é um tipo de conforto, tanto financeiro como psicológico, na hora da morte da pessoa, diz a psicóloga.

 

3 Heranças que dividem as famílias:

Outro assunto ligado ao mercado da morte e que pode causar muita polêmica é a herança familiar. Segundo o dicionário Aurélio, herança é aquilo que se recebe dos pais, das gerações anteriores e da tradição, uma espécie de legado, ou ainda, patrimônio (ativo ou passivo) deixado por alguém ao morrer. Já a definição jurídica de testamento é: “um ato de última vontade, pelo qual o autor da herança dispõe de seus bens para depois da morte e faz outras disposições”.

O que seria um benefício para os herdeiros facilmente se transforma em motivo de brigas e disputas judiciais. O aposentado Arnaldo Engel, 60 anos, já passou por problemas com a herança de sua mãe. Há dez anos, quando Olga Engel faleceu, a sua irmã passou por cima do testamento e desobedeceu a justiça, ficando com todos os bens deixados pela mãe para os três filhos.

Como Arnaldo e a irmã moravam em estados diferentes, os irmãos iniciaram uma batalha judicial que durou quatro anos e resultou em um gasto de aproximadamente R$ 20 mil.

Segundo Eduardo Labruna, 35 anos, advogado especialista na área de órfãos e sucessões, os processos que envolvem herança e inventário são os mais imprevisíveis no direito. O testamento garante que bens deixados pelo morto sejam entregues para as pessoas desejadas. No entanto, nem sempre a lei é válida, pois em caso de assassinato do possuidor dos bens, a herança é anulada.

Outro assunto ligado ao mercado da morte e que pode causar muita polêmica é a herança familiar. Segundo o dicionário Aurélio, herança é aquilo que se recebe dos pais, das gerações anteriores e da tradição, uma espécie de legado, ou ainda, patrimônio (ativo ou passivo) deixado por alguém ao morrer. Já a definição jurídica de testamento é: “um ato de última vontade, pelo qual o autor da herança dispõe de seus bens para depois da morte e faz outras disposições”.

O que seria um benefício para os herdeiros facilmente se transforma em motivo de brigas e disputas judiciais. O aposentado Arnaldo Engel, 60 anos, já passou por problemas com a herança de sua mãe. Há dez anos, quando Olga Engel faleceu, a sua irmã passou por cima do testamento e desobedeceu a justiça, ficando com todos os bens deixados pela mãe para os três filhos.

Como Arnaldo e a irmã moravam em estados diferentes, os irmãos iniciaram uma batalha judicial que durou quatro anos e resultou em um gasto de aproximadamente R$ 20 mil.

Segundo Eduardo Labruna, 35 anos, advogado especialista na área de órfãos e sucessões, os processos que envolvem herança e inventário são os mais imprevisíveis no direito. O testamento garante que bens deixados pelo morto sejam entregues para as pessoas desejadas. No entanto, nem sempre a lei é válida, pois em caso de assassinato do possuidor dos bens, a herança é anulada.

4 Compra de ossos: um mercado ilegal e lucrativo:

Embora desconhecida por muitas pessoas, a compra de ossos humanos é outra atividade que fomenta o mercado da morte. Não raramente, estudantes da área biomédica utilizam partes do corpo humano para pesquisa e estudo na universidade. A compra de “peças”, termo usado como referência para as partes do esqueleto, apesar de ser uma prática ilegal, é cada vez mais comum.

Segundo a estudante de Medicina R. C., de 23 anos, os alunos procuram os coveiros para conseguir os crânios e os dentes.

- Vamos ao cemitério e pedimos o que precisamos. Os crânios custam em torno de R$ 50 e os dentes, R$ 1 cada, conta.

A compra de restos humanos ainda é maior devido aos altos preços dos materiais sintéticos:

- O preço da réplica de um crânio pode chegar a R$ 150, três vezes mais caro do que os verdadeiros. Além disso, muitas delas não são perfeitas, não é difícil encontrar uma réplica com defeitos e falhas, o que atrapalha os nossos estudos.

De acordo com o advogado Labruna, esse tipo de atividade ilegal caracteriza o crime de vilipêndio de cadáveres e/ou suas cinzas.

O artigo 212 do Código Penal trata dessa questão. A pena prevista para tal crime é de detenção de um a três anos e multa a ser aplicada pelo juiz – relata Labruna. Já a enucleação de olhos de cadáveres para fins didáticos não é considerado crime.

O médico recém-formado Pedro Paulo Ribeiro, 23 anos, afirma também que em muitas faculdades, os funcionários das instituições mantêm um acordo com os coveiros para facilittar a venda para os estudantes.

– Essas pessoas já têm uma fonte fixa no cemitério e funcionam como intermediários. Mesmo sendo uma atividade clandestina, alguns estudantes pre f e rem esta opção por ser mais acessível – revela o médico .

 Pedro Paulo ressalta ainda que o comércio é impulsionado pela falta de recursos das faculdades. Ele diz que o material disponível nas universidades públicas é precário e antigo, algumas peças chegam a ter mais de 30 anos.

Esse fato torna necessária a procura pelo material próprio. Isso não acontece nas faculdades particulares, que compram cadáveres regularmente – conta o médico.

5 Preparando o corpo:

Banho, barba e vestimenta.

Tamponamento: Utilização de chumaços de algodão nas cavidades da face para obstruir o mau-cheiro.

Desodorização: Processo químico que neutraliza o odor do cadáver.

Tanatopraxia: Técnica que utiliza a aplicação correta de produtos químicos em corpos falecidos, visando à desinfecção e o retardamento do processo biológico de decomposição, o que permite a apresentação dos mesmos em condições melhores para o velório

Necro-maquilagem: Maquiagem aplicada no morto antes do enterro

Você sabia? Uma única urna funerária é resultado do corte de três árvores de, em média, 30 anos cada.

O vereador Gilson Barreto, do PSDB-RJ, apresentou um projeto de lei, em 1997, para proibir a madeira como material dos caixões e substituí-la por produtos alternativos como o isopor.

De acordo com a lei, quem ganha até dois salários mínimos não é obrigado a pagar funeral.

No cemitério Jardim da Saudade, um funcionário busca o interessado na compra do jazigo em casa e o leva para conhecer o cemitério. Caso você avise a morte de uma pessoa com 48 horas de antecedência, ganhará um abatimento de 30% do valor do funeral.