Introdução à Teologia
Teologia Básica
1 Introdução à Teologia
Introdução
Inicio expondo alguns pontos que me pareceram fundamentais para uma introdução à teologia. Digo alguns pontos porque uma introdução a uma área do conhecimento é sempre seletiva. É impossível tratar em de tudo em espaço de tempo reduzido. Isso por um lado. Por outro lado gostaria que ficasse desde já como pressuposto de que uma introdução sempre é um abrir o leque das questões que serão aprofundadas no decorrer do curso como um todo. Cada etapa desse curso cumpre uma função específica. A minha função não será aprofundar questões específicas, mas “despertar” o desejo para conhecer mais. É exatamente isso que me proponho. Despertar o desejo natural que temos para conhecer, aprofundar a nossa fé. Espero que consiga isso. E não espero outra coisa.
Vamos aos pontos:
Introdução geral e problematização
A) Esperança
1- Na era da teologia para leigos
2- Na era do pluralismo e reino do diálogo inter-religioso
3- Uma pastoral mais exigente
4- Sede de espiritualidade
5- Pluridiversidade de lugares teológicos
B) Suspeita
1- Imediatismo
2- Espiritualismo
3- Controle centralizador
4- Separação entre teologia/ pastoral
5- O espírito do tempo
Questões nucleares
a) O que é Teologia?
b) O que estuda e em que perspectiva?
c) Enfoques teológicos?
d) Teologia para que?
e) As formas ou níveis do discurso teológico
2 Teologia e método
Introdução geral e problematização
Para começo de conversa é bom demarcar uma série de pressupostos/atitudes gerais que devem ser como que pano de fundo, ou tela, em que se dependura o universo do fazer teológico.
Pressuposto: Posto antes, antes da base mesmo...é o alicerce sobre a qual se constrói a casa...
fé no ministério
O pressuposto dos pressupostos é a fé no mistério. Esse pressuposto tem relação com o caráter próprio do fundamento da Teologia: Deus. É preciso ter em conta que todo saber tem seu mistério ( seu lado ainda não, seu lado de sombra, seu lado fascinante e tremendo que nos encanta e nos põe suspensos). Até mesmo o saber científico. Basta ver, por exemplo, os insondáveis mistérios que se escondem no campo da medicina. Continua como um grande mistério a cura do câncer, do prolongamento da vida, da aids etc... Nem tudo é luz na ciência, mesmo que ela se proponha a tudo clarear pela luz da Razão. Não há resposta última e absoluta sobre as pergunta da física ou cosmologia etc... Os cientistas ainda estão atrás de uma explicação sintética da origem do universo,...sem falar do futuro do universo em expansão ou em refluxo....A ciência não trabalha com a hipótese do mistério, Deus não joga dados e por tanto deve haver uma explicação para tudo, se ainda não se chegou é apenas déficit do nosso conhecimento....Uma grande diferença com a teologia que não parte do pressuposto de tudo responder, mas de compreender.
Se assim é com a ciência em geral, muito mais com a teologia por tratar do Mistério dos mistérios: Deus. Quem se propõe fazer teologia tem que saber que se está pisando em terreno misterioso e para isso é bom que soe aos ouvidos aquela voz de Deus dirigida a Moisés: “Tire as sandálias dos teus pés, porque este lugar em que está é uma terra santa” (Ex, 3,5). Só com essa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar e avançar no mundo da teologia. Sem essa atitude básica corre-se sério risco de praticar uma teologia secularizada...
Nesse sentido é que se diz que não se pode fazer teologia sem fé
E quando se diz Fé quer-se dizer que estamos diante do sagrado e misterioso. A fé acontece antes e depois de toda a palavra, de toda a tentativa de Saber,...não se tem fé porque se conhece, mas apesar do conhecer. A atitude de fé na ciência está na segurança e na funcionalidade testada e provada pela experiência...em teologia não há prova, e por isso mesmo exige-se fé...Toda prova em teologia acaba em ato de fé...assim é com a nossa maior prova, a ressurreição...A fé é anterior a teologia...A fé não pode ser um resultado das demonstrações racionais sobre Deus e a Revelação(TEODICÉIA)...A teologia não é a própria fé, a teologia procede da Fé, interprete-a, empenha-se em compreendê-la, especialmente através de uma reflexão sistemática. Nesse sentido Teologia é a ciência da fé. Uma ciência com particularidades, como veremos no decorrer do curso. Voltaremos mais adiante sobre essas questões.
Para concluir: Não tenhamos a pretensão e o desejo de tudo conhecer e tudo desvendar, tirar o véu e ver face a face. Isso é uma tentação, é preciso deixar o mistério ser mistério e entrar na dinâmica dele e crer por causa disso. Se buscarmos prova para tudo, a nossa fé não se sustentará. Fé em virtude do mistério, do absurdo como diz Kierkegaard. O que é central na nossa fé é mistério impenetrável totalmente pela razão: a encarnação, a crucificação, e a ressurreição.
Mistério vem de muein: “fechar a boca”, “fechar os olhos”. Os olhos e a boca são fechados porque o mistério transcende o ato de ver e falar. Aquilo que deixa de ser mistério depois de se revelar não deveria ser chamado mistério propriamente.
Amor às “Coisas” da revelação
Além dessa atitude, ou pressuposto básica que é a fé no mistério, há uma segunda que é o Amor pelas coisas da fé. Amar é desejar. Desejo é sempre algo que nos falta. Não se ama algo que se tem. Se já temos desfrutamos. Essa lição que vem da filosofia e da psicologia é importante também na teologia. É preciso desejar o que nos falta. Em teologia nos falta o aprofundamento, a reflexão, sobre um dado primeiro que é a fé. E não uma reflexão pela reflexão, não o conhecimento pelo conhecimento. O saber só tem sentido para nos tornar melhores. Amor às coisas da revelação. É preciso alimentar o amor, e aqui se alimenta com Leitura, com participação, com busca, com desejo mesmo..com gosto pelas coisas da revelação....gosto pela bíblica sem ser carola ou fundamentalista....mas para não ser é preciso esforço, leitura, aprofundamento...
Como tomar gosto pela Teologia?
Eu diria que teologia é uma fruta que se aprecia enquanto se come. E o apetite vem comendo. Isso significa que é preciso vencer as resistências para chegar ao saboreio total da fruta. Para isso é preciso esforço, dar tempo, se debruçar sobre o objeto do amor. O conhecimento se dá do simples ao complexo como numa relação amorosa humana. No início uma leve atração, que se não alimentada pode morrer. Tal como o Amor, a teologia é uma tarefa permanente. Precisa ser renovada constantemente. Para isso é preciso fazer uma teologia orante e não só teologia racional. Em relação ao estudo especificamente falando vale a pena ouvir a sabedoria milenar do oriente: “Os cinco meios externos para progredir no estudo são: mestre, livro, casa, condiscípulos e orelhas. Os cinco meios internos para o estudante ter sucesso são: saúde, mente desperta, boa conduta, aplicação e gosto pela leitura”....
Muitas coisas se opõem ao estudo da teologia:
- a cultura de massa baseada na comunicação audiovisual que a todos afeta, inclusive o teólogo. O lado passivador e sensacionalista pouco favorável a reflexão pessoal continuada.
- O ativismo pastoral ou não, que dispensa o aprofundamento em nome da ação.
- Um clima de hedonismo e materialismo que dificulta a mente a escarpar as montanhas mais puras e elevadas, como são as da fé.
- Uma cultura dominada pelo saber instrumental. Vivemos um tempo em que o saber que não seja operacional ou técnico, parece ser coisa de desocupado...E outros.
estudar ou fazer teologia?
Uma outra atitude ou pressuposto importante a ter presente no começo da teologia é quanto a alternativa estudar ou fazer teologia? A opção recai aqui para o fazer...O Estudar dá a impressão de algo que se adquire e se aprende. Aprender dá a impressão que teologia é algo fixo, morto...uma coisa que se pode pegar, dominar, reproduzir e adquirir como se adquire um carro e que se registra em nome próprio. Teologia não é só um saber a ser transmitido e que alguém se apropria. Teologia é coisa viva, uma coisa que se movimenta, que nos escapa, que nos puxa, que nos impulsiona para frente. Não se pode imaginar que teologia seja resposta pronta e que sirva como um catecismo. Nesse sentido para fazer teologia tem que se estar implicado nela...tem que haver uma disposição ao novo, ao instigante, ao ainda-não....É um fazer em aberto...é uma obra aberta como diz eco...Uma obra em que o artista principal não é o Professor, e nem propriamente o aluno, mas o Espírito de Deus. Nesse sentido professor e aluno tem que estar aberto a um terceiro que interpela e convoca para a frente... E por isso ambos abertos aos sinais dos tempos... Abertos as perguntas e apelos novos que vem da igreja e da sociedade....ter uma atitude crítica para ler nos acontecimentos a “mão invisível de Deus”...para isso tem que se apropriar da “fábrica de fazer teologia”... tem que passar pela história, pelas escolas teológicas, pela teologia bíblica, teologia patrística, monástica, moderna e contemporânea para chegar a Teologia da Libertação... Os grandes Teólogos da libertação são grandes por conhecer e saber fazer teologia por dentro da fábrica mesmo do fazer teológico... para isso tiveram que se debruçar sobre a tradição...conhecer bem Agostinho, Tomás... Ranher etc...
Compromisso Com o Povo
Todo saber humano é serviço à vida. Um texto de São Bernardo é paradigmático na enumeração e qualificação dos vários tipos de saber:
“Há os que querem saber só para saber.- E isso é torpe curiosidade. (Desonesto, impudico, Infame, vil, abjeto, ignóbil).
Hás os que querem saber para aparecer. – e isso é torpe vaidade...
Há ainda os que querem saber para vender sua ciência, por exemplo, em troca de dinheiro e de honras. –E isso é um torpe ganho.
Mas há também os que querem saber para edificar – e isso é caridade.
Há ainda os que querem saber para se edificarem a si mesmo. – e isso é prudência”.
A prática teológica com mais forte razão não pode terminar no puro saber, mas no compromisso da fé e da caridade, no ministério da palavra e na luta pela libertação, enfim, na Práxis. Teoria- Prática= Práxis (Reflexão feita ação e ação refletida).
Não basta saber o que, mas importa saber para que. Em teologia é importante a pergunta: a quem interessa? A verdade teológica deve fecundar a vida e produzir vida. A teologia é portanto um ministério e o teólogo um servidor, servidor da Palavra em favor do povo. Para isso não se pode fazer teologia alienada, desligada da realidade que deve iluminar.
clodovis coloca aqui três formas de compromisso com o povo
1- Ao nível da causa. Luta ao lado do pobre e não somente simpatia intelectual e moral. Importa que se tenha um contato físico. E que se defenda as suas causas. É preciso estar lá onde o povo está. A teologia não pode ser de gabinete. Aqui luta-se pelos pobres.
2- AO nível da caminhada. Não só o contato e a vivência ao lado do pobre. Mas também luta-se com ele. É preciso dividir o tempo entre o trabalho teórico e o prático na organização das lutas do povo dando aquilo que tem de específico, elementos teóricos, pedagógicos e políticos.
3- Ao Nível das condições de vida. Aqui luta-se como pobre. É preciso encarnar o jeito do pobre viver. Isso supõe uma inserção profunda na vida dos pobres. É preciso para isso optar pela inserção social. Viver onde o pobre vive.
Existe um privilégio hermenêutico dos pobre. Deus esconde as coisas dele dos sábios e ao entendidos e as revela aos pobres. Um exame acurado da história poderia nos mostra o estreito entrelaçamento entre pobreza e sabedoria. Sócrates, Buda Etc...Do ponto de vista bíblico é possível fazer teologia silogizada sobre a libertação, mas então estaremos perdendo algo essencial que é a “opção histórica de Deus pelos pobres”...Não se discute aqui quem é esse pobre, e o que significa pobreza, se é a real ou a do coração etc....essa é uma questão importante mas que vai além do limite aqui...ver p. 178ss.
Finalmente é preciso se perguntar aqui: Qual a contribuição específica que a prática traz a inteligência da fé?
A “força de inteligibilidade” da prática, ou sua “espessura epistemológica”( isso significa dizer qual a relevância da prática para o conhecimento teológico) consiste principalmente em dois pontos:
3 Teologia e método II
a prática provoca o conhecimento:
a prática verifica o conhecimento do teólogo:
a fala da amada
4 Sinais de esperança e a permanência de suspeitas em relação à Teologia
Na era da teologia de e para leigos:
no reino do pluralismo e do diálogo
Uma pastoral mais exigente...
Sede de Espiritualidade...
Pluridiversidade de lugares teológicos:
A partir da pastoral imediatista “popular”:
A partir de uma perspectiva espiritualista:
A partir de maior controle centralizador:
Distância entre teologia e pastoral:
o espírito do tempo atual:
conclusão
5 Questões nucleares
O que é teologia
Inteligência da fé
Crítica e aprofundamento da própria resposta a revelação e os desígnios de Deus. É a sistematização do ato 1. É o confronto racional de esclarecimento entre o que é nossa fé e prática com a fé e a prática de Deus em Jesus Cristo. Fé adulta, fé consciente. Por isso exige método.
Disciplinas: que falam de Deus- Trindade, Cristologia, Criação. Do lado da Fé: Liturgia, Moral, espiritualidade, eclesiologia, pastoral, ecumenismo etc....No fundo teologia é articular os dois pólos de forma crítica e hermenêutica, isto é, de interpretação do que é a vontade de Deus na ação humana, e o que é da vontade do homem na ação de Deus. A articulação da relação, eis o que é a teologia.
É preciso ser bem objetivo aqui. Teologia é inteligência da fé que por sua vez se articula e se defronta constantemente com a Revelação de Deus. Por isso temos um esquema simples.
Teologia - É a ciência do diálogo entre Deus e o homem. Como se faz isso? Bem, isso é o que se verá durante todo o curso. O paradigma desse diálogo é a história do povo de Deus na bíblia. E por isso a concentração em temas bíblicos. Mas chamo a atenção aqui. É sempre diálogo. Fala de Deus e fala e ação humana. Para esclarecer melhor essa relação passamos ao segundo ponto.
O Que estuda a teologia e em que perspectiva?
Como em toda a ciência é preciso distinguir o objeto material do objeto formal.
O interesse específico, a perspectiva, a visão, o enfoque é a forma de captar o mesmo objeto material. E a perspectiva é o que caracteriza o objeto formal. Isso é de extrema importância porque conforme a perspectiva temos teologias diferentes e ciências diferentes. O físico não vê no universo numa perspectiva de fé. Deus é uma hipótese inútil, dizem os cientistas. O cientista vai ver o universo a partir das leis próprias da funcionalidade material.
Em síntese: o objeto formal da teologia é Deus enquanto revelado e recebido na fé. Fazer teologia é diferente do que fazer filosofia da religião ou teodiceia que procura provar Deus pela razão.
O objeto do material: o objeto material é o sobre o que se processa o conhecimento. Em teologia o objeto material é Deus. Mas não só Deus. É Deus e tudo o mais. Tudo pode ser objeto quando lido a luz da fé e da revelação. A teologia não tem por objeto um objeto entre outros. E aqui se distingue a teologia de outras ciência que sempre tem um objeto particular e não vê a partir do todo. Deus é determinante de tudo, e então qualquer objeto pode ser objeto do teólogo. (uma flor, um ato, um ente da criação, um acontecimento da história) É evidente que Deus é o primeiro objeto. O mundo, o homem são objetos segundos. Como diz Tomás: “A teologia não trata por igual de Deus e das criaturas, mas de Deus principalmente, e das criaturas na medida em que se relacionam com Deus como a seu princípio ou fim”. É aqui que entra a teologia da libertação e que fala da história e das lutas dos pobres dizendo que estão falando de Deus. Se não se tem essa compreensão pode-se achar que o homem e a história não são lugares teológicos. Sob o enfoque de Deus toda a criação pode ser tratada.
importante
1-Teologia não é discurso do homem sobre Deus. Deus é sujeito e objeto ao mesmo tempo. O teólogo explicita a fala de Deus. Fora disso se cai no subjetivismo.
2-Tudo é teologizável, mas nem tudo convém. Voltaire dizia que a teologia “fala de tudo e mais um pouco”. É preciso ver a relevância histórica ou pastoral de se desenvolver este ou aquele tema da teologia. Os anjos são uma parte da criação. Que relevância teológica tem? Se bem que hoje tem mesmo...Os pobres e o reino de Deus é objeto relevante para nós da América latina. Além do que o pobre e e sua libertação é uma temática capital na bíblia. Não é o pobre o centro da teologia, mas Deus. Mas o pobre ocupa no projeto de Deus um lugar de destaque. Está certamente entre os primeiros dos “objetos segundos”, se assim se pode dizer.
3- Reducionismo epistemológico.
- Há uma redução epistemológica (isto é, de método de conhecimento, de como se dá o conhecimento e seus procedimentos) quando se acha que se está fazendo teologia quando se fala das “coisas religiosas”. Há aqui uma redução de objeto, deixando de fora toda a outra realidade criacional. Não se vê que se pode falar de Deus a partir das coisas do mundo. Sem dualismos. Ou não se vê que se pode falar do mundo do ponto de vista religioso. Essa posição é representada por um pretenso espiritualismo, o de não misturar as coisas sagradas com as profanas. Como se isso fosse possível. Rahner: Não é possível falar de Deus senão falando do homem, e falar do homem é falar de Deus.
- Há reducionismo epistemológico quando se pensa que se está fazendo teologia só por que se fala de Deus, sem reparar o como se fala de Deus. Reduz-se assim o fazer teológico ao objeto e não se contempla a forma. Nesse sentido se cai no ramo das ciências da religião e não propriamente na teologia.
novos enfoques teológicos
Não reduzir a teologia ao objeto, mas por em evidência na perspectiva do sujeito significa dizer que em cada momento histórico aparecerá enfoques diversos que são pertinente para o sujeito que vê. Trata-se pois de perspectivas, óticas ou pontos de vista que investem a totalidade da teologia. São ângulos a partir dos quais se faz teologia. É o que chamamos tecnicamente de enfoques teológicos sempre a luz da fé.
Foco, enfoque, concentração do foco (ponto onde convergem os raios da luz). Foco pode significar ainda o ponto onde se forma o pus, ou ponto sede de qualquer doença. Algo está mal, e por isso focaliza-se sobre ele para de alguma forma o curar.
Enfoques: Sexista (teologia feminista), Ecológico, Étnico, teologia das religiões.
Só uma palavra rápida sobre a teologia feminista. Ao meu ver é uma das teologia, juntamente com a do diálogo inter-religioso, mais promissora para a igreja. Chegou o tempo da mulher ser respeitada dentro da igreja. Elas sustentam a igreja do ponto de vista organizacional mas ainda são tratadas como secundárias do ponto de vista efetivo das decisões e das conduções finais das coisas da igreja. Na sociedade civil isso é algo que está sendo superado faz tempo. Na igreja ainda vivemos o patriarcalismo.
Do ponto de vista teológico a teologia feminista é responsável na consciência que temos hoje de que homem e mulher foram feitos com igual dignidade e que portanto diante de Deus a superioridade de um sobre outro é algo cultural e deve ser encarado como tal. E o esforço das feministas é justamente mostrar como foi se constituindo historicamente uma consciência e estrutura machista dentro da igreja. Para isso vão até a bíblia para mostrar as ambiguidades dela em relação à mulher, o machismo ora direto ora velado. Fazem num primeiro momento um processo metodológico de desconstrução, de crítica, às vezes forte e provocadora. Num segundo momento propõe um novo relacionamento baseado na diferença sim, mas em pé de igualdade de condições inspiradas em Jesus Cristo que valorizava por igual homem e mulher.
O resultado já aparece, mas ainda estamos a caminho. O certo é que a teologia hoje, como um todo tem que ser feita com nova sensibilidade, que respeito o corpo como um todo, e não somente seja expressão da racionalidade.
teologia para que?
Estamos aqui diante de algo muito importante no universo teológico. Como perspectiva de introdução à teologia me parece fundamental. Estamos falando do objetivo da teologia. O que estará em questão aqui não será o seu objeto, mas sim o seu objetivo, sua missão.
Qual o objetivo, a finalidade da teologia?
Em resumo daria para se dizer que teologia não existe para si mesma. Ela existe para outra coisa: a fé, o amor, a prática evangélica, enfim a vida cristã. Na história podemos perceber três acentos na finalidade da teologia. Teologia serve para conhecer, conhecer para amar, e amar para praticar. Nessa formulação ficam sintetizadas as três correntes que discutem a finalidade da teologia.
1-(Tomismo) 2- (franciscanismo) 3- (teologia da libertação)
1- Direta e imediatamente a teologia existe para conhecer os desígnos de Deus. É uma finalidade irrecusável. Se a teologia não se propuser esse objetivo ninguém mais se proporá. Isso é fundamental. Sem essa finalidade cai-se na funcionalização da teologia. Porém não se pode parar nele.
2- Indireta e mediatamente existe para amar e servir a Deus. Há uma finalidade decisiva: praticar a vontade de Deus. Esse deve ser um objetivo sempre presente no teólogo cristão.
3- A teologia existe também como práxis de transformação tanto no nível pessoal como no nível estrutural. Temos aqui a teologia da libertação.
Disso se depreende que teologia não é uma ciência do tipo teórica e nem simplesmente prática.
A tradição clássica distingue dois tipos de ciências. Ciência teórica e ciência prática.
É uma ciência dupla: é uma ciência prática-teórica e teórica-prática. Ela visa os dois objetivos concomitantemente. O conhecimento e a prática. Não existe corrente que seja exclusivista nos objetivos. Apenas nota-se acentos circunstanciais. A diferença entre as várias escolas é somente de Acento. A escola tomista diz que é mais “uma ciência do que prática”. Seria uma ciência teórica-prática. A escola franciscana diz que é mais prática que teórica. Uma ciência prática-teórica. A teologia da libertação tenta um meio termo. Seria então uma ciência prática-teórica-prática.
6 Questões nucleares II
As formas ou níveis do discurso teológico
Teologia Pastoral:
Teologia profissional ou acadêmica:
as três formas de elaboração teológica:
tipos de teólogos (as)
Há os teólogos(as)-formigas
Há os teólogos(as)-aranhas
Há, por fim, os teólogos(as)-abelhas
teologia e método