Praticando a agricultura orgânica

Noções Básicas em Agricultura Orgânica

1 Introdução À agricultura orgânica

Em síntese, o objetivo maior na agricultura de base ecológica é chegar, com o passar do tempo, a um sistema de produção equilibrado. Apesar de existirem alguns procedimentos técnicos recomendados, o enfoque é mais amplo e não pode ser confundido com uma simples “receita”, pois dessa forma permaneceria a mesma lógica do sistema convencional e, justamente o que faz a boa agricultura orgânica ser diferente da convencional é o enfoque sistêmico (visão de processos), e não os métodos específicos. 

Apesar de existir um conjunto de regulamentos técnicos que precisam ser seguidos pelos agricultores orgânicos, existe também uma ética orgânica, baseada em alguns princípios agroecológicos.

Reconhecer o solo como fonte de vida. A qualidade e o equilíbrio da fertilidade do solo (manutenção de níveis de matéria orgânica, cobertura permanente, promoção da atividade biológica, reciclagem de nutrientes e intervenção controlada sem destruição do recurso natural) são essenciais para a sustentabilidade da agricultura. Lembre que a saúde humana e animal estão diretamente ligadas à saúde desse patrimônio.

Trabalhar a propriedade como um sistema, otimizando as trocas e inter-relações entre os componentes. Isso permitirá melhorar e incrementar a fertilidade do sistema como um todo. A ideia é que plantas, animais e seres humanos interajam, resultando em um sistema equilibrado e biologicamente ativo.

Utilizar medidas preventivas. As correntes de base ecológica procuram superar problemas como pragas, doenças e invasoras, por meio de medidas preventivas e integradas, sabendo que o fundamental é conhecer profundamente as causas do problema e não simplesmente combater os efeitos (com um produto químico, por exemplo), como é comum na agricultura convencional.

Trabalhar com sistemas diversificados de produção, pois uma superespecialização (monocultura) é instável biológica e ambientalmente. Assim, busca-se diversificar com espécies, variedades e raças crioulas mais adaptadas à região;

Minimizar a entrada de recursos externos à propriedade (nutrientes, energia, sementes, outros), buscando maior independência e maximizando os recursos internos (reciclagem, biodiversidade);

Valorizar a tradição, a cultura e o saber popular dos agricultores de cada região;

Ter a natureza como modelo, observando e respeitando os ciclos das estações, os produtos locais e eliminando os riscos associados ao uso de produtos químicos sintéticos.

A produção vegetal

As correntes que trabalham com a visão agroecológica normalmente adotam o enfoque sistêmico, no qual a propriedade é vista como um sistema que deve ser analisado e trabalhado de acordo com o conjunto de suas características. Nessa abordagem, as atividades são organizadas pelo agricultor e sua família buscando, mediante uma visão ampla, otimizar todas as relações existentes no sistema de produção. A maior complexidade dos sistemas orgânicos exige do agricultor muita observação e conhecimento da propriedade e de seu meio-ambiente, bem como um bom planejamento da produção,que deve considerar os recursos disponíveis (estrutura, materiais, mão de obra) e o mercado para qual pretende vender.

O conhecimento do subsistema que será o carro-chefe da propriedade (vegetal, animal, florestal) e suas combinações exigirá um acompanhamento permanente de todo o processo de produção, transformação e comercialização.

O Sistema de Produção Agrícola

Diversificando o integrando o sistema produtivo

A diversificação pode ser alcançada com um manejo que utilize espécies vegetais e animais de forma integrada e complementar, tais como:,

Sistemas agroflorestais: Integrar árvores e culturas pode ser uma boa opção para regiões mais declivosas. À medida que as árvores se desenvolvem, o espaço entre elas pode ser manejado com culturas anuais e perenes de vida curta, até a formação do sistema agroflorestal.

No sistema agroflorestal as árvores são utilizadas em conjunto com a agricultura e/ou animais na mesma área, de maneira simultânea e numa sequência de tempo.

Arborização em pastagens: Uma alternativa para melhorar o estado das pastagens é a integração com árvores. As suas sombras podem aumentar a produção animal significativamente, formando um ambiente sensivelmente menos estressante quando comparado ao ambiente a céu aberto, em função da menor temperatura à sombra. As características desejáveis de uma espécie arbórea incluem: a) rusticidade (tolerância à seca, geada e eventual encharcamento do solo); b) crescimento rápido; c) capacidade para reciclar nutrientes à pastagem; d) boa palatabilidade e digestibilidade; f) tolerância ao ataque de insetos e doenças; h) capacidade para fornecer sombra, abrigo e controle da erosão.

Rotação de culturas: Na agricultura orgânica, a rotação de culturas assume um papel extremamente importante, principalmente com relação ao controle de pragas, doenças e produção de palha para proteção do solo. Além disso, a rotação permite o controle natural de plantas invasoras por meio de substâncias químicas (compostos alelopáticos) e pelo efeito físico das coberturas. Ainda, permite um melhor aproveitamento energético das calorias investidas, refletindo positivamente na rentabilidade final da unidade de produção agrícola.

Em sistemas de produção de hortaliças, por exemplo, o ideal é alternar espécies de famílias diferentes para não esgotar o solo. Por exemplo, pode-se rotacionar plantas de raiz (cenoura, beterraba), plantas de folha (alface, rúcula, couve e outras folhosas), plantas de flor (couve-flor, brócolis) e plantas de fruto (tomate, berinjela, pepino, vagem). Muitas vezes, os horticultores intercalam outras famílias de adubos verdes ou cereais no planejamento de rotação para aumentar ainda mais a diversidade de plantas.

Figura 3 – Esquema de propriedade integrando agricultura, pecuária e floresta.

As pastagens em rotação permitem melhorar a fertilidade do sistema por meio do aporte de matéria orgânica. As culturas são rotacionadas alternando-se diferentes famílias de plantas entre culturas principais, secundárias e adubos verdes.

Cultivos de cobertura: a cobertura impede o impacto direto das chuvas (reduzindo o potencial erosivo) e dos raios solares, mantém a umidade no solo, além de diminuir a oscilação térmica nas camadas superficiais. Por meio dos efeitos dos resíduos vegetais (parte aérea e raízes) aumenta-se a infiltração de água no solo, diminuindo o escorrimento superficial e as perdas de água, solo e nutrientes.

Os adubos verdes, como são conhecidos, podem ser utilizados para melhorar as características físicas, químicas e biológicas do solo, além de contribuir com a cobertura de solo e ajudar a diminuir a infestação de invasoras. Os adubos verdes mais usados são aveia, ervilhaca, centeio, nabo forrageiro (que são de inverno) e mucunas, guandu, crotalárias, feijão de porco (que são de verão). 

Ajudam na reciclagem de nutrientes no solo, diminuindo a lixiviação dos mesmos e minimizando a demanda externa de fertilizantes. Além disso, a cobertura ajuda no controle de ervas, diminuindo os custos com o controle. Com o uso de adubação verde, há uma tendência, ao longo dos anos, de aumento dos teores de matéria orgânica no solo que irá proporcionar significativas melhorias nas características do solo. Para promover estes benefícios as plantas são manejadas (cortadas, acamadas ou enterradas) antes, durante ou logo após o período de floração.

Consórcio de plantas: : é outra forma de associar diferentes culturas buscando valorizar as influências benéficas entre as plantas e, desta forma, potencializar a produção. Quando consorciadas de forma correta, as plantas são capazes de se ajudar e utilizar o melhor potencial do solo e da energia solar. De qualquer forma, a experiência e o saber-fazer são essenciais para o sucesso desta prática, pois determinadas combinações podem ser competitivas.

Quebra-ventos: também conhecidos como cercas vivas, são estruturas – geralmente de árvores – que modificam o fluxo do vento. Um bom quebra-vento pode reduzir a velocidade do vento por uma distância de até vinte vezes a altura (20H) da barreira de árvores.

2 Trabalho no solo e cuidado com a água

Uma das grandes diferenças entre a agricultura orgânica e a convencional é a maneira de tratar o solo. Na agricultura orgânica, o solo é considerado um organismo vivo e é a base de sustentação do sistema. Na convencional, em muitos casos, é apenas um suporte para as plantas.

Alguns princípios agroecológicos são seguidos também por agricultores convencionais, como o uso de técnicas conservacionistas, tais como: uso de terraços, plantio em nível, adubação verde, uso de cobertura morta, plantio direto e cultivo mínimo.

Para o trabalho do solo, são indicados implementos que não perturbem a sua atividade microbiana, sendo recomendados o cultivo mínimo, escarificação ou plantio direto por evitarem uma mobilização intensiva do solo. A aração deve ser pouco profunda, de modo a não paralisar as funções vitais do solo. Com isso, o trabalho mecânico é completado pela fauna, em particular pelas minhocas, e também pelas raízes das plantas.

O uso de enxada rotativa, muito comum nos sistemas de olericultura, deve ser realizado de forma cautelosa de modo a não pulverizar excessivamente o solo. Para o desenvolvimento da agricultura orgânica, é proibido o uso de águas poluídas, com excesso de substâncias químicas e coliformes fecais. No caso de unidades de produção situadas próximo a alguma fonte poluidora, as mesmas devem ser vistoriadas para se determinar o grau de contaminação, por meio de análises de solo, água e alimentos produzidos.

Alimentando a planta sem usar adubos químicos

Na agricultura orgânica, o mais importante é alimentar o solo e o sistema como um todo, ou seja, as plantas, animais, florestas e pessoas. Privilegiam-se os adubos orgânicos que são transformados pelos seres vivos do solo antes de serem progressivamente absorvidos pelas plantas.

A fertilização orgânica é baseada na matéria orgânica e nos fertilizantes minerais naturais pouco solúveis e, de preferência, produzida no local. Sendo a matéria orgânica tão importante, ela deve ser fornecida ao solo sempre que necessária. As opções são variadas: adubos verdes, estercos de animais, composto orgânico, húmus de minhoca, palhas, restos vegetais, serragens, resíduos, tortas vegetais (mamona, cana). No caso de ser trazida de fora da unidade de produção, deve-se conhecer a sua origem e qualidade.

ATENÇÃO: É necessário tomar cuidado com o uso excessivo de algumas fontes, como o esterco de aves novo (cama de frango), que podem conter contaminantes. Ele deve ser compostado por um prazo de 6 meses antes de ser utilizado no solo a fim de que as altas temperaturas alcançadas no processo de compostagem eliminem os patógenos prejudiciais à saúde. Em caso de suspeita de contaminação de insumos orgânicos deverá ser exigida, pela certificadora a análise laboratorial.

Outra fonte de complemento para nutrição vegetal são os fertilizantes minerais naturais pouco solúveis. Esses materiais servem como complemento da matéria orgânica no aporte de elementos fundamentais, como o fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e micronutrientes (boro, ferro, zinco, cobre, outros). Para fornecimento desses elementos, se da a  preferência ao uso de farinha de ossos, rochas moídas, semi-solubilizadas ou tratadas termicamente, sendo permitida a correção do solo com calcário.

Ainda para o suprimento de potássio, se estimula o uso de cinzas vegetais, que também fornecem micronutrientes e podem servir como corretivo de solo.

No tocante aos microelementos, tem-se incorporado esses minerais por meio da fermentação em soluções com água, esterco e aditivos energéticos, conhecidos como biofertilizantes.

Como controlar pragas e doenças sem agrotóxicos

Nos ecossistemas pouco alterados, os insetos, fungos, bactérias e vírus, convivem em equilíbrio com os organismos benéficos. Este é o motivo pelo qual são proibidos todos os procedimentos que causem desequilíbrio do ambiente, como o uso de agrotóxicos e fertilizantes concentrados e que se dissolvem rapidamente no solo.

Vale lembrar que uma planta saudável, bem alimentada, é dotada naturalmente de defesas contra o ataque de pragas e doenças. Se ela adoece, é porque está mal nutrida. No sistema convencional, as plantas podem ficar doentes e desequilibradas pelo uso de agrotóxicos e adubos químicos.

Para preservar o equilíbrio do ecossistema e prevenir pragas e doenças, é prudente usar sempre métodos como: diversificação, integração, rotação e consorciação de atividades; recomposição florística da unidade de produção; reciclagem de biomassa disponível na unidade; incorporação de matéria orgânica; utilização de variedades de plantas mais adaptadas à região; busca de uma nutrição mais adequada e completa aos vegetais e organismos do solo.

Ainda nas práticas preventivas estariam os quebra-ventos e barreiras mecânicas, as plantas atrativas e repelentes de insetos, e as plantas companheiras. Se esses procedimentos não forem suficientes para eliminar o problema, lança-se mão de processos mecânicos e biológicos pouco nocivos à saúde do meio ambiente.

De uma maneira geral, podemos dizer que os métodos empregados para o manejo de pragas e doenças podem ser sintetizados em três grandes pontos:

  • Aumento da resistência das plantas;
  • Controle biológico e no uso de feromônios;
  • Proteção física, repelentes e nos tratamentos curativos

Num primeiro momento, o recomendado é trabalhar para aumentar a resistência das plantas. Isso pode ser conseguido com o emprego de espécies e variedades adaptadas ao solo e clima da região, com rotações de culturas, consorciação de plantas e demais técnicas culturais que aportam matéria orgânica e permitem uma boa estruturação do solo. Além disso, diversos preparados à base vegetal, animal e mineral (biofertilizantes) são destinados a reforçar as defesas da planta.

Um segundo método indicado no manejo de pragas e doenças é o controle biológico utilizando inimigos naturais. Para isso, é importante a preservação de um refúgio natural como um bosque ou uso de quebra-ventos que possa abrigar a fauna e impedir a proliferação de doenças pelo vento. O uso de feromônios é utilizado para confundir os machos e evitar a proliferação dos insetos. Com a ajuda destes hormônios, os machos podem ser capturados, envenenados ou esterilizados, interrompendo o acasalamento e com isso reduzindo a geração de novos insetos-praga.

Um terceiro método empregado para afastar as pragas e evitar doenças é a utilização de uma proteção física e/ou repelentes. O melhor exemplo é o uso de estufas plásticas que permitem um maior controle do ambiente onde estão as plantas. Outros métodos físicos são as armadilhas mecânicas, luminosas, uso de calor e frio, entre outros. Plantas com propriedades inseticidas e repelentes também são uma boa opção.

Caso os métodos anteriores não sejam suficientes, ainda é possível lançar mão de tratamentos curativos. Estes tratamentos são realizados por meio de preparados à base de plantas ou com caldas de produtos minerais simples e pouco tóxicos.

A alta incidência de formigas cortadeiras é um dos desafios enfrentados pela agricultura orgânica. A infestação, porém, normalmente está ligada à alteração dos ecossistemas naturais responsáveis pela regulação das populações de formigas na natureza. Assim conhecer a ecologia das formigas é o primeiro passo para o controle ecológico de formigas cortadeiras.

O mato como um amigo e não uma erva daninha

Na agricultura orgânica evita-se o termo “ervas daninhas”, já que todas as plantas na natureza teriam uma função ambiental. Quando manejadas corretamente podem ser úteis no controle da erosão, na conservação do solo e sua umidade, na formação de matéria orgânica, como refúgio para inimigos naturais e no controle das próprias invasoras por suas propriedades alelopáticas.

Os matos não ocorrem aleatoriamente, são plantas indicadoras que aparecem em circunstâncias e locais determinados para indicar as condições do terreno. Assim, a observação de sua ocorrência é de grande utilidade na busca da correção das deficiências do solo.

Da mesma maneira como no manejo de pragas e doenças, o princípio da prevenção também é privilegiado para o manejo de plantas invasoras, sendo recomendados alguns procedimentos, como:

  • Métodos físicos (manutenção de cobertura morta e adubação verde);
  • Métodos biológicos (plantas com efeito alelopático, ou seja, supressor de outras invasoras);
  • Métodos mecânicos (aração, gradagem, capinas, roçadas);
  • Métodos químicos, por meio de herbicidas, que não são permitidos na agricultura orgânica.

Finalmente, o que deve ser compreendido é que as invasoras são ervas espontâneas e devem ser manejadas como parte integrante do sistema e, nesta perspectiva, a tarefa não é eliminar indistintamente, mas definir o limiar econômico da infestação e compreender os fatores que afetam o equilíbrio entre invasoras e culturas comerciais.

3 A produção animal na agricultura orgânica

Os animais têm uma função primordial na agricultura orgânica, por participar da reciclagem de elementos nutritivos nas propriedades agrícolas. Além disso, seus dejetos constituem uma das principais fontes de matéria orgânica destinada a manter a fertilidade do sistema, inclusive das pastagens e forrageiras - utilizadas na alimentação - permitem maior diversificação e integração do sistema.

Tecnicamente falando, o objetivo do manejo animal é a obtenção de uma produção satisfatória, mantendo os animais em bom estado de saúde e com bem-estar, sobretudo por meio de ações preventivas.

Para tanto, o agricultor deve observar:

  • Um bom manejo das pastagens, de preferência em sistema rotativo;
  • O tamanho do rebanho e as instalações devem permitir o bem-estar dos animais (por isso, os animais não podem ficar em sistemas de confinamento intensivo);
  • A maior parte da nutrição deve ser com alimentos orgânicos e o tratamento veterinário não pode conter antibióticos e outros produtos químicos

Além das recomendações existentes, o agricultor necessita planejar e dimensionar as criações em função do sistema de produção que pretende desenvolver. Por isso, a criação precisa ser cuidadosamente organizada de forma a se integrar no sistema produtivo, contribuindo para diminuir a importação de insumos e geração de renda (ovos, leite, carne e derivados)

Os cuidados com as pastagens

Quando falamos de animais, geralmente nos esquecemos do solo. Porém, na produção orgânica ,que privilegia a criação a pasto ,um dos princípios básicos é reconhecer o solo como fonte de vida. A qualidade e o equilíbrio da fertilidade do solo (manutenção de níveis de matéria orgânica, promoção da atividade biológica, reciclagem de nutrientes e intervenção controlada sem destruição do recurso natural) são essenciais para a sustentabilidade da propriedade. Ou seja, na produção orgânica, a saúde animal também está ligada à saúde do solo.

O sistema rotativo conhecido como Pastoreio Voisin tem demonstrado na prática a possibilidade de boa adaptação ao manejo orgânico. Alguns princípios são importantes de serem seguidos no novo sistema:

  • Manter o solo coberto não apenas no verão, mas também no inverno (com azevém e aveia, por exemplo);
  • Lembrar que a silagem encarece a produção do leite, podendo representar cerca de 50% do custo;
  • Fazer o planejamento alimentar do rebanho baseado em pastagens;
  • Introduzir um manejo de pastagens baseado em tecnologia de processos e não em produtos, aumentando a produção e a qualidade da mesma.

O ideal é um rodízio diário de modo que o gado só volte para o primeiro piquete quando a pastagem já tenha crescido e beneficiado a terra

Escolhendo os animais de criação

A escolha dos animais deve considerar a adaptação fisiológica do animal ao ambiente em que vão ser criados. Animais importados de situações ecológicas diferentes acabam tendo mais problemas de doenças, baixa produtividade e dificuldade de adaptação. No sistema orgânico é interessante que sejam selecionados animais de maior rusticidade às doenças endêmicas (parasitoses, viroses, bacterioses) e, adaptados à região.

Observações nas instalações dos animais

Em relação ao manejo do rebanho, as instalações (galpões, estábulos, galinheiros e outros) devem ser adequadas ao conforto e saúde dos animais, o acesso à água, alimentos e pastagens também deve ser facilitado. De maneira geral, sugere-se que o regime de criação seja de preferência extensivo ou semi-extensivo, com abrigos.

O que é permitido na alimentação dos animais

No que diz respeito à alimentação dos animais, as normas recomendam a produção própria dos alimentos orgânicos (volumosos e concentrados) por meio da formação e manejo das pastagens, capineiras, silagem e feno. Neste aspecto, é importante que a maior parte da alimentação seja orgânica e venha de dentro da propriedade. Além de bovinos, a alimentação de outros animais, deve ser complementada com material verde fresco (hortaliças, rami, guandu, gramíneas e outros). Inicialmente, os animais deverão ser alimentados com no mínimo 50% de produtos orgânicos.

Com o passar do tempo serão toleradas percentagens de no máximo 20% de alimentação de origem não orgânica.

Tratando os animais em caso de doenças e pragas

Em relação ao tratamento veterinário, o objetivo principal das práticas de criação orgânica é a prevenção de doenças. Saúde não é apenas ausência de doença, mas habilidade de resistir a infecções, ataques de parasitas e perturbações metabólicas. Desta forma, o tratamento veterinário é considerado um complemento e nunca um substituto às práticas de manejo. O princípio da prevenção sempre vem em primeiro lugar e, quando é preciso intervir, o importante é procurar as causas e não somente combater os efeitos. Por isso, é importante a busca de métodos naturais para tratamento veterinário. O tratamento homeopático já vem sendo utilizado com bons resultados e diminuição de custos.

O bem-estar dos animais

As mutilações de animais e utilização de substâncias destinadas a estimular o crescimento ou modificar o ciclo reprodutivo dos animais são contrários ao espírito da produção orgânica e, portanto, são proibidos. O transporte dos animais precisa ser efetuado de maneira a respeitar os animais, evitando qualquer tipo de brutalidade inútil. Além disso, o abatedouro deve ser o mais próximo possível das propriedades.

Se ele é confinado num local com grande concentração de animais, espaço limitado para locomoção, sem possibilidade de expressar seus modos naturais de comportamento, fica profundamente perturbado, sujeito a manifestações de estresse e sistema imunológico prejudicado. Como qualquer indivíduo nessas condições, os animais ficam mais propensos a doenças.