modelagem
Corte e Costura (em Geral)
1 Introdução
Através da evolução humana percebemos que a indumentária é utilizada para cobrir o corpo, seja porem questões sociais, culturais ou climáticas.
A satisfação com certeza é o motivo mais forte. Adornar-se tem sido no decorrer dos séculos uma forma de expressão, de provocação ou atração. Já nos dias de hoje, as roupas são utilizadas como importante ferramenta de marketing pessoal, de acordo com a assimilação, necessidade, praticidade ou desejo de quem as usa.
Passando por vários estágios de desenvolvimento, a modelagem passou a ser um departamento fundamental nas indústrias têxtil e de confecção, e os profissionais da área, necessitam cada vez mais atualizar seus conhecimentos e habilidades, juntamente com as novidades tecnológicas.
Veremos as diretrizes básicas para a confecção de moldes para a indústria, teorias e práticas para o desenvolvimento das principais bases do vestuário, peça piloto, graduação, encaixe, risco, enfesto, corte, tabelas de medidas e ficha técnica.
2 Modelagem Industrial
A modelagem em caráter industrial segue algumas etapas e regras próprias, diferente das técnicas usadas para modelar peças sob - medida, embora às diretrizes sejam basicamente as mesmas.
Uma das diferenças consiste no fato de que o modelista trabalhará com padrões determinados, sendo necessário, portanto, utilizar-se de tabelas de medidas que se assemelham ao padrão médio do corpo, dentro de uma numeração pré-estabelecida.
É muito importante lembrar, que os moldes industriais exigem cuidados como marcação das costuras, indicação dos moldes das posições dos bolsos, botões, casas, pences, zíperes, sentido do fio do tecido, quantidade de vezes que será cortada à peça, referência, qual a parte da peça do molde. Outro ponto a ser destacado, é que na modelagem industrial os moldes são inteiros, isto é, não representam apenas a metade de cada peça como se faz na costura doméstica. Isso decorre do fato de que, cortando-se dezenas de peças de uma só vez, torna-se impraticável dobrar o tecido para efetuar o corte. Da mesma forma, as peças duplas (manga, frente, punhos, etc.), são sempre cortadas 2 vezes e não apenas uma.
Os moldes básicos podem ser desenvolvidos em papel pardo e após, testar o protótipo e efetuar as correções necessárias. Isso considerando a modelagem feita manualmente.
No caso da indústria do vestuário que já tenha o sistema CAD/CAM (Desenho Assistido por Computador e Manufatura Assistida por Computador), implantado, a modelagem poderá ser realizada diretamente no computador através do sistema. O 1° passo é criar as bases e então sobre elas, trabalhar os modelos desejados ou também, podem-se transferir moldes prontos para o computador, através de uma mesa digitalizadora, ou por fotografia digital.
A partir do momento em que a modelagem estiver pronta, cria-se um arquivo para salvá-
las. Assim, quando precisar criar um novo modelo, poderá se fazer uso dos traçados básicos já
existentes e arquivados, bastando apenas, importá-los para a tela, abrí-los em um novo arquivo e manipulá-los para fazer as devidas alterações até se chegar ao modelo desejado. Após aprovado o protótipo e feita a graduação dos moldes, deve-se fazer o encaixe no sistema, que pode ser automático ou manual.
Gabaritos
São elementos considerados como guias, na linha de produção, confeccionados em papéis com espessura mais grossa, com a finalidade de não danificarem pelo uso na linha de montagem das peças. Exemplos: passar bolsos, riscar lapelas, usa-se o gabaritos, para as peças ficarem com tamanhos iguais. Gabaritos que são de marcação, servem para indicar a posição correta de aplicar ou realizar detalhes que compõe o produto.
podemos distinguir dois tipos de moldes: simétricos e assimétricos
Moldes Simétricos: são aqueles que vestem os dois lados do corpo humano.
Importante: apenas por falta de espaço, os nomes das partes menores foram indicados por setas. Normalmente esses nomes ficam escritos na própria parte.
Moldes Assimétricos: são aqueles que vestem um só lado do corpo humano.
Como você pode ver a modelagem sempre traz por escrito, as seguintes referências básicas:
• Nome da peça (frente direita, frente esquerda, costas, etc...).
• Tamanho da peça (T – 42 = TAMANHO 42)
• Referência da peça (ex: 714)
• Quantidade de vezes que a parte aparece na peça (1x, 2x, 1 par, etc...).
• Sentido do fio.
Você por certo notou que, entre as indicações escritas diretamente sobre as partes dos moldes, existem, entre outras, a palavra FIO que sempre acompanha uma linha reta com setas.
• Que significa essa palavra?
• A que ela se refere?
• Qual a utilidade dessa indicação?
Fio de urdimento: é aquele que, no tecido corre no sentido do seu comprimento;
Fio de trama: é aquele que, no tecido corre no sentido da sua largura;
Colunas: são sequências de malhas que se vão superpondo umas as outras em sentido vertical;
Carreiras: são sequências de malhas dispostas lado a lado no sentido horizontal do tecido.
3 O modelista industrial
O modelista é o profissional da moda que dentro de uma indústria do vestuário, interpreta os modelos dos croquis criados pelo estilista e os transforma em objeto concreto. Deste modelo serão produzidos milhares de outros, sendo por isso a responsabilidade deste profissional muito grande. A experiência, portanto, é essencial e só será adquirida através do trabalho prático.
É indispensável para todos os profissionais deste ramo, estar atualizado sobre tendências de moda, novos materiais e processos tecnológicos, pois estes darão ao profissional a possibilidade de intervir na qualidade dos processos produtivos industriais.
Para iniciar a modelagem de uma peça do vestuário, é preciso conhecer as formas anatômicas do corpo humano e o caimento dos tecidos, possuírem certa habilidade técnica e ter muita observação estética. Desde que se conheça o traçado básico, qualquer modelo torna-se uma decorrência da base. O traçado básico ou as bases dividem-se em bases “modeladas ao corpo ou bases amplas”.
Na indústria do vestuário, o modelista é a peça chave da produção, pois o sucesso de uma coleção também depende da qualidade e do caimento de uma modelagem perfeita. Vele lembrar, que o conforto da roupa é primordial, e muitas vezes superando ate mesmo a beleza.
4 O protótipo e a peça piloto
Após receber a ficha técnica com o desenho a ser executado, o modelista realizará a primeira modelagem para ser testada. A peça é cortada e montada sob a supervisão do modelista, passando por um processo de avaliação, e arquivamento. Durante esta etapa, em que a peça do vestuário pode sofrer alterações, temos a peça-protótipo e após a provação, esta passa a ser chamada de peça-piloto.
A peça piloto é que irá orientar toda a produção, as demais peças deverão ser exatamente iguais. Portanto, é essencial que ela seja perfeita.
Nesta etapa, de transformação do protótipo em peça piloto (desde o traçado do molde até a confecção), a responsabilidade é unicamente do modelista. Mesmo que ele não costure, deve prestar assistência constante para que esta corresponda fielmente ao traçado por ele executado, partindo do modelo fornecido pelo estilista.
Enquanto as peças que já estão em produção, pode ser confeccionado rapidamente, o protótipo precisa ser executado devagar, estudado, testado e aprovado. Pois será através dele, que os possíveis defeitos serão corrigidos, ou o momento no qual o estilista ainda pode requisitar mudanças, para melhor adaptá-lo de acordo com sua criação.
graduação
Consiste em aumentar ou diminuir o molde base, seguindo a tabela de medidas para dar as devidas diferenças de tamanhos.
encaixe
É a distribuição de todas as partes do molde que compõe uma modelagem sobre o tecido ou sobre papel, aproveitando o máximo o tecido, diminuindo o desperdício, às vezes sendo um processo demorado. Através do programa CAD o aproveitamento é otimizado, sendo um recurso que reduz o consumo de matéria prima, ocasionando uma maior exatidão e agilidade.
Não se aconselha fazer um encaixe diretamente sobre tecidos escorregadios ou com muita elasticidade, pois interferem no resultado final do encaixe. Esse também é conhecido como mapa de risco.
Encaixe par: é aquele que o cortador trabalha com todas as partes da modelagem a serem cortadas. Exemplo: camisa, em que a frente esquerda é diferente da frente direita, caracterizando uma modelagem assimétrica.
Encaixe ímpar: é aquele em que se trabalha com a metade da modelagem. Exemplo: a calça que tem dois traseiros e dois dianteiros.
Encaixe par e ímpar: é aquele em que se trabalha com os dois juntos, ou seja, todas as partes completas de um modelo ou metade das peças de um modelo.
Risco
Risco é o mesmo que traço. Significa contornar os moldes distribuídos no encaixe. Riscos normais: são aqueles feitos com a colocação dos modelos no sentido do urdume do tecido, ou seja, do comprimento, paralelo a ourela. Riscos atravessados: os moldes são colocados no encaixe, de modo que fiquem na posição da trama do tecido, ou seja, de sua largura.
Características especiais do tecido
É necessária a pessoa que faz o encaixe dos moldes conhecerem profundamente o tecido que irá ser usado, pois existem características a cada tecido.
Tecido sem sentido determinado: significa dizer que as partes do molde poderão ser posicionadas (mantendo o fio) em qualquer sentido. Exemplos: tecido índigo blue, malha lisa, Oxford, etc... Observação: maior facilidade para encaixar.
Tecido com sentido determinado: significa dizer que as partes do molde deverão ser posicionadas num só sentido. Exemplos: veludo cotelê, veludo molhado, tecidos com estampas em um só sentido, etc..
Tecido sem sentido: é aquele que não modifica de cor ou tonalidade ao ser examinado. Ex: tricoline
índigo.
Tecido com sentido: muda de cor e tonalidade ao ser examinado. Ex: microfibra, cetim.
Tecido com pé: o toque do desenho modifica de acordo com a inclinação de pelos, estampas. Ex:
tecidos de veludo e tecidos com estampas em um só sentido.
risco par
Observe como as costas dos tamanhos 2 e 4 foram riscadas pela metade, exatamente na dobra do tecido. Desdobrando o tecido, depois de cortado, a peça riscada pela metade aparecera inteira.
risco misto
Observe como todas as partes do tamanho 1 foram riscadas por inteiro, ao passo que as do tamanho 4 foram na dobra do tecido. No caso de tecidos tubulares (como malhas) ou tecidos comuns dobrados, quando ocorrer que uma parte simétrica da modelagem só se caracterize pela união do lado esquerdo ao direito, o risco poderá ser par ou misto, pois a parte assimétrica poderá ser riscada pela metade na dobra do tecido.
riscos únicos
São aqueles em que a quantidade de vezes indicada nas partes componentes dos moldes é
obedecida, porém, multiplicada pela quantidade de vezes em que o tamanho correspondente entrará
no risco. Assim, em um risco único, se houver no molde, a indicação 2x sobre determinada parte da peça, será riscado 2 x. Neste tipo de risco, caso a modelagem seja assimétrica, o enfesto terá de ser único, porem no caso de ser simétrica, o enfesto poderá ser tanto par como único.
Veja em seguida três diferentes riscos:
enfesto
São as camadas sobrepostas de tecido umas sobre as outras, formando um bloco, sendo que o comprimento dessas folhas deve ser o mesmo do risco. Fatores que melhoram o enfesto: o alinhamento, onde o tecido é alinhado nos lados da ourela; a tensão deve ser evitada, pois as peças ficarão menores que a modelagem depois de cortadas; corte das pontas, um fator de economia cortando somente o necessário. Existem três métodos de enfestar: o manual, mecanizado e eletrônico. E dois tipos de enfesto, o par, onde o tecido é posicionado ora direito voltado para cima e voltado para baixo, o outro tipo é o enfesto impar, quando o tecido direito e sempre voltado para o mesmo lado.
corte
O corte é uma etapa muito importante do processo produtivo, pois um erro nesta operação tem pouca possibilidade de ser reparado, representando perda parcial ou total do tecido e atraso na produção.