O desenvolvimento do artesanato sustentável com a inserção do design

Artesanato em EVA

1 Artesanato sustentável:

  Por muito tempo a humanidade concedeu mais importância ao crescimento econômico do que à saúde e à qualidade de vida. A contaminação ambiental resultava, quase sempre, da transferência para terceiros das ações corretivas necessárias, sem que houvesse compensação dos custos dessa correção. Não havendo motivação ou estímulo para alterar sua atitude, o poluidor mantinha sua conduta, cujos custos teriam de ser assumidos pela sociedade, como um todo, e pelas gerações futuras. A poluição industrial é uma forma de desperdício e um indício da ineficiência dos processos produtivos até agora utilizados. Os resíduos industriais representam, na maioria dos casos, perda de matérias-primas e insumos.

  Na medida em que as empresas aderem aos conceitos da Qualidade Total e se preocupam com a eficiência de seus processos produtivos, passa a haver uma convergência de interesses técnicos, econômicos e comerciais que tende a reduzir a geração de poluentes. Os resíduos gerados pelas indústrias perturbam o equilíbrio natural pois, muitas vezes, não tem um fim adequado e terminam sendo descartados no meio ambiente de forma equivocada quando poderiam ser vendidos, reciclados ou reutilizados para a produção de novos bens.

  Há algum tempo o termo desenvolvimento sustentável deixou de ser apenas um conceito para se tornar uma preocupação real da sociedade e das empresas. É um desenvolvimento que concilia “crescimento econômico, preservação do meio ambiente e melhora das condições sociais”. Tem como um de seus objetivos amenizar os impactos causados pelo homem em relação ao meio ambiente e a sociedade atendendo às necessidades da geração atual, sem comprometer o direito das futuras gerações de atenderem às suas próprias necessidades. Uma empresa que almeja ser sustentável deve procurar estabelecer estratégias de produção com o intuito de minimizar resíduos, seja pela reutilização ou pela reciclagem. Para Kazazian:

  Os objetos do nosso cotidiano devem mudar radicalmente. Não se trata de produzir menos, mas de outro modo: imaginar objetos eficientes, de simples uso e cujo fim de vida tenha sido antecipado; ampliar a oferta de produtos que respeitem o meio ambiente [...].

  Atualmente um dos principais desafios do design é justamente a questão da sustentabilidade. Pereira defende que “o desenvolvimento de produtos sustentáveis é a resposta do design para o anseio à qualidade de vida humana e a preocupação ambiental”. Esta realidade revela um caso em que o consumo determina a produção.

  Há opiniões que ligam o design ao mundo superficial, presentes numa concepção que considera a forma e o visual como mais importantes, sendo considerado elitista. Passando a ter uma maior difusão, o design e a produção de produtos sustentáveis poderiam perder seu status e valor, transformando-se em cultura de massa. Porém, quanto maior o número de projetos ambientais e de produtos ecologicamente corretos, nos quais os atributos ambientais são tratados como objetivos do design, menor seria o impacto ambiental.

  A responsabilidade social do designer e os problemas causados ao meio ambiente em decorrência da produção em massa, já eram preocupações do designer e educador norteamericano Victor Papanek (1927-1999) na década de 1970. Em uma nova perspectiva, o design ao invés de ser parte do problema, passa a ser parte da solução, no que diz respeito à sustentabilidade, podendo contribuir para a mudança do perfil atual da produção e do consumo.

  Se em alguns processos industriais é quase impossível impedir a geração de resíduos, torna-se importante dar-lhes um destino adequado. O artesanato apresenta-se como uma forma de trabalhar alguns tipos de resíduos que não podem ser reutilizados em um processo industrial ou reciclados. Aliando o modo de produção artesanal com a inserção do design para trabalhar a reutilização dos resíduos de indústrias têxteis, o objetivo deste projeto é abrir caminhos para o desenvolvimento sustentável de produtos de moda, entendendo este último como qualquer elemento ou serviço que conjugue as propriedades de criação (design e tendências de moda), qualidade (conceitual e física), vestibilidade, aparência (apresentação) e preço a partir das vontades e anseios do segmento de mercado ao qual o produto se destina (RECH).

2 Artesanato e design:

  Com o objetivo de melhor compreender o termo, dada a sua diversidade e abrangência, o World Crafts Council (WCC)3 define artesanato como toda atividade produtiva que resulte em objetos e artefatos acabados, feitos manualmente ou com a utilização de meios tradicionais ou rudimentares, com habilidade, destreza, qualidade e criatividade. A produção consiste em pequenas séries, oferecidas ao mercado com regularidade.

  Pode-se afirmar ainda em relação à atividade artesanal:

  • É um trabalho predominantemente individual, porém a produção de alguns artefatos exige a participação de vários artesãos durante a sua produção;
  • No mínimo, 80% do trabalho é feito pelo artesão;
  • Revela uma habilidade baseada na criação e originalidade que pode ser fruto do repasse de técnicas através de gerações, de uma técnica apreendida em cursos, ou ainda uma técnica criada pelo próprio artesão;
  • Produz artefatos com identidade e valor cultural, que identificam a região e o artesão que os produziu, porém pode também não apresentar valor cultural local ou regional;
  • Apresenta uma produção em pequenas séries, com regularidade, gerando produtos semelhantes, porém diferenciados entre si, ao contrário dos produtos industriais.

  Em termos de mercado a vantagem competitiva do produto artesanal mais valorizada atualmente é a originalidade e a representatividade cultural que, diferentemente dos produtos industriais, o transforma em um artefato exclusivo. Outro aspecto do artesanato é sua íntima ligação com a cultura e as matérias-primas mais comumente encontradas em uma determinada região. Como diz Borges “o artesanato é um patrimônio inestimável que nenhum povo pode se dar ao luxo de perder. Mas esse patrimônio não deve ser congelado no tempo. Congelado, ele morre. E é na transformação respeitosa que entra o papel dos designers.” O próprio World Crafts Council vê como necessidade “criar canais de colaboração entre designers e artesãos para que o artesanato e o design possam caminhar juntos”.

  Para o International Council of Societies of Industrial Design (Icsid) o design é uma atividade criativa cuja finalidade é estabelecer as qualidades multifacetadas de objetos, processos, serviços e seus sistemas, compreendendo todo seu ciclo de vida. Portanto, design é o fator central da humanização inovadora de tecnologias e o fator crucial para o intercâmbio econômico e cultural (ICSID). O designer é o profissional que cria, desenvolve e orienta a geração de novos produtos. Segundo Archer, o problema de design resulta de uma necessidade e o trabalho do designer é projetar produtos que ajudem a solucionar problemas, que atendam necessidades.

  A função do designer seria a de prever necessidades ainda não expressas, traduzindo nossa vontade de novas formas de viver; ou trazendo uma visão intuitiva dos rumos que irão seguir os padrões estéticos. [...] se falamos em design, é preciso pensar em ideias inovadoras, portadoras de uma nova mensagem, seja na forma ou no conteúdo. [...] Assim, o designer é aquele que procura criar soluções para nossos problemas cotidianos. [...] Mas a função do designer é maior do que apenas inventar soluções confortáveis: ele é o responsável pela qualidade de vida do planeta. Só ele será capaz de salvá-lo criando objetos com materiais que não sejam tóxicos nem poluam o ambiente, que não criem tanto lixo, porque o mundo já está ficando saturado e não há mais espaço para o descarte (ESTRADA).

  Mas de que forma o design pode contribuir com a atividade artesanal para buscar soluções, possibilidades de geração de renda, além de valorizar o patrimônio cultural regional? O diálogo entre a forma artesanal de produção e a industrial, onde o designer geralmente atua, pode ser facilitado por meio da utilização de metodologias de design visando a execução de modelos de desenvolvimento sustentável uma vez que “as duas formas de produzir podem equilibrar investimentos que propiciam a geração e transferência de tecnologia, valorizar a cultura local e ao mesmo tempo ampliar a geração de emprego e renda.” (CAVALCANTI et al.).

  

3 Projeto:

  O uso de ferramentas metodológicas de planejamento e desenvolvimento do projeto que tragam respostas criativas e inovadoras com viabilidade industrial e comercial é inerente ao design, uma atividade multidisciplinar. Munari sugere que não se deve projetar sem um método, pois a criatividade não significa improvisação sem método ou pensar de uma forma artística procurando a solução sem fazer antes uma pesquisa sobre o que já foi feito de semelhante ao que se quer projetar.

  O desenvolvimento de produto deste projeto, uma adaptação da proposta por Munari e Löbach, consiste em uma série de operações necessárias, colocadas em uma ordem lógica, ditada pela experiência e conhecimento técnico. Ela não é absoluta nem definitiva, podendo haver modificações de acordo com os rumos do projeto, pois suas regras não impedem o designer de se adequar a novas ideias. Löbach afirma que o processo de design pode ser complexo e que, para facilitar, pode-se dividí-lo em fases. Porém estas fases, na prática, se entrelaçam e há avanços e retrocessos. Todo processo de design envolve tanto o processo criativo quanto a solução de problemas.

  Tudo se inicia com um problema, com sua definição, para depois chegar à sua solução que pretende melhorar a qualidade de vida. A próxima etapa consiste em uma coleta de dados onde reúnem-se informações sobre o problema, incluindo um estudo dos materiais. Na etapa seguinte, esses materiais devem ser experimentados quanto às suas diversas formas de derência, resistência, desgaste, elasticidade, absorção/retenção de umidade, conforto térmico, inflamabilidade. Posteriormente, com o levantamento de todas as informações, é dado prosseguimento com a parte criativa, onde há a síntese de todos os dados coletados que devem apontar para possíveis soluções de produtos. Tendo se chegado a algumas propostas, o próximo passo é uma pesquisa de mercado a fim de conhecer o que já foi realizado a respeito. Este passo é muito importante para se chegar a uma definição do produto de moda a ser confeccionado. Definido o produto, um protótipo deverá ser confeccionado.

  Desenvolvimento sustentável de um produto de moda artesanal com a inserção de uma metodologia de design:

Definição do problema:

  A cidade de Brusque, em Santa Catarina, é conhecida por ser um dos maiores pólos têxteis do Brasil, onde pessoas de todo o país visitam a cidade para comprar malhas a preços competitivos. Com tantas fábricas e confecções deste segmento, os resíduos têxteis muitas vezes tornam-se um problema, pois para muitos deles ainda não foi encontrada uma reutilização ou reciclagem adequadas. Esta necessidade de reutilizar um resíduo têxtil que até o momento só tinha como destino o lixo é o que motivou e se tornou o problema desta pesquisa. A necessidade originou um problema de design e o papel do designer é justamente pensar soluções de produtos a partir de necessidades. Neste caso, a necessidade foi dar um novo destino, pensar em uma reutilização para os resíduos de confecção e tomá-los como matéria-prima para o desenvolvimento de um produto de moda de forma artesanal.

  Com o reaproveitamento dos resíduos da indústria têxtil há a possibilidade de gerar mais empregos na produção de novos produtos como, por exemplo, a confecção de edredons, acolchoados, enchimento de painéis de veículos, entre outros, sendo que o mais importante é que estes resíduos não estarão nos aterros sanitários ou sendo queimados em caldeiras, já que muitos são derivados de petróleo e sintéticos.

Coleta de informações:

  Nesta etapa foram realizadas visitas técnicas em confecções a fim de se conhecer os resíduos têxteis. Os resíduos têxteis fazem parte dos materiais que podem ser reutilizados de diversas formas como meio de gerar renda e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente.

  Em Brusque foram visitadas algumas confecções que geram os mais diversos resíduos, como a indústria do segmento underwear que vende seus resíduos para outras confecções para a fabricação de peças menores, como peças infantis de qualidade inferior e panos para limpeza com alto teor de absorção (estopas) utilizados em oficinas mecânicas. No segmento de jeanswear os resíduos são vendidos para a fabricação de carpetes para carros. Já no segmento de fitness, o resíduo da poliamida é vendido para a fabricação do fio de poliamida, ou seja, ele retorna ao ciclo. Porém as pequenas confecções de lingerie, moda praia e modinha que trabalham com viscolycra descartam seus resíduos no lixo comum, pois até o momento não há um processo de reciclagem ou mesmo de reutilização devido ao tamanho e a forma irregular das rebarbas que são descartadas pelas máquinas overlock. Devido a estes fatores a rebarba de viscolycra revelou-se o material apropriado para este projeto.

Estudo dos materiais:

  Por meio de uma pesquisa bibliográfica, procurou-se entender e conhecer a composição dos resíduos têxteis. As fibras produzidas em laboratório a partir de derivados de petróleo são bastante utilizadas na confecções de roupas e sua decomposição pode durar cerca de 30 a 40 anos. De acordo com Pezzolo, os tecidos mais comuns utilizados e descartados na natureza são:

  • Elastano: uma fibra química obtida do etano, inventada e registrada pela DuPont com a marca Lycra, com a função de dar elasticidade aos tecidos convencionais de malha ou planos. A fibra elastomérica possui uma grande elasticidade podendo atingir até cinco vezes o seu tamanho normal sem se romper. Sua utilização faz sempre a combinação com outras fibras em 5% e 20%.
  • Poliéster: também conhecido como tergal é utilizado tanto na malharia como no tecido plano. Absorve pouquíssima umidade e os avanços tecnológicos têm permitido que ela se torne cada vez mais semelhante ao algodão.
  • Poliamida: substância básica formadora do náilon, obtido pela polimerização de aminoácidos ou pela condensação de diaminas com ácidos dicarboxálicos. Leve e macia não encolhe e não deforma, é resistente, de secagem rápida, sensível à luz, retêm poeira, mancha com facilidade e não absorve umidade.

  Já o material escolhido para o projeto, a viscolycra, é um tecido 100% sintético, composto da fibra de elastano com o fio de viscose, e normalmente é confeccionada com 93% a 90% de viscose e 7% a 10% de elastano em média.

  No Brasil a Tecelagem Santa Constancia (que dá o nome de Radiosa à sua viscolycra) e a Malhas Menegotti produzem este tipo de tecido. A viscolycra possui características semelhantes ao algodão, porém com toque mais macio, caimento, cores mais intensas, textura diferenciada, além de ter baixo custo. É mais comumente usada na confecção de vestuário feminino, mas pode ter outras aplicações por ser um tecido leve e confortável.

Experimentações das amostras:

  Foram realizadas diversas experimentações com a viscolycra como: teste de inflamabilidade (colocando fogo em uma pequena amostra), teste de hidrofobilidade (capacidade de absorver líquidos lentamente), além da medição de sua elasticidade quando submetida ao peso. Após os testes constatou-se que a viscolycra é inflamável, pouco absorvente e tem grande elasticidade.

Criatividade:

  Neste ponto as informações foram analisadas e relacionadas criativamente entre si. Esta síntese deve apontar para possíveis soluções de produtos e Löbach sugere a técnica da associação livre de ideias para produzir novas combinações. Surgiram diversas sugestões de produtos que poderiam ser confeccionados com a rebarba da viscolycra como por exemplo: acessórios de moda como faixas para cabelo, brincos, colares, cintos, objetos de decoração como tapetes, pufes, cortinas, aplicações em toalhas, decorações em caixas, decorações de bolsas e de roupas compondo customizações.

Pesquisa de mercado e definição do produto de moda:

  Para avaliar qual a melhor alternativa de produto, um momento importante foi a pesquisa de mercado onde pôde-se averiguar o que vem sendo realizado e o que já foi feito de semelhante ao que se quer projetar. Descobriu-se que há uma tendência de cada vez mais estilistas e designers de moda lançarem linhas de decoração. A marca Diesel lançou sua primeira coleção homeware com sofás e luminárias, Missoni lançou uma coleção chamada Cactus Garden de móveis para jardim, Ralph Lauren aumentou suas coleções existentes, Armani criou móveis de cozinha, além de outras marcas como Versace, Kenzo, Ungaro, Moschino que vêm apostando neste setor.

  Neste sentido, levando em conta todos os aspectos envolvidos neste trabalho como o desenvolvimento sustentável do artesanato e o design, a alternativa escolhida para ser confeccionada foi um pufe. O pufe é uma peça versátil de decoração, pois pode servir de assento, de mesa lateral ou apoio para os pés. São vendidos em lojas populares, em grandes magazines ou pequenas lojas e ateliers, quando são produzidos em pequena quantidade e assinados por artistas ou artesãos. Encontram-se em diversas cores, formas e texturas e tem uma faixa de preço variada. Podem ser feitos com diversos materiais e recheios tais como: fibras siliconizadas, E.V.A. (Etil Vinil Acetato), bolinhas de isopor, flocos de espuma e garrafas PET. O revestimento é variado, feito com materiais como tecido 100% algodão, couro e tecidos sintéticos.

  O diferencial do pufe deste projeto é tanto seu recheio, feito com um aglomerado de garrafas PET encaixadas, unidas por fita, quanto seu revestimento externo, uma capa de tecido de algodão onde serão costuradas as rebarbas de viscolycra. Como a proposta do produto está baseada no conceito de sustentabilidade, optou-se por fazer a estrutura do pufe utilizando garrafas PET, devido ao seu longo tempo de decomposição.

Confecção do protótipo:

  A última etapa do processo de design é a materialização, com a confecção do protótipo. O material utilizado foi:

  • 18 garrafas PET;
  • 1 rolo de fita adesiva larga;
  • 1 folha de papelão grosso (utilizando 1 caixa de pizza grande);
  • Cola branca à base de água;
  • 1/2 metro de espuma com 5 cm de espessura;
  • 1 metro de tecido de algodão (reaproveitamento de calças jeans);
  • Rebarbas de viscolycra colorida;
  • Máquina de costura reta.

  As etapas para a confecção foram:

  • O primeiro passo foi localizar a marca superior da garrafa PET, ao longo de seu contorno, e cortar neste local. Depois bastou encaixar a tampa da garrafa no fundo, de cabeça para baixo e fazer isso em todas; 
  • Logo após foi necessário reunir pares de garrafas e passar a fita adesiva nas extremidades até ficar bem firme. Depois de reunir os pares, fez-se o mesmo com quatro garrafas e passou-se a fita adesiva até firmar todo o grupo. Continuou-se dessa forma, mas reunindo os blocos de quatro garrafas em um único bloco para dar o formato quadrado do pufe.
  • Depois cortou-se a espuma e o papelão do tamanho do pufe. A parte de cima foi forrada com a espuma e colada com o papelão. Costurou-se o tecido de algodão nas mesmas medidas do pufe e as fileiras de rebarbas de viscolycra por toda a extensão da capa, uma embaixo da outra, dando assim textura física e visual.

  Atualmente o designer tem um papel de agente modificador, principalmente em se tratando da questão da sustentabilidade, uma vez que a sociedade enfrenta problemas ambientais causados pela produção, utilização e descarte indevido de produtos. Um dos desafios do designer é pensar na sustentabilidade não como alternativa, mas como um novo modo de projetar e produzir, tanto em escala industrial quanto artesanal. A conscientização de todas as partes da cadeia produtiva, não só do designer, é necessária para uma mudança de comportamento.

 O objetivo geral desta pesquisa era, desenvolver um produto de moda artesanal a partir do estudo e da utilização de resíduos têxteis com a inclusão do processo de design - e foi atingido. Observou-se que é possível reutilizar um resíduo têxtil, no caso a rebarba de viscolycra, que seria descartada por não ter nenhum outro destino adequado, na produção artesanal de um novo produto, um pufe. A utilização de uma metodologia de projeto foi de extrema importância, pois permitiu uma organização das etapas do trabalho, delimitando os percursos do projeto.

  A confecção do protótipo mostrou-se um pouco demorada, principalmente na confecção da capa com as rebarbas de viscolycra. Um ponto positivo é que não é necessário que o artesão tenha grandes conhecimentos de costura para poder executar a junção da rebarba com o tecido base. Uma das dificuldades foi a coleta do resíduo da viscolycra, pois os profissionais das confecções estão habituados a descartá-los no lixo comum.

  O presente projeto abre portas para sua extensão como, por exemplo, a elaboração de uma associação para a coleta seletiva dos resíduos de confecção para a produção deste e de outros produtos de moda de vários segmentos como: decoração, acessórios e vestuário, utilizando as mais variadas técnicas artesanais.